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março 31, 2009
A Ser Lido

Posted by Bruno at 10:08 PM
março 30, 2009
Colhe-se O Que Se Semeia
Parece que Alberto Martins, líder parlamentar do PS, na abertura das Jornadas Parlamentares do seu partido, usou umas declarações de Pedro Santana Lopes acerca de Manuela Ferreira Leite para criticar a líder do PSD. "Por uma vez", Martins concorda com Santana, quando este disse que "a maneira de governar da drª Manuela Ferreira Leite castiga, desmoraliza e deprime e o que ela defende para Portugal é o contrário do que Portugal precisa". É triste ver Alberto Martins, que ainda vive dos rendimentos de um dia ter tido uma atitude de coragem na Coimbra dos anos 60, a prestar-se a desempenhar o degradante papel de aguadeiro de José Sócrates. Mas é ainda mais triste e deprimente constatar que Manuela Ferreira Leite é principal culpada por sofrer ataques destes. Ao ter escolhido Santana Lopes para ser o candidato do PSD a Lisboa, sabe-se lá por que razões (todas as concebíveis eram más), Ferreira Leite estava a "pôr-se a jeito" para "levar" com ataques destes. Ainda por cima, com uma comunicação social ainda mais servil que Alberto Martins, ela poderá ter a certeza que todos estes ataques terão direito a bastante tempo de antena. Por muito triste que seja, a verdade é que Ferreira Leite está apenas a colher o que semeou.
Posted by Bruno at 10:38 PM
março 29, 2009
No Fora.tv
Numa altura em que a estratégia do Presidente americano Barack Obama para o Afeganistão foi tornada pública, vale a pena ver esta conferência do General Petraeus, em que ele discute, entre outras questões, qual o caminho que deve ser seguido no Afeganistão, para que os objectivos da presença milityar ocidental na região sejam bem sucedidos.
Posted by Bruno at 09:18 PM
março 27, 2009
Solaris
No The American Scene, descobri uma discussão sobre Solaris, o filme de Steven Soderbergh, no The House Nextdoor, entre Jason Bellamy e Ed Howard. Tendo gostado bastante do filme, tendo a concordar com Bellamy: ele tem razão quanto ao que é o tema central do filme ("Soderbergh's film stops being a question of if this is really happening and, through its romance, the film quickly becomes an ethical examination of what to do about it. If the same events unfolded on Earth, insanity would be the root of Rheya's appearance to Kelvin in the first place. Here, Kelvin is fully sane when Rheya arrives, and the debate becomes whether or not he should willingly and knowingly give himself over to the insanity of pretending that this faux Rheya is the real thing (...) Kelvin, who clearly has an inkling of what he might encounter at the space station, finds himself struggling to reconcile the difference between what he knows to be untrue and what he desperately wants to be real. As I said earlier, Kelvin's ethical dilemma is whether to give in to the illusion. One might compare his struggle with that of an addict who knows that the right thing to do is to stay clean but that greater pleasure might be found in a drug-fueled haze. Human nature attracts us not to what's "right" but to what feels best. In this case, human nature draws Kelvin to something that isn't human"), e quanto aos méritos do filme em geral, e da interpretação de Clooney em particular ("It reveals long before Michael Clayton how fascinating it can be to watch a George Clooney character think"). Mas toda a discussão merece ser lida, até porque acaba por não ser apenas uma discussão sobre Solaris, mas também sobre outros filmes, e até sobre o cinema, a nossa capacidade para contar uma história, e que efeito têm elas em nós.
Posted by Bruno at 11:06 PM
março 26, 2009
O Governo e os OffShores
De há uma semanas para cá, o Governo quase não consegue passar um dia sem falar dos off-shores" e da necessidade de acabar com os ditos. A crer nas palavras do Ministro das Finanças, só assim se poderá garantir que não haja a "falta de regulação" que "criou a crise". O Governo sabe que, em tempos de crise, a exploração do ressentimento daqueles que associam riqueza a vigarice é um bom meio de atrair votos. Ainda por cima, a palavra offshore, por ser "em estrangeiro", ainda pode ser dita com mais asco, para ir ao encontro dos corações dos ressentidos. Mas se o Governo pensasse para além das eleições, certamente se preocuparia com outras coisas. "Acabar com os offshores" não resolveria grande coisa: não consta que a crise que nos afecta tenha começado nas Ilhas Caimão. Ainda para mais, em Portugal, a obsessão do Governo com este tema só serve para piorar as coisas: por um lado, no seu apelo ao ressentimento social, serve para esconder as verdadeiras causas do empobrecimento dos portugueses, que era anterior a esta crise. E por outro, serve para esconder que o Governo não está a fazer nada para defrontar os verdadeiros problemas que a economia portuguesa enfrenta.
Posted by Bruno at 02:43 PM
março 25, 2009
Woody Allen

Na New Yorker, Woody Allen publica um pequeno conto acerca de dois homens que morrem e reencarnam em lagostas que serão servidas a Bernard Madoff.
Posted by Bruno at 10:34 PM
março 24, 2009
No Ordem Livre
Escrevi há dias um texto sobre a mentira política.
Posted by Bruno at 11:47 PM
A Europa Precisa de Bom Senso, Não de Visão
Na sua crónica no Público, Rui Tavares, já em campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, critica a falta de "visão" de Durão Barroso enquanto Presidente da Comissão Europeia: seria bom que Durão, mesmo que "não chegasse a ser um Barack Obama", "ao menos conseguisse ser um Jacques Delors", e Rui Tavares lamenta que tal não aconteça. No Blasfémias, por sua vez, Pedro Madeira Froufe critica Rui Tavares por desvalorizar Delors, a quem "a história regista obra feita", enquanto Barack Obama não passa (por enquanto) de "uma esperança em construção" (e acrescentaria eu, uma desilusão à espera de acontecer).
Independentemente deste pequeno desacordo, um e outro concordam quanto a Delors ter sido um político de visão, e que seria alguém como ele que a "Europa" precisava, em vez de Durão. Não querendo defender o nosso ex-Primeiro-Ministro (longe de mim dizer que a "Europa" precisa de um oportunista que põe a sua ambição pessoal à frente de tudo o resto), não me parece que um "novo Delors" fosse o ideal para a Europa. Quanto mais não seja porque o original também não foi grande coisa.
Os lamentos de Rui Tavares são corriqueiros. É comum ouvir-se falar com saudade dos tempos de ouro de Delors, Kohl e Mitterrand, líderes com uma "visão" para a "Europa", que contrastam com os "cinzentos" líderes de hoje, excessivamente concentrados nos seus respectivos "interesses nacionais". Mas será que esta visão da história recente é correcta?
Seria bom começar por notar que ela ignora a diferença entre as circunstâncias actuais e aquelas com que tiveram de lidar Delors, Kohl e Mitterrand. Pois é muito mais fácil "unir" a "Europa" em torno de uma política aduaneira comum, em torno de um mercado livre entre os seus membros, do que em torno de uma política externa comum, por exemplo, como exigem hoje a Brown, Merkel e Barroso, os que choram de saudade pelos homens de 1992. Aliás, se aplicarmos a esses homens a exigência que fazemos aos líderes políticos de hoje, acabaríamos por acusá-los da mesma ineficácia, da mesma "ausência de pensamento estratégico", dos mesmos "egoísmos nacionais". Pois tal como Blair, Schroeder e Chirac se dividiram quanto ao Iraque, também os homens dos anos 90 se dividiram quanto à Jugoslávia, por exemplo.
E quanto à questão institucional? Dirá o leitor que, enquanto Brown, Merkel e Sarkozy não conseguem sair do "impasse" em torno da "Constituição" Europeia, os saudosos Kohl, Mitterand e Delors conduziram a "Europa" num processo de acentuada (e bem sucedida) integração, com o Acto Único Europeu, a Moeda Única e o Tratado de Maastricht. Mas também essa visão ignora que é bastante mais fácil a proclamação de intenções e o traçar de metas ambiciosas (como uma política externa comum, prevista em Maastricht, ou o caminho para uma união política, traçado pelo Acto Único) do que o será estabelecer os arranjos institucionais que as permitam serem passadas à prática. Mais: são as próprias ambições delineadas por esses grandes "líderes" da Europa que conduzem ao "impasse" de hoje. É o facto de Kohl, Miterrand e Delors não terem percebido que as metas que traçaram eram demasiado ambiciosas para serem adoptadas com sucesso que abriu a estrada para os "dilemas constitucionais" que hoje se enfrentaram. E esse facto, se ocorresse aos que choram pelo desaparecimento dos santos da "Europa" dos 10/12, seria suficiente para desfazer o mito que alimentam, e que os conduz a uma tão deficiente compreensão dos problemas que a UE enfrenta actualmente e de como os poderá solucionar.
A "Europa" não precisa de "visão". Precisa, acima de tudo, de bom senso. De prudência. De olhar para a sua actual composição, e perceber como se pode estruturar. À disposição dos líderes europeus de hoje, estão dois caminhos possíveis. Um, a construção de uma União Europeia assente num "mínimo denominador comum" entre os interesses dos seus 27 (ou mais) Estados-membro, em que os respectivos parlamentos nacionais (ou entidades regionais) tenham a última palavra a dizer sobre o maior número de matérias possíveis. Em alternativa, uma visão mais "maximalista", com um arranjo institucional que, através de um alargamento do número de áreas sujeitas a votação por maioria qualificada, permita "políticas comuns" à revelia da vontade de uma parte dos Estados-membros, à revelia das opções dos governos eleitos pelos respectivos cidadãos. O primeiro caminho será menos ambicioso, certamente não fará da "Europa" uma "potência rival" dos EUA, mas será bem mais prudente e constituirá um garante de estabilidade institucional. O segundo será mais ambicioso, mas implica um maior potencial de conflito institucional, que poderia pôr em perigo, não só essas grandes ambições de que vivem os sonhos dos europeístas mais excitados, como a própria UE e a cooperação entre os países europeus.
Posted by Bruno at 12:12 AM
março 21, 2009
Nas Livrarias

Já está nas livrarias o primeiro livro do meu amigo Paulo Rodrigues Ferreira. Sou obviamente suspeito, mas recomendo.
Posted by Bruno at 10:12 PM
março 20, 2009
Quando Se Pensa Que Batemos No Fundo, Lá Se Cava O Buraco Mais Um Bocadinho
Ontem, em conversa, eu dizia que há alturas em que penso se o estado do país é realmente tão mau como eu tendo a achar que é ou se não haverá um exagero da minha parte, mas acaba por acontecer sempre qualquer coisa que apenas confirma a minha má impressão inicial. Este anúncio da Antena 1 é apenas mais um exemplo de como quando se pensa que batemos no fundo, lá aparece alguém que consegue cavar um bocadinho mais no buraco. É óbvio que é perfeitamente legítimo dizer-se que as manifestações só servem para chatear "quem quer chegar a horas" ao sítio para onde se está a deslocar. Eu, por exemplo, sempre que há uma manifestação, nunca fico muito agradado com o incómodo que estas, objectivamente, pretendem causar. E acho que, tal como essas pessoas têm todo o direito de se manifestarem, eu tenho todo o direito de dizer que essas manifestações são "contra os que querem chegar a horas". Mas as minhas diatribes de desagrado não são pagas pelos contribuintes. Não são pagas pelos impostos das pessoas que fazem essas manifestações. O mesmo não se pode dizer da publicidade da Antena 1. É pura e simplesmente vergonhoso, e mais um claro sinal da degradação da nossa democracia, que uma estação de rádio pública faça um anúncio publicitário, pago pelos impostos dos portugueses, que não passa de um tempo de antena do Governo que a tutela, e que poderá ser transmitido em horários não permitidos aos dos restantes partidos. Até chega a ser chocante como este anúncio da Antena 1 faz lembrar aquelas cenas dos velhos filmes portugueses do tempo do Estado Novo, sempre com pequenas menções ao "serviço" que Salazar prestava ao país. Por muito deprimente que o possa ser, Portugal está mesmo cada vez mais parecido com o país de outros tempos. E o pior é que, tal como das outras vezes em que se poderia pensar que não seria possível cair mais, temo que a tendência seja para a coisa piorar.
Posted by Bruno at 06:23 PM
março 19, 2009
A Ouvir
No Ordem Livre, a entrevista que o Diogo Costa fez a João Carlos Espada.
Posted by Bruno at 06:18 PM
março 18, 2009
Sobre o Debate na Assembleia
É cada vez mais triste o espectáculo que o Primeiro-Ministro oferece aos (poucos, certamente) portugueses que assistem aos seus debates quinzenais na Assembleia da República. Na sua senda propagandística, o homem é pura e simplesmente incapaz de ir à Assembleia prestar contas àqueles de cuja confiança depende, é incapaz de ter o mínimo de decência e sentido das suas responsabilidades. Obcecado com as eleições que se avizinham, não consegue ir à Assembleia sem levar consigo um panfleto de campanha eleitoral, repleto de medidas que visam apenas a obtenção de mais uns votos daqui a uns meses. E não contente com o nível de desprezo pelos portugueses e as suas dificuldades que isto, já de si, revela, o Primeiro-Ministro José Sócrates ainda se entretém a insultar os deputados dos outros partidos, confirmando, na mente dos que estão a ver a festa, a ideia de que os políticos "passam a vida" a "dizer mal uns dos outros", e que "não querem saber das pessoas". De cada vez que vai ao Parlamento, José Sócrates dá uma contribuição para o cada vez mais acentuado descrédito da política em Portugal. Imagino que não seja coisa que o preocupe, o que apenas torna mais grave ainda a conduta do Primeiro-Ministro.
Posted by Bruno at 11:13 PM
março 16, 2009
O Exemplo Sueco (publicado no Insurgente)
Na sua última crónica no Expresso, o Henrique Raposo diz, com toda a razão, que "Portugal deveria olhar" para o exemplo da Suécia, que, nos anos 90, em resposta a uma grave crise financeira, nacionalizou os bancos mas de seguida promoveu uma série de reformas liberalizantes na saúde, educação e segurança social. Já há alguns meses, eu havia escrito o mesmo aqui: se seguirmos o "exemplo" apenas pela metade, iremos acabar por ter de lidar com o empobrecimento generalizado das populações. Se, no entanto, prestarmos atenção ao que a Suécia fez, não apenas em 1992, mas ao longo de todos os anos 90, talvez tenhamos uma oportunidade de escapar a esse fim. Infelizmente, parece que estamos a escolher a primeira hipótese.
Posted by Bruno at 11:27 PM
março 15, 2009
A Ler
No Washignton Post, uma entrevista a Nassim Nicholas Taleb, o autor do livro The Black Swan.
Posted by Bruno at 10:54 PM
março 13, 2009
Darwin Awards
No Fora.tv, Wendy Northcutt fala acerca dos Darwin Awards.
Posted by Bruno at 10:26 PM
março 12, 2009
Gran Torino

Quando a mulher de Walt Kowalski (Clint Eastwood) morre, os seus filhos ficam sem saber "o que fazer com o pai", preocupados com o facto de ele, um veterano da Guerra da Coreia, intratável e propenso a tiradas racistas, viver num bairro repleto de emigrantes. E de facto, Kowalski parece pouco confortável na convivência com os seus vizinhos. Mas quando o jovem Taoh (Bee Vang) e a sua irmã Sue (Ahney Her), são ameaçados pelo gang de um primo, Walt irá protegê-los (apesar de Taoh ter tentado roubar o seu Ford Gran Torino), tornando-se um herói para a comunidade hmong do seu bairro. À medida que a amizade entre Kowalski e os seus vizinhos cresce, crescerá também no entanto a sensação de que algo de terrível estará para acontecer.
Gran Torino tem sido visto como uma espécie de "revisão" de Dirty Harry, como se Eastwood estivesse a olhar para a sua velha personagem e pedisse desculpa por este fazer justiça pelas próprias mãos. De facto, Gran Torino é sobre um homem que "faz justiça" com "as próprias mãos". Mas, por isso mesmo, não tem nada a ver com Dirty Harry, pois este, ao contrário do que é costume dizer, fazia tudo menos "justiça pelas próprias mãos". Harry Callahan era, pura e simplesmente, um homem que fazia o seu trabalho, proteger os inocentes das ameaças dos criminosos. De forma pouco convencional e pouco preocupada com "as regras", mas o seu trabalho. Não era propriamente o "justiceiro solitário" que geralmente é usado para caracterizar essa personagem. Mas é verdade que Eastwood está a olhar para trás, a pegar em velhas personagens suas, mas, longe de pedir desculpa por elas, faz uma reafirmação do que já antes havia dito com elas. Eastwood não está a pegar em Dirty Harry e a dizer que ele estava errado, mas antes a pegar numa série de personagens, e sem as mudar, a pô-las noutras situações.
Na realidade, se há filmes de Eastwood aos quais Gran Torino se assemelha, não é nenhum dos de Dirty Harry, mas sim The Outlaw Josey Wales, Honkytonk Man, Pale Rider (um filme poucas vezes mencionado mas que talvez seja dos melhores de Eastwood), Unforgiven e Million Dollar Baby. Tal como todos estes filmes (e quase todos desde Josey Wales), Gran Torino gira em torno da relação entre uma figura paternal e a sua "família adoptiva" e "acidental", e a tragédia que geralmente se abate sobre eles. Tal como em Million Dollar Baby, é com essa "família adoptiva" e "acidental" que uma verdadeira relação familiar tem lugar (Kowalski chega mesmo a dizer, não sem alguma repugnância, que se sente mais próximo "destes chinocas" do que dos seus próprios filhos). Tal como o Red de Honkytonk Man, o Will Muny de Unforgiven, ou o Frankie de Million Dollar Baby, Walt é um homem atormentado pelo passado que não quer que os mais novos, os seus "filhos adoptivos", repitam os seus erros ou tenham de passar pelo que ele passou. Tal como em Honkytonk Man, Clint Eastwood representa o papel de um homem doente (quem tenha visto esse filme não estranhará a tosse e o sangue de Walt) que tenta "fazer um homem" do jovem que o segue. E, tal como em The Outlaw Josey Wales e Pale Rider, Eastwood é um herói relutante, alguém que lentamente, de acto de ajuda em acto de ajuda, se enreda numa teia de acontecimentos que o obrigará a recorrer à violência, que o obrigará a ser o herói que ele não quer ser.
No fundo, Gran Torino é um filme acerca do que deve um homem bom fazer num mundo repleto de maldade (nisso é talvez o mais "scorsesiano" dos filmes de Eastwood, e há um plano em particular que poderia ter sido Scorsese a filmar), acerca de como um homem deve ser bom, por muito difícil que isso seja, até mesmo acerca de como compensa ser bom por muito difícil que isso possa ser. Tal como Unforgiven, Gran Torino é um filme sobre as consequências da violência, sobre as coisas que acontecem "all on account of pulling a trigger", mas também sobre "como é matar um homem", e como isso afecta um homem bom que tenha de o fazer. É até talvez o filme "definitivo" de Clint Eastwood. Não direi que é o melhor (não sei dizer se é ou não), mas é claramente aquele em que Eastwood diz tudo o que tem querido dizer de há uns anos para cá (a velhice, um tema comum nos últimos filmes em que Eastwood entra como actor, é aqui mais central que nunca). Mas, muito mais do que em Unforgiven, ou The Outlaw Josey Wales ou Pale Rider, talvez até mais do que em Million Dollar Baby ou Honkytonk Man, Clint fá-lo de uma forma extraordinariamente comovente. Um homem bom, um homem bom como Walt Kowalski ensina Taoh a ser, terá que chorar com o final de Gran Torino, pelo menos tanto como se riu durante o resto do filme.
Posted by Bruno at 06:38 PM
março 11, 2009
The Angriest Man In Television

Com grande (e imperdoável) atraso, descobri (através do bastante aconselhável blog The American Scene) um artigo na The Atlantic Monthly sobre David Simon, um dos autores de The Wire.
Posted by Bruno at 03:46 PM
março 10, 2009
De Novo a Ukelele Orchestra of Great Britain
E o que é que eles estarão a tocar desta vez? Händel, Sinatra, Gloria Gaynor, ou tudo isto ao mesmo tempo?
Posted by Bruno at 11:17 PM
março 09, 2009
Bloqueio aos Desafios (publicado no Insurgente)
Na semana passada, teve início o ciclo de conferências Portugal 2009: Bloqueios e Desafios, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, a propósito dos três actos eleitorais que terão lugar este ano e de quais os problemas que o país tem de enfrentar. Até agora (convenhamos que ainda só houve um palestrante), ainda não foi notado algo que me parece bastante evidente: que a própria realização desses três actos eleitorais constitui um bloqueio aos desafios que Portugal tem de ultrapassar.
A longo prazo, Portugal é um país condenado à falência: deve mais do que aquilo que tem, tem um sistema de Segurança Social que não poderá durar muito mais tempo, tem um Estado que suga tanta riqueza em impostos que torna impossível o desenvolvimento do país. O que um bom Governo deveria fazer seria, em primeiro lugar, dizer isto aos cidadãos, e de seguida, promover as reformas necessárias para que o país só peça emprestado o que pode pagar, e para que os portugueses não sejam forçados a desperdiçar metade do que ganham em actividades ineficientes. No entanto, não só o actual Governo não parece reconhecer esta realidade, como não tem qualquer incentivo para fazer o que deveria: com três actos eleitorais, o que o Governo quer fazer é garantir um bom resultado para o PS, e para isso está disposto a fazer de tudo para que o máximo de dinheiro possa ser gasto no maior número de coisas possíveis, por muito inúteis que sejam.
Por sua vez, a oposição, em especial um PSD cuja máquina eleitoral é muito dependente de um poder autárquico que vive das benesses que os cofres públicos lhes permite distribuir pelos eleitores, tem pouca margem de manobra para dizer que esses velhos hábitos precisam de ser corrigidos. E mesmo que algum político tenha a vontade de dizer a verdade aos portugueses (como me parece que a actual líder do PSD tem), nada garante que os portugueses a queiram ouvir: é bastante plausível que prefiram comer as poucas maçãs que ainda lhes restam antes que apodreçam, em vez de plantarem outra macieira para passarem a ter mais para comer, e que votem de acordo com essa preferência. Assim, umas eleições que deveriam ser uma oportunidade para Portugal corrigir o rumo que tem seguido nos últimos anos, acabarão provavelmente por ser mais um passo na progressiva degradação das nossas condições de vida.
Posted by Bruno at 08:45 PM
março 08, 2009
"Génio Frio"

Ontem, enquanto via 2001, Space Odissey na RTP 2, lembrei-me daquele que é um dos maiores lugares comuns da história do cinema, o de que Stanley Kubrick é um "génio frio". É uma das maiores baboseiras que se podem dizer. E nem sequer é preciso ir à cena de Barry Lindon em que o seu filho está à beira da morte e pede ao pai para contar a história que lhe costuma contar. Basta ficar por 2001: Kubrick fez um filme em que até um computador tem emoções. O que é que pode ser menos "frio" que isto?
Posted by Bruno at 11:37 PM
março 07, 2009
Kubrick

Hoje à noite, na RTP2, dose dupla de Stanley Kubrick, com 2001, Space Odissey, e The Clockwork Orange.
Posted by Bruno at 06:03 PM
março 06, 2009
O Vício da Ilusão
Estive ontem a assistir à entrevista de Carlos Queiroz, seleccionador nacional de futebol, ao programa Pontapé de Saída, da RTPN. à medida que Queiroz explicava como anos e anos de trabalho mal realizado deram cabo do futebol português sem que ninguém desse por nada, não pude deixar de reparar como Queiroz poderia estar a falar da situação geral do país, e do pouco que isso augura de bom para Portugal.
Durante anos, e especialmente nos "anos Scolari", foi-se vivendo dos rendimentos do trabalho dos anos anteriores, e o senhor das bandeiras e dos santinhos lá ia apelando à histeria colectiva, para delírio do povo, sem qualquer resultado digno de se ver (perder duas vezes com a Grécia em casa em poucas semanas, com aqueles jogadores, é um feito difícil de alcançar). Agora, chega um senhor que tem de lidar com o deserto deixado pelo antecessor, e que em vez de dizer que "os meninos" são os melhores do mundo (embora um deles o seja, de facto), lá vai explicando que há por ali muitas lacunas, e que a tendência para os próximos anos será a de piorar, não a de melhorar. Chega um senhor que, em vez de alimentar ilusões e de viver da histeria, vai explicando às pessoas a verdade. E claro, as pessoas não gostam.
No país, passou-se o mesmo. Durante os anos Guterres, viveu-se das "vacas gordas" vindas de fora, alimentando todos os vícios e mais alguns. Quando as vacas gordas acabaram, nenhum dos governos seguintes fez o que era preciso para resolver os problemas que afectam o país. Pelo contrário, todos foram alimentando as ilusões de que se pode "salvar" a Segurança Social, de que se pode ter um SNS "tendencialmente gratuito", e de que o "investimento" público pode trazer crescimento. E todos eles recorreram aos equivalentes políticos das bandeirinhas na janela, desde "a confiança no povo que fez os Descobrimentos" de Durão, ao "acreditar" de José Sócrates, passando pelos fins da crise decretados por Santana e Sócrates. Nenhum deles foi capaz de explicar aos portugueses que estes andaram anos e anos a viver de ilusões, e que quanto mais tarde deixarmos de viver como se elas fossem verdadeiras, maior será o tombo. Tenho escrito aqui ao longo destes anos que, se um político aparecesse a dizer estas coisas, teria o apreço dos eleitores fartos dos políticos que mentem e dizem o que for preciso para "chegar lá". Mas confesso que, enquanto estava a assistir à entrevista de Queiroz, e pensava na antipatia que muitos dos adeptos de futebol têm pelo homem, comecei a ficar com dúvidas: talvez as pessoas estejam demasiado "agarradas" ao vício da ilusão alimentado por aqueles que deveriam falar verdade, para que possam aceitar a dura realidade e quem fizer questão de não as enganar.
Posted by Bruno at 10:51 PM
março 04, 2009
The Ukelele Orchestra of Great Britain
A tocar Shaft, imagine-se...
Posted by Bruno at 07:17 PM
março 03, 2009
Ou É Impressão Minha...
Ou Joaquim Aguiar andou a ler Niall Ferguson.
Posted by Bruno at 10:13 PM
março 02, 2009
O Debate no PS
Ao longo da cobertura do Congresso do PS da TVI24 (até agora, tenho gostado bastante do novo canal), foi várias vezes dito que a introdução das "directas" tinha "morto o debate interno" no partido. Mas a aus~encia de debate interno no PS não se deve às regras de eleição do líder. Deve-se ao facto de o PS estar no governo, e ninguém querer debater o que quer que seja enquanto houver lugares para distribuir. No dia em que o PS sair do Governo, é certo e sabido que o debate regressará. E aí, os senhores jornalistas até vão critcar o PS por não se conseguir "unir", por, no fundo, ter debate a mais. Com ou sem directas.
Posted by Bruno at 07:28 PM
março 01, 2009
Deve Ser Niilista
Ouvi o discurso de hoje de José Sócrates, e devo dizer que fiquei com a impressão de que o homem é realmente tão extraordinário como ele julga ser: conseguiu não dizer nada ao longo de todo o discurso, e ao mesmo tempo, dizê-lo cheio de convicção. Não é para qualquer um.
Posted by Bruno at 09:49 PM
Sócrates e a Democracia 2
Posted by Bruno at 09:47 PM
Sócrates e a Democracia
Como nota Ana Sá Lopes, parece que José Sócrates irá centrar a sua campanha na ideia de que ou o PS ganha as eleições, ou é a própria democracia que perde. Ora, nada é menos democrático do que isto: em primeiro lugar, a própria "vitimização em torno da campanha negra" constitui uma inaceitável pressão sobre a justiça e a comunicação social; em segundo, porque o que Sócrates, na prática, está a dizer, é que o único partido democrático em Portugal é o PS, e que só o voto no PS será legítimo.
Posted by Bruno at 09:36 PM