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novembro 30, 2007
O Estado Ajuda o PS
O leitor que veja televisão com alguma regularidade já deve ter reparado: o Ministério da Segurança Social fez um anúncio a promover a dita. Nele, pedendo-nos que não quebremos a "corrente" (como se tivéssemos escolha), e explicam-nos que a "Vera ajuda o Pedro", o "Pedro ajuda o Miguel", e por aí fora. Apenas fica por dizer que o Estado ajuda o PS. Porque o que o anúncio promove não é a Segurança Social, mas um modelo de Segurança Social, o do PS (em que "a Vera", por sinal, paga cada vez mais para "ajudar o Pedro" com cada vez menos). Sob a capa do Ministério da Segurança Social, o PS usa meios públicos para, fora do "tempo de antena" (ou seja, fora da lei), fazer propaganda política. Que isto se passe perante a generalizada indiferença da "opinião pública", e na maior impunidade perante o Presidente da República, mostra bem ao ponto a que "este país" chegou.
Posted by Bruno at 10:13 PM
novembro 28, 2007
Bicentenário
Comemora-se por estes dias o bicentenário da ida de D. João VI e da sua Corte para o Brasil. A TSF brindou-nos com uma entrevista a Patrick Wilcken, autor do brilhante Império à Deriva (se puder, caro leitor, dispense a "menos boa" edição portuguesa), e a irritante Paula Moura Pinheiro entrevistou na RTP 2 a excelente Maria de Fátima Bonifácio. Eu fiquei a lamentar que o actual Governo não seguisse o exemplo de D. João VI e partisse para outras terras mais paradísiacas, onde poderia receber Hugo Chávez com maior regularidade, montar a tenda para Khadaffi (é assim que se escreve?) com outra facilidade, e quem sabe, até arranjar um diploma noutra universidade.
Posted by Bruno at 11:06 PM
Triste
Ver, na Assembleia da República, Pedro Santana Lopes e Nuno Melo a acusarem-se mutuamente de apreciarem a companhia do PS.
Posted by Bruno at 11:00 PM
novembro 27, 2007
Olhos Cá Dentro
O dr. Luís Filipe Menezes disse há dias que o Primeiro-Ministro, José Sócrates, devia prestar menos atenção à presidência da UE e mais atenção a Portugal. O dr. Menezes ouviu dizer que Guterres perdeu o favor da "opinião pública" por essa razão ("andar" demasiado "lá fora"), uma ideia que, como quase todas as que tem, partilha com actual Primeiro-Ministro, e por isso acha que ao acusar Sócrates de fazer o mesmo que Guterres talvez consiga que ele acabe por ter o mesmo destino. Assim se vê como Menezes não é particularmente perspicaz. Pois se há coisa de que não se pode acusar Sócrates é de não prestar atenção ao país. Toda a sua acção na presidência da UE tem como "público alvo" o eleitorado português, sendo toda ela uma gigantesca acção de propaganda com que o Governo quer manter a ilusão de que, graças ao "rigor", à "coragem" e à "competência" de Sócrates, Portugal "conta" para o resto do Mundo.
Um bom exemplo disto é a Cimeira UE/África e a "polémica Mugabe". O Governo quer alimentar a ideia de que Portugal é indispensável à "Europa" na ligação com o continente africano: a última Cimeira semelhante ocorreu à sete anos, na última presidência portuguesa, e em vez de daí concluir que o exercício era considerado dispensável pelos restantes parceiros europeus, o Governo crê (ou quer fazer crer) que só o nosso país consegue realizar tão árdua tarefa. Como temia que, caso Robert Mugabe não fosse convidado, os outros países africanos boicotassem a festa, o Governo preferiu que Gordon Brown não viesse, a deixar de organizar o sarau. A rapaziada do Corta-Fitas, que muito prezo, tem-se entretido a enumerar os ditadores que nos vão visitar, talvez para mostrar a suposta hipocrisia dos que se incomodam com Mugabe. Mas apenas mostram que eles próprios não perceberam a natureza do problema: a questão não está em o Governo apreciar a companhia de gente duvidosa (afinal, este país até é uma "casa" de Hugo Chávez), está em, por razões meramente propagandísticas (querer organizar uma Cimeira que alimente a ilusão de que Portugal é "indispensável" à UE), preferir a ausência de um aliado na NATO e parceiro na UE, a ter de obrigar os outros países africanos (independentemente da natureza dos seus regimes) a demarcarem-se de alguém como Mugabe. Se realmente quisesse ser importante para África, e assim, "essencial" à UE, talvez não fosse má ideia começar por aí. Mas como, ao contrário do que pensa o dr. Menezes, Sócrates só tem olhos para o eleitorado português, nada disto lhe ocorre.
Posted by Bruno at 10:41 PM
novembro 26, 2007
Os Tiranetes
O artigo de ontem de António Barreto, por aquilo que denuncia, é aterrador. As inúmeras e absurdas "normas" que os nossos iluminados legisladores resolveram impôr-nos, e que, num extracto que suspeito pecar por escasso, Barreto resolveu mostrar aos seus leitores, evidencia bem o que vai na cabeça da gente que nos governa e vigia: como cortar o fiambre, como servir o café, quem pode fazer um bolinho, o que fazer depois de cortar fiambre, tudo isto está legislado. E tudo isto mostra como os tiranetes "deste país" querem controlar-nos a todos, controlar tudo o que fazemos, pela simples razão de que regular e vigiar é a sua função, a sua vida. Como num estado totalitário. Antes de comer um pão com queijo, caro leitor, olhe à sua volta. Se pega nele com a mão errada, talvez venha a ter de pagar uma multa.
Posted by Bruno at 09:32 PM
novembro 25, 2007
Aniversários
Apesar de com algum atraso, não podia deixar de mencionar os aniversários do Blue Lounge e do Portugal Contemporâneo, e dar os parabéns ao Rodrigo Adão da Fonseca e ao Rui Albuquerque.
Posted by Bruno at 10:32 PM
novembro 23, 2007
Encontros Imediatos
Há dias, como contei, cruzei-me com a barriga de José Malhoa. Hoje, avistei José Sócrates e a respectiva Corte (Santos Silva, Silva Pereira e restantes aguadeiros) a entrarem num conhecido restaurante de São Bento. Não sei qual destas duas situações a mais perturbadora. A barriga de José Malhoa não é brincadeira nenhuma, mas até a mim a propaganda socialista fez acreditar que o Primeiro-Ministro era um ser sobrehumano, de um "rigor" e de uma "coragem" ímpares, que o dispensavam de vulgares hábitos da espécie como comer, dormir ou ter de fazer testes para obter um grau de licenciatura. Afinal, Sócrates também come. O que, convenhamos, é apenas e só natural. Não é pelo facto de ele ser vaziozinho de cabeça que o estomâgo do Primeiro-Ministro tem seguir o mesmo caminho.
Posted by Bruno at 10:27 PM
Serviço Público
Hoje, a Assembleia da República reuniu-se para debater pela última vez e votar o Orçamento de Estado do próximo ano. O telejornal da RTP, talvez por considerar o parlamento uma instituição menor, e o documento em causa algo irrelevante, só tratou do assunto a partir das 20h35. Por pouco, Scolari não veio antes. Mas claro, não veio tão tarde ao ponto de dispensar a declaração professoral do Primeiro-Ministro, a explicar ao ingénuo mas agradecido povo o quão extraordinário ele e o seu Governo são, que a RTP transmite depois de todas as críticas da oposição, de forma a mostrar que, para além do "facciosismo" dos políticos, existe o rigor do Primeiro-Ministro. Sócrates agradece, o contribuinte paga.
Posted by Bruno at 10:18 PM
novembro 22, 2007
A Queda de Brown
No Reino Unido, uma sondagem revela o crescente descontentamento do eleitorado com Gordon Brown, considerado como "competente" por menos 33% dos inquiridos do que fora na última sondagem similar. O caso do desaparecimento dos CD's com os dados confidenciais de 25 milhões de pessoas terá dado uma machadada na credibilidade de Brown, mas a sua queda não tem origem neste "caso", mas sim na "trapalhada", digna do "guerreiro menino", da eventual marcação de eleições para este ano, hipótese logo abandonada mal as sondagens começaram a mostrar um certo apreço do eleitorado pelas propostas dos Tories. Ao transmitir uma imagem de oportunista, Brown criou uma enorme desconfinaça em relaçãoa à sua pessoa. Antes, qualquer "crise" que surgisse apenas servia para Brown mostrar como teria "tudo sobre controlo" (as cheias deste Verão, a crise do Northern Rock). Depois de mostrar que a sua única preocupação é ganhar as eleições e aumentar a sua maioria no parlamento, e não a condução dos assuntos do país, qualquer "crise" transforma a desconfiança em receio, e o homem "competente" capaz de "meter as mãos ao trabalho" no responsável por cada asneira da máquina administrativa às suas ordens. Depois de ter alimentado a ideia de que iria marcar eleições, para recuar mal viu que talvez não as fosse ganhar, Brown apenas conseguiu que as condições para governar fossem, daí a diante, cada vez menos favoráveis a si e ao seu partido. A cada crise que apareça, a tend~encia será para piorar.
Posted by Bruno at 10:05 PM
novembro 21, 2007
A Alegria do Povo
Com a vitória da selecção portuguesa de futebol, José Sócrates recebeu uma boa notícia. A qualificação da selecção para o Euro 2008 não só proporcionará ao Primeiro-Ministro umas quantas cerimónias propagandísticas em que receberá os "nosso heróis" e promoverá a sua pessoa, como lhe dá a garantia de que durante um ou dois meses, o país parará e ele ficará livre de qualquer escrutínio público durante esse período.
Posted by Bruno at 10:30 PM
novembro 20, 2007
A Coligação Costa/Fernandes
Um deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Lisboa terá afirmado, "no calor do debate" (segundo José Sá Fernandes), que o acordo entre os dois partidos para a governação da Câmara havia sido rompido. Sá Fernandes, no entanto, apressou-se a vir corrigir a precipitação do seu correlegionário, que por sua vez, logo disse que apesar de eleito nas listas do Bloco, Sá Fernandes era um independente que podia ter visões diferentes das do partido. Este edificante episódio vem apenas confirmar algo que escrevi aqui em Agosto: ao contrário do que muito boa gente andou por aí a dizer, a coligação lisboeta não representava o "aburguesamento" do BE e a sua preparação para uma coligação nacional em 2009, pela simples razão de que não era uma coligação entre o PS e o BE, mas sim entre António Costa, candidato a substituto de José Sócrates, e José Sá Fernandes, homem que se tem em grande conta, feito à margem dos partidos em cujas listas foram eleitos.
Nessa altura, era claro que nenhum partido poderia ganhar o que quer que fosse com o arranjo: a simples ideia de que um cenário semelhante poderá ocorrer a nível nacional fará muito bom eleitor "centrista" pensar duas vezes antes de pôr a cruzinha no quadrado do PS. E para o eleitorado "fracturante" do BE, o "aburguesamento" e a busca do "poleiro" que um tal acordo representaria, seriam razões suficientes para irem fumar drogas e ouvir Manu Chao para outro sítio. Já para António Costa e para o "Zé", o acordo só traz benefícios. Ao "Zé", permite ter poder. A António Costa, permite isolar o PCP e Roseta, responsabilizando-os por não permitirem a aplicação de um "programa de esquerda" sempre que bloquearem as suas propostas. Costa e Zé abraçam-se para seu benefício mútuo (até ao dia...). O PS e BE tremem de medo, com o PS a manter-se caladinho a ver se ninguém dá por nada, o BE a berrar incessantemente para manter a ilusão de que o acordo é tudo menos aquilo que é. Se em Agosto era fácil de perceber que seria assim, os acontecimentos de hoje apenas o confirmam.
Posted by Bruno at 10:19 PM
novembro 19, 2007
O Método Socrático (publicado ontem no Insurgente)
Para se perceber a acção de José Sócrates no poder, convém recordar a forma como ele lá chegou. Na campanha eleitoral para as legislativas de 2005, o Partido Socialista prometia “confiança”. Queria ver Portugal com esperança. Com dinamismo. Queria criar “auto-estradas para o desenvolvimento”, em vez das que Cavaco Silva havia mandado construir, que ligavam apenas as cidades do país. Ao contrário de Durão, que aumentara os impostos, Sócrates prometia “investimento público”. Ao contrário de Durão, que conduzira uma política “neo-liberal” e “obcecada com o défice”, Sócrates prometia “defender o Estado social”. Ao contrário de Durão, que se refugiara (mudando até de nome) em Bruxelas, e de Santana, que fizera da governação um circo, Sócrates (e a nunca desmentida ideia de que António Vitorino faria parte do governo, um sinal de desonestidade que apontava para o que estava para vir) prometia “competência”. Acima de tudo, era preciso “acreditar”. E a maioria “acreditou”. O PS conquistava a sua primeira maioria absoluta, e o país que se inquietara com o reboliço santanista adormecia agora ao colo do novo Primeiro-Ministro.
Sócrates chegou ao poder com propaganda, iludindo os eleitores com palavras bonitas e promessas irrealistas. E agora, governa da mesma forma, prometendo aquilo que não pode cumprir e mascarando a realidade. A necessidade de vencer as eleições levara o PS a, na campanha, ser no mínimo irresponsável, quem sabe, desonesto, na apresentação de determinadas propostas. Os constrangimentos da governação obrigaram o PS a ir contra algumas dessas promessas, e a necessidade (principalmente com a “mentira” de Durão ainda fresca na memória dos cidadãos) de justificar essas contradições obrigou o PS a mentir quanto à natureza da própria governação, escondendo as razões para as suas propostas, razões essas que poriam a nu a desonestidade da campanha. Para esconder uma mentira, o PS e o Governo lançavam outra para cima da mesa.
Um bom exemplo do “método socrático” de governação é a reconversão da Estradas de Portugal em empresa privada de capitais públicos. Algumas almas ficaram preocupadas, por o Estado supostamente se retirar da prestação de um serviço que elas julgam dever pertencer-lhe. Tendo em conta que a empresa continuará a ser detida pelo Estado a 100%, fica claro que o Estado não deixará de desempenhar esse papel. Apenas o passará a fazer fora do Orçamento de Estado, para que a propaganda do “controlo” do défice não caia por terra, e para que a “empresa” fique livre para gastar o que o Estado quiser de acordo com os mais variados critérios eleitoralistas. A nomeação de Almerindo Marques, anterior Presidente do Conselho de Administração da RTP/Secretariado Nacional de Informação, é um bom indicador do que aí vem. E a garantia dada pelo Secretário de Estado do sector de que sempre que a dívida da “empresa” atingir um determinado valor (cujo montante exacto não me recordo agora), a empresa terá de pedir autorização ao Ministro das Finanças, caso entenda ser necessário excedê-lo, garante apenas que a Estradas de Portugal vai poder endividar-se, sempre que o Ministro das Finanças, por razões eleitoralistas ou para arranjar emprego a uns boys, precisar que ela o faça.
Posted by Bruno at 10:12 PM
novembro 17, 2007
Sem Saída
Realizaram-se hoje eleições no Kosovo, marcadas pelo desejo de independência dos habitantes da região. A propósito desta questão, limito-me a repetir o que, há uns tempos, escrevi num (longo) post. Há altura, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que "qualquer atraso ou prolongamento" na definição do estatuto do Kosovo (ou seja, da sua declaração de independência) "terá um impacto negativo" nas negociações com a Sérvia. Ki-moon está acima de tudo preocupado com uma "prematura" declaração unilateral de independência por parte dos albaneses do Kosovo, que no seu entender surgiria caso a província não se separe da Sérvia. Aliás, a possibilidade do Kosovo se manter como parte integrante da Sérvia não está sequer em cima da mesa. Mas se é verdade que tal cenário acarretaria enormes problemas para a região, a verdade é que a independência kosovar também não estará isenta deles.
Apesar da sua maioria étnica albanesa (muçulmana), o Kosovo sempre fora parte integrante da Jugoslávia, enquanto província da Sérvia. Tito dera alguma margem de autonomia ao território, mas nunca o Kosovo constituiu uma república da estrutura federal jugoslava. Por isso, e ao contrário da Bósnia, era difícil aos EUA e aos países da UE aceitarem a sua independência, como aceitaram a da Bósnia (a Rússia não tinha esses problemas. Limitava-se, como sempre, a apoiar a Sérvia). Para Milosevic, a maioria albanesa do Kosovo merecia o mesmo destino que quis dar aos bósnios muçulmanos, a cisjene (limpeza) que logo aplicou. Quando os massacres como o de Drenica começaram em 1998, tentou-se evitar uma escalada de violência, entregando a província de maioria étnica albanesa ao controlo da NATO por três anos, altura em que se realizaria um referendo sobre a sua eventual independência. A Sérvia de Milosevic, obviamente, recusou a oferta, e os EUA e os seus aliados na NATO levaram a cabo a campanha aérea contra a Sérvia. O primeiro resultado da campanha foi o aumento da violência étnica contra os kosovares albaneses. O segundo foi a triste figura dos jornalistas europeus ao aceitarem ser porta-vozes da campanha de propaganda de Milosevic, usando alvos na lapelas. O terceiro foi a desistência de Milosevic. Resultado que não se obteve foi a solução para o problema kosovar.
É verdade que o exército sérvio foi expulso da província. Mas província o Kosovo continuou a ser, sob administração da ONU e protecção da missão KFOR, que se entretém a tentar impedir represálias da população albanesa contra a minoria eslava (nem sempre com sucesso) e a desencorajar a Sérvia de os ir proteger, sem que consiga fazê-la esquecer as suas pretensões de soberania na província. Tal como o plano rejeitado por Milosevic, a tarefa da ONU no Kosovo não tem sido "resolver" o problema, mas impedir que os nativos o "resolvam" da maneira tradicional na região.
Esse tem sido, aliás, o principal mérito do protectorado da ONU: impedir a resolução do problema do Kosovo. Pois qualquer das duas "soluções" concebíveis terá apenas o triste resultado de nova violêntica étnica, e novos problemas geopolíticos. Deixemos de lado o "precendente" (que Ki-moon, com enorme irresponsabilidade, diz não existir) que a independência do Kosovo constituíria para outras regiões (o País Basco salta logo à cabeça), e concentremo-nos nos resultados que traria para os Balcãs. Em primeiro lugar, a inevitável "limpeza" da minoria étnica sérvia, cuja única forma de não ser obrigada a abandonar o território seria ser enterrada nele passado pouco tempo da independência. Em segundo lugar, o que aconteceria no plano interno sérvio? Se o nacionalismo sérvio já assusta os governantes europeus, imagine-se como não ficará se o seu território vier a ser emagrecido. A normalização do regime e a sua aproximação à "Europa" ficarão seriamente comprometidas. E uma intervenção Sérvia contra o novo estado seria, muito provavelmente, o passo seguinte. E aí, que legitimidade teriam a UE e os EUA, que intervieram contra um estado soberano para impedir a cisjene de Milosevic, para se insurgirem contra uma intervenção sérvia contra um estado soberano destinada a parar a "limpeza" apontada à minoria sérvia no Kosovo? Os resultados que tal cenário acabaria por ter são até difíceis de imaginar.
E se o Kosovo continuasse como parte integrante da Sérvia? Caso a ONU abandonasse o local, violência étnica da minoria sérvia protegida pelo exército contra a maioria albanesa. Outro resultado provável seria a reanimação do KLA, o exército de "libertação" do Kosovo, e eventualmente, a reinstalação da al-Qaeda nos Balcãs. Diga-se de passagem que este resultado é praticamente inevitável, seja qual for a "solução" adoptada. Pois após uma intervenção sérvia contra um Kosovo independente, intervenção essa que dificilmente poderá ter a oposição europeia, devido ao carácter "humanitário" que será levantado pelas autoridades sérvias, será pouco provável que a al-Qaeda não pretenda ajudar os seus "irmãos kosovares" a expulsar os "infiéis eslavos" de território muçulmano.
O que fazer, então? O melhor talvez seja seguir o caminho seguido até aqui: manter o Kosovo um protectorado da ONU, impedindo a resolução do conflito, frustrando as ambições kosovares e impedindo a Sérvia de realizar as suas. Claro que a única maneira de fazer isto é a política de "hipocrisia" defendida para o Iraque por Niall Ferguson no seu livro Colossus: prometer a saída, prometer a resolução, mas não estabelecendo uma data para o fazer, e sem ter qualquer intenção de sair. Política que não estaria isenta de perigos. A Sérvia pouco faria contra as tropas estacionadas no Kosovo. Mas a população albanesa ansiosa pela independência talvez não tivesse tantos escrúpulos. E o constante adiamento do fim do protectorado da ONU talvez acabasse por trazer a al-Qaeda para região, ou, pelo menos, a adopção dos seus métodos contra as tropas internacionais. Como se vê, não há saída para o problema do Kosovo. Principalmente se quem sair for a ONU. Mas nem a sua permanência está isenta de perigos, e novas mortes na região, sejam elas de cidadãos sérvios, albaneses, ou soldados da missão de paz internacional, serão muito provavelmente inevitáveis.
Posted by Bruno at 10:05 PM
novembro 16, 2007
4 Anos
Apesar de com algum atraso, não podia deixar de mencionar o quarto aniversário do Observador, do André Amaral.
Posted by Bruno at 10:15 PM
novembro 15, 2007
Eu Apoio
Parece que Jon Bon Jovi, um trovador rock dos anos 90 que se vai arrastando pelo panorama musical com uma interminável sucessão de lamechices insuportáveis, pretende candidatar-se ao cargo de Governador do Estado de New Jersey. Se isso significar que ele vai deixar de "cantar", eu apoio.
Posted by Bruno at 10:29 PM
novembro 14, 2007
Ficamos Esclarecidos
A propósito da polémica em torno da transformação da Estradas de Portugal em empresa pública, o senhor Secretário de Estado do sector explicou, aos microfones do Fórum TSF, que a partir do momento em que venha a adquirir esse estatuto, a Estradas de Portugal não se poderá "endividar infinitamente": sempre que a dívida atingir um determinado valor (cujo montante exacto não me recordo agora), a empresa terá de pedir autorização ao Ministro das Finanças, caso entenda ser necessário excedê-lo. Pessoalmente, fiquei esclarecido: a Estradas de Portugal vai poder "endividar-se infinitamente", sempre que o Ministro das Finanças, por razões eleitoralistas ou para arranjar emprego a uns boys, precisar que ela o faça.
Posted by Bruno at 10:41 PM
novembro 13, 2007
E Se...
No Público, Rui Tavares, a propósito do "episódio" Juan Carlos versus Hugo Chávez, pergunta: "Qual seria a nossa reacção se Juan Carlos tivesse mandado calar um primeiro-ministro português, mesmo se fosse o mais cabotino dos espécimes?" Faço outra pergunta: qual seria a nossa reacção se Hugo Chávez tivesse chamado de "fascista" um antigo rpimeiro-ministro português, por muito que nós discordássemos das ideias dele?
Posted by Bruno at 10:03 PM
novembro 12, 2007
Serviço Público
Daqui a pouco, esse fantástico programa de debate dos assuntos mais relevantes para o futuro do país que é o Prós e Contras irá discutir essa importantíssima questão que é a de se os árbitros de futebol devem recorrer ou não ao uso de tecnologias. Duas horas para se debruçarem sobre este premente tema. O serviço público da RTP mostra assim mais uma vez a sua extrema utilidade. E o programa de Fátima Campos Ferreira a sua relevância.
Posted by Bruno at 10:10 PM
novembro 11, 2007
À 11ª Hora, do 11º Dia, do 11º Mês

Posted by Bruno at 11:00 AM
novembro 10, 2007
Uma Questão Realmente Importante
Serei o único a achar que a Telma Monteiro até tem a sua piada?
Posted by Bruno at 09:59 PM
novembro 09, 2007
Momento Dramático do Dia
Estar à beira de chocar com a proeminente barriga do famoso artista de "música popular portuguesa" José Malhoa.
Posted by Bruno at 10:19 PM
novembro 08, 2007
Qual Será A Diferença?
Pedro Santana Lopes veio ontem desafiar o Governo a pedir a Vitor Constâncio que faça, com o orçamento de 2008, uma avaliação similar à que fez ao Orçamento de 2005, depois do PS ganhar as eleições desse ano. Pedro Silva Pereira, Ministro da Presdiência, já veio pôr de parte a hipótese, pois, segundo ele, fazê-lo seria estar a diminuir as instituições a quem cabe o papel fiscalizador da política e execução orçamental do Governo. Não contesto a argumentação de Silva Pereira, que me parece sensata. Mas gostaria de saber por que razão o PS não teve semelhante preocupação em 2005.
Posted by Bruno at 06:12 PM
novembro 07, 2007
Esclarecer O Óbvio
Parece que se gerou uma certa polémica em torno da coluna do Tiago Galvão na última Atlântico. No blog da revista, o Tiago Mendes (com palavras elogiosas para a minha pessoa, o que agradeço) entretém-se a descascar n'O Coveiro do Tiago Galvão, por o seu texto sobre Raul Durão ser insultuoso. Obriga-me assim o Tiago Mendes a fazer uma coisa que, toda a sinceridade, me incomoda, que é cometer aquele pecado tão típico do "intelectual português" (espécie a que, sabe-se lá porquê, aspiro a pertencer), de vir em defesa dos "amigos" (não conhecendo pessoalmente o Tiago Galvão, simpatizo com a personagem blogosférica e aprecio as trocas de impressões sobre "gajas" e séries de televisão que vamos mantendo de há uns tempos para cá), e ainda por cima, com o triste elemento da "solidariedade geracional" a que os nossos respectivos pais nos condenaram. O argumento do Tiago Mendes tem uma pequena falha, ao acusar o Tiago Galvão de só se "atirar" a quem é um alvo fácil. Ora, a coluna dele não se limita a um texto sobre Raul Durão, tendo um outro sobre a actriz que desempenhava o papel de Moneypenny, e um outro sobre um atleta qualquer de quem (embora sendo rapaz atento a essas coisas) nunca tinha ouvido falar, ambos bastante elogiosos. Parece-me o suficiente para mostrar que o Tiago Mendes não tem razão ao afirmar que a coluna do Tiago Galvão se destina a atacar alvos fáceis para contentar o pagode.
Resta o argumento de que um obituário deve ser um texto distanciado e sóbrio. Não contesto. Mas ao escrever isto, o Tiago Mendes acabou mesmo por "eliminar o óbvio": a coluna do Tiago Galvão não é uma coluna de obituários. É uma coluna sobre o "Coveiro", é uma coluna sobre o Tiago, e a sua visão acerca de pessoas que, por acaso, morreram recentemente. Aliás, se me entrego a este deprimente exercício de "defesa dos amigos", é porque achei ser esse o aspecto verdadeiramente interessante na coluna do Tiago Galvão, e não o vi comentado por ninguém: o seu carácter "pessoal", o facto de aqueles serem textos com um autor reconhecível no que é lido. A ausência de personalidade, de "sentimento" e "emoção", é das coisas que mais me incomoda, por exemplo, na crítica de cinema. Os melhores críticos de cinema são os que, para além de avaliarem a qualidade de um filme, mostram o que esses filmes significam para si, o que eles "sentiram" ao ver esse filme. Era o que fazia François Truffaut (veja-se o que ele escreveu sobre Hitchcock), era o que fazia Mark Steyn, era o que fazia Bénard da Costa, é o que eu aqui tento fazer sempre que escrevo sobre um filme. O Tiago Galvão fez isso com a vida de pessoas falecidas (como eu, de certa forma, aqui tentei fazer com Yeltsin, Cunhal ou George Best). O facto de não haver nada de semelhante na Spectator é o mérito dele, não o sinal de uma falha moral (embora Mark Steyn tivesse, na Atlantic Monthly, algo de semelhante, e arrisco-me a dizer que foi aí que o Tiago Galvão se foi inspirar).
Percebo, no entanto, que se ache o exercício ofensivo. Que uma coluna eminentemente pessoal (como é a do Tiago Galvão) vá um pouco longe demais ao alimentar-se da figura de gente que não se pode "defender". Percebo, em suma, que o Tiago Mendes se incomode e não aprecie a coluna do Tiago Galvão. Mas mais uma vez, escapou-lhe o óbvio: o "carinho" (e penintencio-me desde já pela escolha da palavra) do Tiago pela figura mediática de Raúl Durão, cujo insulto incomodou o Tiago Mendes. O Raúl Durão d'O Coveiro não é a "pessoa" Raúl Durão, é o apresentador do Ponto por Ponto, que qualquer rapaz da minha idade (como o Galvão) teve de aturar nas tardes de férias, é aquela recordação da infância que agora apresentava programas na RTP África. E o texto do Tiago Galvão, se peca por alguma coisa, é por não ter referido a famosa relação amorosa de Durão com Elsa Raposo. Isso sim é imperdoável. Os supostos "insultos", esses, dependerão do gosto de cada um. Mas para quem, como eu, passou toda uma infância a tentar evitar o programa televisivo de Raúl Durão, aquele texto do Tiago Galvão é exactamente o que nos vem à cabeça quando ouvimos o nome do dito falecido. E esse, o facto de nos lembrarmos dele e o identificarmos com uma fase da nossa vida, é o melhor elogio que podemos fazer a quem partiu.
Posted by Bruno at 11:51 PM
Menezes Arrisca-se a Ter o Que Pediu
O dr. Luis Filipe Menezes desafiou José Sócrates a enfrentá-lo num debate televisivo. Fora do parlamento, resta ao líder do PSD a realização de umas quantas conferências de imprensa, e assistir às berrarias de Santana Lopes, como forma de "conduzir" a oposição ao Governo. Um debate na televisão com o Primeiro-Ministro permitir-lhe-ia ultrapassar essa natural limitação, e mostrar-se como "alternativa" aos socialistas. Ora, é apenas e só natural que Sócrates não se digne a fazer este favor a Menezes: aceitar o desafio de Menezes é salvá-lo da irrelevância a que está condenado, para além de um desvio dos holofotes da figura de Santana, coisa que Sócrates, tendo em conta o espectáculo que este tem dado, manifestamente não quer. Aliás, o próprio Menezes sabe isto, e de certa forma, é mesmo isto que pretende. Sócrates recusa o debate, e Menezes acusa-o de "cobardia" e "arrogância", que contrastará com sua suposta "coragem" e "vontade de discutir" o "futuro do país".
Mas é por ser natural que Sócrates recuse o amável convite de Menezes que o Primeiro-Ministro tem toda a vantagem em o aceitar. Primeiro, retira a Menezes a arma que ele pretende usar (a acusação de Sócrates "foge" ao debate). Em segundo lugar, mostra simultaneamente uma imagem de abertura ("até" se permite debater com Menezes, numa alturísta compensação pelo facto do seu adversário não estar no parlamento) e de firmeza (não receia debater com ninguém). E em terceiro lugar, teria uma excelente oportunidade de humilhar Menezes, e arrumá-lo antes de ele andar pelas ruas a barafustar (numa campanha populista que pode funcionar enquanto ainda ninguém o conhece, mas que não terá qualquer sucesso se as pessoas já tiverem uma ideia formada acerca dele, como ficariam depois de um debate com o Primeiro-Ministro). Menezes já se deu mal com jogada da nomeação de Santana para líder parlamentar (sabendo que a sua liderança dependia, em parte, do apoio da falange santanista, com gente como Helena Lopes da Costa, Menezes quis mantê-los pacificados dando um lugar ao seu chefe, esperando que a exposição do "Pedro" e a sua conhecida insensatez o queimassem de vez. Não lhe ocorreu que, como se pôde ver, a humilhação de Santana arrastaria todo o partido consigo). Se Sócrates for minimamente inteligente, o líder do PSD é capaz de ter aquilo que pediu, e dar-se mal com isso novamente.
Posted by Bruno at 10:13 PM
novembro 06, 2007
Escrito Nas Estrelas (corrigido)
Em 2004, Santana ia supreender. Os que então previam o descalabro iam arrepender-se, e ver como "o Pedro" ia ser dinâmico e gostava de Portugal. O resultado foi a "trapalhada". Agora Menezes (outro que ia "supreender") teve a imprudência de o pôr como líder da bancada parlamentar do PSD, e de novo Santana ia "surpreender": parece que o herói histérico dos Congressos do PSD era o líder parlamentar ideal, pronto para arrebatar o povo com discursos ferozes contra o primeiro-Ministro. E dá para ver no que deu. Não consegue dizer duas palavras seguidas sem provocar o riso dos deputados do PS (e presumo que do cidadão comum), e a pena de gente como eu, que se entristece com o caminho que o PSD leva. E se por acaso fala de algo assunto da governação, ninguém o ouve. Na sua cara, vê-se apenas o ressentimento, o orgulho ferido, e claro, a recordação de um falhanço estrondoso. Santana ia, mais uma vez, "supreender" muita gente. O resultado foi, de novo, o descalabro. Alberto Martins, ser desprezível que dá a cara pelo PS, até se dá ao luxo de citar Menezes a humilhar Santana. Ali, sentado na sua cadeira ou em pé berrando contra o primeiro-ministro e "avisando-o" que "ainda há mais" (coisa que Sócrates agradece), Santana é apenas um boxeur deitado no chão, à espera que o árbitro termine a contagem e declare o KO. Não é o "cadáver político" que muitos vaticinavam, mas quase desejaria que fosse. Pedro Santana Lopes pode berrar contra o governo, mas quer ele queira quer não, tais palavras não passam (para usar as palavras de um grande intelectual português) de um "último estrebuchar do morto". Podia não estar escrito nas estrelas, mas era fácil de ver.
Posted by Bruno at 04:03 PM
Eu Não Vou Falar Disso, Mas... (corrigido)
Santana igual a si próprio: ele não vai falar do passado, mas ainda não falou de outra coisa. Pedro Pinto adora. Aquele senhor de Ourique, uma das maiores nulidades pátrias, também. Devia estar "escrito nas estrelas".
Posted by Bruno at 03:58 PM
Isso É Que Não
Já não bastava ter de ouvir Santana Lopes, ainda tenho de aguentar as imagens do "Burgesso Rei" Pedro Pinto a babar-se com as palavras do "guerreiro-menino"?
Posted by Bruno at 03:54 PM
O Debate Começa, e Logo Santana Começa a Apanhar (corrigido)
Nem sequer foi preciso Santana abrir a boca: Sócrates começou logo a dizer que o PSD comandado pelas mesmas pessoas que conduziram a "trapalhada" de 2004 não pode ser uma oposição credível. É a única verdade que dirá em todo o debate, mas não podia estar mais certo. Agora, acossado e atingido no seu (vastíssimo) ego, o "guerreiro menino" sentir-se-à obrigado a "repor a verdade" acerca do que se passou em 2004. É o que Sócrates mais deseja. Pois já toda a gente formou a sua opinião acerca do que então se passou. E qualquer tentativa de "defender a honra" de Santana, apenas acentuará o seu irrealismo, a sua imagem de um imbecil sem uma ideia na cabeça e com um espelho do tamanho do mundo, embora muito embaciado.
Posted by Bruno at 03:24 PM
Sócrates Começa, E Logo Começa a Mentir (corrigido)
Sócrates começa a sua intervenção no debate sobre o Orçamento, e nem um minuto demora a mentir: diz, pela enésima vez, que a redução do défice se fez "pelo lado da despesa". Mente, porque a despesa tem subido. Diz, de seguida, que desceu em termos relativos. É verdade, mas longe de o absolver do seu pecado de mentir, apenas o denuncia. Pois se ela sobe, em termos absolutos, mas desce, em termos relativos, isso apenas prova que a redução do défice é feita, em primeiro lugar, através da camuflagem da subida da despesa pública, com o (tímido) crescimento económico que só é conseguido, não pela reforma dos problemas estruturais da economia portuguesa, mas por arrasto da conjuntura externa (como a subida das exprotações, muito glorificada, mostra a quem quiser ver), e em segundo, pelo aumento da carga fiscal, ou seja, do empobrecimento generalizado da população. Sócrates mente, agrava as condições de vida, dos portugueses, e não tem vergonha na cara.
Posted by Bruno at 03:01 PM
novembro 05, 2007
Não Aprenderam
Parece que Santana Lopes acredita que amanhã, aniversário de uma vitória cavaquista, começa uma nova era na política portuguesa (deve estar "escrito nas estrelas"), e Menezes acha que no debate parlamentar, Santana vai "supreender" (como iria em 2004). Parece que não aprenderam. Amanhã, assistir-se-à a um triste espectáculo.
Posted by Bruno at 09:39 PM
novembro 03, 2007
O Único Culpado
Ontem, pela voz de Rui Gomes da Silva, o PSD veio acusar o Primeiro-Ministro de ser o responsável ("o único culpado", julgo terem sido as palavras) pela "onda de crime" que supostamente assola o país. Não nego a importância da questão da criminalidade, nem que o Governo (como aliás os anteriores) tenha que ser responsabilizado pelas condições em que as forças de segurança fazem o seu trabalho. Mas pôr a questão como Rui Gomes da Silva o fez é de uma irresponsabilidade tremenda. Mais: ter sido Rui Gomes da Silva a pôr a questão mostra o irrealismo da direcção do PSD. Rui Gomes da Silva é conhecido da opinião pública pelo seu passado como "aguadeiro" de Santana, e ganhou fama com o "episódio Marcelo". Se este pôs a nu a insensatez do "Pedro", a insistência na atribuição de um papel de destaque no PSD a Rui Gomes da Silva evidencia a de Menezes. Se acusar directamente o Primeiro-Ministro de ser o único responsável pela "vaga criminosa" já é uma imbecilidade de todo o tamanho, ter Rui Gomes da Silva a declará-lo é expô-lo ao ridículo e a arrastar todo o partido consigo.
É claro que o "povo" até pode apreciar o "argumento". Se a coisa funcionou com Guterres, pode funcionar com o seu discípulo. Mas o hipotético sucesso desta "estratégia" laranja de aproveitar a (aliás diminuta) excitação em torno da "criminalidade" não elimina a irresponsabilidade de a seguir, antes a acentua. Pois se o argumento "pegar", ele poderá vir a ser usado contra o PSD. Se Menezes chegar ao poder a acusar Sócrates de ser o único responsável por tudo o que de problemático há no país, terá legitimado o uso de "argumentos" semelhantes por parte dos seus adversários. O maior risco do uso desta linguagem demagógica e arruaceira de Menezes e dos seus acólitos até nem é o de serem humilhados e desprezados por uma opinião pública minimamente consciente, mas o de terem sucesso junto de uma parte da população que não hesitará em aplicar-lhes os mesmos critérios. E se isso acontecer a Menezes, ele sim, será o único culpado.
Posted by Bruno at 10:01 PM
novembro 02, 2007
O PSD e a Sua Liderança
Há um aspecto da mudança de liderança do PSD que tem sido largamente ignorado pela comunicação social, mas que merecia mais atenção, por ser potencialmente revelador do carácter da direcção de Luis Filipe Menezes: quando se realizaram as eleições, ia já a meio o trabalho de revisão do Programa do partido, que contava com uma série de figuras na sua elaboração. Mas Menezes ainda não explicou o que vai acontecer a esse processo de revisão. Vai continuar, como previsto? Foi cancelado? Ou Menezes nem sequer se dignou a falar com as pessoas que estavam envolvidas nesse projecto, para lhes dizer o que se vai passar?
Posted by Bruno at 11:42 PM
novembro 01, 2007
Já Nas Bancas
A Atlântico deste mês, com Rui Ramos a escrever sobre as Invasões Francesas, Andfé Abrantes Amaral sobre o que deveria fazer a Câmara de Lisboa, João Pereira Coutinho sobre as "duas culturas" (a das ciências e a das humanidades), Fernando Gabriel sobre o Apartheid, João Miranda sobre os "três liberalismos", André Azevedo Alves sobre David Cameron, Pedro Marques Lopes sobre a necessidade de privatizar a Caixa Geral de Depósitos, Vasco Pulido Valente sobre Gunter Grass e Soderbergh, Carlos Carapinha sobre as idiotices de Saramago a propósito de Israel, Miguel Morgado em defesa de um referendo sobre o Tratado Europeu, o Púlpito de Tiago Cavaco e a estreia do Coveiro do Tiago Galvão. Este vosso rapaz estraga tudo com as parvoíces do costume.
Posted by Bruno at 11:17 PM