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março 31, 2007
O Clint Eastwood da UE?
Não se percebe por que razão o meu caro colega insurgente Rui Carmo entendeu por bem insultar Clint Eastwood, comparando-o a Javier Solana.
Posted by Bruno at 08:31 PM
março 30, 2007
A Ler
A propósito da crise dos militares britânicos "detidos" pelo Irão, vale a pena ler este artigo do Fernando Gabriel no Diário Económico.
Posted by Bruno at 10:05 PM
março 29, 2007
Gago Falou Tarde Demais
Mariano Gago veio hoje lançar um ultimato à Universidade Independente. Ou a dita instituição põe um termo ao espectáculo digno de um Conselho Nacional do CDS que nos tem oferecido nos últimos tempos, ou o ministro encerra a universidade. A sua intervenção pode ter servido para Gago passar uma imagem de firmeza e exigência, mas já veio tarde demais para impedir que as vidas dos alunos da Universidade Independente fossem afectadas pela confusão que aí tem reinado nos últimos tempos.
Posted by Bruno at 10:03 PM
Uma Previsão
Lá mais para o Verão, Portugal irá receber a Presidência da União Europeia. E enquanto o comum português já se comçea a preparar para as romarias às apinhadas praias do Algarve (ou Inferno, como preferir), a RTP prepara-se para um dilúvio bíblico de propaganda.E talvez fosse prudente alguém partir com dois exemplares de cada espécie, pois vai ser díficil sobreviver. Durante seis meses, o nosso Primeiro-Ministro vai poder fingir que Portugal conta alguma coisa para o resto do mundo. Durante dois meses, a RTP servirá de palanque para o cerimonial majestático de Sócrates na sua versão "Presidente da Europa". A RTP já trata as questões da UE de forma acrítica e acéfala, servindo de mero eco dos chavões e da propaganda da Comissão. E já olha para o Primeiro-Ministro como uma adolescente parva olha para um poster de Brad Pitt. Quando, daqui a alguns meses, as duas coisas se juntarem (Sócrates e a "Europa", não Brada Pitt e a adolescente), poderemos assistir a um festival de bajulação e glorificação de Sócrates ainda maior do que aquele que já conhecemos. É comum dizer-se que tanto Cavaco como Guterres começaram a perder fôlego com as suas respectivas presidências europeias. Sócrates, com a carinhosa ajuda da RTP, irá usar a sua para cimentar a sua imagem de líder decidido e competente (notícias como a de hoje, mostrando como a despesa pública "derrapou" e o Governo mentiu descaradamente ao afirmar que o controlo do défice fora feito "pelo lado da despesa", são ignoradas pela opinião pública). E a RTP, com o agradecimento do fato Armani que costuma fingir ser Primeiro-Ministro de Portugal, poderá dar mais um passo na sua cada vez maior parecença com a televisão do Estado Novo, imbecil e reverente.
Posted by Bruno at 09:41 PM
Já Nas Bancas
A Atlântico deste mês, comemorando o seu segundo aniversário com um artigo de Vasco Rato sobre o PSD, Rui Ramos sobre o 25 de Abril, José Pedro Zuquete sobre o Kosovo, Gonçalo Reis sobre o proteccionismo e os "campeões nacionais", João Pereira Coutinho sobre o livro do Luís Carmelo, João Miranda sobre o "mercado de ideias", um diário de Pedro Boucherie Mendes, e Paulo Tunhas sobre o "dia estranho" em que acordou sentindo-se "de esquerda", daquela "esquerda" que culpa "o Bush" por tudo. Com menos talento, este vosso rapaz também está lá com as parvoíces do costume.
Posted by Bruno at 09:33 PM
março 28, 2007
O Programa de António Barreto
Estreou ontem na RTP o programa de António Barreto, Portugal
-Um Retrato Social. Essa estreia foi, literalmente, um acontecimento, e assim tratada nos vários órgãos de comunicação social. Desde destaques em diários como o Público, ou revistas semanais como a Sábado, ao Fórum TSF de hoje, o programa de António Barreto mereceu uma atenção pouco comum. Inteiramente justificada. O programa é um bom exemplo de como se podem fazer programas intelectualmente sérios e ao mesmo tempo televisamente eficazes (o trabalho da realizadora Joana Pontes, e o recurso a imagens enviadas por pessoas comuns, ou os testemnhos recolhidos pelo próprio António Barreto, criam um ambiente que chega até a ser, em certos momentos, algo comovente). Mas não deixa de ser triste que programas destes sejam tão pouco comuns no nosso panorama televisivo, como a (mais uma vez, merecidíssima) atenção que Portugal-Um Retrato Social) o demonstra. Resta agora esperar que a RTP não se arrependa e mantenha o programa no horário-nobre, como anunciou, em vez de, como de costume, o chutar para a meia-noite.
Posted by Bruno at 10:25 PM
A Ler
O texto do André Amaral sobre o PSD.
Posted by Bruno at 10:21 PM
março 26, 2007
A Guerra Civil do CDS/PP
A situação interna do CDS/PP agrava-se a cada dia que passa. Quando o Conselho de Jurisdição deu razão a Paulo Portas e os seus apoiantes, seria de esperar que, pelo menos no que diz respeito à questão estatutária, a confusão havia chegado ao fim. É certo que Pestana Bastos, da direcção de Ribeiro e Castro, ainda veio dizer que essa decisão não seria "vinculativa". Mas a margem de manobra para os apoiantes do actual líder inviabilizarem a realização de directas estava fortemente diminuída. Mas a demissão do vice-presidente do Conselho de Jurisdição e de um outro membro do mesmo orgão, "por considerar que o parecer aprovado pelo órgão do qual se demite foi decidido com base numa fundamentação politica e não jurídica" não motiva expectativas de uma solução minimamente pacífica para o problema do método de eleição do novo líder. Estas demissões mostram como até a questão estatutária perdeu o seu carácter jurídico, e adquiriu um carácter político. Como aqui escrevi há dias, Portas transformou a realização de directas num objectivo político, o que obrigou Ribeiro e Castro a fazer da sua não realização o seu objectivo pessoal. Ao transformaram a questão das regras do jogo num motivo de combate, Portas e Ribeiro e Castro fizeram com que esse combate não pudesse ser pacífico. Quando duas partes nem sequer concordam quanto às regras do jogo, quando nem sequer aceitam que alguém possa definir, em última instância, se as regras definidas estão a ser respeitadas ou não, a guerra civil é inevitável. Vença quem vencer, dificilmente se poderá sair bem dela.
Posted by Bruno at 07:12 PM
março 25, 2007
No Insurgente
Já pode ser lida a mais recente edição da minha coluna semanal A Semana Política: "Ao fim da noite de domingo, a parte do país que estava a ver televisão foi presenteada com uma pequena amostra da festa que estava a decorrer num hotel de Óbidos. Os conselheiros nacionais do CDS/PP estiveram horas e horas a recrear batalhas medievais, mas só no fim abriram o espectáculo a quem quisesse dar uma olhadela. “Vergonha”, “palhaçada”, foram algumas das palavras usadas para descrever o que se passou lá dentro. Palavras similiares foram usadas para descrever o que se passou à saída. Depois dos insultos e ameaças de moções de censura que marcaram a reunião, ter-se-ão seguido mais insultos e outro tipo de ameaças. Tudo porque, no CDS/PP, não sabem como eleger o líder." A coisa continua, mas não fica muito melhor.
Posted by Bruno at 10:30 PM
março 24, 2007
O Partido Das Casas de Banho
Parece que anda, pelos pouco iluminados (em todos os sentidos possíveis) corredores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, uma enorme excitação em torno do PNR. Parece haver uma grande preocupação com as actividades deste partido, pelo menos por parte da (muito animada) camada esquerdista da dita instituição. De certa forma, percebo-a. Se há coisa que partilho com as jovens de vestuário de gosto duvidoso e os rapazes de cabelo mal lavado que constituem a esquerda universitária moderna, é a pouca simpatia por partidos como o PNR. Mas, sinceramente, não vale a pena tanta preocupação. Um partido que, como é o caso do PNR, opta por colocar autocolantes junto aos mictórios masculinos não irá ter grande sucesso junto da juventude. Ninguém no seu pefreito juízo pode querer aderir a um partido que se arrisca ser conhecido como o partido "das casas de banho".
Posted by Bruno at 11:24 PM
março 23, 2007
A "Europa" Precisa de Bom Senso, Não de Visão
Agora que o "projecto europeu" faz 50 anos, repetem-se os lamentos de saudade dos tempos de ouro de Delors, Kohl e Mitterrand, líderes com uma "visão" para a "Europa", que contrastam com os "cinzentos" líderes de hoje, excessivamente concentrados nos seus respectivos "interesses nacionais". Mas será que esta visão da história recente é correcta?
Seria bom começar por notar que ela ignora a diferença entre as circunstâncias actuais e aquelas com que tiveram de lidar Delors, Kohl e Mitterrand. Pois é muito mais fácil "unir" a "Europa" em torno de uma política aduaneira comum, em torno de um mercado livre entre os seus membros, do que em torno de uma política externa comum, por exemplo, como exigem hoje, a Blair, Merkel e Barroso, os que choram de saudade pelos homens de 1992. Aliás, se aplicarmos a esses homens a exigência que fazemos aos líderes políticos de hoje, acbaríamos por acusá-los da mesma ineficácia, da mesma "ausência de pensamento estratégico", dos mesmos "egoísmos nacionais". Pois tal como Blair, Schroeder e Chirac se dividiram quanto ao Iraque, também os homens dos anos 90 se dividiram quanto à Jugoslávia, por exemplo.
E quanto à questão institucional? Dirá o leitor que, enquanto Blair, Merkel e Chirac não conseguem sair do "impasse" em torno da "Constituição" Europeia, os saudosos Kohl, Mitterand e Delors conduziram a "Europa" num processo de acentuada (e bem sucedida) integração, com o Acto Único Europeu, a Moeda Única e o Tratado de Maastricht. Mas também essa visão ignora que é bastante mais fácil a proclamação de intenções e o traçar de metas ambiciosas (como uma política externa comum, prevista em Maastricht, ou o caminho para uma união política, traçado pelo Acto Único) do que o será estabelecer os arranjos institucionais que as permitam serem passadas à prática. Mais: são as próprias ambições delineadas por esses grandes "líderes" da Europa que conduzem ao "impasse" de hoje. É o facto de Kohl, Miterrand e Delors não terem percebido que as metas que traçaram eram demasiado ambiciosas para serem adoptadas com sucesso que abriu a estrada para os "dilemas constitucionais" que hoje se enfrentaram. E esse facto, se ocorresse aos que choram pelo desaparecimento dos santos da "Europa" dos 10/12, seria suficiente para desfazer o mito que alimentam, e que os conduz a uma tão deficiente compreensão dos problemas que a UE enfrenta actualmente e de como os poderá solucionar.
A "Europa" não precisa de "visão". Precisa, acima de tudo, de bom senso. De prudência. De olhar para a sua actual composição, e perceber como se pode estruturar. À disposição dos líderes europeus de hoje, estão dois caminhos possíveis. Um, a construção de uma União Europeia assente num "mínimo denominador comum" entre os interesses dos seus 27 (ou mais) Estados-membro, em que os respectivos parlamentos nacionais (ou entidades regionais) tenham a última palavra a dizer sobre o maior número de matérias possíveis. Em alternativa, uma visão mais "maximalista", com um arranjo institucional que, através de um alargamento do número de áreas sujeitas a votação por maioria qualificada, permita "políticas comuns" à revelia da vontade de uma parte dos Estados-membros, à revelia das opções dos governos eleitos pelos respectivos cidadãos. O primeiro caminho será menos ambicioso, certamente não fará da "Europa" uma "potência rival" dos EUA, mas será bem mais prudente e constituirá um garante de estabilidade institucional. O segundo será mais ambicioso, mas implica um maior potencial de conflito institucional, que poderia pôr em perigo, não só essas grandes ambições de que vivem os sonhos dos europeístas mais excitados, como a própria UE e a cooperação entre os países europeus.
Posted by Bruno at 11:19 PM
março 22, 2007
A Solução de Lobo Xavier Não Passará
Na Quadratura do Círculo, Lobo Xavier propôs uma solução "salomónica" para a actual crise do CDS/PP: Paulo Portas aceitaria um Congresso, recuando na sua intenção de concorrer contra Ribeiro e Castro em eleições directas, e Ribeiro e Castro entregaria a organização do Congresso, não ao Secretário-Geral, mas a uma "comissão organizadora com pessoas acima de dúvida". A intenção de Lobo Xavier é boa, mas nunca poderá passar daí. Ribeiro e Castro até poderia aceitar o recuo que Lobo xavier lhe propõe, mas o mesmo não se pode dizer de Portas. Pois Portas exigiu directas não por convicção, mas por interesse "estratégico". E não apenas por, como notou o deputado "castrista" (salvo seja) José Paulo Carvalho, não querer depender do apoio dos membros da "banda". Mas também, e essencialmente, porque se conseguir impôr a realização de directas contra a vontade de Ribeiro e Castro, consegue também uma vitória antes do confronto propriamente dito. Ao contrário do que tem sido abundantemente afirmado, Portas não subestimou Ribeiro e Castro. Por isso lhe quer impôr directas antes mesmo de lhe disputar a liderança. Por isso Ribeiro e Castro se bate tão arduamente por um Congresso. Por isso se torna tão violenta a discussão estatutária no CDS/PP, e por isso será impossível sair deste impasse de uma forma saudável.
Posted by Bruno at 11:15 PM
Do Aperto de Mão Ao Pedido De Desculpas
Um aspecto pouco comentado, mas merecedor de mais atenção, do espectáculo proporcionado pelos conselheiros nacionais do CDS/PP, foi o "pedido de desculpas" de Paulo Portas, em nome do partido, por os seus actuais responsáveis não o terem feito. E é um aspecto merecedor de mais atenção por se assemelhar a outro momento da carreira política do dr. Portas, bem revelador da sua persona e do seu comportamento político. Com o famoso aperto de mão a Manuel Monteiro, tal como agora com o "pedido de desculpas", Portas faz apenas uma exibição da sua hipocrisia. Em ambos os casos, Portas usa a sua hipocrisia como demonstração de força. Ao ser hipócrita, sem o procurar esconder, dá um sinal de superioridade face ao seu adversário. Da primeira vez funcionou, desta talvez lhe saia demasiado caro.
Posted by Bruno at 10:41 PM
março 21, 2007
Mais Um Golpe de Sócrates
Quem quisesse perceber como este Governo funciona, apenas precisava de ter visto com atenção o debate de hoje na Assembleia. O anúncio de que a "meta do défice" para este ano seria "mais ambiciosa", devido à redução mais acentuada do que estava previsto para o ano passado é um bom exemplo da forma como o governo pensa, como norteia a sua acção. Esse anúncio é apenas um golpe mediático, propagandísitico, destinado a mostrar como este Governo (e o seu Primeiro-Ministro) é "ambicioso", característica que parece ser aceite como positiva, independentemente da natureza da ambição que se tenha. Politicamente, a redefinição da "meta" não significa nada, e o seu único propósito é o de cimentar a imagem do Primeiro-Ministro como um líder político "decidido", "corajoso" e "firme". E a comunicação social limita-se a transmitir a sua proclamação, sem análise, sem qualquer distanciamento, como se anunciar que se quer alguma coisa fosse suficiente. A comunicação social limita-se a transmitir a mensagem que o Primeiro-Ministro quer que se transmita, sem sequer pensar nela, e na forma como está, ela própria, comunicação social, a ser literalmente usada pelo Primeiro-Ministro.
Posted by Bruno at 10:25 PM
Alberto Martins Ultrapassado
Ao assistir ao debate mensal na Assembleia, confesso que fiquei um pouco chocado. Pensava não ser possível ultrapassar Alberto Martins no elogio lambe-botista ao Primeiro-Ministro, mas Afonso Candal mostrou ser capaz do impossível.
Posted by Bruno at 10:01 PM
março 20, 2007
Portas É Um Líder de Facção
Paulo Portas quis apresentar-se na corrida à liderança do CDS/PP como um candidato que iria "unificar" um partido ferido pelo combate entre a direcção e o grupo parlamentar. Mas é uma ilusão que apenas engana os mais distraídos. Basta ver quem são os porta-vozes da sua candidatura: todos membros do grupo parlamentar. Todos membros de uma parte envolvida no conflito que Portas supostamente quer calar, como se viesse de fora. Ao surgir com Nuno Melo (convenientemente calado, convenientemente resguardado, como os ciclistas "aguadeiros" que ficam para trás nas grandes montanhas, depois de fazerem o seu trabalho), Telmo Correia ou Pires de Lima, Portas mostra como é apenas líder de uma facção, co-responsável do conflito ao qual pretende pôr fim. Se há coisa que os acontecimentos recentes mostram, é esse carácter de Portas como líder de uma facção, não como um ex-líder consensual e "unificador".
Posted by Bruno at 11:29 PM
março 19, 2007
O CDS/PP À Beira do Abismo
Do que ontem à noite se passou no Conselho Nacional do CDS/PP, pode desde já retirar-se uma conclusão. Qualquer que seja o resultado da luta entre Ribeiro e Castro e Paulo Portas, uma ruptura entre as duas facções parece inevitável. Dificilmente o derrotado poderá conviver com o vencedor e colaborar pacificamente com a liderança. O que coloca particulares dificuldades aos apoiantes de Ribeiro e Castro (candidato com o qual simpatizo bastante mais do que Portas): caso o actual líder do CDS/PP renove o seu mandato, não terá a colaboração do grupo parlamentar. Ou a "banda" continua a tocar a sua música hostil a Ribeiro e castro, ou vai mesmo tocar para outra freguesia, provocando a ruptura entre o partido e a sua bancada parlamentar. Aconteça o que acontecer, não será bonito de se ver.
Posted by Bruno at 07:48 PM
março 18, 2007
No Insurgente
Já pode ser lida a mais recente edição da minha coluna semanal A Semana Política: "Esperava-se um dia rotineiro na Assembleia da República, com apenas mais uma aborrecida reunião da Comissão Parlamentar do Orçamento e Finanças. Mas Jorge Neto, deputado do PSD pelo círculo do Porto, não estava pelos ajustes. Mesmo não pertencendo à dita Comissão, Jorge Neto não quis desperdiçar uma oportunidade de atacar publicamente Carlos Tavares, presidente da CMVM." A coisa continua, mas não fica muito melhor.
Posted by Bruno at 11:46 PM
A Imagem e A Realidade
No Diário de Notícias de hoje, António Costa Pinto manifesta alguma supresa quanto às críticas à gestão que o Governo faz da sua imagem. Costa Pinto considera que "Sócrates é o anti-Portas", que "não confia na sorte oratória mas no trabalho" e que se à oposição se pede "que tente desmontar a máquina de comunicação" do Governo, já da parte dos "analistas descomprometidos o elogio [a essa estratégia comunicacional] é inevitável". É aqui que Costa Pinto comete um pequeno erro. Pois aos "analistas descomprometidos" pede-se que percebam a diferença entre a imagem que a dita "estratégia comunicacional" pretende difundir, e a realidade da acção governativa. Como se pede que percebam como essa distância entre a ilusão alimentada pela propaganda governativa e a realidade mina a confiança dos eleitores nos eleitos, fragilizando a saúde da democracia.
Posted by Bruno at 11:16 PM
março 17, 2007
De Regresso
O meu "companheiro" (palavra com conotação vagamente homosexual que eu preferia não usar) de geração e de infortúnio (diz ele) no relacionamento com o sexo oposto, Tiago Galvão, está de regresso com o seu Diário, e até aos seus one-liners que fazia no tempo em que (para usar as palavras dele) só eu, um paquistanês e um russo (por engano) liam o que ele escrevia.
Posted by Bruno at 11:10 PM
março 16, 2007
Ainda Sobre a RTP e o Governo
Muito curioso, o telejornal de hoje. Em todas as notícias envolvendo partidos da oposição (PSD e PP), a sua posição foi confrontada com a do Governo. Sempre que o sujeito da notícia era o Governo, os seus responsáveis eram os únicos a intervir. Fosse José Sócrates em mais um anúncio (com direito a vídeo promocional do Governo incluído na reportagem da RTP) ou Correia de Campos a afirmar os "extraordinários" progressos na contenção de despesas na saúde, as declarações do membros do Governo foram apresentadas como matérias de facto, não como uma declaração de uma parte interessada no jogo e confronto político. O Governo tem o direito de dizer o que quer, ficando a cobertura noticiosa pela mera reprodução da propaganda, e para além do mais, nunca lhe é negado o "direito de resposta" aos ataques da oposição, cuja cobertura noticiosa é sempre alvo de "contextualização" e contraditório. Claro que a RTP faz bem em seguir estes critérios na sua coberura noticiosa da oposição. Pena é que não os aplique ao Governo.
Posted by Bruno at 10:42 PM
março 15, 2007
A Marca Da Governação
O Presidente da República, Cavaco Silva, fez recentemente duas curiosas declarações, a propósito de duas posições do Governo de José Sócrates. Depois do Primeiro-Ministro ter vindo a público afirmar que, "em Portugal", o Governo não irá optar pelo recurso a energia nuclear, preferindo "crescer em energia eólica e hídrica", Cavaco Silva veio afirmar que a questão da "energia nuclear, com certeza, virá a ser discutida em Portugal como está a ser discutida noutros países". E enquanto o Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, se referia à construção do aeroporto da Ota como um "compromisso pessoal", o Presidente terá exigido "mais informação" acerca desta opção.
Estes dois exemplos de distanciamento do Governo por parte de Cavaco Silva são curiosos, pois surgiram a propósito de duas tomadas de posição governamentais que mostram bem como este governo funciona. Ambas são matérias complexas. Em relação a ambas os membros do Governo fazem declarações peremptórias, tão cheias de certezas como de arrogância. Como se fossem evidentes para todos os méritos da Ota, como se todas as dúvidas de gente capacitada para as colocar fossem meras palavras de circunstância. Como se o desenvolvimento de energia nuclear fosse uma aberração, que nenhuma vantagem poderia trazer. Mas é fácil de perceber por que razão o Governo tem tanta facilidade em tomar posição em relação a estas questões. Não são os aspectos negativos da eventual "opção nuclear" (como por exemplo, a elevada quantia de despesa pública que ela poderia implicar) que incomodam José Sócrates. É, isso sim, o incómodo que a palavra "nuclear" causa aos ouvidos do cidadão comum. É, isso sim, a conotação negativa que a palavra "nuclear" tem, o receio de eventuais desastres por parte os eleitores que acaba por assustar o Primeiro-Ministro.
Já o cheiro de "modernidade", de "vistas largas", de "olhos no futuro", que o comum português associa aos grandes projectos de obras públicas faz com que o Governo se esforce por esquecer todas as objecções e dúvidas relativas à escolha da localização de um novo aeroporto para Lisboa. Em ambos os casos, até o debate é preterido, em detrimento das soluções que, respectivamente, serão mais agradáveis ao "sentimento popular", e, por conseguinte, mais convidativas à cruzinha no quadrado do PS em 2009. A haver uma marca nestes dois anos de governação "socrática", a haver um fio condutor, é precisamente esta fidelidade ao que mediaticamente parece ser mais proveitoso. Desde o suposto "espírito reformista" com o seu "combate" aos "interesses instalados", à "modernidade" dos dispendiosos projectos públicos, à liminar rejeição do mero debate em torno de algumas questões, é a propaganda a ditar o "rumo", seja o do PS em direcção a uma nova vitória eleitoral, seja o do país em direcção ao abismo.
Posted by Bruno at 10:37 PM
Sobre a Governamentalização da RTP
O meu amigo João Carlos Silva escreveu um artigo no Setúbal na Rede, onde até faz a gentileza de me citar. Mas descontando essa pequena falha, o que ele escreve merece ser lido:
"Se só houvesse RTP, de Sócrates eu só saberia que é um homem consciente e “com uma visão de futuro”. Se só houvesse RTP, dos protestos em Valença do Minho eu só conheceria o ridículo de meia dúzia de homens a empurrar uma maca de hospital contra uma barreira policial. Enfim, se só houvesse RTP, eu só poderia estar solidário com um governo seguro e confiante no crescimento e no desenvolvimento que tem de enfrentar a rudeza das “gentes ignorantes”. Como há outros canais, como há liberdade de informação (que resistirá à ERC e, sem dúvida alguma, à própria RTP), apenas posso estar solidário com quem se quer manter informado."
Posted by Bruno at 10:17 PM
março 14, 2007
A Lata De Jorge Neto É Uma Oportunidade Para Marques Mendes
Jorge Neto, deputado do PSD, acusou hoje Carlos Tavares, Presidente da CMVM, de "falta de independência" no processo da OPA da Sonaecom sobre a PT. Respondendo perante os deputados da Comissão de Orçamento e Finanças, Carlos Tavares foi confrontado com as acusações de Jorge Neto, que considera que o ex-ministro de Durão, ao afirmar que deveria ser o "mercado" a julgar os méritos ou deméritos da OPA, tomou posição sobre a matéria em questão na última assembleia geral da PT, o que supostamente viola os "cânones de independência e imparcialidade" que devem caber a um regulador. Não lhe ocorre que a missão de um regulador é a de zelar pelo bom funcionamento do mercado, e que portanto, a preferência pelo "mercado" em detrimento da "secretaria" só abona a favor de Carlos Tavares.
Mas compreende-se que Jorge Neto não tenha percebido isto. Afinal, tem a mente ocupada com outras preocupações. Um deputado que, como observa o João Miranda, é também "presidente da fictícia Associação dos Accionistas Minoritários da PT (que na verdade representa menos de 3% dos pequenos accionistas)" e representante, na Assembleia Geral da PT, de uma holding pertencente a "Nuno Vasconcelos, próximo do Banco Espírito Santo e dono da Ongoing, que se opôs à OPA da Sonaecom", tem outras prioridades que não o funcionamento do mercado. Como tem também tudo menos legitimidade para acusar os outros de falta de imparcialidade. Disso mesmo o acusou Carlos Tavares, dizendo que, sendo Jorge Neto deputado, não lhe poderia "responder à letra", como lhe responderia se ele estivesse ali na qualidade de parte interessada no negócio, utilizando "em vão" o "nome dos pequenos accionistas" da PT, representando "na verdade" um "grande accionista".
O mais grave da atitude de Jorge Neto nem é a sua falta de vergonha, que abunda no mundo em que ele se movimenta. É, isso sim, o manifesto abuso da sua posição. Pois Jorge Neto usa o mandato que os cidadãos lhe atribuíram no acto eleitoral para defender os seus interesses pessoais enquanto "homem de negócios". Em poucos segundos, e com uma singela afirmação, Jorge Neto conseguiu confirmar todos os preconceitos que o comum português tem em relação aos políticos. E acaba por colar o PSD a essa sua atitude, minando a credibilidade do partido e do seu líder.
Mas é precisamente por isso, por paradoxal que possa parecer, que esta vergonhosa declaração de Jorge Neto constitui uma oportunidade para Marques Mendes. O líder do PSD conquistou uma considerável credibilidade pessoal quando, em vésperas das últimas autárquicas, distanciou o seu partido de figuras pouco credíveis aos olhos do eleitorado nacional. Ao mostrar-se disposto a sofrer algumas derrotas, em prol da "transparência", Marques Mendes ganhou a credibilidade que todos os políticos, quando têm a coragem de ir contra os interesses de uma parte do seu partido, gozam por parte do eleitorado. Se, perante esta atitude de Jorge Neto, Marques Mendes assumir uma tomada de posição contra o deputado do seu partido, não só estará a ter uma atitude correcta, face à manifesta falta de vergonha de Jorge Neto, como mostra estar disposto a lutar contra políticos que, em nome do seu interesse pessoal, minam a credibilidade do PSD, do seu líder, e da actividade política em geral. Se o quiser, e se disso for capaz, Marques Mendes poderá aproveitar a "lata" de Jorge Neto para consolidar a sua credibilidade, bem como a do partido, manchada pela postura do seu deputado.
Posted by Bruno at 10:18 PM
março 12, 2007
A Febre das Nomeações
O DN do "consulado" de João Marcelino atribuí hoje grande destaque às 2373 nomeações feitas por José Sócrates desde que chegou ao Governo. O número mostra bem como o PS gosta de rechear o aparelho de Estado com os seus protegidos. Mas para além de ser pouco abonatória em relação a Sócrates, esta notíciaé acima de tudo reveladora do falhanço absoluto do governo de Durão Barroso. Pois em igual período de tempo de no poder fez 804 nomeações. Conseguir ser mais "generoso" na oferta de "jobs" para os "boys" do que o PS é bem ilustrativo do que foram aqueles dois anos.
Posted by Bruno at 10:29 PM
Ele Sabe Do Que Está a Falar
Parece que Pedro Santana Lopes terá afirmado que "Portugal está próximo da Rússia e da Coreia do Norte no encenar do poder". Santana Lopes deve ter razão no que diz. trata-se, de facto, de uma pessoa qualificada para fazer essa avaliação. Quanto mais não seja, porque o que ele próprio queria fazer não estaria muito longe disso.
Posted by Bruno at 10:25 PM
A Ler
O resumo da governação de José Sócrates, feito pelo João Caetano Dias:
"A despesa pública aumentou. A dívida pública aumentou. O défice aumentou. O desemprego aumentou. A carga fiscal aumentou. As trapalhadas deixaram de sair nas primeiras páginas. Não há nada melhor do que uma imprensa dócil."
Posted by Bruno at 07:57 PM
No Insurgente
Já pode ser lida a mais recente edição da minha coluna semanal A Semana Política: "Depois do realizador italo-americano Martin Scorsese ter ganho um Óscar com um remake de um filme de Hong Kong, Paulo Portas parece querer seguir-lhe o exemplo, ganhando a liderança do CDS/PP com um remake de Zelig de Woody Allen." A coisa continua, mas não fica muito melhor.
Posted by Bruno at 12:17 AM
março 10, 2007
Grandes Questões da Existência Humana
Porque razão, sempre que se fala de Cuba e do "bloqueio" americano, os comunistas se tornam, subitamente, fervorosos adeptos do comércio livre entre as nações?
Posted by Bruno at 10:04 PM
março 09, 2007
O CDS/PP Enfrentará Um Momento de Definição Decisivo
Quando Ribeiro e Castro foi eleito para a liderança do CDS/PP pela primeira vez, escrevi que, com essa eleição, surgia uma oportunidade de o CDS/PP enveredar por "uma postura política de maior firmeza, de maior definição política, de menor aproveitamento demagógico", quando comparada com a do consulado anterior (de Portas). Pela sua entrevista de hoje a Judite de Sousa, deixa uma coisa bastante clara: vê o seu eventual confronto com Paulo Portas (e digo eventual porque, ao contrário de Ribeiro e Castro, Portas não admite candidatar-se em qualquer circunstância) como um confronto entre duas posturas políticas, a de frenético (e mal sucedido) eleitoralismo de Portas, e a de calma (para alguns, excessivamente calma) elaboração de um programa sólido e coerente que Ribeiro e Castro propunha. Com o confronto directo com Portas, Ribeiro e Castro poderá opôr definitivamente o rumo que quis traçar para o seu partido àquele que quis substituir. Se o CDS/PP o quer seguir ou não, é mais um problema do CDS/PP do que de Ribeiro e Castro.
Posted by Bruno at 10:35 PM
Serviço Público
A RTP abriu o seu Telejornal com a notícia do crescimento da economia portuguesa de 1,3% em 2006. A SIC, por sua vez, abriu com uma notícia sobre medicamentos, e a TVI, abrindo também com o crescimento da economia em 2006, caracterizou-o como o mais baixo da UE, enquanto a RTP preferia "esclarecer" os telespectadores de que se o crescimento era 2lento", era também "saudável", uma terminologia com uma carga opinativa que em nada parece ter incomodado a jornalista que a usou. para quem ainda tem dúvidas acerca da governamentalização da RTP, basta ver a diferença de tratamento de notícias como esta, por parte das várias televisões, para pereceber como ela não é uma invenção de Eduardo Cintra Torres ou de desesperadaos dirigentes do PSD, mas algo bem real.
Posted by Bruno at 10:23 PM
março 08, 2007
A Ler 2
No Insurgente, o texto "em defesa da América" do Migas:
"A América é um extraordinário chamariz de pessoas altamente qualificadas, cujas vidas nas suas terras de origem eram sobejamente confortáveis. O que atrai estas pessoas é uma vida mais livre e onde existem menos obstáculos para atingir os seus objectivos e ambições. Pobres, ricos ou remediados, têm em comum na sua emigração para a América uma coisa: the pursuit of happiness."
Posted by Bruno at 10:52 PM
A Ler
O texto do Sérgio dos Santos sobre a reacção de António Costa a um relatório (pouco elogioso) do Departamento de Estado americano sobre os direitos humanos em Portugal, afirmando o Ministro da Administração Interna que não reconhece "legitimidade" aos EUA para tecerem críticas desse género. Escreve, com toda a razão, o Sérgio:
"a partir deste momento, ninguém no governo poderá criticar qualquer aparente violação dos direitos humanos noutro país que não Portugal (os EUA, por exemplo), coisa que aliás, António Costa teve a exímia capacidade intelectual de conseguir fazer exactamente na mesma entrevista em que também afirmava que nenhum país tinha legitimidade para julgar outro. A outra consequência é que se o governo está realmente a falar a sério - se não estiver, a única razão para descredibilizar o dito estudo é ocultar conhecimentos que possua sobre o que realmente se passa com os direitos humanos em Portugal, o que, no mínimo, levanta algumas suspeitas - deixará de poder apresentar-se como preocupado com a situação de violação de direitos humanos noutros países dado que assim como o estado português recusa a avaliação externa (afinal de contas, a avaliação da actuação de um governo feita por si próprio é infinitamente mais isenta e fiável...) qualquer outra entidade soberana pode reclamar o mesmo e não reconhecer qualquer autoridade a Portugal, ou a outro país, tendo o governo de dizer que está de acordo com essa decisão, permanecendo silencioso mesmo que os seus parceiros em política externa o pressionem, ou seja, que reconhece a si mesmo e aos outros autoridade zero para discutir o que se passa noutros países que não os respectivos.
(...)Atacar o mensageiro é muito fácil e satisfaz as massas pelo seu conteúdo emocional que, não respondendo à veracidade das premissas envolvidas no assunto, o desvia para outro mais atractivo e simpático que é totalmente irrelevante para o facto em causa. Seja qual for a verdadeira razão do governo para rejeitar o relatório de forma tão imediata - populismo nacionalista/antiamericano ou disfarce - tal comportmento não pode implicar nada de bom."
Posted by Bruno at 10:33 PM
março 07, 2007
Felizmente
A senhora minha mãe diz que "hoje" acordou "a cantar" isto. Felizmente para todos, ninguém a ouviu.
Posted by Bruno at 10:33 PM
O PS, Alguns Anos Depois
O Ministro da Justiça do governo de António Guterres, António Costa, supreendeu a inteligência pátria, a dada altura da governação desse executivo, por ter adoptado uma "agenda securitária", que levou a inúmeras reflexões acerca de como a "esquerda" mais "pragmática" e "moderna" retirava à "direita" uma das suas principais "armas" eleitorais. António Costa aumentara, por exemplo, o número de circunstâncias em que o recurso a escutas telefónicas estava acessível às forças de investigação, sob o sonoro aplauso dos mais variados quadrantes políticos. Uma vez fora do poder, um mediático processo judicial, envolvendo um deputado do PS, põe em causa o recurso a escutas telefónicas, considerado abusivo pelo PS e pelo próprio António Costa, como se nenhuma responsabilidade tivesse tido na criação do ambiente que facilitava esse abuso.
Alguns anos depois, o Ministro da Administração Interna do governo de José Sócrates, António Costa, supreende a inteligência pátria, por ter adoptado uma agenda "securitária", que levou a uma reflexão de Ana Sá Lopes e Carlos Rodrigues Lima no Diário de Notícias, acerca de como a "nova esquerda também é securitária", que retira à "direita" um discurso "popular", e uma das suas armas eleitorais. Desta vez, António Costa, sob o aplauso generalizado, concentra o poder sobre todas as forças de segurança sob a autoridade directa do Primeiro-Ministro. Resta apenas saber quanto tempo demorará o PS, quem sabe pela boca do próprio António Costa, uma fez na oposição, a queixar-se do abuso do poder, por ele criado, nas mãos de um futuro Governo.
Posted by Bruno at 10:11 PM
Novo Blog
O Bruno Gonçalves, depois do seu Bodegas, começa o Inominável.
Posted by Bruno at 10:05 PM
março 05, 2007
Só Há Um Nome Para Trabalho Não Pago
O Miguel Noronha chama a atenção para um decreto-lei aprovado pelo Governo do engenheiro Sócrates, que "impõe o congelamento da facturação dos prestadores complementares de cuidados de saúde". "Nenhuma clínica ou laboratório privado que tenha acordo com o SNS" explica o Miguel, "pode, mensalmente, facturar em 2007 mais do que no mês homólogo de 2006. É claro que, ao contrário do governo, nenhum destes prestadores pode alterar as normas do contrato durante a sua vigência pelo que terão de cumprir a norma que os impede de recusar utentes do SNS." Ou seja, o Estado obriga estas clínicas ou laboratórios a caso tenham mais trabalho no mês de Março de 2007 do que tiveram no mês de Março do ano anterior, a fazer esse trabalho extra de graça. Nada que espante num Governo que inverteu o ónus da prova em matéria fiscal. Agora, obriga empresas privadas a, em certas circunstâncias, fazerem trabalho de graça, para que o Estado controle a sua despesa. Que eu saiba, e a não ser que seja voluntário (que não é o caso) só há um nome para trabalho não pago. Que eu sabia, já tinha sido abolido em Portugal há algum tempo.
Posted by Bruno at 09:51 PM
No Insurgente
Já pode ser lida a mais recente edição da minha coluna semanal A Semana Política: "O Primeiro-Ministro, José Sócrates, escolheu discutir, no debate mensal na Assembleia da República, o tema da segurança interna, mostrando assim o quão inseguro estava no que diz respeito à actuação do seu governo em àreas como o Serviço Nacional de Saúde ou o emprego. É certo que Sócrates não vê diferenças entre a Assembleia e os almoços regados a Powerpoint que organiza todos os dias: tudo é um palco para o seu espectáculo de propaganda. Mas nesta ocasião, não foi apenas o “socrático” desejo de “marcar a agenda” que o levou a escolher esse tema, mas também (e essencialmente) o seu desejo de fugir à “agenda” que marcara os dias que haviam antecedido o debate. Desejo que, escusado será dizer, não partilhava com os deputados da oposição." A coisa continua, mas não fica muito melhor.
Posted by Bruno at 12:28 AM
março 03, 2007
O PSD e o Liberalismo
No seu Blue Lounge, o meu caro colega insurgente Rodrigo Adão da Fonseca contesta a ideia de que o PSD só terá futuro com uma plataforma eleitoral liberal. Como ele diz, com toda a razão, o PSD e o PS têm acedido ao poder "por mera rotatividade e cansaço dos portugueses em relação ao(s) partido(s) do executivo, e não tanto por aderência do eleitorado às soluções alternativas propostas para a governação", e por isso, o PSD está "condenado" a regressar ao poder mais tarde ou mais cedo. Mas se o PSD pode chegar ao poder sem liberalismo, já o mesmo não se pode dizer do inverso. Ao contrário do que alguns entusiasmados parecem crer, uma solução liberal para Portugal só poderá ser adoptada se o PSD o quiser, se o PSD a vier a propôr. É pouco provável (tanto que o PSD queira correr esse risco, como que venha a ser bem sucedido se o fizer) mas é a única circunstância em que isso poderá ocorrer.
Posted by Bruno at 10:26 PM
Loja Insurgente
O Insurgente, sempre na vanguarda do capitalismo selvagem, resolveu iniciar uma estratégia de exploração dos seus leitores, incitando-os vergonhosamente a gastar 15 euros em t-shirts propagandísticas, ostentando a palavra liberdade em várias línguas. Caro leitor, se está farto de ver o Che Guevara no peito dos seus filhos, ofereça-lhe uma das bonitas t-shirts da Loja Insurgente (e se o seu rebento for do sexo feminino, envie também uma fotografia da petiza). Os fundos, claro, revertem para a CIA e o Banco Mundial, no seu esforço de promover a globalização capitalista neo-imperial sionista. De cada vez que o leitor estala os dedos, morre mais uma criança em África. Por isso, veja lá se pára com isso e trata de comprar a t-shirt.
Posted by Bruno at 10:12 PM
E Não Se Arranja Um Subsídio?
No seu Office Lounging, o meu caro colega insurgente Luís Silva refere-se à incrivelmente desactualizada lista de links ali do lado como um "testemunho vivo" dos "primórdios da blogosfera", fruto de uma "experiência de investigação histórica aplicada". Infelizmente, a museológica lista de links ali ostentada deve-se apenas à minha imensa preguiça, e não a quaisquer nobres intuitos. Mas já que presto esse serviço de preservação da memória blogosférica, talvez pudesse obter um pequeno subsídio do Estado, para ajudar à sobrevivência deste pequeno projecto de conservação. Afinal, não seria o primeiro subsídio que o Estado atribuía a um indivíduo, para que este se limite a ficar quieto.
Posted by Bruno at 09:59 PM
março 02, 2007
O Regresso de Paulo Portas
Ontem, o ex-líder do CDS/PP anunciou que quer regressar ao lugar que outrora foi seu. Afirmou querer restaurar a "confiança" no seu partido, ser um motor de "mudança", transformando o CDS/PP num partido do século XXI, trazendo "credibilidade" à sua liderança. O ex-líder do CDS/PP que mudou mais vezes de posição do que o seu partido de liderança, quer ser um símbolo de "mudança" e "credibilidade", e uma vez de novo do poder, tornar o partido "livre de facções" quando foi a sua sombra que foi animando uma das facções que levou o CDS/PP à situação em que está. A sua estratégia ficou agora clara. Demitiu-se naquela noite de 2005, para poder agora voltar como o salvador da desgraça que essa demissão e o que se seguiu instalou no partido. Saiu de cena nessa altura, para que no período até ao seu há muito anunciado regresso, o mito em seu redor fosse crescendo no interior do seu partido.
Mas os militantes do CDS/PP deveriam pensar duas vezes sobre esse mito. Pois um pouco mais de atenção mostra que Portas não foi o líder de sucesso que se diz ter sido. E não apenas por, como lembra constantemente, com requinte de malvadez, Pacheco Pereira, ou ontem o deputado do PCP António Filipe, nunca ter obtido o resultado eleitoral de Manuel Monteiro. Os resultados, em política, não são tudo, e até deveriam ser o menos importante. Vista na sua totalidade, a liderança de Paulo Portas não foi boa para o CDS/PP, por razões bem mais graves. As suas constantes mudanças de máscara minaram a credibilidade do seu partido, por um lado. Por outro, o próprio mito que se criou em seu redor pessoalizou demasiado o CDS/PP, como Ribeiro e Castro não se cansa (e bem) de lembrar, o que só fragilizou. O clima de hostilidade entre o grupo parlamentar e a direcção só são possíveis num ambiente de orfandade deixado por Portas, e cuja raíz está na natureza da sua liderança, que longe de unir o partido, como ele gosta de dizer, o centrou em seu redor, desertificando tudo à sua volta. Dir-se-á que colocou o CDS/PP no Governo. mas essa presença no Governo deveu-se mais à fraqueza de Durão do que à força de Portas (meses antes, poderia ter caído, caso Guterres não tivesse caído primeiro). E fraqueza de Durão, não apenas por não ter conseguido a maioria absoluta, mas por não ter tido os "tomates" de formar um governo sozinho, colocando o CDS/PP entre a espada e a parede (forçando Portas a colaborar no parlamento, sob pena de ser responsabilizado por eleições antecipadas). E foi a caução que deu a Santana Lopes (de certa forma, justificada) que associou o CDS/PP àquela curta e penosa experiência, que teve como resultado o de 2005.
Ao contrário do que Portas quer fazer crer, ele não pôs o partido à frente dos seus interesses pessoais. A sua liderança, como escrevo atrás, vista na sua totalidade, foi penosa para o CDS/PP. A sombra que alimentou a oposição interna permite-lhe este regresso, mas corroeu o partido. E mesmo este regresso mostra como a imagem que Portas quer transmitir, de alguém que apenas quer pacificar o CDS/PP, é enganosa. Portas diz que apenas se candidata se houver directas, rejeitando a hipótese de concorrer num Congresso. Se realmente tivesse como única motivação a salvação do CDS/PP, candidatar-se-ia em qualquer circunstância. Ao colocar ao líder a quem se opõe, condições para correr contra ele, está a colocar a sua estratégia pessoal à frente da "pacificação" que diz querer trazer. Após tantos anos a fazer das suas, Portas só engana quem quiser ser enganado.
Posted by Bruno at 09:35 PM
março 01, 2007
Já Nas Bancas

A Atlântico deste mês, onde, para além de, na coluna habitual, abordar a questão (que atormenta a Humanidade desde os seus primórdios) de se é ou não possível a um homem sensato manter uma relação séria com uma adoradoura do dr. Louçã ou (pior) de Al Gore, se pode ler um outro artigo meu, mais compridote, sobre a "estranha morte da política democrática".
P.S.: Logo na primeira linha deste artigo, está um pequeno erro. Onde se lê "andar", deveria ler-se "ar".
Posted by Bruno at 11:08 PM
Divider, Not a Uniter
Quando se candidatou pela primeira vez à presidência dos EUA, George W. Bush proclamou de que era um "uniter, not a divider", alguém que prometia "unir" a América, e não dividi-la. Procurar um caminho que fosse consensual entre Democratas e Republicanos, para ultrapassar a animosidade dos anos Clinton. Como se sabe, não foi o que aconteceu. Mas essa preocupação de "ultrapassar as diferenças" e "encontrar um terreno comum" não desaperceu. Não há candidato às eleições de 2008 que não afirme querer "conversar", que as "divergências" do passado têm que ser "ultrapassados", ou como divisões partidárias estão "obsoletas". Esta é uma linguagem que pode funcionar bem na televisão, e talvez nenhum candidato possa ter sucesso eleitoral se não a usar. Mas ela constitui um profundo erro, e mais grave ainda, uma profunda incompreensão da América e da sua natureza, estranha e preocupante em pessoas que querem ocupar o mais alto dos cargos desse país. Porque uma das chaves do sucesso dos EUA é precisamente a profunda diferença que existe no seu interior. As "culture wars" são vistas como negativas, como fonte de uma animosidade nociva para o país, mas muito mais o seriam se a diferenciação entre os vários estados não estivesse institucionalizada, através da sua organização federal. Ao contrário do que os candidatos a 2008 parecem crer, a América não precisa de se "unir", de "ultrapassar" as suas "divergências". Precisa de as cultivar, e de as aceitar, sem negar o que de comum existe entre as várias "Américas". É precisamente a liberdade que os vários estados gozam, de adoptar as suas próprias políticas, que faz a grandeza da América. Só quem perceber que se os texanos quiserem tornar o porte de armas obrigatório, e em San Francisco se quiser tornar o casamento gay o único legalmente reconhecido, ambos devem ter liberdade para isso, e que assim se estará a respeitar a natureza da União, só quem perceber isso, repito, poderá ser um bom Presidente a partir de 2009. E dos candidatos, o único que parece perceber isso é Rudolph Giulani.
Posted by Bruno at 10:38 PM
Serviço Público
Fiquei há pouco a saber que a RTP irá transmitir, num dos próximos dias, a Gala do 103º aniversário do Benfica. Mais um exemplo do "serviço público" prestado pela televisão paga pelo dinheiro dos contribuintes.
Posted by Bruno at 10:35 PM