Escrito pela mão invisível de Bruno Alves. Comentários e opinião: alves.bm@netcabo.pt

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janeiro 29, 2010

Zanga Na Rua Sésamo

Posted by Bruno at 10:43 PM

janeiro 28, 2010

A Outra Grande Depressão

Lembro-me de, aos quatro anos, ter tido a minha primeira grande crise existencial (a primeira de muitas). Estava quase a fazer cinco anos, e não queria. Queria a vida despreocupada e simples que se leva aos quatro anos, livre das responsabilidades e pressões inerentes à vida de um rapaz de cinco. Queria ter quatro para sempre. De certa (e não muito saudável) forma, consegui-o, como este texto aliás demonstra. Mas, infelizmente, as leis contra o trabalho infantil não me protegem por apenas ter a mentalidade de um rapaz de quatro anos, parece que é preciso tê-los mesmo. Assim, sou forçado a levar uma vida de adulto, apesar das minhas capacidades cognitivas francamente subdesenvolvidas. Até agora, não tenho sido muito bem sucedido.

Posted by Bruno at 10:31 PM

janeiro 26, 2010

Repetir a Brincadeira

O ano passado, uma "avaria no sistema" fez com que o Governo se atrasse a apresentar o Orçamento. Este ano, o Governo repete a brincadeira (sem "avaria"). Tal como no ano passado, com um bocadinho de sorte, a coisa vai demorar tanto tempo a chegar aos jornalistas que amanhã será mais um dia em que, nos jornais, a única informação acerca do Orçamento será aquela que veio da boca do Governo, ou seja, será a propaganda do Governo. E assim, quando as contas começarem a ser feitas, já ninguém vai ouvir. O que vai ficar será a propaganda que voou solta por estes dias, sem que ninguém tivesse sequer a possibilidade de a escrutinar.

Posted by Bruno at 10:25 PM

Má Escolha

Segundo o que corre por aí, a oposição sentia-se dividida entre viabilizar um mau orçamento e conduzir a uma queda do Governo. Optaram por viabilizar um mau orçamento, para não provocar uma crise política que "faria aumentar as taxas de juro", como tem repetido Pedro Mota Soares". Como se uma situação governamental "estável" (como se um governo norteado pela caça ao voto fosse "estável") acalmasse mais os credores do país do que um orçamento que enfrentasse os nossos problemas.

Posted by Bruno at 10:08 PM

janeiro 24, 2010

Defeito de Fabrico

O dr. Passos Coelho, empenhado na digressão de promoção do seu livro (talvez o engenheiro Ângelo Correia não pague o suficiente ao seu aguadeiro), deu uma entrevista ao Expresso, na qual anunciou que, se fosse Primeiro-Ministro, reduziria o salário dos políticos. Esta "ideia" (parece que o livro está cheio delas) basta para perceber o carácter político de Passos Coelho: tal como Sócrates ou qualquer outro político rasteiro dos que abundam pelo país, Passos Coelho sabe como é fácil e lucrativo do ponto de vista eleitoral "malhar" (como dizia o outro senhor) nos políticos. E tal como Sócrates e restantes políticos rasteiros, Passos Coelho não percebe que, ao fazê-lo, se está a apoucar a si mesmo, e portanto, a diminuir a capacidade de intervenção que terá se algum famigerado dia chegar ao poder. Quem o quiser que o compre. Mas que tenha consciência de que o produto tem defeito de fabrico.

Posted by Bruno at 03:38 PM

janeiro 22, 2010

Boa Escolha

Passos Coelho apresentou ontem o seu livro, onde conta o seu “percurso de vida” e dá a conhecer as suas “ideias para o país”. À mesma hora, eu estava noutro local de Lisboa, sem Passos Coelho ou as suas “ideias”, mas a levar com chocolate quente em cima das pernas e a arriscar graves queimaduras. Acho que fiz uma boa escolha.

Posted by Bruno at 10:26 PM

janeiro 21, 2010

Schindler's List

"I rented Schindler's List yesterday: not that funny..."

Frase do comediante David Cross, num dos episódios de Dr. Katz.

Posted by Bruno at 10:27 PM

janeiro 19, 2010

"Conciliação"

Por várias razões, costumo não atribuir grande credibilidade a figuras como Marco António (o de Gaia, não o de Roma) ou Carlos Carreiras, ou a presidentes de distritais do PSD em geral. Justa ou injustamente, sempre os considerei meros aparelhistas, incapazes de produzir um pensamento coerente ou sequer de compreender o encadeamento de duas palavras vindas da boca de um interlocutor, gente que apenas se conseguiria exprimir em grunhidos ou subornos. Mas devo reconhecer que fui injusto. Estas pessoas, ao virem agora, em plena discussão do Orçamento de Estado, lançar um "Manifesto da Conciliação" pedindo a marcação de eleições directas para a liderança do PSD, mostram ser bem versados na "newspeak" (português é mais complicado, mas nem todos podemos falar as mesmas línguas): sabem (e sabem muito bem) dizer que "paz" é "guerra", ou que "verdade" é "mentira". Afinal, eles têm cérebro. Só não têm mesmo é vergonha, mas talvez seja pedir demais.

Posted by Bruno at 04:33 PM

janeiro 18, 2010

A Ver

A entrevista a Wes Anderson no programa de Charlie Rose, sobre o filme The Fantastic Mr. Fox.

Posted by Bruno at 10:07 PM

janeiro 15, 2010

Surpresa

Fiquei muito supreendido (para não dizer chocado) com a noícia de que a RTP ia terminar o programa de Marcelo Rebelo de Sousa por António Vitorino abandonar o seu: não fazia a mínima ideia que António Vitorino tinha um programa na televisão.

Posted by Bruno at 09:16 PM

janeiro 13, 2010

À Falta de Coisas Importantes Para Discutir, O País Político Dedica-se Às Presidenciais

Manuel Alegre deu, este fim-de-semana, uma entrevista ao Expresso, mais uma oportunidade para falar longamente sobre o assunto que mais gosta, ele próprio (entre a entrevista e as fotos de Clara Pinto Correira em "êxtase sexual", que fizeram as delícias de metade do país, e encheram de pesadelos o sono da outra metade, na qual me incluo, não houve grande diferença). A dada altura, o ex-deputado dizia que Cavaco Silva "sabe gerir os silêncios, mas não sabe gerir a palavra", o que mostra que, se é verdade que o júri ainda está à procura de um veredicto acerca de se Alegre sabe gerir a palavra ou não, pelo menos fica claro que não sabe dar grande sentido às ditas.

Mas deixemos as graças de lado, até porque Alegre não merece ser gozado, pois cumpre um papel importantíssimo na manutenção da paz e tranquilidade na sociedade portuguesa. Se não fosse ele, e o seu gosto em mostrar que nada tem para dizer, o que teria sido dos jornalistas esta semana? Findo (por agora) o festival do casamento gay, centenas de jornalistas e comentadores entraram em pânico, sofrendo profundos e severos ataques de ansiedade por terem ficado sem assunto sobre o qual terem milhares de opiniões, nenhuma dela fundamentada. Teriam que se preocupar com o défice? Fazer reportagens sobre a sustentabilidade (ou falta dela) da Segurança Social? Limitar-se-iam a entrevistas a Pedro Passos Coelho, outro homem visivelmente apaixonado por si próprio? Esta última hipótese não preocupava especialmente a redacção do Diário de Notícias, que não tem feito outra coisa nos últimos tempos, mas certamente não fazia as delícias dos restantes. Felizmente, Alegre resolveu falar, e daquele conjunto de sons mal articulados, logo os jornalistas fizeram brotar um assunto de "debate": as presidenciais de 2011.

Diga-se de passagem (e muito, muito, a contragosto) que o tema não é totalmente descabido. Dada a situação política actual, as eleições presidenciais de 2011 poderão ter um impacto significativo na realidade política (embora, dado o adormecimento que parece agradar a todos nós, o mais provável é que fique tudo exactamente na mesma). Mas o que excita os jornalistas (que, no entanto, não exibem fotos disso em galerias de Cascais) é mesmo a eterna dúvida "será que Alegre se candidata?", e as intrigas palacianas que ela acarreta, especialmente tratando-se do PS, onde estas coisas têm sempre um certo fascínio, só superado pelas do PSD (quem tem Santana Lopes consegue sempre oferecer outra magia).

Gente mais sensata, como o Luciano Amaral, também se preocupou com as presidenciais de 2011. Diz o Luciano que a "última coisa de que o primeiro-ministro gostaria" seria "ter de lidar com um Presidente Alegre. Ora, é esse mesmo o outro real candidato a perfilar-se no horizonte. Um Presidente Alegre tornaria Sócrates refém da maioria parlamentar de esquerda (ou pelo menos da quase-maioria com o BE), o caminho certo para a sua irrelevância ou para o fim da sua credibilidade governativa. Onde chegamos a uma situação interessante. Entre a penúltima" (ter de lidar com Cavaco silva novamente) "e a última coisa de que menos gostaria, talvez o primeiro-ministro devesse preferir a primeira, o que reeditaria as circunstâncias das últimas presidenciais: apoio oficial a um candidato de esquerda e multiplicação de sinais mostrando que se preferiria o de direita. Sócrates bem esperneia, mas, na ausência de uma invenção catastrófica, ainda vai ter de acalmar o seu tom com o Presidente."

Não discordando da análise do Luciano, falta-lhe uma outra hipótese, sobre a qual em tempos já escrevi: Sócrates avançar ele próprio contra Cavaco Silva. O resultado das últimas eleições, e a atmosfera de cortar à faca da política portuguesa nos últimos tempos, fazem-me ver tal cenário como cada vez mais provável: sem maioria absoluta, Sócrates ou governava em minoria ou com uma coligação com um qualquer partido que lhe será pouco menos que hostil (CDS ou BE). Descanso, era coisa que nunca teria (nem terá) fizesse o que fizesse. Eleições antes do tempo serão praticamente inevitáveis. O potencial de conflito com o presidente é enorme, e a melhor desculpa que o PS poderá usar para se vitimizar, estratégia indispensável em eventuais eleições antecipadas. E nada melhor para radicalizar esse conflito com o Presidente, e assim recorrer à única estratégia que poderá salvar o PS na difícil conjunutra que o espera, será Sócrates candidatar-se ele próprio à Presidência, para remover a “força de bloqueio” (aposto mesmo que este será o termo usado) que “impedirá o PS” de “dar futuro a Portugal”. Se a política portuguesa chafurdou na lama nos últimos anos, agora será muito pior. O que certamente deixará os jornalistas um bocadinho mais descansados.

Posted by Bruno at 06:39 PM

janeiro 12, 2010

Self Inflicted Wounds

Não consigo deixar de achar alguma piada a esta frase de Neil Kinnock sobre os problemas internos do Labour britânico: "Self inflicted wounds are the ones that turn septic most quickly, and where gangrene sets in."

Posted by Bruno at 10:10 PM

janeiro 11, 2010

No Leitor de DVD

Dr Katz The CompleteSeries.jpg

Posted by Bruno at 10:14 PM

A Ler

O texto do Filipe Faria sobre "Darwin e a teoria da evolução social de Hayek".

Posted by Bruno at 10:09 PM

janeiro 08, 2010

Parlamento Aprova Casamento Gay

Esta tarde, a Assembleia da República aprovou a nova lei do "casamento gay", para gáudio da meia-dúzia de pessoas que se encontrava à porta da Assembleia à espera de serem entrevistadas pelas televisões, e do Primeiro-Ministro, à procura de horas e horas de "espaços informativos" dedicados a tudo menos aos problemas reais do país (a cobertura da SIC Notícias, num excitadíssimo directo, teve o desgaradável resultado de me impedir de ver a repetição da Quadratura do Círculo, o que apesar de tudo, teve a vantagem de não me forçar a aturar a vergonhosa falta de educação de António Costa, rapaz a precisar de uns bons tabefes).

A dada altura, o pivot da SIC Notícias desviou a transmissão para São Bento, onde um "porta-voz" dos grupos de "gays, lésbicas e simpatizantes" (tantas perguntas, tão pouco tempo para as fazer: não são as lésbicas "gay"? O que são os "simpatizantes"? Serão como os dos clubes de futebol, os que torcem por uma equipa mas não são sócios? Estou habituado a, nas sitcoms americanas, os homossexuais serem referidos como "jogando na outra equipa", mas não estaremos a ir longe demais?) foi interrompido pela repórter (da qual sou simpatizante, diga-se de passagem, não por causa da sua orientação sexual, que desconheço, e muito menos pelo trabalho, que me passa despercebido, mas pelas suas qualidades estéticas, que me despertam variados sentimentos, nenhum deles particularmente digno), que lhe pediu a sua opinião acerca do que se passara dentro da Assembleia: o porta-voz (que desconheço se seria "gay" ou mero simpatizante. Lésbica, presumo que não fosse, mas talvez seja discriminatório e antiquado restringir a lesbianice às mulheres) regozijou-se com a aprovação da lei, que, segundo ele, "punha fim à discriminação".

Lamento desiludir o "gay, lésbico ou simpatizante", mas a lei não elimina discriminação nenhuma. Pelo contrário, introduz uma discriminação, ao criar dois "casamentos" iguais em tudo, menos na capacidade de adoptar crianças, diferença essa baseada única exclusivamente no género das pessoas envolvidas: casais de um homem e uma mulher podem adoptar crianças, casais de dois homens ou duas mulheres (não sei se os simpatizantes, não pagando quotas, terão direito a usufruir da nova lei) não podem. Introduz ainda uma outra discriminação, entre homossexuais casados (que não podem adoptar), e homossexuais solteiros que vivam sozinhos ou com um parceiro (que poderão adoptar): um dos propósitos da nova lei, segundo os seus principais defensores, era o de atribuir às relações homossexuais a "dignidade" do casamento, mas na realidade, a nova lei trata o casamento homossexual como menos digno que o heterossexual, e até menos digno que uma mera "parceria", ou "coabitação", homossexual.

Independentemente do que se possa pensar acerca da legalização do "casamento gay" (pessoalmente, tenho as maiores dúvidas acerca do assunto), se há coisa que não se pode dizer é que esta lei é "igualitária" e põe fim à "discriminação" (podemos achar que essa discriminação se justifica ou não, mas não podemos achar que ela não existe). Se os senhores deputados que acham que dois homens e duas mulheres se podem casar entre si fossem mais homenzinhos, se (perdoem-me o francês) tivessem um pouco mais de tomates, se quisessem realmente "pôr fim à discriminação" (em vez de meramente criar uma distracção), teriam ido mais longe, permitindo a adopção de crianças por parte de casais homossexuais. Se quisessem (com ou sem razão) atribuir igual "dignidade" às relações homossexuais, não as discriminariam em relação ao casamento heterossexual nem a outras relações homossexuais.

Pensando bem, talvez a tal "falta de tomates" se adeque à ocasião. O Parlamento aprovou uma lei do casamento "gay": não apenas uma lei que possibilita casamentos "gay", mas uma lei do casamento que é, ela própria, um bocadinho "gay", um bocadinho "amaricada", um bocadinho "rotinha", uma lei à qual falta a determinação e firmeza que se encontra nos melhores exemplos de masculinidade, a determinação que permite dizer que ou o casamento é só entre homem e mulher, ou, se é para ser entre dois homens, duas mulheres, ou entre simpatizantes, então esses "casamentos" terão mesmo que ser iguais aos outros. Ao aprovarem esta lei, os senhores deputados, em vez de carregarem (como pretendiam) o estandarte do "progresso" e da "igualdade", mais pareciam ir embrulhados naquelas bandeirinhas arco-íris que se vêm em coloridas paradas berlinenses ou certas janelas lisboetas. E antes que o caro leitor acuse este texto de transpirar a ódio aos gays e às lésbicas (os simpatizantes não o parecem preocupar. Veja lá, não seja discriminatório), devo alertar-lhe que está enganado. Não nutro particular ódio por quem quer que seja. Não discrimino: odeio toda a gente, independentemente da raça, credo, género, ou orientação sexual. A começar por mim próprio.

Posted by Bruno at 06:52 PM

janeiro 07, 2010

Mais Uma Longa Noite à Minha Espera

BCS National Championship.jpg

As Universidades de Alabama e Texas jogam hoje na final do campeonato universitário de futebol americano.

Posted by Bruno at 10:29 PM

janeiro 06, 2010

20 Anos

thesimpsons.jpg

The Simpsons foi para o ar há 20 anos. Ainda me lembro de quando a RTP começou a dar a série em Portugal, alguns anos depois, e de eu ver o primeiro episódio, na manhã seguinte, gravado pelo meu pai.

Posted by Bruno at 11:08 PM

janeiro 05, 2010

A Ver

Esta palestra do Juiz do Supremo Tribunal americano Antonin Scalia sobre a "lei internacional".

Posted by Bruno at 07:01 PM

janeiro 04, 2010

Leituras

Best Seat In The House.jpg

Posted by Bruno at 06:56 PM

janeiro 02, 2010

Young Adolescents

O meu amigo Paulo destacou, ontem, a coluna de David Brooks no New York Times, e fê-lo com toda a razão. Pois Brooks não só tem toda a razão ao criticar a histeria em torno do recente atentado falhado nos EUA, como diz algo que (na frase que o Paulo destacou) descreve muito bem (infelizmente) a atitude dos eleitorados das democracias modernas:

"Now we seem to expect perfection from government and then throw temper tantrums when it is not achieved. We seem to be in the position of young adolescents — who believe mommy and daddy can take care of everything, and then grow angry and cynical when it becomes clear they can’t."

Posted by Bruno at 10:15 PM