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setembro 30, 2009
Freaks and Geeks
Há alguns, a SIC Radical passou Freaks and Geeks, uma série da NBC sobre alguns alunos de um liceu americano em 1981. Juntamente com Veronica Mars e Friday Night Lights, Freaks and Geeks (criada por Paul Feig e produzida por Judd Appatow, realizador de Knocked Up e produtor de The Cable Guy, um verdadeiro especialista do "filme falso-mau") é do melhor que já alguma vez foi feito acerca da adolescência. No blog The House Next Door, encontro um pequeno vídeo da L Magazine sobre esta excelente série que, infelizmente, durou pouco.
Posted by Bruno at 09:22 PM
setembro 29, 2009
A Declaração de Cavaco
Cavaco Silva veio dizer, muito claramente, que dirigentes do PS e gente ligada ao Governo tinham feito circular notícias com o propósito de o fragilizar e de distrair os portugueses da campanha eleitoral. Até aqui, nada a apontar ao Presidente da República. É evidente que foi esse o objectivo da manobra, logo no início e muito claramente aquando da "notícia" do DN. Mas, ao demitir Fernando Lima (deixando assentar na cabeça das pessoas a ideia de que ele tinha feito algo de errado), e não dizendo o que hoje disse antes das eleições, Cavaco deixou que essa manobra atingisse os seus objectivos. Tal como ao longo do seu mandato, Cavaco assistiu impávido e sereno á falta de vergonha deste Governo, e às suas actividades pouco lícitas. Agora vem, com toda a razão, apontar o carácter duvidoso das pessoas que nos governam. Pena que seja tarde demais. O seu silêncio (deixando a declaração de hoje para depois das eleições) e a sua acção (demitindo Lima) permitiram a vitória dos que "ultrapassaram os limites da moral e da decência". Falou demasiado tarde.
Posted by Bruno at 09:48 PM
O Que Aí Vem 2
O Paulo responde amavelmente ao que aqui escrevi ontem. Diz ele que a razão pela qual escreveu que "José Sócrates e o PS são reféns de um parlamento pulverizado" foi que "dialogar com as oposições contraria a verdadeira natureza de José Sócrates e deste PS". Ora, é precisamente aqui que me parece estar o erro do raciocínio do Paulo e da maioria das pessoas que têm dito coisas semelhantes. Ao contrário do que diz Ana Sá Lopes (num artigo citado pelo Paulo), não me parece que o "verdadeiro Sócrates" tenha "acabado". A razão é simples: não me parece que venha aí grande diálogo. A "arrogância" do Primeiro-Ministro vai continuar, e se os outros partidos não forem atrás, serão caracterizados como "maledicentes" e "obstáculos" à "modernização do país". Sócrates não vai precisar de esconder a sua natureza e tornar-se um "animal manso", porque a sua habitual ferocidade fará parte da estratégia de vitimização com que pretenderá fortalecer a sua posição em eleições antecipadas. A única forma de isto não suceder será se Passos Coelho (ou outra figurinha desprezível como ele) acabar mesmo por se tornar líder do PSD. Aí, Sócrates terá um PSD sempre disponível para se curvar aos seus pés. Mas não me parece que o país, nem sequer o parlamento, ganhem muito com isso.
Posted by Bruno at 05:50 PM
setembro 28, 2009
O Que Aí Vem
O Paulo Pinto Mascarenhas, no seu blog, diz que "Sócrates e o PS são reféns do parlamento". Compreende-se o regozijo (tudo o que pareça uma diminuição de poder de Sócrates provoca a alegria de uma pessoa de bem), mas não me parece que o Paulo tenha razão. Como bem diz o Miguel Morgado, o resultado de ontem conduzirá, não tanto a uma maior actividade parlamentar, mas "mais comunicação e negociação entre as direcções dos partidos políticos." Aquilo a que se vai assistir nos próximos anos (resta saber quantos) não será uma "parlamentarização do regime. Teremos, isso sim, muitas reuniões de vão de escada (um local desaparecido desde a campanha do referendo sobre o aborto) e de sótão (há muitos socialistas com saudades), a muitos "acordos secretos" que, longe de fortalecerem o parlamento e a representação dos cidadãos, apenas contribuirão para o crescente nojo que os portugueses sentem em relação à actividade política. O frágil equilíbrio parlamentar presta-se a golpes baixos, a jogos de "posicionamento" enfim, a "politiquice".
E nessa "politiquice", tenho as maiores dúvidas de que os "reféns" acabem por ser o PS e Sócrates. Por estranho que pareça, serão os partidos minoritários a estarem numa posição mais complicada. É verdade que o PS "precisa" deles para ver aprovadas as medidas que quiser implementar. Mas também é verdade que o PS, tal como o PSD em 1985/87, poderá pôr os outros partidos entre a espada e a parede: se apoiarem, mesmo que pontualmente, o PS e o Governo, arriscam-se a trair um eleitorado que votou neles por serem diferentes do PS; se votarem contra o PS, arriscam-se a que Sócrates use a "postura obstacularizadora" (habitue-se a este jargão, caro leitor) dos partidos da oposição para se vitimizar e apresentar-se a umas eleições antecipadas como alguém a quem "não deixaram salvar o país". Esperam-nos anos de muita actividade para os "abrantes", de muita baixeza, de muita lama. Precisamente aquilo em que, como se viu nestes últimos anos, o actual primeiro-Minitro se sente à vontade.
Posted by Bruno at 07:22 PM
setembro 26, 2009
A Campanha e a Realidade
Tem-se tornado hábito, nas últimas campanhas eleitorais, assistir-se a lamentos da intelligentsia acerca de como as campanhas dos principais partidos são incapazes de “mobilizar os portugueses”, acerca de como falham nas suas tentativas de “ultrapassar a descrença” dos portugueses. Em parte, têm razão em lamentar. Mas por outro, este é um facto que só abona a favor dos portugueses. Quando o país enfrenta problemas que, se não forem defrontados, nos deixarão um futuro negro, e a resolução desses problemas nos obrigará a enfrentar dificuldades hoje, a “descrença” e a “falta de esperança” são sinais de que os portugueses, ou pelo menos, uma parte significativa deles, compreendem a realidade. Algo que não se pode dizer, por exemplo, de José Sócrates. Pena que, com o começo do circo das duas últimas semanas, se tenha falado pouco disso.
Posted by Bruno at 06:51 PM
setembro 24, 2009
O Problema do Aquecimento Global
Há dias, quando senti algum frescote ao cair da noite, fiquei aliviado: o Verão tinha finalmente acabado. Pelos vistos enganem-me, e os dias de calor voltaram rapidamente. Fiquei desesperado. Como o leitor atento saberá, o Verão é para mim um autêntico Inferno. É verdade que as adolescentes andam um pouco mais despidas, mas isso nem sempre é positivo. E nada (nem mesmo as esbeltas adolescentes a passearem-se com pouco mais que aquilo com que vieram ao mundo) compensa a série interminável de noites mal dormidas a que, durante meses e meses sem interrupção, o calor estival me obriga. É aliás por isso que espero que o aquecimento global não passe de uma despropositada histeria da moda. O destino das espécies potencialmente ameaçadas pelo fenómeno (os pinguins, os ursinhos polares, Al Gore) não me preocupa por aí além. Agora, a falta de um soninho descansado, isso sim, é o suficiente para tirar o o resto do diminuto sono que o calor me vai permitindo.
Posted by Bruno at 02:23 PM
setembro 23, 2009
Afinal, Tudo Normal
Leio no blog do Paulo Pinto Mascarenhas que 21% dos jovens portugueses querem Ricardo Araújo Pereira para Primeiro-Ministro. Confesso que, ao ler isto, fiquei chocado: nunca pensei que só 21% dos jovens portugueses eram completos idiotas. No entanto, lendo a notícia, descobre-se que 22% escolhem José Mourinho, e 32% escolhem José Sócrates. Afinal, sempre são mais, tal como eu pensava.
Posted by Bruno at 09:46 PM
setembro 22, 2009
Irving Kristol
No The American Scene, pode ver-se uma (longa) conversa a propósito da morte de Irving Kristol.
Posted by Bruno at 07:38 PM
setembro 21, 2009
O Pântano
De repente, o "disparate de Verão" transformou-se naquilo que, desde o princípio, dava para perceber que se iria tornar: um sinal grave da degradação da democracia portuguesa. Depois do DN ter revelado a fonte da notícia orginal do Público, e de insinuar, sem fundamento, que o simples facto de a notícia vir de Fernando Lima implicava que tudo não passava de uma invenção, Cavaco Silva vem agora desautorizar o seu assessor, e por contágio, a investigação do Público, ao demitir Fernando Lima. Ao contrário do que se poderia pensar pela histeria agora surgida, por contraste com o silêncio absoluto quando o Público trouxe o assunto para a praça pública, os acontecimentos mais recentes nada trazem de novo: todos os não envolvidos continuam sem saber o que se passou, e tal como aqui escrevi na altura, seja qual for o cenário que corresponda à realidade dos acontecimentos, nenhum deles augura nada de bom.
Se o ex-assessor de Cavaco tiver razão, e o Governo estiver a escutar e a vigiar as pessoas que trabalham na presidência, a gravidade da coisa não pode ser exagerada: um governo que traísse a relação de confiança mútua, e de respeito, pela Presidência, desta maneira, seria, pura e simplesmente, um Governo criminoso, já nem sequer “sub suspeita” como dizia Aguiar Branco, mas apanhado em flagrante. Se, pelo contrário, esta acusação não passa de uma notícia plantada por spin doctors ao serviço de Cavaco, uma mentira deliberada que visa descredibilizar (ainda mais) o Governo, seria também uma quebra intolerável da normal relação que a Presidência deve ter com um Governo, e portanto, um acto intolerável. E mesmo que o antigo assessor de Cavaco pense realmente que está a ser escutado, mas tal não corresponda a verdade, o caso não é menos grave: pois o simples facto de algo assim ser concebível, o simples facto de alguém na Presidência poder acreditar que o Governo é capaz de fazer algo assim, atribuir credibilidade a essa hipótese, demonstra como a relação entre Belém e São Bento se degradou.
Mais do que essa relação, degradou-se a própria democracia: o tom da campanha tem sido particularmente violento, nada que já não se tivesse tornado habitual nos últimos anos. Como escrevia Vasco Pulido Valente há uns dias, vive-se um ambiente de crispação e desconforto mais parecido com o PREC do que com o que seria de esperar de uma democracia normalizada. E é um clima que tem responsáveis. A começar pelo governo, que cultiva este ambiente porque acha (provavelmente com razão) que ele o beneficia, e que, como nenhum outro, fez da mentira e manipulação o seu modo de acção, apagando a já pouca confiança que os eleitores tinham na classe política.
Mas o Presidente da República também não está isento de culpas. Já há muito que ele deveria ter demitido o Primeiro-Ministro. Em vez disso, foi tolerando o seu comportamento destruidor da confiança democrática. Cavaco Silva assistiu, impávido e sereno, à degradação da democracia portuguesa, em vez de demitir o Governo e explicar porquê. Nesse sentido, ele, o único que poderia ter feito alguma coisa para o evitar, é talvez o maior responsável pelo estado a que "isto" chegou. De Sócrates, não esperava nada de diferente. Mas no que diz respeito a Cavaco, o seu dever era precisamente evitar que as coisas chegassem a este ponto.
Sinceramente, não compreendo como o país inteiro já não está farto deste deprimente circo, e ainda há pessoas dispostas a pôr Sócrates no poder. Como já aqui disse, se Portugal conserva um mínimo de decência, Sócrates perderá as eleições. Mas se não as perder, os portugueses (e um Cavaco certamente desagradado), terão o Governo que merecem. A culpa será toda deles, Cavaco incluído.
Posted by Bruno at 10:26 PM
setembro 20, 2009
Obama e o Escudo de Mísseis na Europa de Leste
Há dias, Barack Obama anunciou que os EUA iriam abandonar os planos, delineados pelo seu antecessor, de instalação de um "escudo de mísseis" na Polónia, com o objectivo de lidar com a ameaça de um Irão nuclear. Em plena campanha eleitoral, o assunto passou despercebido por cá, o que é pena: o site do New York Times oferece uma série de análises da decisão; Marc Ambinder procura interpretar o julgamento do Presidente; Fred Kaplan elogia a decisão; e Iain Martin acha que ela é uma demonstração de fraqueza que fragilizará a posição americana pernate russos e iranianos.
Posted by Bruno at 10:46 PM
setembro 18, 2009
A Ler
O artigo de David Brooks acerca da verdadeira natureza do conflito político nos Estados Unidos.
Posted by Bruno at 09:56 PM
setembro 17, 2009
As Tentações de Ferreira Leite
Fui um dos muitos milhões de portugueses que, há dias, assistiram à participação de Manuela Ferreira Leite no programa daqueles quatro rapazes que não se cansam de mostrar a sua total falta de criatividade e humor. E devo dizer que fiquei um pouco incomodado com o que vi. Não pela prestação de Ferreira Leite, que "se saiu bem" do "confronto" com Ricardo Araújo Pereira (súbita e estranhamente elevado ao estatuto de temível entrevistador), mas pelo simples facto de Ferreira Leite ter ido àquele programa.
O programa é pura e simplesmente revoltante. Para além de ser uma cópia do Daily Show de Jon Stewart, é uma má cópia. Para além do mais, a própria natureza do programa recomendaria a recusa de Ferreira Leite em participar. Ele consiste exclusivamente de peças que procuram ridicularizar os políticos, descontextualizando frases suas de forma a mostrar como eles são rídiculos e motivo de chacota. Não conseguindo fazer rir, o programa apenas é bem sucedido a confirmar na cabeça das pessoas a ideia já bastante negativa que a generalidade deles tem dos políticos. Aqueles três quartos de hora, para além de incrivelmente entediantes, são um extraordinário contributo para a degradação de debate político em Portugal.
Só isto seria o suficiente para Manuela Ferreira Leite não aceitar dar a sua caução ao dito programa. Dirá o leitor que a líder do PSD tinha de ir ao programa, porque todos os outros líderes partidários iriam participar, e a sua ausência seria motivo de acusações e críticas. O que me conduz à outra razão, talvez até mais importante, pela qual Ferreira Leite fez mal em aceitar participar: alguém que, como a própria Ferreira Leite disse no próprio programa, quer "fazer política de forma diferente", não deveria ter ido aos Gato Sem Piada só porque os outros também o fizeram. A juntar à escolha de Santana Lopes para as autárquicas, ou à inclusão de António Preto e Helena Lopes da Costa nas listas do círculo de Lisboa, ou às declarações na Madeira elogiando o comportamento "democrático" de Alberto João Jardim, esta é apenas mais uma de uma já considerável lista de pequenas cedências de Ferreira Leite às "necessidades" do "jogo eleitoral", ou seja, à "política feita como é costume".
No estado em que o país está, com as reformas que precisarão de ser implementadas, Manuela Ferreira Leite, qual Cristo no deserto (ou eu junto de adolescentes bem parecidas) será muitas vezes "tentada" a não fazer o que o país precisa. O próximo Governo só poderá ser um bom Governo se resistir a todas essas tentações. Já sabia que Sócrates não seria capaz de o fazer. Começo a temer que Ferreira Leite também não o seja. E quem o diz é alguém que, enquanto alguns dos "apoiantes oficiais" de Ferreira Leite andavam loucamente apaixonados por Pedro Passos Coelho, sempre defendeu a importância de Ferreira Leite ser a líder do PSD e a próxima chefe de Governo. Espero ter acertado à primeira, e os meus receios actuais se comprovem tão infundados como há uns meses eu os acharia.
Posted by Bruno at 06:04 PM
setembro 16, 2009
Sócrates e "Ricardo Reis"
O meu amigo Paulo chamou-me a atenção para este post de Ana Cristina Leonardo, que nota como o poema de Ricardo Reis citado por Sócrates na sua entrevista a Raquel Alexandra era, afinal, de Álvaro de Campos. Se fosse Santana Lopes, ou Ferreira Leite, ou Cavaco Silva, a dizer uma coisa destas, o gozo ainda não tinha parado.
Posted by Bruno at 10:00 PM
setembro 15, 2009
Vê-se Que Estamos À Beira de Eleições
Aqui em Caxias, por estes dias, arranjam-se e inauguram-se jardins, limpam-se as ruas, põe-se alcatrão novo nas estradas. Sinal de que há eleições.
Posted by Bruno at 05:53 PM
setembro 14, 2009
Leituras

Posted by Bruno at 10:35 PM
setembro 12, 2009
Sócrates Confuso
José Sócrates terminou há pouco o seu debate com Manuela Ferreira Leite acusando a líder do PSD de “falar apenas do que não se deve fazer”, e dizendo que “já vai sendo tempo” de ela “dizer o que se deve fazer”, de apresentar propostas em vez de “se limitar à maledicência”. Curiosamente, minutos antes, o mesmo José Sócrates acusara Ferreira Leite de quer “privatizar” a Saúde e a Segurança Social. Deixemos de lado a questão de saber se a Saúde e a Segurança Social devem ou não ser privatizadas, bem como a questão de se é isso que o PSD propôe ou não: Sócrates não pode dizer que Manuela Ferreira Leite não tem ideias e se limita à maledicência, e ao mesmo tempo, acusá-la de ter um tenebroso programa de “privatizações”. Se o programa de Ferreira Leite tem tantas propostas que “chocam” o Primeiro-Ministro (ele “choca-se” muito, como sabemos), é porque afinal ela não se “limita” a “dizer mal” como o Primeiro-Ministro. Se ela “só critica”, então, Sócrates não pode criticar um programa de privatizações do PSD, porque a crer nas palavras do próprio Primeiro-Ministro, esse programa não existe. A falta de vergonha com que Sócrates critica Ferreira Leite com “argumentos” incompatíveis mostra bem a natureza da personagem. Aparentemente, há quem goste: de certeza que nao faltará gente a dizer que Sócrates “ganhou” o debate. Se “ganhar” um debate é o mesmo que ser desonesto, Ferreira Leite certamente prefere “perdê-lo”.
Posted by Bruno at 10:41 PM
setembro 11, 2009
9/11
Posted by Bruno at 03:35 PM
setembro 10, 2009
Começa Hoje

Uma série de noites mal dormidas.
Posted by Bruno at 09:57 PM
setembro 09, 2009
Obama e a Saúde
No dia em que Barack Obama fará um importante discurso acerca das reformas do sistema de saúde que deseja implementar, vale a pena ler (concorde-se ou não) a conversa entre David Brooks e Gail Collins acerca do que o presidente deveria ou não dizer.
Posted by Bruno at 07:27 PM
setembro 07, 2009
O BE, o PS e o PSD (publicado no Insurgente)
Na Sábado da semana passada, Pacheco Pereira escreveu um artigo em que notava como a subida eleitoral do BE que aparentemente se avizinha foi semeada por José Sócrates. Diz Pacheco Pereira que Sócrates tornou inevitável esse crescimento eleitoral "distribuindo fúrias, introduzindo um tom agressivo na política portuguesa, tentando copiar as “causas fracturantes” porque não custavam dinheiro e eram “bem“", mas que "estas só favoreceram o original, o Bloco, e não a cópia, o PS": "o populismo de esquerda tomou uma dimensão que bate à porta da casa do PS como o Lobo Mau na casa dos porquinhos imprevidentes."
O problema é que, como já aqui escrevi, o "Lobo Mau" não bate só à porta do Rato. Quando o "debate" político está tão contaminado pela violência introduzida por Sócrates confirma na cabeça de muitas pessoas a ideia já de si muito negativa que têm da política e dos políticos. Só por si, isto seria o suficiente para preocupar o PSD: a desconfiança em relação à política dirige-se também à "alternativa" que pretende substituir o que "está". Mas há ainda um outro problema, de que falei nesse outro texto. nestas eleições o PSD não compete apenas com o PS pelo voto útil, nem apenas com o CDS pelo voto “à direita”; compete também com a extrema-esquerda pelo voto de protesto. O PSD tem de convencer as pessoas, não apenas de que estas não devem votar em Sócrates (algo que muitas delas já não precisam que lhes seja dito), mas que não basta ficar em casa ou votar nos que se dirigem contra "eles", como faz o Bloco. O PSD precisa de convencer as pessoas de que há razões para desconfiar do PS, mas que o PSD pode merecer a confiança dos eleitores. O clima político actual é pouco convidativo a esse convencimento.
Posted by Bruno at 10:40 PM
setembro 06, 2009
Campanha
Há pouco, na RTP, uma jornalista dizia que o festival que Sócrates promoveu este domingo para atacar o PSD "marcava o início da campanha do PS". Para dizer a verdade, fiquei um pouco surpreendido. Pensava que a campanha socialista já tinha começado há muito tempo. Desde que foram para o Governo ainda não fizeram outra coisa.
Posted by Bruno at 09:33 PM
setembro 05, 2009
Visto

Posted by Bruno at 09:36 PM
setembro 04, 2009
A TVI e o Governo (publicado ontem no Insurgente)
Parece que “por razões económicas relacionadas com uma reestruturação em curso”, a TVI decidiu suspender, um dia antes do seu regresso ao ar, o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes, logo por coincidência quando seriam emitidas uma série de reportagens sobre o “caso Freeport“. Ou seja, a TVI, “por razões económicas”, resolveu prescindir do programa informativo com maior audiência em Portugal, um dia antes de serem emitidas reportagens eventualmente prejudiciais para a imagem do Governo. Quando até o chefe da inquisição oficial do regime, Azeredo Lopes, vem dizer que esta decisão é “inaceitável”, é fácil de perceber que o Governo foi longe demais.
Augusto Santos Silva, o ministro da propaganda de Sócrates, já veio dizer que o PS não tem qualquer responsabilidade na “decisão de uma empresa privada”, e até teve a lata de vir “exigir explicações” à administração da TVI. De facto, não há qualquer prova de que o Governo tenha dado ordens à TVI para cancelar o Jornal Nacional, mas essa ordem é desnecessária. Quando José Sócrates faz ataques directos à TVI, não é preciso um telefonema para a administração da TVI se sentir pressionada. Quando surgem reportagens que podem ser prejudiciais para a imagem do Governo, a TVI não precisa de receber telefonemas do Governo para saber que a sua emissão será mal vista pelo Governo, e que este está disposto a tudo para se vingar de quem o afronta (atitudes anteriores em relação ao Público e à própria TVI mostram-no bem). O Governo criou um clima que dispensa a sua interferência directa no silenciamento dos que o ameaçam.
Só que, desta vez, o silenciamento talvez tenha ido longe demais. Acabar com o programa de informação com maior audiência em Portugal é entrar pela casa das pessoas, é impedi-las de verem o que querem ver à hora de jantar de sexta-feira. Os telespectadores de Manuela Moura Guedes terão perdido a paciência com Sócrates, se é que ainda tinham alguma, tal como os de Marcelo Rebelo de Sousa perderam a que tinham com Santana Lopes. Se este país ainda conserva um mínimo de decência, Sócrates perdeu hoje as eleições. Se não as perdeu, o país merece o Primeiro-Ministro que terá no dia 28 de Setembro.
Posted by Bruno at 09:33 PM
setembro 02, 2009
My Morning Jacket
O que tenho ouvido por estas tardes.
Posted by Bruno at 09:56 PM