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julho 31, 2009
Bobby Robson

Morreu hoje um bocadinho da minha infância.
Posted by Bruno at 01:32 PM
julho 30, 2009
Estará Doente?
Deve passar-se algo de grave com o senhor Primeiro-Ministro. Sócrates tem que estar doente para não ter feito qualquer promessa hoje.
Posted by Bruno at 10:01 PM
julho 29, 2009
A Ler
Um político americano disse que era normal que os membros do congresso não lessem as leis que votam. Mark Steyn, por sua vez, diz, com toda a razão, que este é mais um argumento a favor do governo limitado:
"Thousand-page bills, unread and indeed unwritten at the time of passage, are the death of representative government. They also provide a clue as to why, in a country this large, national government should be minimal and constrained. Even if you doubled or trebled the size of the legislature, the Conyers conundrum would still hold: No individual can read these bills and understand what he's voting on. That's why the bulk of these responsibilities should be left to states and subsidiary jurisdictions, which can legislate on such matters at readable length and in comprehensible language."
Posted by Bruno at 10:40 PM
julho 28, 2009
Os Novos Deputados do PS
Houve por aí um grande sururu à volta dos novos candidatos a deputado pelo PS. Aliás, o sururu era obviamente o objectivo da escolha. A rapaziada do marketing certamente explicou ao Primeiro-Ministro que escolher uma "novidade" como Miguel Vale de Almeida e "roubar" Joana Amaral Dias (pelos vistos não conseguiram) ao BE iria encantar os senhores jornalistas. Os senhores jornalistas, claro, caíram que nem uns patinhos, delirando com o "primeiro homossexual assumido no parlamento" e com "o blogger" João Galamba.
Mas se o objectivo inicial da manobra foi cumprido, seria bom que José Sócrates não se convencesse que ela o leva muito longe. Ela pode funcionar muito bem "entre a Arcada e São Bento", mas dificilmente passa daí. Os "independentes" escolhidos pelo PS fazem parte daquilo a que os ingleses chamam as chatering classes: Vale de Almeida, João Galamba e Inês de Medeiros são "activistas", "intelectuais" e "agentes da cultura", gente que o pessoal dos jornais conhece, e cuja escolha valoriza, por entenderem, não sem alguma razão, que é gente "deles" a ser escolhida. Escolha essa que não só faz com que o PS ganhe atenção nos jornais, como receba elogios pelas escolhas "arrojadas".
Mas o eleitor comum tem com Miguel Vale de Almeida e João Galamba a mesma relação que Ferro Rodrigues tinha com o segredo de justiça, ou Manuel Vilarinho com ordens de tribunais. O que o preocupa não são os nomes das listas dos candidatos a deputado, aliás uma espécie abundamentemente desprezada e considerada como irrelevante, mas o desemprego, o crescimento económico e as suas condições de vida. Para essas pessoas, a aparente tentativa de "piscar o olho à esquerda" de que a comunicação social fala é até ofensiva: mostra-lhes que o PS se preocupa mais com cálculos eleitorais e as "tricas" da "politiquice" (que é a única coisa que apreenderam do "caso Amaral Dias") do que com os problemas dos portugueses. A lista de "independentes" do PS pode ter merecido alguns abraços na comunicação social, mas no eleitorado em geral, apenas cimentou o desprezo que as pessoas sentem pelos políticos. Por razões óbvias e facéis de perceber, mas que os senhores do marketing não aprenderam nos seus cursos, certamente tão bons como o que deu o grau de engenheiro ao Primeiro-Ministro.
Posted by Bruno at 06:28 PM
No Leitor de DVD

Posted by Bruno at 02:07 AM
julho 26, 2009
O Fundo do Poço (publicado no Insurgente)
Esta semana, no I, numa entrevista aos vários "coordenadores", não do Bloco de Esquerda, mas do Compromisso Portugal, Rui Ramos (um dos ditos "coordenadores") diz a dada altura que "a situação está tão má" que até está "optimista". É uma convicção muito partilhada: apesar de se reconhecer uma certa desconfiança dos portugueses em relação à mudança e um certo temor perante a dureza das reformas que se dizem ser necessárias, muita gente parece ser assaltada por um "pessimismo optimista", pela ideia de que "isto" está tão mal que qualquer um percebe (e aceita) a necessidade de fazer alguma coisa, e que por isso, "será desta" que "os políticos" terão "coragem" de fazer as tais "reformas".
É um sentimento que se percebe, mas que tenho alguma dificuldade em partilhar. Pela simples razão que eu próprio já o tive, há bastante tempo, e apesar das coisas terem estado "mal", ainda terem ficado piores. Sempre que oiço alguém dizer o que Rui Ramos disse, lembro-me daquele jovem ingénuo (eu próprio) que, nos idos de 2002, achava que Guterres tinha deixado "este país" tão mal que Durão Barroso, um verdadeiro "salvador da pátria", não poderia deixar de fazer as reformas de que o país precisava. Ora, foi o que se viu: Durão mais não fez do que buscar a reeleição, e quando viu que não a obteria, arranjou o confortável exílio de Bruxelas; depois vieram Santana e Sócrates, qual deles o pior, e o fundo do poço parecia cada vez mais longe.
Há uns anos, o Luciano Amaral, no DN, escreveu aquele que é um dos mais importantes artigos sobre a realidade actual da política portuguesa. Nele, o Luciano criticava, precisamente, a "teoria do fundo", argumentando que era "perfeitamente possível" chegar ao fundo do dito poço e "continuar a cavá-lo": se era verdade que o Reino Unido dos anos 70 "tinha atingido o fundo", e "as reformas de Margaret Thatcher" fizeram com que o país regressasse "ao topo da lista dos países mais ricos da Europa", há também o exemplo da Argentina, que com Perón, não saiu do fundo do poço em que caíra.
Como diz o Luciano, "a Argentina já foi dos países mais ricos do mundo. Mais rico do que a França, a Alemanha, a Suécia e, consequentemente, a maior parte dos países da Europa ocidental". No entanto, "a crise dos mercados internacionais de 1914 a 1945 (I Guerra Mundial, crise dos anos 30 e II Guerra Mundial) afectou profundamente este estado de coisas, podendo dizer-se então que a Argentina tinha (à luz do seu passado) batido no fundo". Em vez de "Thatcher" (ou seja, em vez de reformas), optou por "Perón" (ou, por outras palavras, "justicialismo" e demagogia): Perón "aumentou salários, desenvolveu a protecção social e criou uma relação orgânica com os sindicatos, apoios nos quais se respaldou para aplicar uma política semifascista, de que faziam parte certos planos económicos nacionalistas (incluindo vastos programas de investimento público), que fecharam a Argentina ao mercado mundial". "Lentamente", diz o Luciano, "a próspera Argentina de outrora desapareceu, dando lugar a um país do chamado Terceiro Mundo. Perón caiu em 1955, mas o "peronismo" continuou a ser uma espécie de ideologia nacional. O célebre coronel apanhou, portanto, o país no "fundo" e afundou-o um pouco mais. Os seus sucessores continuaram a obra. Actualmente, os argentinos são, coisa rara na História, mais pobres em termos absolutos do que em 1950".
Como bem nota o Luciano, a "crise" e a sua gravidade não são garantia de que os portugueses aceitem a necessidade de "mudar", ou pelo menos, que aceitem mudar para algo que lhes dê melhores condições de vida. Pelo contrário, pode levá-los a estarem dispostos a serem seduzidos pelas versões autóctones de Perón, que infelizmente nunca escasseiam.
Há, no entanto, uma hipótese que parece não ter ocorrido ao Luciano (ou pelo menos, que ele não menciona no artigo): a de a "crise" não ter qualquer influência na atitude dos portugueses, a de a "crise" não ser realmente entendida como uma crise, mas antes como um estado normal de atraso do país. Em 1978, Vasco Pulido Valente escreveu no Expresso um artigo (incluído no livro O País das Maravilhas) em que dizia que, "para algumas (muitas) pessoas", a tal "crise" (já na altura se falava dela) parecia "apenas uma forma de normalidade, acentuadamente desagradável". Não era novidade: entre 1807 e 1851, e 1903 e 1930, dizia Pulido Valente, a "crise" dificilmente poderia ser vista como uma "crise" (como um "momento grave") e não como a "normalidade", certamente pouco confortável mas não menos "normal" por isso.
Se virmos bem as coisas, será que os portugueses têem uma atitude diferente da dos homens de 1978, ou dos de 1807-1851 ou 1903-1930? Será que olham hoje realmente para a "crise" como uma "crise"? Portugal deixou há muito pouco tempo de ser um país verdadeiramente pobre. Há, por isso, uma "memória social" (perdoe-se o jargão) relativamente avivada da penúria, da fome, da miséria. Comparadas com a condição permamente da vasta maioria dos portugueses até há poucas décadas, as agruras desta "crise" são um verdadeiro paraíso, insuficientes para alarmar quem ainda tem a falta de comida como termo de comparação e avaliação da sua condição.
Ainda para mais, a grande maioria do eleitorado certamente se lembra da crise de 73, da do final dos anos 70, da dos anos 80. Um período de dificuldades económicas não é novidade para essa grande parte dos portugueses. E quanto aos eleitores mais novos, desde 2000 que vivem em "crise", praticamente não se lembram de viver noutro estado que não o de "crise", e portanto, vêem-na como algo de "normal", não como algo que justifique uma mudança drástica. Pouca gente em Portugal sente que a estagnação (o destino inevitável do país se não se fizer "alguma coisa") lhes fará perder o que quer que seja. Já as "reformas" aparecem como a ameaçadora possibilidade de muitos deles perderem alguns dos "benefícios" que o Estado vai fingindo que lhes dá. Entre a calma da estagnação (pouco assustadora se a compararmos com o passado recente do país) e a incerteza das reformas, muitos preferem a estagnação.
Os únicos que poderão perder alguma coisa se a "crise" continuar a ser "normal" (e a ser cada vez mais "normal") são os que ganharam alguma coisa com a relativa prosperidade dos anos de Cavaco e Guterres. Infelizmente, essa prosperidade veio em grande parte do aumento do funcionalismo público, dos "fundos" europeus e da facilidade do endividamento, ou seja, do Estado e de coisas que ou acabaram de vez ou serão insustentáveis se continuarem. O que quer dizer que os únicos que poderiam ter alguma motivação para querer que a "crise" não se torne "normal", têm, ao mesmo tempo, muitas razões para não quererem arriscar as "reformas". É perfeitamente plausível que, como escrevi aqui, prefiram comer as poucas maçãs que ainda lhes restam antes que apodreçam, em vez de plantarem outra macieira para passarem a ter mais para comer. O facto de termos chegado ao "fundo do poço" não quer dizer que façamos tudo para voltar à superfície. Podemos optar por aproveitar o pouco que temos, antes de ficarmos com ainda menos. É uma opção pior, diz o caro leitor, e eu acho que o leitor tem razão. Mas nada nos garante que optemos pelas melhores soluções.
Posted by Bruno at 07:22 PM
julho 25, 2009
A Entrevista de Santana
Pela primeira (e espero que última) vez na vida, vou elogiar Santana Lopes. Esta frase da sua entrevista ao I não deixa de ter a sua piada:
"De mim nunca disseram que me licenciei a um domingo".
Posted by Bruno at 06:42 PM
julho 23, 2009
A Ver
No Fora.tv, Michael Sandel a discutir a moralidade do "human enhancement":
Posted by Bruno at 09:43 PM
julho 22, 2009
O Que É Que O Governo Está A Comprar (publicado no Insurgente)
Há uns meses, foi anunciado que o Estado, pela mão do Governo socialista, planeava "nacionalizar" a companhia de seguros COSEC, como medida de "resposta à crise". Como é costume nestas coisas, o assunto caiu no esquecimento. Ontem, o Rui Carmo chamava aqui a atenção para uma notícia do Expresso, confirmando a intenção governamental de adquirir os 50% de acções da empresa até aqui na posse do BPI, por 27,5 milhões de euros.
A explicação dada em Maio (que, sabendo como é o Governo, nada grante que se mantenha) para a decisão era a aparente "necessidade" de "garantir às empresas exportadoras nacionais um acesso seguro ao crédito". Segundo o Governo, a crise económica provocara uma contracção do crédito à exportação, que estava a afectar seriamente o sector. O raciocíonio socrático (não o do outro) é, como sempre, brilhante: aparentemente, ninguém estava disposto a segurar as exportações portuguesas, por o risco ser visto como demasiado grande. Ou seja, fazer seguros às exportações portuguesas neste momento é um mau negócio. Como é um mau negócio, o Governo achou por bem ir a correr comprar esse mau negócio com o dinheiro dos contribuintes.
Mas, na realidade, o Governo não pretendia, com esta medida, responder à crise e facilitar os seguros das exportações portuguesas, pretendia, isso sim, fazer um seguro de vida para si próprio. Não pretendia comprar um mau negócio, pretendia cimentar o seu poder. Convém perceber que este negócio não foi congeminado agora, depois do PS ter tido o desastroso resultado das europeias e começar a temer pela derrota nas legislativas, mas antes dessas eleições, numa altura em que Sócrates e os seus aguadeiros nem sequer sonhavam com a possibilidade de serem corridos de São Bento.
Assim, o negócio da COSEC pretendia ser mais um exemplo da estratégia "Tony Soprano" que o governo tem seguido: há um episódio de The Sopranos, dono de uma loja de artigos de desporto, enfrenta algumas dificuldades financeiras, e pede ajuda a Tony. O seu amigo, claro, fica a dever-lhe um favor, e Tony não perde tempo a cobrá-lo (até porque o amigo não pode saldar a dívida): a loja do amigo de Tony Soprano rapidamente se torna numa plataforma para Tony e os seus "colegas" se envolverem nas mais variadas vigarices. Desde que chegou ao poder, e ainda mais desde que a "crise" rebentou, que a estratégia do Governo tem sido semelhante: Sócrates não hesita em "ajudar" esta empresa e aquela, ou o sector A e o sector B. Escusado será dizer que, tal como o amigo de Tony Soprano, estes "ajudados" ficam a "dever uma" (ou "muitas") ao senhor Primeiro-Ministro. Ao adquirir uma participação maioritária na COSEC, o Governo pretendia ter mais um meio (a juntar à CGD, por exemplo) de condicionar os "negócios" portugueses: ao comprar a COSEC, o Governo faria com que mais um sector de actividade ficasse directamente dependente de decisões governamentais para sobreviver. Passaria a haver ainda mais gente com menos liberdade para criticar o Governo. Coisa que, provavelmente, só preocupará os socialistas depois de 27 de setembro (e só se perderem as eleições), mas que nos devia preocupar em qualquer circunstância.
Posted by Bruno at 07:25 PM
julho 21, 2009
Lido

Posted by Bruno at 10:44 PM
julho 20, 2009
A "Rebeldia" de António Costa
Nas últimas semanas, António Costa tomou uma série de posições que levaram muitas pessoas a notarem como ele se estava a distanciar do PS e do Governo. Com as "dificuldades" (para ser simpático) que Sócrates e o PS atravessam, Costa parecia fazer um esforço para se "desligar" dessas complicações, e procurar salvar-se no meio do naufrágio. É evidente que críticas como as que Costa fez a Mário Lino, ou os abraços a Helena Roseta, não são coisas bem vistas no largo do rato, e uma afronta a José Sócrates. Mas tenho algumas dúvidas em atribuir essas atitudes às recentes desgraças eleitorais de Sócrates.
Na realidade, já há muito que António Costa cortara o cordão umbilical que o ligava a Sócrates. A sua própria candidatura a Lisboa mais não era do que o início da sua candidatura a Primeiro-Ministro (ou Presidente da República). Quando a candidatura de António Costa foi anunciada, não faltou quem afirmasse como ela era boa para o Primeiro-Ministro. Não foram apenas as alminhas deslumbradas com o suposto "maquiavelismo" de Sócrates, mas até gente sensata, a dizer que, mais uma vez, Sócrates conseguia afastar um eventual perigo para a sua liderança (como supostamente teria conseguido fazer com Soares nas presidenciais). Como escrevi na altura, nada poderia estar mais errado: o que Sócrates fez foi libertar António Costa do Governo, libertando-o do ónus da governação que se faria (e fizeram) sentir agora. Se António Costa tivesse ficado no Governo, e viesse, como seria de esperar, a suceder a Sócrates, tudo o que o Governo tivesse feito pesaria sobre a sua futura "candidatura" a Primeiro-Ministro. Em Lisboa, as desventuras de Sócrates não poderão provocar danos ao novo apóstolo do "rigor" e da "competência".
Outro exemplo de como Costa já há muito estava a levar a cabo uma agenda de promoção pessoal que nada tinha a ver com os interesses do Governo foi a sua "coligação" com Sá Fernandes. Como também escrevi na altura, essa tal "coligação" não era uma coligação entre o PS e o BE, mas pura e simplesmente entre Costa e o "Zé": PS e BE tinham boas razões para temer o acordo. A simples ideia de que um cenário semelhante pudesse ocorrer a nível nacional faria muito bom eleitor "centrista" pensar duas vezes antes de pôr a cruzinha no quadrado do PS. E para o eleitorado "fracturante" do BE, o "aburguesamento" e a busca do "poleiro" que um tal acordo representaria, seriam razões suficientes para irem fumar drogas e ouvir Manu Chao para outro sítio. Já para António Costa e para o "Zé", o acordo só trazia benefícios. Ao "Zé", permitia ter poder. A António Costa, permitia isolar o PCP e Roseta (tal como resgate de roseta permite isolar o PCP), responsabilizando-os por não permitirem a aplicação de um "programa de esquerda" sempre que bloqueassem as suas propostas. Há já muito tempo que António Costa se move única e exclusivamente em função da sua agenda de promoção pessoal. ver nestas recentes habilidades uma novidade só é possível para quem tenha estado a dormir nos últimos anos.
Posted by Bruno at 02:48 PM
julho 19, 2009
Cintra Torres Sobre Pacheco Pereira
O programa dominical de Pacheco Pereira, Ponto/ContraPonto, provocou grande celeuma, com comentários negativos (como seria de esperar) de muita gente, e grosserias inqualificáveis motivadas pela cegueira que o homem provoca no comum dos mortais (há anos que me pergunto por que razão tantas pessoas odeiam tanto (Pacheco Pereira). No meio do barulho, só mesmo o artigo de ontem de Eduardo Cintra Torres, no Público, disse algo capaz de merecer atenção.
Posted by Bruno at 09:33 PM
julho 18, 2009
James Cagney
Hoje, a RTP 2 transmite dois excelentes filmes: Angels With Dirty Faces e White Heat, dois clássicos filmes de gangsters da Warner Brothers dos anos 30 e 40, que, ainda por cima, contam coma presença de James Cagney. Martin Scorsese conta que, quando deu aulas na NYU, passava filmes como Scarface (o de Hawks) e os alunos gostavam, mas quando chegava a altura de Public Enemy e Cagney aparecia no ecrã, os alunos diziam que "aquilo" era a "representação moderna". De facto, aquele homem poderia aparecer a meio de Goodfellas ou de um episódio dos Sopranos, que ninguém veria uma grande diferença entre ele e Joe Pesci ou James Gandolfini.

Posted by Bruno at 09:29 PM
julho 16, 2009
A Ver
No Fora.tv, a interessante palestra de Michael Sandel sobre a Justiça.
Posted by Bruno at 07:07 PM
julho 15, 2009
6 Anos
Há 6 anos que (quase) diariamente ocupo parte do meu tempo com este blog. Deve realmente haver algo de muito errado com a minha vida.
Posted by Bruno at 04:08 PM
julho 14, 2009
No Leitor de DVD

Tenho passado as últimas noites a ver as primeiras temporadas da versão americana de The Office. O que não só me tem feito rir um bom bocado, como me tem dado horas e horas a olhar para Jenna Fischer, a coisinha mais adorável da televisão dos nossos dias.

Posted by Bruno at 10:53 PM
julho 13, 2009
No Ordem Livre
Escrevo hoje um texto sobre o livro Freedom Evolves, de Daniel C. Dennett.
Posted by Bruno at 07:47 PM
julho 12, 2009
"Atrasados" (Publicado no Insurgente
No suplemento semanal do I, o Nós, esta semana dedicado ao carácter "atrasado" de Portugal, veio uma colecção de fotografias (nada de se deitar fora, diga-se de passagem) legendadas com citações de "clássicos" portugueses apontando os defeitos da espécie indígena: como seria de esperar, podemos ler Eça de Queiroz a dizer que "somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência", ou como a política, no nosso país, é "dominada" pelas "más paixões" e todos os que nela se envolvem "querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, àvidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis do gozo da vaidade". Estas citações, claro, servem para mostrar como a "desconcertante actualidade" dos "autores eternos" é sintoma de como "não mudámos assim tanto". Esta frase, por sua vez, para além de mostrar a fraqueza de estilo (a expressão "autores eternos" quase causa vómitos) de quem a escreveu, mostra também a sua ignorância ou simples falta de juízo. Pois só um analfabeto ou um demente (convenhamos, dois tipos de pessoas que abundam no jornalismo pátrio) poderiam dizer que "não mudámos assim tanto".
Na realidade, mudámos, "tanto" ou mais do que podemos por vezes pensar. Comparar o Portugal do século XIX com o Portugal dos dias de hoje é comparar o incomparável. A "estrutura social" é outra, o nível de alfabetismo (apesar do que as redacções podem indiciar) é outro, os nossos "recursos" são outros, o país é outro. Somos infinitamente mais ricos, mais saudáveis, mais tudo, do que os portugueses de Eça de Queiroz. Se houve fenómeno que marcou a história recente de Portugal, foi precisamente a mudança sem precedentes de que o país foi alvo.
Mais, muitos dos problemas que hoje o país enfrenta devem-se precisamente à escala da mudança na segunda metade do século XX. Ficámos mais ricos, e deixámos de ter a demografia de um país subdesenvolvido (morremos e nascemos menos), e é essa mesma demografia de país civilizado que nos cria um problema de sustentabilidade da segurança social; o país "modernizou-se", tornando obsoleta uma parte significativa da população, inadaptada ao novo mundo, criando um magote de gente condenada à inactividade para o resto da vida (e oneroso para o Orçamento, ou seja, para os que mal ou bem se vão adaptando); habituou (mal) os portugueses a níveis de vida "europeus" (ou que eles imaginam "europeus"), que nos convidam ao endividamento em massa e nos deixam os défices orçamentais conhecidos.
Mas se o país mudou assim tanto, porque é que os queixumes dos tais "autores eternos" nos parecem "desconcertantemente actuais"? Por que é que, ao lermos Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão ou Oliveira Martins (o melhor deles todos) a coçarem a "piolheira" ou a descreverem o "regabofe" (bonita palavra), achamos vagamente familiar aquilo que eles escrevem? Esta é, aliás, uma pergunta que atormenta muita gente muito louvável, como a dra. Filomena Mónica, que até a coloca a jovens com pretensões a intelectual para os avaliar (a pobreza do que a seguir direi mostra por que razão optei por ser avaliado pela resposta a outra pergunta completamente diferente).
Há uma resposta, ligeiramente prosaica, mas não menos verdadeira por isso: Eça de Queiroz e Oliveira Martins eram muito bons. A simples qualidade dos dois rapazes faz com que aquilo que eles escrevem, embora sobre uma realidade completamente diferente, nos pareça descrever o Portugal dos nossos dias. Há depois, claro, uma outra explicação óbvia: a prosa violenta daquela gente fornece-nos um instrumento para criticar os nossos políticos, coisa que agrada particularmente ao português médio. Ao ler As Farpas ou o Portugal Contemporâneo (mais no Portugal Contemporâneo que n'As Farpas, um abracinho se as compararmos com o primeiro) é impossível não achar que há ali uma descrição dos políticos que vem matar a nossa sede de maledicência e a nossa vontade de atacar quem nos governa. E há, depois, a explicação mais importante, a de que, por muito que tenhamos mudado, continuamos atrasados em relação "ao estrangeiro". Uma prosa dedicada à constatação (e lamento) dessa realidade há mais de um século, mesmo sendo de há mais de um século, espelha um sentimento (e não uma uma realidade) que ainda hoje perdura.
Sentimento esse que existia no século XIX, existe hoje, e existirá no futuro (não digo "sempre", mas pensei), pela simples razão de que, como em tempos escreveu Vasco Pulido Valente, não estamos atrasados, somos atrasados. O que nos conduz à razão final pela qual a prosa da "Geração de 70", ou a de todos os que fizeram o nome a queixar-se da pátria, nos parece sempre "actual": há uma condição "natural" portuguesa que impede o país de a "desactualizar". De certa forma, Oliveira Martins ou Eça de Queiroz (ou Pulido Valente) não alcançaram um grande feito ao conseguirem ser "actuais" ao falarem do nosso "atraso". Portugal é um país "naturalmente" pobre, sem grandes recursos e geograficamente mal colocado (nem toda a gente pode viver no Reno ou na Escandinávia), demasiado afastado do centro da Europa para beneficiar da sua prosperidade mas suficientemente perto para sentir a necessidade de se comparar com ela, Portugal é um país no qual quem lá vive tem ao mesmo tempo consciência da sua pobreza relativa e a expectativa de se aproximar dos "padrões" da vizinhança rica. Uma prosa dedicada à insatisfação com semelhante condição está condenada a ser "actual": seremos sempre "pobres" se nos compararmos com as Bélgicas do dia (como hoje tendemos a falar da Finlândia ou da Irlanda, no século XIX era a Bélgica o exemplo predilecto do que "poderíamos ter sido se..."), e continuaremos sempre à espera que o Estado cubra essa diferença que nos atormenta, o que não só fará com que continuemos sempre insatisfeitos com os nossos políticos (por muito que isso nos custe, o Estado não pode mudar a realidade), como assegurará também que "o défice" seja, como era no século XIX e é hoje, a grande dor de cabeça da política portuguesa.
Ler Eça de Queiroz e Oliveira Martins e dizer que Portugal "não mudou assim tanto" desde o século XIX mostra apenas que o que de facto não mudou foi a imbecilidade de grande parte da nossa "inteligência". Estes dois autores apenas nos parecem (e sublinho o "parecem") "actuais", porque, por muito que o país tenha mudado (e mudou), continua a ser "atrasado", quando comparado com uma qualquer Bélgica ou Irlanda. E continuarão a parecer "actuais", pela simples razão de que Portugal, por muito que venha a mudar, não mudará tanto como gostaríamos. Ou talvez porque venha a mudar, para pior, mais do que tememos que mude.
Posted by Bruno at 11:56 PM
julho 11, 2009
Lido

Posted by Bruno at 09:55 PM
julho 10, 2009
"I am standing directly beneath the enemy's scrotum."
Via The American Scene, descubro um divertidíssimo post acerca do novo Transformers 2. Não vi o filme, não tinha vontade de o ver, e acreditar no post, não perco nada, a não ser uma série de peripécias incoerentes e sem o mínimo de nexo. Mas fartei-me de ir a ler o texto.
Posted by Bruno at 09:58 PM
julho 09, 2009
Problemas Sem Solução
No Público de ontem, Teresa de Sousa escrevia acerca da reunião do G8, perguntando se "chegou o momento de o G20 substituir o G8". Esta dúvida é reflexo de uma outra ideia, muito comum na "inteligência", e evidente, por exemplo, na ideia de reformar (ou seja, alargar) o Conselho de Segurança. Como costuma acontecer nestas coisas, a ideia é tão comum como errada (e tanto mais errada quanto mais comum). Teresa de Sousa e aqueles que concordam com ela tendem a pensar que os problemas internacionais não têm tido solução porque falta uma "arquitectura institucional" internacional capaz de lhes dar resposta, e que, uma vez concebida essa "arquitectura", a "governança global" (desculpem o insuportável jargão) será então possível e eficaz. O facto de termos já uma "arquitectura institucional global" que não resolve os tais problemas internacionais não desmoraliza esta gente. Para eles, isso é apenas sinal de que as instituições internacionais do pós-guerra estão desactualizadas. Daí as propostas de "alargamentos" do G8 a G20 (para acolher as "novas potências", que não são tão "potentes" assim, diga-se de passagem) e do Conselho de Segurança da ONU (para reconhecer o novo "equilíbrio de poder"). Ao trazer os tais "novos actores mundiais" (mais uma vez, peço desculpa pela linguagem) para a mesa, esperam Teresa de Sousa e os que com ela concordam, será possível "coordenar" políticas "globais" que respondam aos "problemas globais" que hoje enfrentamos. Não lhes ocorre que não existam "respostas globais" a esses problemas, por não haverem respostas globais. Não lhes ocorre que todas essas "potências", "emergentes" ou não ("potentes" ou não), têm interesses diferentes, que fazem com que cada uma delas dê respostas diferentes que impedem uma tal solução "global". Alargar o "G" ou o Conselho de Segurança não fará com que estas instituições dêem respostas mais correctas. Apenas alargará o número de "actores" a discordarem uns com outros. Teresa de Sousa pergunta se "chegou o momento de o G20 substituir o G8". Porque não? O resultado não seria muito diferente.
Posted by Bruno at 05:26 PM
julho 07, 2009
A Ler
O interessante artigo de Charles Nevin acerca de como somos vigiados nas cidades modernas, ainda mais meritório pelo facto de conseguir falar neste assunto sem mencionar as palavras "Big" e "Brother".
Posted by Bruno at 06:41 PM
julho 06, 2009
Os Últimos Dias Do "Socratismo"? (publicado no Insurgente)
Não deixa de ser curioso que, tal como até há uns meses toda a comunicação social se entretinha a falar da "invencibilidade" de Sócrates e da inevitabilidade da sua reeleição, hoje não exista comentador que não diga que Sócrates está "acabado". A "epidemia" da imagem "socrática" atingiu o seu ponto de viragem: durante anos, foi-se espalhando, e parecia que poucos lhe estavam imunes; até que um dia, a coisa começou a desvanecer, e uma outra "epidemia" substituí-a, desta vez uma "epidemia" vagamente "anti-socrática", que leva muitos dos que até ontem estavam apaixonados pelo "animal feroz" a, hoje, acharem que estamos a viver os últimos dias do "socratismo".
De facto, vivem-se dias de "fim de regime": o desnorte do Governo, recuando em políticas "simbólicas" apenas por terem percebido que não seriam eleitoralmente vantajosas, o aparentemente amolecimento da mão férrea com que Sócrates domesticara o partido, os lamentos de Lino acerca da sua excessiva velhice para estar no Governo, e a despropositada histeria em torno dos famosos "corninhos" de Manuel Pinho, tudo isto mostra como se instalou, até no PS e no Governo, a ideia de que, a 27 de Setembro, Sócrates perderá as eleições.
Nas hostes do PSD e na cabeça daqueles que, pura e simplesmente, odeiam o primeiro-Ministro (um sentimento absolutamente compreensível e quase universalmente partilhado), começou a surgir um sentimento de um certo optimismo e a ideia de que até é possível que Manuela Ferreira Leite e o PSD consigam uma maioria absoluta nas próximas legislativas. Não quero estragar a festa a este pessoal, tão necessitado de alegrias, e eu próprio sou dado a entusiasmos destes. Mas também acho que ainda muita tinta vai correr, e que é precisamente o facto de vivermos num clima de "fim de regime" do PS que tornará as coisas mais difíceis para o PSD.
Os momentos finais da decadência de um regime são aqueles que se tornam mais caóticos. Como dizem os americanos, all bets are off: a anarquia instala-se, e ninguém tem controlo sobre o que se passa. Os dias de "fim de regime" são os mais violentos. É claro que os próximos meses não vão trazer uma revolução, e duvido que os militantes do PS se envolvam em confrontos nas ruas com elementos da oposição. Afinal, Portugal não é Teerão, e a rapaziada dos partidos aprecia tanto a dependência estatal que nem para andarem à pancada têm um mínimo de iniciativa.
Mas, se é verdade que não vai haver sangue na campanha, vai haver muita "sujeira", como dizem os nossos amigos brasileiros. Vai haver muita mentira, muitas acusações mútuas, muita demagogia. O PS não hesitará em deturpar a mensagem eleitoral do PSD, e Manuela Ferreira Leite e os restantes responsáveis do PSD dificilmente deixarão de responder agressivamente. O desespero dos militantes socialistas, temendo perder os "empregos" que o poder traz consigo, fará com que o Estado, nas mãos do PS, seja usado como instrumento de campanha, o que levará o PSD (e os outros partidos), a radicalizarem (com toda a razão) a sua retórica anti-socialista. E o envolvimento de Sócrates em casos judiciais pouco abonatórios da sua pessoa não vão contribuir muito para pacificar o ambiente.
O espectáculo não vai ser bonito. E isso pode vir a beneficiar o PS, por estranho que possa parecer. Em primeiro lugar, pode excitar os sentimentos tribais daqueles que, embora desiludidos com a governação socrática, não gostam de ver "um dos seus" a ser "atacado" por "eles". E em segundo lugar, e talvez acima de tudo, porque irá confirmar na cabeça de muitas pessoas a ideia já de si muito negativa que têm da política e dos políticos. Uma campanha especialmente violenta, especialmente degradante (e a polémica em torno dos "corninhos" de Pinho não deixa antever nada de muito diferente), certamente convencerá ainda mais gente a, pura e simplesmente, não votar, deixando a eleição para os "fiéis" (favorecendo assim um PS que, por estar no Estado, o pode usar para fidelizar apoio).
Para além do mais, uma campanha conduzida nesses termos será especialmente favorável a partidos mais confortáveis com o uso da demagogia e do populismo, como o CDS/PP, o BE e o PCP, o que custando alguns votos ao PS, fará também com que o descontentamento com a governação de Sócrates se disperse por estes partidos, em vez de se concentrar no PSD. Este é um aspecto que muita gente parece ter alguma dificuldade em perceber: nestas eleições o PSD não compete apenas com o PS pelo voto útil, nem apenas com o CDS pelo voto "à direita"; compete também com a extrema-esquerda pelo voto de protesto. É por isso que o ódio generalizado ao Primeiro-Ministro, e a retórica "quente" que ele provoca em todos os lados da discussão, poderão acabar por favorecer o próprio Sócrates. E é por isso que eu temo que a alegria provocada pela percepção de que daqui a uns meses estaremos livres dele, embora compreensível (quem não a compreende?), seja talvez um pouco prematura.
Posted by Bruno at 06:51 PM
julho 05, 2009
No Leitor de DVD

Posted by Bruno at 09:34 PM
julho 04, 2009
O Post Anual Deste Dia

Posted by Bruno at 05:31 PM
julho 03, 2009
Sócrates e a "Fortuna"
Ontem, na Quadratura do Círculo (Flashback, para os saudosistas, e Tempo de Antena, para António Costa), o Presidente da Câmara de Lisboa, num daqueles momentos de falta de vergonha que, quando se trata da personagem, nunca escasseiam, disse que "a única" (imagine-se, a única) coisa que "correu mal" ao Governo foi "a sorte" (por, claro, não ter tido). Pacheco Pereira, que leu uns livros, logo exclamou: "a Fortuna". António Costa, que leu menos (para ser simpático) não percebeu. E Pacheco Pereira, infelizmente, não explicou. Assim, o autarca lisboeta ficou sem saber que a "Fortuna" é um elemento que Niccolo Machiavelli, esse senhor que todos conhecem (mal) tratou no seu famoso O Princípe.
Se tivesse lido o livro (e compreende-se que tenha ficado pelos resumos, porque O Princípe não é das leituras mais agradáveis), António Costa saberia que, se há coisa com a qual um político não deve desculpar o seu fracasso, é com a "Fortuna". Para Machiavelli (perdoem-me se não "traduzo" o nome do senhor), a "Fortuna" era "como um daqueles rios" que "se encolerizam e inundam as planícies em redor, destroem árvores e casas, tiram de um lado da terra para dar de outro", e "diante" dos quais "todos fogem" e "cedem", "sem nada poder fazer para os conter". No entanto, ela é também como uma "mulher", que, para se "conservar submissa", é necessário "espancar" e "violar" (o homem não estava, de facto, em sintonia com as agudas sensibilidades dos nossos tempos). Ou seja, vendo a "Fortuna" como algo difícil de enfrentar, Machiavelli achava que, em certa medida, ela poderia ser "controlada". Se é verdade que uma vez "encolerizado", o rio da "Fortuna" não vê obstáculo ao seu "furor", é também verdade que, "quando o tempo está calmo", "os homens não deixam de ter a liberdade de construir muralhas e diques", para lhe "conter o furor" e permitir que os estragos "não sejam tão ruinosos". A Itália, pensava Machiavelli, havia sido "a sede das revoluções" por ser "um campo sem diques nem muralhas", e assim sem meios para fazer frente à "cheia".
António Costa acha que o Governo teve o azar de apanhar pela frente a "cheia" da crise internacional, que terá impedido Sócrates de colher os frutos das suas "reformas". O problema é que essas "reformas" não foram reformas nenhumas: Sócrates sofreu o "furor" da "cheia" porque não se preparou para ela nos "tempos calmos". De facto, não controlou o défice: mascarou uma despesa cada vez maior com uma carga fiscal ainda mais pesada. Não mudou nada na Segurança Social: adiou o rebentar do balão das pensões. Não mudou nada na forma como o Estado se relaciona com os cidadãos: berrou contra os "interesses" ao mesmo tempo que tudo fazia para não os ofender. O resultado final foi apenas o empobrecimento relativo dos portugueses no presente, sem lhes dar condições para que no futuro possam vir a alterar essa condição.
Quando chegou a crise, o país estava ainda mais frágil (e não "melhor preparado", como pretendiam Sócrates e os seus aguadeiros) do que os outros para a enfrentar. Em vez de construir diques, deixou os campos abertos e destruíu as poucas muralhas que ainda tínhamos. Quando veio a "cheia", Portugal estava vulnerável ao seu "furor". António Costa pode achar que a "única" coisa que correu mal ao Governo foi a "sorte" que não teve. O facto de não ter conseguido lidar com essa falta de sorte é a prova de que tudo correu mal, pois nada do que o Governo fez nos "tempos calmos" foi capaz de nos proteger da "cheia". Sócrates e o PS não se podem queixar dessa caprichosa senhora que é a "Fortuna", pois o mero facto de se queixarem mostram que fracassaram, que foram incapazes de "a conservar submissa". Por causa desse fracasso, vamos ter agora de lhe bater com ainda mais força. Não será agradável, especialmente para nós.
Posted by Bruno at 04:47 PM
julho 02, 2009
O Governo e a Realidade
O senhor meu pai costuma dizer que não é difícil deixar de fumar: ele próprio o fez várias vezes. A crer nas declarações de vários dos nossos Ministros ao longo dos últimos anos, também não é difícil sair da crise que nos tem afectado desde (pelo menos) 2001: pelos vistos, já conseguímos sair dela várias vezes. O último a anunciá-lo foi o actual Ministro das Finanças Teixeira dos Santos. Aparentemente, terá havido um "aumento da confiança" dos "agentes económicos" (peço desculpa pela linguagem), que mostra como o pior já esteja para trás. Não ocorre ao senhor Ministro que esse "aumento de confiança" possa ser injustificado, que não passe de uma avaliação errada da parte dos tais "agentes", e que como tal, não é, só por si, "sinal" do que quer que seja. E se houve coisa que a "crise internacional" mostrou foi como nós, seres humanos, somos por natureza cegos a grande parte da realidade, e temos "confiança" em muita coisa que não a merece.
Para algumas cabecinhas pouco ajuízadas, como a do Carlos Abreu Amorim, ficaram espantadas com o facto de tais declarações virem de um "bom ministro" (uma espécie análoga ao "bom alemão" do tempo da II Guerra) como supostamente será o das Finanças. Só espanta como alguém pode ficar espantado por Teixeira dos Santos. dizer o que disse. Pois foi este mesmo "bom ministro" que, há mais de um ano, disse que Portugal ia passar ao lado da crise internacional. Aliás, estas declarações mais recentes de Teixeira dos Santos não mostram apenas um "optimismo" insuficientemente justificado: são, isso sim, mais um sinal de como, pelo menos desde 2008, a conduta do Governo se pautou, a todos os níveis, pela mais compelta insensatez, e entrou no domínio do patológico. É que, bem vistas as coisas, estas declarações mostram o nível de demência que parece ter assaltado os membros do Governo. De facto, já nem para si próprios conseguem ser bons.
Desde o seu início que este Governo, representada na figura viscosa do seu Primeiro-Ministro, não passou de um anúncio publicitário. Durante anos, quis convencer as pessoas de que estava a fazer tudo, sem, na realidade, fazer nada. Quis fazer crer as pessoas de que Portugal estava a sair da "crise", e com muita manipulação, lá conseguiu iludir os mais crédulos (que, a crer nas sondagens, eram abundantes). Como vária gente sensata disse, a crise internacional veio desfazer o encatamento, e mostrar às pessoas o que o Governo escondia por trás do véu que deitou sobre a realidade.
Quando a crise internacional se abateu sobre o país, ou melhor, quando ela ainda apenas ameaça abater-se, o Governo reagiu perante ela da única forma que conhece: com propaganda, procurando manipular as pessoas. E começaram a dizer que as políticas dos últimos anos nos preparavam como nenhum outro país estava preparado para enfrentar a crise. Como era evidente, independentemente dos méritos (poucos) das políticas governamentais, independentemente de terem ou não preparado o país para semelhante crise (não prepararam), uma crise internacional a economia dos nossos parceiros europeus, o que por sua vez afectaria as nossas exportações, sobre as quais assentavam as previsões (já de si muito optimistas) do Governo. Ou seja, era evidente que, por muito bem preparado que o país estivesse (e não estava, como se viu), a pobreza congénita do país o tornaria mais frágil que a maioriza dos nossos vizinhos.
O governo não podia acreditar no que dizia. E portanto, tais declarações só podiam ser compreendidas como exercício de propaganda. O que, no entanto, não as torna mais compreensíveis. Perante dificuldades como as que os portugueses sentem todos os dias, risonhas declarações como as de Teixeira dos Santos encontram uma audiência pouco receptiva: as pessoas, se pararem dois minutos para pensar e olharem para a realidade, não acreditarão no que o Ministro lhes diz. E mesmo que acreditem, não se percebe o que leva o Governo a dizer coisas dessas a seguir. Pois os seus Ministros certamente percebem que o que dizem não é verdade, e que quando a realidade bater à porta (se é que não já entrou pelas nossas casas), à medida que as delirantes previsões do Governo são constantemente revistas ("em baixa", obviamente), quando os portugueses perceberem que as "reformas" socráticas não preparam o país para uma situação de crise, o sentimento de ilusão que tais declarações procuram comprar terá de ser pago a dobrar. Que, à beira das eleições, a percepção quotidiana da realidade da crise custará ao PS o apoio eleitoral das pessoas que ainda vão acreditando no que Sócrates lhes diz. O Primeiro-Ministro e o Governo não lucram nada em esconder a realidade dos cidadãos. O problema é que Sócrates já está tão habituado a recorrer à propaganda sempre que se vê num aperto, que não só não conhece outra forma de agir, como parece já nem ser capaz de distinguir a realidade da doce fantasia que criou a partir de São Bento. O que as declarações de Teixeira dos Santos mostram, como já haviam demonstrado em 2008, é que, com a sua propaganda, o Governo não só está a tentar enganar os cidadãos, como se está a enganar a si próprio. Mostra como o Governo olha para tudo, menos para a realidade. Pior é impossível.
Posted by Bruno at 04:36 PM