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agosto 31, 2007
O "Stress" Dos Alunos
Chegado Agosto, há quatro assuntos que vão ocupar a imprensa e os telejornais portugueses: a chegada dos emigrantes, a partida dos emigrantes, o preço dos manuais escolares, e o "stress" das crianças com o regresso às aulas que se avizinha. Este ano não foi excepção, e já todos fizeram a sua aparição. Mas como uma pequena novidade: segundo o DN, o dito "stress" de "regresso às aulas" não se instala na cabecinha das crianças no primeiro dia de aulas, mas cerca de seis meses antes. Ou seja, ainda um ano lectivo não acabou, e já os alunos estão a ficar "stressados" com o começo do próximo. Apesar de parecer um pouco estranha, a notícia deixa-me mais descansado. Afinal, talvez não seja tão fora do normal eu passar semanas nervoso e preocupado de cada vez que tenho de ir tratar de um qualquer papel a uma qualquer repartição do aparelho burocrático do Estado.
Posted by Bruno at 10:10 PM
A Lembrar
Há uns meses atrás, o Público fez uma primeira pa´gina onde histericamente se previa que este Verão será o mais quente dos últimos anos em portugal. Hoje, na SIC, dizia-se que este tem sido o Verão mais fresco (e mais chuvoso) dos últimos Verões. Talvez fose bom que nos lembrássemos disto, de cada vez que aparece um Al Gore qualquer a "prever" como será o clima daqui a uns vinte ou trinta anos.
Posted by Bruno at 10:06 PM
agosto 30, 2007
Faz Sentido?
Há pouco, José Magalhães, Secretário de Estado da Administração Interna, era entrevistado na SIC Notícias a propósito dos problemas na aplicação da nova lei da Imigração (note-se que Sócrates, que não teve problemas em presidir a uma sessão propagandística centrada nesta lei, nem sequer se pronuncia agora que a coisa começa a correr mal e a dificultar a vida dos imigrantes que tentam regularizar a sua situação, deixando outros membros do Governo a trabalharem a pá). Dizia Magalhães, naquele estilo que o caracteriza e que os ouvintes do Flashback recordam com um misto de nostalgia e repugnância, que "em qualquer país do mundo" uma lei entra em vigor" e "só depois" é regulamentada, porque "estas coisas" não são "instantâneas". Eu admito que possa ser ignorância minha (e nesse caso, caro leitor, corrija o meu erro), mas, mesmo que tal aconteça "em qualquer país do mundo", não me parece fazer grande sentido que uma lei entre em vigor sem que ninguém saiba muito bem como ela deve ser aplicada. Se assim não fosse, talvez a vida de tanta gente não fosse tão complicada, e o dr. Magalhães escusava de ir à televisão dizer que não houve qualquer atraso nos processos de regularização da situação de inúmeros imigrantes, apesar de alguns deles terem visto a resolução do seu problema adiada por dois meses.
Posted by Bruno at 10:04 PM
agosto 28, 2007
Um Pequeno Equívoco
João Carlos Gouveia, um senhor que aparentemente é o actual líder do PS/Madeira, terá dito, na recente Festa da Liberdade, que "Sócrates, em vez de mandar dinheiro para a Madeira, tem que pôr a Polícia Judiciária a trabalhar", investigando "o que se passa na região". Ninguém pode censurar Gouveia por ter ficado com a ideia de que só não houve qualquer investigação ao "caso" da "licenciatura" do Primeiro-Ministro porque este terá tratado de a impedir (afinal, quem não ficou com essa ideia?). Mas seria bom que alguém explicasse ao senhor Gouveia que não cabe, ou não deve caber, ao poder político definir qual o objecto concreto de investigações policiais específicas, e que poucas coisas afectam as liberdades dos cidadãos como a intromissão do poder político noutras esferas da autoridade. Com equívocos destes, poderemos ficar a pensar que o senhor Gouveia, mais do que com a falta de liberdade na Madeira, está preocupado com o facto de não ser ele a realizar os atropelos à dita.
Posted by Bruno at 09:55 PM
agosto 27, 2007
Um Pequeno Esquecimento (publicado também no Insurgente)
No International Herald Tribune, Bernard Kouchner, Ministro dos Negócios Estrangeiros da frança, escreve um artigo acerca do que "pode a França fazer no Iraque". Apesar dos muitos caractéres da coisa (não tantos como o saudoso programa de carrilho para Lisboa), Kouchner esqueceu-se de algo que a realidade até já comprovou estar ao alcance dos bravos gauleses: irritar o Primeiro-Ministro iraquiano.
Posted by Bruno at 04:04 PM
agosto 25, 2007
A Ler
A entrevista de Pacheco Pereira ao Diário Económico de ontem.
Posted by Bruno at 10:07 PM
agosto 24, 2007
They Pull Me Back In
Sempre que tenho de lidar com o aparelho burocrático do Estado, compreendo o que, no Padrinho 3, Michael Corleone sentia ao dizer "just when I thought I was out, they pull me back in".
Posted by Bruno at 10:16 PM
agosto 23, 2007
O Rei Sócrates
José Sócrates, que, em férias, se manteve prudentemente afastado das atribulações em torno do "caso" de Silves, reapareceu hoje, a anunciar, naquele modo propagandístico que o "animal feroz" tanto aprecia, as novas "facilidades" no acesso dos estudantes universitários a empréstimos bancários para pagar os seus cursos. Sempre que a coisa fica complicada, Sócrates desaparece. Mesmo que esteja no país, mesmo que não esteja de férias, não aparece. E se, como aconteceu agora, goza do descanso sazonal, tem a desculpa perfeita para deixar os seus ministros a fazerem-lhe o trabalho sujo e a receberem os golpes do adversário. Mas quando há algo para anunciar, quando há algo que possa vir a ser encarado como lucrativo para a imagem do Governo, quando há algo que possa a vir a ser popular, o Rei Sócrates não precisa de peões. Aí, logo ele aparece em todo o seu esplendor, dando as boas novas ao povo. Depois de andar desaparecido da actualidade política durante várias semanas, em que apenas lançou um recadozinho para a comunicação social (as famosas "directrizes rigorosas"), Sócrates reaparece, sem ter de lidar com complicações recentes, mas logo com uma acção de propaganda a ser lançada no dia do seu regresso. E sempre com muita gente disposta a deixar-se cair no truque.
Posted by Bruno at 10:14 PM
agosto 22, 2007
Qualquer Coisa Serve
Luís Felipe Menezes, candidato à liderança do PSD que ainda há umas semanas defendia que o PSD deveria apresentar moções de censura por tudo e por nada contra o Governo, veio ontem criticar as críticas de Marques Mendes ao Governo a propósito do "caso" de Silves dizendo que "a oposição não se faz aos berros". Se é certo que fiquei sem saber o que pensa Menezes acerca da acção da GNR e das declarações do Ministro da Administração Interna a esse respeito, pude confirmar que para Menezes, qualquer coisa, tudo e o seu contrário, serve para dizer mal de Mendes, seja qual for o assunto. Talvez se a Wikipedia estivesse mais à mão a intervenção do autarca de Gaia tivesse mais conteúdo.
Posted by Bruno at 10:23 PM
agosto 21, 2007
"O Descumprimento Da Lei Como Costume"
Do Brasil, chega-me o seguinte comentário de António R. Baptista, acerca do "caso" de Silves e a passividade da GNR perante o vandalismo dos "verdeufémios":
"Pelos últimos comentários que faz, vejo que já se inicia em Portugal o que por aqui tornou-se rotina: atos criminais em nome de supostas causas sociais, ecológicas ou o que o valha, apaziguados pela inércia criminosa de políticos hipócritas. Além da gravidade que tais atos têm por si mesmos, são a cunha que vai destruindo o sentido de autoridade que o respeito à lei deve preservar. A complacência de hoje torna-se o argumento inibidor de qualquer reação amanhã. É uma espécie de direito consuetudinário às avessas: o descumprimento da lei como costume.
Foi assim que entre nós, socialistas granfinos, como o senhor Fernandô Henriquê e outros piores, deixaram crescer movimentos ditos sociais, como MST tão conhecido, para os quais as leis são letra morta. Agora, com Lulla e seus aloprados, então, é uma festa. Não aceitam os ditames da “legislação burguesa” e vão construindo, pela ação, as regras que lhes convêm, enquanto sem mesmo terem constituído pessoa jurídica sob qualquer das suas formas, recebem polpudas verbas públicas.
Há alguns anos, talvez tenha acompanhado, esse francês idiota chamado Bové comandou a destruição de uma pesquisa no Rio Grande do Sul sobre soja transgênica, durante um dos Fóruns Sociais Mundiais, e ficou tudo por isso mesmo. Espero que em Portugal reajam com mais energia, porque aqui é caso praticamente perdido, havendo mesmo uma corrente de ativismo jurídico rasteiro na academia que prega, abertamente, a “construção” da lei de acordo com os ditames do “social” e não do processo representativo."
Posted by Bruno at 10:43 PM
agosto 20, 2007
Poeira Para os Olhos
O Ministro da Administração Interna acaba de dizer à SIC Notícias que a GNR não fez qualquer detenção no grupo de eco-terroristas que destruíram a plantação de milho transgénico em Silves, por esse crime ser "semi-público" e portanto requerer uma queixa do lesado para "manter a detenção". Ora, se requer uma queixa-crime para manter a detenção, isso quer dizer que a detenção poderia ser feita antes de haver a queixa. A queixa serviria apenas para "confirmar" a detenção, não necessitando de a preceder. Ao querer desculpar a passividade da GNR com esta justificação, o Ministro está apenas a atirar poeira aos olhos dos cidadãos. E como citou o Primeiro-Ministro, declarando que a sua posição era a posição expressa ao telefone pelo próprio Sócrates, a falta de vergonha e o descaramento de Rui Pereira são também a falta de vergonha e o descaramento do Primeiro-Ministro.
Posted by Bruno at 09:35 PM
Normal
Leio no Público que, apesar de ter pedido uma investigação ao Ministério Público, a propósito do "caso" de Silves, o Ministério da Administração Interna não entendeu por bem realizar um inquérito à acção da GNR. Não sei se tal se deve às "directrizes rigorosas" do "animal feroz" actualmente desaparecido em parte incerta. Mas ficámos todos a saber que o MAI acha normal que, perante a prática de "ilícitos criminais" a GNR não faça qualquer detenção, limitando-se a registar os nomes dos envolvidos, e que, quando estes se mostram incapazes de se identificar, visto não terem consigo o seu BI, o que já de si constitui (estupidamente, mas constituiu) uma infracção à lei, a mesma GNR os deixa prestar declarações às televisões em liberdade, em vez de às autoridades na esquadra.
Posted by Bruno at 04:25 PM
agosto 19, 2007
Dúvidas
Será que José Sócrates, que como se sabe, nem de férias "perde o contacto com a actualidade política", deu "directrizes rigorosas" ao seu Governo acerca de como este devreia reagir ao "caso" da destruição de uma plantação privada no Algarve? E se as deu, será que elas foram diferentes ontem, quando ainda não havia grande pressão á volto do tema (e o Ministério da Administração Interna se manteve confortavelmente calado), e hoje, depois da pressão ter aumentado, forçando o MAI a anunciar um "inquérito" à acção da GNR?
Posted by Bruno at 09:54 PM
agosto 18, 2007
Gestos
O eurodeputado do Bloco de Esquerda, Miguel Portas, "declara" a sua "simpatia com o gesto" dos "activistas ecológicos" do grupo "Verde Eufémia" que destruíram uma plantação de milho transgénico no Alentejo, com o propósito de "alertar a opinião pública para um facto que lhe era desconhecido: que o Algarve - com o voto favorável da sua Associação de Municípios - já não é uma região livre de transgénicos". Imaginemos que eu resolvo parir as janelas da casa do meu vizinho, para alertar a opinião pública para um facto que certamente lhe é desconhecido: Caxias já não é uma região livre de camisolas do Benfica nos estendais da roupa. Será que Miguel Portas simpatizará com o meu gesto? E já agora, será que a GNR também ficará a olhar, tomando nota do meu nome mas deixando-me voltar para casa? Afinal, partir as janelas do vizinho é uma "nova forma de conflitualidade" tão "não-violenta" como a destruição de uma plantação privada. Claro que os "activistas" com que Portas tanto simpatiza se propunham "restabelecer a ordem ecológica, moral e democrática", mas eu posso argumentar (e provavelmente, terei mais razão do que os "eufemistas") que camisolas do Benfica são um elemento destruidor da "ordem ecológica, moral e democrática". E como, devido ao meu sportinguismo, até partilho com os "eufemistas" o apreço pelo "Verde", não vejo razões para Miguel Portas não simpatizar comigo e com os meus gestos.
Posted by Bruno at 10:02 PM
agosto 17, 2007
Equívocos
O acordo estabelecido por António Costa e José Sá Fernandes para a Câmara de Lisboa tem provocado reacções interessantes. Todos vêem no abraço entre Costa e Sá Fernandes um prelúdio de um acordo entre o PS e o BE a nível nacional em 2009, caso os socialistas não venham a renovar a sua maioria absoluta em São Bento. Muitos perguntam para que serve o acordo. E Vasco Pulido Valente escreve no Público que Francisco Louçã, ao vir gritar bem alto que o acordo é apenas sobre as questões respeitantes ao pelouro de Sá Fernandes, dando-lhe total liberdade de votar contra o PS noutras matérias, apenas quer esconder a aproximação do BE ao PS. Embora plausíveis, estas interpretações ignoram uma outra hipótese, a de a coligação ser não propriamente entre PS e BE, mas pura e simplesmente entre Costa e o "Zé".
Que eu tenha dado por isso, o PS não anda por aí a comentar o acordo. E do lado do BE, o único a fazer protestos de independência é Louçã, não o ("independente") "Zé". Tanto o PS como o BE têm boas razões para temer o acordo. A simples ideia de que um cenário semelhante poderá ocorrer a nível nacional fará muito bom eleitor "centrista" pensar duas vezes antes de pôr a cruzinha no quadrado do PS. E para o eleitorado "fracturante" do BE, o "aburguesamento" e a busca do "poleiro" que um tal acordo representaria, seriam razões suficientes para irem fumar drogas e ouvir Manu Chao para outro sítio. Já para António Costa e para o "Zé", o acordo só traz benefícios. Ao "Zé", permite ter poder. A António Costa, permite isolar o PCP e Roseta, responsabilizando-os por não permitirem a aplicação de um "programa de esquerda" sempre que bloquearem as suas propostas. Costa e Zé abraçam-se para seu benefício mútuo (até ao dia...). O PS e BE treme de medo, com o PS a manter-se caladinho a ver se ninguém dá por nada, o BE a berrar incessantemente para manter a ilusão de que o acordo é tudo menos aquilo que é.
Posted by Bruno at 09:54 PM
agosto 16, 2007
Falta de Juízo
Para Francisco Louçã, o problema de Portugal não é falta de dinheiro. Segundo o "coordenador" do Bloco de Esquerda, o problema é a existência de "rios de dinheiro", de "facilidades" dadas ao "dinheiro", às "grandes empresas", para "violarem" os "direitos" dos portugueses comuns. Para Louçã, não falta dinheiro em Portugal. Talvez acredite que, se esses tais "rios de dinheiro" secarem, e nós passarmos fominha como os habitantes desse grande paraíso progressista que é a Coreia do Norte, talvez as "violações" dos "direitos" dos portugueses comuns acabem. Duas coisas são certas: as "facilidades", fossem de quem fossem, acabariam de certeza (não deve ser fácil passar fome). E quer haja falta de dinheiro ou não em Portugal, falta certamente juízo na cabeça de Louçã.
Posted by Bruno at 10:53 PM
agosto 15, 2007
Lido
Posted by Bruno at 10:03 PM
agosto 14, 2007
Huckabee
Aquando do debate para as eleições primárias do Partido Republicano americano, escrevi que Mike Huckabee, um candidato que desconhecia, me tinha impressionado, e que, tendo "uma capacidade retórica invejável (..)poderia ser alguém útil num lugar como o de Vice-Presidente, onde, não conduzido a política do país, tem ainda algum destaque e responsabilidade." Na recente straw poll no Iowa, Huckabee ficou em segundo lugar, apenas atrás de Mitt Romney. Antigo governador do Arkansas, candidato com pouco destaque mediático, Huckabee, tal como eu disse há meses atrás, é dono de uma impressionante capacidade retórica, e apesar de algumas opiniões francamente decepcionantes (um certo apreço pelo criacionismo), essa sua habilidade retórica poderá ser extremamente útil num lugar como o de candidato a Vice-Presidente. Para alguém como Giulani, por exemplo, tê-lo como seu companheiro seria uma excelente forma de ultrapassar uma eventual desconfiança de certos sectores do Partido Republicano, sem perder apoio num eleitorado mais "centrista". E ter alguém capaz de atrair votos, como Huckabee aparentemente foi no Iowa, apesar da preponderância que os media atribuem a outros candidatos (desde Romney a Giulani, passando por Fred Thompson e pelo relativamente acabado McCain), é algo que nenhum candidato a Presidente desdenharia ter a seu lado. Se já nessa altura me pareceu que Huckabee seria um candidato a ter em atenção, o seu resultado no Iowa apenas acentua essa minha ideia.
Posted by Bruno at 10:24 PM
agosto 13, 2007
O Fim De Karl Rove
Karl Rove, conselheiro político do presidente americano George W. Bush, irá abandonar a Casa Branca no próximo mês. Rove é geralmente visto como o responsável pelo sucesso eleitoral de George Bush, o que lhe valeu a alcunha de "O Cérebro de Bush". A saída de rove é apenas mais um sinal de como, nas palavras do jornalista do Times Tim Reid a presidência de Bush está a perder toda a força que ainda lhe restava, e de que, no que diz repeito à "agenda doméstica", ela chegou ao fim. O sucesso de Rove, a sua relação com Bush, a sua personalidade, e a sua ambição (aparentemente não concretizada) de tornar permanente a base de apoio ao partido republicano que o livro de Adrian Wooldridge e John Micklethwait The Right Nation analisava, fazem de Rove uma personagem extremante interessante. Sobre as razões do seu sucesso, vale a pena ler este pequeno post de Daniel Finkelstein. Sobre o seu falhanço, merece ser lido este artigo de Joshua Green.
Posted by Bruno at 03:23 PM
agosto 11, 2007
Visto
Posted by Bruno at 10:36 PM
agosto 10, 2007
My Feelings Exactly
Posted by Bruno at 09:38 PM
agosto 09, 2007
Ganhar Para Nada
Numa pequena entrevista ao DN, Eduardo Catroga, antigo Ministro nos governos de Cavaco Silva e apoiante de Marques Mendes na corrida à liderança do PSD, diz que "Guterres era a 'picareta falante'" e mesmo assim, ganhou as eleições de 1995", e que, tendo em conta que "normalmente não são as oposições que ganham eleições, são os governos que as perdem", tudo dependendo das "circunstâncias de desgaste político, económico e social que o Governo sofra antes das eleições", Marques mendes tem todas as hipóteses de chegar ao poder. Poucas ideias são tão nocivas para o PSD como esta. Não que ela não seja verdadeira. Mas porque ao pensar assim, o PSD não prepara, na oposição, um programa alternativo de governo, não encara o tempo que passa na oposição como uma ocasião para pensar no que fazer quando voltar ao poder. Assim, quando lá chega, não sabe que medidas tomar, adiando a aplicação de medidas necessárias ao país, fazendo com que acabe por "sofrer" as tais "circunstâncias de desgaste político, económico e social" que o atiram de novo para a oposição, onde a desorientação e as divisões internas se repetirão. Se ganhar as eleições apenas e só porque o Governo as perdeu, o PSD terá tido uma vitória para nada. Não governará eficazmente, e rapidamente será de novo derrotado.
Posted by Bruno at 10:12 PM
agosto 08, 2007
A Nova Marca
Consta que um dia Emídio Rangel terá dito que eleger um Presidente da República (ou um Primeiro-Ministro) era como vender um sabonete. Nos últimos anos, à comunicação social não têm faltado novas marcas de sabonete para promover (especialmente no PS), entre as quais a mais bem sucedida foi sem dúvida José Sócrates. Na pessoa do "supervereador" Marco Perestrello, os nossos jornais e as nossas televisões já têm um novo sabonete para vender.
Posted by Bruno at 09:46 PM
agosto 07, 2007
Sócrates Não Está Sozinho
Não é apenas sobre o nosso Primeiro-Ministro que recaem dúvidas acerca do seu passado académico. De acordo com Daniel Finkelstein, James Bond (esse mesmo, o agente secreto de Sua Majestade) tem o mesmo problema.
Posted by Bruno at 10:07 PM
agosto 06, 2007
A Propaganda Não Vai De Férias
Parece que está na moda passar a imagem de um Primeiro-Ministro obcecado com o trabalho, e que nunca descansa, tudo em prol do país. Há uns anos, quando foi de férias para um safari, e Portugal foi palco de inúmeros incêndios, José Sócrates viu muitas críticas por não ter feito qualquer intervenção pública durante esse período. Este ano, quis precaver-se: ontem, Pacheco Pereira notava uma "simpática" notícia do DN que mais não era que um folheto de propaganda pessoal do Primeiro-Ministro, mostrando como nem "mesmo dé férias", José Sócrates deixa de aplicar "directrizes rigorosas" aos seus subordinados (os membros do governo não são colegas do PM Sócrates, são seus subordinados prontos a executar as suas iluminadas ordens). Em Inglaterra, Gordon Brown interrompeu hoje as suas férias devido ao surto de febre aftosa que afectou o país. Enquanto esteve de férias, viu o Times publicar uma curiosa reportagem, que mostrava como ele se levanta cedo e acorda os outros ministros com perguntas sobre as medidas que pretendem tomar e que não os deixa descansados antes que despachem o que estão a fazer. À primeira vista, a notícia parece não ser muito lisonjeira para Brown, visto como um workaholic obcecado com o controlo de tudo o que se passa na máquina burocrática de Whitehall, e com o qual ninguém gosta de trabalhar. Mas, pensando um bocadinho, percebe-se como ela favorece Brown, que logo parece alguém que, ao contrário dos outros colegas, quer realmente saber do país que governa e põe em causa as horas de sono de quem quer que seja para defender os interesses dos seus cidadãos. Sócrates e Brown podem ir de férias, mas se há algo que não descansa, são as suas respectivas máquinas de propaganda.
Posted by Bruno at 04:10 PM
agosto 04, 2007
Estado de Alma

Tentando aguentar o calor.
Posted by Bruno at 10:23 PM
agosto 03, 2007
A Ver
No 18 Doughty Street, um debate sobre os filmes Goldfinger e, sobretudo, Brief Encounter, pequeno filme de David Lean que é provavelmente o melhor exemplo do clássico cinema britânico dos anos 40.
Posted by Bruno at 10:40 PM
A Ler
A resposta do Rui Albuquerque às minhas reservas ao seu post de ontem. Continuando a pensar que, sendo possível, não é forçoso que um Sócrates sem maioria absoluta se coligue com o BE como António Costa fez em Lisboa, não posso deixar de aconselhar a leitura do que diz o Rui.
Posted by Bruno at 10:34 PM
agosto 02, 2007
Governar À Esquerda
Num texto ao qual roubei este título, o Rui Albuquerque escreve, a propósito da coliagção Costa/"Zé" Sá Fernandes, que o "acordo autárquico celebrado em Lisboa pelo PS com o Bloco de Esquerda tem um significado óbvio: o partido de José Sócrates está disponível, para assegurar a governação, para fazer acordos à sua esquerda. Hoje em Lisboa, amanhã no País." Não se o Rui terá razão. Em primeiro lugar, basta olhar para a última vez em que o PS deteve simultaneamente a Câmara de Lisboa em coligação "de esquerda", e o Governo, não tendo no parlamento uma maioria absoluta: apesar de coligado com o PCP "em Lisboa", o PS preferiu governar sozinho e em minoria do que aliar-se formalmente aos comunistas "no País". Em segundo lugar, "no país" haverá, mesmo em caso de não renovar, em 2009, a maioria absoluta, maior margem de manobra do que a que Costa teve "em Lisboa". Mais uma vez, basta olhar para 1995: muitas vezes, foi o CDS/PP que permitiu ao engenheiro (este era mesmo engenheiro, sem precisar de "favores" de amigos e da vergonhosa complacência da Procuradoria) Guterres fazer passar as suas propostas. Em 2009, talvez os deputados do portismo sejam suficientes para servir de almofada a Sócrates. Em Lisboa, Costa não tem ninguém do CDS, precisando de Sá Fernandes para responsabilizar Ruben Carvalho ou Roseta por qualquer bloqueio institucional. Claro que havia Carmona (cujo número de vereadores tornaria irrelevantes todos os outros), mas aliar-se ao homem que os seus vereadores tanto diabolizaram fragilizaria em demasia a imagem de "rigor" que Costa gosta de fazer passar de si próprio. Pelo contrário, a companhia do "Zé" até a consolida. Em terceiro, não me parece que o Stalin da Covilhã que nos governa tenha grande vontade de aturar Louçã nas reuniões dos Conselhos de Ministros. A sua personalidade autoritária e cheia de si próprio não é muito compatível com a partilha do poder. E se a ela acabar por ser forçado, Sócrates não evitará a asneira em que tal aventura certamente acabará. O que conduz à quarta razão pela qual duvido da conclusão do Rui: a parceria Costa/"Zé" dificilmente evitará o mesmo destino turbulento. E se tal acontecer, Sócrates estará um pouco mais avisado, e portanto, ainda menos receptivo a entrar em loucuras. Não quero com isto dizer que o Rui está errado, e que o PS nunca se coligará com o BE a nível nacional. Quero apenas dizer que, apesar da coligação lisboeta, não é forçoso que ela se repita (ou que uma com o PCP ocorra) a nível nacional, e que haveria muitas e boas razões para que Sócrates a evitasse. Mas enfim, depois de ouvir Otelo Saraiva de Carvalho a elogiar Cavaco Silva, já nada me surpreende.
Posted by Bruno at 10:01 PM
agosto 01, 2007
De Asneira em Asneira
António Costa tomou hoje posse como Presidente da Câmara de Lisboa, e pôde contar com a presença de "Zé" Sá Fernandes a seu lado. Assim, já pode dizer que tem um programa "de esquerda" para Lisboa, e como nota o Filipe Nunes Vicente, culpar o ausente da coligação Ruben Carvalho por qualquer ausência de acordo que impossibilite a tal "governação de esquerda". Para isso, teve de aceitar (e presumo que sem grande resistência) a proposta de Sá Fernandes de impôr a obrigatoriedade dos construtores venderem 20% das casas em Lisboa a "preços sociais", ou seja, abaixo do seu preço de mercado. A medida certamente provocará os aplausos de muito boa gente, mas será das piores coisinhas que poderia acontecer à cidade de Lisboa.
Durante a campanha eleitoral, todos os candidatos se queixaram da falta de "vida" na cidade. Nenhum parece ter percebido que poucos factores contribuíram para essa falta de "vida" como a intromissão estatal no mercado de habitação, que dificulta o arrendamento e praticamente obriga as pessoas a comprarem casas e portanto, a endividarem-se para toda a vida. O que esta nova coligação se propõe fazer é, apenas e só, agravar o problema. Como nota o André Amaral, a primeira consequência da medida será a "procura frenética da melhor forma de tornear a nova obrigação". A segunda será o agravamento da dificuldade de encontrar casa em Lisboa dos que não sejam beneficiados pelos "preços sociais", dificuldade essa que contribuirá para a crescente "falta de vida" de Lisboa, que ao contrário do que os candidatos, agora vereadores, parecem pensar, não se resolve "devolvendo Lisboa ao rio" (embora atirar a cidade para debaixo de água e acabar com tudo de uma vez por todas talvez não fosse má ideia). Ao baixar o preço de 20% das casas, Costa e Sá Fernandes apenas aumentarão o preço das outras 80%. Se falta "vida" a Lisboa, é em parte porque a intromissão estatal no mercado de habitação impossibilita o acesso de uma parte significativa da população a uma casa na cidade. Preocupados com isso, Costa e Sá Fernandes vão intrometer-se ainda mais, o que obviamente apenas acentuará a gravidade do problema. Só não é caso para dizer que caminham de asneira em asneira até à asneira final, porque em Portugal parece haver uma propensão infindável para a dita.
Posted by Bruno at 10:51 PM