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<title>Desesperada Esperança</title>
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<modified>2008-07-22T18:46:55Z</modified>
<tagline>Escrito pela mão invisível de Bruno Alves. Comentários e opinião: alves.bm@netcabo.pt</tagline>
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<copyright>Copyright (c) 2008, afGmB</copyright>
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<summary type="text/plain">Obama e o Iraque Um artigo de Barack Obama (candidato Democrata à presidência americana) no New York Times foi motivo de grande polémica nos EUA. Tudo porque o jornal recusou um artigo de John McCain (o candidato Republicano) que procurava...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Obama e o Iraque</strong></p>

<p><img alt="obama.jpg" src="http://www.desesperadaesperanca.com/images/obama.jpg" width="400" height="200" /></p>

<p>Um artigo de Barack Obama (candidato Democrata à presidência americana) no <a href="http://www.nytimes.com/2008/07/14/opinion/14obama.html?_r=1&8qa&oref=slogin">New York Times</a> foi motivo de grande polémica nos EUA. Tudo porque o jornal recusou um artigo de John McCain (o candidato Republicano) que procurava responder a Obama. Mas mais importante que a opção editorial do jornal, foi o conteúdo do artigo de Obama, que no meio da confusão, quase passou despercebido. O que é pena, pois ele mostra bem a razão pela qual uma eventual vitória de Obama nas eleições de Novembro próximo seriam tudo menos uma boa notícia.</p>

<p>Obama afirma que, ao contrário de McCain, ele não defende o estabelecimento, por parte dos EUA, de bases militares permanentes como as que ainda hoje existem na Coreia do Sul, assegurando que a sua vontade é de que os EUA abandonem o Iraque num futuro próximo. Obama vai ainda mais longe: seguindo a opinião de Nuri Kamal al-Maliki (Primeiro-Ministro iraquiano), o candidato Democrata compromete-se a, caso venha a ser eleito, definir um calendário para a retirada americana do país, esperando dessa forma limitar o "overstretch" das tropas americanas e permitir que o esforço militar se "concentre" em locais como o Afeganistão.</p>

<p>A posição de Obama é semelhante àquela que foi expressa há uns anos pelo <a href="http://www.desesperadaesperanca.com/archives/2006/12/index.html#a001259">Iraq Study Group</a>, a comissão à qual Bush pediu uma revisão da estratégia para o Iraque, e cujas recomendações ignorou. E ignorou bem, pois longe de serem uma solução para o problema, elas tenderiam a agravá-lo, tal como aquilo que Obama propõe. Pois se o candidato Democrata tem razão quanto aos custos da permanência americana no Iraque, não há nada no seu artigo que mostre que ele tem consciência dos custos de uma eventual retirada. Em primeiro lugar, a violência não diminuiria. A guerra civil continuaria, e provavelmente, sem a presença militar americana, agravar-se-ia, tornando-se num conflito aberto. Num conflito que, em última análise, se arrastaria pela região. A maioria xiita teria certamente o apoio do Irão. Mesmo as por vezes citadas inimizades entre o xiismo árabe (iraquiano) e o xiismo persa dos iranianos seriam irrelevantes, à luz do interesse estratégico de tal apoio. Como escrevia há tempos, na revista britânica <em>The Spectator</em>, o jornalista Fraser Nelson, tal proximidade faria do Irão uma superpotência xiita. Uma superpotência regional, que seria uma ameaça para a sunita Arábia Saudita, que, como afirmava um funcionário britânico citado por Nelson, não poderia ficar a assistir à criação de um protectorado iraniano. Quer numa partilha do Iraque por três estados independentes (o cenário comentado por Nelson), quer na manutenção de um único estado (mesmo que federal), o confronto entre as três facções seria inevitável. O interesse na questão forçaria o Irão a participar, e a participação iraniana arrastaria consigo a intervenção saudita. A questão curda, especialmente no caso de o Curdistão se tornar um estado independente, arrastaria a Turquia, causando, no mínimo, um conflito no seio da NATO (talvez com a saída da Turquia, criando um novo problema geoestratégico para os EUA e os países europeus). Tudo com Israel ali ao lado, podendo ser a todo o momento arrastado para o conflito, o que acabaria por, forçosamente, trazer consigo um regresso dos EUA ao Médio Oriente. Para fugirem a um suposto “novo Vietnam”, os EUA deixariam no Médio Oriente uma espécie de “I Guerra”, em que o conflito num país, e o interesse de cada uma das potências regionais nesse conflito, as arrastaria para um confronto em larga escala.</p>

<p>O leitor dirá que exagero. Talvez. Mas a retirada do Iraque colocaria em perigo os soldados americanos que estariam a retirar no situação mais perigosa que aquela que enfrentam agora, e colocariam os cidadãos americanos (e os dos países europeus) em risco de sofrerem novos atentados. Como explicou Paddy Ashdown, antigo líder dos Liberais-Democratas britânicos, e um insuspeito crítico da intervenção americana, o anúncio de uma retirada imediata provocaria um aumento da violência, direccionada contra as tropas, num momento em que estas estão mais vulneráveis (segundo Ashdown que tem alguma experiência nestas questões, o momento da retirada é, pela própria natureza da operação, o momento em que estas estão mais vulneráveis a ataques, e em que estes podem causar mais baixas). Quanto aos cidadãos americanos e dos países europeus, e a um maior risco de atentados terroristas, basta lembrar as palavras de Bin Laden, que vê os infiéis como um “cavalo cansado” incapaz de lutar, que tudo cede, mal vê um soldado a morrer. Retirar do Iraque por não se conseguir lidar, no terreno, com a violência, e em casa, com as imagens que chegam do terreno, seria confirmar a ideia de Bin Laden. O que só incentivaria os que o seguem a insistirem, a provocarem mais medo, mais mortes, para empurrar o Ocidente cada vez mais para fora do barco. Por todas estas razões, sair do Iraque, agora, acabaria por ser contraproducente.</p>

<p>O conteúdo do artigo é significativo ainda noutra medida: uma curta reflexão sobre o dito, e sobre o "fenómeno Obama", mostra como o candidato Democrata se condenou a si próprio ao fracasso. Durante meses, as "previsões" acerca das eleições presidenciais americanas de 2008 eram as mesmas, viessem de onde viessem: nos Republicanos, a escolha do candidato nomeado seria uma lotaria, mas nos Democratas, Hillary Clinton nem sequer precisaria de fazer campanha. De repente, a coisa começou a correr mal, e Barack Obama tornou-se o "moço fofo" de todos. Gente inteligente como Andrew Sullivan e Fareed Zakaria entusiasma-se com a figura e a personalidade do "candidato da esperança", como lhe chamava a <em>The Economist</em>. E de facto, uma vitória de Obama em 2008 dava uma boa primeira página de jornal: um presidente afro-americano, com família muçulmana, vende mais jornais que um branco cinquentão, e, como diz o <a href="http://www.oinsurgente.org/2007/12/10/his-face/#more-10706">meu colega no Insurgente, André Amaral</a>, seria o portador da melhor mensagem que a América poderia transmitir a um miúdo no Paquistão: até alguém como ele pode chegar a Presidente. E depois, com Obama vem uma mensagem de mudança, de uma outra geração com outras preocupações que não a discussão do Vietnam até à eternidade. Duvido, no entanto, que todo este entusiasmo seja merecido.</p>

<p>Porque se a vitória de Obama seria uma boa capa de revista, o que viesse a sair da sua presidência talvez não o fosse, ou talvez não o fosse pelas melhores razões. E basta pensar o que propõe Obama para o Iraque: a retirada imediata das tropas americanas. Depois de prometer isto nas eleições, Obama tem dois caminhos: ou cumpre, ou finge que esquece a promessa, que seria aliás cada vez menos repetida até Novembro, caso fosse o noemado pelos Democratas. A cumprir a promessa, conseguiria obter apenas e só um resultado: uma carnificina no Iraque. No entanto, alguns dirão, uma vez chegado à Casa Branca, o inexperiente Obama tomaria consciência das escolhas complicadas que têm de ser feitas, e perceberia que não poderia cumprir a promessa. Mas a ser assim, muito rapidamente Obama queimaria a "esperança" na sua pessoa: ao ignorar uma promessa eleitoral tão relevante como esta, Obama estaria a mostrar que, afinal, é apenas um "político" como "os outros", preocupado em ser eleito e capaz de, "como Hillary Clinton ou Mitt Romney", dizer o que for preciso para o conseguir. Ao esquecer essa promessa, Obama mostraria que em nada difere do <em>establhisment</em> de Washington que tanto diz desprezar. Se a cumprir, será o responsável por uma desgraça. Faça o que fizer, a "esperança" que hoje se deposita nele será, uma vez eleito, sol de pouca dura.</p>]]>

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<summary type="text/plain">These Are For You, McNulty O meu amigo Paulo, exilado por uns tempos na Civilização, entendeu por bem provocar-me, ao pôr no blog dele fotografias das livrarias que ele vai encontrando (assim é que vejo como devemos ser seres execráveis:...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>These Are For You, McNulty</strong></p>

<p>O meu amigo Paulo, exilado por uns tempos na <a href="http://zeromaisquatro.blogspot.com/2008/07/blog-post_20.html">Civilização</a>, entendeu por bem provocar-me, ao pôr no blog dele <a href="http://zeromaisquatro.blogspot.com/2008/07/10-livros-por-10-dlares-broadway.html">fotografias das livrarias que ele vai encontrando</a> (assim é que vejo como devemos ser seres execráveis: só mesmo pessoas desmesuradamente pretensiosas vêem o acesso a boas livrarias como arma de arremesso e instrumento de provocação). Obviamente, ele foi bem sucedido, eu dou por mim a insultar a América por deixar entrar alguém como ele no país. Mas, por muito que eu barafuste, ele está lá a comprar livros baratos enquanto eu ando aqui à espera que o correio me traga o que vou arranjando. Assim, resta-me recorrer a algo que o Paulo conhece bem, as palavras do <a href="http://www.hbo.com/thewire/cast/characters/william_rawls.shtml">Comandante Bill Rawls</a> para o <a href="http://www.hbo.com/thewire/cast/characters/jimmy_mcnulty.shtml">Detective Jimmy McNulty</a>: <em>"See these two, McNulty? These are for you..."</em></p>]]>

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<summary type="text/plain">A Ler Uma entrevista (traduzida para inglês) do francês Pierre Manent, em que este diz coisas bastante sensatas acerca da &quot;Europa&quot;: &quot;The problem in Europe, particularly in France, is that our politics, though obviously bad, are not correctible, whatever the...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>A Ler</strong></p>

<p><a href="http://galliawatch.blogspot.com/2007/12/reason-for-nations.html">Uma entrevista</a> (traduzida para inglês) do francês Pierre Manent, em que este diz coisas bastante sensatas acerca da "Europa":</p>

<p>"<em>The problem in Europe, particularly in France, is that our politics, though obviously bad, are not correctible, whatever the orientation of the electorate. Even though opinion is hostile to the indefinite extension of the European Union, even though the citizens of two founding countries voted against the constitutional treaty, everything proceeds as before and it is being suggested that the treaty will slip in through the window. The European machine has been set up in such a way that it cannot not be deployed, the result being a "purposeless finality" ("finalité sans fins"). The outcome that we are celebrating, the 25th anniversary of Europe, and soon the 30th, will have been created by a mechanism that no one can control, and that was not desired by anyone."</em></p>]]>

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<summary type="text/plain">Durão e o &quot;Tratado de Lisboa&quot; Durão Barroso terá hoje admitido que deseja cumprir um segundo mandato como Presidente da Comissão Europeia. Sabendo que Durão Barroso é uma personagem ambiciosa, e que portanto certamente não deixaria de procurar activamente a...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Durão e o "Tratado de Lisboa"</strong></p>

<p>Durão Barroso terá hoje admitido que deseja cumprir um segundo mandato como Presidente da Comissão Europeia. Sabendo que Durão Barroso é uma personagem ambiciosa, e que portanto certamente não deixaria de procurar activamente a hipótese de vir a ocupar o cargo de Presidente da UE previsto no "Tratado de Lisboa", o facto de vir agora dizer publicamente que espera continuar nas funções que desempenha actualmente quer dizer uma de duas coisas: ou já perdeu qualquer hipótese de vir a ser o primeiro Presidente da UE, ou em Bruxelas não se acredita muito na possibilidade do "Tratado de Lisboa" vir a ser adoptado até 2009.</p>]]>

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<summary type="text/plain">&quot;Está Provado&quot; Num artigo no Diário de Notícias, Luís Filipe Menezes afirma que &quot;está provado&quot; que a &quot;mudança de chefe&quot; não resolveu &quot;as entorses&quot; do PSD. Mas quando Menezes diz &quot;não ter dúvidas&quot; de que ele e a sua pandilha...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>"Está Provado"</strong></p>

<p>Num artigo no <em>Diário de Notícias</em>, Luís Filipe Menezes afirma que "está provado" que a "mudança de chefe" não resolveu "as entorses" do PSD. Mas quando Menezes diz "não ter dúvidas" de que ele e a sua pandilha eram "mais representativos, intelectualmente mais sólidos, culturalmente mais bem preparados, politicamente mais experientes, ideologicamente mais esclarecidos, mais carismáticos e melhores comunicadores" que a actual líder e os seus apoiantes, o que fica realmente "provado" é que a "entorse" que ficou por "curar" é aquela de que Menezes padece (no cérebro), e que o impede de ver a gigantesca barafunda que foi a sua liderança, e o mal que ela causaria ao PSD. Por muitas "entorses" que este mantenha, e que só uma reforma profunda do partido (reforma essa que teria de passar pela "mudança de chefe", pois Menezes depende das tais "entorses" que paralisam o PSD a nível nacional) poderá curar, há uma de que já se livrou.</p>]]>

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<summary type="text/plain">Gordon &quot;Guterres&quot; Brown Na passada terça-feira, David Cameron, líder do Partido conservador britânico, afirmou que não podia garantir que não pudesse vir a ser necessário efectuar um aumento dos impostos, se e quando o seu partido for para o Governo...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Gordon "Guterres" Brown</strong></p>

<p>Na passada terça-feira, David Cameron, líder do Partido conservador britânico, afirmou que não podia garantir que não pudesse vir a ser necessário efectuar um aumento dos impostos, se e quando o seu partido for para o Governo até 2010 (altura até à qual terá de haver eleições). Esta afirmação é interessante, não tanto por aquilo que Cameron disse em si, mas por aquilo que essa declaração diz acerca da governação de Gordon Brown, não só desde que assumiu o cargo de Primeiro-Ministro, mas também ao longo dos dez anos em que, <a href="http://www.desesperadaesperanca.com/archives/2007/10/index.html#a001591">como <em>Chancellor</em>, foi na prática um <em>First Lord of the Trasury</em> do "rei" Tony I.</a></p>

<p>Como <a href="http://broganblog.dailymail.co.uk/2008/07/cameron-opens-t.html">notou Ben Brogan</a>, do <em>Daily Mail</em>, Cameron apenas levanta agora a hipótese de vir a ter de aumentar os impostos pois receia ter de fazê-lo, e acima de tudo, receia as consequências que, no que diz respeito ao apoio popular, essa medida implicaria. Por isso, vai já "avisando" os eleitores para essa possibilidade, para que, caso venha a ocupar o nº 10 de Downing Street e tenha de aumentar os impostos, ninguém o possa acusar de ter mentido enquanto estava na oposição. Mas por que razão receia Cameron poder vir a ter de aumentar os impostos? Como explica Brogan, porque nos últimos anos Gordon Brown gastou demasiado dinheiro e endividou o país ainda mais. Agora que a "crise" se instala, a ilusão de que se podia viver com dinheiro que não se tinha vai ter de ser paga. </p>

<p>Os portugueses reconhecerão bem o que se passou. Tal como Guterres, Brown herdou (quando chegou com Blair ao poder) uma conjuntura incrivelmente favorável. Tal como Guterres, em vez de a aproveitar de forma a realizar reformas que, sendo "duras", seriam muito menos penosas em tempo de "vacas gordas", Brown usou o dinheiro que não parava de chegar para comprar votos através do uso dos recursos públicos e da expansão da dependência do Estado. Tal como aconteceu com Guterres, o tempo foi mais rápido que Brown, e este teve de lidar com o descontentamento trazido pelo desabar das ilusões que ele criara. Mas, tal como aconteceu em Portugal com Guterres, terá de ser quem vier a seguir a limpar a bagunça deixada por Brown, numa conjuntura em que essa "limpeza" custará muito mais às pessoas, dificultando a tarefa do governo que a quiser realizar.</p>

<p>No <em>Telegraph</em> de hoje, <a href="http://www.telegraph.co.uk/opinion/main.jhtml?xml=/opinion/2008/07/17/do1704.xml">Iain Martin</a> escreve que se os <em>tories</em> não conseguiram lidar eficazmente com esta realidade, não conseguirão mais do que um mandato. De facto, foi isso que aconteceu em Portugal. Depois da derrocada guterrista, Durão Barroso não foi capaz de fazer as reformas de que o país precisava, e muito menos de lidar com a contestação que as suas muito tímidas medidas provocaram junto do eleitorado. E depois da "trapalhada" santanista, José sócrates repetiu o erro de Barroso: grande gritaria e insistentes proclamações de "coragem" e "firmeza", mas grande fragilidade nas "reformas" introduzidas, que deram o brilhante resultado de atrair a contestação popular, sem que no entanto, se conseguisse efectivamente mudar o que quer que seja. Tal como no Portugal pós-Guterres, o Reino Unido pós-Brown arriscasse a cair num ciclo vicioso de paralisia, no qual as dificuldades inerentes às reformas necessárias desencorajam os governos de as tomar, mas como elas vão sendo adiadas, mais grave se tornam os problemas que terão de ser resolvidos, aumentando as dificuldades e a relutância em tomar as medidas necessárias, numa constante degradação das condições de governabilidade. Se Brown foi desempenhando nos últimos anos o papel de Guterres, só se David Cameron não quiser fazer de Durão barroso poderá evitar que o Reino Unido se transforme num Portugal mais rico, mais igualmente à deriva.</p>]]>

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<summary type="text/plain">Passo a Passo O Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas, Paulo Campos, foi hoje à Assembleia da República para defender a proposta do Governo de introdução de um &quot;dispositivo electrónico de matrícula&quot;, ou seja, de um &quot;chip&quot; que identifique...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Passo a Passo</strong></p>

<p>O Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas, Paulo Campos, foi hoje à Assembleia da República para defender a proposta do Governo de introdução de um "dispositivo electrónico de matrícula", ou seja, de um "chip" que identifique automáticamente a viatura. De acordo com Paulo campos, esta medida representa a adopção de uma forma "mais avançada" de "detecção e identificação" dos automóveis. Passo a passo, Portugal vai-se aproximando da altura em que começaremos a adoptar "formas mais avançadas" de "identificação" das pessoas, em que será possível saber "automaticamente" quem fez o quê, onde estava determinado indivíduo a uma determinada hora, do que é que ele gosta, o que ele compra, em quem é que ele vota. Passo a passo, o Estado vai sabendo cada vez mais acerca de nós com cada vez mais facilidade. Passo a passo, nós vamos perdendo cada vez mais da nossa liberdade.</p>]]>

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<summary type="text/plain">A Entediar Os Leitores Desde 2003 Este blog faz hoje 5 anos....</summary>
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<![CDATA[<p><strong>A Entediar Os Leitores Desde 2003</strong></p>

<p>Este blog faz hoje 5 anos.</p>]]>

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<summary type="text/plain">Conan O&apos;Brien no Fora.tv...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Conan O'Brien no Fora.tv</strong></p>

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<summary type="text/plain">A Epidemia da Impunidade As cenas de violência num bairro social da periferia lisboeta, que andam a provocar grande entusiasmo nas televisões (que temiam não ter nada para dar nestes tempos mortos de Verão) são tudo menos surpreendentes. Elas são...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>A Epidemia da Impunidade</strong></p>

<p>As cenas de violência num bairro social da periferia lisboeta, que andam a provocar grande entusiasmo nas televisões (que temiam não ter nada para dar nestes tempos mortos de Verão) são tudo menos surpreendentes. Elas são apenas e só uma consequência da forma como a "agenda da segurança" é tratada em Portugal: sempre balançando entre a histeria generalizada que surge sempre que acontece alguma coisa, e a mais completa obscuridade, quando os partidos da oposição nada têm a ganhar ao falar dela, é inevitável que nada se faça e nada mude, a não ser o sentimento de insegurança das pessoas, que cresce à medida que o tempo passa. Agora que os políticos se entretêm a debater quais as "causas" da violência, é para esse "ambiente" de insegurança que devem olhar. Pois se os cidadãos cumpridores da lei não se sentem seguros, os que a ignoram sentem que podem fazer o que quiserem.</p>

<p>Já em 2005 <a href="http://www.desesperadaesperanca.com/archives/2005/06/index.html#a000531">escrevi</a> que a forma como os temas da segurança, do policiamento e criminalidade são tratados em Portugal não resolvia esses problemas, e criava outros até aí não existentes, e que portanto, os anos seguintes seriam palco de um aumento da violência em Portugal. Os casos de homicídio na "noite" do Porto e de Lisboa, em Loures, e em Oeiras, bem como as tristes cenas de agressão numa esquadra da polícia de Sacavém, não só foram um sinal desse previsível aumento da violência, como provocaram, eles próprios, um agudizar (<a href="http://www.desesperadaesperanca.com/archives/2008/03/index.html#001734">também ele previsível</a>) do sentimento de impunidade por parte de quem quebra a lei, e simultaneamente, do sentimento de insegurança de quem não se sente protegido pelas forças policiais. Pois o sentimento de impunidade é um daqueles fenómenos que Malcolm Gladwell, no excelente livro <em>The Tipping Point</em>, mostra funcionarem como "epidemias", como algo que se vai espalhando pela sociedade até atingir um "ponto de viragem", em que os seus efeitos (neste caso, nefastos) se começam a sentir. É por isso que imagens, como as que foram passadas, dos acontecimentos na Quinta da Fonte tenderão a agravar o clima de impunidade e insegurança que as propiciou. E enquanto os políticos portugueses não começarem a tratar estas questões de outra forma que não a sua habitual alternância entre a histeria e o adormecimento, tudo tenderá a piorar.  </p>]]>

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<summary type="text/plain">Pré-Moderno Parece que o senhor primeiro-ministro resolveu atacar manuela ferreira leite e as suas opiniões sobre a família, acusando-a de ter uma concepção &quot;pré-moderna e até pré-concílio do Vaticano II&quot;. Ora, se é assim tão &quot;pré-moderna&quot;, até deveria ser &quot;pré-Concílio...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Pré-Moderno</strong></p>

<p><a href="http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021&contentid=0D4F1C9F-8809-4837-9A21-D9D2D12A97D2">Parece </a>que o senhor primeiro-ministro resolveu atacar manuela ferreira leite e as suas opiniões sobre a família, acusando-a de ter uma concepção "pré-moderna e até pré-concílio do Vaticano II". Ora, se é assim tão "pré-moderna", até deveria ser "pré-Concílio de Trento" e não apenas "pré-Vaticano II", que é só do século passado e relativamente "moderno". Mas isto talvez seja esperar demasiada inteligência por parte do nosso Primeiro-Ministro.</p>]]>

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<summary type="text/plain">Paulo Rangel e Sócrates No debate do “Estado da Nação”, o novo líder da bancada parlamentar do PSD, Paulo Rangel, fez uma crítica política às opções do Governo. Fez uma defesa do papel do parlamento perante a arrogância do Governo...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Paulo Rangel e Sócrates</strong></p>

<p>No debate do “Estado da Nação”, o novo líder da bancada parlamentar do PSD, Paulo Rangel, fez uma crítica política às opções do Governo. Fez uma defesa do papel do parlamento perante a arrogância do Governo e dos seus Ministros. Colocou questões ao Primeiro-Ministro. Este último responde-lhe com insultos. Com piadinhas. Deturpa ou ignora as palvras de Rangel. Discute com ele como se Paulo Rangel fosse Santana Lopes, e se comportasse como Santana Lopes. Infelizmente para Sócrates, Rangel não é Santana. E não se comporta como ele. E a dificuldade que o Primeiro-Ministro tem em lidar com a forma como Rangel interveio é notória. Quando alguém critica as políticas concretas do Governo, assentando essa crítica numa análise da conjuntura actual, a arrogância de Sócrates não funciona: quando Sócrates goza com a intervenção de Rangel, quando desvaloriza as críticas e as questões que ele coloca, goza com as dificuldades que os portugueses sentem em virtude da conjuntura que Rangel analisa. Ao ignorar o que ele diz, ao mostrar-se arrogante perante o que ele diz, mostra-se arrogante perante as dificuldades dos portugueses. Se o “estilo” de Sócrates poderia funcionar com Santana, se as pessoas até podiam “gostar” de ver esse “estilo” perante alguém como Santana (afinal, é sempre um bom espectáculo ver Santana a ser enxovalhado), certamente não gostam de ver questões acerca dos problemas que enfrentam diaramente a serem ignoradas pelo Primeiro-Ministro, ou a serem respondidas com a distribuição de uns papéis que ninguém pode ler, e que ignoram as circunstâncias concretas que hoje os portugueses enfrentam. Escrevi há dias que a nomeação de Paulo Rangel para a liderança da bancada parlamentar do PSD era uma boa notícia. Só não o é para Sócrates, como o debate de hoje mostra.</p>]]>

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<summary type="text/plain">Governar Para As Eleições A SEDES publicou ontem um documento que acusa José Sócrates e o seu Governo de &quot;governarem para as eleições&quot;. Não é mentira nenhuma, e os exemplos que a SEDES dá (como, por exemplo, a &quot;cedência à...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Governar Para As Eleições</strong></p>

<p>A SEDES publicou ontem um documento que acusa José Sócrates e o seu Governo de "governarem para as eleições". Não é mentira nenhuma, e os exemplos que a SEDES dá (como, por exemplo, a "cedência à agitação social") são todos verdadeiros. Mas a SEDES erra ligeiramente ao dizer que este é um comportamento recente por parte do Governo.  Na verdade, desde que tomou posse que José Sócrates <a href="http://www.desesperadaesperanca.com/archives/2007/04/index.html#a001410">orienta a sua acção pelas necessidades eleitorais</a>, com toda a política governamental subordinada ao objectivo da renovação da maioria absoluta. O seu eleitoralismo é tudo menos recente, pois até o muito elogiado "reformismo" de Sócrates mais não era que um instrumento de captação de votos: Sócrates criava a <em>ilusão</em> de que promovia reformas para alimentar uma imagem de político "decidido", enquanto ao mesmo tempo deixava tudo na mesma na esperança de não perder o apoio dos dependentes do PS nos sectores que fossem "alvo" da sua falsa "firmeza". Corria o risco de provocar descontentamento (pela retórica confrontacional que usava para fingir fazer "reformas") sem obter resultados que compensassem a perda desse apoio (precisamente porque <em>apenas fingia</em> fazer essas reformas), mas até muito recentemente, as sondagens pareciam indicar que o risco tinha compensado.</p>

<p>Para azar de Sócrates, apareceu a "crise". E com ela o descontentamento, não apenas dos privilegiados que eram alvo da retórica socrática (e <em>apenas</em> da retórica), mas de vários sectores da sociedade que viram a sua vida severamente afectada pela tal "crise". Aí, o governo começou a ficar desesperado. Protestos como o dos pescadores ou das transportadoras (ao contrário, por exemplo, da dos professores) não traziam consigo a vantagem de "confirmar" aos olhos dos restantes eleitores a "vontade reformadora" do Governo. Apenas constituíam um sintoma de um mal-estar que o Governo sabe ser bastante mais alargado. E por isso o Governo cedeu. Ao contrário do que diz a SEDES, nada disto significou uma "viragem" da política governamental. Como já disse, ela sempre foi subordinada aos objectivos eleitorais do PS. Apenas significou que a imagem de "firmeza" na qual o Governo assentava toda essa política eleitoralista já não servia os seus propósitos. Por isso longe de representar um recuo da política "reformista" de Sócrates, essa "cedência à agitação social" é apenas e só um sinal do falhanço da política eleitoralista do Governo, e uma inversão da "mensagem" na esperança de salvar essa política. Acima de tudo, denota o desespero do governo perante o fracasso desse seu eleitoralismo, pois se inverte a imagem que ele gosta de passar de si próprio, só o faz porque já não vê qualquer alternativa, porque se quer manter agarrado ao poder mas sente-o a fugir. </p>

<p>É precisamente por ser sinal desse desespero que esta nova versão do (já antigo) eleitoralismo de Sócrates é perigosa para o país: <a href="http://www.desesperadaesperanca.com/archives/2008/06/index.html#a001833">Sócrates faz-se refém daqueles a quem cede, e leva o país consigo.</a> Todos ficarão a saber que, perante a anarquia, o Governo não tentará sufocá-la, antes lhe dará o que ela pedir. Obviamente, a anarquia pedir-lhe-à muito mais. E como a única moeda que Sócrates tem para pagar o seu próprio resgate é a verba que o Estado tira aos contribuintes, serão estes a pagar a ambição de Sócrates.</p>]]>

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<![CDATA[<p><strong>O Impacto de Ferreira Leite</strong></p>

<p>Na semana passada, Manuela Ferreira Leite deu uma entrevista à TVI, onde continuou a sua crítica aos compromissos assumidos pelo Governo com a realização de um vasto conjunto de obras públicas que, no entender da líder laranja, deveriam ser “repensados” em virtude da conjuntura complicada em que o país se encontra, especialmente se for tida em conta as dificuldades financeiras do Estado português. É precisamente por ligar a sua oposição ao projecto “desenvolvimentista” do Governo à crise que o país enfrenta que a mensagem de Ferreira Leite é eficaz: ela não só traça uma linha de diferenciação entre o seu PSD e o PS de Sócrates (ao dizer que, ao contrário dos socialistas, não acredita que o investimento público seja o instrumento adequado ao desenvolvimento do país), como, ao centrar essa sua mensagem na crise, coloca pressão sobre a atitude propagandística do Governo. </p>

<p>A entrevista de Sócrates à RTP, no dia seguinte, é um bom exemplo da eficácia de Ferreira Leite e da sua estratégia: pela primeira vez, Sócrates sentiu a necessidade de dizer que nem tudo estava bem. Claro que continuou a dizer que tudo o que fez foi excepcional, e que tudo o que de negativo paira sobre Portugal é alheio à sua responsabilidade. Mas já não diz, como há uns meses dizia o seu Ministro das Finanças, que Portugal estava imune à crise internacional, graças ao esforços do Governo.  A dimensão da crise, e a tónica que Ferreira Leite nela coloca, obrigaram Sócrates a descer à terra e, implicitamente, a admitir o falhanço: pois se até há uns meses Portugal estava preparado para a crise, devido ao trabalho do Governo, se agora está à sua mercê, é porque afinal o Governo já não acha que o seu trabalho teve o condão de isolar Portugal do resto do mundo e dos seus problemas. A eleição de Ferreira Leite, e a mudança de linha política que operou no PSD, transformou a cena política portuguesa, que já não é a mesma de há uns meses. O PSD já não se limita a comentar o que o Governo vai dizendo. Antes centra toda a sua oposição numa única diferencia de posição (em relação ao investimento público e à atitude perante a crise), o que como se vê, causa muito mais dificuldades ao governo do que a histeria de um Santana Lopes “combativo” em debates parlamentares.</p>

<p>Outro sinal desse mesmo impacto é evidente nas notícias de que começa a haver alguma tensão entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro, em torno do pacote de Obras Públicas que Ferreira Leite critica. É bom lembrar que, aquando da eleição presidencial, este era precisamente o tema sobre o qual se antecipava um maior potencial de conflito entre Cavaco e Sócrates. No entanto, nos últimos meses, e à medida que o Governo apresentava um número cada vez maior de “projectos”, esse conflito parecia inexistente. Não é difícil de perceber porquê: quando Cavaco foi eleito, o líder do PSD era Marques Mendes, muito crítico de projectos como o TGV e a Ota, enquanto nos últimos meses, o partido laranja era liderado por Luis Filipe Menezes, sempre ambíguo em relação a tais questões. Mal Ferreira Leite recuperou a oposição de Marques Mendes ao “faraonismo” de Sócrates, logo o tema regressou, tal como regressaram as notícias de que Cavaco não partilha o entusiasmo governamental.</p>

<p>O que a eleição de Ferreira Leite não mudou, no entanto, foi a profunda divisão que existe no seio do PSD, e o facto de que um dos lados em confronto é, <a href="http://www.desesperadaesperanca.com/archives/2008/07/index.html#a001857">como aqui escrevi</a>, o melhor amigo que Sócrates pode ter. Segundo o Diário de Notícias, vários autarcas do PSD manifestaram-se contra as críticas de Ferreira Leite pondo-se do lado do Governo ao afirmarem a necessidade de tais projectos. Isto mostra como existe de facto uma divisão entre um “PSD nacional” e um “PSD autárquico”, e que este último é incompatível com uma verdadeira alternativa ao PS: tanto o PS como o “partido autárquico” acham que obras públicas faraónicas são um instrumento de “desenvolvimento” e “modernização” do país, ambos acham que é através de dinheiro público em “obras” que o país “anda para a frente”, e ambos sabem que com Ferreira Leite, e perante a conjuntura actual, esse “caminho” não será seguido. Há, por isso, uma convergência de interesses entre o PS de Sócrates e o PSD dos aparelhos autárquicos, que pouco se importarão se Sócrates ficar em São Bento e lhes ofereça as obras que “tratam” do que está à sua “porta” (para usar as palavras de um autarca de Figueiró dos Vinhos), por muito que isso custe o tecto da casa nacional. Especialmente se, na liderança do seu partido estiver uma direcção que veja como prioritária a afirmação do partido a nível nacional, subordinando (como Marques Mendes fez e Ferreira Leite certamente se prepara para fazer) os esforços de perpetuação dos feudos de poder locais dos “caciques” do “partido autárquico”, à afirmação de uma política alternativa ao PS a nível nacional. Há muito boa gente que acha que entre Ferreira Leite e Sócrates não há qualquer diferença. Mas o “Bloco Central” que realmente devia assustá-los é o que une o PS à parte do PSD que tem mais a perder com a possível subida de Ferreira Leite ao poder.</p>]]>

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