Escrito pela mão invisível de Bruno Alves. Comentários e opinião: alves.bm@netcabo.pt

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junho 30, 2008

A Ler

O artigo de Gerard Baker, argumentando que a "guerra contra o terror" está a ser vencida:

"(...)these days timorous defeatism is on the march. In Britain setbacks in the Afghan war are greeted as harbingers of inevitable defeat. In America, large swaths of the political class continues to insist Iraq is a lost cause. The consensus in much of the West is that the War on Terror is unwinnable.

And yet the evidence is now overwhelming that on all fronts, despite inevitable losses from time to time, it is we who are advancing and the enemy who is in retreat. The current mood on both sides of the Atlantic, in fact, represents a kind of curious inversion of the great French soldier's dictum: “Success against the Taleban. Enemy giving way in Iraq. Al-Qaeda on the run. Situation dire. Let's retreat!”

(...)Afghanistan has been a signal success. There has been much focus on the latest counter-offensive by the Taleban in the southeast of the country and it would be churlish to minimise the ferocity with which the terrorists are fighting, but it would be much more foolish to understate the scale of the continuing Nato achievement. Establishing a stable government for the whole nation is painstaking work, years in the making. It might never be completed. But that was not the principal objective of the war there.

(...)Next time you hear someone say that the war in Afghanistan is an exercise in futility ask them this: do they seriously think that if the US and its allies had not ousted the Taleban and sustained an offensive against them for six years that there would have been no more terrorist attacks in the West? What characterised Islamist terrorism before the Afghan war was increasing sophistication, boldness and terrifying efficiency. What has characterised the terrorist attacks in the past few years has been their crudeness, insignificance and a faintly comical ineptitude (remember Glasgow airport?)

The second great advance in the War on Terror has been in Iraq. There's no need to recapitulate the disasters of the US-led war from the fall of Saddam Hussein in April 2003 to his execution at the end of 2006. We may never fully make up for three and a half lost years of hubris and incompetence but in the last 18 months the change has been startling.

(...)The third and perhaps most significant advance of all in the War on Terror is the discrediting of the Islamist creed and its appeal.

This was first of all evident in Iraq, where the head-hacking frenzy of Abu Musab al-Zarqawi and his associates so alienated the majority of Muslims that it gave rise to the so-called Sunni Awakening that enabled the surge to be so effective.

But it has spread way beyond Iraq. As Lawrence Wright described in an important piece in The New Yorker last month, there is growing disgust not just among moderate Muslims but even among other jihadists at the extremism of the terrorists.

Deeply encouraging has been the widespread revulsion in Muslim communities in Europe - especially in Britain after the 7/7 attacks of three years ago. Some of the biggest intelligence breakthroughs in the past few years have been achieved from former al-Qaeda supporters who have turned against the movement."

Posted by Bruno at 07:02 PM

junho 28, 2008

O Dilema das Potências Ocidentais

A forma como se processaram as "eleições" no Zimbabwe e a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU para chegar a um "consenso" quanto à forma de lidar com Mugabe e as atrocidades que este pratica no seu país demonstram bem a irrelevância da organização. Mas toda esta crise é, também, uma prova de como as potências ocidentais não sabem como lidar com crises humanitárias ou conflitos nas suas ex-colónias. Sempre que um destes países cai numa guerra civil, ou sempre que um qualquer ditador pós-independência se entretém a assassinar parte da população, ou sempre que um conflito étnico atinge proporções suficientemente grandes para chocar as consciências da opinião pública dos países ocidentais, os governos destes países (e organizações a que estes pertencem, como a UE ou a ONU) apressam-se a "condenar" o sucedido, e a "fazer pressão" para "que se encontra uma solução pacífica para a crise". No entanto, não estão dispostos a fazer mais que isso, e as suas palavras, por muito duras que sejam, não chegam para assustar quem acha que "só Deus" lhe pode retirar o poder, tal como sanções económicas não assustam quem não se incomoda com a pobreza extrema da população do seu país. Os países ocidentais "preocupam-se" com as crises humanitárias em países como o Zimbabwe, mas não estão dispostos a fazer muito para acabar com elas, muito menos afastar os ditadores que as provocam.

Na realidade, crises como a do Zimbabwe ilustram bem o dilema dos países ocidentais perante o "resto do mundo": já que os seus métodos (palavras e sanções) não parecem ser eficazes, os países ocidentais poderiam reconhecer a sua incapacidade e, pura e simplesmente, ignorar o que se passa, deixando os zimbabweanos (ou os ruandeses, ou os iraquianos, ou qualquer outro país que caia em apuros destes) matarem-se uns aos outros. Mas aí teriam de viver com o sentimento de culpa de terem deixado "aquilo" acontecer. Ou então colocar, por trás das suas palavras e ameaças de sanções, o uso da força (ou a ameaça do uso da força) que dá credibilidade ao discurso "moral" que empregam. O "problema" está em que, se o fizerem, estarão a adoptar uma postura "neo-imperial", e terão de viver com o sentimento de culpa que, numa época em que todos aceitam como sacrossanto o "princípio da autodeterminação dos povos", tal conduta lhes provocaria. Como "adepto" de Niall Ferguson, tendo a achar que os EUA, em particular, deveriam assumir o papel de agente imperial que põe ordem em situações caóticas. Mas, sinceramente, já me contentava se os países ocidentais, muito humildemente, fizessem uma escolha: ou se deixam de proclamações morais acerca do comportamento dos governantes de outros países, ou, se acham que devem zelar pela "civilidade", fazerem alguma coisa por isso, "putting the money where the mouth is". Hoje em dia, eles preferem viver "in shit than to be seen to work a shovel". E, como insistem em moralizar, combinam o pior de dois mundos: ao mesmo tempo que se mostram tão "arrogantes" como os "imperialistas" (com a "presunção" de que podem "dizer aos outros" como eles devem viver), exibem a fraqueza de quem não está disposto (ao contrário dos "imperialistas") a "obrigá-los" a fazer o que dizem.

Quando Bin Laden falava do "cavalo cansado" do Ocidente, era disto que falava. Não era de um cavalo que ficava fechado num estábulo, longe da vista de todos, mas de um cavalo que, não parando de relinchar, nunca participava nas corridas: ao mesmo tempo que, nas palavras do dr. Soares, provocava o "ressentimento" do resto do mundo "humilhado" pelo sentimento de "superioridade moral" de quem "impõe" o que pensa, o Ocidente mostrava não ter vontade nenhuma de lutar por aquilo que apregoava. De cada vez que um político ocidental "condena" o que se está a passar no Zimbabwe, sem que nenhuma demonstração de força (nem que passe apenas pela ameaça credível do seu uso) seja feita por países como os EUA ou o Reino Unido, está apenas a confirmar a "tese" de Bin Laden. E, nem que seja só por isso, esta crise é bastante mais do que algo que está "lá longe", num país africano que "nem se sabe muito bem onde fica". Ela uma crise que tem lugar "aqui", uma crise que mostrará, a quem olha para nós por razões que são tudo menos boas, aquilo que queremos e o quão longe estamos dispostos a ir por isso. Até agora, a resposta que estamos a dar não é a melhor.

Posted by Bruno at 09:38 PM

junho 27, 2008

O Método "Principal Skinner"

Há um episódio dos Simpsons em que o director da escola primária de Springfield, Seymour Skinner, pega em Jimbo, Kearney, Nelson e Bart (as maçãs podres da escola), e fecha-os na cave, para que eles não possam causar qualquer problema durante a visita do inspector escolar Chalmers à escola. Aparentemente, a Directora Regional de Educação do Norte é uma adepta do método "Principal Skinner": segundo Paulo Portas, ela terá afirmado que "os alunos têm direito a ter sucesso", e portanto, "talvez fosse útil excluir dos correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações distantes da média.". Ou seja, professor mais exigente nas avaliações fica fechado na cave, para não estragar a fotografia de "sucesso" nos resultados que o Governo quer tirar destes exames. Com Skinner, o método não funcionou (Bart foge pela conduta do ar, e claro, faz das suas). Com o Governo, talvez o "método" ter mais sucesso (as notas dos exames poderão ser "boas"), mas tudo não passará de uma ilusão. De um pedaço de propaganda. Afinal, como tudo o que este Governo fez.

Posted by Bruno at 09:12 PM

junho 26, 2008

Porquê?

Na RTP está a dar aquele inqualificável programa de "debate político" que dá pelo nome de Corredor do Poder (algo está muito mal quando Ana Drago é o elemento mais sensato de um painel de um programa como este). Uma pergunta que eu faço é: por que razão continua Marco António como participante residente do programa? Enquanto ele era a voz do dono da S. Caetano, percebia-se, embora isso só prejudicasse (ainda mais) o programa. Agora que Menezes se remeteu ao "silêncio" (muito ruidoso na audiência pedida ao Primeiro-Ministro), marco António é o único participante que não está lá a representar a "linha" do seu partido. Em si, isto não seria negativo, se o programa não pretendesse ser "representativo". mas como pretende, a manutenção de Marco António é suspeita: ou revela desatenção da parte da direcção do PSD, ou intenções mais obscuras por parte da RTP.

Posted by Bruno at 10:31 PM

junho 25, 2008

No Leitor de DVD

The Darjeeling Limited

Posted by Bruno at 10:14 PM

junho 24, 2008

Se Ganhar As Eleições Em 2009, o PS Vai Acabar Por Se Arrepender

Ao que parece, o Governo prepara-se para deixar cair a sua proposta de incluir no novo Código de Trabalho a figura do "despedimento por inadaptação funcional", de forma a conseguir o apoio da UGT. Juntamente com as acomodações aos pescadores e às transportadoras, este recuo é apenas mais um de uma linha (que irá ser bastante longa) de pequenas cedências que o Governo irá fazer até à data das eleições, tentando manter a sua imagem de "firmeza" enquanto compra com a sua "maleabilidade" (e o dinheiro dos contribuintes) o silêncio dos descontentes. Era prevísivel que, chegado a esta altura, o PS tivesse de enfrentar este dilema. Em Abril de 2007, escrevi aqui que isso aconteceria, e os eventos recentes têm-me dado razão: a crispação do "combate" aos "privilégios" acabaria por criar descontentamento em tantos lugares que faria com que o feitiço se voltasse contra o feiticeiro. Por outro lado, não mantendo essa postura, essa imagem de "anti-Guterres" começará a ruir, e com ela o edifício do poder socialista. Mais grave ainda, a ineficácia das "reformas" do Governo não pode ser escondida por muito tempo, e quando se tornar clara, aos olhos de todos os que hoje adormecem no colo forrado por Giorgio Armani do Primeiro-Ministro, a distância entre o que foi repetidamente prometido e o que acabou por ser alcançado, Sócrates não poderá sobreviver. Com ele morrerão os "empregos", e sem eles, o PS que só a custo suporta o "socratismo" entregar-se-á a uma luta bem mais fratricida que a de 78-83 ou a do pós-Bloco Central.

A conjuntura já pôs a nu a fragilidade das "reformas" socráticas. E o aumento do descontentamento já fez o PS embarcar em algumas cedências, que serão no futuro mascaradas com algumas encenações de força. Para azar de Sócrates, poderá ser tudo em vão. Pois arrisca-se a perder (com a sua encarnação do "diálogo guterrista") os que se deixaram seduzir pela sua imagem "firmeza" e de homem "corajoso" que não recua perante as "resistências" às "reformas", sem que os descontentes com as ditas se sintam conquistados pelos recuos inerentes a esse "diálogo". E mesmo que porventura estes últimos venham a encostar-se a Sócrates, e o carreguem para uma segunda vitória em 2009, isso dificilmente será uma boa notícia para o Primeiro-Ministro. Pois eles só o apoiarão na medida em que o virem como um elemento fraco. Só o apoiarão se o acharem (e souberem que Sócrates se achará) um "refém" desses apoios "comprados" com estes recuos, e que portanto, poderão explorar essa sua fraqueza e exigir novas cedências que o enfraquecerão ainda mais. Tal como aconteceu com Guterres, Sócrates conduziu o seu primeiro mandato com o exclusivo propósito de conquistar o segundo. E se o obtiver, terá nele o mesmo destino que teve Guterres: terá de pagar o preço das aventuras em que se meteu para se manter no poder. Cego pela ambição de repetir em 2009 o que conseguira em 2005, o PS ainda se vai arrepender se vier a ter essa ambição satisfeita. Guterres conhece a sensação.

Posted by Bruno at 09:35 PM

junho 23, 2008

O Desafio De Manuela Ferreira Leite

Mal Manuela Ferreira Leite terminou o seu discurso de encerramento do Congresso do PSD, logo os representantes dos vários partidos foram questionados pelos jornalistas acerca do que a nova líder laranja havia acabado de dizer. Em vez de dizerem que seria de mau tom um "convidado" estar a criticar quem o convidou para a sua "casa", Nuno Melo e Alberto Martins apressaram-se a largar os seus respectivos soundbytes: para o deputado do CDS, o que Manuela Ferreira Leite disse não se afasta muito do que faz o PS, e para o líder parlamentar do PS, essas diferenças são abissais e, claro, o conteúdo do que diz Ferreira Leite é tenebroso. Não se percebe o que leva estes políticos experientes a fazerem declarações dessas. Pois eles não fazem uma crítica do que foi dito, não apontam o que acham que está errado no que foi dito nem explicam por que razão pensam assim. Apenas tentam "caracterizar" o discurso, atribuindo-lhe adjectivos que, esperam, assustem os eleitores. No entanto, estes apenas ficam com a ideia de que Nuno Melo vieram com o soundbyte preparado, mesmo antes de ouvirem o que Manuela Ferreira Leite tinha para dizer, e que ambos disseram o que disseram, não por pensarem assim, mas porque isso "lhes convém". ficam com a ideia de que, "como todos os políticos", Nuno Melo e Alberto Martins dizem "o que for preciso" para "chegarem ao poleiro".

Aliás, é aqui está o principal desafio de Manuela Ferreira Leite. Não serão os opositores internos, nem o passado da líder laranja, muito menos a suposta falta de "diferenciação" dela em relação a Sócrates, que lhe dificultarão a sua afirmação perante os eleitores. Será algo muito mais difícil de ultrapassar: a falta de paciência dos eleitores para com todos os políticos. Pois a líder laranja não tem apenas que convencer os eleitores a não votarem no PS. Sócrates, sozinho, encarrega-se disso. Ela tem de lhes dar razões para mudarem para o PSD, quando esses eleitores acham que "eles" são "todos iguais". Manuela Ferreira Leite não tem de resistir à oposição interna, não tem de se mostrar "diferente" do que foi no passado, não tem de se mostrar "diferente" do PS. Tem de se mostrar diferente de todos os políticos. Tem de mostrar àqueles que acham que "os políticos são todos iguais" que ela é diferente "deles", e que merece a confiança dos eleitores. Essa é principal dificuldade que enfrentará. Como apontar as falhas do Governo, sem que os eleitores pensem que "lá está ela a dizer mal por dizer mal"? Como lhes oferecer uma alternativa, sem que esses eleitores pensem que tudo não passa de promessas que não serão cumpridas, e que apenas servem para "comprar" o seu voto? E acima de tudo, como fazer essas duas coisas ao mesmo tempo, e, em simultâneo, uma terceira, fazer com que essa alternativa não seja apenas aquilo que os eleitores querem ouvir, mas antes uma série de reformas que libertem o país dos problemas que o afectam? Só encontrando uma resposta para estas questões poderá Ferreira Leite chegar ao poder. E só se estas respostas forem encontradas poderá o país ficar melhor do que está.

Posted by Bruno at 11:57 AM

junho 22, 2008

Uma Boa Notícia

Ontem, Paulo Rangel foi confirmado como candidato a líder da bancada parlamentar do PSD. É uma excelente notícia. Paulo Rangel é uma das poucas pessoas na actividade política portuguesa que possui um cérebro. Numa altura em que a degradação da classe política é cada vez maior, é uma enorme vantagem para o PSD ter alguém que destoa da mediocridade geral.

Posted by Bruno at 10:36 PM

junho 20, 2008

"Robin dos Bosques"

José Sócrates anunciou que o Governo português está a ponderar a adopção de uma taxa "Robin dos Bosques" sobre os produtos petrolíferos, que pretende "tirar aos ricos" (as gasolineiras) para, depreende-se, "dar aos pobres". Diz o Primeiro-Ministro que o Governo irá estudar "qual a parcela dos lucros que resultam do aumento inesperado dos produtos petrolíferos", e depois, cobrar essa "parcela" e "devolvê-la" à sociedade (ou seja, aliemntar os cofres do estado e as clientelas socialistas). A quantidade de asneiras que tudo isto tem é assombrosa. Vamos por partes: como é que o Governo pretende quantificar qualquer "parcela" dos lucros? Como é que consegue perceber quanto é que se deve a quê? Em segundo lugar, como é que irá quantificar a parte do "aumento" que era "esperada" e qual era "inesperada"? E em terceiro, por que razão é que o Governo quer "tirar aos ricos" o dinheiro que os "pobres" lhes dão voluntariamente? É que, tanto quanto sei, não é obrigatório andar de carro em Portugal, e se "os pobres" acham que os ricos lhes cobram demasiado pelos seus serviços, podem sempre não pagar. É aqui, aliás, que a analogia do "Robin dos Bosques" cai por terra: os "ricos" a quem ele "tirava" dinheiro eram os "senhores" que cobravam impostos excessivos sobre "os pobres", impostos aos quais estes não podiam fugir. "Robin dos Bosques" tirava dinheiro a um "monstro" devorador da riqueza individual, e "devolvia-o" a quem dela havia sido injustamente destituído. O Estado não pode ser nenhum "Robin dos Bosques", porque os impostos não são a forma de "dar" dinheiro aos "pobres": o dinheiro que ele "tirava" aos ricos era precisamente o dos impostos cobrados. O Estado desempenha o papel dos "ricos", e todo e qualquer contribuinte o dos pobres. O de "Robin dos Bosques" está ausente deste despropositado remake.

Posted by Bruno at 10:45 PM

junho 19, 2008

As Razões do Voto

Há dias, no Diário de Notícias, um qualquer responsável da União Europeia, a propósito do "Não" irlandês, dizia que aquilo que causava mais problemas à UE na resolução da "crise" era a dificuldade em ver "uma razão" para o "Não". Na cabeça desta gente, o "eleitorado" não é apenas um conjunto de votos de indivíduos isolados, mas um "corpo" uno que ganha forma, e a soma dos votos dos eleitores não constitui uma mera soma de vontades individuais, mas uma "Vontade Geral" que une "vencidos" e "vencedores" na manifestação de uma opinião que os congrega. Não percebem que "o eleitorado" não tem opinião. Os resultados eleitorais são apenas a soma de várias vontades: os vários indivíduos fazem uma escolha, pelas mais variadas razões, entre as várias opções disponíveis, e a mais votada ganha. É por isso que a "Europa" não irá conseguir identificar a "razão" que levou os "irlandeses" a escolherem o "Não", e dessa forma fazer uma "correcção" que leve esses mesmos "irlandeses" a votarem sim: cada um dos indivíduos que formaram a maioria de votantes que rejeitou o Tratado escolheu esse caminho pelas mais variadas razões. A única coisa que os unia era a vontade de não quererem ver o Tratado ser aplicado. Infelizmente (para todos), essa é a única "correcção" que a Europa não está disposta a fazer.

Posted by Bruno at 06:40 PM

junho 18, 2008

Coisas "Não Excluídas"

Leio no DN que a moção que Manuela Ferreira Leite irá apresentar ao Congresso do PSD "não exclui" a hipótese de vir a formar um novo "Bloco Central. daquilo que o DN nos diz acerca da dita moção, também não há nada que indique que essa hipótese se coloca. Mas, como o diz o DN, ferreira leite "não exclui" o "Bloco Central". Aliás, há muito mais coisas que não "exclui", e que o DN não notou: não "exclui" uma aliança com o BE nem com o PCP; não "exclui" uma aliança com o PND de Monteiro; não "exclui" uma aliança com um partido a ser eventualmente criado por Manuel Alegre; não "exclui" sequer, imagine-se, a hipótese de, uma vez vencidas as eleições, o país "fechar a porta" e declarar-se a entrega de Portugal a uma potência estrangeira, a ver se dessa forma se arranja uma "solução" para "isto". Está aqui a prova de que a liderança de Manuela Ferreira Leite será marcada por tenebrosas agendas escondidas: ela "não exclui" uma série de cenários assustadores. Embora, diga-se de passagem, o último deles me pareça bastante apelativo.

Posted by Bruno at 10:05 PM

junho 17, 2008

Vasco Pulido Valente e o Europeu

O maradona teve a excelente de ir buscar o artigo de Pulido Valente sobre o Europeu. Se ainda não o leu, caro leitor, é só fazer uma visita ao A Causa Foi Modificada, para perceber por que razão VPV acha que o futebol é a única coisa que funciona na "Europa".

Posted by Bruno at 10:24 PM

junho 16, 2008

Políticos "Diferentes dos Outros"

Em Janeiro de 2007, escrevi aqui que para se sair do ciclo vicioso do progressivo esvaziamento do debate público, precisamos de políticos que, tendo em conta o ambiente mediático em que forçosamente terão de exercer a sua actividade, adoptem o comportamento menos racional" que se pode esperar de "um político", no sentido depreciativo que se dá à palavra. A minha ideia era a de que um político que se comporte de uma maneira "diferente" daquela que habitualmente esperamos de um "político", atrairá simpatia por parte de eleitores que, de outra forma, nunca pensariam sequer em dar-lhe o seu voto. A vitória de Boris Johnson em Londres parece comprovar essa minha ideia, tal como a de John McCain nas primárias Republicanas.

A semana passada, David Davis demitiu-se do seu lugar de Ministro-sombra do Partido Conservador e do seu lugar de deputado, para dessa forma provocar uma eleição no seu círculo eleitoral. Davis pretende recandidatar-se, e centrar a sua campanha na "erosão das liberdades" dos cidadãos britânicos. Se é verdade que, ao contrário do que muitos dos elogios à sua atitude afirmaram, Davis não põe em risco o seu lugar de deputado (ele concorre num safe-seat que lhe garante uma vitória), também é verdade que ao optar por este caminho, ele perdeu o seu lugar no gabinete-sombra, e muito provavelmente, todas as hipóteses de vir a fazer parte de um futuro governo Conservador. Davis sacrificou a sua carreira para fazer uma campanha em torno de algumas ideias que, para ele, são mais importantes que o resto. Curiosas foram as reacções de muitos cidadãos-comuns que, dizendo discordar de Davis na "questão dos 42 dias", aplaudiam a sua atitude: ao comportar-se de uma forma diferente daquela que esperamos de um "político", David Davis conquistou a simpatia de gente que se opunha a ele. Claro que se poderá argumentar que essa sua atitude era apenas "aparente", que Davis (como Sarkozy, por exemplo) é um "oportunista" que faz da "aparência" da "frontalidade" a sua "estratégia carreirista". Pode ser que sim, pode ser que não. Mas o seu sucesso mostra que um político que se comporte dessa forma poderá ter sucesso, o que quer dizer que se um político se comportar assim, mas de forma "sincera", terá o mesmo sucesso. Como escrevi na altura, essa parece-me ser a única maneira de fazer as reformas que as democracias ocidentais precisam de fazer. Especialmente em Portugal

Posted by Bruno at 06:49 PM

junho 15, 2008

A Ler

Sobre o que se vai passando no Euro 2008, o que escreve o maradona acerca do valor da Roménia (a equipa mais subestimada do torneio, ainda mais que a Croácia que, como quem não quer a coisa, ainda vai chegar à final) e da Itália. E já agora, o que ele escreve acerca de Carlos Daniel.

Posted by Bruno at 12:09 AM

junho 13, 2008

O "Não" Irlandês

Na Irlanda, o referendo ao Tratado de Lisboa (a versão "soft" da "Constituição Europeia" já rejeitada pelo voto popular de franceses e holandeses) teve como resultado uma vitória do "Não". Mais uma vez, a maioria dos cidadãos de um país europeu rejeita os planos burocráticos vindos de Bruxelas, e diz "Não" a uma "fuga para frente" por parte da "Europa", que poderia no futuro vir a ter consequ~encias bem desagradáveis. Os "euroentusiastas", claro, já falam de uma "crise", nunca lhes ocorrendo que esta só surge por insistirem em forçar a entrada em vigor de um documento que sem condições para ser aceite pelos cidadãos de todos os Estados-membros. Seria de esperar que os responsáveis políticos europeus aproveitassem a oportunidade para pararem um bocadinho, pensarem, e decidarem os seus esforços a questões mais importantes que as tentativas de afastar o poder político ainda mais dos cidadãos. No entanto, como já desperdiçaram oportunidades semelhantes, o mais provável é que ocupem os próximos tempos à procura de uma forma de ludibriar ou chantagear aqueles que rejeitaram os seus planos. É por isso que, sendo positivo que a "Constituição Europeia" tenha sido mais uma vez ferida de morte, dificilmente algo de bom poderá vir do que hoje se passou na Irlanda: os responsáveis europeus acabarão por impôr muitas das alterações da "Constituição" por "debaixo da mesa", sem uma revisão dos tratados, e tentarão repetir o referendo irlandês até obterem o resultado "certo". Teremos assim o pior dos dois mundos: a aventura da "Constituição" e a crescente descredibilização política daqueles que desrespeitam vergonhosamente a manifestação da vontade dos cidadãos em actos eleitorais.

Posted by Bruno at 07:15 PM

junho 12, 2008

O Mundo de Sócrates

No debate parlamentar de hoje, o Primeiro-Ministro José Sócrates afirmou que o Governo teve um comportamento exemplar durante a crise originada pelo protesto das transportadoras: aparentemente, soube usar a força na medida e tempo correctos, sem ceder e sem se precipitar; mais, a "autoridade do Estado" esteve sempre intacta. A crer nas palavras do Primeiro-Ministro, até parece que não se puderam ver cenas de ameaças a pessoas que apenas queriam continuar o seu trabalho; até poderemos pensar que não houve apedrejamento de viaturas que transportavam medicamentos (aparentemente, a polícia não "avisou" os protestantes, que caso contrário, teriam guardado as pedras para outros alvos, o que claro, não seria problemático para ninguém); até poderemos ser levados a crer que a polícia não ficou alegremente a assistir a estas cenas de violência; e acima de tudo, até nos poderíamos esquecer da vergonhosa atitude do Governo, que cedeu à chantagem da violência. Como escreveu o Adolfo (antes do debate), Sócrates gaba-se da sua firmeza, mas quem tenha andado de olhos abertos viu como esta ficou guardada na gaveta onde Soares pôs um dia o socialismo. É estranho que Sócrates vá por este caminho, dizendo coisas que, como é claro para todos, não correspondem à realidade. A única explicação plausível é a de que já está tão habituado a recorrer à propaganda sempre que vê num aperto, que não só não conhece outra forma de agir, como parece já nem ser capaz de distinguir a realidade da doce fantasia que criou a partir de São Bento. O problema é que todos os outros portugueses distinguem, e, como se viu esta semana, muitos deles estão dispostos a aproveitar-se da fragilidade do Governo para o chantagear, fazendo do país refém.

Posted by Bruno at 09:59 PM

junho 11, 2008

Um País Refém

José Pacheco Pereira comenta a pouca atenção dos responsáveis políticos ao "grave problema de ordem pública em Portugal." No Insurgente, há vários dias que se podem ler lamentos acerca da aparente inexistência de um verdadeiro Estado de direito em Portugal. Não poderiam ter mais razão. Mas infelizmente, o "grave problema de ordem pública" de Portugal não nasceu com este "protesto" das transportadoras e as suas ameaças aos camionistas que querem continuar com o seu trabalho. Ele vem de longe, tendo tido uma primeira manifestação séria na passividade da GNR perante os eco-terroristas de atacaram uma plantação de milho transgénico no Algarve, e voltou a dar preocupantes sinais aquando das cenas de violência no interior de uma esquadra. Com os "protestos" de pescadores e transportadoras, ganha maiores proporções, assustando o Governo, que em vez de ter posto a polícia a impedir o uso e ameaça de violência desde os primeiros dias dos protestos, ficou a assistir ao espectáculo e agora se prepara para "comprar" a "paz social" com cedências a quem usou a violência, ou ameaçou usá-la. anos e anos de desvalorização da manutenção da "ordem pública" não deixam de ter um preço: essa passividade é facilmente perceptível por toda a gente, e em períodos de crise, há sempre quem esteja disposto a aproveitá-la. É o caso dos participantes nestes "protestos", que ainda por cima, têm a vantagem de conseguir afectar aspectos como a distribuição de comida e combustíveis, ou seja, chantagear o Governo com o descontentamento e insegurança social que as suas acções irão provocar. E com o Governo prestes a fazer-lhes a vontade, o país ficará refém de todo e qualquer grupo que consiga subverter a ordem pública: todos ficarão a saber que, perante a anarquia, o Governo não tentará sufocá-la, antes lhe dará o que ela pedir. Obviamente, a anarquia pedir-lhe-à muito mais. Por isso mesmo, Manuela Ferreira Leite tem de intervir e exigir ao Governo que não ceda, e acima de tudo, que consiga impôr a ordem. Caso contrário, se um dia vier a ser ela a responsável pela governação ficará tão refém de "protestos" semelhantes a este como Sócrates está agora. E pior do que isso, tal como Sócrates, arrastará todo o país consigo.

Posted by Bruno at 07:00 PM

junho 10, 2008

Ferreira Leite e a falência do "socratismo" (publicado no Insurgente)

No post de ontem, afirmei que a recente participação de Manuel Alegre numa "festa" da "esquerda" ao lado de figuaras destacadas do BE, era sintomática da iminente falência do projecto de poder pessoal de José Sócrates. Por estranho que possa parecer, essa mesma falência terá consequências problemáticas para a nova líder do PSD, Manuela Ferreira Leite. José Sócrates embarcou numa política condenada ao fracasso, por depositar no Estado a esperança da condução de um processo de desenvolvimento económico; para o fazer, teve de "racionalizar" o aparelho de Estado, provocando o descontentamento dos seus dependentes que daí saíram prejudicados, e dos apoinates mais tradicionais, que vêem em qualquer remendo um sintoma de "neo-liberalismo"; e para "salvar" o "Estado social" em que manifestamente acredita, teve de sobrecarregar os portugueses com mais impostos que aqueles que poderia ser suportados por uma economia pobre e frágil numa conjuntura pouco favorável como a actual. O resultado, como seria de esperar, tem sido o progressivo esvaziamento do "socratismo": o PS arrisca-se a sofrer a perda do eleitorado tradicional que se sente "traído", e ao mesmo tempo, do eleitorado flutuante que está descontente com os resultados da política de Sócrates.

Em que medida constitui este esvaziamento um problema para Ferreira Leite? À partida, a ruptura desse eleitorado flutuante com o PS, ainda por cima agravada pelo desgosto de parte dos "fiéis", deveria assegurar ao PSD uma maioria absoluta que daria a Ferreira Leite as condições necessárias, não só para governar o país, como para pacificar o partido internamente. No entanto, a percepção (injusta mas vincada, e acima de tudo muito cimentada pelas "mentiras" de Durão e Sócrates, com as "trapalhadas" de Santana pelo meio) de que "todos os políticos são iguais", poderá levar esse eleitorado flutuante a ficar renitente em se virar para o PSD. Daí poderá resultar uma vitória do PSD em 2009, mas sem maioria absoluta, o que deixará Manuela Ferreira Leite com um complicado problema para resolver: como governar eficazmente, quando Portugal precisa de um governo capaz de fazer reformas difíceis? Muitos no PSD terão certamente a tentação de fazer uma coligação ou com o CDS/PP ou com o PS. Ambas as hipóteses seriam um erro.

No que diz respeito ao CDS/PP, o problema ate´poderá ser resolvido pelos lados do Caldas: se o partido liderado por Paulo Portas, que tem neste momento resultados em siondagens mais fracos que aqueles que eram obtidos na liderança de Ribeiro e Castro, continuar na mó de baixo, uma coligação à "direita" até poderá não ser suficiente para o PSD obter a maioria no parlamento. Se, por outro laqdo, o CDS/PP conseguir acordar, manuela ferreira leite deverá resistir aos muitos que lhe pedirão uma repetição da estratégia de 2002/05. A razão é simples: das duas vezes que o PSD formou com o CDS um "bloco" à direita (no apoio a Freitas do Amaral nas presidenciais de 1986, e no período de 2002 a 2005) nunca conseguiu ganhar uma eleição. A AD, o argumento que o leitor se preparava para usar como forma de me desmentir, foi um caso diferente, pois o PSD não formou esse "bloco" com o CDS: a coligação incluía também o PPM de Ribeiro Telles(um partido ambientalista de centro-esquerda) e os "Reformadores" dissidentes do PS. Longe de ser uma "coligação de direita" contra a "esquerda", a AD representou uma ampla aliança dos vários grupos da sociedade portuguesa que, da "direita" ao "centro-esquerda", queriam "libertar" Portugal da tutela militar e do "socialismo da miséria". Cavaco, por sua vez, ganhou (tanto nas legislativas como nas presidenciais) por ter conseguido, sozinho, reproduzir essa "coligação de vontades" em torno da sua pessoa.

Restará a hipótese de um novo "Bloco Central", uma "Grande Coligação" com o PS, que obrigaria inevitavelmente o governo daí resultante a colocar-se sob a tutela do Presidente Cavaco Silva. Esta opção seria ainda mais desastrosa, pois desgastaria não só o PSD, mas também todo o regime político português: ao puxar o Presidente da República, actualmente numa espécie de Olimpo de neutralidade político, para a arena da governação, e ainda por cima ao comando de uma maioria necessariamente conflituosa (com ambas as partes preocupadas em "ganhar posição" para o pós-queda dessa coligação), tal "solução" apenas conseguiria criar uma onda de descontentamento contra todas as instituições do regime: partidos, parlamento, Governo e Presidência. Instalar-se-ia uma crise sem fim à vista, até porque depois da queda de uma tal "Grande Coligação", será de esperar uma deslocação de parte do eleitorado dos dois grandes partidos para os partidos mais pequenos à sua "direita" e à sua "esquerda", fragmentando o sistema partidário e criando uma instabilidade que dificultaria a resolução da "crise" resultante da queda desse hipotético "segundo Bloco Central".

O que deve então fazer Ferreira Leite? Anunciar, logo à partida, que não se coligará com ninguém. E se não obtiver uma maioria absoluta, seguir o exemplo de Cavaco em 1985, governando em minoria e enconstando CDS e PS à parede: forçar o CDS a ter de escolher entre viabilizar um governo do PSD sem daí extrair qualquer benefício, ou ser responsabilizado pela entrega do poder à “esquerda”; e obrigar o PS a ter de escolher entre viabilizar as políticas de Ferreira Leite (e enfurecer o seu eleitorado tradicional), ou ser rotulado por ela, como um partido avesso a qualquer mudança e disposto a sacrificar o país em prol dos "privilégios" dos seus dependentes (afastando assim os eleitores flutuantes que decidem eleições). O PSD só terá a ganhar com este cenário. E o país não terá de pagar o preço de fugas para a frente que poderão ter consequências mais graves que os problemas que se pretendem resolver.

Posted by Bruno at 04:57 PM

junho 09, 2008

O Problema Socrático (publicado no Insurgente)

Na passada terça-feira, militantes do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista reuniram-se numa "festa" de celebração de "Maio" e "Abril", que pôs o Governo de José Sócrates em alvoroço. Tudo porque, entre os participantes, se encontrava Manuel Alegre, distinta figura do partido e principal rosto dos críticos internos da política do governo socialista. Alegre lá foi dizendo que não havia nada de mais em "a esquerda se reunir" para "celebrar" os "valores que tem em comum", mas não conseguiu esconder que aquilo que realmente unia os participantes era a repulsa pelas políticas governamentais. A "festa" poderia, à primeira vista, parecer um irrelevante fait-divers, uma inconsequente manifestação de militantes de um pequeno partido e de uns frustrados membros do partido de Governo. Mas a reacção da maioria, pela boca de Vitalino canas, mostra como Sócrates e os seus correligionários atribuíram maior importância à ocasião. E tiveram toda a razão em fazê-lo, pois a participação de alegre nesta "festa", e o tom muito crítico com que no seu discurso acusou o PS de esquecer os seus valores, são um sintoma do progressivo esgotamento do projecto de poder pessoal de José Sócrates.

Os estudiosos da cultura clássica, e da figura de Sócrates em particular, enfrentam um complicado problema: nos diálogos de Platão, o que corresponde ao verdadeiro pensamento de Sócrates? Estará Platão a reproduzir fielmente as opiniões do seu mestre, ou a usar a figura de Sócrates para ilustrar o seu próprio pensamento? Portugal, hoje em dia, também enfrenta o seu “problema socrático”, bem menos erudito mas de consequências bem mais gravosas: o do falhanço da governação de José Sócrates, e de como sair do poço em que ela nos fez cair.

José Sócrates pareceu viver, durante dois anos, num permanente estado de graça: é verdade que provocou contestação nas ruas, como é verdade que a polémica em torno da sua “licenciatura” o terá atormentado. Foi derrotado nas autárquicas, e o seu candidato presidencial foi derrotado não só por Cavaco Silva, como pelo dissidente Manuel Alegre. No entanto, uma vitória mais magra que eu em Lisboa fez esquecer o domínio laranja do mapa autárquico, e Cavaco Silva é geralmente visto como um Presidente mais agradável a Sócrates do que Soares alguma vez seria. Acontecesse o que acontecesse, o primeiro-ministro socialista parecia sempre sair incólume dos mais variados acidentes políticos.

Essa imagem idílica de uma governação “firme” e “rigorosa”, com um rumo aceite por todos, até por aqueles que contra ele protestavam, não passou de uma ilusão. A remodelação relutante de Janeiro, feita sob pressão da opinião pública, as descidas do primeiro-ministro nas sondagens (que só não são descidas do PS, porque o PSD não surge como alternativa credível), e as críticas à “arrogância” governamental de figuras como Manuel Alegre, Ferro Rodrigues ou Vera Jardim, sintoma de um incómodo do “PS profundo” com a política do partido, puseram a nu as fragilidades da governação, e os “Três I’s” que caracterizam o “problema socrático” português: a irrazoabilidade da estratégia definida pelo primeiro-ministro, a insustentabilidade da sua base social de apoio, e a inconsciência com que Sócrates se lançou por esse caminho.

A Grande Ilusão
O facto de o antecessor de José Sócrates ter sido Santana Lopes facilitou a sua ascensão. Em 2005, a generalidade dos portugueses estavam dispostos a depositar a sua confiança em qualquer pessoa que se propusesse substituir “aquilo”. Ainda para mais, o PS surgiu na campanha eleitoral com um discurso em que afirmava não ser necessário mais do que “confiança” para Portugal recuperar da crise: os portugueses precisavam de “acreditar”. Como boas almas que são, “acreditaram” e deram a maioria ao PS. Mas, como logo se viu, era preciso um bocadinho mais do que “confiança”. Era preciso “exigir sacrifícios”, como Manuela Ferreira Leite sempre dissera, e o PS agora concordava. Uma boa parte da “opinião pública”, desta vez, não “acreditou”, e logo acusou o Governo de promover um “ataque” ao “Estado social”. Sócrates, susceptível como é, não pôde deixar de ficar ofendido, e jurou a pés juntos que só fazia o que fazia para “defender” o tal “Estado social”: por uma vez na vida, falava verdade. Os cortes nos “direitos adquiridos” dos portugueses mais não reflectem que uma tentativa desesperada de manter o “modelo social” de dependência do Estado hoje vigente. Ao mesmo tempo, a insistência do Governo em grandes projectos de obras públicas (o novo Aeroporto de Lisboa, o TGV) ou em programas de “apoio ao investimento” (subsídios às empresas pagos pelo contribuinte), revelam como a estratégia de Sócrates para sair da “crise” assenta na acção do Estado como “motor” desse desenvolvimento.

Esta fé no Estado, como garante da “justiça social” e “alavanca” para a “modernização” do país, é a “Grande Ilusão” de Sócrates, como aliás tem sido de todos os governantes portugueses. E como eles, Sócrates logo se deparou com a dura realidade por trás do delírio: em primeiro lugar, um funcionalismo burocratizado e partidarizado, particularmente permeável à pressão de grupos de interesse e mais propenso a decidir em função da força dos lobbys organizados, do que em função de uma qualquer racionalidade económica (e sem a “sensibilidade social” que o PS diz tanto amar, como mostram os casos da recusa de reforma antecipada a professores doentes com cancro), dificilmente poderá ser um instrumento para o desenvolvimento da economia. Em segundo lugar, o investimento público, em si, é uma duvidosa arma: ele só é relevante se não fizer o que os privados fariam de qualquer maneira (para quê ter o Estado a fazer com o dinheiro dos contribuintes o que um qualquer investidor privado faria de boa vontade?). Mas ao fazê-lo, está, através dos impostos que cobra para se financiar, a desviar recursos de actividades produtivas (se não fossem produtivas, dificilmente alguém estaria disposto a envolver-se nelas) para actividades pouco rentáveis (por alguma razão os privados não as escolheram), ou seja, desperdiçando esses recursos. Veja-se o caso dos subsídios, anunciados no início da legislatura, a serem entregues às empresas que contratem “jovens” para os seus quadros: se esses forem empregos que criem alguma vantagem, as empresas tenderiam a criá-los de qualquer forma, e o apoio estatal é irrelevante; se forem empregos desnecessários, o Estado está a retirar dinheiro a outras empresas (diminuindo a hipótese de estas criarem empregos), para que se criem empregos que não trazem qualquer benefício à economia. O Estado privatiza os benefícios e nacionaliza os custos, aliviando as empresas favorecidas do encargo de pelo menos parte dos salários dos seus empregados, e sobrecarregando os contribuintes com impostos, que diminuem a capacidade de investimento das empresas e a criação de empregos, para além de agravar as condições de vida da generalidade da população.

Este é o aspecto mais negativo da “Grande Ilusão” estatista. É costume dizer-se que Portugal não pode dispensar um Estado amplamente interventivo, devido à sua pobreza, mas é precisamente por ser pobre que Portugal não aguenta um Estado tão pesado. Um país tão pouco produtivo, tão escasso em recursos, não se pode dar ao luxo de ver os seus cidadãos entregarem, todos os meses, metade do rendimento do seu trabalho ao Estado, para este o desperdiçar, como inevitavelmente acontecerá. Países mais ricos podem atirar mais de metade da sua riqueza para o caixote do lixo (ou para os bolsos de uma elite que vive dos esforços do contribuinte), porque a metade que resta é suficiente para levarem uma vida confortável. Os portugueses, privados de metade da sua riqueza, ficam com muito pouco.

O mais grave é que aquilo que lhes é tirado também não chega para alimentar o Estado. Os recursos do país são demasiado limitados, e para promoverem as suas políticas intervencionistas, os governos têm de se endividar. Como os “sacrifícios” dos anos recentes provam, esse endividamento terá forçosamente de se traduzir em mais impostos no futuro, e portanto, em cidadãos ainda mais pobres. Em troca, o Estado português poderia oferecer o “modelo social” que Sócrates quer “defender”, mas este está gasto: a realidade demográfica condena um número cada vez menor de contribuintes a gastar cada vez mais dinheiro para que um número cada vez maior de pensionistas receba cada vez menos. Para sobreviver, o “Estado social” depende da mesma carga fiscal elevada que pretende compensar, e por isso, apenas agrava o problema que quer resolver. Os pilares da estratégia do Governo (um Estado interventivo e pretensamente protector), como se vê, estão condenados à ruína. Sócrates, no entanto, segue esse seu rumo sem aparente hesitação. O que leva o homem a caminhar de forma “firme” e “decidida” para um precipício?

A Absoluta Necessidade de Maioria
Em tempos, o dr. Mário Soares terá lamentado, de forma célebre, que o PS estaria repleto de "pessoas" que a ele haviam aderido "porque estava na área de poder", que pensavam que "a política era o exercício do poder e não o exercício de oposição", homens "gestores de empresas ou candidatos a tal" ou à "direcção de sectores da administração pública". É uma frase que me merece ser recordada, não só por ser bem ilustrativa da realidade dos primeiros anos do Partido Socialista, mas por explicar a política do actual Governo.

O que a frase mostra é a importância, para o PS, da obtenção de uma maioria absoluta. Partido que cresceu no Estado, precisa do Estado para segurar a sua base social de apoio. E precisa, acima de tudo, de dominar sozinho o Estado, para que não tenha de partilhar as suas já de si limitadas benesses. A história do Partido Socialista até 2005 é a da incapacidade de obter esse domínio absoluto do Estado, e do preço que foi pagando por esse falhanço. De 74 a 78, nunca (excepto aquando da ruptura com o "gonçalvismo") o punho cerrado dos socialistas esteve fora do poder. Mas essa aparente demonstração de força escondia a extraordinária fraqueza do dr. Soares e do seu "séquito". Em 1976, o então Primeiro-Ministro queria fazer do PS o "partido-charneira" da "vida política" portuguesa, o único capaz de fazer alianças "à direita ou à esquerda". Na realidade, o PS estava prisioneiro na "ponte de diálogo" que ele próprio se constituía. Qualquer aliança que fizesse o retirava dessa sua posição de mediador, juntando-se ou à "reacção" ou à "revolução".

Em Novembro de 1977, Soares ainda não via qualquer necessidade de se aliar a um qualquer outro partido com representação parlamentar. Especialmente com o PSD, pois este “mal se distinguia do CDS". Distinguia-se, no entanto, num aspecto essencial: na dimensão eleitoral. O CDS era mais pequeno, e portanto, tinha menos "empregos" para distribuir. E quando a ingovernabilidade arriscou trazer eleições antecipadas, o PS lá "convergiu" com o CDS. Não durou muito tempo, e os socialistas passaram a lutar uns contra os outros. Em 1983, voltam a ganhar as eleições, de novo sem maioria absoluta. De novo formam uma coligação, mas desta vez com um parceiro maior (o problema, Eanes, também era maior), e quando o Bloco Central caiu, a luta posterior foi ainda mais fratricida. Nem a vitória de Soares nas presidenciais pacificou o partido (antes pelo contrário), e Guterres só foi tolerado porque o poder parecia estar ao seu alcance. Mas talvez por essa animosidade existir, Guterres preferiu governar sozinho, para não impor aos boys socialistas o sacrifício de partilharem empregos com o CDS de Monteiro. Mas para governar com maioria relativa, teve de, com o seu famoso “diálogo”, conciliar todo e qualquer interesse, parecendo “indeciso” aos olhos dos portugueses, e demasiado generoso para com os adversários, aos olhos dos socialistas (recorde-se o “Orçamento Limiano”).

Por isso, em campanha eleitoral, a maioria absoluta foi o objectivo central do PS. Por isso, no Governo, toda a condução política se subordina à sua renovação em 2009: as suas “reformas” têm como propósito a criação de uma imagem de líder “decidido” que contraste com os seus antecessores (nomeadamente Guterres); a “Grande Ilusão” estatista, por sua vez, enquanto dificulta a vida à maioria dos portugueses, vai aguentando a dos boys do PS. Com a sua propaganda, o PS poderá manter a ilusão viva, e assim aguentar algum tempo (o suficiente para obter uma nova maioria absoluta em 2009), mas o país não aguenta certamente.

O Preço a Pagar
Os contemporâneos de Sócrates (o grego) falavam de algo que designavam de hubris: quando um mortal se esquece da sua condição, e ultrapassa os limites impostos pelos deuses, estes acabarão por castigá-lo duramente. Ao se agarrar a uma estratégia irrazoável, sem qualquer hipótese de ser bem sucedida, porque a ambição de se manter no poder o cegou para a realidade, Sócrates é, também ele, culpado de um acto de hubris. Como mortal que é, acabará inevitavelmente por ser castigado pelos deuses. A começar pelos do Olimpo do Rato.

Como facilmente se depreende do incómodo dos “históricos”, o “socratismo” não é muito querido do aparelho socialista. Se os “boys” se mantêm em paz, é porque a maioria absoluta garante empregos suficientes. O problema é que ela poderá não durar muito. A crispação do “combate” aos “privilégios” acabará por criar descontentamento em tantos lugares que poderá fazer com que o feitiço se volte contra o feiticeiro. No entanto, se não mantiver essa postura, essa imagem de “anti-Guterres”, que aparentemente terá seduzido até o dr. Soares, começará a ruir, e com ela o edifício do poder socialista. Mais grave ainda, a ineficácia das “reformas” do Governo não pode ser escondida por muito tempo, e quando se tornar clara aos olhos de todos, far-se-á sentir nos resultados eleitorais. E aí morrerão os “empregos”, e sem eles, o PS que só a custo suporta o “socratismo” entregar-se-á a uma luta bem mais fratricida que a do pós-Bloco Central, e o primeiro-ministro perceberá o carácter insustentável da dependência de uma base social de apoio que não concorda com as suas políticas.

O país, claro, não será poupado. Não só ficará mais pobre, como um novo falhanço governamental, depois de Guterres, Durão e Santana, descredibilizará ainda mais a classe política portuguesa, diminuindo a margem de manobra para a aplicação de uma política verdadeiramente reformista, e portanto, condenando os portugueses a um empobrecimento ainda mais acentuado. Sócrates não só se agarrou a uma política condenada ao fracasso, na esperança de segurar uma base social de apoio que o abandonará mais tarde ou mais cedo, como o fez com uma inconsciência tal, que não parou um segundo para pensar em que estado deixaria o país.

Há uma saída possível. Sócrates poderá fazer como outro seu homónimo (o jogador brasileiro dos anos 80) e “fintar” o problema, ir por outro lado e apanhar a bola mais à frente: teria de explicar aos portugueses como o “modelo social” actual não pode sobreviver, e propor uma alternativa. Teria de explicar aos portugueses que ele e os seus antecessores falharam ao escolher um “modelo social” que os empobreceu. Teria de explicar aos portugueses que o Estado não é um bom instrumento de “justiça social”, muito menos de desenvolvimento económico. Mas para isso, Sócrates teria de o perceber, e de ter uma ideia acerca da alternativa possível. Infelizmente, não só parece não querer correr o risco de os eleitores escolherem outro caminho que não o seu, como não parece acreditar em outra coisa que não o que lhe dizem as sondagens.

Se Sócrates poderia imitar o seu homónimo brasileiro, os eleitores poderiam fazer o papel de Telé Santana, seu treinador na selecção de 82, e perante a má exibição do jogador, substituí-lo. Mas, até ao fim-de-semana passado, no banco não esteve um qualquer virtuoso como Zico, mas sim Menezes ou outro Santana (“o Pedro”), e uma vez subsituídos por Ferreira Leite, resta saber se não tentarão incapacitá-la de entrar em campo em 2009 (promovendo uma guerrilha interna que destrua o partido). O aspecto mais grave do “problema socrático” tem sido a total ausência de uma alternativa credível, de alguém que faça o que Sócrates não quer fazer: dizer a verdade aos portugueses, e propor-lhes uma saída para a “crise” que não passe pelo seu agravamento. Talvez seja esse o preço que os eleitores pagam pela hubris de acreditarem na “Grande Ilusão” estatista. Se tiverem, com Ferreira Leite, uma oportunidade de se redimirem, seria bom que njão a desperdiçassem. Poderá muito bem ser a última.

Posted by Bruno at 04:38 PM

junho 07, 2008

A Ler

A entrevista, ao Financial Times, de David Simon, autor da melhor série de televisão de sempre, The Wire.

Posted by Bruno at 10:21 PM

junho 06, 2008

No Leitor de CD

The Ricky Gervais Show

Posted by Bruno at 10:02 PM

junho 05, 2008

Expectativas

No telejornal da RTP de hoje, José Rodrigues dos Santos perguntou ao correspondente em Neuchatel "que tipo de arbitragem espera a selecção durante este Euro 2008". Confesso que não fiquei para ouvir a resposta, mas uma coisa posso garantir: não é este o tipo de informação que espero que de um telejornal. Embora, pensando bem, cada vez mais me vou habituando a esperar exactamente isto.

Posted by Bruno at 09:56 PM

junho 04, 2008

A "Festa" de Alegre

Manuel Alegre participou ontem numa "festa" com o Bloco de Esquerda e "renovadores comunistas", em que, mais do que os "valores partilhados", aquilo que os unia era a vontade de cavalgar na onda de descontentamento que vai afligindo o Governo de José Sócrates. Aliás, não é em vão que Manuel Alegre resolve fazer agora os seus ataques mais violentos a Sócrates e às suas políticas. O seu discurso de ontem (e a maneira como o PS o atacou por se associar ao evento) são um sintoma da inevitável falência do "socratismo": o PS arrisca-se a sofrer a perda do eleitorado tradicional que se sente "traído" pelas políticas de Sócrates, e ao mesmo tempo, do eleitorado flutuante que está descontente com os resultados dessas políticas. Esse esvaziamento da base de apoio que sustentou o "socratismo" pode não levar à sua "falência" já em 2009, mas começa a manifestar-se de forma mais acentuada, e é o facto de perceber isto que leva Manuel Alegre a colocar-se na posição de defensor dos "traídos" de 2005. O PS de Sócrates começa a fazer lembrar os últimos anos de Guterres, quando Carrilho sentiu que havia chegado a hora de abandonar o barco e começar a bombardeá-lo, e os eleitores começaram a desconfiar da "ilusão" que lhes havia sido vendida. Alegre quer explorar essa crescente fragilidade para, em cima das eleições, se juntar de novo a Sócrates (impondo-lhe determinadas condições, claro), e permitir a "união" do PS contra a "obsessão orçamental" da malévola Ferreira Leite. Mas Alegre talvez não esteja a medir bem o risco da sua aposta. Se, por azar, for "demasiado eficaz" no seu ataque ao "neo-liberalismo" socrático, poderá não haver nada para salvar, e em vez de se "unir", o PS ficará entregue a uma luta fratricida que fará das actuais escaramuças do PSD uma cordata reunião de amigos. Dos convivas de ontem, só Louçã poderá ficar contente com tal cenário.

Posted by Bruno at 09:55 PM

junho 03, 2008

Obama e Clinton

Terminam hoje as eleições primárias Democratas, e Barack Obama deverá vir a obter desde já o número de delegados suficiente para poder ir descansado à Convenção que escolherá o candidato a Presidente. Aliás, há já algum tempo que Hillary Clinton deixara de ter qualquer hipótese de vir a suplantar o seu adversário, o que levou muita gente a pedir-lhe que desistisse. A senhora, claro, não o fez, e muita gente viu nessa insistência o sinal de que haveria um "segredo" acerca de Obama prestes a ser revelado e que iria acabar com ele; ou uma tentativa de assegurar para a senhora Clinton uma palavra a dizer na definição da agenda da plataforma democrata; talvez uma tentativa de desunir tanto o Partido Democrata ao ponto de, para garantir um "ticket" Obama-Clinton e evitar a derrota, Obama tivesse de aceitar ser Vice-Presidente de Clinton, mesmo tendo vencido as primárias; outros viram na relutância de Clinton em desistir da cegueira de uma mulher excessivamente ambiciosa. No seu blog, Toby Harnden avança com outra hipótese: Hillary, sabendo que a continuação da luta apenas fragiliza Obama, está a tentar vender a sua desistência em troca de uma ajudinha de Obama para pagar as dívidas da sua campanha.

Posted by Bruno at 10:17 PM

junho 02, 2008

Um Caminho Para Ferreira Leite

No blog da Atlântico, o Paulo Pinto Mascarenhas fez o favor de lembrar o artigo que escrevi em meados do ano passado, propondo "um caminho para o PSD". Com a vitória de Manuela Ferreira Leite, e tendo em conta o que ela foi dizendo ao longa da sua campanha, parece-me haver uma boa oportunidade para o PSD voltar a dizer aos portugueses que "uma sociedade mais livre será uma sociedade mais justa", e reformular a relação entre o Estado e os cidadãos de forma a atinigir esse objectivo. Mas para não desperdiçar esta oportunidade, Manuela Ferreira Leite terá de ter em atenção outra coisa que escrevi nesse mesmo artigo: "terá de perceber que, ao contrário dos seus antecessores, terá de conduzir a opinião pública, em vez de ser conduzido por ela." Numa conjuntura em que as condições do exercício da actividade política se degradaram de uma forma muito acentuada, em que os cidadãos desconfiam de tudo o que todos políticos dizem, esta será a grande dificuldade que Manuela Ferreira Leite terá de enfrentar. Se não o conseguir, Portugal enfrentará uma nova série de anos de adiamento da resolução dos problemas que afectam o país.

Posted by Bruno at 07:30 PM

junho 01, 2008

The Black Swan

No Fora.tv, Nassim Nicholas Taleb fala acerca do seu livro The Black Swan, e explica como "o futuro foi sempre mais louco do que pensamos", qual a dificuldade de "prever" o futuro e o impacto da "aleatoridade" (randomness) nas nossas vidas.

Posted by Bruno at 07:22 PM