Escrito pela mão invisível de Bruno Alves. Comentários e opinião: alves.bm@netcabo.pt

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outubro 31, 2009

Qualidades

Parece que há aí uma "vaga de fundo" (uma daquelas expressões, como "tabu" ou "arruada", que os nossos jornalistas usam para nos mostrarem quão grande é a sua falta de inteligência e bom senso) para que Marcelo Rebelo de Sousa se candidate à liderança do PSD. Segundo um dos promotores da dita "vaga", o PSD não se pode dar ao luxo de "dispensar" alguém "com as qualidades do Prof. Marcelo". Marcelo é como António Vitorino. Toda a gente lhes atribui múltiplas qualidades, que supostamente os qualificam para tudo e os tornariam imparáveis desde que se queiram mexer (normalmente, não querem, o que talvez indique que a coragem não faz parte da lista de virtudes destas duas alminhas). Infelizmente, nunca ninguém nos explica que qualidades são essas, e muito menos em que medida é que elas os qualificam para o exercício das funções que tanta gente deseja que eles desempenhem. Claro que há quem possa achar que essas qualidades (e a sua importância), são auto-evidentes, o que dispensaria a argumentação e demonstração das mesmas. Mas como nem toda a gente tem a mesma perspícácia que os admiradores de Marcelo, e ele, para chegar à liderança do PSD, terá primeiro de convencer pessoas limitadas intelectualmente como eu, talvez fosse bom que essas qualidades fossem demonstradas, em vez de se ficarem por proclamações vazias. Mas como pedir a "promotores" de "vagas de fundo" que eles abandonem proclamações vazias é pedir-lhes que eles deixem de ser o que são, duvido que a coisa melhore.

Posted by Bruno at 05:22 PM

outubro 29, 2009

All Along The Watchtower



Posted by Bruno at 11:39 PM

outubro 28, 2009

"Apostar na Economia"

Segundo o Público de hoje, a União Europeia terá dado aos países-membros margem de manobra para, em virtude da crise económica, não se preocuparem com os seus respectivos défices orçamentais. Na bonita linguagem do artigo, o Governo português terá assim "via verde" para "esquecer défice" e "apostar na economia". Interessante formulação. Interessante, mas idiota. No "economês" do jornalismo económico e no "politiquês" do dia-a-dia (linguagens cada vez mais parecidas e igualmente pobres), tornou-se habitual uma distinção pouco exacta entre o que, nessas estranhas formas de falar, se entende por "economia" e por "finanças": as "finanças", para os versados no dialecto, são uma coisa tenebrosa de contabilista (um ser preverso por natureza), uma redutora visão do mundo que olha para as "pessoas como números" e redunda numa alarmante insensibilidade e, acima de tudo, "falta de visão; a "economia" é um infindável mundo de possibilidades, algo que precisa de florescer, e acima de tudo de "ser apoiado". Para eles, as "finanças" são a antítese da economia, são o seu inimigo: as "finanças" e as suas manias contabílisticas são obstáculos ao necessário "apoio" da economia. "Apostar na economia", parecem eles dizer, significaria precisamente ignorar esse deprimente constragimento que é não gastar mais do que se tem. Não ocorre a estas inteligências que "apostar na economia" através do "esquecimento" das "finanças" não é uma real aposta na economia. Pois "esquecer as finanças" significa deitar para cima da economia o preço desse esquecimento. "Esquecer o défice" é fazer com que a economia tenha de, no futuro, vir a ser sobrecarregada com ainda mais impostos. Ao contrário do que UE, os políticos e os jornalistas parecem pensar, a melhor maneira de "apostar na economia" será precisamente não esquecer o défice. O Governo insistirá numa aposta que já por váriaz vezes correu mal, e como sempre, serão os cidadãos portugueses a ter de pagar o preço do vício dos políticos em "apostas" deste género.

Posted by Bruno at 12:58 AM

outubro 27, 2009

I'm George

Há um episódio de Seinfeld em que Elaine fica muito preocupada (quem não ficaria?) por, segundo ela diz, se ter tornado no George. Também eu começo a ficar preocupado, porque a cada dia que passa, vejo cada vez mais parecenças. Não é que esteja a ficar gordo ou careca (a calvície até nem me preocuparia muito, e tendo em conta a radical magreza que ostento, um pouco de gordura seria recebida em clima de festa). Não é que (como acontecia com Elaine) esteja preocupado por ser um falhado (sejamos honestos: "falhanço" é o meu nome do meio. Já estou tão habituado que a coisa já não me preocupa). Não. O que me preocupa é a personalidade de George: a cada dia que passa, noto que penso cada vez mais como George, que digo cada vez mais coisas que George diria. Resmuindo, estou a ficar um tipo cada vez mais execrável. O leitor dirá que, ao menos, George tinha piada. Mas acredite numa coisa que aprendi (the hard way) ao longo dos anos: o que faz com que as pessoas se riam de um personagem televisivo, é o que elas odeiam num rapaz como eu. Como Elaine bem sabia, não há razão nenhuma para rir em "ser como o George".

Posted by Bruno at 12:16 AM

outubro 26, 2009

Aniversário

Do blog do meu amigo Paulo.

Posted by Bruno at 12:54 AM

outubro 24, 2009

A Ver

No Fora.tv, Nassim Nicholas Taleb em conversa com David Cameron.

Posted by Bruno at 09:52 PM

outubro 22, 2009

Who Cares?

Vai por aí uma grande algazarra com o anúnico dos nomes das pessoas que farão parte do "novo" Governo. Era escusado. Independentemente de quem sejam os escolhidos do "engenheiro", o programa e o resultado serão os mesmos: respectivamente, propaganda e descalabro.

Posted by Bruno at 09:20 PM

outubro 21, 2009

Os Tennessee Titans E O Welfare State (publicado no Insurgente)

Titans a serem deitados ao chão pelos Patriots

No próximo domingo, o Estádio de Wembley irá ser palco de um futebol diferente daquele a que está habituado com os jogos da selecção inglesa e a Final da FA Cup (os pombos que, desde a reinuaguração, "acampam" perto da baliza do lado direito, esses, devem continuar lá): na tentativa de promover o futebol americano na Europa, a NFL realizará o seu jogo anual no estrangeiro em Londres, com um jogo entre os Tampa Bay Buccaneers e os New England Patriots. A propósito do jogo, o blog do New York Times dedicado à NFL comenta o facto de os Bucanneers, uma das poucas equipas que esta época contam todos os seus jogos por derrotas, ser propriedade de Malcolm Glazer, o dono do Manchester United, o clube de futebol mais bem sucedido da última década no futebol inglês (e, apesar do Barcelona, a nível europeu). O autor do texto, Jeffrey Marcus, pergunta se há uma grande diferença entre ser bem sucedido num campeontao como o inglês de futebol "europeu", e na NFL. A resposta, diz Marcus, é sim, existe uma grande diferença. Ele cita, Simon Kuper, co-autor do livro Soccernomics, para explicar como a diferença na organização dos dois campeonatos favorece equipas bem sucedidas no futebol europeu (em que é difícil a um "grande" deixar de ser grande), enquanto que a da NFL faz com que uma equipa campeã possa, uns anos depois, estar nas ruas da amargura.

O argumento do livro de Kuper é criticável, mas é indesmentível que essa diferença existe. Os Buccaneers são eles próprios um exemplo vivo da maior dificuldade de manter a supremacia na NFL: na época de 2002, foram campeões, hoje não conseguem ganhar um jogo. Outro exemplo pode ser encontrado nos Tennessee Titans, que na época passada tiveram o melhor registo na temporada regular (sendo depois eliminados nos playoffs), e que este ano ainda não ganharam um único jogo, tendo neste domingo sofrido uma humilhante derrota por 59-0 contra os Patriots.

Segundo Kuper, "domingo a domingo", "jogo a jogo" (como gostam de dizer os nossos "misters"), a Liga Inglesa é mais competitiva. A probabilidade de uma equipa "pequena" ganhar um jogo a uma "grande" é maior na Liga Inglesa do que na NFL (o que facilmente se explica pela natureza do jogo: o carácter atlético do futebol americano, e a própria forma como o jogo decorre, faz com que seja pouco provável que uma equipa com jogadores inferiores aos do adversário o consiga vencer. No "nosso" futebol, já não é bem assim). Mas a realidade é que o lote de campeões (de equipas, que, no fim de toda a temporada, ganham os títulos) tem sido, nos últimos anos, bastante menos amplo do que na NFL: desde os finais dos anos 90 que o título inglês não escapa a uma de três equipas (Chelsea, Arsenal, e Man. Utd.) enquanto que o Superbowl já foi ganho (só nesta década) pelos St. Louis Rams, Patriots (várias vezes), Baltimore Ravens, Bucanneers, Pittsburgh Steelers, New York Giants e Indianapolis Colts.

A diferença, argumenta Kuper, está na forma como os "perdedores" são tratados na organização da liga americana. Na Liga inglesa, como em todas as ligas europeias, os últimos classificados do campeonato descem de divisão. A descida de divisão, por sua vez, implica perda de contratos de transmissão televisiva, ou seja, implica perda de dinheiro, que por sua vez implica perda de capacidade de contratação de jogadores. As maiores equipas, por sua vez, qualificam-se para as competições da UEFA, que lhes trazem mais dinheiro ainda, o que lhes permite contratar ainda mais jogadores de maior qualidade, que lhes permitem (ou, no mínimo, facilitam) a consolidação do seu estatuto de superioridade.

Na NFL (como nas ligas dos outros desportos americanos), nada disto acontece. Uma equipa pode perder todos os jogos da época regular (como os Detroit Lions na época passada), que nada lhe acontece: mantém-se na liga, mantém os contratos televisivos, e, mais importante ainda, tem direito à primeira escolha do draft do ano seguinte: a pior equipa da liga tem acesso aos melhores jogadores saídos do campeonato universitário (que pode trocar por outros jogadores que fortaleçam a equipa). Os maus resultados de uma equipa não prejudicam necessariamente a sua condição financeira, e a qualquer altura podem estar de novo no topo. Na pior das hipóteses, os fracos resultados de uma equipa podem conduzir a uma descida nas vendas de bilhetes e camisolas, mas nada que não se resolva com uma mudança de cidade (fala-se por exemplo, de uma mudança dos Rams para Los Angeles).

Na NFL, os "perdedores" são compensados e "protegidos". Na Liga inglesa, perder é uma tragédia. Pode-se argumentar que este tratamento mais favorável dos perdedores na NFL produz uma maior competitividade: uma equipa tradicionalmente medíocre como os Arizona Cardinals pode, num ano, chegar ao Superbowl (como aconteceu o ano passado). Mas tem também efeitos preversos, como se viu este domingo em New England. Os Titans, com cinco derrotas em cinco jogos, e apenas onze por jogar, dificilmente chegarão aos playoffs. Para todos os efeitos práticos, a época está perdida. Na Liga Inglesa do ano passado, uma equipa que (como os Titans) tinha grandes ambições e (como os Titans) começou mal a época, o Tottenham, não tinha a época perdida: dificilmente chegaria às competições europeias, é certo, mas convinha que continuasse a jogar a sério, para não descer de divisão. Equipas do fundo da tabela, como o Newcastle ou o Hull, lutaram até à última jornada com o objectivo de permanecerem na Premier League.

Os Titans (ou os Lions, ou os Rams, todas equipas com péssimo registo este ano) não têm necessidade de lutar para sobreviver. Mais: como explicavam os comentadores do programa Monday Night Countdown da ESPN, a propósito dos Titans, o mau começo de época leva a que os jogadores, pura e simplesmente, desistam de se esforçar. O risco de se lesionarem é grande, e uma lesão pode pôr em risco a próxima temporada. Para quê pôr em risco uma temporada em que se começa do zero, por uma em que já nada pode ser conquistado? Pelo contrário, no campeonato inglês, não lutar até ao fim significa precisamente perder a temporada seguinte.

O problema identificado pelos comentadores do Monday Night é um clássico problema de incentivos: num campeonato como a Premier League, a mediocridade é fortemente penalizada com a "expulsão" da liga (através da descida de divisão). Na NFL, ela não só não é penalizada, como, através da atribuição das primeiras escolhas no draft às piores equipas, se procura atenuar a diferença entre os mais medíocres e os melhores. Como Kuper bem diz, a NFL é um welfare state desportivo. Tal como qualquer welfare state, tem óbvias vantagens. Equipas como os Lions não deixam de poder jogar contra os Patriots ou os Steelers só porque perdem todos os jogos, tal como um pobre não deixa de ter (ou não deveria deixar de ter) comida para comer. Mas tem também efeitos preversos, pois ao proteger o fracasso, retira o incentivo para a ele escapar. A NFL é um excelente exemplo de como um "welfare state" traz enormes vantagens a quem dele beneficia. Mas basta ter visto a deprimente exibição dos Titans no jogo de domingo passado para perceber como um "welfare state", apesar de todas essas vantagens, contribui para a aceitação da mediocridade e da passividade.

Posted by Bruno at 09:36 PM

outubro 20, 2009

A Ler

O artigo de David Brooks, em que, a propósito da adaptação para cinema do livro infantil Where The Wild Things Are (que por acaso, ofereci em tempos à senhora minha mãe), Brooks discute o que é que faz de nós aquilo que somos:

"In Homer’s poetry, every hero has a trait. Achilles is angry. Odysseus is cunning. And so was born one picture of character and conduct.

But, as Kwame Anthony Appiah, a Princeton philosopher, notes in his book “Experiments in Ethics,” this philosopher’s view of morality is now being challenged by a psychologist’s view. According to the psychologist’s view, individuals don’t have one thing called character.

The psychologists say this because a century’s worth of experiments suggests that people’s actual behavior is not driven by permanent traits that apply from one context to another. Students who are routinely dishonest at home are not routinely dishonest at school. People who are courageous at work can be cowardly at church. People who behave kindly on a sunny day may behave callously the next day when it is cloudy and they are feeling glum. Behavior does not exhibit what the psychologists call “cross-situational stability.”

The psychologists thus tend to gravitate toward a different view of conduct. In this view, people don’t have one permanent thing called character. We each have a multiplicity of tendencies inside, which are activated by this or that context. As Paul Bloom of Yale put it in an essay for The Atlantic last year, we are a community of competing selves. These different selves “are continually popping in and out of existence. They have different desires, and they fight for control — bargaining with, deceiving, and plotting against one another.”

(...)The difference is easy to recognize on the movie screen. Most movies embrace the character version. The hero is good and conquers evil. Spike Jonze’s new movie adaptation of “Where the Wild Things Are” illuminates the psychological version.

At the beginning of the movie, young Max is torn by warring impulses he cannot control or understand. Part of him loves and depends upon his mother. But part of him rages against her.

In the midst of turmoil, Max falls into a primitive, mythical realm with a community of Wild Things. The Wild Things contain and re-enact different pieces of his inner frenzy. One of them feels unimportant. One throws a tantrum because his love has been betrayed. They embody his different tendencies.

Many critics have noted that, in the movie version, the Wild Things are needlessly morose and whiney. But in one important way, the movie is better than the book. In the book, Max effortlessly controls the Wild Things by taming them with “the magic trick of staring into all their yellow eyes without blinking once.”

In the movie, Max wants to control the Wild Things. The Wild Things in turn want to be controlled. They want him to build a utopia for them where they won’t feel pain. But in the movie, Max fails as king. He lacks the power to control his Wild Things. The Wild Things come to recognize that he isn’t really a king, and maybe there are no such things as kings.

In the philosopher’s picture, the good life is won through direct assault. Heroes use reason to separate virtue from vice. Then they use willpower to conquer weakness, fear, selfishness and the dark passions lurking inside. Once they achieve virtue they do virtuous things.

In the psychologist’s version, the good life is won indirectly. People have only vague intuitions about the instincts and impulses that have been implanted in them by evolution, culture and upbringing. There is no easy way to command all the wild things jostling inside.

But it is possible to achieve momentary harmony through creative work. Max has all his Wild Things at peace when he is immersed in building a fort or when he is giving another his complete attention. This isn’t the good life through heroic self-analysis but through mundane, self-forgetting effort, and through everyday routines.

Appiah believes these two views of conduct are in conversation, not conflict. But it does seem we’re in one of those periods when words like character fall into dispute and change their meaning."

Posted by Bruno at 10:18 PM

outubro 18, 2009

Honroso

Tanto o meu amigo Paulo como a rapaziada do Insurgente destacaram o facto de eu ter recebido uma "honorable mention" no Sir John M. Templeton Fellowships Essay Contest, o que agradeço. Claro que ficaria mais contente se tivesse ganho um dos três primeiros lugares (e os dólares que eles davam), mas uma "honorable mention" já não é de se deitar fora. Pelo menos, é "honorable", que é coisa que não se pode dizer da maioria das coisas associadas à minha pessoa.

Posted by Bruno at 03:42 PM

outubro 16, 2009

A "Responsabilidade" Do PSD (publicado no Insurgente)

Na procura do seu duplo objectivo de ser líder do PSD e tornar-se o parceiro silencioso de José Sócrates (ou, pelo menos, silencioso em tudo o que não diga respeito a Manuela Ferreira Leite, onde é bem vocal), o sempre solícito Pedro Passos Coelho manifestou-se muito incomodado com o anúncio de que o PSD não contava aprovar o Orçamento socialista. Indignado, Passos Coelho perguntava-se como pode alguém rejeitar aprovar um orçamente que não existe. Ao contrário do que pensa, ou finge pensar (se pensa, pensa mal, e se apenas finge, não finge melhor), o que não faltam são boas razões para rejeitar o próximo orçamento socialista, independentemente do seu conteúdo.

Ao contrário do que por vezes parece a quem oiça ou leia a comunicação social ou preste atenção a pessoas como Passos Coelho, nenhum Governo é posto na terra por “Imaculada Conceição”. Este Governo, como qualquer outro, não nasce do nada. Não é uma folha em branco. Nasce da eleições de deputados que concorreram com um programa. O PSD, por sua vez, concorreu com um programa que se opunha ao do PS. O PSD não precisa de esperar pelo orçamento. Sabe que, se o PS cumprir a sua palavra e respeitar a confiança dos portugueses que votaram em si, apresentará um orçamento que reflectirá um programa que o PSD considera ser nocivo ao país.

O leitor dirá que o PS pode, uma vez ultrapassada a corrida aos votos, abandonar as suas políticas mais eleitoralistas, e adoptar um orçamento “sensato”, que um PSD “responsável” (uma palavra que está na moda) não poderia rejeitar. Mas seria “responsável” da parte do PSD colaborar com a quebra da palvra por parte do PS? Seria “responsável” da parte do PSD deixar o PS quebrar impunemente as suas promessas eleitorais e aprovar (ou ser indiferente a) uma atitude que apenas aventuará na cabeça dos eleitores a ideia já pouco abonatória que eles têm dos “políticos”? Gente preocupada com as suas ambições pessoais e com os negócios dos apoiantes não se deixa perturbar por estas questões. Alguém um bocadinho mais sensato facilmente percebe que, seja o orçamento socialista mais um exemplo do vergonha socrática, seja um orçamento uma maravilha de sensatez, um PSD “responsável” não pode senão rejeitá-lo.

Posted by Bruno at 10:21 PM

outubro 14, 2009

Costuma Ser Assim

Ontem, na SIC Notícias (creio), uma jornalista dizia que, na freguesia em que um homem foi assassinado por um dandidato à presidência da junta, as escolhas dos eleitores iam ser decisivas para o resultado do acto eleitoral adiado. Talvez esteja enganado, mas sempre pensei que, à expceção da Coreia do Norte ou países similares, fosse assim em todas as eleições.

Posted by Bruno at 07:23 PM

outubro 13, 2009

Where Are They Now?

O que será feito de Renato Romariz?

Posted by Bruno at 07:22 PM

outubro 12, 2009

Isaltino e Oeiras

A (esperada) reeleição de Isaltino Morais, com um reforço da sua votação, fez com que a satisfação dos comentadores com a derrota de “candidatos arguidos” como Fátima Felgueiras e Avelino Ferreira Torres ficasse a saber a pouco. Afinal, Isaltino fora recentemente condenado a sete anos de prisão (tendo depois interposto um recurso da decisão), algo que não preocupou os eleitores de Oeiras. Mais do que insatisfação, o resultado em Oeiras motivou alguma perplexidade, parecendo algo incompreensível.

Sendo um habitante de Oeiras, que não votou em Isaltino (que não votou em ninguém, diga-se de passagem), não me parece difícil de perceber por que razão Isaltino continua a merecer o apoio dos oeirenses. Não é que os meus “vizinhos” sejam indiferentes à corrupção, nem que sejam populações pobres que se deixam comprar por electrodomésticos (e quem pode culpar os casos em que isso acontece?). O que se passa em Oeiras é a conjugação de uma série de factores que tornam a ideia de votar em outra pessoa que não Isaltino algo muito pouco desejável.

Para perceber o que se passa em Oeiras, é preciso perceber onde fica Oeiras. Sendo um concelho suburbano, com muitos habitantes trabalhando nos concelhos em seu redor, os eleitores oeirenses conhecem, e observam quase diaramente a realidade desses outros concelhos. Sempre que alguém me pergunta o porquê das vitórias de Isaltino, dou este exemplo: qualquer pessoa que ande de carro em Oeiras percebe quando atravessou a “fronteira” com Cascais, Lisboa ou Amadora. De repente, as estradas têm mais buracos, o alcatrão está mais gasto, as ruas mais sujas e, em redor, aumenta o caos urbanístico.

Em Oeiras, também há bairros sociais de aspecto deprimente (e com populações que votam em massa em Isaltino, diga-se de passagem), também há obras que se eternizam, também aí idiotices sem sentido (o monocarril é a maior delas). Mas é difícil não ter a percepção de que nos concelhos vizinhos é ainda pior, e de que a vantagem relativa de Oeiras se deve ao homem que “manda aqui” desde 1985. Por muito que o carácter corrupto de Isaltino repugne as pessoas, não é o suficiente para que elas arrisquem votar noutra pessoa, pois, ao contrário de Isaltino, eles não dão a garantia de que não transformarão Oeiras numa Amadora ou em Cascais. É, de facto, deprimente que um homem condenado a sete anos de prisão ganhe uma eleição. Mas enquanto os outros partidos não perceberem a realidade de Oeiras, dificilmente o vão conseguir evitar. Até lá, Isaltino (ou qualquer fantoche por ele apoiado), ganhará sempre em Oeiras.

Posted by Bruno at 07:34 PM

outubro 09, 2009

Maioria Absoluta Garantida

Numa entrevista ao I de ontem, Elisa Ferreira, naquele estilo que a faz ser acarinhada por todo e qualquer português, disse que Rui Rio tinha "o apoio de seis milhões de benfiquistas". Se Elisa Ferreira tiver razão (e como pode tal senhora estar enganada?), o que ela disse só vem ao encontro daquilo que há anos ando aqui a dizer: no dia em que Rui Rio for o líder do PSD, é maioria absoluta garantida.

Posted by Bruno at 10:06 PM

outubro 07, 2009

A Segunda Vinda

Portugal tem um governo reeleito que enfrentará uma série de graves problemas, em parte da sua responsabilidade, que ignorou durante a recente campanha eleitoral. No entanto, a cobertura mediática pós-eleições, em vez de discutir o que o Governo pretende ou não fazer, e que condições terá para o fazer, tem-se centrado nas peripécias do PSD. A predilecção da comunicação social pela intriga, e o espírito de escravo feliz com que lida com um PS que agradece o desvio de atenção dos problemas do país, tornava a coisa inevitável. A possibilidade, cada vez mais falada, de uma Segunda Vinda de Cristo à terra, só piora as coisas.

Marcelo Rebelo de Sousa, por ter aquela concepção exagerada do seu valor, gosta de alimentar a a especulação em torno da sua pessoa. Por isso mesmo, lá vai atirando umas frases suficientemente vagas para não negar que se tenciona candidatar, e que permitem aos jornalistas fingirem que ele disse alguma coisa, ao mesmo tempo que não se compromete com nada. E durante dias, ninguém fala de outra coisa. Esta tendência manipuladora de Marcelo, e a aparente facilidade com que as pessoas cedem a ela, seriam o suficiente para olhar para a possibilidade Marcelo Rebelo de Sousa regressar à liderança do PSD com o maior dos receios. Não me esqueço que um Marcelo um dia elogiou Nuno Morais Sarmento (outro putativo candidato, e ainda mais assustador) por este ter mantido dois canais na RTP quando havia anunciado que iria privatizar um. Note-se que Marcelo não elogiou a solução que acabou por ser adoptada, elogiou isso sim o facto de ele ter conseguido faezr o contrário do que havia anunciado. Elogiou a hipocrisia. Elogiou a incoerência. Elogiou a falta de vergonha. Para políticos assim, já basta Sócrates.

Mas o amor de Marcelo por si próprio, e o apreço da populaça, podem, por estranho que possa parecer, uma vantagem: o "prestígio" de Marcelo poderia facilitar a reunião de uma equipa capaz de bem governar em torno da sua figura tutelar. Aquilo que faz de Marcelo uma personagem quase desprezível, pouco acima de Passos Coelho (uma criatura da mais profunda das poças de lama), é também aquilo que o poderia tornar um bom governante. A ambição de Marcelo poderia ser benéfica. Marcelo poderia pensar na história. Poderia acabar por ser um governante firme, capaz de conduzir uma política que fosse ao encontro das necessidades do país, e mais importante ainda, capaz de aguentar a condução dessa mesma política, não por acreditar que ela seria a melhor (Marcelo não acredita no que quer que seja), mas por querer ficar na história enquanto um governante firme. Enquanto alguém que não teve medo de perder eleições. Como alguém que conseguiu pedir "sangue, suor e lágrimas". Se Marcelo alguma vez for líder do PSD, se alguma vez for Primeiro-Ministro (o que não duvido)esta é a única hipótese de isso não se traduzir numa desgraça para este país. É uma hipótese que não me parece muito provável, infelizmente.

Posted by Bruno at 04:50 PM

outubro 06, 2009

A Melhor Notícia Dos Últimos Tempos

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O regresso de Conan O'Brien à SIC Radical.

Posted by Bruno at 09:32 PM

outubro 05, 2009

It's...


Pelos vistos, foi para o ar há 40 anos.

Posted by Bruno at 09:34 PM

outubro 03, 2009

O Referendo Irlândes

Os senhores da "Europa" tiveram aquilo que queriam: o referendo irlandês ao Tratado de Lisboa, desta vez, resultou numa vitória do "Sim". Infelizmente para todos nós, isto não é uma boa notícia. É certo que ainda faltam as ractificações checa e polaca, e se estas demorarem algum tempo, um referendo no Reino Unido (fala-se na hipótese de a ractificação checa demorar mais seis meses, e se entretanto houvesse a previsível mudança de Governo do Labour para os Tories, antes do Tratado entrar em vigor, um referendo britânico seria inevitável), mas parece cada vez mais certo que a "Europa" vai mesmo cometer a imprudência de ir para a frente com este erro.

Posted by Bruno at 10:11 PM

outubro 01, 2009

Magalhães

Vi há pouco um excerto da Quadratura do Círculo que irá para o ar daqui a pouco. Com António Costa ocupado com a campanha eleitoral em Lisboa, José Magalhães regressa (presumo que por alguns programas apenas), e como se não estivesse há anos fora do programa, mantêm os hábitos que durante mais de uma década, irritaram os ouvintes fiéis e os faziam questionar como é que os restantes participantes do programa o conseguiam aturar. Eu, pessoalmente, já tinha saudades. E só tenha pena que o regresso de Magalhães não seja definitivo.

Posted by Bruno at 09:35 PM