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setembro 29, 2007
O PSD E A Sociedade
A sondagem ontem publicada no DN, e que dava o novo líder do PSD Luís Filipe Menezes como o preferido dos inquiridos para liderar o partido laranja, parece "dar razão" à maioria dos militantes que participaram nas directas, e que o escolheram como líder. Mas é uma ideia ilusória. Pois uma parte significativa desses inquiridos nunca votou PSD, e não irá votar. Perguntar-lhes quem preferem para líder de um partido no qual nunca votarão é o mesmo que perguntar-me a mim se, em 2004, preferia Manuel Alegre ou Sócrates para liderar o PS. Podia agradar-me mais a persona política de Alegre (apesar de tudo, o homem pensa, ao contrário do mero oportunista que nos governa), mas fosse qual fosse o eleito, eu não iria nunca votar nos socialistas para me representarem e governarem o país.
Muito mais relevante era o outro resultado dessa sondagem, o de que Marques Mendes era o preferido dos eleitores do PSD. E este resultado é relevante por ser, juntamente com o das eleições directas, revelador do estado actual do partido laranja. A maioria dos militantes do PSD prefere um líder que a maioria das pessoas que estão dispostas a votar PSD prefere ver pelas costas. O partido, a maioria das pessoas que nele militam, estão desligadas da maioria da sua base social de apoio. O que os resultados daquela sondagem, juntamente com o resultado das eleições directas, revelam, é o facto de o PSD não representar a parte da sociedade que dele espera qualquer coisa, mas apenas a parte do aparelho que espera do partido laranja os serviços de uma agência de emprego. O que é trágico para ambos. Pois sem o apoio de uma parte significativa da sociedade, poucos empregos poderão ser oferecidos. E enquanto o objectivo do partido continuar a ser apenas esse, uma parte significativa da sociedade portuguesa continuará a ser ignorada.
Posted by Bruno at 10:13 PM
O Maior Responsável
O triste espectáculo a que se tem assistido no PSD, nos últimos anos, e que continuará nos próximos, tem um grande responsável. No conforto de Bruxelas, visitando Portugal constantemente como se nada tivesse a ver a com o que cá se passa, Durão Barroso tem sobre os seus ombros o peso da responsabilidade pelo estado a que o PSD chegou. Tendo em conta a amostra que a sua oportunista e cobarde fuga constituiu, não é coisa que o deva incomodar.
Posted by Bruno at 01:18 AM
Esmurrando o Espelho (reposição, a propósito do resultado de hoje)
Luís Felipe Menezes não pára. Defendendo que o PSD desempenhe um papel de oposição permanente, que todos os dias apresente moções de censura ao governo na Assembleia, e que berre nas televisões fazendo o cuspo voar para o chão tantas vezes as que os telespectadores correrão a mudar de canal, o candidato à liderança do PSD tem-se mantido bastante activo, lutando por aparecer tantas vezes como figuras típicas da saison como Cinha Jardim ou Simão Sabrosa (rapaz que partilha com Menezes o gosto de chorar em público). Ontem, na Póvoa do Varzim, terá dito que não está "preocupado com os 200 barões do PSD", mas sim com "os 139 800 militantes" do partido que os tais "barões" supostamente tendem a ignorar. Repare-se como, entre a reunião do Conselho Nacional do PSD em que as directas foram marcadas e o dia de ontem, o PSD, segundo Menezes, passou de 120 militantes para 140 000. Mas mais do que este espantoso sinal da vitalidade do partido laranja, e mais do que um novo exemplo do que Pacheco Pereira tem caracterizado como a luta entre "os de cima" e "os de baixo" no PSD, estas declarações são um pequeno aperitivo do que seria e de como se comportaria um hipotético governo de Luís Felipe Menezes.
Hoje, Menezes berra contra os "barões", apelando ao ressentimento (quem sabe legítimo) dos "militantes de base". Amanhã, líder da oposição, e no dia seguinte, Primeiro-Ministro, Menezes falará dos "políticos", "deles", dos "privilégios" que supostamente mantêm enquanto "ignoram" o "povo" e as suas reclamações. No fundo, fará como Sócrates, que se atirou primeiro aos "políticos" ("eles", claro, não ele próprio, "impoluto", "sério" e "rigoroso" como o ensinaram a ser na UnI), antes de se atirar ao "povo" (fazendo "reformas" que, quer se concorde com elas quer não, foram impopulares numa significativa camada da população). É também neste aspecto que Menezes, como dizia o André Amaral há dias, será um Sócrates vestido de laranja: sendo alguém capaz de ser mediaticamente eficaz, promete tudo e seu contrário, usando o ressentimento de "uns" contra os "outros" como forma de se promover em ambos os sectores, apesar de os "atacar" a todos (no PSD não precisa destes cuidados, pois não tendo o apoio dos barões, pode atacá-los à vontade).
Mas se os militantes laranja estão, também eles, tão seduzidos pelo "animal feroz" ao ponto de quererem uma versão similar só sua, talvez fosse bom que pensassem duas vezes. Pois quando um político se serve da retórica "dos de baixo" contra "os de cima", do "povo" ignorado pelos "políticos", apenas está como que esmurrando o seu próprio espelho, não apenas ferindo os adversários que sonha desfazer, mas estilhançando a imagem que passa de si próprio. Pois, para "os de baixo", Menezes, autarca de Gaia, ex-Secretário de Estado de Cavaco, é tão "lá de cima" como Mendes. Para o "povo", Menezes é apenas mais um "deles", mais um "político" que apenas quer "poleiro". Parte do auditório pode deixar-se levar pela retórica excitada e pela gotinha de saliva raivosa que esvoaça ao sabor do discurso, mas outra parte apenas ficará um pouco mais convencida de que "os de cima" (entre os quais estará Menezes) apenas se preocupam com as suas fratricidas lutas por "lugares", e não com "o partido; apenas ficará um pouco mais convencida de que "os políticos" (entre os quais estará Menezes) não querem "saber" do "povo", estando apenas interessados no célebre "poleiro". A (muito) curto prazo, uma liderança de Menezes poderia ser eficaz para o PSD. Mas passada a euforia, logo o afundaria ainda mais do que já está.
Posted by Bruno at 01:13 AM
Os Ausentes
Há muitas pessoas que, estando a "andar por aí", se devem ter arrependido de terem ficado ausentes destas eleições directas. A não ser que este resultado fosse precisamente o que eles pretendiam, para que a desgraça seja maior e eles possam aparecer no futuro como os grandes salvadores do PSD. A ser assim, mais vale que não apareçam. Porque não perceberam qual será o preço do que agora se vai seguir.
Posted by Bruno at 12:52 AM
Menezes Ganha
Volta Santana Lopes, estás perdoado...
Posted by Bruno at 12:39 AM
setembro 28, 2007
Nota
Há pouco, antes de votar, Luís Filipe Menezes afirmou que a aparentemente elevada participação dos militantes do PSD nas eleições do partido dariam uma grande legitimidade ao vencedor. Tome nota das palavras, caro leitor. Pois se mais logo Menezes vier a ser (como eu espero que aconteça) derrotado, não me espantaria que ele se esquecesse de tais palavras, e falasse de eleições "roubadas" ou coisa semelhante, como aliás andou a dizer durante toda a campanha.
Posted by Bruno at 10:45 PM
setembro 27, 2007
A Ler
Dois posts de dois colegas insurgentes, ontem: o do André sobre a questão do mercado de habitação, e o do BZ, sobre o mito dos "preços recorde" do petróleo.
Posted by Bruno at 11:02 PM
Triste
A notícia da vandalização de campas no cemitério judaico de Lisboa.
Posted by Bruno at 11:01 PM
setembro 26, 2007
Morais Sarmento Devia Ficar Calado
Parece que o dr. Morais Sarmento anda muito preocupado com o "património" do PSD, em risco devido às candidaturas de Mendes e Menezes. Para o dr. Morais Sarmento, nenhum dos dois "serve" para a liderança. O dr. Morais Sarmento, que não hesitou em oferecer os seus ombros para que Santana Lopes pudesse empoleirar no poder, não se preocupou nessa altura com o "património" do PSD. E se realmente está, hoje, tão preocupado como diz estar, e se os actuais candidatos lhe parecem tão inadequados, por que razão não apresentou a sua excelsa cabeça de ex-boxeur como alternativa? O simples facto de ter dado a sua benção ao descalabro santanista seria suficiente, mas a sua cobardia oportunista, mantendo-se fora da corrida para mais tarde colher os frutos da degradação que está semear, deveria levar Morais Sarmento a guardar os seus temores para si e a ficar calado. Um bocadinho de vergonha na cara nunca fez mal a ninguém.
Posted by Bruno at 09:48 PM
If I'm Going Down, I'm Not Going Alone
É fácil de perceber por que razão descambou a campanha interna do PSD para a (ainda mais degradante) troca de acusações que Menezes iniciou, ao colocar a hipótese de impugnar a decisão do conselho de jurisdição do PSD, a propósito do pagamento irregular de quotas: Menezes já percebeu que não vai ganhar, mas já que vai cair, quer que Marques Mendes caia com ele. E por isso, faz tudo o que for preciso para o descredibilizar, o que significa, quer a sua limitada capacidade de pensamento o perceba ou não, que descredibiliza ainda mais todo o PSD. Sócrates agradece.
Posted by Bruno at 09:43 PM
setembro 24, 2007
A Propaganda de Costa
Quando Sócrates subiu ao poder, logo tratou de arranjar um momento melodramático em que o "descalabro" das finanças públicas foi anunciado de forma solene e num tom de catastrofismo que contrastava com a atitude que, até aí, na oposição, o PS tinha tido para com a os "obcecados" com o défice. E foi essa coreografia melodramática que permitiu ao Governo impôr a sua actual política financeira, que não fizera parte das suas promessas eleitorais. António Costa, apostado em parecer o salvador de Lisboa, e acima de tudo, preparando o futuro assalto a São Bento, resolveu hoje repetir o número, numa pomposa conferência de imprensa, transmitida em directo na RTP N, onde anunciou uns remendos na política de despesas da Câmara e um aumento do Imposto Municipal sobre Imóveis, que não me recordo de ter sido uma promessa de Costa. Torna-se assim evidente, para quem ainda não tivesse percebido, como será a presidência de António Costa na autarquia lisboeta. Como o Governo, tudo o que encontrará deixado pelos antecessores será um "desastre". Como o Governo, tudo o que fizer será anunciado vezes sem conta. Como o Governo, todas as suas medidas são "históricas", por mais irrelevantes que sejam. Como o Governo, terá como centro das suas atenções a sua autopromoção. Como o Governo, será do agrado de muita gente, que se contenta com fogo de artifício.
Posted by Bruno at 09:59 PM
setembro 22, 2007
GovTv
O Governo não se cansa de se congratular com o facto de Portugal ter sido classificado como o terceiro melhor país da UE no que diz respeito ao e-government. No debate parlamentar de ontem, o Primeiro-Ministro disse que essa era a prova de que as suas políticas estavam a dar resultado. Para azar do Primeiro-Ministro, ninguém quer saber. A RTP dá a notícia a meio da semana, mas a saída de Mourinho do Chelsea monopoliza as conversas. O Primeiro-Ministro vai ao parlamento falar do assunto, mas Louçã lança umas quaisquer acusações que abafam a coisa, e ainda por cima, Mourinho continua a ser o centro das atenções. Sócrates já devia começar a desesperar, mas a RTP não brinca em serviço. E para que a propaganda do Governo não passe despercebida, logo trata de arranjar um Prós&Contras dedicado ao tema, com um anúncio que mais parece um tempo de antena do Governo. É nestas coisas que se vê a politização da RTP. Quando um tema, que não se torna alvo das atenções dos espectadores (mais atentos a Mourinho, e eventualmente, à crise financeira que o Ministro das Finanças jura a pés juntos que não irá afectar Portugal), é um tema que Governo quer ver repetida e incessantemente tratado na televisão, a RTP faz a vontade ao Governo. Entre a agenda noticiosa e a agenda do Governo, a "informação" e o "debate" da RTP seguem a segunda. Quem paga é o contribuinte.
Posted by Bruno at 10:04 PM
setembro 21, 2007
A Inexistência do PS
O debate parlamentar de hoje mostrou bem para que servem as intervenções de Alberto Martins, líder da bancada socialista. Alberto Martins não diz nada. Limita-se a atacar a oposição, e se faz alguma pergunta ao Primeiro-Ministro, é para saber se ele vai continuar a ser tão extraordinário como supostamente tem sido até aqui. Mas depois, o Primeiro-Ministro tem de lhe responder. E se é verdade que Sócrates não perde uma oportunidade de confirmar a Alberto Martins que sim, é extraordinário e vai continuar a sê-lo, não é para uma sessão de auto-elogio que os diálogos entre o Primeiro-Ministro e o líder da bancada parlamentar que o apoia servem. Eles antes constituem uma oportunidade para Sócrates responder aos ataques dos líderes da oposição, sem que estes tenham hipótese de ter de novo a palavra, podendo o Primeiro-Ministro ficar com a última, que nos resumos do telejornal parece sempre ser a melhor.
Este deprimente papel a que se presta Alberto Martins é aliás bem ilustrativo do estado actual do Partido Socialista. Como o líder da sua bancada parlamentar, o PS apenas existe para logo desaparecer, existe para inexistir, existe para fazer existir o Primeiro-Ministro. Em vez de um partido activo, que seja um verdadeiro suporte e colaborador do governo na Assembleia da República, o PS reduz-se a servir de plataforma ao "chefe", limita-se a ser uma "marca" que Sócrates usa para se promover. Ao contrário do que o servil Alberto Martins possa pensar, Sócrates não é imortal. Um dia, perderá o poder. E aí, o PS pagará o preço da sua inexistência actual, ficando a braços com uma crise ainda pior que a actual do PSD. Talvez tenha sorte, e a actual corte de São Bento seja rapidamente substituída pela da Câmara Municipal de Lisboa, que não terá escrúpulos em usar a "marca PS" nos seus esforços de promoção pessoal (como aliás, o percurso do "rei" Costa bem demonstra). Mas não durará por muito tempo. Pois quando também ela desaparecer, restará o deserto. A crise terá sido apenas e só adiada (como Nogueira, Marcelo, Durão e Santana adiaram a do PSD), e portanto agravada (como se pode ver na São Caetano). Talvez Alberto Martins, da próxima vez que fizer uma pergunta ao Primeiro-Ministro, devesse pensar um bocadinho nisto.
Posted by Bruno at 10:50 PM
setembro 20, 2007
Hill Street Blues
Para quem ainda se lembra, e especialmente, para os que nunca tenham visto, fica aqui um pequeno aviso: a RTP Memória transmite a excelente e histórica série de televisão Hill Street Blues, de segunda a sexta, por volta das 21 horas. Vale a pena ver.
Posted by Bruno at 09:56 PM
setembro 19, 2007
O PSD Perdeu Uma Boa Oportunidade
O debate de ontem na SIC Notícias entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes foi um bom exemplo de como o PSD perdeu a excelente oportunidade para ressuscitar o partido que estas eleições directas constituíam. Em Inglaterra, o debate entre David Cameron e David Davis ajudou a dar uma imagem de um partido com ideias em vez de meras inimizades. Cá em Portugal, as directas do PS proporcionaram uma escolha entre o partido vazio mas telegénico de Sócrates e o partido repleto de ideias e de erros de Manuel Alegre. Ambos permitiram que os respectivos partidos surgissem, na mente dos eleitores, como uma alternativa credível aos respectivos governos da altura. As directas do PSD, devido à ausência de várias figuras, e à presença de Luís Filipe Menezes, apenas ajudou a acentuar a imagem de um partido que nada tem a dizer. Pois se a ausência de pessoas como Rui Rio significaram a ausência de um eventual projecto alternativo ao de Marques Mendes, a de Menezes apenas serviu para puxar Mendes para a lama onde o autarca de Gaia habitualmente chafurda. Veja-se o debate de ontem: depois de dois anos de ataques pessoais por parte de Menezes, Mendes tem de se defender, atacando Menezes como a sua posição institucional não permitiu fazer até agora. Mas ao fazê-lo, conduz o "debate" para o terreno que os eleitores menos apreciam. Conduz o "debate" para as acusações pessoais que apenas confirmam nos eleitores os preconceitos que estes têm acerca dos políticos. E sempre que Mendes referia alguma ideia (a necessidade de diminuir o peso do Estado, por exemplo), capaz de servir de alicerce a um projecto alternativo ao do PS, logo Menezes se socorria da demagogia que tanto lhe agrada, e que o mancha não apenas a si, mas também Mendes e todo o PSD. Assim se passou no debate de ontem, assim se passou durante toda a campanha. Foi pena. Para Mendes e para o PSD, e porque precisa dos dois, para o país.
Posted by Bruno at 12:25 PM
setembro 18, 2007
A Irrelevância Dos Gestos Europeus
A União Europeia, sob a presidência portuguesa, queria fazer do dia 10 de Outubro o Dia Europeu Contra A Pena de Morte, como uma forma de pressão sobre os países que, por esse mundo fora, mantêm a dita. A Polónia opôs-se, por pretender que o dia fosse dedicado à "Defesa da Vida", e não apenas à condenação da pena de morte. Por isso mesmo, a criação do dito Dia não foi aprovada. E ainda bem. Não que seja adepto da pena de morte. Antes pelo contrário. Mas apenas porque este seria apenas mais um "Dia" em que a irrelevância dos "gestos" da "Europa" ficaria à vista de todos. Não será por a UE criar um "Dia" em que os seus líderes se dedicam a pregar sermões contra algo que já foi abolido nos seus países, que outros estados por esse Mundo fora passarão a ver a Luz e se dediquem à Fraternidade em vez de a enforcamentos e espectáculos semelhantes. Com o falhanço da criação de um Dia Europeu Contra a Pena da Morte, não se perdeu uma oportunidade de acabar com ela nos países onde ela existe. Perdeu-se apenas mais uma forma de a UE gastar o dinheiro dos contribuintes dos seus países-membros em cerimónias oficiais tão irrelevantes quanto pomposas. E isso não é popriamente mau.
Posted by Bruno at 10:20 PM
setembro 17, 2007
O Que Esconde A Propaganda
O Pedro Correia chama a atenção para um dos aspectos mais ridículos do espectáculo demagógico que é a governação Sócrates: as suas sessões de jogging no estrangeiro. Em Washington, o Primeiro-Ministro marcou mais uma das ditas sessões. Mas como nota o Pedro Correia, Sócrates só corre "quando muda de continente", pois quando está por cá, nunca é visto a correr pelas ruas de S.Bento. Será que só corre nas ruas das cidades estrangeiras, por não gostar de ser importunado pelos cidadãos portugueses? Ou será que a razão pela qual não é visto a correr por Lisboa é a de que tudo isto não passa de uma simples (e triste) acção de propaganda? No fundo, o que esconde a propaganda? Um ódio ao português comum (o que é compreensível), ou mero facto de se tratar de propaganda?
Posted by Bruno at 07:21 PM
setembro 16, 2007
A Ler
Sobre o "caso McCann", os textos de Pacheco Pereira e Luciano Amaral.
Posted by Bruno at 10:02 PM
Sobre o Desatino
A propósito das eleições de Lisboa, das reacções à dita, e do "caso verde Eufémia", escreve o meu amigo João um texto no Setúbal na Rede. Deixo aqui um pequeno excerto:
"Inês Pedrosa (uma vez mais uma colunista do Expresso) escreveu na revista Única de 21 de Julho, um dos artigos mais assustadores que já li. Nele defendia, e escrevia, isto mesmo: “esta demissão dos cidadãos em relação às suas responsabilidades deveria ser sancionada: quem se está nas tintas para o governo da cidade deveria perder o direito a candidatar-se a empregos, bolsas ou apoios públicos”. Inês Pedrosa defende, se não as típicas pauladas “à la Saddam”, então, vá lá, um completo ostracismo dos cidadãos portugueses – pagadores de pesados impostos e sofredores pacientes de governos (centrais e autárquicos) incompetentes – dos seus direitos face à administração e à «coisa» pública. O «crime abjecto» destas pessoas: não ir votar no Domingo."
Posted by Bruno at 09:57 PM
setembro 15, 2007
Menezes Arrasta Tudo À Sua Volta
Luís Filipe Menezes, candidato à liderança do PSD, disse várias vezes que queria enfrentar o seu adversário Marques Mendes em vários debates, a realizar em vários canais de televisão. Marcado um debate para a SIC Notícias, disse que não participaria nele, a não ser que este se realizasse na RTP. Logo de seguida, veio dizer que sim, que participava, atacando Mendes por não querer participar em mais. Menezes, homem que esteve primeiro disposto a tudo, depois a nada, e agora a tudo outra vez, só se prejudica com esta incoerência provocada pelo simples desejo de causar agitação. Mas se todo o mal que causasse fosse a si próprio, pouco me incomodariam as tropelias do autarca de Gaia. O problema é que, com espectáculos destes, Menezes arrasta tudo o que está à sua volta. Em primeiro lugar, todo o PSD. Sempre que Menezes aparece a contradizer-se, só para criticar Mendes, o cidadão comum pensa "lá estão eles", "do PSD", a "dizerem mal uns dos outros", preocupados "com o poleiro" em vez "do país". Sócrates agradece, e o PSD, todo o PSD, perde credibilidade por causa do espalhafato de Menezes. Mas se Sócrates agradece, faz mal. Pois quando Menezes abre a boca, dizendo hoje o contrário do que disse ontem, que por sua vez era o inverso do que dizia há dois dias, não é apenas o PSD que fica mal na fotografia, mas toda a classe política. Sempre que Menezes surge com os seus malabarismos, o cidadão comum perde um pouco mais da já diminuta paciência que tem para "os políticos". E é todo o país que perde, são todos os cidadãos que pagam, pois a erosão da credibilidade da classe política significa a erosão das condições necessárias à realização de reformas essenciais ao país, caso alguém venha a ter vontade de promovê-las. De cada vez que abre a boca, Menezes ajuda a que essa improvável eventualidade tenha cada vez menos possibilidades de se vir a tornar realidade.
Posted by Bruno at 10:39 PM
setembro 14, 2007
Grace Kelly
Morreu há 25 anos.
Posted by Bruno at 11:17 PM
setembro 13, 2007
Dupont e Dupond
Paulo Portas, numa visita a uma escola no início do ano lectivo, criticou o Governo por ter ontem enviado uma série de ministros a escolas no início do ano lectivo. Não há nada que, aos olhos dos cidadãos, danifique mais a classe política, confirme mais nos cidadãos a ideia de que "todos os políticos são iguais", do que ver um político criticar políticos seus adevrsários por fazerem uma coisa que ele próprio está a fazer. Aparentemente, nada disto ocorre a Portas.
Posted by Bruno at 09:51 PM
setembro 12, 2007
Dez Características
Por sua vez, o Rui Albuquerque chama-me para a (por si instituída) corrente milagrosa da direita portuguesa, pedindo-me que diga quais as dez características que distinguem a "direita portuguesa (PSD e CDS)" do "PS e do governo". Se não o fizer, diz o Rui, Marques Mendes e Portas "nunca mais chegarão ao poder". Pelas respostas do Rui, ele não levou isto muito a sério. Mas é precisamente por levar a sério tudo o que o Rui escreve que não vou aceder ao seu gentil pedido. É que se até nem me custaria muito ver Marques Mendes no poder (embora preferisse que, até lá, outras ideias assombrassem o seu pensamento), já a perspectiva de ver Portas novamente como ministro é suficiente para me tirar do sério.
Posted by Bruno at 10:23 PM
Dez Livros
O meu amigo João convida-me a participar na discussão que está marcar o verão, e a dizer quias os dez livros que não mudaram a minha vida, dizendo de seguida que eu farei os possíveis por fugir com o rabo à seringa, o que, segundo ele, "torna o desafio ainda mais aliciante". Pois não irei desiludir o meu amigo. É uma boa razão para evitar responder à dita questão. Embora o facto de ela ser das coisinhas mais desinteressantes que já vi ser razão suficiente.
Posted by Bruno at 10:11 PM
setembro 11, 2007
11 de Setembro

Posted by Bruno at 10:17 PM
setembro 10, 2007
Selecção Portuguesa de Rugby
É verdade que os rapazes perderam, e que provavelmente perderão os restantes jogos que terão de fazer até serem eliminados. Mas gostei de ver Pedro Carvalho a correr que nem um louco para o fundo do campo e festejando o seu "ensaio", nem se apercebendo que o jogo havia sido interrompido depois do jogador português estar fora de jogo. Foi bonito, ver um cavalo autêntico (como são todos os jogadores de rugby, incluindo os relativamente esbeltos portugueses) estar tão entusiasmado com a hipótese de fazer um simples ensaio que nem se apercebe do que se passa à sua volta. Os rapazes podem ser inexperientes, ter metade da força e da qualidade dos seus adversários, mas a vê-los, tive um entusiasmo que a selecção portuguesa de futebol não me dá desde os tempos de Humberto Coelho. Já lá vão uns sete anos.
Posted by Bruno at 04:52 PM
setembro 08, 2007
O Foco da Minha Atenção nos Próximos Tempos
A Taça do Mundo de Rugby, com todos aqueles seres sobrehumanos (a visão do francês Sebastien Chabal, ontem, no França-Argentina, foi algo de verdadeiramente assustador) a empurrarem-se uns aos outros com o simples objectivo de chegar ao outro lado do campo, num festival de brutalidade do qual é impossível não gostar.
Posted by Bruno at 09:53 PM
setembro 07, 2007
A Ler
O artigo do imprescindível Gerard Baker sobre o novo fôlego de George W. Bush:
"At this late stage in an American presidency, even in the most favourable circumstances, even for the most popular incumbents, lame duck is definitely on the menu.
These are hardly the best of circumstances and this is hardly one of the most popular incumbents. With little more than a year to go to the end of George Bush’s presidency, his approval ratings stand near historic lows at just above 30 per cent. Last November his party lost control of both houses of Congress.
The death march of senior officials out of the Administration, routine around this stage of a second presidential term, has become a stampede. Karl Rove, the top White House aide, the Cardinal Richelieu of the Bush presidency, has gone. Alberto Gonzales, the Attorney-General, the Harpo Marx of the Bush presidency, will be gone in a few weeks.
By now Mr Bush should be a governing irrelevance, a liability to his party, the object of scorn and derision. Every Republican candidate with an ounce of instinct for self-preservation in his blood should be running away from the President as though he were a burning building.
But what is this? Next week Mr Bush seems certain to score one of the most important political victories of his presidency. General David Petraeus, the commander of US forces in Iraq, will testify before Congress, along with Ryan Crocker, the US Ambassador to Iraq, on the progress of the “surge” Mr Bush ordered earlier this year to much domestic political opposition.
(...)Although General Petraeus was always likely to give a guardedly optimistic report about the surge, the politics seemed increasingly hopeless for the Bush team. The Democratic majority in the Senate was backed by the momentum of overwhelming public opinion. And yet Mr Bush now looks just about certain to get his own way on Iraq. Not enough Republicans are ready to jump ship. Although the Democrats have a majority, they would need about a third of the Republicans in the Senate to vote with them to overcome a presidential veto. They don’t have those votes. So the surge will continue.
This unexpected turn of events reflects in part, of course, the good news out of Iraq. Even the war’s fiercest critics have had to acknowledge that real progress has been made in the last few months. In Anbar province and elsewhere Sunni insurgents have united with the Americans against al-Qaeda terrorists. The increased security effort by US forces has created the space to build the foundations of a political settlement."
Posted by Bruno at 10:31 PM
setembro 06, 2007
Sobre The Wire
Entretanto, parece que a Time está a realizar uma votação sobre as 100 melhores séries de televisão de sempre, e The Wire está na lista. Daniel Finkelstein, esse, nunca tinha ouvido falar da série, e deixa alguns links para lhe abir o apetite.
Posted by Bruno at 11:56 PM
Porque Vale a Pena Ver Televisão
O Vasco Barreto ficou incomodado com o meu post sobre The Wire e The Sopranos. Não por qualquer uma das coisas que eu disse acerca dessas duas fantásticas séries, mas por uma fugaz passagem sobre 24. Vamos por partes: sim, o facto de só ter visto Hill Street Blues na TVI denuncia o facto de eu ser um gaiato, e eu só o primeiro a lamentar isso. E é verdade, "a seguir a Hill Street Blues nunca mais se inventou nada realmente importante na ficção televisiva". Não se inventou, mas fizeram-se coisas melhores. Como The Wire e The Sopranos. E não ver televisão hoje em dia é perder muito do que melhor se vai fazendo por aí. Desde Rome, Deadwood, House, Rescue Me ou até a ligeiramente desapontante Weeds (excelentes dois episódios iniciais, mais fraquinha a partir daí), a 24, a televisão consegue produzir coisas ao nível (ou superiores) dos melhores filmes de Hollywood. O Vasco tem razão ao apontar as fraquezas tradicionais da televisão: "as pressões de tempo, dos orçamentos mais limitados e de um espectro de incorrecção política mais estreito." Eu próprio me referi às limitações que a imposição de intervalos publicitários e que fazem de House uma série ligeiramente abaixo de outras. Mas as séries da HBO (The Sopranos, The Wire, Rome, Deadwood), ultrapassam-nas: por passarem no cabo, não têm intervalos e têm menos limitações de correcção política que as das networks (Deadwood tem mais palavrões que Magnolia, e The Wire tem uma cena de cerca de quatro minutos em que o diálogo consiste exclusivamente da palavra fuck, isto para não falar da violência de The Sopranos, Rome, Deadwood e até mesmo The Wire. Por se desenrolarem em episódios, duram mais tempo que os filmes, tendo também mais tempo para se demorarem em pormenores que os filmes têm de dispensar (The Wire, principalmente, vive de coisas que um filme nunca poderia usar). E ao contrário do que diz o Vasco, aguentam bastante mais que uma ou duas vistorias (a propósito, não sei o que é a tal Dekalog). A primeira temporada de Rome, por exemplo já a vi três vezes (quando a 2 a deu, quando comprei o DVD, e quando a 2 a repôs antes de transmitir a segunda). The Wire já vi as três temporadas duas vezes em apenas três meses. São tão complexas, tão cheias de histórias e promenores que só à segunda se apanham certas coisas. Mais do aguentarem, são feitas para isso. Na realidade, a televisão moderna faz séries não para serem vistas na televisão, mas no DVD, uma, duas, três vezes: não se podem socorrer do artifício de as interromper no sítio certo (Prison Break é medíocre, porque depende de deixar o espectador à espera da próxima semana, não tendo sumo que aguente uma segunda vistoria), mas têm de ter história e diálogos que façam o comprador do DVD ficar horas seguidas a olhar para aquilo, e fazer o mesmo passadas umas semanas.
Mas o Vasco tem razão numa coisa, os filmes da série Bourne (ainda não vi o último) são os melhores que Hollywood tem para oferecer no cinema de acção. Mas 24 é uma espécie de Bourne, durante 24 horas, durante seis temporadas (ainda só vi as primeiras duas). Qualquer pessoa que tenha visto 24 na maratona da 2 há uns tempos (os 24 episódios de uma temporada num único fim-de-semana), percebe como, não sendo uma série tão rica como The Sopranos ou The Wire, é exemplar na criação de suspense e na manutenção do ritmo da acção. Bourne é a única coisa que, no cinema de acção, se compara a 24, só tendo a desvantagem de ter menos tempo para explorar. Por isso, Vasco, vamos a juntar aos DVD's de Yes Minister (que, em mais uma prova de que sou apenas um gaiato, vi pela primeira vez em reposição na SIC), Curb Your Enthusiasm (genial), The Office (uma das melhores coisinhas que estes míopes olhos já viram), os DVD's de tudo o que é série da HBO e já agora, de 24 e House, e depois, vê-las duas, três, quatro vezes, as que se quiser. Posso ser apenas um gaiato (e também defender a diminuição da idade da responsabilidade penal, desde que acompanhada de uma simultânea descida da idade de consentimento), mas sei o que estou a dizer. Quem tenha gostado de Hill Street Blues de certeza que gostará de The Wire.
Posted by Bruno at 10:13 PM
setembro 05, 2007
Um Dia Dar-lhe-ão Razão, Diz Ele
Eu, pelo menos, espero que sim.
Posted by Bruno at 10:23 PM
Governo
Segundo o que ouvi ontem no telejornal da RTP, parece que alguém disse que Portugal é o sétimo melhor país do Mundo no "e-government". Pena que, no que ao Governo da República diz respeito, não se possa dizer o mesmo.
Posted by Bruno at 10:20 PM
setembro 04, 2007
A Melhor Série de Televisão de Sempre


Há já algum tempo que uma dúvida me atormenta: qual a melhor série de televisão de sempre? A mais importante será, sem grandes dúvidas, Hill Street Blues (que vi há uns anos em reposição na TVI), a série que deu início à televisão moderna, como diz Steven Johnson no seu Everything Bad is Good For You. Mas outras séries, mesmo tendo sido possíveis apenas porque antes houve uma Hill Street Blues, são melhores que esta. E duas delas estão, na minha opinião, bem acima de qualquer outra. Apenas não sei qual das duas a melhor: The Sopranos ou The Wire.
A primeira vez que ouvi falar de The Wire foi num artigo de Peter Biskind (senhor muito cá de casa) na Vanity Fair, precisamente sobre The Sopranos. Pouco depois, via as três temporadas iniciais em DVD (a HBO já emitiu a quarta e prepara uma quinta, mas só as três primeiras estão disponíveis). No seu artigo, Biskind dizia que The Sopranos eram a série mais bem escrita da televisão, mas que tinha boa concorrência em House, Deadwood e The Wire. House é fenomenal, mas está ainda demasiado preso a um formato tradicional (é feita com intervalos para publicidade, o que obriga a ter momentos de tensão de sete em sete minutos, em todos os episódios, coisa que as séries da HBO não tem de cumprir, estando mais à vontade para conduzir a história da forma que acharem melhor). Deadwood (da qual só vi ainda a primeira temporada) é também genial, incrivelmente bem escrita, mas há ali muito do western tradicional e, mais ainda, de "revisitações" recentes como o Unforgiven de Clint Eastwood. Como The Wire, francamente, nunca tinha visto nada.
Basicamente, The Wire é sobre uma equipa de investigação especial da polícia de Baltimore, formada pelo detective de Homicídios Jimmy McNulty, o tenente dos Narcóticos Cedric Daniels e os seus subordinados Herc, Carv e Kima, o sábio Lester Freamon e o "só aparentemente" incapaz Roland Prezibilewski ("Prez" para os amigos). Na primeira temporada, investigam as tropelias de uma organização de tráfico de droga comandada por Avon Barksdale e seu braço-direito (e uma das personagens mais geniais que a televisão já viu, um traficante que se inscreve num curso de gestão para melhor conduzir o "negócio", e versado em Adam Smith) Russel "Stringer" Bell (interpretado por um actor fenomenal, Idris Elba). Mas The Wire não é uma série policial normal. Ao contrário de CSI, por exemplo, ou da (muito superior) Homicide que a RTP 2 passou há alguns (e baseada num livro do criador de The Wire, David Simon), um caso não dura apenas um episódio, mas um temporada inteira, e prolongando-se, no caso de Barksdale, até à terceira. Ainda para mais, a série não se limita ao trabalho policial, nem aos meandros da organização de Barksdale, mas aos pormenores mais ínfimos da realidade das ruas de Baltimore, desviando-se para as vidas de personagens como "Bodie", "Poot" e Wallace, jovens membros da "empresa" de Barksdale, ou o informador de Kima e toxicodependente "Bubbles", ou o genial Omar (personagem tão ou mais fascinante que Stringer Bell) "o único", diz o romancista e argumentista Richard Price (na terceira temporada, ele e Dennis Lehane, autor do livro Mystic River, juntam-se ao criador David Simon e ao também romancista George P. Pelecanos), que "age fora da prisão da forma como outros o fariam por necessidade, no que diz respeito ao amor humano". Na segunda temporada, e ao mesmo tempo que a investigação se transfere para as acções de um sindicato de estivadores do porto de Baltimore, a série continua a seguir as peripécias de Barksdale e Bell, para na terceira, McNulty e os seus companheiros voltarem a desviar as suas atenções para os dois traficantes, ao mesmo tempo que a série abre uma nova história com as peripécias políticas da Câmara Municipal de Baltimore. A quarta temporada, ao que parece, abandona Barksdale para se concentrar (para além de no trablaho e vidas particulares dos polícias) mo gang de um outro personagem, Marlo, mas abrindo espaço para uma outra linha de acção no sistema escolar de Baltimore. A quinta introduzirá outra linha ainda, nos corredores do diário Baltimore Sun.
Tal como The Sopranos subvertem o género do drama da Máfia (Tony não é igual aos personagens de James Cagney nos filmes de gangsters da Warner Brothers, nem sequer aos de Goodfellas ou Casino), também The Wire subverte o género do drama policial (como atrás descrevi). Tal como os Sopranos, tem um universo moral "cinzento", em vez de "a preto e branco": ao mesmo tempo que se mostram as falhas morais de McNulty ou Daniels, enaltece-se as qualidades de Stringel Bell, Bodie, Omar e Bubbles, por exemplo. E se The Sopranos tem a vantagem de tocar em mais assuntos, The Wire talvez consiga ser ainda mais bem escrita. Em primeiro lugar, é bastante mais complexa, em termos narrativos. Ao estender-se por tantas histórias paralelas, acaba por ter cerca de 15,20 personagens que se poderão chamar de principais, com 7, 10 enredos centrais. E em segundo, mantém essa copmplexidade desde o início. Nos Sopranos, as melhores temporadas (da 3ª à 5ª, e principalmente a 4ª) são precisamente as mais complexas, com mais histórias pelo meio a pedirem a nossa atenção. Mas é uma complexidade que vem de um alargamento "colateral" à medida que, em virtude do sucesso da série, Tony foi obrigado (por necessidade narrativa) a ganhar mais poder e portanto, a série a ter mais para contar. The Wire tem essa "largura" desde o início.
A escrita, essa, está ao nível do melhor de The Sopranos. Talvez superior. O "calão poético" com que as personagens se expressam não tem paralelo em nada do que a televisão já mostrou (Deadwood fica lá perto), e só encontra paralelo no cinema com alguns westerns de Eastwood, principalmente o genial Pale Rider. E acima de tudo, exige muito do espectador. No último episódio da primeira temporada, acontece algo que é mencionado fugazmente no primeiro. No quarto episódio da terceira temporada, Marlo descreve o "tratamento" (digno da "noite" do Porto) que deu a uma testemunha, e no décimo episódio, faz o mesmo a alguém que se vira contra ele. Há referências, em certos epiósidos da terceira temporada, a cenas muito passageiras da primeira. Toda a acção está cheia de paralelos entre as várias histórias da série: na segunda temporada, ao mesmo tempo que os agentes Herc e Carver beneficiam da tecnologia (um microfone para escutarem vendas de droga) o estivador Sobotka tem pesadelos com o "filme de terror" de "pontões repletos de robots" que roubam os empregos aos seus companheiros. Na terceira, as opções tácticas do tenente Colvin para lidar com a crimininalidade mais não são que um paralelo com as tentativas de Stringer Bell de explicar como o tráfico deve ser encarado (em vez de uma guerra) como um negócio como outro qualquer, a subordinados pouco versados nas regras do mercado, e que lhe lembram que "all the product in the world don't mean nothing if you constantly get your ass whipped for standing on another fool's corner".
Honestamente, não consigo decidir qual delas é a melhor. Ver The Sopranos pela primeira vez (e todo de seguida, como eu vi), é como ver um filme que aguenta o ritmo e a narrativa por horas e horas (semelhnate ao que se passa com 24. Não estando ao mesmo nível destas duas séries da HBO, 24 é incrivelmente superior a qualquer filme de acção de Hollywood, e aguenta o suspense durante 24 horas, por temporada. Alguns dos grandes blockbusters hollywoodescos curam insónias ao fim de 5 minutos). Mas The Wire é algo que, de tão diferente de tudo o que já vi, de tão único, se torna difícil de comparar, mesmo com algo tão bom The Sopranos. Posso não saber dizer qual é a melhor série de televisão de sempre, mas sei que uma destas duas tem de ser.
Posted by Bruno at 05:35 PM
setembro 03, 2007
Já Nas Bancas

A Atlântico deste mês, que para além de um artigo do André Azevedo Alves sobre Boris Johnson, do João Miranda sobre a especulação imobiliária, do Carlos "Macguffin" Carapinha sobre o conservadorismo, e uma entrevista ao académico Emanuele Ottolenghi acerca de Israel, a revista traz este mês uma série de artigos (de Sofia Galvão, Mira Amaral, Rui Ramos, João Marques de Almeida, Gonçalo Reis) sobre as eleições no PSDE. Eu próprio, para além das parvoíces do costume, escrevo também um artigo acerca de qual o caminho que o PSD deveria seguir no futuro.
Posted by Bruno at 05:21 PM
Gato do Cheshire
O novo blog do Luciano Amaral.
Posted by Bruno at 05:15 PM
setembro 01, 2007
Este Ano É Que É
Durante toda a minha infância, no começo de cada época futebolística, eu, como qualquer outro adepto sportinguista, pensava para mim próprio: "este ano é que é". Há uns anos, esse hábito anual transferiu-se para o outro lado da Segunda Circular, à medida que o Benfica deixava de ganhar campeonatos. E agora, encontra uma nova residência para os lados do Caldas. Com os seus vídeos no You Tube (que merecem atenção na comunicação social pelo simples facto de existirem), Portas dá início ao "ano político" que, segundo prometeu depois do fracasso nas intercalares de Lisboa, iria trazer consigo o nascimento de uma "verdadeira oposição" a José Sócrates. Durante dois anos, Portas esteve sentado no parlamento. Durante uma boa parte desse tempo, teve um programa na televisão. Apesar disso, nunca veio dali a tal "verdadeira oposição", que ao mesmo tempo "firme" e "rigorosa", iria incomodar o Primeiro-Ministro. Incomodou Ribeiro e Castro, isso sim, e adormeceu os telespectadores do seu programa. Uma vez eleito para a liderança do seu partido, o ano passado, prometeu que, agora sim, o PS iria ter de enfrentar uma "verdadeira oposição". O resultado foi o que se viu em Lisboa. Agora, através de recados nos jornais e desabafos no You Tube, Portas diz que "este ano é que é". No Sporting, a coisa demorou dezoito anos. E apesar de tudo, havia melhores razões para esperar que acontecesse.
Posted by Bruno at 06:30 PM