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maio 31, 2010
Stairway to Heaven
Posted by Bruno at 09:42 PM
maio 29, 2010
O Futuro do "Modelo Social Europeu"
Ontem, o Público, no seu suplemento Ipsilon, trazia um extenso e deslumbrado artigo acerca do novo livro de Tony Judt, um belga pomposo e entediante sem muita coisa para dizer. O livro, aparentemente, procura alertar os "jovens" para os perigos do "vazio moral" do "neoliberalismo" (o vazio intelectual das suas ideias não preocupa Judt, ao que parece) e defender o "modelo social europeu". As intenções de Judt, reconheça-se, são as melhores: o senhor acredita genuinamente que é preciso preservar e "aprofundar" o "Estado-Providência" que faz as delícias de intelectuais belgas (enquanto condenam grande parte da população dos países europeus à pobreza). Essas boas intenções, no entanto, não são suficientes para compensar a evidente falta de consciência do problema que afecta o dito "modelo social": por muito bom que ele eventualmente possa ser (e não é), ele pura e simplesmente não pode sobreviver, como bem argumenta, num artigo recente, o jornalista britânico Iain Martin. É verdade que o futuro pode vir a passar, como Judt ardentemente deseja, pelo "Estado-providência". Mas será um futuro pouco agradável para se viver.
Posted by Bruno at 09:35 PM
maio 26, 2010
A Ver
A conversa entre Wes Anderson (realizador de Rushmore, The Royal Tenenbaums, The Life Aquatic) com Noah Baumbach (realizador de Kicking and Screaming, Mr. Jealousy, The Squid and The Whale, e co-argumentista de The Life Aquatic), na New York Public Library.
Posted by Bruno at 06:37 PM
maio 25, 2010
A Ler
Na revista americana National Affairs, o ensaio de Yuval Levin, Recovering the case for capitalism, uma tentativa de compreender qual a razão pela qual o mercado livre é importante, e quais os problemas que lhe são inerentes.
Posted by Bruno at 06:28 PM
maio 24, 2010
Crise Política
Gostava de perceber por que razão é preferível evitar-se uma (crise política (derrubar o governo e ir a eleições) do que abrir caminho à oportunidade de tirar do poder um Governo que nada faz para resolver os problemas que realmente afectam a sociedade portuguesa. Admito que possam haver excelentes razões para pensar dessa forma, mas aqueles que o defendem (nomeadamente o líder do PSD) nunca avançam razões para justificar tal afirmação.
Posted by Bruno at 06:38 PM
maio 20, 2010
A Ver
Mark Steyn a falar do seu livro America Alone.
Posted by Bruno at 10:07 PM
maio 19, 2010
Ficar À Espera Da Bola Não Chega
Certamente animado pelas imagens de confrontos nas ruas das cidades gregas, o Partido Comunista Português decidiu apresentar uma moção de censura ao Governo de José Sócrates. O Bloco de Esquerda, ultimamente muito incomodado com o "governo bicéfalo" (a mim parece-me mais acéfalo, mas talvez esteja enganado) dos "tangos" de Sócrates e Passos Coelho, já anunciou que apoiaria a iniciativa (como agora se diz). Já o CDS e o PSD preferem abster-se, condenando assim à partida a moção comunista.
Procurando justificar a posição laranja, Miguel Relvas, esse símbolo da dignidade e firmeza políticas, veio dizer que o PSD continuaria "a manter a censura ao Governo naquilo que ele merece, mas, enquanto se justificar, vamos continuar a exigir que o Governo governe e que assuma as suas responsabilidades, desde logo, a de retirar Portugal e os portugueses da situação em que os colocou". É uma justificação que explica muito do pensamento (chamemos-lhe assim, hoje sinto-me generoso) da actual direcção do PSD, e faz temer que ela não vá muito longe, arrastando consigo o país.
O que Relvas, com a sofisticação intelectual que lhe é conhecida, está a dizer com "exigir que o Governo governe e que assuma as suas responsabilidades, desde logo, a de retirar Portugal e os portugueses da situação em que os colocou", é que acha que, já que o PS fez asneira e governou mal, agora deve ser o PS a executar as medidas impopulares que a asneira anterior implica que sejam agora tomadas. É esta a "estratégia" delineada pelas cabeças em torno de Passos Coelho: já que o PS seguiu uma política de terra queimada, deixá-lo a tentar apagar o fogo, e quando forem apanhados por ele, chegar ao terreno já livre e, qual "especulador sem escrúpulos", lucrar com ele. O PSD espera que seja o PS a sofrer as consequências de tomar medidas impopulares, facilitando o acesso ao poder, que consideram estar ainda demasiado longe nas actuais circunstâncias. Note-se, em primeiro lugar, como esta gente está disposta a deixar alegremente a situação política do país degradar-se, desde que isso facilite o seu acesso ao poder daqui a uns tempos. É sempre bom saber a qualidade dos "estadistas" que querem "mudar" o país. Em segundo lugar, tenho sérias dúvidas que o "desgaste" do PS seja suficiente para lançar o poder no colo do PSD, como imagina a liderança laranja.
Essa ideia de que o "cansaço" dos portugueses com Sócrates faz com que o PSD apenas precise de ficar sentado e esperar que "as coisas sigam o seu rumo" há muito que se instalou no PSD. No Congresso de Mafra, foi essa ideia que fez inúmeros oradores afirmarem que o partido estava a eleger "o próximo Primeiro-Ministro de Portugal". Como fora essa ideia a levar os críticos de Manuela Ferreira Leite a dizerem que perante um Governo tão fragilizado por “casos” e desgastado pela “crise”, só mesmo a suposta inabilidade de Ferreira Leite pode explicar a sobrevivência do regime socrático. Mas, como já várias vezes escrevi, quanto mais apodrecido o Governo estiver, mais difícil será pô-lo no lixo.
Em primeiro lugar, porque nem a total describilização é suficiente para o Primeiro-Ministro deixar de se agarrar ao poder como eu gostaria de me agarrar a uma adolescente de qualidade estética superlativa. Como toda a sua história de vida demonstra, o cheiro de matéria fecal manifestamente não incomoda José Sócrates, que, como o outro senhor de The Wire prefere “to live in shit than to be seen to work a shovel”. Por muito que o seu regime apodreça, Sócrates nunca abdicará livremente do trono que ocupa, e de lá só poderá ser arrancado “à bomba”. “Bomba” essa que o Presidente da República, um senhor reconhecidamente pacífico, não quer largar, e longe vai o tempo (esperemos nós) em que os militares se entregavam a essas actividades. A única “bomba” que poderá ser usada será a dos eleitores nas urnas, mas temo que, quanto mais necessária ela se torne, menor seja a probabilidade deles estarem dispostos ao trabalho de a lançar.
Já antes das eleições de Setembro passado o escrevi: é precisamente o facto de vivermos num clima de “fim de regime” do PS que tornará as coisas mais difíceis para o PSD. Em primeiro lugar, a violência e degradação do debate “excita” os “fiéis”, que por muito desagradados que possam estar com Sócrates, não gostam de ver “um dos seus” ser atacado por “eles”. A podridão do regime fidelizará o PS, que tenderá, até à última hora, a proteger Sócrates como se de uma criança indefesa se tratasse (depois da última hora, a canção será outra).
Em segundo lugar, a demagogia reinante favorece os partidos de protesto, mas pequenos, o que estranhamente, acaba por favorecer o PS. O ódio a Sócrates não se traduz forçosamente no voto no PSD, podendo mais facilmente deslocar-se para o CDS ou até para o BE, partidos dados à berraria que faz o gosto do povo. É difícil a um partido que quer ser governo fazer oposição num ambiente político degradado, porque aquilo que pode motivar a conquista de votos (essa mesma degradação do regime do momento) é também aquilo que faz com que as pessoas tenham uma maior predisposição para votar em quem faz barulho, só por fazerem barulho. A degradação do Governo do PS acaba por retirar votos, não apenas ao PS, mas também ao PSD.
Até porque a podridão do Governo, arrastando consigo a desconfiança dos eleitores, traz também uma desconfiança não apenas em relação ao Governo, mas em relação à alternativa. Um Governo que mente, que manipula, que esconde e que parece corromper e estar corrompido, faz com que os eleitores, muito sabiamente, desconfiem de todo e qualquer político que lhes peça a sua confiança. Porquê confiar “nestes”, só porque nos dizem que vão ser diferentes? Os “outros” disseram “o mesmo”, e “foi o que se viu”. A desconfiança dos eleitores em relação a este Governo transforma-se, muito rapidamente, numa descrença na palavra de toda a classe política. Quanto pior o PS for, quanto mais degradado o Governo estiver, mais agreste será o clima político para aqueles que queiram promover uma alteração do estado das coisas (deixemos de lado a “mudança” obâmica, ela própria um produto e causa da podridão). Quanto menos as pessoas acreditarem no PS, menos acreditarão na possibilidade de “os outros” serem diferentes.
Os actuais responsáveis do PSD estão a seguir uma estratégia comum a alguns treinadores de futebol: tendo um ponta-de-lança alto e forte na equipa, deixam-no plantado junto à defensiva contrária, para que quando a equipa recuperar a bola, apanharem o adversário quando a sua defesa está desprotegida. O problema está em que jogar dessa forma implica o risco de, por se ter menos um jogador envolvido em tarefas defensivas (ou, no caso do PSD, por não fazer oposição e preferir queimar o PS lentamente), não ser capaz de recuperar a bola e portanto não ter oportunidades de atacar a baliza contrária. Não espero grandes tratados filosóficos de Relvas e companhia, mas um mínimo de bom senso permitir-lhes-ia perceber que, ao PSD, ficar plantado na àrea à espera da bola talvez não seja suficiente, e que ao fazê-lo o partido laranja talvez se arrisque a ser apanhado em fora-de-jogo. Mas, como já se viu, bom senso não é um bem em excesso por aqueles lados.
Posted by Bruno at 04:02 PM
maio 18, 2010
Futebol
Dias depois do Inter de José Mourinho ser campeão de Itália, e dias antes de jogar a final da Liga dos Campeões, Jonathan Wilson escreve um texto que, a partir da vitória da equipa italiana sobre o Barcelona, pergunta qual a importãncia da posso de bola no futebol moderno. Para quem gosta destas coisas, é um texto que vale a pena ser lido.
Posted by Bruno at 09:50 PM
maio 17, 2010
A Ver
Esta palestra de David Brooks sobre a "revolução cognitiva e a vida cívica". Apesar do nome pomposo, vale a pena.
Posted by Bruno at 10:29 PM
maio 13, 2010
Escrito a 30 de Março de 2008
Em segundo lugar, é praticamente insignificante. O que o país precisa não é de um retoque na imensa carga fiscal que alimenta um gigantesco monstro de desperdício estatal, mas sim de uma reavaliação do que é que deve caber ao Estado, e qual a carga fiscal necessária para financiar essas áreas de intervenção estatal, tendo sempre em conta que o actual modelo do “Estado Social” está falido a longo prazo e condena os portugueses ao empobrecimento relativo. Anunciar pequenas descidas do IVA e falar do “fim da crise orçamental” é atirar areia para os olhos dos portugueses, para em 2009 eles votarem sem olharem para o que estão a fazer.
Infelizmente para Sócrates, um eventual sucesso desta sua jogada fará com que ele se arrisque a ser quem ficará com a batata quente nas mãos. Sem ter a despesa controlada, e diminuindo a receita cobrada, o défice poderá vir a aumentar. Em ano eleitoral, esse será um factor de somenos importância para o PS. Mas caso obtenha um segundo mandato, será Sócrates quem terá a responsabilidade de resolver o problema. Por muito que o dr. soares ache que Sócrates é o “anti-Guterres”, o actual primeiro-Ministro repete o erro do seu velho mestre socialista: usa o seu primeiro mandato para executar uma política eleitoralista que lhe garanta um segundo, e neste, vê-se a braços com a necessidade de tapar o buraco que ele próprio cria. A Sócrates, restarão então dois caminhos: ou corta a despesa (e desilude as suas clientelas), ou aumenta os impostos, provocando o descontentamento dos eleitores, e sem poder recorrer à desculpa da “herança”, pois Sócrates apenas herdará aquilo que ele próprio quiser deixar. Guterres resolveu o seu dilema demitindo-se a meio da noite. E os portugueses, por sua vez, ficaram a pagar a conta. Seja qual for a forma que Sócrates encontrará para escapar à alhada em que se meteu esta semana, uma coisa é certa: os portugueses lá acabarão mais uma vez por ficar a pagar a conta.
Posted by Bruno at 10:11 PM
maio 12, 2010
Ostracismo
Numa edição recente da Spectator, Paul Johnson escrevia um artigo dizendo que as democracias, para se "reanimarem", deveriam recuperar a prática do ostracismo. A ideia (penso que meio "in jest") até poderia ser de considerar, mas não num país como o nosso. Acho que ninguém encararia a saída de Portugal como um castigo.
Posted by Bruno at 10:14 PM
maio 10, 2010
Mais ou Menos "Europa"?
Ontem, "celebrou-se" (por assim dizer) o "Dia da Europa". Ao contrário do que os euroentusiastas mais excitadas gostariam, os tempos não estão para grandes festas, e as "celebrações" passaram ainda mais despercebidas dos "europeus" do que é usual. Preocupados em evitar que a Grécia rebente (ainda mais) e outros países apanhem com os estilhaços, nem mesmo os propagandistas do costume gastaram muito tempo a falar das maravilhas da "união". No entanto, de forma mais ou menos envergonhada, lá aproveitaram as reuniões de emergência para o "salvamento" da Grécia para nos explicarem como todo o tumulto é a prova de que precisamos de "mais Europa".
O raciocínio desta gente é simples: a crise actual mostra como "os problemas de hoje" são "problemas globais". E, dizem-nos, "problemas globais" requerem "soluções globais". As "complicações" (para ser generoso) enfrentadas pela Grécia (e, não esqueçamos, Portugal) mostram, continua o argumento, como nenhum país tem capacidade para enfrentar crises como a actual sozinho, e portanto, como "construções" como a União Europeia são indispensáveis no "mundo globalizado de hoje".
Mas e se a actual crise, o que mostra, realmente, é que "soluções globais" são a pior opção possível? E se o que a crise mostra é como precisamos de menos "Europa", em vez de uma "maior e mais profunda intergração"? Há algum tempo, no New York Times, David Brooks pegava na "gripe A" (ainda se lembra, caro leitor?) e colocava a mesma pergunta aos que, tal como os europeístas de hoje, procuram "soluções globais para problemas globais": "a couple of years ago", escreve Brooks, "G. John Ikenberry of Princeton wrote a superb paper making the case for the centralized response. He argued that America should help build a series of multinational institutions to address global problems. The great powers should construct an “infrastructure of international cooperation ... creating shared capacities to respond to a wide variety of contingencies.” If you apply that logic to the swine flu, you could say that the world should beef up the World Health Organization to give it the power to analyze the spread of the disease, decide when and where quarantines are necessary and organize a single global response. If we had a body like that, we wouldn’t be seeing the sort of frictions that are emerging from today’s decentralized approach. Europe has offended the U.S. by warning its citizens not to travel across the Atlantic. Ukraine is restricting pork imports. Europe could hoard flu vaccines, leaving the U.S., which has only one manufacturing plant, high and dry. Fear of a pandemic could lead to a restrictionist race, as nations compete to curtail movement and build walls. Those dangers are all real. Yet, so far, that’s not the lesson of this crisis. The response to swine flu suggests that a decentralized approach is best. This crisis is only days old, yet we’ve already seen a bottom-up, highly aggressive response. In the first place, the decentralized approach is much faster. Mexico responded unilaterally and aggressively to close schools and cancel events. The U.S. has responded with astonishing speed, considering there are still few illnesses and just one hospitalization (...) A single global response would produce a uniform approach. A decentralized response fosters experimentation. The bottom line is that the swine flu crisis is two emergent problems piled on top of one another. At bottom, there is the dynamic network of the outbreak. It is fueled by complex feedback loops consisting of the virus itself, human mobility to spread it and environmental factors to make it potent. On top, there is the psychology of fear caused by the disease. It emerges from rumors, news reports, Tweets and expert warnings. The correct response to these dynamic, decentralized, emergent problems is to create dynamic, decentralized, emergent authorities: chains of local officials, state agencies, national governments and international bodies that are as flexible as the problem itself."
Tal como a "gripe A", a crise económica mostra como vivemos num mundo de imprevisibilidade e risco. E tal como Brooks, tenho sérias dúvidas que "respostas globais", ou "europeias", sejam a melhor forma de viver num mundo como o nosso. Não seria melhor termos uma diversidade de respostas aos problemas, em vez de caminharmos todos para o abismo? não deveríamos nós aceitar a natureza imprevisível, caótica, arriscada, do mundo globalizado de hoje, ee correr o menor número de riscos possível na configuração dos próprios arranjos políticos. Precisamente por os riscos de qualquer decisão serem enormes, não só para quem a toma como para todos os outros, deveremos limitar, não o número de pessoas que tomam decisões, mas o número de pessoas sujeitos a um só decisor: se eu e o meu vizinho fizermos duas apostas diferentes, pode acontecer que eu perca, mas que ele ganhe. E mesmo que o facto de eu perder possa ter impacto sobre o ganho dele, o que é verdade é que ele ganhou alguma coisa, minorando o impacto que a minha perda possa ter nele; se o “Grande Regulador” fizer uma aposta em nome dos dois, ambos vamos perder o mesmo, sem nada que sirva de almofada a qualquer um de nós. E sim, é verdade que a nossa tendência para copiarmos as respostas que os outros dão significa que, muitas vezes, estamos a copiar respostas erradas. Mas também significa que, outras vezes, estamos a copiar respostas certas. Se um “Grande Regulador” der as respostas por todos nós, ou decidir qual o leque de respostas admissíveis, todos beneficiaremos quando ele tiver razão, mas o impacto de uma resposta errada será também muito maior, porque todos estarão errados.
A "Europa", como seria de esperar, não está a seguir por este caminho. De certa maneira, a opção europeia é inevitável: como explicava o Miguel Morgado há dias, a única forma de salvar o euro será através de maior "integração" (o termo em EUROSOC para "subordinação nacional a Bruxelas"). Mas como o próprio Miguel notava, o facto de uma política "salvar" o euro não significa que ela não crie outros problemas, eventualmente mais graves e mais dificeís de resolver. A "saída" europeia da crise corre o risco de ignorar a principal lição que se deveria tirar da dita crise: a imprevisibilidade do nosso mundo, e a irracionalidade de algumas das nossas decisões, são factores que não podemos dispensar ao pensarmos acerca de como deverão ser os nossos arranjos políticos. Mas devemos considerar ambos igualmente, e levá-los a sério: deveremos perceber que todos podemos fazer escolhas erradas, e perceber que qualquer escolha pode ter consequências imprevisíveis. E que por isso, será melhor que o processo de escolha seja o mais disseminado possível, para que ninguém possa escolher por todos, para que o impacto de uma escolha errada seja o menor possível. "Mais Europa" é precisamento um exemplo do que não precisamos.
Posted by Bruno at 06:25 PM
maio 06, 2010
A Ler
O artigo do Miguel Morgado no I.
Posted by Bruno at 10:46 PM
maio 04, 2010
O Governo Finge Que Existe
Há uns dias, e depois de vários meses que os "passistas" passaram a avisar para o perigo do "regresso" do "Bloco Central" com Manuela Ferreira Leite, o seu "chefe" (o "jovem" que tudo ia "mudar" e fazer "verdadeira oposição") foi a um beija-mão ao Sr. Primeiro-Ministro, garantir-lhe que o PSD iria ficar caladinho nos próximos tempos, enquanto o PS finge que resolve os problemas e, na realidade, os deixa tornarem-se cada vez mais graves. O Primeiro-Ministro, claro, agradeceu, e o país, como de costume, pagará caro.
As novas medidas "restritivas" da atribuição do subsídio de desemprego são um bom (salvo seja) exemplo desse preço. Essas medidas até parecem um bom exemplo de saudável pensamento económico: se o Estado pagar menos subsídio de desemprego aos desempregados, estes terão menos incentivos para continuarem desempregados. Mas, mais do que uma demonstração de inteligência e bom senso dos responsáveis socialistas, esta medida mostra apenas o quão intelectualmente cromagnon é o Governo.
Ao contrário do que Sócrates e os seus meninos (com o silencioso beneplácito de Passos Coelho e o seu malcriado guru Nogueira Leite), não consta que o problema do desemprego em Portugal se deva a uma chusma de preguiçosos que ficam sentados a sugarem os contribuintes enquanto os empregos florescem no mercado de trabalho. Pelo contrário. Os dois grandes problemas do desemprego devem-se, por um lado, à morte de certas actividades que, pura e simplesmente deixaram de ser rentáveis, e que lançam no desemprego uma série de pessoas que nunca de lá sairão, e por outro, à falta de flexibilidade do mercado de trabalho: é difícil despedir, o que faz com que seja difícil contratar, o que faz com que o problema do desemprego não seja um problema de falta de procura por parte dos desempregados, mas essencialmente de oferta de empregos.
Ser menos "generoso" na atribuição dos subsídios de desemprego, nestas circunstâncias, pouco ou nada fará para resolver o problema, pela simples razão de que o problema não está aí. Com tais medidas, o Governo (e Passos Coelho) apenas deixarão desempregados de longo prazo, que, devido à rigidez do mercado de trabalho, terão dificuldade em arranjar emprego por muito que o procurem, em maiores dificuldades. Como de costume, na sua ânsia de se mostrar "activo" e "actuante" ("in the parlance of our times") perante a crise, Sócrates deixa imaculados os verdadeiros problemas, e cria outros como se o país já não tivesse os suficientes. Como se estas pérolas de "sensibilidade social" (algo que o PS sempre disse apreciar bastante, mas de que se esquece regularmente) não fossem suficientes, o Governo insiste (com protestos envergonhados do PSD) na necessidade de esbanjar dinheiro no TGV e restantes obras de "investimento público" (que, quando convém, são "de capital privado". O "melhor" de dois mundos, portanto). O que mostra bem como não é só o TGV que precisa de ser suspenso, mas o próprio Governo (e a oposição) que deveria ser convenientemente dinamitado, antes que seja todo o país a rebentar.
Posted by Bruno at 05:34 PM
maio 01, 2010
Visto

Posted by Bruno at 09:54 PM