Escrito pela mão invisível de Bruno Alves. Comentários e opinião: alves.bm@netcabo.pt

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dezembro 31, 2009

Visto

adventureland.jpg

O filme do ano, que esperava há meses e nem sequer passou pelos cinemas.

Posted by Bruno at 09:42 PM

dezembro 29, 2009

É Sempre Agradável Ser Compreendido

Em resposta à minha lista de "filmes da década", o João dedica-se a uma análise da minha personalidade, e de forma assustadora (para mim) quase que acerta em cheio. Acima de tudo, chama-me um "velho avant la lettre", o que, principalmente se tivermos em conta a senilidade evidente em tudo o que escrevo, não poderia estar mais certo. E em segundo lugar, nota como a lista de filmes que eu mencionei põe a nu (por assim dizer) algumas das minhas inclinações: "temos doses generosas de ninfas (Lost in Translation), graciosidade (Catch Me If You Can) e até romantismo (P.T. Anderson)". Só não me parece que ele acerte quando vê nisso um sinal de "esperança" para "alguém da tribo". Sinceramente, até agora, o romantismo, o gosto pela graciosidade e a "inclinação" (chamemos-lhe isso) pelas "ninfas" só me trouxeram desespero, frustração e o ocasional receio de um encontro menos agradável com a lei. "Esperança", só para ser brutalmente espezinhada logo de seguida.

Posted by Bruno at 10:14 PM

dezembro 28, 2009

"Investir" Na Família

A primeira página do I de hoje exclama, em tom meio indignado, que "Portugal é dos países que menos investem na família" (o que, conhecendo algumas famílias portugueses, se compreende. Seria dinheiro deitado à rua). Aparentemente, o Estado português "só gasta 1,2% do PIB em apoios à família". É sabido como em Portugal toda a gente gosta de "apoios" (eu, por exemplo, sonho que o Estado um dia me apoie, atribuíndo-me um subsídio a quem gosta de ver muitos filmes, muita televisão, ou para que eu pudesse ficar em casa até ao fim dos meus dias sem ter de contactar com outros seres humanos), e como todo e qualquer Governo gosta de se dizer "amigo da família", em especial da "natalidade". Ninguém de bom senso (o que, por acaso, até não é o meu caso) negaria a importância das famílias (ou, pelo menos, de algumas) numa sociedade decente, ou os problemas associados à baixa natalidade, como a insustentabilidade da Segurança Social (não que esse problema exista em Portugal. Como todos sabemos, Portugal enfrentou com sucesso esse "desafio": Guterres resolveu o problema para os 100 anos seguintes, e Sócrates garante ter resolvido o problema segunda vez, meia década depois). Mais duvidoso é que os tais "apoios" que o I considera serem escassos servissem para apoiar outra coisa que não os empregos no funcionalismo público dedicados a distribuí-los.

Como a grande maioria das "reclamações" dos portugueses, e das políticas que apelas aos nossos governantes, os "apoios" à família e à natalidade sobrecarregam mais do que "apoiam". Ninguém, por exemplo, decide ter um filho porque o Estado lhes dá os trocos por isso. Mesmo que, porventura, o subsídio fosse elevado ao ponto de alterar a opção das pessoas, o resultado não seria muito bom: estar-se-ia a criar uma espécie de "parideiras públicas", transformando a maternidade em profissão paga pelo contribuinte, como, segundo relatos, é o caso em certas camadas mais desfavorecidas da população inglesa.

Mas o que nunca ocorre aos Governos que se deixam enamorar pela retórica natalista e "amiga da família" é que se ninguém escolhe constituir família porque o Estado lhes dá um subsídio, há quem escolha não o fazer porque tal implica a compra de uma casa (e o endividamento eterno que a acompanha), porque tem de abdicar de metade do seu rendimento para permitir que o Estado distribua "apoios" pelos vários objectos da sua predilecção, porque no começo da vida activa a sua situação laboral é precária sem que o mercado seja flexível o suficiente para que lhe seja fácil arranjar outro emprego. Se o Estado quer "apoiar" as famílias, não precisa de "investir" nelas. Precisa de sair da frente, e deixar que se crie um verdadeiro mercado de arrendamento. Precisa de sair da frente, e deixar de sugar uma parte tão grande do rendimento dos contribuintes. Precisa de sair da frente, e deixar que as relações contratuais no mundo do trabalho sejam mais livres. As famílias, mais do que de mais "apoio", precisam de menos carga.

Posted by Bruno at 05:56 PM

dezembro 26, 2009

Filmes da Década

Regressado da pausa natalícia, vejo que o João Pereira Coutinho me inclui numa lista de várias pessoas cuja opinião acerca de qual o melhor filme da década ele deseja conhecer. O João arranjou-me aqui um belo problema: a questão não tem resposta (é impossível escolher um), mas o mero facto de ela ter sido colocada me põe a pensar no assunto, lançando-me em horas e horas de introspecção e tormento. Há hipóteses que serão óbvias: Mystic River ou Million Dollar Baby de Clint Eastwood, por exemplo (Gran Torino é bom, mas não tão bom assim). Punch-Drunk Love, de Paul Thomas Anderson, ou The Royal Tenenmbaums de Wes Anderson, dois excelentes filmes "estranhos" exemplares do tom de muito do que foi feito ao longo desta década (vejam-se os inferiores, mas bons, Ghost World e Garden State), ao qual se poderia juntar Little Miss Sunshine. Houve também o muito bom 25th Hour, de Spike Lee, ou Catch Me If You Can de Spielberg (Munich também era bom, mas não tanto). Houve o também fabuloso 2046, de Wong Kar Wai (o seu My Blueberry Nights, foi dos melhores filmes "melhor do que parece" da década). E claro, houve também Sofia Coppola, especialmente Lost in Translation, um dos filmes que eu mais vezes nos últimos anos (juntamente com The Virgin Suicides, também de Coopola, mas que é de 1999). Tenho a pela consciência de que o que acabo de fazer derrota por completo o propósito do exercício que o João me propôs. O que fiz foi apenas dizer o nome de todo e qualquer filme minimamente decente dos últimos (fora os que me não me ocorreram, esquecimentos pelos quais certamente me vou martirizar). Mas a culpa é dele, por me ter feito uma pergunta com uma resposta impossível.

Posted by Bruno at 09:36 PM

dezembro 23, 2009

Christmas Time Is Here





Posted by Bruno at 12:31 AM

dezembro 19, 2009

A Ler

Na Standpoint, uma discussão sobre as políticas de educação do Partido Conservador, entre Michael Gove (ministro-sombra para essa pasta) e Chris Woodhead.

Posted by Bruno at 09:47 PM

dezembro 18, 2009

O "Chico-Esperto"

De repente, e depois de se ter apressado a resolver esse problema que tanto inquietava a sociedade portuguesa que era o casamento homossexual, o Governo resolveu trazer à baila o tema da regionalização. Outra reforma indispensável, ao pé da qual a necessidade de melhorar o sistema judicial, tornar a Segurança Social sustentável, e diminuir o sufoco fiscal dos portugueses, são meras brincadeiras de crianças. É claro que se compreende a intenção do Primeiro-Ministro: José Sócrates sabe que o tema divide o PSD (que tema não divide o PSD?), e nada melhor para fragilizar a oposição que entretê-la com um tema que fará com que os seus deputados e responsáveis se oponham entre si, em vez de se oporem ao Governo? Esta promoção da regionalização como tema de debate político é um bom exemplo da "chico-espertice" de José Sócrates. Até há uns meses, eu diria que ela é tão evidente que os portugueses teriam o juízo de se fartarem dela. Hoje, sinceramente, começo a ter dúvidas.

Posted by Bruno at 09:47 PM

dezembro 16, 2009

A Ver

No Fora.tv, Steven Johnson (autor de Everything Bad is Good For You) fala sobre o seu livro The Invention of Air.

Posted by Bruno at 10:43 PM

dezembro 15, 2009

A Explicação Para O Meu Estado Civil

A maioria das raparigas com quem contacto não fazem muito o meu género. Eu prefiro-as imaginárias, e essas, infelizmente, tendem a ser particularmente pouco dadas a compromissos.

Posted by Bruno at 11:00 AM

dezembro 14, 2009

O Verdadeiro Portugal

Há dias, no Corta-Fitas, João Távora embarcava no comportamento tão típico do "intelectual português" que é a busca da salvação do país, e, como é habitual na espécie, chegava à brilhante conclusão de que "a resolução do imbróglio português só poderá sair duma solução de “salvação nacional” amplamente consensual e de forte liderança", e de que "é urgente redescobrir a verdadeira alma portuguesa para fundar um novo ciclo". Deixando de lado a prosa: é difícil dizer qual destas duas "conclusões" é a menos perspicaz.

Comecemos pela "salvação nacional amplamente consensual". É espantoso como sempre que surge uma crise particularmente grave, toda a gente se lembra de pedir aos políticos que "ponham de lado as divergências" e "se unam" para se encontrar uma "resposta" para os graves problemas que nos afectam. Não ocorre aos suplicantes que é precisamente nas alturas de crise que não só é mais díficil chegar a "consensos amplos" como eles nem sequer são particularmente desejáveis: tais "consensos" são improváveis, pois é em períodos particularmente conturbados e difíceis que as opções à disposição das pessoas se tornam mais radicais, mais drásticas; é portanto apenas e só natural que as divergências entre políticos de uma orientação e outra se tornem ainda mais conflituantes, ainda menos dispostos a chegar a um consenso do que em tempo de "vacas gordas"; em segundo lugar, esses "consensos", a existirem, são pouco desejáveis pois mais não seriam que um compromisso entre opções mutuamente incompatíveis, um cozinhado aquecido e reaquecido nos microondas das salas do Rato e da São Caetano, concebidos para agradar a toda a gente e destinados a não servir a ninguém que não os que deles recebessem um lugarzinho ou outro numa generosa empresa pública.

Pior que essa curiosa fé no "consenso amplo", só mesmo o desejo de redescobrir "a verdadeira alma portuguesa" para, com ela, "fundar um novo ciclo". Não ocorre a João Távora que a "verdadeira alma portuguesa" possa ser precisamente aquela que "fundou o ciclo" a que ele quer pôr fim. Não ocorre a João Távora que "isto" possa ser precisamente aquilo que os portugueses querem. Como em tempos escrevi, Portugal deixou há muito pouco tempo de ser um país verdadeiramente pobre. Há, por isso, uma “memória social” (perdoe-se o jargão) relativamente avivada da penúria, da fome, da miséria. Comparadas com a condição permanente da vasta maioria dos portugueses até há poucas décadas, as agruras desta “crise” são um verdadeiro paraíso, insuficientes para alarmar quem ainda tem a falta de comida como termo de comparação e avaliação da sua condição.

Ainda para mais, a grande maioria do eleitorado certamente se lembra da crise de 73, da do final dos anos 70, da dos anos 80. Um período de dificuldades económicas não é novidade para essa grande parte dos portugueses. E quanto aos eleitores mais novos, desde 2000 que vivem em “crise”, praticamente não se lembram de viver noutro estado que não o de “crise”, e portanto, vêem-na como algo de “normal”, não como algo que justifique uma mudança drástica. Pouca gente em Portugal sente que a estagnação (o destino inevitável do país se não se fizer “alguma coisa”) lhes fará perder o que quer que seja. Já as “reformas” aparecem como a ameaçadora possibilidade de muitos deles perderem alguns dos “benefícios” que o Estado vai fingindo que lhes dá. Entre a calma da estagnação (pouco assustadora se a compararmos com o passado recente do país) e a incerteza das reformas, muitos preferem a estagnação.

Os únicos que poderão perder alguma coisa se a “crise” continuar a ser “normal” (e a ser cada vez mais “normal”) são os que ganharam alguma coisa com a relativa prosperidade dos anos de Cavaco e Guterres. Infelizmente, essa prosperidade veio em grande parte do aumento do funcionalismo público, dos “fundos” europeus e da facilidade do endividamento, ou seja, do Estado e de coisas que ou acabaram de vez ou serão insustentáveis se continuarem. O que quer dizer que os únicos que poderiam ter alguma motivação para querer que a “crise” não se torne “normal”, têm, ao mesmo tempo, muitas razões para não quererem arriscar as “reformas”. É perfeitamente plausível que prefiram comer as poucas maçãs que ainda lhes restam antes que apodreçam, em vez de plantarem outra macieira para passarem a ter mais maçãs para comer. O facto de termos chegado ao “fundo do poço” não quer dizer que façamos tudo para voltar à superfície. Podemos optar por aproveitar o pouco que temos, antes de ficarmos com ainda menos. É uma opção pior, diz o caro leitor, e eu acho que o leitor tem razão. Mas nada nos garante que optemos pelas melhores soluções. A "alma portuguesa" teve, aliás, uma oportunidade de mostrar o que queria há bem pouco tempo. E o que quis foi precisamente "isto". E eu bem que gostava de acreditar que nada disto é verdade, mas infelizmente é mesmo.

Posted by Bruno at 10:07 PM

dezembro 12, 2009

Inflated Ego

inflated-ego-mug.jpg

Dos meus 50 quilos de peso, 45 são do meu ego. E logo por azar, são 45 quilos que eu deveria perder.

Posted by Bruno at 09:36 PM

dezembro 10, 2009

Um Discurso Que o Primeiro-Ministro Não Ouviu

Do Ministro das Finanças irlandês:

"Some have argued we should continue to borrow and wait for the economy to grow again before tackling the budget deficit. There are three reasons why this is not a viable proposition.

First, we know from the 1980s how large deficits, left unchecked, can lead to a dangerous spiral of mounting debt and ever increasing interest payments. Never again should we return to a position where all of our income taxes go to pay interest on the national debt. Second, international debt markets have become more crowded and more fragile. If lenders were to lose faith in our ability to restore order to the public finances, the consequences for our economic wellbeing would be profound. Third, only decisive action will restore confidence. Consumers will only start to spend and business owners will only invest and create jobs if they believe we are tackling our deficit problem now.

In our everyday lives we do not borrow to pay for our household bills. We cut back and seek to live within our means. The same strictures apply at national level. Borrowing hundreds of millions a week to pay for day to day spending is just not on. Stabilising the deficit is the next key milestone in our plan to deliver economic recovery for this country.

Others have argued for increases in taxes as a means of stabilising the deficit. But those who demand higher taxes fail to recognise what I have already done …. But we have reached the limit. We will not create jobs by increasing the penalty on work and investment.

So if we cannot tax our way out of our difficulties and we all agree in this House that we cannot borrow our way to recovery then the only remaining option is to reduce our spending. No one wants to cut spending but the cost of providing public services has to be reduced to bring it in line with sustainable revenue levels and to help restore our international competitiveness."

Posted by Bruno at 02:09 PM

dezembro 09, 2009

A Ver

Esta conversa com o realizador David Lynch:

Posted by Bruno at 09:31 PM

dezembro 08, 2009

A Ler

O artigo de Pacheco Pereira no Público do passado Sábado:

"(...) Manuela Ferreira Leite cometeu certamente erros, menos do que os dos "seus", e muito menos do que os que lhe são atribuídos, mas actuou sempre baseada em coisas que hoje, em tempos de "protagonismo", de ambição pessoal e de interesses, se tornaram um desvalor em política. E mais: quando se olha retrospectivamente de há ano e meio para cá, poucos líderes do PSD podem apresentar um património de análise e propostas mais conformes com a realidade nacional, apresentadas no tempo certo e, como é óbvio, primeiro incompreendidas e atacadas e depois impondo-se pela dura realidade da vida. Foi Manuela Ferreira Leite a primeira a chamar a atenção do problema da dívida (hoje uma trivialidade que quase todos repetem); para o modelo de crescimento baseado no betão, e contra ela se fez uma barragem no PS e no PSD; a primeira a chamar a atenção para a iminência de uma crise social grave, palavras que nunca tinham sido até então ditas, para os problemas das pequenas e médias empresas, antes de isto se tornar um chavão. Mas havia sempre uma mantra repetida pelo PS e por um grupo no PSD; não tem propostas, não sabe o que quer, só discute o TGV, e, crime dos crimes, fala da falta de liberdade, da "asfixia" que este Governo trouxe à sociedade. Todos os dias aparece um novo dado que lhe dá razão.

Mas não foi só isso que a abateu a prazo e digo a ela pessoalmente, porque, salvo honrosas excepções, ela esteve sempre quase sozinha. Foi a raiva que provocava e provoca. A sua mera existência na luta política coloca uma enorme incomodidade porque ela trouxe consigo uma forma de carácter antigo, de política diferente, de convicção pessoal, que não podia deixar de ser um espinho nestes tempos de plástico e de plasticidade. Era de facto "antiquada", mas um mundo que torna antiquado os seus valores também não é o meu. Foi por isso que a minha boa leitura em Espinho foi a do dr. Johnson, esse homem de infinita sabedoria e mau feitio.

Em Espinho, nas Jornadas Parlamentares, efectivamente quase todos estão "noutra". Rei morto, rei posto. Cá fora e lá dentro os jornalistas trocam tweets sobre irrelevâncias, compras de roupa, restaurantes, desatentos a tudo que não seja a intrigalhada do costume, com uma agenda que tanto podia ter a ver com o que se estava a passar em Espinho como na Cochinchina. Mil ambições esperam à porta. Mil pequenas carreiras estão à espera que a senhora "finalmente" saia. Os grandes interesses no ambiente, um dos sectores em que a relação com o Governo é crucial entre quem faz negócio e quem não faz, têm forte representação no partido. Alguns autarcas mais ambiciosos sabem que nunca chegarão a primeiro-ministro, mas precisam de um upgrade do seu poder, daí os igualmente fortes interesses na regionalização. O PSD é para eles uma marca, uma marca de que precisam. O país pouco lhes interessa.

O que está a matar o PSD não é novo, vem-se desenvolvendo e enquistando há muitos anos: há cada vez mais gente que precisa do partido, seja do grande lugar como do pequeníssimo lugar, e há cada vez menos gente que é livre e independente. Há cada vez mais gente que não existiria na sociedade, não teria o trem de vida que tem, que não teria o emprego que tem, que não teria as prebendas que tem, se não fosse serem alguém numa estrutura qualquer. Há cada vez mais gente que é empregado da social-democracia e há cada vez menos sociais-democratas.

O processo oligárquico conhece no PSD um crescimento exponencial e entrelaça-se com vigor à volta dos lugares do poder, pequeno e médio. A ideia de que o problema do PSD é programático, que tem a ver com o afastamento dos fundamentos genéticos, que tem o "espaço" ocupado pelo PS, tem uma parte de verdade, mas nenhuma refundação ideológica, nenhum debate de ideias, resolve o problema do modo como partido está e o modo como partido está por dentro impede, a não ser por um milagre, que nele se faça política como Manuela Ferreira Leite fez."

Posted by Bruno at 09:58 PM

dezembro 07, 2009

Publicidade Institucional

1º Debate blog.PNG

No próximo dia 15 (3ª feira), às 18h, na Sala de Exposições (2º piso do Edifício da Biblioteca João Paulo II da Universidade Católica), a Associação Académica (terrível nome) do Instituto de Estudos Políticos da UCP (onde este vosso criado está a fazer o seu mestrado) realizará o seu 1º Debate.blog: todos os meses, dois bloggers estarão no IEP a debater um qualquer tema da actualidade. Nesta primeira edição, Pedro Adão e Silva, do blog Léxico Familiar (para além de ser colunista do I e do Diário Económico, e comentador nos programas Bloco Central da TSF e Roda Livre da TVI 24), e Rodrigo Adão da Fonseca, do Insurgente, discutirão o impacto da crise económica e as implicações que esta terá nas políticas a serem adoptadas no futuro. A moderação (so to speak), por razões que a razão desconhece (campanhas negras insinuam que se trata de um escandaloso abuso de poder), estará a cargo deste vosso rapaz, mas não deixe que isso o faça ficar em casa, caro leitor (eu não vou falar muito). Quem quiser ir assistir, será bem vindo, e qualquer questão sobre o debate poderá ser respondida através do endereço de mail aaiep@iep.lisboa.ucp.pt.

Posted by Bruno at 10:45 PM

dezembro 06, 2009

No Leitor de CD

bob dylan christmas in the heart.jpg

Posted by Bruno at 10:04 PM

dezembro 04, 2009

"Eh Pá, Esse É Que Não..."

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Para quem não tenha ouvido, e não tenha o juízo suficiente para assim continuar, fica aqui a minha participação no Descubra as Diferenças de hoje (não esquecer que repete domingo, às 19).

Posted by Bruno at 09:44 PM

dezembro 03, 2009

Descubra as Diferenças

Amanhã, pelas 18 horas, esteri em debate com o Afonso Azevedo Neves, no Descubra as Diferenças da rádio Europa (90.4 FM), como sempre, com a Antonieta Lopes da Costa e o André Abrantes Amaral.

Posted by Bruno at 11:48 PM

dezembro 02, 2009

Obama e o Afeganistão

O Presidente americano Barack Obama anunciou ontem um reforço de tropas do seu país no Afeganistão. Nos próximos seis meses, 30 000 novos soldados serão enviados para o Afeganistão, num reforço da estratégia de "counter-insurgency" na região. Obama anunciou também que, a partir de Julho de 2011, os EUA iniciarão o processo de retirada de todas as suas tropas actualmente em missão em território afegão.

É necessário compreender como esta era um decisão difícil para Obama. Dadas as "complicações" (para ser simpático) que os EUA e a NATO enfrentam no Afeganistão, não aumentar o número de tropas equivaleria a aceitar a inevitável derrota que se começava a adivinhar. Derrota essa que, por sua vez, significaria a perda da (pouca) credibilidade americana como potência capaz de impôr a ordem no mundo (numa altura em que é preciso que alguém imponha essa ordem). Por outro lado, ao aumentar o número de tropas, Obama compromete-se directamente com o esforço de guerra no Afeganistão, até aqui meramente um conflito que ele tinha "herdado" de George W. Bush. O Presidente da "paz", do "diálogo", o "anti-Bush", torna-se assim, da noite para o dia, num "war president" como o seu antecessor.

Consciente do dilema, Obama tomou a pior decisão possível. O General McChrystal, o comandante americano no Afeganistão, pedira ao Presidente 40 000 tropas, o número que ele considerava necessário para que o país pudesse ser controlado. Ao enviar um número inferior àquele que os responsáveis militares no terreno entendiam ser o mínimo necessário para os objectivos serem atingidos, Obama compromete-se com uma estratégia que corre grandes riscos de fracassar.

Risco esse que é apenas e só agravado com o anúncio de retirada para 2011. Em 2006, quando se discutia se George W. Bush deveria ou não retirar do Iraque, Paddy Ashdown, ex-líder dos Liberal Democrats britânicos, antigo Alto-Representante da ONU para a Bósnia-Herzegovina, e crítico da intervenção americana no Iraque, dizia que o anúncio de uma retirada imediata provocaria um aumento da violência, direccionada contra as tropas, num momento em que estas estão mais vulneráveis (segundo Ashdown que tem alguma experiência nestas questões, o momento da retirada é, pela própria natureza da operação, o momento em que estas estão mais vulneráveis a ataques, e em que estes podem causar mais baixas). Para além de que, sabendo a partir de quando as tropas americanas vão retirar, os Taliban apenas precisam de ficar quietos, em paz e sossego, sabendo que, mal elas saiam, terão um país inteiro à sua disposição, sem ninguém que lhes faça frente.

Mas não só a decisão de Obama foi a pior possível, como o processo que conduziu a ela (semanas e semanas de adiamento da decisão, que impediam o principal aliado dos EUA, o Reino Unido, de sequer preparar a sua própria decisão quanto ao futuro das suas tropas no Afeganistão) mostra como toda a enjoativa propaganda da campanha eleitoral de Obama não passava de banha da cobra para ser vendida aos ingénuos. O Presidente do "multilateralismo", na sua relação com o principal aliado dos EUA, comportou-se da forma mais "unilateralista possível, como um recente número da Spectator mostrava. Bush era acusado de arrogância por não dialogar com o "Eixo do Mal"; Obama nem sequer dialoga com o Governo do país com mais soldados a morrer ao lado dos soldados americanos. E por não ter tido a coragem de enviar as tropas que, segundo os comandantes militares que ele próprio escolheu, Obama arrisca-se a que morram muitos mais.

Posted by Bruno at 06:18 PM

dezembro 01, 2009

Sete Quintas

Nos últimos dias, José Sócrates deve ter estado nas suas sete quintas. É verdade que não esteve a fazer exames de inglês técnico, nem a desenhar casas na Covilhã, ou sequer a conversar com Armando Vara sobre a "ajuda" a dar "ao amigo Joaquim", mas com a Cimeira Ibero-Americana e a cerimónia de entrada em vigor do Tratado de Lisboa, Sócrates teve, em poucos dias, a oportunidade de participar em dois "eventos" do género que tanto aprecia, em que pode fingir que faz alguma coisa e falar de momentos "históricos" e grandes "conquistas". Talvez não perceba (e se percebe, não se incomoda muito com isso), que todo aquele espalhafato apenas consegue fazer com que o desprezo dos portugueses pela sua figura cresça, e a paciência com a sua propaganda se esgote.

Posted by Bruno at 10:17 PM