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fevereiro 27, 2009
O Discurso de José Sócrates
Ficámos a saber que Sócrates quer salvar o Mundo.
Posted by Bruno at 10:35 PM
fevereiro 26, 2009
No Ordem Livre
Escrevi um pequeno texto a propósito da última coluna de David Brooks.
Posted by Bruno at 11:04 AM
fevereiro 25, 2009
As Dez Melhores Construções Lego
No seu blog, Daniel Finkelstein escolhe as suas dez construções Lego preferidas.
Posted by Bruno at 10:02 PM
fevereiro 24, 2009
Emendas Piores Que o Soneto
No outro dia, vi (quase forçado) o último Eixo do Mal (um programa tão mau, tão mau, que tem o Daniel Oliveira como o melhor dos seus participantes). A dada altura, o Daniel Oliveira disse que defendia que a Caixa Geral de Depósitos deveria oferecer crédito mais barato para obrigar os outros bancos a fazer o mesmo. Se eu percebo, o daniel Oliveira quer a CGD seja uma espécie de Fannie Mae à portuguesa, que faça asneira para obrigar os outros bancos a fazerem asneira, e arrastar-nos a todos pelo precipício abaixo. Pessoalmente, dispenso, mas há gostos para tudo.
Posted by Bruno at 06:11 PM
fevereiro 23, 2009
A Ler
No New York Times, um artigo sobre o jogador de basquetebol Shane Battier, que, na realidade, procura saber qual a melhor forma de avaliar a prestação individual de um jogador num desporto de equipa.
Posted by Bruno at 09:36 PM
fevereiro 22, 2009
O Estranho Caso Do Livro Que Não Existe (publicado no Insurgente)
Há uns tempos, disse aqui que Pedro Passos Coelho era uma "figurinha" de "carácter duvidoso". Logo umas alminhas mais susceptíveis se incomodaram com a afirmação. No entanto, não me parecem maus adjectivos para uma pessoa que diz ter lido livros que nem sequer existem.
Posted by Bruno at 09:32 PM
fevereiro 21, 2009
No Fora.tv
Joe Pantoliano, o Ralphie Ciffareto de The Sopranos, fala sobre a sua experiência na série.
Posted by Bruno at 04:47 PM
fevereiro 20, 2009
O Preço A Pagar
"Celebram-se" hoje o quarto aniversário da vitória eleitoral de José Sócrates que deu a maioria absoluta ao PS. E quatro anos depois, confirma-se aquele que era o meu maior receio, acerca do qual fui escrevendo aqui várias vezes: que do fracasso da governação socrática, resultaria o descrédito, não apenas do próprio Primeiro-Ministro e dos seus aguadeiros, mas de toda a classe política; que, com tantas promessas por cumprir, o alvo do descontentamento populares não fosse apenas o Primeiro-Ministro, mas antes aquele "eles" que sai da boca dos participantes no Fórum TSF; que com tanta propaganda sem correspond~encia com a realidade, fosse a própria democracia portuguesa, e não apenas os vendedores de banha-da-cobra, a saírem feridos do espectáculo.
Posted by Bruno at 04:41 PM
fevereiro 19, 2009
Os Pactos De Regime, Mais Uma Vez
Ouvi ontem o Fórum TSF, acerca da possibilidade de PS e PSD "se entenderem" acerca das medidas para "combater a crise". É uma conversa recorrente em Portugal, e um dos piores defeitos da nossa cultura política. Em primeiro lugar, denota logo uma concepção anti-política perniciosa numa democracia: entende a discordância como ilegítima, como se só fosse possível por "maldade" de quem discorda. Decorre da ideia de que "duas pessoas de boa-fé vão chegar à mesma conclusão" e que só por "politiquice" apresentam propostas diferentes, quando a democracia assenta precisamente no confronto de propostas divergentes. O que leva à segunda razão pela qual toda a conversa dos "pactos de regime" é perniciosa para a nossa democracia: claro que não há problema em, caso dois partidos concordem realmente um com o outro em relação a uma determinada questão, aprovarem algo em conjunto. Mas convém não esquecer que os deputados desses partidos foram eleitos para discordarem uns dos outros. Convém ter em conta que alterar a política de um partido para que "se entenda" com outro, just for the sake of it (ao contrário de haver, à partida, uma verdadeira coincidência de opiniões), constitui uma "traição" da confiança que os deputados receberam dos seus representados, uma "traição" do mandato que receberam para representar aqueles que neles votaram.
Posted by Bruno at 03:21 PM
fevereiro 18, 2009
The Room
Andando de blog estrangeiro em blog estrangeiro, dei com um artigo na Entertainment Weekly acerca de The Room, um filme "so bad it's awesome", descrito como "the Citizen Kane of bad movies", e o seu realizador, Tommy Wiseau, como o "Orson Welles of crap". E confesso que fiquei curioso acerca do filme, quanto mais não seja para saber se consegue ser ainda pior que esse grande clássico (do qual tenho o prazer de ter uma cópia em VHS) que é Plan 9 From Outer Space.
Posted by Bruno at 10:21 PM
fevereiro 17, 2009
A Nova Economia e o (Nosso) Velho País
A Atlantic Monthly do próximo mês tem um artigo bastante interessante, da autoria de Richard Florida, sobre a forma como a crise actual irá criar uma nova "geografia", completamente diferente da actual: em vez da suburbanização que, segundo Florida, caracterizou a América nas últimas décadas, a economia actual faz com que os locais mais bem sucedidos sejam aqueles com a "maior densidade de pessoas" e "maior velocidade de ideias", com "maior indíce de metabolismo". Isso implica também um maior mobilidade das pessoas, capazes de também elas fazerem parte desse "metabolismo" acelerado, indo de um sítio para o outro à medida que as melhores oportunidades são oferecidas em locais diferentes.
Não são boas notícias para o nosso país. Pois se Richard Florida tiver razão, Portugal e as suas cidades serão dos locais pior preparados para enfrentar as exigências da economia moderna. Pois Portugal tem uma lei das rendas que praticamente obriga os seus cidadãos a fazerem algo que será contrário ao que as exigências da economia moderna aconselhariam. Uma lei das rendas que praticamente obriga uma pessoa a comprar casa (e a endividar-se para toda a vida para o poder fazer), quando comprar casa praticamente condena a pessoa a ficar presa ao local onde está, mesmo que este ofereça menos oportunidades que um outro. De certa maneira, é precisamente por oferecer menos oportunidades que aprisiona quem lá comprou uma casa: como esse local oferece menos oportunidades, torna-se menos atractivo, o que faz com que a casa perca valor, o que obriga o seu dono ou a perder dinheiro ou a ficar num local em decadência, ou seja, obriga-o a ter de escolher entre perder dinheiro por uma razão ou perder dinheiro por outra. Enquanto Portugal não mudar a sua lei das rendas, tornando viável o mercado do arrendamento, os portugueses estarão condenados a ficarem cada vez mais pobres, eternamente amarrados a casas que tiveram de comprar (e ao endividamento que por causa delas tiveram de contrair), e que os impedirão de arriscar em busca de melhores oportunidades, sem as quais as suas condições de vida não poderão melhorar. Se há mudança que necessária em Portugal, é esta, pois sem ela, dificilmente se conseguirão as outras.
Posted by Bruno at 09:52 PM
fevereiro 14, 2009
Os Políticos Deviam Ser Como a Coca-Cola (publicado no Insurgente)
O leitor recordar-se-á certamente do Pepsi Challenge, o anúncio televisivo em que uma série de pessoas provavam duas colas (a Pepsi e a Coca) e, para sua surpresa, diziam preferir a Pepsi. Nos EUA, a Coca-Cola pensou que estes resultados não passavam de um golpe publicitário, e fez ela própria o teste. O resultado foi o mesmo: a maioria das pessoas, provando as duas Colas sem saber qual era qual, preferia a Pepsi. No entanto, a Coca-Cola (o produto que a maioria das pessoas dizia ser inferior) continuava a vender mais que a Pepsi.
Qual a razão para isto? A resposta é simples: o Pepsi Challenge estava ligeiramente “viciado” à partida: qualquer teste de prova “favorece” a bebida mais doce (a Pepsi), enquanto que o consumo de uma lata inteira “favorece” a Coca-Cola. A característica que nos faz preferir a Pepsi após um gole é a mesma que a torna enjoativa ao fim de quatro ou cinco.
Ao longo dos últimos anos, os partidos portugueses só têm oferecido Pepsi aos eleitores: na ânsia de conquistarem votos, não estão dispostos a dizer aos cidadãos que a Segurança Social é insustentável, que o SNS é a doença e não a cura, e que a protecção estatal contribui mais para o acentuar das desigualdades do que para as atenuar. Em vez de explicarem aos portugueses a necessidade de uma série de reformas, preferem (como o actual governo) limitar-se a uma série de “remendos” que em nada resolvem os problemas estruturais do país, e que contribuem mesmo para o agravamento de alguns. Como a Pepsi dos partidos políticos é mais doce que a Coca-Cola das reformas “duras”, parece mais vantajosa. Mas ao fim de uns goles, ela torna-se enjoativa: inevitavelmente, implica subidas de impostos e atrofia a economia, empobrecendo progressivamente os portugueses, que se viram contra a Pepsi do momento, que responsabilizam pela degradação das suas condições de vida. O problema é que a alternativa não tem sido a Coca-Cola, mas sim outra Pepsi, outra série de medidas doces de cujo sabor os eleitores se fartam rapidamente.
Não espanta que os governos não durem muito tempo: todos conduzem políticas que, sedutoras à primeira vista, produzem apenas descontentamento a médio prazo. E aqui há uma oportunidade para o partido que arriscar oferecer Coca-Cola: embora os eleitores possam desconfiar de quem lhes proponha apenas “sangue, suor e lágrimas”, o enjoo de anos e anos de promessas vazias e resultados negativos talvez os faça pensar duas vezes, e preferir a bebida mais amarga no imediato mas mais suportável a longo prazo.
Até porque a tendência dos partidos portugueses adoptarem políticas “Pepsi” radica num equívoco acerca da natureza dos eleitores voláteis, aqueles que decidem eleições. Políticos e seus conselheiros tendem a ver o eleitorado como um corpo definido de opiniões: algumas pessoas inclinam-se para a “esquerda”, algumas para a “direita”, e depois há um número grande de eleitores “moderados”, que se situam no “centro” do espectro político. Cometem o erro de ver estes eleitores “centristas” como pessoas com opiniões políticas claramente definidas, embora “moderadas”. Pensam que os eleitores “centristas” estão tão certos das suas opiniões como os eleitores de “direita” e de “esquerda”, e que a única diferença entre estes diferentes tipos de eleitores é a de que os “centristas”, sendo menos “extremistas”, são “captáveis”, podem ser “ganhos” se os políticos forem ao encontro dos seus desejos e lhes oferecerem um conjunto de políticas que as sondagens lhes dizem que eles querem.
O problema está em que os eleitores “centristas” não são uma espécie de versão “intermédia” dos seus concidadãos mais “extremistas”: eles são realmente diferentes. Ao contrário destes últimos, os eleitores “centristas” não têm opiniões políticas firmemente definidas. Eles mudam a sua escolha política, não porque estejam “no meio” do espectro político e os partidos ajustem as suas políticas às suas preferências medianas, mas antes porque, não tendo um corpo rígido de convicções políticas, orientam as suas opções eleitorais de acordo com outros critérios, como a sua simpatia pelos líderes partidários, a percepção que têm da competência destes últimos, da sua honestidade, ou apenas e só porque acham que o “novo chefe” é “diferente” do “velho”. E depois descobrem que eles afinal são “iguais”.
O partido que tiver a coragem de fugir a este comportamento, o partido cujo líder mostrar aos eleitores que, ao contrário dos outros, diz aquilo que diz porque acha que é melhor para o país, e não porque acha que é melhor para ganhar eleições, será capaz de obter o apoio necessário para promover políticas “Coca-Cola”: por muito amargas que sejam ao início, sabem bem melhor quando se chega ao fim da garrafa.
Posted by Bruno at 10:00 PM
fevereiro 13, 2009
Lido

Posted by Bruno at 06:03 PM
No Fora.tv
Nassim Nicholas Taleb (o autor do livro The Black Swan) e Daniel Kahneman discutem o que tornou a crise possível, e o que podemos fazer para evitar que ela se repita.
Posted by Bruno at 01:06 AM
fevereiro 11, 2009
Já Nas Bancas
O último número da revista Nova Cidadania, que entre muitos outros textos (muito melhores), está um pequeno artigo deste vosso rapaz sobre o livro The Ascent of Money, de Niall Ferguson. Não aparece no índice, mas está lá.
Posted by Bruno at 10:51 PM
fevereiro 10, 2009
"Ameaças"
Há dias, Pacheco Pereira citava um artigo do Semanário, que argumentava que "com Passos Coelho na liderança do PSD", Sócrates "poderia ficar mais ameaçado" do que supostamente acontece com Ferreira Leite como líder laranja, e justifica-se esta afirmação da seguinte maneira: "Passos Coelho tem estado em campanha permanente, aparecendo em várias iniciativas, concedendo várias entrevistas e demarcando-se de Ferreira Leite em várias matérias, como a construção do TGV". Ou seja, a rapaziada do Semanário cita como prova de que Passos Coelho seria mais incómodo para o Governo uma tomada de posição em que este apoia o Governo. Imagino que Sócrates perca o sono com a hipótese de um líder de oposição que concorde com o que Governo diz e faz.
Posted by Bruno at 05:11 PM
fevereiro 09, 2009
Louçã Descobre Que o Dinheiro do Estado É Das Pessoas
Ontem, ouvi Francisco Louçã queixar-se de que "as pessoas pagam os seus impostos", e depois, o Estado usa esse dinheiro "para salvar os bancos". Vejo que o Louçã chegou finalmente à conclusão de que para o estado gastar dinheiro, tem de o ir buscar a algum lugar, e que esse sítio só pode ser o bolso dos contribuintes. Acho estranho é que, uma vez chegando a essa conclusão, e queixando-se do facto de o Estado subtrair dinheiro a uns cidadãos (que cumpriram a sua obrigação de pagar os impostos) para o entregar a outros (que falharam nas suas actividades, e precisaram que o Estado os fosse salvar), Louçã continue a insistir na necessidade do controlo estatal da economia. Acho estranho que achando ilegítima a redistribuição de riqueza de uns cidadãos para outros, Louçã queira alargar a capacidade do Estado para, arbitrariamente, tirar o dinheiro a uns e dar o dinheiro a outros. Acho estranho que Louçã não perceba que, quanto maior for o peso do Estado, mais questões passarão por um processo de decisão arbitrário, e maior será a quantidade de recursos que por aí passarão. Louçã deveria perceber uma coisa: não é o "neo-liberalismo" ou o "capitalismo" que tira o dinheiro de uns para dar a outros, é o Estado. E quanto maior for o seu peso, mais terá de tirar.
Posted by Bruno at 05:06 PM
fevereiro 07, 2009
Leituras

Posted by Bruno at 10:43 PM
fevereiro 06, 2009
Descubra as Diferenças
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Para quem não tenha ouvido, e não tenha o juízo suficiente para assim continuar, fica aqui a minha participação no Descubra as Diferenças de hoje.
Posted by Bruno at 10:04 PM
fevereiro 05, 2009
Amanhã
Pelas 18 horas, estarei na Rádio Europa (90.4), no Descubra as Diferenças, desta vez com o Pedro Picoito.
Posted by Bruno at 10:16 PM
fevereiro 04, 2009
O Outro "Poder Oculto"
Há dias, o Primeiro-Ministro afirmou que existiam "poderes ocultos" que estavam a conduzir uma "campanha negra" contra a sua pessoa, a propósito do "caso Freeport". Agora que o Governo procura uma "solução" para a fábrica da Quimonda ("solução" essa que passará certamente por oferecer a quem quer que venha a adquirir a fábrica um atractivo pacote de dinheiros públicos ou benefícios fiscais), podemos ver em acção um outro "poder oculto", o da coincidência de interesses entre os investidores atraídos pela possibilidade de um negócio cujo risco é atenuado pela intervenção de terceiros, e de governantes apostados em fingirem estar "activos" no "combate" à crise (e que por isso estão dispostos a fazer o que quer que seja, sem pensar nas consequências das medidas que tomam), no que acaba por ser uma verdadeira "campanha negra" contra todos os outros cidadãos (a vasta maioria que não vai investir nas empresas protegidas pelo estado, nem tem o seu emprego "salvo" pelo favor político) que não são favorecidas pelas "soluções" que, todos os dias, o Governo vai anunciando.
Posted by Bruno at 06:53 PM
fevereiro 02, 2009
O discurso que o Presidente da República deveria fazer, demitindo o Governo e dissolvendo a Assembleia da República (publicado no Insurgente)
(Muito provavelmente, Cavaco Silva não irá fazer um discurso como este, nem sequer demitirá o governo nem dissolverá a Assembleia. Mas fica aqui o discurso que eu acho que deveria ser feito pelo Presidente da República)
O cidadão comum costuma dizer que “os políticos são todos iguais”, que “são capazes de dizer o que for preciso” para “chegar ao poleiro”, que “passam a vida a mentir”. É um deprimente sinal da falta de confiança dos portugueses na classe política da nossa democracia. Mais deprimente, só mesmo o facto de, nos últimos anos, essa mesma classe política lhes ter dado razões para pensarem assim. Nos últimos anos, a classe política, através do seu comportamento, tem dito aos portugueses que eles têm razão ao ter tão má opinião daqueles que os representam e governam.
O antigo Primeiro-Ministro, José Manuel Durão Barroso, chegou ao poder prometendo cortes de impostos e, uma vez no cargo, disse não ter alternativa a aumentá-los. Quer se tenha tratado de uma afirmação genuína, ou resultado de uma verdadeira “mentira” ao eleitorado, acentuou a ideia de que as promessas dos políticos não merecem confiança. Percepção essa que apenas se agravou quando o actual Primeiro-Ministro, que na campanha eleitoral prometera não aumentar os impostos, introduziu um aumento da carga fiscal no início do mandato do actual Governo. Desde então, não mais parou de mentir: por exemplo, em anos sucessivos, o Governo fez declarações públicas dizendo aos portugueses que estava a cortar a despesa pública, quando, na realidade, o Estado gastava cada vez mais dinheiro. Ainda recentemente, o Governo apresentou um estudo favorável à sua política educativa como tendo sido realizado pela OCDE, quando não foi esse o caso. E, procurando, como é seu direito, defender-se de acusações, das quais é inocente até prova em contrário como qualquer outro cidadão, o actual Primeiro-Ministro deturpou deliberadamente o conteúdo de um comunicado da Procuradoria-Geral da República.
Tratam-se de comportamentos inaceitáveis por parte de um detentor de um cargo público. Não apenas por constituir uma atitude de desrespeito dos cidadãos que o elegeram e que ele representa, mas porque tem como resultado a progressiva degradação da nossa democracia. Ao mentir em campanha eleitoral, por exemplo, o político não coloca aos cidadãos a possibilidade de escolher qual o caminho que desejam para a sua comunidade, visto que não lhes diz o que pretende fazer. Por paradoxal que possa parecer, numa época em que têm acesso a muito mais informação do que alguma vez tiveram os seus antepassados, os cidadãos cada vez menos se pronunciam sobre o que realmente está em questão. Ao mentir, o político retira aos eleitores a responsabilidade pelas suas opções. Quando estes tiverem de pagar o preço das escolhas feitas pelo poder à margem dos mecanismos de responsabilização, a sua confiança nos eleitos diminui, forçando estes últimos a mentir para ultrapassarem essa desconfiança. Se essa mentira for dita no exercício de cargos públicos, mais não é do que uma traição da (pouca) confiança que os cidadãos ainda vão depositando naqueles que os representam e governam. Sem essa confiança, as instituições democráticas perdem legitimidade, e o seu regular funcionamento é severamente afectado.
Sei das particulares responsabilidades que me cabem. Em sucessivos inquéritos, os portugueses mostram confiar no Presidente da República mais do que em qualquer outro detentor de qualquer outro cargo público. É por isso que o Presidente da República tem condições, que nenhum outro detentor de cargos públicos terá, para fazer o que entender ser necessário para que os cidadãos possam confiar nos seus políticos. Como tem essas condições especialmente favoráveis, tem a especial responsabilidade de as aproveitar. Ainda para mais, cabe ao Presidente da República, de acordo com os poderes a ele atribuídos pela Constituição, zelar pelo regular funcionamento das instituições que, como disse, é severamente afectado pela forma como os responsáveis políticos se têm vindo a comportar nos últimos anos.
É por isso que anuncio aqui que, ao abrigo dos poderes atribuídos ao Presidente da República pela Constituição que jurei cumprir uma vez eleito pelos portugueses, tenciono demitir o actual Governo e dissolver a Assembleia da República, o que obrigará à realização de eleições antecipadas. O uso da mentira por parte do actual Governo, num clima de crescente desconfiança na classe política portuguesa, é absolutamente inaceitável, e a continuação de tal comportamento constituiria uma grave ameaça à saúde da nossa democracia. Uma maioria parlamentar que apoia esse mesmo Governo, e que aceita passivamente, ou melhor, sustenta activamente, esse comportamento inaceitável, é também ela uma responsável por esse clima de degradação da democracia.
Tenho plena consciência da gravidade deste acto. Sei que num momento tão difícil como o país atravessa, com uma crise económica tão grave como a que nos afecta, a realização de eleições antecipadas e a instabilidade a elas inerente são a última coisa que o país precisa. Mas sei também que, com as particulares responsabilidades que me assistem, não posso assistir passivamente a comportamentos que degradam a nossa democracia, e consequentemente, tornam cada vez mais difícil a realização das reformas de que o país precisa para sair do poço em que caíu.
Sei também que a actual maioria e o actual Governo poderão ser reconduzidos nas eleições que se seguirão, e que isso seria interpretado como uma desautorização do meu julgamento por parte dos eleitores, o que me obrigaria a demitir. É um cenário que não me incomoda. Não me candidatei a Presidente da República para ocupar um lugar, mas para dar o meu contributo ao país e cumprir o que julgo ser o meu dever e as minhas responsabilidades. Tomo esta posição porque julgo ser meu dever fazer tudo o que estiver ao meu alcance para impedir uma ainda maior degradação da nossa democracia: sei que, ao tomar esta atitude, mesmo que os portugueses venham a reconduzir a actual maioria nas eleições que se seguirão, estarei a abrir um precedente, que todo e qualquer político com ambições de constituir Governo terá de ter em atenção; sei que ao demitir um Governo e ao dissolver a Assembleia da República devido ao uso da mentira por parte dos detentores desses cargos, farei com que, no futuro, todo e qualquer responsável político pensará duas vezes antes de mentir aos portugueses. Sei que, seja qual for o resultado das próximas eleições, terei contribuído para desincentivar o uso da mentira por parte dos políticos, e dessa forma, para uma melhoria da saúde do nosso sistema político. Sei que, aconteça o que acontecer nos próximos meses, esta é a atitude correcta a tomar.
Posted by Bruno at 07:27 PM
fevereiro 01, 2009
A Minha Companhia Hoje à Noite

Posted by Bruno at 10:44 PM