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outubro 31, 2007
Agitação 2
Como diz Pacheco Pereira, "esta história da entrada de Menezes no Conselho de Estado, na versão do comunicado do PSD divulgado ontem, é uma colecção de tretas. Primeiro, mente-se dizendo que nunca se pretendeu que Menezes estivesse no Conselho de Estado, e que tal nunca foi pensado na actual direcção do PSD." O que apenas vem confirmar aquilo que aqui escrevi ontem: a actual direcção do PSD é formada por um conjunto de arruaceiros cuja única preoucpação é aparecer nos telejornais. Nem que para isso tenham de fazer tristes figuras como estas.
Posted by Bruno at 01:17 PM
outubro 30, 2007
A Ouvir
Nesta página, uma entrevista a Niall Ferguson, acerca do seu The War of the World.
Posted by Bruno at 11:34 PM
Agitação
Levantou-se alguma agitação pelos lados da S. Caetano a propósito da composição do Conselho de Estado: Marques Mendes, então líder do partido, tinha assento nesse órgão em virtude de indicação parlamentar, e uma vez demissionário, deveria ser substituído por António Capucho. Menezes, no entanto, queria que a sua liderança ficasse representada pela sua excelsa pessoa. Não me lembro de alguma vez um outro qualquer líder partidário, eleito a meio do mandato presidencial, ter desejado entrar no Conselho de Estado. Lembro-me até de Marcelo Rebelo de Sousa ser conselheiro de Sampaio, depois de Durão o ter susbtituído na liderança do PSD. O que esta agitação mostra é, apenas e só, o carácter arruaceiro da actual liderança do PSD. Não há precedente que mereça ser respeitado, costume a merecer atenção, o mínimo de regras que sejam valorizadas. Vale tudo, desde que os faça aparecer nos telejornais.
Posted by Bruno at 10:41 PM
outubro 29, 2007
Assuntos Realmente Importantes
Parece que anda por aí uma grande polémica em torno de qual será a mulher mais atraente da televisão portuguesa, e formou-se uma certa unanimidade em redor de Adelaide de Sousa. Não querendo menosprezar (longe de mim) as imensas qualidades de Adelaide de Sousa, tenho as minhas dúvidas que se possa ser assim tão definitivo. Nem sequer menciono esse colosso fora da possibilidade de contemplação humana (embora ao alcance de um gorila brasileiro) que é Sofia Cerveira: lembro apenas o nome (e a figura) de Helena Coelho, esse portento sadino, cuja permanência nos ecrãs é o único serviço público que a RTP presta hoje em dia.

Posted by Bruno at 05:56 PM
00:04
O meu amigo Paulo anda agora também por aqui. E logo com um excelente texto sobre os Radiohead.
Posted by Bruno at 05:54 PM
outubro 27, 2007
Paulo Portas Parece Estar Um Pouco Esquecido
O Expresso desta semana dedica alguma atenção ao regresso de Santana Lopes. Num dos artigos, o dr. Paulo Portas é citado, afirmando que "grande parte dos críticos de Santana Lopes já se coligaram com ele; eu, das duas vezes que pude coligar-me (Lisboa, em 2001, e legislativas de 2005), optei por não o fazer". Mas o dr. portas esquece-se de uma outra "vez", e logo daquela em que efectivamente, se coligou com Santana: em 2004, quando a maioria parlamentar costituída pela coligação PSD/CDS deu o seu apoio à solução governativa encabeçada por Santana Lopes. Nesse Verão de 2004, em que Portas teve de escolher se deveria ou não apoiar Santana, optou por se coligar com ele. Em 2001, sabia que correr contra ele em Lisboa lhe daria oportunidade de promover a sua pessoa. Em 2005, sabia que era preferível manter-se o mais afastado possível do "guerreiro menino". Em 2004, preferiu a companhia do "Pedro" a perder o poder que a coligação lhe dava. De duas vezes, não se coligou com Santana por oportunismo. O mesmo oportunismo que em 2004, o fez optar pela coligação que hoje, pelos vistos, quer apagar da memória dos portugueses.
Posted by Bruno at 10:09 PM
outubro 26, 2007
A Oposição Silenciosa
A JSD, que havia planeado uma "iniciativa" que visava "denunciar a violação da liberdade de imprensa na Rússia", acabou por cancelá-la, pois sentiu "um descontrolo absoluto de alguns membros do Governo, relativamente a esta iniciativa, como se a acção em causa fosse arruinar todo o esforço de sucesso da presidência portuguesa da União Europeia", e "para que se não diga que algo correu mal devido à iniciativa", preferiram suspender tudo. O caso seria apenas mais um exemplo da irrelvância da JSD e do pobre raciocínio de que aquelas cabecinhas são capazes, se não fosse sintomático da forma como os partidos portugueses entendem a política, e em particular, da forma como a oposição vê o seu papel no período em que decorre a presidência portuguesa da UE. Por saberem que toda e qualquer crítica que a oposição queira fazer será atacada pelo Governo como sendo uma traição aos interesses nacionais, em vez de ser tratada como a legítima crítica que é, a oposição prefere ficar calada a correr o risco de ser mal vista por uma opinião pública que é sensível a estas reacções demagógicas do Governo. A JSD prefere calar a manifestação daquilo em que acredita (ou diz acreditar), porque não quer correr o risco de que a opinião pública aprecie a pompa das cimeiras do "engenheiro", e não esteja minimamente interessada na liberdade de expressão na Rússia. O PSD e o CDS, por não quererem correr o risco de serem acusados de menosprezar o "interesse nacional", permanecem calados enquanto o Primeiro-Ministro se serve da presidência portuguesa da UE para promover a sua pessoa. Por não quererem correr o risco de os ouvintes do Fórum TSF se queixarem de que "eles só sabem dizer mal", o PSD e o CDS preferem ser uma oposição silenciosa, que sobre tudo se cala e tudo consente, coisa que o PS agradece. A JSD, ao seguir o exemplo dos "adultos" do PSD e do CDS, não serviu o "interesse nacional", nem o sucesso da presidência portuguesa. Serviu apenas o interesse do Primeiro-Ministro, e o sucesso dos esforços socráticos de transformar a presidência portuguesa da UE num gigantesco tempo de antena do fato Armani que finge governar o país.
Posted by Bruno at 09:41 PM
outubro 25, 2007
A Arrogância do Primeiro-Ministro
Parece que o senhor Primeiro-Ministro foi ao Parlamento Europeu passear a sua arrogância e falta de chá, para que os deputados europeus ficassem a conhecer, para além do seu mau inglês (semelhante ao francês de Mário Soares ou ao português de Luis Filipe Menezes), o seu famoso mau génio. Talvez fosse bom que o Primeiro-Ministro tivesse um pouco mais de calma, e não respondesse torto a toda e qualquer crítica que alguém lhe faça. Em primeiro lugar, porque "o estrangeiro" não é Portugal (nem a Rússia do seu amigo Putin, que veio cá fazer uma visitinha), e ainda há liberdade de expressão, que ele deve respeitar, e uma comunicação social que, ao contrário da nossa, não tem como exclusiva obrigação promover a imagem do "engenheiro", e que portanto não tem pudor de criticar a sua postura se achar que o deve fazer. E em segundo lugar, porque quer ele queira quer não (e quer nós queiramos quer não), Sócrates está a representar Portugal, e para humilhar o país, já basta o "Middle West". E o que vale é que ninguém (nem mesmo "lá fora") liga ao que se passa no Parlamento Europeu, senão a vergonha ainda seria maior.
Posted by Bruno at 10:17 PM
outubro 24, 2007
Lido

Posted by Bruno at 10:14 PM
outubro 23, 2007
A Colher O Que Semearam
Segundo o Diário de Notícias de hoje, os deputados "barrosistas" do PSD "acusam Santana de saneamento", depois do novo líder da bancada parlamentar ter retirado a três deles as suas respectivas presidências de comissão na Assembleia da República. "Nunca se viu nada assim", gritam estas tristes figuras. Em 2004, acolheram Santana, depois da vergonhosa fuga do seu Padrinho, sem pestanejar. Enquanto Marques Mendes foi líder, mantiveram-se prudentemente afastados enquanto, na sombra, se esforçavam por degradar as condições de exercício dessa liderança. Nas últimas directas, optaram por não se mexer, contribuindo efectivamente para a vitória de Menezes. Mal este ganhou, puseram Miguel Relvas a servir de porta-voz oficial do grupo e, em tom conciliatório, a dizer que nada de extraordinário tinha acontecido, e que tudo poderia continuar como dantes. Quando Santana avançou para líder da bancada parlamentar, mais uma vez receberam "o Pedro" como o velho amigo de janataradas em Lisboa que, na realidade, sempre foi. Sempre preocupados em guardarem o seu "espaço" no partido, os "barrosistas" foram tolerando a progressiva degradação da imagem do PSD e permitindo o avanço de tudo aquilo que apenas contribuirá para a agravar. Agora que vêem esse mesmo "espaço" ser-lhes retirado, estão apenas a colher aquilo que semearam. Duvido que tenham aprendido a lição.
Posted by Bruno at 10:17 PM
outubro 22, 2007
A Crise da "Constituição" Europeia
Quem quer que tenha assistido ao debate entre David Cameron e Gordon Brown sobre a "Europa" e não esteja inebriado pela propaganda em torno do "Tratadon de Lisboa", terá percebido o quão perigoso é o caminho pelo qual os líderes europeus nos andam a conduzir. Antes de se chegar ao acordo sobre o conteúdo do Tratado, os líderes europeus não se cansaram de dizer como era necessário obter esse mesmo acordo, para resolver a "crise" que se havia instalado após os "Não" holandês e francês. Involuntariamente, davam apenas o melhor argumento para não se avançar com a "Constituição", fosse com que nome fosse. Pois se a "crise" foi "desencadeada" pelos referendos francês e holandês, isso quer dizer que antes não havia qualquer crise. E isso, por sua vez, quer dizer que a "Constituição" que foi então referendada não respondia a qualquer "crise" europeia. O que apenas quer dizer que a "crise" foi originada pela vontade da "Europa" em dar um salto no seu enquadramento institucional sem que esse salto fosse necessário. Ao querer "resolver" um problema inexistente, acabou por criar outro.
Ora, o que se viu no debate de Brown e Cameron foi o carácter desestabilizador do salto que a "Europa" quer dar o "Tratado de Lisboa". Receosos de enfrentar a oposição popular que se poderia manifestar em referendos, os líderes europeus querem empurrar à viva força o Tratado, ignorando a pressão que parece haver para a realização dos ditos referendos. Assim, apenas acentuam a já generalizada descredibilização da classe política nos países europeus, a desconfiança que os eleitores sentem em relação aos seus responsáveis políticos. Em Inglaterra, esta vontade cega de avançar com o Tratado é particularmente perigosa: com um principal partido da oposição não apenas apostado em realizar um referendo, mas (na sua maioria) contrário à sua aprovação, a insistência de Brown conduz o debate a um tom violento, à beira da ruptura. O que acontecerá se Brown levar à sua pretensão a bom porto, e passado um ou dois anos, os tories ganharem as eleições? E o facto de o referendo ter sido uma promessa eleitoral poderá fazer alguns dos deputados do Labour, receosos que os seus eleitores se virem contra eles, "revoltarem-se" contra Brown, porvocando a queda do Governo. Para cumprirem os seus sonhos de uma utopia burorática com sede partilhada por Estrasburgo e Bruxelas, os líderes europeus estão a sacrificar a saúde das democracias nacionais (retirando-lhes poderes e obrigando os seus responsáveis políticos a abandonarem promessas eleitorais) e a correr o risco de instalar crises de instabilidade nos seus países-membros. Ao contrário da "crise" europeia que Barroso e Sócrates quiseram resolver, as "crises" nacionais que daqui poderão resultar serão bem reais.
Posted by Bruno at 05:25 PM
outubro 20, 2007
Um Bom Sítio Para Se Ser Anti-Americano
Vale pena ler este artigo de Gerard Baker, onde ele explica por que razão os EUA são um bom sítio para se ser anti-americano:
"The truth is that America not only harbours the most eloquent and noisy anti-Americans in its own breast, it provides a safe haven for people to come from all over the world to condemn it.
Take a stroll through almost any American university campus and you will hear a cacophony of voices in a hundred different languages, slamming everything America does, from fast food to hedge-fund capitalism. For years one of America’s most celebrated academics was Edward Said, the Palestinian agitator-cum-professor, who lived high on the hog at Columbia University, near the pinnacle of the American intellectual establishment, dispensing his wisdom about US wrongs in the Middle East.
(...)Al Gore wants the US to give up its economic autonomy and submit to rule by binding international obligations to curb its carbon emissions. Some of the Democratic candidates for the presidency want to tie down the American Gulliver under a web of global treaties. The British Government, if recent speeches by ministers are to be believed, is now apparently seriously committed to the idea that only the UN has the legitimacy to determine how nations should behave. In other words, that a system that gives vetoes to China and Russia and honours the human rights contributions of countries such as Syria or North Korea should be accorded a full role in the promotion of the dignity of mankind.
There’s a larger irony in all this. Even as the US demonstrates the openness of its own society, its unrivalled capacity for self-examination and self-correction, a free system based on the absolute authority of the rule of law, it is told it must submit itself to the views of Moscow, Beijing, and Brussels.
Fortunately, while the American system may be forgivingly tolerant of people with wild and dangerous ideas, it doesn’t generally let them run the country."
Posted by Bruno at 10:13 PM
outubro 19, 2007
Sócrates e a Europa
O que se tem passado com a festa em torno da aprovação do "Tratado de Lisboa" é bem ilustrativo da forma como o nosso Governo actua, da forma como "pensa" o país e a sua política externa. Portugal perde poderes no quadro institucional da UE, e não há uma palavra do Primeiro-Ministro sobre o assunto. A UE dá um gigantesco salto em frente, e não há uma reflexão do Primeiro-Ministro. Apenas se ouvem da sua parte (para além do "Porreiro, pá!" dirigido a Durão Barroso) a sua habitual frase de que "este é um momento histórico" e gritinhos patriótico-provincianos de orgulho pelo facto do Tratado ir ser assinando na capital portuguesa. Para o Primeiro-Ministro, um elemento importantíssimo para a definição do que é a nossa política externa, e que desenha os limites do que pode ser ou não ser a nossa política interna, não é uma questão política, que mereça debate, ou que sequer justifique que ele se pronuncie. É apenas uma questão de relações públicas, mais uma acção propagandística, em que ele aproveita a ilusão de grandeza oferecida aos portugueses pelos seis meses de presidência da UE (que graças ao seu "momento histórico", nunca mais se repetirão), para promover a sua pessoa ("o momento mais alto da minha carreira" nas suas palavras) e assim consolidar o seu poder interno. Poder esse que, mais uma vez graças ao seu "momento histórico", é cada vez mais diminuto.
Posted by Bruno at 10:02 PM
outubro 18, 2007
Immagine In Cornice

Posted by Bruno at 11:13 PM
Uma Boa Sugestão
A do André Amaral, no Insurgente, acerca do que fazer com os milhões do QREN:
"Um dos maiores problemas de hoje é a sustentabilidade da segurança social. Uma situação tão crítica que não há coragem de libertar os que têm menos de 35 anos deste suicídio colectivo, sob pena de o sistema entrar em ruptura. É assim que, uma boa forma de aplicar os fundos europeus seria utilizando-os no pagamento das reformas de quem se quer reformar, permitindo que os mais jovens não tivessem de continuar a descontar para a colectividade. Esta sim, seria uma boa maneira de incentivar as pessoas a assumirem riscos, a apostarem em si mesmas, tornando-as dinâmicas e empreendedoras.
Permitir que as pessoas planeiem a sua reforma, pensem o seu futuro, é a única de conseguir uma sociedade responsável. Que não se abstenha ficando à espera que uns senhores no governo, ou na união europeia, lhe dêem de mão beijada dinheiro cuja má aplicação iremos lamentar daqui a uns tempos."
Posted by Bruno at 09:48 PM
outubro 17, 2007
A Longa Campannha De Durão
Serei sou eu, ou haverá mais gente já farta da campanha que Durão Barroso anda já a fazer para as Presidenciais de 2016?
Posted by Bruno at 10:25 PM
Portugal Recebe Mais de 21 Mil Milhões de Euros do QREN
Vai começar a compra de votos para 2009.
Posted by Bruno at 10:09 PM
outubro 16, 2007
A Europa e a Democracia
A propósito do cozinhado multipartidário que, com a benção do presidente da República, se prepara para pôr na gaveta o referendo ao Tratado Anteriormente Conhecido Como Constituição Europeia, repito o que já aqui escrevi: o que o Presidente faz ao incentivar PS e PSD a não realizarem um referendo, é incentivar os dois maiores partidos portugueses a quebrarem um compromisso eleitoral. O que o Presidente faz é incentivar o PS e o PSD a comportarem-se da forma que os tem descrebilizado aos olhos dos cidadãos. Ao defender o abandono do referendo, Cavaco Silva faz precisamente o contrário daquilo que deveria ter feito. O que alguém na sua posição e com a sua responsabilidade não poderia nunca fazer: contribuir para que o sistema político português prossega no seu caminho de acentuada degradação aos olhos dos portugueses. Não foi para isso que votei nele.
Posted by Bruno at 10:15 PM
O País Está Louco
Pelos vistos, houve gente que ontem dispensou um episódio dos Sopranos para ver a dra. Fátima Campos Ferreira a interromper os seus convidados (eu não vi, mas é assim que a coisa costuma correr). Razão tem o "guerreiro menino".
Posted by Bruno at 10:08 PM
outubro 15, 2007
Regresso do Guerreiro Menino
Como era de esperar, Pedro Santana Lopes é candidato a líder da bancada parlamentar. Como dificilmente terá concorrência, a partir de quinta-feira, o lugar será seu. No próximo debate na Assembleia da República, José Sócrates poderá ficar descansado. A representar o PSD, a ser o rosto da alternativa ao PS que o PSD tem para oferecer ao país, estará Santana Lopes, o "guerreiro menino", o Primeiro-Ministro das "trapalhadas". Lembrar isto é tudo o que Sócrates terá de fazer para sair por cima. E de cada vez que Santana disser, como aconselha Luís Delgado, que "não teve tempo", apenas será preciso dizer que foi o tempo suficiente para perceber que era melhor não lhe dar mais. Vai ser um bontio espectáculo. E quanto a Menezes, não se percebe o que ganha com isto. Se a humilhação de Santana arrastará consigo a humilhação do PSD, Menezes tem ainda de lidar com um líder da bancada parlamentar que, pura e simplesmente, não controla. O espontâneo "em mim ninguém manda" de Santana é todo um programa, que Menezes ignora a seu risco.
Posted by Bruno at 09:50 PM
outubro 13, 2007
O PSD E Os Impostos
O argumento de Luis Filipe Menezes, de que o PSD não deve "pedir" descidas de impostos porque o PS não cortou a despesa, é falacioso. Pois ao "pedir" uma descida de impostos, o PSD não está a "pedir" ao PS que os desça. Está a dizer que acha que a sociedade portuguesa não suporta a actual carga fiscal, e precisa de ser aliviada. Está a dizer que, se fosse governo, o faria, e se for governo, que o tenciona fazer. Se acha que é precisa cortar a despesa pública antes de descer os impostos, não precisa de pôr o desagravamento fiscal na gaveta, basta-lhe dizer que, uma vez no Governo, tenciona diminuir a despesa pública e cortar nos impostos. Claro que para isso, o PSD precisaria de propôr um caminho diferente daquele que actual Governo quer fazer o país percorrer. E isso é precisamente o que, com Luís Filipe Menezes, não se vê no PSD.
Posted by Bruno at 09:45 PM
outubro 12, 2007
Ficar Na Mesma
O Ministro da Administração Interna veio hoje anunciar que "não há lugar à instrução de processo de inquérito ou processo disciplinar" aos agentes da PSP que levaram os planos de uma manifestação do Sindicato de Professores do Centro, visto que, segundo o Ministro, os agentes não cometeram "qualquer infracção". Recordemos o que se passou: dois agentes da PSP (não fardados), fizeram uma "visita" intimidatória a uma delegação do dito sindicato, dias depois de uma outra manifestação ter sido impedida de se realizar pelo Primeiro-Ministro, pelo simples facto de os seus membros serem do PCP e terem o hábito de "insultar" o Primeiro-Ministro. O caso é grave, e não deve ser deixado passar em claro. Se os dois agentes policiais agiram por conta própria, sem ordens superiores, devem ser penalizados por isso. Se agiram sob ordem dos seus superiores, a PSP da Covilhã violou a liberdade do sindicato, e o Governo não deve tolerar tal atitude. A não ser, claro que ela tenha partido de ordens do Governo, e nesse caso, somos nós que não o devemos tolerar.
Posted by Bruno at 10:58 PM
outubro 11, 2007
À Custa Dos Portugueses
O Governo, que aprovou hoje em Conselho de Ministros o orçamento de Estado para o próximo ano, vangloriou-se por ter cumprido a meta da diminuição do défice das finanças públicas. A oposição, em peso, acusou o Governo de o fazer "à custa dos portugueses". Percebo os partidos da oposição, que aliás estão cheios de razão: ao contrário do que afirma a propaganda governativa, a contenção orçamental não é feita através de uma diminuição da despesa pública (antes pelo contrário, esta aumentou), mas pelo aumento de impostos (que aumentarão de novo para o ano), o que empobrece a generalidade dos portugueses. Mas, para sermos rigorosos, não há nada que o Estado faça que não seja "à custa" dos cidadãos. Faz parte do pacote. O problema é que em Portugal, o que o Estado faz "custa" muito (e "dá" pouco) àqueles que o alimentam.
Posted by Bruno at 10:32 PM
outubro 10, 2007
De Olho em Huckabee
Não me canso de dizer que o candidato Republicano à presidência americana que o leitor deve manter debaixo de olho é Mike Huckabee. Não por se tratar do mais forte candidato à vitória, mas por, sendo mais ou menos desconhecido, ser o que mais impressiona quem não espere muito dele. Como aqui escrevi, o antigo governador do Arkansas tem uma capacidade retórica invejável, e se algumas das suas opiniões são francamente decepcionantes (o seu apreço pelo criacionismo), poderia ser alguém útil num lugar como o de Vice-Presidente, onde, não conduzido a política do país, tem ainda algum destaque e responsabilidade. é por isso que vejo com agardo que não sou o único a pensar assim. Dan Bartlett, antigo conselheiro do presidente George W. Bush, considera Huckabee o "melhor candidato" Republicano à presidência americana (apesar de tudo vou preferindo Giulani), ao mesmo tempo que destrói Mitt Romney, que, tal como também já escrevi, me parece de uma pobreza franciscana.
Posted by Bruno at 09:45 PM
outubro 09, 2007
Intolerável Intolerância
Depois de, no domingo, o senhor Primeiro-Ministro ter feito a polícia impedir uma manifestação de professores em Montemor-o-Novo, pelo facto dos sindicalistas serem agentes do PCP, e o PCP fazê-los lançar "insultos" ao Primeiro-Ministro (como se esse não fosse um direito do PCP e dos sindicalistas), ontem, dois agentes (não fardados) da PSP da Covilhã terão feito uma cordial visita a uma delegação do Sindicato dos Professores do Centro, para darem uma olhadela aos planos da manifestação marcada para hoje, tendo acabado por levá-los. O Ministério da Administração Interna, claro, resolveu investigar, forma de dizer que não teve nada a ver com o sucedido. Tal como se passou com a zelosa intervenção da senhora da DREN, um eventual desconhecimento, por parte do Governo, da acção dos senhores da PSP, não servirá de atenuante para a gravidade da questão. Pois o acontecimento, visto em conjunto com casos como o da DREN, com o de Montemor, com a ambição governativa de controlar as polícias, e acima de tudo, com a postura do Primeiro-Ministro, apenas denuncia o clima autoritário de intolerância face à crítica e à contestação que se vive, não apenas no Poder propriamente dito, mas em todo o aparelho de Estado. Os partidos da oposição, correctamente, apressaram-se a criticar o episódio. Mas nenhum tem tão pouca autoridade para o fazer como o actual PSD. Pois o Luís Filipe Menezes que tanto se ofende com o "autoritarismo" de Sócrates, é o mesmo líder do PSD que manda os seus capatazes avisar "esses Pachecos Pereiras" que "são dispensáveis", e que quem critica a liderança não deve fazer parte do partido. O líder partidário que não aceita que membros do seu partido tenham ideias diferentes acerca de qual deve ser a função e o lugar desse partido na sociedade portuguesa, ao criticar o "autoritarismo" do Primeiro-Ministro e o "zelo" dos seus subordinados, apenas descredibiliza essa crítica, apenas fortalece o Primeiro-Ministro e os vícios da sua governação. Menezes e os seus rapazes deviam perceber que, sempre que ameaçam algum dos seus colegas de partido de expulsão pelo simples facto de discordarem do novo líder, estão a fragilizar a sua própria posição enquanto oposição ao Governo. Mas talvez isto seja demasiado complicado para a cabecinha de um Ângelo Correia, de um Marco António, ou de um Martins da Cruz.
Posted by Bruno at 10:09 PM
outubro 08, 2007
Começo do Fim
The Sopranos, a última parte da última série, daqui a pouco, na RTP 2.
Posted by Bruno at 09:55 PM
outubro 06, 2007
A Hubris de Brown
No Reino Unido, o tema quente de todo o último Verão foi a possibilidade Gordon Brown convocar eleições antecipadas para este ano. Hoje, o Primeiro-Ministro britânico gravou uma entrevista com Andrew Marr (a ser transmitida amanhã) na qual afirmou que não o iria fazer. Numa semana, o homem que parecia ir arrumar de vez os tories e lançar o Labour numa espécie de domínio "à japonesa" do sistema político, parece caído em desgraça. Durante meses, Brown alimentou a ideia de que ia marcar eleições. Isto fez instalar o pânico no partido Conservador, ainda em fase de trabalho de elaboração de novas políticas. Uma campanha mediática de extraordinária eficácia, por sua vez, fazia Brown subir nas sondagens. Depois da conferência do Labour, algumas davam-lhe uma vantagem de 11% sobre os tories. A meio da conferência dos Conservadores, Brown visita tropas britânicas para (re)anunciar a sua retirada do Iraque nos próximos tempos, e manobra é vista como uma prova do oportunismo do escocês, enquanto o shadow cabinet Conservador tem uma boa prestação na conferência. Brown começa a descer nas sondagens, e recua na intenção de marcar eleições. Nada disto era necessário. Se Brown tivesse, logo à partida, recusado a hipótese de eleições, argumentando que, no sistema britânico, o único mandato que o Primeiro-Ministro precisa é aquele que os deputados lhe dão, a conversa teria ficado por aí. Ao deixar que toda a gente ficasse a pensar que ele queria eleições, e recuando à 25ª hora, Brown está apenas e só a dizer que queria eleições, não para renovar o seu mandato, mas para aumentar a sua maioria no parlamento, e que, na possibilidade de a perder, ou até de passar para a oposição (menos provável), prefere ficar quieto. É uma opção pior que a marcação de eleições. Pois a partir daqui, a imagem de oportunista que transmitiu irá criar uma enorme desconfiança, em vez do (incompreensível para alguém que foi, para todos os efeitos práticos, o Primeiro-Ministro britânico durante dez anos, um First Lord of the Treasury do "Rei" Tony I) benefício da dúvida que parecia ter conquistado. A partir daqui, as condições para governar que Brown gozará serão cada vez piores. Principalmente, dificilmente conseguirá fazer passar a "Constituição Europeia" sem um referendo. E quando as eleições se vierem a realizar, em 2009 ou 2010, talvez não sejam só uns quantos deputados da sua maioria que ele vai perder, mas todo o poder.
P.S.: Sobre esta questão, ler o que tem sido escrito no blog da Spectator, no de Adam Boulton, no Conservative Home e no blog de Iain Dale.
Posted by Bruno at 10:21 PM
outubro 05, 2007
A Grande Ilusão
Imagine, caro leitor, que as empresas portuguesas, em vez de contratarem os empregados que querem para as posições que querem, vissem essa função entregue ao Estado. Imagine um concurso nacional que distribuíria os empregados pelas empresas. Imagine que os serviços a serem prestados por aquelas empresas era definidos, não por elas de acordo com as condições do mercado, mas de acordo com um "Programa" definido por uns senhores num qualquer Ministério. Imagine que, em vez do seu financiamento depender daquilo que os seus potenciais clientes estiverem dispostos a gastar pelos seus serviços, este partiria do Estado, que distribuiria o dinheiro pelas várias empresas do país de acordo com sabe Deus que critérios. Imagine, caro leitor, que os clientes, em vez de escolherem livremente a empresa cujos serviços preferem, teriam de se candidatar, através do Estado, a poder usufruir dos serviços de determinada empresa. Os resultados seriam óbvios: as empresas não prosperariam, os serviços que prestassem seriam de péssima qualidade, os clientes não ficariam satisfeitos e o país seria (ainda mais) pobre. No entanto, caro leitor, é neste modelo que assenta o nosso sistema educativo. E toda uma classe política se espanta com os tristes resultados que ele dá. A ideia de que a planificação, ineficaz na "economia", é a que melhor serve a "educação", é a última grande ilusão do "progressismo". Como todas as outras, paga-se caro. Se as escolas poderem contratar livremente os professores que quiserem, se tiverem a liberdade de estabelecer o projecto educativo que bem entenderem, se os pais tiverem a liberdade de escolher entre a oferta em competição, e se o financiamento das escolas depender dessas escolhas dos pais dos alunos, talvez a educação deixe de ser apenas uma "paixão" dos discursos dos governantes, e passe a ser algo de decente.
Posted by Bruno at 10:40 PM
outubro 04, 2007
Histórico
Se há coisa que incomoda neste Governo, é o carácter ridículo da sua retórica propagandística. Todo e qualquer anúncio corresponde, na mente do Primeiro-Ministro ou na do seu lacaio do momento, a um momento "histórico". Tudo é "inédito", "sem precedentes", um "corte radical com o passado". Tudo é "apostas", seja no "fotovoltaico" (é assim que esse escreve?) ou no "hídrico", que nos lançam no "caminho da modernidade", e demonstram um "pensamento de futuro". E em algumas delas, parece que o país é até "pioneiro". Mas sinceramente, "histórico" e "sem precedentes" seria este Governo ter um bocadinho de vergonha na cara.
Posted by Bruno at 10:01 PM
outubro 03, 2007
O Regresso de Santana
O meu amigo João escreve que, caso Santana Lopes venha a ser o novo líder parlamentar do PSD, ele (o João) "não se importava". Com Santana, diz o João, "ao menos tínhamos um homem mais desbocado e atrevido", que seria capaz de, mesmo com "alguma incipiência no conteúdo das intervenções", "virar as costas ao desrespeito do Primeiro-Ministro para com os deputados". Enfim, o velho Santana dos Congressos do PSD. Sendo que o João não se deixa enganar pela histeria de Menezes, estranho que ele use para Santana o argumento que os apoiantes do novo líder usaram na sua campanha (o de que, com ele, haveria "verdadeira" oposição, ou seja, berraria). E acima de tudo, espanta-me por vir de alguém que não foi em conversas destas quando Santana foi para Primeiro-Ministro. Pois o argumento que, na boca de muitos, justificou a "escolha", foi precisamente a suposta "vivacidade" de Santana, que animaria o povo e conduziria o PSD a inúmeras vitórias. Na altura, deu no que deu. Agora, como líder parlamentar, não será diferente. A "combatividade" de Santana não vai criar dificuldades para Sócrates, vai resultar na humilhação de Santana, e arrastará o PSD consigo.
Posted by Bruno at 11:03 PM
outubro 02, 2007
Os Barrosistas
Sempre que se fala das várias facções dentro do PSD, os "barrosistas" são mencionados. Poderia pensar-se que correspondia a um grupo de pessoas com uma determinada linha política, personificada pela figura de Durão Barroso. A saída deste último da cena política portuguesa mostrou bem que não. Ficou à vista de quem quis ver que os "barrosistas" mais não são que um grupo de oportunistas que, formado à volta de uma pessoa, mais não faz que tratar das suas ambições pessoais na estrutura partidária. A maneira como estas cabeças se acomodaram ao santanismo, que, com razão, haviam combatido ferozmente uns anos antes, mostra-o bem. Por comodismo, toleraram Mendes, enquanto o minavam (acima de tudo através de Morais Sarmento)e procuravam arranjar nos hipotéticos candidatos a líder um refém que, uma vez no poder, teria de os acomodar. Para seu azar (e de todos nós), Menezes ganhou. É possível que no Congresso que se avizinha, figuras como Morais Sarmento apareçam a apontar as armas a Menezes. Mas nota-se já uma acomodação ao que aí vem. As declaraões de Miguel Relvas, muito conciliatórias, mostram que os "barrosistas" se preparam para fazer com Menezes o que fizeram com Santana: dobrarem as perninhas para o levarem aos ombros (com delideza, claro, para que no caso de ele cair eles não se aleijarem também). Aparentemente, não aprenderam com os erros do passado. Figuras como Manuela Ferreira Leite ou Rui Rio, que continuam a ser apresentados como futuros candidatos a líder, deviam aprender alguma coisa com isto: uma verdadeira alternativa no PSD, uma alternativa no PSD que faça do partido uma alternativa ao PS, tem de ser feita, não apenas contra Menezes, mas contra os "barrosistas".
Posted by Bruno at 10:44 PM
Pedagogia e Demagogia
Parece que o dr. António Vitorino, naquele programa dele que ninguém vê, terá dito que, para "combater a demagogia" de Menezes, o Governo precisava de recorrer à "pedagogia". esta frase é tão irritante que, por um segundo, até cheguei a simpatizar com Menezes. Passou-me depressa, diga-se de passagem.
Posted by Bruno at 10:35 PM
outubro 01, 2007
Já Nas Bancas
Posted by Bruno at 07:36 PM