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agosto 31, 2009
O Buraco Negro
I
Em 1919, o agora aparentemente ressuscitado John Maynard Keynes afirmava que a paz saída do palácio de Versailles iria condenar a Alemanha “à servidão por uma geração”, “degradando a vida de milhões de seres humanos”, “semeando a decadência de toda a vida civilizada na Europa” . Para Keynes, o elevado montante das “Reparações” que a Alemanha deveria pagar aos vencedores da guerra constituía “um instrumento de opressão e rapina”, que “procurando deliberadamente o empobrecimento da Europa Central”, provocaria a “vingança” alemã e a destruição “da civilização e do progresso”. Keynes pensava que as “Reparações” conduziriam a uma subida brutal da inflação que destruiria a democracia alemã e que espalharia um “tumulto sem fim” e um “perigo constante” por toda a Europa.
O facto de sucessivas crises inflacionistas e de desemprego terem tido lugar, de alguém como Hitler ter tomado o poder, e posteriormente, lançado a guerra sobre a Europa, parece confirmar a previsão de Keynes. Mas terá mesmo sido essa a causa da II Grande Guerra? Segundo A. J. P. Taylor, no seu The Origins of The Second World War, a Alemanha recebeu bastante mais dinheiro emprestado (sem o pagar de volta) de investidores privados americanos do que pagou em reparações : “entre 1919 e 1932 a Alemanha pagou 19.1 mil milhões de marcos em reparações; no mesmo período recebeu 27 mil milhões de marcos em injecções de capital, maioritariamente de investidores estrangeiros, que nunca foram pagos em resultado dos repúdios da dívida em 1923 e 1932”, o que parece sugerir que foram as opções políticas alemães (e não as imposições externas) que conduziram às crises que trouxeram Hitler para o poder.
Em primeiro lugar, optaram deliberadamente por desequilibrar o orçamento, não fazendo qualquer reforma no sistema fiscal, para transmitirem a ideia de que seria impossível obterem os recursos necessários para o pagamento das reparações . Em segundo lugar, optarem pela inflação em detrimento da deflação, pois pensavam que a primeira seria mais vantajosa no sentido de evitar a revolução . No fim, ela acabou por trazer a descredibilização do sistema parlamentar: a inflação fez com que “todas as relações permanentes entre devedores e credores” ficassem “tão desordenadas ao ponto de serem insignificantes”, e com que se “virassem do avesso” as “bases existentes da sociedade” ; “um tal falhanço da ordem legal” teria de conduzir “à quebra da confiança no Estado” , e todos aqueles que estivessem revoltados contra “a ladroagem da inflação” poderiam encontrar consolo no exaltado regaço dos nacionais-socialistas, que prometiam “preços estáveis” e, acima de tudo, “trazer os ladrões” à “justiça” .
Depois, com a crise da Grande Depressão e o brutal desemprego que esta trouxe, levou a um não menos brutal crescimento do voto, não no partido nazi, mas nos comunistas, o que por sua vez, fez com que Hitler parecesse a menos má das alternativas . E para muitos, ele parecia mesmo a melhor: para um país derrotado na guerra e atingido por uma crise económica, um homem que dizia ser possível ultrapassar tudo apenas com a união do volk germânico numa única gemeinschaft, um “novo reino germânico de grandeza e poder e glória e justiça”, seria certamente mais sedutor que os “bolcheviques” que, embora suficientemente “socialistas”, eram pouco “nacionais”, ou as velhas caras de Weimar .
II
O facto de Keynes, afinal, não ter estado tão certo como à primeira vista poderia parecer não nos deve fazer ilibar o Tratado de Versailles de forma apressada. Pois se as “consequências económicas da paz” não podem ser alvos da atribuição da culpa pelo destino da economia alemã e a ascensão de Hitler, as suas “consequências políticas” precisam de ir a julgamento.
Enquanto Keynes fazia as suas previsões catastrofistas, outra Cassandra (muito mais próxima da mítica, pois tal como ela, estava correcta e ninguém a ouviu) afirmava que o Tratado de Versailles iria conduzir a uma nova guerra: em Março de 1919, Lloyd George escrevia a Woodrow Wilson, dizendo não conseguir “conceber uma maior causa de uma futura guerra que o povo alemão, que certamente provou ser uma dos mais vigorosas e poderosas raças do mundo, ser rodeado por uma variedade de pequenos estados, muitos deles consistindo de povos que nunca antes estabeleceram um governo estável por si próprios, mas cada um deles contendo largas massas de germânicos clamando por reunião com a sua terra nativa” .
Até 1914, o Império Austro-Húngaro havia permitido a convivência dessas “largas massas de germânicos” com outros povos: eslavos, magiares, polacos, checos, eslovacos, roménios, croatas, ucranianos, para não falar dos vários judeus das várias nacionalidades, todos eles pertenciam a uma mesma unidade política sob a autoridade do “monarca dual” Habsburgo. Claro que essa convivência não era fácil: a própria existência da “monarquia dual” nascia da necessidade de equilibrar os interesses das várias entidades políticas que constituíam o Império, e a minoria germânica só conseguia assegurar a sua predominância ao jogar umas etnias contra as outras no edifício político do Império . Mas era de facto um estado de direito multiétnico, em que o hino podia ser cantado em qualquer uma das várias línguas oficiais do império, incluindo o yiddish . Algumas décadas mais tarde, os judeus da Europa da Central não estariam a cantar o hino austríaco, estariam a ser exterminados pelo nazismo alemão.
E isto porque o Império não sobreviveu à Grande Guerra, e sem ele, o conflito entre os vários povos da região passou do seu edifício político para as ruas das antigas cidades imperiais. De acordo com o princípio da “autodeterminação” estabelecido em Versailles, o Império dividiu-se numa série de países, quase tão multiétnicos como o Império, mas sem as mesmas garantias para as minorias. Entre elas, estavam as tais “largas massas de germânicos”, que passaram a ser alvo de violência, por exemplo, na Polónia e na Checoslováquia, ou que perderam o direito de voto (na Checoslováquia), ou que viram escolas serem fechadas, ou a possibilidade de aceder a empregos públicos recusada . Não era apenas Hitler quem queria unir o volk germânico, nem apenas os eleitores alemães que nele votaram, mas também os elementos de etnia germânica a viver nos novos estados da Europa Central. Numa era obcecada pela raça, um “Grande Reich” surgia como uma solução para o problema destes germânicos fora da Alemanha, como a forma que eles teriam de se libertarem do jugo das raças inferiores, que os dominavam. A anexação da Áustria, ou a reivindicação da “autodeterminação” dos germânicos de Danzig ou dos Sudetas , eram a forma de “substituir” a protecção da minoria germânica na Europa Central que havia sido o Império Austro-Húngaro.
Ainda por cima, ao mesmo tempo que retirava aos germânicos essa protecção, a desintegração retirava também à Alemanha um contrapeso que pusesse limites ao seu ressurgimento: antes de 1914, não se podia expandir sem que encontrasse no seu caminho uma outra grande potência (França, Áustria ou Rússia); agora, os seus vizinhos eram países como a Checoslováquia ou a Polónia . Versailles criara uma ameaça aos germânicos fora da Alemanha, e abrira a esta uma estrada para ir em seu socorro.
III
Essa estrada fora aberta com o vazio de poder na Europa Central criado pela desintegração do Império Austro-Húngaro, e pela ausência de uma outra potência que o ocupasse. Os EUA, os construtores da nova ordem, recusaram-se a dar-lhe os alicerces: em vez de assinarem o Convénio da Liga das Nações que os obrigaria a “preservar e defender” a integridade territorial dos restantes membros, os EUA preferiram manter a sua liberdade de acção” . E aqueles que assinaram, por sua vez, não demonstraram grande vontade em manter a palavra, como a invasão da Manchúria ou a da Etiópia mostrariam, antes mesmo de Hitler fazer o teste à fibra dos Aliados.
O Reino Unido, que surgia agora a única potência mundial europeia, sentia-se manietado precisamente por ser a única potência mundial na Europa: a política de appeasement centrava-se na ideia de que o Reino Unido nada tinha a perder no continente a não ser, em caso de intervenção, a capacidade de defender o Império . Quando o Japão começou a sua política de expansão na Ásia, a ameaça de guerra nas colónias fez com que Chamberlain preferisse aceder às reclamações de Hitler, em vez de, como lhe pediam alguns membros do gabinete, defender a integridade territorial da Checoslováquia .
A França, por sua vez, viveu vinte anos em pânico com a possibilidade do ressurgimento alemão. Como o Reino Unido não acedia a criar uma aliança militar contra a Alemanha, a França sentia-se demasiado fraca para enfrentar a Alemanha, e nada mais lhe restou senão esperar que Hitler fosse “sincero” quando dizia não desejar nada para além da paz . No meio do desespero, chegou a celebrar alianças de defesa mútua com a Checoslováquia, Polónia e Roménia, países que poderiam lucrar com a ajuda francesa, mas que eram demasiado fracos para poderem contribuir para defender a França de um eventual ataque alemão . Como demasiado fraca era também a própria França para ajudar a URSS caso esta fosse invadida pela Alemanha, fazendo com que a aliança (ainda por cima excluindo colaboração militar) assinada em 1935 pouco ou nada incomodasse a Alemanha .
A própria URSS parecia pouco interessada em entrar em conflito com a Alemanha. Stalin dizia não ver razão para “fazer sacrifícios na defesa das democracias ocidentais” quando não via qualquer “diferença” entre elas e a Alemanha . E se era verdade que o “espaço vital” desejado por Hitler se encontrava a Leste, ou seja, na Rússia e nos seus domínios, também era verdade que o facto de o alvo seguinte ser a Polónia abria uma oportunidade a Stalin: querendo expandir-se para a Polónia, Stalin não poderia aliar-se a Chamberlain na garantia da integridade territorial polaca; Hitler, querendo garantir Danzig, também não desejava ter de enfrentar a URSS; assim, ambos tinham um incentivo para partilhar a Polónia .
Quando as tropas alemãs entraram na Polónia, a relutância em intervir do Reino Unido e da França desapareceu (a da URSS e dos EUA só desapareceria quando fossem atacados). Talvez tenha sido tarde demais: “em 1933 um primeiro-ministro francês deveria ter dito (...): o novo chanceller alemão é o homem que escreveu o Mein Kampf, que diz isto e aquilo. Este homem não pode ser tolerado na nossa vizinhança. Ou ele desaparece ou nós marchamos.” Quem dava este conselho dizia também que os aliados haviam deixado os nazis “sozinhos” a “passar pela zona perigosa” e “navegar em torno dos recifes”: e quando “haviam terminado”, e passaram a estar “bem armados”, “melhor” que França e Reino Unido, então sim, “eles atacaram”. Quem dava este conselho não era o warmonger Winston Churchill, mas alguém que conhecia bem a capacidade alemã e as ambições de Hitler, um tal de dr. Goebbels . Em 1938, os responsáveis alemães diziam não terem condições para conduzir uma guerra contra a França ou o Reino Unido. Se, em vez de ter cedido em Munique, Chamberlain tivesse feito frente a Hitler, os Aliados estariam em melhor posição para travar uma guerra com a Alemanha em 1938, do que acabariam por estar 1939 . Chamberlain queria “ganhar tempo”; acabou por vendê-lo à Alemanha.
IV
Quando uma estrela colapsa, cria um buraco negro, um corpo com uma tal força gravitacional que atrai tudo à sua volta. Foi isso que aconteceu na Europa após a Grande Guerra de 1914-18: o colapso de uma estrela (o Império Austro-Húngaro) criou um buraco negro (uma série de pequenos estados multiétnicos, sem que existisse uma entidade que garantisse o respeito pelos direitos das minorias, como havia sido o Império) na Europa Central, que exerceu uma força gravitacional tal que nada lhe pôde escapar: a Alemanha quis “salvar” os germânicos que estavam em minoria nos novos estados; a Inglaterra e a França (e bastante mais tarde, os EUA), a partir do momento em que a acção alemã implicou a aquisição de cada vez mais território, quiseram impedir que esta substituísse o desaparecido Império; e a URSS, querendo aproveitar o vazio deixado por ele, encorajou o expansionismo alemão antes do combater.
No mundo físico, nada se pode fazer para evitar um buraco negro. Mas o buraco negro de 1918-39, cuja força gravitacional atraiu todas as potências para a guerra de 1939-45, podia ter sido evitado: ou impedindo o colapso da estrela (assegurando a sobrevivência do Império Austro-Húngaro) ou substituindo-a (quer colocando os novos estados sob a tutela de uma ou várias potências que assegurassem o respeito por certas regras, como os EUA haviam feito na Nicarágua ou no Panamá, quer enfrentando o projecto expansionista alemão desde o início). Ao não o fazerem, apenas foram obrigados a fazê-lo muito mais tarde, e com custos muito maiores.
Posted by Bruno at 06:55 PM
Prioridades
Ouvi hoje José Sócrates a anunciar que a prioridade de um novo Governo do PS será a rede nacional de creches. Curiosamente, ainda ontem o ouvi dizer que a prioridade do Governo seria a "defesa" do SNS. Afinal, não é só no "inglês técnico" que Sócrates tem dificuldades, é também no português. Ele de facto não sabe o que é uma prioridade.
Posted by Bruno at 06:51 PM
agosto 30, 2009
Estado de Alma

Com demasiado calor.
Posted by Bruno at 09:16 PM
agosto 29, 2009
A Irracionalidade Democrática
Há já algum tempo, João Cardoso Rosas escreveu um artigo no I (que não consigo encontrar no site), criticando Manuela Ferreira Leite pelas suas constantes referências à “seriedade”: dizia o Prof. Cardoso Rosas que um líder político, como Ferreira Leite, não pode (ou não deve) apelar ao voto das pessoas sem apresentar propostas, limitando-se a dizer ser mais “honesto” ou “sério” do que os outros. Deixemos de lado o facto de, mesmo antes de ter apresentado o programa eleitoral do PSD, Ferreira Leite já ter feito propostas concretas. A ideia, central ao artigo de Rosas, de que a discussão política “em democracia” deve ser uma discussão “racional” (estou a citar o artigo), embora simpática e louvável, resulta de uma incompreensão da natureza da democracia e do comportamento dos eleitores.
E nem preciso de recorrer a um livro muito querido aqui no Insurgente, mas que eu não li, The Myth of The Rational Voter , para se perceber como debate político, em democracia, é em parte “irracional”, o que obriga um líder político a apelar a esse lado dos eleitores, não só para conquistar o poder, como também para o exercer de forma proveitosa para a comunidade política. Pense um bocadinho, caro leitor: quais são as duas queixas mais comuns do eleitor comum, muitas vezes do mesmo eleitor comum, em relação à política portuguesa? Uma, a de que “eles são todos iguais”, de que “tanto faz” votar PS ou PSD, porque quando “chegam lá, fazem os dois o mesmo”. Uma outra, muitas vezes dita pelas mesmas pessoas, a de que “eles não se entendem”, de que PS e PSD “estão sempre a dizer mal”, em vez “de se unirem para fazer o que o país precisa”. O facto de estas duas queixas serem incompatíveis uma com outra (PS e PSD não podem ao mesmo tempo ser iguais e estarem em desacordo) não os impede de terem estas duas posições.
E não pense, caro leitor, que “irracionalidades” destas são exclusivo do “Zé” e da “Maria” que costumavam ser referidos nos Congressos do PSD (bons tempos). Até pessoas mais politizadas como o leitor, ou como eu, sucumbimos a isto, apenas de maneira diferente: tendemos, por exemplo, a interpretar factos novos como uma prova das convicções que já temos previamente. Ao contrário do que porventura gostaríamos de pensar, a democracia não é um idílico regime político em que todos nos sentamos a conversar em busca de um consenso racional acerca do melhor caminho para a “cidade”. É, isso sim, um regime que depende do julgamento de seres humanos, julgamento esse que, muitas vezes, deve muito pouco à raciocinalidade louvada por Cardoso Rosas.
É por isso que Manuela Ferreira Leite tem de apelar à irracionalidade dos eleitores. Só é possível apresentar aos eleitores os argumentos racionais que Cardoso Rosas tanto deseja ouvir, se nos dirigirmos primeiro à sua dimensão irracional. Melhor dizendo: os líderes políticos só podem esperar que os eleitores oiçam os seus argumentos racionais, se eles estiverem predispostos a ouvi-los, e essa predisposição não é passível de contra-argumentação, só se conquista com apelos “irracionais”. Por exemplo, pessoas que fazem críticas como as que enunciei em cima estão à partida pouco dispostas a ouvir um que um político lhes diga. Apresentar programas, propostas detalhadas, ou uma folha em branco, é absolutamente irrelevante: as pessoas não vão prestar qualquer atenção. “Eles” são “todos iguais”, “prometem mas não cumprem”, e portanto, não vale a pena ouvir o que um político tem para dizer. Para contrariar esta predispoção, Manuela Ferreira Leite, ou outro político qualquer, tem primeiro de os convencer a ouvir. Para os convencer a ouvir, tem de alterar a percepção que eles têm de si, e isso não se faz com apresentação de propostas (é para poder apresentar propostas e ser ouvido que essa percepção tem de ser mudada). Faz-se mostrando que se é diferente. Ferreira Leite (qualquer líder político) tem de dizer que ao contrário “deles”, é “séria”, “honesta”, “cumpre o que promete”. E mais, tem que mostrar que é assim.
É precisamente por isso que as escolhas de António Preto e Helena Lopes da Costa para as listas de candidatos à Assembleia da República, como a de Santana Lopes para a Câmara de Lisboa, são tão negativas para Ferreira Leite, pois contrariam essa imagem de “político diferente dos outros” que ela precisa de ter para poder ser ouvida. Esse estrago pode não ser suficiente para lhe retirar a vitória nas eleições: o nojo ao actual Governo é tanto que talvez seja o suficiente para as pessoas votarem no PSD.
Mas se para ganhar as eleições, Ferreira Leite apenas precisa que as pessoas não queiram ter mais quatro anos de José Sócrates a aparecer todos os dias na televisão, para governar, ela precisa de ser ouvida. O estado do país obrigará o próximo governo a implementar políticas que, inevitavelmente, desagradarão a muita gente. Para que possa implementá-las eficazmente, Manuela Ferreira Leite terá de convencer as pessoas da necessidade dessas políticas. Para serem convencidas, essas pessoas têm de estar dispostas a ser convencidas, têm de estar dispostas a ouvir o que Ferreira Leite terá para lhes dizer. E só estarão dispostas a ouvi-la se acharem que ela é “diferente”. Essas escolhas de Ferreira Leite dão a ideia de que não é. “Racionalmente”, poderíamos ver se essa ideia corresponde à realidade ou não. Mas para estas coisas, a racionalidade conta pouco.
Posted by Bruno at 12:54 AM
agosto 27, 2009
No Fora.Tv
Lewis Black, um comediante com alguma piada, fala acerca do seu novo livro.
Posted by Bruno at 10:20 PM
agosto 26, 2009
Sobre Ted Kennedy
A propósito da morte do Senador americano, vale a pena ler este post de Daniel Finkelstein em que este argumenta que Ted Kennedy (uma figura de carácter duvidoso, diga-se de passagem) foi o mais "significativo" (mais do que John e Bob Kennedy) dos conhecidos membros da família.
Posted by Bruno at 10:21 PM
agosto 25, 2009
The Question
Quase por acidente, descobri no site do The Guardian uma página inteiramente dedicada a discussões sobre aspectos tácticos do futebol. Escritos maioritariamente por Jonathan Wilson, autor de um livro que eu ando há meses para comprar (Inverting the Pyramid), aqueles textos já me fizeram perder várias horas a lê-los. Não é todos os dias que se consegue encontrar gente a escrever sobre futebol que é capaz de perceber a forma como o Man. Utd. pré-saída de Ronaldo jogava, ou a táctica usada por Guus Hiddink no Chelsea.
Posted by Bruno at 09:59 PM
agosto 24, 2009
A Ler
Dois textos do Luciano Amaral sobre Obama: A história do mandato de Obama e Gostar de Obama.
Posted by Bruno at 11:57 PM
agosto 22, 2009
A Diferença
Estas imagens da heróica recepção de um terrorista na Líbia deixam bem clara a diferença entre "nós" e "eles" (sendo que entre "eles" devem haver também alguns de "nós" e, infelizmente, hajam muitos "deles" entre "nós" também). Para "eles", um homem responsável pelo assassínio deliberado de centenas de inocentes deve ser celebrado. Para nós, a morte acidental de inocentes em operações militares que atingem alvos não-militares são motivo de censura. É o suficiente para perceber a diferença, e para perceber que somos melhores.
Posted by Bruno at 10:07 PM
agosto 21, 2009
A Entrevista
Vi ontem a entrevista de Ferreira Leite a Judite de Sousa, e muito rapidamente me arrependi. Não por causa de Ferreira Leite, que disse o que eu esperava (e queria) que ela dissesse, mas por causa de Judite de Sousa, uma péssima entrevistadora que, vá-se lá saber como, chegou onde chegou. Sempre que vejo uma entrevista conduzida pela jornalista da RTP, perco a cabeça, irrito-me, grito insultos em direcção à televisão. Judite de Sousa até já conseguiu pôr-me a simpatizar com Sócrates, de tal maneira as suas entrevistas me põem fora de mim.
Ontem, por exemplo, disse em tom indiginado que o programa do PSD "não pode ser só uma folha A4". Manuela Ferreira leite disse que não seria, mas e se fosse? mais vale uma folha A4 de compromissos que as pessoas compreendam e sejam para cumprir, do que 200 páginas de propaganda que ninguém lê e não são para levar a sério. Um pouco mais à frente, mostrou a sua surpresa por Ferreira Leite dizer que o programa a ser apresentado daqui a uns dias não seria diferente do que ela tem vindo a dizer. Judite de Sousa logo se mostrou surpresa por o programa não ter "uma novidade". Não lhe ocorre, claro, que os programas não servem (ou não devem servir) para ter "novidades", mas para submeter aos eleitores a visão que um determinado partido ou candidato tem do país: se um programa tem muitas "novidades", o candidato ou está mentir ou nem tem visão nenhuma (ou, no caso de Sócrates, ambas as coisas).
Só mesmo a obsessão dos jornalistas portugueses com as "novidades", as "caras novas", as "ideias novas" (há uns dias, no DN, até a parvoíce da bandeira do 31 da Armada passava por uma demonstração de que "há uma direita com ideias"), que passam por "boas" independentemente da qualidade só porque são "novas" (às vezes nem isso, como se vê pelo caso de Passos Coelho, que não só é uma nulidade, como já o é há muitos anos), explica o choque com que Judite de Sousa olhou para a ausência de "novidades" no programa do PSD.
Já mais perto do final da entrevista, Judite de Sousa perguntou a Ferreira Leite qual era o compromisso da líder do PSD em relação ao crescimento económico. Aqui, só mesmo a ignorância explica a pergunta de Judite de Sousa, que não compreende (e Ferreira Leite, coitada, bem tentou explicar-lhe) que nennhum político se pode comprometer com o que quer seja em relação ao crescimento económico, porque o Governo não é o responsável pelo crescimento económico, que depende de muitos factores que nenhum Governo pode controlar. Pedir a Manuela Ferreira Leite que se comprometa com um qualquer valor para o crescimento económico seria o mesmo que pedir-lhe que diga se promete a qualificação da selecção nacional de futebol para o Mundial de 2010: em ambos os casos, ela nada tem a ver com isso. Aliás, com tantos assuntos acerca dos quais Judite de Sousa queria saber a opinião de Ferreira Leite, não me espantaria nada que a dada altura lhe tivesse perguntado o que é que ela pensava acerca do trabalho de Jorge Jesus no Benfica, dos méritos ou deméritos do losango de Paulo Bento, ou se é ou não "fácil expulsar o Hulk". São questões tão apropriadas para alguém que pretende exercer o cargo de Primeiro-Ministro como algumas das que Judite de Sousa lhe colocou.
Posted by Bruno at 10:27 PM
agosto 20, 2009
A Ler
Sobre a libertação da presião de Al-Megrahi, um dos responsáveis pelo atentado de Lockerbie, vale a pena ler este post de Fraser Nelson.
Posted by Bruno at 06:07 PM
Drug Money
No blog de Daniel Finkelstein, descubro um estudo que diz que 90% das notas em circulação nos EUA estão "contaminados" com cocaína. Aparentemente, o "produto" cola-se muito facilmente à tinta das notas que, ou usadas directamente para "snifar" a coisa ou por entrarem em contacto com outras notas que tenham sido usadas para esse efeito, ficam com restos de cocaína. No Japão, aparentemente, só 12% das notas têm cocaína. Em Baltimore, quase 100% das notas apresentam restos de cocaína, algo que não espanta quem tenha visto The Wire.
Posted by Bruno at 06:00 PM
agosto 18, 2009
Um Sinal Grave
Há dias, José Junqueiro e Vitalino Canas, dois conhecidos (das respectivas mães) aguadeiros de José Sócrates, vieram mostrar-se muito escandalizados (no Rato, toda a gente se escandaliza muito facilmente) com a suposta colaboração de assessores do Presidente da República na elaboração do programa eleitoral do PSD. Em resposta a esta acusação, um membro da Casa Civil de Belém "confessou" (certamente de "coração pesado") ao Público que "o clima psicológico" que se vive em Belém "é de consternação", com a possibilidade de os serviços da Presidência (e os assessores de cavaco" estarem sob escuta e vigilância. A ser verdade, seria o suficiente para demitir este Governo imediatamente (e razões suficientes para este Governo ser demitido foi coisa que nunca faltou ao longo do seu triste mandato). Mas seja como for, esta notícia é grave. Seja verdade o que diz o anónimo assessor de Cavaco, seja isso uma mentira deliberada da sua parte, ou seja isso uma mera suspeição infundada.
Se o assessor de Cavaco tiver razão, e o Governo, ao bom velho estilo do saudoso Dick, estiver a escutar e a vigiar as pessoas que trabalham na presidência, a gravidade da coisa não pode ser exagerada: um governo que traísse a relação de confiança mútua, e de respeito, pela Presidência, desta maneira, seria, pura e simplesmente, um Governo criminoso, já nem sequer "sub suspeita" como dizia Aguiar Branco, mas panahado em flagrante.
Se, pelo contrário, esta acusação não passa de uma notícia plantada por spin doctors ao serviço de Cavaco, uma mentira deliberada que visa descredibilizar (ainda mais) o Governo, seria também uma quebra intolerável da normal relação que a Presidência deve ter com um Governo, e portanto, um acto intolerável. E mesmo que o assessor de Cavaco pense realmente que está a ser escutado, mas tal não corresponda a verdade, o caso não é menos grave: pois o simples facto de algo assim ser concebível, o simples de alguém na Presidência poder acreditar que o Governo é capaz de fazer algo assim, atribuir credibilidade a essa hipótese, demonstra como a relação entre Belém e São Bento se degradou. Obviamente, não sei o que aconteceu. Não sei quem fala verdade, quem fez o quê, e quem é vítima de que truqes baixos. Mas não é difícil perceber que, seja qual for a verdade, todo este caso é um sinal grave da degradação das nossas instituições políticas.
Posted by Bruno at 09:49 PM
agosto 17, 2009
Vindo no Correio

Posted by Bruno at 10:43 PM
agosto 15, 2009
A Ver
No Fora.tv, Christopher Hitchens e Robert Service a conversarem sobre Trostky.
Posted by Bruno at 10:40 PM
agosto 13, 2009
A Ver
No blog americano The House Next Door, descobri um post sobre Mad Men, no blog do site Film Freak Central, com um pequeno vídeo (sobre a série) que vale a pena ser visto.
Posted by Bruno at 09:53 PM
agosto 12, 2009
A "Avaliação Global" da ERC
Parece que Azeredo Lopes, essa entidade vagamente tenebrosa que costuma dar a cara pela instituição não menos tenebrosa que é a ERC, veio dizer, a propósito do artigo de Sócrates no JN, que ele seria tido em conta na "avaliação global" que a ERC fará da "imparcialidade" dos media nesta campanha eleitoral. ou seja, Azeredo Lopes anuncia que vai seguir o "método Hans Blix" tão bem explicado no Team America: World Police. A ERC vai ficar muito zangada, e escrever um relatório a dizer o quão zangada ficou. Ficamos assim a saber que, mais do que tenebrosa e censória, a ERC é pura e simplesmenete ridícula.
Posted by Bruno at 09:40 PM
agosto 11, 2009
O Artigo de Sócrates
Não deixa de ser curioso que tenha sido o único jornal a dizer que aceitou cumprir a famosa "directiva" da ERC a publicar um artigo de propaganda do senhor Primeiro-Ministro. Mostra um pouco mais claramente aquilo que já era de suspeitar: a "imparcialidade" desejada pela ERC é, na realidade, uma vergonha sujeição ao poder. Quanto ao artigo de Sócrates propriamente dito, não há nada a dizer. o artigo também não diz nada.
Posted by Bruno at 12:10 PM
agosto 10, 2009
Serão os Treinadores Importantes?
No Financial Times, Simon Kuper escreveu um artigo argumentando que os treinadores de futebol não são "assim tão importantes como isso". O artigo provocou alguma discussão, com posts de Rob Marrs, do blog More Than Mind Games, e (o mais interessante de todos) de Alex Massie. E sim, os treinadores são "assim tão" importantes.

Posted by Bruno at 10:34 PM
agosto 08, 2009
Hitchcock

Hoje, a RTP 2 transmite dois grandes filmes de Alfred Hitchcock, North By NorthWest e Dial M for Murder. O blog, claro, ressente-se.
Posted by Bruno at 10:06 PM
agosto 07, 2009
O Renascer do Parlamento
Muita gente, ao longo das últimas décadas, tem mostrado alguma preocupação com a decadência dos parlamentos, com a fragilização do mecanismos de representação que os parlamentos deveriam ser, fragilizando assim a qualidade da própria democracia. É com grande prazer que vejo que, em Portugal, essas preocupações não têm qualquer fundamento. veja-se a atenção e preocupação com que as listas dos candidatos a deputado pelo PSD foram recebidas. É um claro sinal do prestígio que o parlamento detém no seio da sociedade portuguesa, um reflexo da importãncia que os portugueses atribuem à instituição e em particular aos que nela se sentam. Tanta atenção, tanto escrutínio, só pode ser sinal de que todos aqueles que se pronunciaram atribuem àquela instituição uma importância extraordinário, desmentido a ideia de que os portugueses consideram os deputados como uns incapazes preguiçosos. Tanta expectativa em relação às listas, e, especialmente, tanta "desilusão" com os nomes anunciados, só pode reflectir as elevada consideração que tais luminárias tinham pelos deputados que até aqui exerciciam o cargo. Só pode ser isso...
Posted by Bruno at 10:34 PM
agosto 06, 2009
A Ver
No Fora.tv, Christopher Hitchens fala sobre o "Eixo do Mal".
Posted by Bruno at 09:28 PM
agosto 04, 2009
As Listas do PSD (publicado no Insurgente)
Os jornais dos últimos dias prometiam “caras novas” e “renovação” nas listas dos candidatos a deputado do PSD, o que parece ter provocado algum entusiasmo a muita gente. A mim, fez-me tremer de medo. Não há nada pior que este fascínio pelas “caras novas”, pelas “novidades”. Ao contrário do que os senhores jornalistas parecem pensar, “novidade” não é o mesmo que “qualidade”, e o que a bancada do PSD precisa (aquilo que lhe faltou nos últimos quatro anos), é de qualidade, independentemente de ela vir com “caras novas” ou de “velhos nomes”.
Esta conversa das “caras novas” tem tudo para correr mal. Se para a liderança do PSD o critério das “novidades” for prioritário em relação ao da qualidade, o PSD ganha umas primeiras páginas nos jornais elogiando a “renovação”, mas arrisca-se a encher o parlamento de nulidades semelhantes às que lá estiveram na última legislatura. No entanto, o discurso das “caras novas” parece um daqueles mecanismos tão populares na comunicação social portuguesa, em que os jornais resolvem dizer que o PSD promete “caras novas”, e quando surgirem nas listas nomes como o de Pacheco Pereira ou Maria José Nogueira Pinto, os mesmos jornais que desencantaram a ideia da “renovação” criticam, independentemente da qualidade ou falta dela dos nomes escolhidos, a liderança por não “cumprir” a tal “promessa”. E é por isso que, se as manchetes com promessas de caras novas vieram de recomendações dos spin doctors do PSD, então eles deviam ser imediatamente despedidos. Se, pelo contrário, tiverem sido meras invenções jornalísticas, ou de “fontes próximas da direcção” que, na realidade, são tão “próximas” quanto eu o sou de Scarlett Johansson (ou seja, nada), os mesmos spin doctors deveriam ter aconselhado Manuela Ferreira Leite a vir a correr dizer que “o PSD não quer saber se as caras são novas ou velhas, apenas se são boas ou não”. Em qualquer dos casos, tenha o erro estado em plantar a notícia, ou em não anular notícias plantadas por gente preocupada em fragilizar Ferreira Leite, não era preciso fazer um grande esforço para perceber que se devia ter agido de outra maneira.
Posted by Bruno at 07:19 PM
agosto 03, 2009
Os Convites
Ontem, no Insurgente.
Posted by Bruno at 09:42 PM
agosto 02, 2009
Back To The Future
Acabo de receber um e-mail datado de 3 de Janeiro de 1970.
Posted by Bruno at 06:28 PM