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março 31, 2010
A Ler
Este post do meu colega insurgente Miguel Botelho Moniz:
"Outro dia levei o meu filho a uma festa de anos no Kidzania. A ideia é engraçada, sendo supostamente uma forma de ensinar as crianças sobre o valor do dinheiro e do trabalho. No entanto, não pude deixar de observar que o Kidzania acaba por corporizar uma espécie de Páis das Maravilhas na óptica de José Sócrates: Uma data de gente anda de um lado para o outro a fingir que trabalha, recebendo em troca dinheiro de brincar que serve para adquirir produtos e serviços imaginários; cada um recebe um simulacro de formação profissional para desempenhar o seu trabalho, podendo mesmo obter uma licenciatura em Engenharia Civil e Arquitectura, bastando responder a uma pergunta cuja resposta foi comunicada ao instruendo minutos antes; os apresentadores dos noticiários apenas dão as notícias previamente preparadas para eles pelos graúdos.
Há, contudo, uma importante diferença entre a Kidzania e o mundo socrático: Na primeira, os pais pagam para os filhos se divertirem; no segundo, os pais andam a endividar-se para os filhos pagarem um dia mais tarde. Se não fugirem."
Posted by Bruno at 06:20 PM
março 30, 2010
E Por Falar Em David Simon
Vale a pena ler este artigo do New York Times, precisamente sobre a nova série de Simon.
Posted by Bruno at 06:16 PM
março 29, 2010
A Ver
No blog The House Next Door, encontrei os trailers de duas séries da HBO que, mal saiam em DVD, chegarão a esta casa: Boardwalk Empire, criada por Terence Winter (ex-argumentista em The Sopranos e o argumentista de The Departed), e cujo episódio-piloto foi realizado por Martin Scorsese, e Treme, a série de David "The Wire" Simon sobre New Orleans.
Posted by Bruno at 05:31 PM
março 26, 2010
Tudo O Que Está Errado No PSD
Acabo de chegar a casa, vindo da secção de Oeiras do PSD, onde fui votar para as eleições do partido. Como seria de esperar, a caciquagem começa logo à porta, com os militantes a serem devidamente instruídos acerca de como votar "devidamente". Mas curiosamente, a eleição que preocupa os "vultos" do PSD de Oeiras não é a eleição para a liderança, mas uma qualquer eleição para a secção (ou para a concelhia, confesso que não sei, pois esse é um peditório para o qual dispenso dar). No meio de tanta conversa acerca do "futuro do partido", e da "escolha do próximo Primeiro-Ministro de Portugal", o que preocupa as almas que "animam" o partido é a eleição aparelhista, a que lhes dá empregos nos serviços municipais e afins. E isto é o suficiente para perceber tudo o que está errado naquele partido.
Posted by Bruno at 07:51 PM
março 24, 2010
Uma Questão de Conforto
A decisão do Primeiro-Ministro José Sócrates, de responder apenas por escrito à Comissão de Inquérito da Assembleia da República sobre o "caso TVI" tem provocado alguma celeuma. Esta é apenas mais uma prova de como o Primeiro-Ministro é um homem injustiçado, perseguido por indivíduos sem escrúpulos e sem vergonha. Isto porque qualquer pessoa compreende como a opção de Sócrates se deve apenas e só a uma mera questão de conforto. Convém recordar que o Primeiro-Ministro está, desde os tempos em que aprendeu Inglês Técnico na prestigiada Universidade Independente, muito à vontade com o formato do "take home exam". Se responder às perguntas do seu professor em casa lhe deu tão bons resultados antes, é compreensível que ele queira repetir a experiência quando tem de responder às perguntas dos deputados. E com um bocadinho de sorte, talvez eles lhe enviem o relatório da Comissão a um Domingo.
Posted by Bruno at 11:04 PM
março 22, 2010
Visto

Posted by Bruno at 11:22 PM
março 19, 2010
Quanto Mais Podre o Governo Estiver, Mais Difícil Será Pô-lo No Lixo
No exercício vagamente deprimente que foi o último Congresso do PSD, foi muito mencionada a ideia de que o partido laranja se prepara para escolher "o próximo Primeiro-Ministro de Portugal". Apesar de, em parte, esta ser uma declaração mais ou menos de circunstância, típica de gente apostada em "animar as tropas", mais indicadora da pobreza das cabecinhas que a emitem do que da realidade da cena política portuguesa (tal como a expressão "cena política portuguesa" indica a pobreza da minha), ela é também reflexo de um "estado de espírito" acerca do Governo e do seu futuro imediato: ela reflecte a ideia de que o Governo está como que "ferido de morte", e que "cairá de podre" mais tarde ou mais cedo, entregando no doce regaço da pobre alma que estiver na presidência do PSD a tarefa de tirar Portugal do rosadinho buraco em que Sócrates e os seus aguadeiros nos afundaram.
Foi essa ideia (e claro, a possibilidade de castigar "aqueles que falam contra o partido") que animou o Congresso de Mafra, tal como foi essa ideia que penalizou a avaliação do mandato de Ferreira Leite: por várias vezes, nos últimos meses, muito bom e mau analista achou por bem dizer que, perante um Governo tão fragilizado por "casos" e desgastado pela "crise", só mesmo a suposta inabilidade de Ferreira Leite pode explicar a sobrevivência do regime socrático. A crer nestas "análises", a solução para os problemas do PSD (e do país) seria fácil: bastaria encontrar um político "hábil", ou seja, um mentiroso sem escrúpulos como Sócrates, e como políticos mentirosos e sem escrúpulos é o que não falta no PSD, a tempestade estaria próxima do fim.
Não querendo estragar a festa laranja (até porque o próprio partido se encarrega de o fazer), devo dizer que esta ideia de que a total descredibilização do PSD facilita a tarefa do PS é uma ideia profundamente errónea. Aliás, a derrota de Ferreira Leite parece-me ser precisamente uma prova disso. Ao contrário do que o PSD parece pensar, e do consenso generalizado da "inteligência" pátria, quanto mais apodrecido o Governo estiver, mais difícil será pô-lo no lixo.
Em primeiro lugar, porque nem a total describilização é suficiente para o Primeiro-Ministro deixar de se agarrar ao poder como eu gostaria de me agarrar a uma adolescente de qualidade estética superlativa (ou alguém capaz de disparar um bom insulto. Cheguei ao ponto em que já me contento com pouco). Como toda a sua história de vida demonstra, o cheiro de matéria fecal manifestamente não incomoda José Sócrates, que, como o outro senhor de The Wire prefere "to live in shit than to be seen to work a shovel". Por muito que o seu regime apodreça, Sócrates nunca abdicará livremente do trono que ocupa, e de lá só poderá ser arrancado "à bomba". "Bomba" essa que o Presidente da República, um senhor reconhecidamente pacífico, não quer largar, e longe vai o tempo (esperemos nós) em que os militares se entregavam a essas actividades. A única "bomba" que poderá ser usada será a dos eleitores nas urnas, mas temo que, quanto mais necessária ela se torne, menor seja a probabilidade deles estarem dispostos ao trabalho de a lançar.
Já antes das eleições de Setembro passado o escrevi: é precisamente o facto de vivermos num clima de “fim de regime” do PS que tornará as coisas mais difíceis para o PSD. Em primeiro lugar, a violência e degradação do debate "excita" os "fiéis", que por muito desagradados que possam estar com Sócrates, não gostam de ver "um dos seus" ser atacado por "eles". A podridão do regime fidelizará o PS, que tenderá, até à última hora, a proteger Sócrates como se de uma criança indefesa se tratasse (depois da última hora, a canção será outra).
Em segundo lugar, a demagogia reinante favorece os partidos de protesto, mas pequenos, o que estranhamente, acaba por favorecer o PS. O ódio a Sócrates não se traduz forçosamente no voto no PSD, podendo mais facilmente deslocar-se para o CDS ou até para o BE, partidos dados à berraria que faz o gosto do povo. É difícil a um partido que quer ser governo fazer oposição num ambiente político degradado, porque aquilo que pode motivar a conquista de votos (essa mesma degradação do regime do momento) é também aquilo que faz com que as pessoas tenham uma maior predisposição para votar em quem faz barulho, só por fazerem barulho. A degradação do Governo do PS acaba por retirar votos, não apenas ao PS, mas também ao PSD.
Até porque a podridão do Governo, arrastando consigo a desconfiança dos eleitores, traz também uma desconfiança não apenas em relação ao Governo, mas em relação à alternativa. Um Governo que mente, que manipula, que esconde e que parece corromper e estar corrompido, faz com que os eleitores, muito sabiamente, desconfiem de todo e qualquer político que lhes peça a sua confiança. Porquê confiar "nestes", só porque nos dizem que vão ser diferentes? Os "outros" disseram "o mesmo", e "foi o que se viu". A desconfiança dos eleitores em relação a este Governo transforma-se, muito rapidamente, numa descrença na palavra de toda a classe política. Quanto pior o PS for, quanto mais degradado o Governo estiver, mais agreste será o clima político para aqueles que queiram promover uma alteração do estado das coisas (deixemos de lado a "mudança" obâmica, ela própria um produto e causa da podridão). Quanto menos as pessoas acreditarem no PS, menos acreditarão na possibilidade de "os outros" serem diferentes. Por muito que me custe, temo que o "próximo Primeiro-Ministro de Portugal" seja precisamente o que lá está hoje.
Posted by Bruno at 07:49 PM
Coisas Sérias
A "actividade bloguística" é, por vezes, algo de muito frustrante. Anos e anos a escrever sobre o Estado da Nação, na vã esperança de contribuir para a salvação da Pátria ou para a tomada de consciência de que a única saída para os portugueses é, literalmente, sair de Portugal, foram passados sem que ninguém me prestasse atenção. De repente, uma pessoa escreve um post mais ou menos idiota acerca de um hipotético ataque de zombies, e logo um coro se manifesta sobre o assunto. mais, amigos meus com pouca paciência, tanto para as discussões sérias como, essencialmente, para me aturarem, deram-se ao trabalho de comentar o texto, como se fosse a coisa mais importante que alguma vez escrevi (o que não sei se diz tudo acerca deles, ou acerca de mim).Ao caro leitor, aconselho-o a ir ao insurgente, saltar o post, e passar logo para os comentários, especialmente o da minha amiga Michelle e o texto linkado pelo meu colega insurgente António Amaral, que para além de bastante bem humorados, mostram que há pessoas que dedicam o seu tempo a coisas bem mais estranhas do que aquelas com que eu desperdiço o meu.
Posted by Bruno at 07:37 PM
março 15, 2010
A Ver
Um espectáculo de stand-up comedy de Richard Lewis, I'm In Pain.
Posted by Bruno at 10:39 PM
março 13, 2010
António Ribeiro Ferreira É Um Génio
É preciso dar o devido valor a alguém que, a propósito de Pedro Passos Coelho, consegue fazer uma referência ao cattenacio. Não é para todos.
Posted by Bruno at 11:58 PM
março 12, 2010
O Futuro do PSD
Não tenho escrito sobre as eleições no PSD, em parte por desvio da minha atenção para outras ocupações, em parte por pura preguiça. Além disso, o que penso acerca do PSD, o que penso acerca do que o PSD deve ser, não mudou nada nos últimos anos. A relativa pobreza do país, que convida os nativos a guardarem o pouco que têm e não a correrem os riscos necessários para poderem passar a ter mais, parece ser suficiente para deitar por terra as pretensões de “liberalizar” o país. Mas com um pouco de coragem e habilidade políticas, talvez seja possível encontrar um eleitorado disposto a apoiar um PSD liberal.
Há um conjunto de pessoas que estaria sempre disposto a votar em qualquer partido que pretenda emagrecer o Estado. Para pessoas que, como este vosso escriba, desconfiam da espécie humana ao ponto de quererem ser o menos possível governadas pelo seu semelhante, ou para “liberais clássicos”, que entendem ser o modelo liberal o mais adequado à natureza humana, tais propostas seriam sempre positivas. São poucas, é certo, mas outras poderiam juntar-se-lhes: “sociais-democratas”, no sentido tradicional do termo, pessoas que, acreditando na “justiça social” (e que é função do poder político obtê-la), se dispõem a apoiar as propostas que melhor lhes pareçam satisfazer tal pretensão. Para ser uma verdadeira alternativa ao PS, e assim regressar ao poder e exercê-lo em vez de ser seu refém, o PSD precisa de, adoptando um programa “liberalizante”, criar uma “coligação de vontades” que, indo da “direita” ao “centro-esquerda” (como o fizeram Sá Carneiro e Cavaco), concentre a sua campanha nesse “centro-esquerda”. E que o faça, não cedendo ao estatismo que esses eleitores tradicionalmente preferem, mas procurando mostrar-lhes como o liberalismo, mais do que o Estado Social a que se afeiçoaram, promove melhor a tal “justiça social” que desejam, melhor promove uma sociedade na qual não apenas eles, mas também o seu vizinho, poderão ter uma vida melhor.
No fundo, o PSD deverá adoptar um programa liberal, e perguntar aos que não o são se será “justo”, por exemplo, que a classe média seja sufocada por impostos que a impedem de suportar encargos com os seus pais já reformados, obrigando assim o Estado a ocupar o seu lugar, e dessa forma, retirar a uma população activa cada vez mais diminuta uma parte cada vez maior do seu rendimento, para dar a um crescente número de seus dependentes um rendimento cada vez mais escasso? Será “justo” que uma parte cada vez maior da sociedade faça descontos para um sistema de pensões do qual sabe nunca poder vir a beneficiar? Será “justo” que, sob a ilusão de um SNS “tendencialmente gratuito”, se aumentem os custos individuais com o recurso a esse mesmo SNS? Será “justo” que, devido ao espartilho legislativo que sufoca o mercado de arrendamento, os jovens sejam praticamente obrigados a comprar uma casa e a contrair o endividamento eterno que a acompanha?
Deverá depois convencê-los de que é mais “justo” deixar o mercado funcionar, e “amparar” a queda dos que não tiverem a sorte ou a capacidade de serem bem sucedidos, do que, como no mercado da habitação, o Estado acabar por criar problemas mais graves do que aqueles que, com a sua intervenção, pretende resolver. De que é mais “justo” que sejam os doentes (e idealmente apenas os que não tiverem recursos suficientes para o fazer por si próprios) a serem financiados, em vez dos hospitais, de forma a que o estes últimos deixem de depender do Ministério da Saúde e respondam às necessidades dos que a eles recorrem. De que é mais “justo” que os indivíduos tenham a liberdade de escolher a quem entregam as suas pensões, do que ficarem presos a um sistema condenado à falência. No fundo, de que uma sociedade mais livre será uma sociedade mais “justa”.
O PSD era tradicionalmente visto como um partido de pessoas que queriam subir na vida. Anos e anos de poder transformaram-no num partido de pessoas que querem manter o emprego público. Ao mesmo tempo, os portugueses foram sendo amarrados a um Estado Social que apenas garante o empobrecimento generalizado da população. Nenhum partido, excepto o PSD, os poderá libertar. E se é verdade que não o tem querido fazer, também parece ser cada vez mais verdadeira a ideia de que não lhe resta outra alternativa que não passar a querer. O líder do PSD, seja qual for o seu nome, terá de perceber isto, se quiser libertar o partido da letargia que o tem caracterizado, e os portugueses do Estado que os sufoca. E terá de perceber que, ao contrário dos seus antecessores, terá de conduzir a opinião pública, em vez de ser conduzido por ela. O melhor candidato á liderança será aquele que melhor perceber isto. Passos Coelho não o será certamente, embora provavelmente venha a ser o vencedor. Resta saber quem merecerá mais o cargo, se Rangel se Aguiar Branco. Talvez este Congresso sirva para perceber isto.
Posted by Bruno at 10:03 PM
março 11, 2010
A Ver
A entrevista de Alexandre Soares dos Santos no programa Negócios da Semana.
Posted by Bruno at 09:42 PM
março 10, 2010
Preguiça
Normalmente, estou disposto a fazer o possível e o impossível para ter de fazer o menos possível. Sou preguiçoso ao ponto de não recuar perante qualquer esforço necessário para não ter de fazer grande esforço.
Posted by Bruno at 10:12 PM
março 08, 2010
Responsabilidades
O dr. Francisco Assis, assumindo de alma e coração (como se impõe) o seu papel de aguadeiro do "engenheiro" Sócrates, veio hoje dizer que os partidos da oposição não devem "fugir" às suas "responsabilidades" na procura de uma saída da crise. Segundo o dr. Assis, devidamente instruído pelas agências de comunicação do PS (gente que não brinca em serviço), os partidos da oposição tem na matéria "igual responsabilidade" à do governo. Eu fiquei surpreendido. Não sabia que já tínhamos um governo de "União Nacional" com todos os partidos representados na Assembleia. É verdade que outras obrigações e a minha preguiça natural me têm distraído um pouco dos assuntos da nação, mas não esperava que um desenvolvimento deste género me passasse despercebido. O que vale é que parece que não sou o único. Aparentemente, só mesmo o PS é que está informado que os restantes partidos se coligaram no Governo. Ou então, trata-se de mais um sinal da difícil relação que o PS tem com a realidade, uma senhora de trato aparentemente difícil e temperamento volátil. Como todos e nós, e infelizmente, não apenas o PS, vamos descobrir não daqui a muito tempo.
Posted by Bruno at 10:02 PM
março 07, 2010
Citizen Kane
Em noite de Oscars, vale a pena ver, no Fora.tv, esta discussão acerca do filme Citizen Kane, de Orson Welles.
Posted by Bruno at 10:28 PM
março 05, 2010
A Ler
Este post do Luciano Amaral sobre a Grécia e Portugal.
Posted by Bruno at 10:26 PM
março 04, 2010
No Leitor de DVD

Posted by Bruno at 10:37 PM
março 02, 2010
Perturbações
O Público de ontem traz um artigo de opinião em que um senhor se pergunta se Fernando Nobre será um candidato presidencial "perturbador". Duvido que fosse este o sentido desejado pelo autor do artigo, mas pessoalmente, Fernando Nobre perturba-me profundamente.
Posted by Bruno at 11:46 PM