Escrito pela mão invisível de Bruno Alves. Comentários e opinião: alves.bm@netcabo.pt

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dezembro 31, 2007

O Futuro do PSD

Na Atlântico de Setembro, escrevi um artigo sobre o PSD, agora disponível no blog da revista. O artigo foi escrito antes das eleições directas, quando não se sabia quem seriam os candidatos (Mendes e Menezes estavam mais ou menos confirmados, mas talvez aparecesse outro), e apesar da pouco escondida simpatia por Marques Mendes, pretendia propôr um caminho para o PSD, independentemente dos nomes dos candidatos à liderança. À altura, esperava que Mendes fosse o vencedor, e o tal "caminho" correspondia ao que eu esperava que Mendes pudesse vir a fazer no seu segundo mandato enquanto líder do PSD: tendo em conta que "anos e anos de poder transformaram" o PSD "num partido de pessoas que querem manter o emprego público", e que "ao mesmo tempo", "os portugueses foram sendo amarrados a um Estado Social que apenas garante o empobrecimento generalizado da população", o PSD teria de mudar e adoptar uma série de propostas liberalizantes, pois "nenhum partido, excepto o PSD, "poderá libertar" os portugueses. E "se é verdade que não o tem querido fazer, também parece ser cada vez mais verdadeira a ideia de que não lhe resta outra alternativa que não passar a querer". Depois, como se sabe, Menezes ganhou, e o "caminho" escolhido foi outro. Passe a imodéstia, nada me fez mudar de opinião quanto à necessidade do PSD seguir aquilo que propus.

Posted by Bruno at 04:10 PM

dezembro 29, 2007

O Peso do Estado

Na Quadratura do Círculo desta semana, Jorge Coelho, a propósito da entrevista de Menezes ao Expresso em que este afirma pretender "desmantelar o Estado", disse que num país com os problemas sociais que Portugal enfrenta não pode dispensar o "modelo social" que o Governo defende. Não querendo defender Menezes (coisa que faria se atribuísse alguma credibilidade ao que ele disse), parece-me que a declaração de Jorge Coelho mostra uma incompreensão do problema do Estado e do seu peso na sociedade portuguesa que é muito comum na opinião pública. Pois longe de ser uma solução para os tais problemas sociais, o peso do Estado apenas os agrava. Um país pobre como o nosso não se pode dar ao luxo de ver uma vasta parte dos seus cidadãos cederem metade do seu rendimento para alimentar uma máquina estatal pesada, burocratizada e politizada que lhe cria mais problemas do que aqueles que resolve. É precisamente por ser mais pobre que os outros países europeus que Portugal não pode canalizar uma parte tão grande dos seus diminutos recursos para uma máquina estatal que serve para dar empregos aos filiados nos partidos políticos, enquanto os restantes cidadãos ficam dependentes de um "modelo social" condenado à falência a longo prazo. A pobreza de Portugal, longe de, como pensa Jorge Coelho, ser um argumento para meros remendos do que existe, apenas mostra como uma profunda mudança é necessária, e como ela deve passar pela diminuição do peso do Estado.

Posted by Bruno at 09:45 PM

dezembro 28, 2007

A Ler

O texto do meu colega insurgente Hélder sobre por que razão a intervenção estatal é negativa para a sociedade:

"Não podemos esperar que os BCP’s deste mundo queiram ser independentes do poder político quando, de facto, é ele que os protege da concorrência, é ele que cria barreiras à entrada de outros, é ele que obriga à falência ou ao aborto de qualquer iniciativa que ponha em risco o status quo. Por um preço, claro.
Por essas e por outras é que os liberais pedem que o estado se afaste dos negócios, para que não haja filhos e enteados, os privilegiados e os outros. Parece difícil de perceber."

Posted by Bruno at 10:07 PM

dezembro 27, 2007

No Leitor de DVD

Homicide season 3

Posted by Bruno at 09:57 PM

dezembro 26, 2007

Menezes e o Estado

Na sua entrevista ao Expresso, Luís Filipe Menezes afirmou que deseja ver o Estado fora "do ambiente, das comunicações, dos transportes, dos portos", que deixe aos privados a "prestação do Estado Social", e que ponha um fim aos "monopólios na saúde, educação e segurança social". Numa frase, propôs-se "desmantelar o Estado social em seis meses". Gente que prezo e com quem costumo concordar, como o Rui Albuquerque e o Rodrigo Adão da Fonseca, apressou-se a elogiar as palavras do líder laranja, vendo-as como sinal de um louvável liberalismo. É duvidoso que sejam. Porque poucos dias depois de tão liberais palavras, o dr. Menezes, assistindo ao espectáculo da tomada de controlo do BCP por parte do aparelho socialista, pedia que o cargo, a ser deixado pelo futuro líder do Millenium PS, de presidente da Caixa Geral de Depósitos fosse entregue a alguém do PSD, num saudável espírito de partilha do poder. Por muito agradáveis que as suas palavras ao Expresso pudessem ter sido para o Rui e para o Rodrigo, é difícil atribuir-lhes um mínimo de credibilidade depois do pedido de emprego para Miguel Cadilhe (nome proposto por Menezes para a CGD).

A credibilidade do "liberalismo" de Menezes é ainda menor, quando se percebe o sentido da sua incoerência. Se mentalmente sãs, as pessoas têm sempre racionalidade, mesmo que os seus fins sejam irrazoáveis: há sempre uma razão a motivar uma acção, por muito absurdas que ambas possam ser. Até mesmo a sua incoerência é, de certo modo, coerente: Santana, por exemplo, diz a primeira coisa que lhe vem à cabebeça e que ele ache ir provocar empatia no auditório (o que funciona melhor nos Congressos do PSD do que no parlamento); Portas disse tudo e o seu contrário para agradar a quem se estivesse a dirigir num determinado momento (o que acaba por provocar em todos eles a desilusão quando ele se vira para outro lado). Menezes, por sua vez, diz tudo o que, no seu entender, possa vir a provocar o "desgaste" do Governo, para que, como aqui tentei explicar, o PSD autárquico aproveite o descontentamento com a acção do Governo para garantir uns quantos empregos nas várias empresas municipais. E, se no decorrer do processo, Menezes conseguir uns quantos empregos para um ou outro boy laranja no Estado central (por exemplo, a presidência da CGD), ele certamente não se importará: em vez de "desmantelar o Estado", Menezes deseja partilhá-lo com o PS. Por entre o nevoeiro da sua incoerência, basta olhar com atenção para o que ele diz para o perceber.

Posted by Bruno at 10:19 PM

dezembro 22, 2007

Caro leitor, os próximos dias deverão ser de inactividade. O regresso fica para daqui a alguns dias, até lá, um Bom Natal.

Posted by Bruno at 09:52 PM

dezembro 21, 2007

País Interrompido

O Natal aproxima-se e, como de costume, o país parece fugir para outro lado. Mal se aproxima a "quadra", a política portuguesa pára, como se não existissem problemas que precisam de ser resolvidos e tudo funcionasse às mil maravlihas. Claro que se ouvem os comerciantes a dizer que "isto" está cada vez mais difícil, logo seguidos das reportagens sobre o cada vez maior número de portugueses que fazem viagens ao estrangeiro. Mas tudo isto não passa de uma colecção de curiosidades que os jornalistas usam para encher os telejornais. De resto, as preocupações reais dos portugueses e a discussão dos seus problemas entram de férias. Nada de anormal. Aliás, em Portugal, esse estado de interrupção é quase permanente. Em chegando a Junho, e especialmente em anos de Mundial ou Europeu de futebol, a realidade começa a desaparecer dos telejornais. Por Agosto, já só a chegada dos emigrantes às vilas natais resta do mundo exterior. Em Setembro, lá se começa a ver mais qualquer coisinha, mas só lá para Outubro o país recomeça a ver no seu ritmo normal (lento). Claro que em chegando a Dezembro, de novo tudo desaparece, restando apenas as luzes na Baixa lisboeta e reportagens sobre o preço do bacalhau e dos brinquedos da moda. À excepção do ocasional incêndio (no Verão) e as habituais inundações (no Inverno), o país interrompe a sua vida normal durante quatro a cinco meses por ano. Olhando para isto, o estado actual de Portugal não pode espantar ninguém, a não ser quem só viva cá durante esses meses em que a realidade se apaga. A crer nas sondagens e na popularidade que o Primeiro-Ministro nelas vai mantendo, até devem ser bastantes.

Posted by Bruno at 10:29 PM

dezembro 20, 2007

A Ler

O artigo (com continuação amanhã) de Maria João Avillez sobre o PSD de hoje.

Posted by Bruno at 11:01 PM

dezembro 19, 2007

O Problema de Obama

Durante meses, as "previsões" acerca das eleições presidenciais americanas de 2008 eram as mesmas, viessem de onde viessem: nos Republicanos, a escolha do candidato nomeado seria uma lotaria, mas nos Democratas, Hillary Clinton nem sequer precisaria de fazer campanha. De repente, a coisa começou a correr mal, e Barack Obama tornou-se o "moço fofo" de todos. Gente inteligente como Andrew Sullivan e Fareed Zakaria entusiasma-se com a figura e a personalidade do "candidato da esperança", como lhe chamava a The Economist. E de facto, uma vitória de Obama em 2008 dava uma boa primeira página de jornal: um presidente afro-americano, com família muçulmana, vende mais jornais que um branco cinquentão, e, como diz o André Amaral, seria o portador da melhor mensagem que a América poderia transmitir a um miúdo no Paquistão: até alguém como ele pode chegar a Presidente. E depois, com Obama vem uma mensagem de mudança, de uma outra geração com outras preocupações que não a discussão do Vietnam até à eternidade. Duvido, no entanto, que todo este entusiasmo seja merecido.

Porque se a vitória de Obama seria uma boa capa de revista, o que viesse a sair da sua presidência talvez não o fosse, ou talvez não o fosse pelas melhores razões. E basta pensar o que propõe Obama para o Iraque: a retirada imediata das tropas americanas. Depois de prometer isto nas eleições, Obama tem dois caminhos: ou cumpre, ou finge que esquece a promessa, que seria aliás cada vez menos repetida até Novembro, caso fosse o noemado pelos Democratas. A cumprir a promessa, conseguiria obter apenas e só um resultado: uma carnificina no Iraque. No entanto, alguns dirão, uma vez chegado à Casa Branca, o inexperiente Obama tomaria consciência das escolhas complicadas que têm de ser feitas, e perceberia que não poderia cumprir a promessa. Mas a ser assim, muito rapidamente Obama queimaria a "esperança" na sua pessoa: ao ignorar uma promessa eleitoral tão relevante como esta, Obama estaria a mostrar que, afinal, é apenas um "político" como "os outros", preocupado em ser eleito e capaz de, "como Hillary Clinton ou Mitt Romney", dizer o que for preciso para o conseguir. Ao esquecer essa promessa, Obama mostraria que em nada difere do establhisment de Washington que tanto diz desprezar. Se a cumprir, será o responsável por uma desgraça. Faça o que fizer, a "esperança" que hoje se deposita nele será, uma vez eleito, sol de pouca dura.

Posted by Bruno at 10:02 PM

dezembro 18, 2007

Direitos

O Fórum TSF de hoje teve como tema a nova "lei do tabaco". Como seria de esperar, ouviu-se muita conversa acerca dos mais variados direitos, desde o "direito à saúde" ao "direito a não ser incomodado", passando pelo "direito a não ser marginalizado" e o "direito à respiração" (o meu preferido). Como também seria de esperar, ninguém falou dos únicos "direitos" que interessam para esta questão, o dos donos dos cafés e dos restaurantes a decidirem qual o tipo de serviço que querem prestar. Se a lei não se lembra disso, por que razão haveriam os excitados participantes do Fórum?

Posted by Bruno at 11:19 PM

dezembro 17, 2007

Operação Areia Para Os Olhos

No décimo episódio da primeira temporada da série The Wire, uma das agentes da unidade de investigação na qual se centra o enredo é alvejada por uns membros do gang investigado. No décimo primeiro episódio, os comissários da polícia de Baltimore ordenam uma série de raids que, possibilitando algumas detenções e apreensões, boas para mostrar à imprensa e para dar a ideia de que a polícia se está a "mexer", acabam por prejudicar a investigação acerca desse grupo criminoso, pois atingidos pela operação policial, suspendem a sua actividade, impossibilitando os agentes da dita unidade de prosseguir as suas escutas e a observação do modus operandi dos criminosos. Quando soube da Operação Noite Branca, não consegui deixar de me lembrar desta história, e de pensar que a tal "Operação" foi mais "Areia Para os Olhos" do que "Noite Branca".

Posted by Bruno at 10:23 PM

dezembro 15, 2007

"Nunca Digam Mal da Televisão"

Como o leitor mais atento certmente saberá, ocupo grande parte do meu tempo a ver televisão. Recentemente, a entidade paternal achou por bem alargar o leque de canais disponíveis, e desde então, ando perdido: desde jogos da Liga Inglesa de futebol a canais de leste com filmes dobrados com um só indivíduo a fazer as vozes de todas as personagens, passando pelo surreal Cubavision, há de tudo. Até canais que passam Deadwood ou The Wire. Felizmente, tenho dado o tempo por bem empregue. Tenho podido rever pela enésima vez velhinhos episódios dos Simpsons, ver mais episódios da excelente série britânica Foyle's War, ver a série da "banda" neo-zelandesa Flight of the Concords, e especialmente, descobrir a genial comédia Arrested Development. Como diria Homer Simpson, "nunca digam mal da televisão".

Posted by Bruno at 11:20 PM

dezembro 14, 2007

Estado de Alma

Lenine descansadinho
Mais para lá do que para cá.

Posted by Bruno at 10:49 PM

dezembro 13, 2007

No Leitor de DVD

bob dylan dont look back

Posted by Bruno at 11:14 PM

dezembro 12, 2007

Para Acordar

No meio dos inúmeros elogios à prestação do Primeiro-Ministro enquanto presidente em exercício da União Europeia, talvez fosse bom olhar um pouco para o que se passou hoje no Parlamento Europeu. Por cá, os jornalistas não se cansam de servir de veículo à propaganda de Sócrates e da Comissão (outro português a pensar em eleições futuras), e se alguém faz alguma crítica ao Primeiro-Ministro é, como Menezes ou Santana, para dizer que Sócrates "precisa de prestar mais atenção a Portugal" (o que tem sempre a vantagem de mostrar que ele está "muito empenhado" em dignificar "a imagem" de Portugal "lá fora"). Mais do que a falta de perspicácia desta rapaziada, este discurso mostra a sua preguiça: ambos os "argumentos" são usados para todas as presidências portuguesas da UE. São sempre "extraodinárias", só se lamentando que, enfim, não se "olhe mais para o país". Dizer sempre a mesma coisa a propósito de tudo e todos tem a vantagem de dispensar a necessidade de reflectir sobre o que se está a passar, o que, para os jornalistas e líderes da oposição, é uma benção.

Mas se se olhar para o que na "Europa", tão falada mas pouco ouvida, se vai dizendo acerca da "nossa" presidência, vê-se como nem tudo é tão extraordinário assim. Em primeiro lugar, o "sucesso" da assinatura do Tratado deve-se pouco a Portugal, e de qualquer das formas, ainda teremos de esperar para ver no que dará a sua aplicação: como diz Pacheco Pereira, ou não vai passar de um conjunto de regras a que ninguém obedecerá à primeira dificuldade, ou é aplicado e vai dar asneira. Sócrates talvez não devesse estar tão ansioso para ficar com os louros deste "sucesso" em particular. Em segundo lugar, a outra grande realização da presidência, a Cimeira com África, apenas conseguiu dividir a "Europa" (Brown e outros responsáveis políticos europeus preferiram ficar em casa a darem relevância ao evento), esse pecado de que tanto acusaram Blair, Aznar, Barroso e a restante maioria de líderes europeus que se mantiveram do lado dos EUA na questão do Iraque, e dar tempo de antena a um colorido grupo de tiranos e criminosos. Em terceiro, na questão que mais deveria preocupar a "Europa", a presidência portuguesa mostrou-se impotente para serolver o problema do Kosovo. Convenhamos que pouco poderia fazer. Mas não deixa de ser de assinalar que, no meio de tanta propaganda e festividade, Sócrates e Amado tenham dado a ideia de se preocuparem mais em dar uma tenda para Khadaffi em Oeiras, do que em procurar uma solução para uma questão gravíssima. A presidência portuguesa talvez acabe a tempo de Sócrates evitar que a violência no Kosovo rebente nas suas mãos, mas alguém que está tão interessado em enaltecer o seu papel internacional não deveria tentar esconder a sua responsabilidade, mesmo que curta, nesta questão.

E em último lugar, o que se passou no Parlamento Europeu: Sócrates está habituado a tratar os deputados portugueses abaixo de cão (a começar pelos do seu partido que, pelo menos por enquanto, parecem limitar-se a abanar a cauda de satisfação). Esquece-se que, "lá fora", existem democracias a sério, nas quais participam políticos que pouco interesse têm em ouvir Sócrates dar-lhes lições acerca da "inevitabilidade" do caminho que propõe. A gritaria de alguns deputados a pedir um referendo e a reacção arrogante do Primeiro-Ministro (afirmando que por muito que gritassem não iam conseguir estragar a sessão propagandística que ele e Barroso tinham montado) é apenas o último de uma longa lista de episódios em que Sócrates se esqueceu de que não estava em Portugal, onde todos se curvam perante ele. Ainda antes da presidência começar, se bem me lembro, deixou um "aviso" à Polónia, mais parecido com a forma como se dirige a Jerónimo de Sousa (com aquele misto de desprezo e gozo que tanto aprecia), do que com a linguagem diplomática do líder mundial que deseja parecer. Depois, em Outubro, foi ao Parlamento Europeu mandar "calar" os eurodeputados. Estes, claro, não se calaram, e resolveram ripostar, defendendo o recurso a referendo para aprovar o Tratado, o que teria a desvantagem de ensombrar a bonita reunião prevista para amanhã (para isso já basta o "atraso" de Brown). Embevecidos com a ilusão de grandeza que, de tempos a tempos, estes seis meses dão ao nosso país, os portugueses acabam por ignorar que, na realidade, nem tudo se resume às canetas de prata que a RTP acha serem o elemento mais relevante da cobertura noticiosa da assinatura do Tratado, e escapa-lhes que nem tudo são rosas (sem trocadilhos) na presidência portuguesa, e que acima de tudo, ao contrário do que Menezes não se cansa de dizer, a arrogância de Sócrates faz tudo menos "dignificar-nos".

Posted by Bruno at 10:16 PM

dezembro 11, 2007

Portas

Por muite que me custe dizer isto, tenho de reconhecer que o dr. Portas está a fazer uma excelente intervenção no debate: fez perguntas concretas ao governo, a que o Governo não soube responder, e sem se alongar nessas perguntas, conseguiu ter tempo para falar, já depois de o Governo esgotar o seu. Conseguiu humilhar o Governo por não responder às suas perguntas, e ainda por cima, ter a útlima palavra, para o atacar sem que este possa responder. Presumo que Alberto martins se preste a esse triste papel.

Posted by Bruno at 04:01 PM

O Retrato do Momento Político

No debate a decorrer na Assembleia da República, Santana Lopes não faz outra coisa que não "congratular" o Governo pela sua prestação a nível internacional, e se ataca o Governo a propósito do tema que o Primeiro-Ministro quer forçar os deputados a discutir (a Educação), ataca-o apena por estar a copiar o que o PSD propõe. Ou seja, não só concorda com o que o Governo faz a nível internacional, como concorda com as suas "reformas", que aliás acha serem iguais às que propõe. Se o leitor quiser um retrato da semelhança de opiniões entre PS e PSD, basta ver o debate de hoje.

Posted by Bruno at 03:26 PM

dezembro 08, 2007

A Ler

Os dois textos do Fernando Gabriel (um no Diário Económico, outro no Cachimbo de Magritte) em, a propósito caso "Curveball" e a recente estiumatiova dos serviços secretos americanos sobre o Irão e o seu programa nuclear, alerta para o perigo de, depois de errar ao considerar que o Iraque possuía armas de destruição massiva, os EUA estarem de novo errados, desta vez ao não identificarem a eventual ameaça que o Irão poderá constituir:

"Desde 1992 que agentes da CIA envolvidos na UNSCOM (a missão de desarmamento do Iraque iniciada após a Guerra do Golfo) procuravam descobrir os hipotéticos arsenais biológicos de Saddam Hussein. Alguns tinham ainda presente o fracasso dos serviços de espionagem que durante a Guerra Fria haviam sido incapazes de detectar os enormes arsenais biológicos ocultados pelos soviéticos. Não pretendiam repetir a experiência no Iraque. Surgiu a tese segundo a qual as fábricas de armamento biológico de Saddam estariam montadas em camiões, e, através da mobilidade, iludiam a detecção. Apesar das informações de diversas proveniências e de buscas intensivas, as tentativas de detecção entre 1992 e 1997 falharam.

Em 1999, entrou em cena “Curveball”. Refugiado na Alemanha, identifica um complexo agrícola 14 milhas ao sul de Bagdad como uma fachada do programa de armas biológicas e garante que a frota de camiões-laboratório de Saddam é real e capaz de produzir os cinco agentes biológicos mais temidos: botulismo, antraz, peste, varíola e vírus de Ébola. Ao longo de mais de 20 relatórios do BND, os serviços de informação alemães, demonstram conhecimentos técnicos sólidos e os nomes dos elementos envolvidos que fornece são consistentes com os relatórios dos inspectores da ONU. Mas em 2001 “Curveball” torna-se psicologicamente instável e as suas declarações contradizem testemunhos anteriores. O ‘timing’ das operações é inconsistente e nem sequer a sua ocupação profissional é constante: nalguns relatos declara-se engenheiro-chefe, noutros estagiário; agora é desenhador de equipamento, depois é instalador. Depois do 9/11 as avaliações dos programas de armas biológicas de Saddam constantes das NIE tornam-se peremptórias e sugerem “capacidades produtivas superiores aos níveis anteriores à Guerra do Golfo”. A base da ‘intelligence’ é o testemunho do “perito Curveball”. Quando se descobriu que se tratava de um impostor já os EUA perseguiam ilusões. Um logro desta dimensão e consequências só foi possível porque a fonte de informação disse o que os políticos queriam ouvir.

Perante a perspectiva tentadora da estabilização do Iraque e de uma redução significativa do prémio de risco no preço do barril de petróleo, é necessário lembrar que uma paz sustentável a longo prazo depende crucialmente da confirmação da informação do abandono do programa de armas nucleares pelos iranianos. Mais do que nunca, é importante recordar a lição do fiasco “Curveball”: raramente o que queremos ouvir é o que necessitamos de saber."

Posted by Bruno at 10:44 PM

dezembro 07, 2007

A União Europeia e África

Vi há pouco o dr. Durão Barroso a dissertar sobre o "desenvolvimento" em África, e a necessidade de, com comércio em vez de ajudas, a "Europa" contribuir para o dito. São palavras que ficam sempre bem. Durão mostra que se "preocupa", que quer "ajudar", e junta a tudo o tom professoral de quem diz que essa "ajuda" não basta. Para consumo interno, chega e sobra. Pena que, para África e seu "desenvolvimento", seja tudo irrelevante, e que no que realmente conta, a UE ajuda os pobres africanos, não a saírem da pobreza, mas a manterem-se nesse estado. Se quiser realmente ajudar África, o dr. Durão deveria convencer os seus parceiros europeus a acabarem com a PAC. O resto é conversa para os telejornais.

Posted by Bruno at 10:54 PM

dezembro 06, 2007

Encantados Com A Sua Própria Irrelevância

Os jornalistas portugueses andam em êxtase com a realização da Cimeira UE/África. Dá-lhes a ilusão de que o país conta para o mundo, e que por isso, eles e a sua cobertura do evento são de uma extrema importância. Para além do mais, permite-lhes dar largas ao muito particular desprezo que nutrem pelas pessoas que os vêem. Vão para a rua perguntar aos "populares" (uma figura semelhante aos "portugueses" de Teresa Guilherme) se sabem "o que vai acontecer este fim-de-semana na FIL", ou "o que é o Darfur". De facto, é um pouco chocante a quantidade de gente que responde negativamente a ambas, tendo em conta que há semanas que não se fala de outra coisa que não a Cimeira, e quanto ao Darfur, há anos que as mais variadas celebridades de Hollywood (para além de outras louváveis figuras)chamam a atenção para a matança que por lá decorre. Mas em vez de motivo de deleite, os jornalistas portugueses deveriam ver nesta ignorância uma causa de temor. Pois se os telejornais não se cansam de falar destes temas, e mesmo assim, as pessoas desconhecem-nos por completo, isso apenas quer dizer que essas pessoas, ou uma parte significativa delas, não liga nenhuma ao trabalho dos jornalistas. Têm para com eles uma relação semelhante à do saudoso Ferro Rodrigues com o segredo de justiça. E os jornalistas, em vez de pensarem um pouco acerca do que estão a fazer mal, vão para as ruas expôr, mais do que a ignorância dos outros, o fracasso do seu próprio trabalho, encantados com a sua própria irrelevância para as pessoas a quem se dirigem.

Posted by Bruno at 10:37 PM

dezembro 05, 2007

Já Nas Bancas

A mais recente edição da Atlântico, com os conselhos de Natal de vários colaboradores da revista, e uma excelente entrevista de Bruno Garschagen ao colunista da Veja Reinaldo Azevedo, entre outros artigos dos habituais colaboradores (João Miranda, André Azevedo Alves, Paulo Tunhas, João Pereira Coutinho, etc.). Este vosso rapaz discorre sobre a superioridade estética das mulheres da Nova Europa.

Posted by Bruno at 09:55 PM

dezembro 04, 2007

Focus on the Good Times

The Sopranos finale

Depois do (excelente) final d'Os Sopranos, ontem na RTP 2, ainda não me consegui habituar à ideia de que não haverá mais episódios daquilo para ver. Resta-me seguir o sábio conselho de Tony Soprano, e "focus on the good times". Afinal, é para isso que serve o DVD.

Posted by Bruno at 10:44 PM

dezembro 03, 2007

Menezes Não Quer Que o PSD Ganhe

Aquando das eleições directas no PSD, muita gente (incluindo eu próprio) pensou que, caso viesse a ser eleito (como aconteceu), Luís Filipe Menezes faria o que prometera, e iniciaria uma campanha de agitação permanente, de um populismo e demagogia que não se via em Portugal desde que Portas vendia as suas bochechas nas feiras de província. Mas depois de vencer, Menezes remeteu-se a um pacato silêncio, não aparecendo de manhã nas fábricas em greve, à tarde nos centros de saúde que fecham, e à noite em jantares com os militantes, preferindo fazer a ocasional crítica ao Governo e optando por fazer acordos de "dez anos" com o PS. Tendo em conta que dificilmente Menezes terá escolhido o suicídio político, este abismo entre as expectativas de há uns meses e a realidade de hoje apenas poderá significar que eu estava enganado em relação a Menezes, e a sua estratégia é outra: Menezes quer a subordinação do PSD ao PS, para garantir a sobrevivência dos vários PSD's autárquicos que são a sua base de apoio e de sustentação do seu poder.

Voltemos um pouco atrás, e vejamos por que razão caiu Marques Mendes. Mendes iniciara um caminho de elaboração de propostas alternativas ao PS, por isso não poderia ser acusado de fazer pouca oposição. A pressão de meses sobre a questão da Ota havia sido bem sucedida, depois de o Governo ter sido obrigado a recuar na sua inflexibilidade. A sua oposição não poderia, portanto, ser acusada de falta eficácia. E nos confrontos eleitorais em que esteve envolvido, conseguiu conquistar uma maioria de câmaras para o partido, e vira Cavaco Silva ser eleito para a Presidência. Êxito não lhe faltou. Mas então, porquê a queda? Por duas razões: promovera, no seio do partido, uma alteração de regras que retirava aos aparelhos locais os instrumentos obscuros de perpetuação do poder das suas clientelas, e porque afastara do partido Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Carmona Rodrigues, opções políticas que representavam, para os PSD's autárquicos, um tenebroso aviso: o PSD nacional tem um droit de regard sobre a condução dos PSD's autárquicos, que pode implicar (como implicou em Lisboa), que os interesses dos PSD's autárquicos sejam sacrificados à estratégia nacional.

Menezes, por conseguinte, não foi, como eu pensei e certamente alguns dos seus eleitores também pensaram, uma reacção do PSD ansioso por chegar ao poder e ainda não convencido de que o "santanismo" não era a panaceia eleitoralista do mito do "candidato invencível". Menezes surgiu como uma revolta, não do PSD "descamisado" dos dependentes do Estado central afastados pela corte socrática, mas da "elite" actual do PSD, os seus autarcas e a rede de dependentes das estruturas municipais que os vários PSD's autárquicos dominam, e que se viram ameaçadas pela tentativa mendista de as subordinar à São Caetano.

No seu velhinho livro O Nome e a Coisa, Pacheco Pereira incluía um artigo (de 1993) em que chamava a atenção para a "incompatibilidade entre a modernização económica, social e cultural, resultante das políticas governamentais, e uma acção política partidária, a nível intermédio e local" e que "as dificuldades do PSD a nível autárquico" vinham daí. Por outras palavras, um "bom governo" do PSD seria incompatível com bons resultados autárquicos, pois a simples realização de reformas duras, para além de ver reflectido nas eleições autárquicas (geralmente a meio do círculo eleitoral) o descontentamento que provocam, destrói as estrutura de perpetuação do poder de que esses aparelhos locais dependem para sobreviver. E se os dezasseis anos (1979-95) consecutivos de poder tornaram o PSD um partido de dependentes do Estado, os sete anos de "jobs" para os “boys” socialistas do guterrismo fizeram com que essa dependência apenas fosse satisfeita a nível local. O PSD, neste momento, é um partido de dependentes das empresas municipais, não de "self-made men" que querem conduzir a sua vida livremente, e a sua “elite”, longe dos homens de negócios de cultura empreendedora e dos homens de ideias para o país, é composta por pequenos caciques especializados na pequena chantagem e na promoção pessoal.

Ribau Esteves é um bom exemplo desta "elite". Aliás, até nem seria de espantar que, longe de ser uma estratégia de Menezes, a nova linha do PSD não fosse o "bebé querido" do homem de Ílhavo. Seja como for, essa estratégia é agora clara: entregar ao PS o Governo, para que o ónus da acção governamental se reflicta nos PS's locais, garantindo assim aos senhores do feudalismo laranja as suas respectivas bases de poder. Daí a ausência de uma visão alternativa para o país (o país pouco interessa a estes senhores), e daí a ocasional crítica meramente conjuntural ao Governo (para provocar o tal desgaste). à federação de partidos autárquicos que constitui o actual PSD, não interessa ir para o Governo, cujas necessidades apenas prejudicariam os seus reais objectivos, a conquista e manutenção de Câmaras Municipais. E se porventura, o poder nacional lhes cair em cima, é bom que esteja tudo arrumadinho (distribuição de lugares, as grandes opções políticas, etc.), para que o PS não provoque muita agitação, nem o PSD tenha de governar em "vacas" demasiado "magras". Assim se percebe, por exemplo, as propostas de "pactos de dez anos" nas Obras Públicas. E o "rasgar" (logo seguido de reaplicação de cola) do "pacto da Justiça", mais não foi do que uma artimanha para ganhar força negocial, e assim exigir, em troca da manutenção do "pacto", uns quantos lugares, uma lei autárquica que agrade aos feudos laranja, e quem sabe, uma regionalização feita à sua medida.

Se Menezes talvez não tenha inteligência suficiente para elaborações destas, Ribau Esteves tem de certeza. A forma como se tem promovido a nível pessoal ultimamente mostra que sabe o que está a fazer. E se Menezes pode parecer parvo o suficiente para andar à deriva, Ribau nunca se deixaria afundar com ele. Assim, a aparentemente errática condução política de Menezes certamente corresponde a uma estratégia coerente, e a única é esta: a subordinação do PSD ao PS (tornando o PS o "partido natural" de governo e garantindo ao PSD condições relativamente pacíficas na eventualidade de este lhe vir a cair no colo), para que, aproveitando o desgaste que esse papel provocará ao PS, o PSD garanta o seu domínio a nível autárquico. Nas nossas costas, PS e PSD preparam-se para dividir o país, entregando o Estado central aos rosas e o Estado local aos laranjas, e obrigando o contribuinte a pagar a conta. Se quando menezes avisou ir continuar em Gaia, toda a gente pensou que ele pretendia usar a autarquia para se promover a nível nacional ("como o sr. Sarkozy em França"), na realidade, ele ficou em Gaia porque é Gaia que lhe interessa. O país é apenas uma moeda de troca que ele usa para perpetuar o seu poder e o dos seus amigos.

Posted by Bruno at 02:07 PM

dezembro 01, 2007

No Leitor de DVD

15 Storeys High

Posted by Bruno at 11:15 PM