Escrito pela mão invisível de Bruno Alves. Comentários e opinião: alves.bm@netcabo.pt

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outubro 31, 2006

Mas Que Culpa Tem a Senhora Thatcher?

A capa da The Economist tem sido muito elogiada nos blogs portugueses. E de facto, é uma capa bem humorada. Mas se é verdade que o que França precisava era de uma Thatcher, que mal fez a senhora thatcher para aparecer com uma bandeira francesa por trás? Há coisas que não se deviam fazer a ninguém, e essa é uma delas.

Posted by Bruno at 10:15 PM

outubro 30, 2006

Imprevisibilidade

O socialista José Lamego, num evento do CDS/PP para o qual foi o convidado (um saudável e meritório exemplo que todos os partidos deveriam seguir) veio criticar a eventual adopeção de círuclos uninominais, visto que estes tornariam os deputados "imprevisíveis". Era previsível que alguém se viesse a incomodar com a possibilidade de um deputado vir a ter a possibilidade de pensar pela sua própria cabeça.

Posted by Bruno at 11:11 PM

outubro 28, 2006

Um Bom Exemplo

Quem tiver visto o Telejornal de hoje, na RTP, teve a oportunidade de assistir a um bom exemplo da governamentalização da televisão pública. Numa evocação dos 150 anos dos Caminhos de Ferro em Portugal, a RTP incluíu uma referência ao TGV. Se há 150 anos se tinha aberto o caminho para o desenvolvimento do país, hoje, os portugueses "aguardam" o TGV. Tudo dito pela boca da servil jornalista. Melhor propaganda que esta é difícil. Pena é que não tenha sido num tempo de antena do PS, mas sim numa televisão paga pelos impostos de todos nós.

Posted by Bruno at 10:31 PM

Unido e Plural

José Sócrates foi eleito Secretário-Geral do PS, num acto eleitoral tão emocionante como os que se realizavam no Iraque de Saddam Hussein. Agora que se avizinha um Congresso, começaremos a ouvir muitos militantes falarem de um partido "plural", mas "unido", e numa ocasião em que deveria ser discutido o papel do PS no país, ouviremos apenas esforçados elogios "lambe-botistas" ao líder (Alberto martins, pro exemplo, certamente perguntará ao Primeiro-Ministro se ele tenciona "mostrar a coragem que tem mostrado até aqui"), para além de incessantes ataques a Marques Mendes. Os próximos dias serão tudo menos edificantes. Mas o PS, fora o folclore de Roseta e dos que a quiserem acompanhar (o que dá sempre jeito, por causa do tal "pluralismo") estará unido.

Posted by Bruno at 10:21 PM

Alguns dos posts que escrevi nos últimos dias desapareceram. Os que consegui recuperar foram colocados de novo.

Posted by Bruno at 02:21 PM

outubro 24, 2006

O Regresso do Guerreiro Menino

Valeu a pena ter visto a entrevista de Pedro Santana Lopes à SIC Notícias, na noite de ontem. Santana tem razão ao criticar a mentira (se não for mentira, é irresponsabilidade, o que também não irá abonar muito a favor do actual Primeiro-Ministro) de Sócrates sobre as SCUT. Perde toda essa razão ao dizer que essa mentira é um exemplo de "batota política". A expressão é reveladora: para Santana, o problema da mentira política não está na inerente degradação da relação entre governantes e governados, está em ser um meio "injusto" de obter o poder. Para Santana, é a vitória eleitoral que interessa, não a questão política em si, a questão programática, e muito menos os efeitos colaterais da mentira como arma política. Para Santana, a mentira política é como um golo marcado com a mão: injusto para quem o sofre, algo que desvirtua o resultado do confronto, pouco edificante para quem o marca, mas sem consequências de maior para terceiros. Para além do mais, perde toda a razão que poderia ter ao dizer que, poupando nas SCUT, o governo não precisaria de "ir atrás" das "pensões dos portugueses". Das duas uma, ou o argumento é demagógico, não se distanciando muito da própria "batota política" do Primeiro-Ministro, ou mostra como Santana Lopes não percebe que o problema das pensões não é conjuntural, que não se resolve com o dinheiro das SCUT (nem com as reformas do Governo), mas que, pelo contrário, é um problema estrutural que exige uma profunda reforma. Claro que o "Guerreiro Menino", com a sua entrevista, "marcou pontos". Para o "povo laranja", desanimado (em alguns aspectos, injustamente) com Marques Mendes), "isto é que é oposição". Para qualquer pessoa com dois dedos na testa, esta entrevista mostra como "isto" não é forma de fazer oposição, como Santana Lopes seria tudo menos um bom líder de oposição, como Santana Lopes seria tudo menos um bom líder de Governo.

Posted by Bruno at 10:09 PM


A Ler

O texto de Luís Naves sobre os tumultos na Hungria´.

Posted by Bruno at 10:06 PM


Novo Blog

Depois da mudança de casa do Insurgente, é a vez do também insurgente Claudio Tellez se pôr debaixo de um novo telhado.

Posted by Bruno at 10:02 PM


outubro 23, 2006


Blogue do Não

Aprovada que está a pergunta do próximo referendo sobre o aborto, entrou em actividade o Blogue do Não. Tendo já referido aqui as minhas reservas quanto à realização do referendo, e tencionando vir a deixar outras quanto à questão em discussão propriamente dita, não posso deixar de, no entanto, chamar a atenção para a importância deste blog. Numa discussão que tem sido infelizmente marcada pela sua falta de seriedade, o aparecimento deste blog é uma excelente oportunidade de confirmar a blogosfera portuguesa como um elemento essencial para o debate político em Portugal. Oportunidade que seria ainda melhor aproveitada se um "blog do sim" também surgisse. Independentemente do que cada um pense acerca deste assunto, todos teríamos a ganhar se iniciativas como esta conseguissem produzir um debate sério em torno da questão em causa. Especialmente quando o Primeiro-Ministo parece estar interessado em discutí-la, desde que seja o único a falar.

Posted by Bruno at 10:20 PM


outubro 22, 2006


Público e Diário de Notícias

É curioso comparar o tratamento noticioso do Público e do DN no que à acção governativa diz respeito. Veja-se, como exemplo, a forma como o Orçamento de Estado foi tratado nos dois jornais. No seu suplemento de Economia, o DN afimava: "Corte na despesa reduz défice de 2007", e de seguida, "gastos públicos com o maior corte em dois anos". Duas frases que assentam que nem uma luva na imagem que o Governo quer construir de si próprio, de um Governo capaz de enfrentar tudo e todos. E acima de tudo, uma "interpretação" do Orçamento que vai ao encontro da visão do dito publicitada pelo Governo: a de que o Governo corta, efectivamente, a despesa pública. Já o Público optou por uma apresentação mais distanciada. De acordo com o jornal de José Manuel Fernandes, o controlo da despesa pública está dependente do avanço da reforma do Estado, tudo menos garantida. E acentuou o recurso ao aumento da carga fiscal ("ligeira" segundo o DN, "importante", para o Público).

Posted by Bruno at 10:10 PM


A Ler

Os pequenos textos ficcionais dos meus amigos Paulo Rodrigues Ferreira e João Carlos Silva no segundo número da revista online Minguante.

Posted by Bruno at 10:03 PM


Posted by Bruno at 02:19 PM

outubro 20, 2006

Uma Dúvida

Agora que a pergunta do referendo sobre a questão do aborto foi aprovada, coloco uma questão, para a qual, sinceramente, não tenho resposta: sendo que considero que a questão do aborto deveria ser tratada no Parlamento, não num referendo, que deveriam ser os meus representantes, por mim eleitos, a pronunciarem-se sobre esta questão, pois foi para legislarem que eu os elegi, sendo que sou da opinião de que um referendo sobre esta matéria nunca se deveria ter realizado, e que, independentemente da escolha da maioria dos deputados, deveriam ser eles a decidir sobre esta questão, deverei ou não votar no referendo? Deverei abster-me, por achar que esta é uma questão em que eu, como qualquer cidadão, posso ter uma opinião, mas não ser minha função, nem de qualquer outro que não os meus representantes, decidir sobre uma matéria legislativa?

Posted by Bruno at 11:07 PM

outubro 19, 2006

Marie Antoinette

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Quando vêmos Marie Antoinette (Kirsten Dunst) deitada num sofá, a comer um pedaço de bolo enquanto uma aia lhe massaja um pé, temos a mesma reacção que ao ver a Lux Lisbon de The Virgin Suicides (a mesmíssima Kirsten) piscar-nos o olho sob um fundo de nuvens, ou o rabiosque de Scarlett Johansson em Lost in Translation. Não podemos evitar esboçar um pequeno sorriso. Como temos também a mesma reacção que ao entrarmos em Versailles numa solarenga tarde de Inverno: não podemos deixar de pensar que, perante algo assim, talvez Deus exista (claro que, logo de seguida, nos lembramos dos franceses, e pensamos que, mesmo que Deus exista, não deve ser lá grande coisa). Quando Marie Antoinette acorda, estará de partida para França. Irá abandonar a corte austríaca onde foi criada, e aos 14 anos, tornar-se-à a dauphine da França. Ao chegar à fronteira, será entregue aos cuidados da corte francesa. Tem de largar tudo o que seja austríaco, incluindo as amigas, o cão que leva no colo, até as roupas. Despida à frente das novas aias, passa a ser francesa ao sair do outro lado da fronteira, já nas roupas de uma futura rainha de França. Versailles é para ela um mundo novo, mais opulento mas também de regras mais rígidas. Sozinha num país que não o seu, entra em contacto com as intrigas da corte, onde todos dizem mal de todos, inclusive dela e do seu jovem marido. Marie Antoinette precisa de ter um filho, mas o futuro Louis XVI conhece melhor os mistérios das fechaduras de madeira do que os da vida. A jovem austríaca sente a pressão do ambiente da corte, não sendo de estranhar que prefira a companhia das suas aias e amigas, e os passeios nos jardins de Versailles, ou as idas à Ópera de Paris. Longe de ser a vilã da propaganda revolucionária que, já rainha, recebe no palácio, Marie Antoinette é apenas uma jovem rapariga, tentando viver em paz nos bonitos jardins que o privilégio (e a necessidade de amizade e paz entre a França e a Áustria) colocou à sua disposição.

Quando Marie Antoinette, terceiro filme de Sofia Coppola, estreou no festival de Cannes, foi vaiado pelos críticos franceses. Não fazia uma reflexão sobre o papel político da rainha, e isso, pelos vistos, não foi visto com bons olhos. Não faz, nem devia fazer. Um filme sobre uma rapariga de 14 anos que, de repente, se vê sozinha num país estrangeiro, casada, e com a responsabilidade de representar uma importante aliança entre as duas famílias reais, não pretende ser um filme que reflicta sobre o papel político de ninguém. É um filme que pretende perceber o que passa pela cabeça dessa rapariga de 14 anos, o que ela sente, e o que sentirá nos anos seguintes, à medida que ela própria envelhece, à medida que o fim desse mundo que é o dela se vai aproximando, com a alvorada da revolução. O filme foi também bastante criticado pelo seu uso de música pop. Pelos vistos, trata-se de um anacronismo, intolerável num filme que se pretende sério. De facto, no século XVIII, os New Order ainda não tinha editado nenhum álbum, as guitarras eléctricas ainda não estavam na moda, e os Converse All-Star não eram usados nos pés das meninas de bem. Mas como escreveu um crítico dos Cahiérs du Cinema a propósito do filme, no século XVIII também não existiam câmeras de filmar, e não é por isso que se deixam de fazer filmes cuja acção se desenrola no século XVIII.

Na realidade, aquilo que tanto ofendeu os críticos é talvez o grande mérito do filme de Coppola. Ela consegue fazer um filme de época, conseguido fugir ao espartilho do género, conseguido escapar às suas restrições. Consegue fazer algo de novo, algo de radicalmente novo, com um género que tradicionalmente se pretende o mais "antigo" possível. E consegue-o, no entanto, sem renegar a tradição cinematográfica desse género em que o filme se insere. Ao ver Marie-Antoinette, é impossível não pensar em Barry Lyndon, por exemplo. O cuidado na filmagem da paisagem, a atenção à luz do sol e à forma como esta ilumina os personagens, por exemplo, a atenção à forma como os personagens se mexem, às regras da corte, o ritmo (lento) do próprio filme, em tudo faz lembrar o filme de Kubrick. Há até um funeral de uma criança, como em Barry Lyndon, em que a expressão de Kirsten Dunst faz recordar a de Marisa Berenson (o guarda-roupa, curiosamente, foi desenhado pela mesmo senhora do filme de Kubrick). Marie Antoinette é, em termos formais, o filme mais completo de Coppola. O risco que correu ao tentar fazer algo de novo com um filme de época, sem descaractrizar o género, é claramente recompensado pelo resultado final. E o facto de ter corrido esses riscos, maiores do que os que tinah corrido com os filmes anteriores, sem perder o tom que lhes dava a sua qualidade, faz com que esse resultado mereça ser ainda mais valorizado.

Kirsten Dunst tem aqui o papel da sua consagração. Jason Schwartzman é bastante eficaz no seu papel do tímido e inexperiente Louis XVI, e as personagens secundárias (especialmente a pouco prolífica Judy Davis) são também irrepreensíveis. Mas Dunst é o raio de sol deste filme. Como diz a certa altura uma personagem do filme, ela é "adorável", como que "uma fatia de bolo". Não é em vão que Dunst afirma que ninguém a sabe filmar como Coppola. E em The Virgin Suicides Coppola não a filmou como o faz aqui. Nunca Dunst esteve tão bonita como está aqui, a dar de comer a ovelhinhas com a filha, ou a sorrir de timidez para o magote de pessoas em seu redor para a vestirem de manhã, nuazinha, tremendo de frio porque as regras do protocolo estão a atrasar a colocação da primeira peça de roupa. Num filme como um tom muito mais próximo de The Virgin Suicides do que de Lost in Translation, com a sua mistura de pequenos apontamentos de humor e tragédia, a capacidade de Dunst interpretar as jovens raparigas que são as heroínas dos filmes de Coppola não podia ser mais adequada. Aquele sorriso, sincero mas deixando transparecer alguma tristeza, que Dunst consegue lançar para ecrã, é perfeito para o tom dos filmes de Coppola.

Este é o outro grande mérito de Marie Antoinette. Embora talvez um pouco aquém dos dois anteriores (excepto no aspecto formal, como atrás referi), Coppola conseguiu aqui manter-se fiel ao conteúdo dos seus outros filmes. Com Marie Antoinette, um filme que poderia, à partida, parecer deslocado da sua obra, Coppola confirma-se enquanto "autora". Como nos filmes anteriores, enche Marie Antoinette de pequenos pormenores. Se Lux Lisbon era filmada dentro de um táxi, olhando para rua, e Bob e Charlotte olhavam pela janela do táxi espantados para Tóquio, aqui, Marie Antoinette é filmada através da janela da sua carruagem, olhando tão espantada para Versailles como as personagens de Lost in Translation para a capital japonesa. Como Lux Lisbon fantasiava com Trip Fontaine, Marie Antoinette fantasia com o seu amante, militar sueco. Se Bob apenas falava com a mulher através do fax ou do telefone, Marie Antoinette apenas fala com a sua mãe através de carta. Como nos seus filmes anteriores, a música é usada para exprimir o estado de espírito das personagens. Se em The Virgin Suicides as irmãs Lisbon participavam um baile escolar, em que Lux era coroada rainha, se em Lost in Translation Bob e Charlotte dançavam e cantavam karaoke na casa de um amigo japonês, aqui, Marie Antoinette e as amigas vão disfarçadas a bailes de máscaras com músicas dos Banshees, e organizam festas em Versailles. Como as irmãs Lisbon e Charlotte, Marie Antoinette disfarça a sua solidão experimentando vestidos e penteados. Se em The Virgin Suicides a casa dos Lisbon acabava abandonada, aqui teremos uma sala de Versailles destruída. Se Charlotte deambulava pelas ruas de Tóquio, Marie Antoinette não fica menos deslumbrada com Versailles. E como Lux saltava nos campos de trigo da imaginação dos rapazes de The Virgin Suicides, e Charlotte passeava nos jardins de Kyoto, Marie Antoinette passeia-se pelos jardins do Petit Trianon, com uma luz do Sol que torna Dunst mais luminosa que nunca, brincando com os filhos, e tendo, finalmente, alguma paz.

Mas acima de tudo, todos os filmes de Coppola são sobre jovens raparigas, de uma forma ou de outra, sós. Se as irmãs Lisbon viviam afastadas do mundo pela rigidez dos seus pais, não a suportando, se Charlotte se sentia só num país estranho como era o Japão, sentindo dificuldade em se adaptar ao casamento, e ansiosa em relação ao futuro, Marie Antoinette mais não é do que uma rapariga de 14 anos, atirada para a corte de um país que não o seu, desesperando com o seu casamento e as dificuldades que este traz, e enfrentando a rigidez do protocolo e as intrigas da corte, quando tudo o que quer fazer é ter alguma paz, é poder ver o nascer do sol junto às fontes de Versailles. Uma rapariga que é forçada a enfrentar as dificuldades da vida adulta, forçada a crescer, tal como o marido (como ele diz, a certa altura, são "demasiado novos para governar"), num mundo que sabemos ir acabar quando a turba multa da Revolução sair para rua. E quando Marie Antoinette se despede de Versailles, sabemos que aquela não foi a última vez que baixou a cabeça perante a multidão enraivecida. Como sabemos que, depois da próxima, já não terá cabeça para baixar.

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Posted by Bruno at 06:29 PM

O Insurgente

Assustado pela recente ocupação do Rivoli, o Grande Colectivo Insurgente decidiu mudar-se para outras paragens. Agora terei que ir lá escrever qualquer coisa, para não ser excluído da nova residência.

Posted by Bruno at 06:23 PM

outubro 18, 2006

Por lapso meu, o texto de ontem surgiu sem título. Já foi corrigido.

Posted by Bruno at 11:47 PM

A Ler

O Governo apresentou a sua proposta de Orçamento de Estado para 2007. A forma como o apresentou aos órgãos de comunicação social, no que diz respeito à questão da despesa pública, não corresponde ao verdadeiro conteúdo do Orçamento. A propaganda do Governo em torno do Orçamento, com o senhor Ministro das Finanças a ser filmado, no Telejornal da RTP, a beber cafézinho, a dizer "muito obrigado" várias vezes à empregada que o foi entregar, enfim, a ter direito a mostrar o seu "lado humano", e a explicar aos jornalistas como "certos órgãos de comunicação social" são mal-intencionados ou não percebem de economia, tudo na televisão pública, tudo com o dinheiro do contribuinte, não corresponde ao verdadeiro conteúdo do Orçamento proposto. Sobre esta questão, vale realmente a pena ler o texto do Rodrigo Adão da Fonseca no Blue Lounge.

Posted by Bruno at 11:36 PM

outubro 17, 2006

O preço a Pagar Pela Governação de Sócrates 2

O Eduardo Nogueira Pinto respondeu ao que aqui escrevi ontem. O Eduardo considera que a agitação social provocada pelos remendos do actual Governo é positiva para futuros reformadores, visto que, quanto mais greves e manifestações os sindicatos fizerem, menos serão levados a sério no futuro. Não contesto, Eduardo, que os sindicatos se descredibilizem, aos olhos do restante eleitorado, de cada vez que saem para a rua, e até já o escrevi aqui. O problema está em que a contestação, ou pelo menos, o descontentamento, não se esgota nos sindicatos. E receio (era isso que queria dizer ontem) que uma parte significativa do eleitorado, pessoas afectadas directamente pelos remendos da governação socialista, não estejam dispostas a dar o seu apoio a reformas que acabarão por os afectar ainda mais. Como elas não estão a ser feitas agora, continuaremos a viver com um estado de coisas que dificultará cada vez mais a vida de todos, ao mesmo tempo que diminui a margem de manobra para mudar esse estado de coisas.

Posted by Bruno at 06:44 PM

outubro 16, 2006

O Preço a Pagar Pela Governação de Sócrates

O Paulo Pinto Mascarenhas e o Eduardo Nogueira Pinto envolveram-se numa pequena polémica, em torno da governação do nosso Primeiro-Ministro, e dos seus méritos ou deméritos. Para o Paulo, Sócrates fica sempre a "meio-caminho", o que o Paulo vê como sendo motivo para o criticar. O Eduardo, reconhecendo que Sócrates não vai tão longe como deveria ir, acha que é preferível que ele ande pouco a ficar quieto. Ambos rejeitam a visão de um Sócrates verdadeiramente reformista, reconhecendo que as medidas do governo pouco mais são do que meros remendos, mas o Eduardo, ao contrário do Paulo, considera que alguns dos elementos introduzidos por esses remendos são meritórios, e o Governo deve ser reconhecido por isso.

Percebo a posição do Eduardo. Apenas me parece que ele ignora um outro factor, o preço que pagamos por Sócrates não ir tão longe como seria desejável. Aquilo que o Eduardo, ou qualquer pessoa sensata aliás, vê como sendo correcções de aspectos manifestamente injustos do "Estado-Providência", são, para muitas pessoas, ataques frontais à sua vida, às suas expectativas. É apenas e só normal que eles fiquem descontentes. Não só é normal, como em parte, é isso que o Primeiro-Ministro pretende. Os protestos contribuem para a sua imagem de "reformador corajoso", e é dessa imagem que este Governo vive. Mas para manter o Estado-Providência à tona de àgua, terá de continuar a corrigir alguns dos seus aspectos mais injustos e ineficazes, provocando um maior descontentamento popular. E por muito diminutas que sejam essas "reformas", o descontentamento que elas geram fará com que os eleitores não estejam dispostos a continuar com os "sacríficios" que lhes têm sido pedidos. Será impossível, no futuro próximo, a qualquer partido, apresentar um conjunto de propostas que vá mais longe que as "reformas" de Sócrates. O Eduardo diz que Sócrates, mesmo não estando a ir tão longe como deveria, está a ir mais longe do que o PSD ou o CDS alguma vez estiveram dispostos a ir. Talvez seja verdade. Mas ao não fazer reformas significativas, sem no entanto conseguir evitar o descontentamento de uma parte considerável do eleitorado, Sócrates está a degradar as condições que serão necessárias, a qualquer partido, para que se possam realizar as verdadeiras reformas que não estão a ser feitas. Sócrates não só não as faz, como as torna mais difíceis de fazer no futuro. E este é um elemento que devemos ter em conta na avaliação do actual Governo.

Posted by Bruno at 10:18 PM

outubro 15, 2006

Imperdível

A edição desta semana do Times Literary Suplement, sobre a escrita da História nos dias de hoje. Os temas, as abordagens, as diferenças em relação ao que se fazia no passado. Para quem possa comprar, vale mesmo a pena ler.

Posted by Bruno at 10:44 PM

outubro 14, 2006

As Motivações da Coreia

Em 2002, no seu State of the Union Adress, o Presidente dos EUA, George W. Bush, referiu-se ao Iraque, Irão e Coreia do Norte como constituintes de um "Eixo do Mal", de estados-pária hostis aos EUA, com ambições de adquirir armas de destruição massiva, que estariam depois em condições de entregar a grupos terroristas que com eles partilham esse ódio aos EUA. Com a invasão do Iraque, ficou claro que o que Bush ameaçava era para ser levado a sério: se esses regimes não provassem que haviam desistido de adquirir essas armas, os EUA teriam de intervir. Agora que a Coreia do Norte realizou um ensaio nuclear, tem-se espalhado a ideia de que tal só aconteceu devido a essa intransigente política norte-americana. Que a Coreia do Norte acelerou a sua procura de armas nucleares, porque a invasão do Iraque teria fornecido uma lição: a única forma de impedir um ataque americano, é a aquisição de armas nucleares. O facto de ser abundantemente partilhada não torna esta ideia menos errada.

Em primeiro lugar, parece ignorar que a ameaça nuclear da Coreia do Norte não é posterior à invasão do Iraque, nem sequer ao discurso de 2002, nem sequer à eleição de Bush. Nisto, o seu caso é semelhante ao do Irão. Não foi em vão que ambos foram incluídos no dito "Eixo do Mal". Vários responsáveis do regime iraniano tinham já defendido a necessidade estratégica da aquisição de capacidade nuclear, e já vários testes de mísseis, cada vez com um alcance maior, haviam sido realizados. A Coreia do Norte, por sua vez, viu ser descoberto pelo Ocidente, em 1994, um programa de desenvolvimento nuclear, e desde então, tem vindo a prossegui-lo, ao mesmo tempo que promete suspendê-lo em troca de ajudas financeiras. Em segundo lugar, essa ideia pressupõe que o regime norte-coreano tenha compreendido mal as palavras de Bush. Se é verdade que o objectivo principal de Pyongyang é a sobrevivência do regime, as palavras de Bush indicam que para o conseguir, para manter afastada a hipótese de um ataque americano, tudo o que Pyongyang tem de fazer é renunciar ao programa nuclear, e não insistir nele. Os EUA não têm interesse em partir para uma guerra com a Coreia do Norte, e só o fariam se a tal fossem obrigados. Ou seja, o ensaio nuclear coreano não é motivado por um receio de um iminente ataque americano, por um receio do imperialismo americano, que vê na aquisição de armas nucleares a única forma de dissuadir esse mesmo imperialismo. Quanto muito, será uma percepção de fraqueza dos EUA que dá mais confiança a Kim Jong Il.

O Iraque não mostrou a Pyongyang que precisa de se despachar a adquirir capacidade nuclear para sobreviver. A situação que os EUA enfrentam no Iraque faz com que a Coreia do Norte sinta que pode desenvolver o seu programa sem que os EUA tenham capacidade de fazer alguma coisa contra isso. Mais uma vez, é uma situação semelhante à do Irão. Teerão não teme um ataque americano. Teerão pretende explorar a aparente fragilidade americana no Iraque para levar os seus intentos o mais adiante possível, e afirmar-se como potência regional.

A ideia de que é a agressividade americana que apressa o regime norte-coreano ignora também razões mais próximas para o desenvolvimento de um programa nuclear. Para o perceber, vale a pena ler o brilhante artigo de Robert Kaplan na Atlantic Monthly. O regime quer, obviamente, sobreviver. Até aqui, tem sobrevivido essencialmente devido ao apoio dado pela China. Mas esse apoio tem um preço. Segundo Kaplan, a China está muito perto de ter o controlo absoluto de tudo o que possa ter um interesse estratégico e militar na Coreia do Norte, como por exemplo, minas e caminhos de ferro. Se a China receia a queda do regime, por poder ter de enfrentar uma vaga de refugiados esfomeados, com que teria de lidar com grande dificuldade, o regime de Pequim sabe também que tem bastante a lucrar com a queda de Kim Jong Il, e a sua substituição por novos líderes pró-chineses: a dependência coreana das suas ajudas iria continuar, o que significa que a chantagem chinesa também não terminaria com a queda da actual liderança. Segundo Kaplan, a China demonstra um grande interesse pelas regiões costeiras norte-coreanas junto à Rússia. Como a Coreia do Norte não pode fazer chantagem com a China (porque depende totalmente dela), faz chantagem com quem está, em termos relativos, se encontra mais fraco. Neste caso, e por paradoxal que possa parecer, os EUA.

Como Bush, percebeu, e referiu no seu discurso em 2002, uma Coreia do Norte com capacidade nuclear poderia passar esses meios para grupos terroristas. Uma Coreia do Norte nuclear é, portanto, um enorme risco para os EUA. E a Coreia do Norte percebe-o. Por isso, acelera o seu programa nuclear. Como também percebe que os EUA pouca ou nenhuma margem de manobra têm. Um ataque à Coreia do Norte significaria, segundo Kaplan, uma retaliação de Pyongyang contra Seul, causando baixas numa sociedade sul-coreana que não só responsabilizaria os EUA por essas mortes, como está pouco interessada numa queda do regime de Kim Jong Il (não quer ter de pagar o preço que a Alemanha Ocidental pagou pela reunificação com a Alemanha comunista). Aos EUA restam duas opções: esperar que países que preferem manter tudo mais ou menos como está, como a Rússia e o Japão (que terão a temer a influência da China sobre uma Coreia do Norte sem Kim Jong Il) a Coreia do Sul (que teme o preço da reunificação) e a China (que mais tem a ganhar com a momentânea sobrevivência do regime, e uma posterior substituição do mesmo), lhe resolvam o problema, ou partir para negociações directas. A intenção do regime norte-coreano parece ser forçar os EUA a realizarem essas negociações directas, para depois garantir uma melhor posição negocial perante a China (como diz Kaplan, quanto mais forte o regime parecer, melhor poderá lidar com o que mais o preocupa, ou seja, Pequim), ou, quem sabe, a receber dos EUA ajuda financeira que torne a Coreia do Norte e o seu regime menos dependente de uma China que a quer dominar, substituindo-o.

Ao contrário do que tem sido abundantemente afirmado, não é a política externa de cowboy de George W. Bush que, provocando um tremendo receio em Kim Jong Il, tenha provocado o desejo deste de adquirir o mais rapidamente possível armas nucleares. Pelo contrário, foi a falta de receio do que os EUA possam fazer, que faz com que Kim Jong Il se sinta suficientemente seguro para procurar algo que sabe ser visto pelos EUA como uma ameaça. É a percepção de uma fraqueza americana, deixada pela crise iraquiana, e a diminuta margem de manobra dos EUA no labirinto geoestratégico da Ásia, que leva a Coreia do Norte a desafiar Washington. Para que, dessa forma, possa dispensar aquilo que realmente teme, as ambições da China.

Posted by Bruno at 09:50 PM

outubro 13, 2006

A Ler 3

O que merece realmente ser lido, é o texto do meu caro amigo Paulo Ferreira, sobre Nélson, o antigo guarda-redes do Sporting, formado no Torreense (onde o Paulo deu uns chutos na bola e no peito de um adversário), e agora ao serviço do Vitória de Setúbal. Pelo meio, há referências a coletes vermelhos suados em treinos de captação, a jogadores obscuros como um tal de Jaime Baldé, ou um rapaz, de seu nome Cláudio Oeiras, que o Benfica contratou porque um dia (que o Paulo lembra) fez a bola parar nas redes do Futebol Clube no Porto (cuja eliminação seria tema do Fórum TSF do dia seguinte. Foi o ponto alto da carreira de Cláudio Oeiras. Nunca mais viria a marcar a agenda do Fórum TSF, e golos só mesmo na II Divisão B), às assistências que o dito Nélson fazia para os golos dos adversários, ao facto de Ricardo tão depressa "jogar para o frango" como "para ser dos melhores da Europa", a falta de oportunidades dadas a Nélson para "cuspir na borracha das luvas", sentado no "banco frio" de Alvalade. E conclui com a importância do (até agora negligenciado) uso do apelido Pereira para a sobrevivência da carreira de Nélson.

Posted by Bruno at 11:16 PM

A Ler 2

A chamada de atenção do Paulo Gorjão para as críticas que o então candidato a Secretário-Geral do PS, José Sócrates, fez ao então Primeiro-Ministro, Pedro Santana Lopes, quando este anunciou a possível introdução de taxas moderadoras diferenciadas para a saúde.

Posted by Bruno at 11:07 PM

A Ler

Sobre o Nobel da Paz deste ano, os elogios do JCD (aqui e aqui), e receio do António Amaral de que uma boa ideia seja estragada pelos efeitos do seu reconhecimento.

Posted by Bruno at 10:36 PM

outubro 12, 2006

Sócrates e a Rua

Depois da manifestação de professores, na passada quinta-feira, as ruas de Lisboa foram novamente palco de fortes protestos contra o Governo. A CGTP teve bastante sucesso com o "protesto geral" de hoje. Parou o trânsito em Lisboa. Conseguiu fazer com que uns gritos contra o Governo atrapalhassem a vida de inúmeras pessoas. O que a CGTP não parece perceber é que, por cada greve que realizar, por cada manifestação que sair para a rua, Sócrates sairá beneficiado. O Governo vive da imagem do seu Primeiro-Ministro. E a imagem do Primeiro-Ministro vive da alimentação da ideia de que está sempre disposto a enfrentar o que for preciso, da ideia de que é um "animal feroz" que luta contra todos os privilégios, da ideia que nunca é amedrontado pelos protestos. A fraqueza dos sindicatos não é exemplificada pelo número de pessoas que conseguem pôr nas ruas a gritar contra o Governo. É demonstrada pela evidência de que não conseguem fazer outra coisa que não seja pôr pessoas nas ruas a gritar contra o Governo. E pela ineficácia do método.

Posted by Bruno at 10:57 PM

outubro 09, 2006

O Que Faz Correr um Animal Feroz

Há alguma coisa que o comum português aprecie mais num político do que a vontade de enfrentar Alberto João Jardim?

Posted by Bruno at 10:45 PM

A Ascensão da Blogosfera

Quando Pedro Arroja tinha umas crónicas na TSF, era bastante novinho. O senhor meu pai dizia que tinham sido essas crónicas a "convertê-lo". Anos mais tarde, num livro de crónicas de Vasco Pulido Valente, vi uma referência a Arroja, que havia criticado a lei de doação de órgãos aprovada na altura. Lembrei-me do assunto ter sido discutido aqui em casa nessa altura, e acabei por ficar com curiosidade acerca dessa figura mítica, que havia abandonado os jornais e a rádio. Em conversas com o JCD e o Miguel Noronha e outros insurgentes, a curiosidade aumentou. O Miguel falou do livro com as suas crónicas na imprensa escrita, que comprei (confesso que ainda não acabei de ler). Pedro Arroja começou hoje a escrever no Blasfémias. Independentemente da opinião que uma pessoa possa ter acerca de Arroja, a capacidade que a blogosfera tem de atrair pessoas como ele, com acesso a outros meios, mais "clássicos", de informação, ou que nem sequer neles querem participar, mostra a vitalidade deste meio. Quer se concorde quer não com Pedro Arroja, quer se goste quer não do seu estilo (pessoalmente, foi isso que mais me agradou no livro), a sua entrada no Blasfémias é um sinal positivo para a blogosfera em geral.

Posted by Bruno at 10:29 PM

Sobre a Coreia

Sobre o ensaio nuclear realizado pela Coreia do Norte, vale a pena ler o texto do correspondente asiático do Times.

Posted by Bruno at 10:25 PM

A Ler

Ainda sobre a questão da atribuição, à cidade de Guimarães, a realização da Capital Europeia da Cultura em 2012, o que, no Arte da Fuga, escreveu o Adolfo Mesquita Nunes.

Posted by Bruno at 10:18 PM

outubro 08, 2006

Guimarães Capital da Cultura

O Governo esteve ontem em Guimarães, onde realizou um Conselho de Ministros informal (ou seja, um Conselho de Ministros igual aos outros, mas no qual os ministros não usam gravata nem vergonha na cara, especialmente vocacionado para acções de propaganda, ideal para fins-de-semana após uma greve incómoda para o governo). Nele foi anunciado que Guimarães seria, em 2012, Capital Europeia da Cultura. Segundo a ministra do sector, esta era uma oportunidade de "aproximar" Guimarães dos "povos da Europa". Não vai aproximar nada. Guimarães ficará no mesmo sítio, e os únicos vimaranenses que irão ficar mais próximos dos "outros povos da Europa" serão os que tiverem a sorte de emigrar. Mas podemos ter algumas certezas. Os vimaranenses serão durante anos importunados pela obras que irão abundar na cidade nos próximos anos. Os contribuintes de todo o país irão dispender mais uns quantos milhões. E o evento terá tanto sucesso como teve em Lisboa em 1994, e no Porto em 2001. O Governo lucra com a acção de propaganda, como lucrará o que estiver no poder na altura, com a realização de mais uma celebração da "capacidade portuguesa" para "organizar" eventos "de grande dimensão", que "prestigiam" o país aos olhos dos nossos "parceiros". O Governo que se seguir a esse, terá de obrigar os cidadãos a pagar o desperdício.

Posted by Bruno at 09:53 PM

outubro 06, 2006

A Ler

O artigo de Andrew Gimson no Telegraph, sobre a forma como os políticos (neste caso, David Cameron) usam as suas famílias para seu benefício político, e os problemas que isso traz. Um pequeno excerto:

"Mr Cameron's references to his eldest child, who suffers from a severe disability, are heart-rending(...) Handicapped children should not be shut away and forgotten, as has sometimes happened in the past. Perhaps it eases Mr Cameron's pain to show so often and so publicly that he has not forgotten his older son, and the Tory leader's championing of special schools is all the more convincing because he has such direct personal experience of the need for them.

(...)Perhaps we have become so prurient that we force them to invade their own privacy. Perhaps we have such a craving for fairy tales that we oblige our politicians to go in for the ghastly Hello!-style presentation of their own families, in which the Browns or the Camerons are found to be wonderfully loving and close, and so steadfast in the face of tragedy.

One problem with this intrusion, or this forced self-exposure, is that it must put people off the idea of going into politics. Who but a manic exhibitionist wants their children to grow up in the glare of publicity? One of the horrors of belonging to the Royal Family must be the intense interest in one's private life. It is hard enough to get married without everyone watching your search for what you hope will be the right person."

Posted by Bruno at 10:22 PM

outubro 05, 2006

Nobre Guedes

Luís Nobre Guedes está dar uma entrevista à RTP. Já deve estar farto de atacar "esta direcção" do PSD, e não se cansa de elogiar o "bom" Governo de José Sócrates. Os jornais já falam de um "golpe" contra Ribeiro e Castro, depois do referendo sobre o aborto. Nobre Guedes está cheio de vontade de traçar o rumo do CDS/PP, e, pelo que disse na entrevista, só falta saber se será ele a encabeçar o projecto, ou se será Portas. Porquê tantos ataques ao PSD, e tantos elogios ao Governo do PS? Ou são sinais de um regresso à aproximação entre PS e CDS/PP que Portas ensaiou há uns anos, ou uma tentativa de afastar a actual direcção do PSD, para dessa forma permitir que outra, mais disposta a uma coligação com uma nova direcção do CDS/PP, possa tomar conta dos destinos do partido laranja.

Posted by Bruno at 09:32 PM

outubro 03, 2006

Souto Moura

O ainda Procurador-Geral da República, Souto Moura, apresentou hoje um livro. Um livro da sua autoria, revelando o seu pensamento sobre a Justiça. Não quero ser demagógico, mas é no mínimo de mau gosto que o Procurador-Geral da República, que precisou de vários meses para conduzir uma investigação que o Presidente da República de então considerava "urgente", tenha ocupado parte do seu tempo a escrever um livro sobre a Justiça, que lança ainda no exercício das funções, aproveitando a curiosidade mediática que a sua última semana no cargo inevitavelmente gera para fazer publicidade à dita obra.

Posted by Bruno at 10:17 PM

outubro 01, 2006

Tiro Pela Culatra

A recente "polémica" da proposta de Zita Seabra, noticiada pelo Expresso, desmentida por Portas e Marcelo (descredibilizando as primeiras páginas do Expresso, o que deve dar muito jeito ao jornal onde ambos colaboram, o Sol), e já abandonada pela deputada, vem mostrar, a quem ainda não tivesse percebido, por que razão tem o PS tanta vontade de realizar um referendo sobre a questão do aborto. Não há assunto que atraia mais distracção que este, mais "ruído" que este, e não há nada que o Governo deseje mais do que "ruído" para distrair os cidadãos. Mas talvez o tiro lhe saia pela culatra. Sócrates decerto conta com as divisões que o referendo irá provocar no seio da oposição, e em particular, no seio do PSD. Talvez não esteja a contar com divisões no seio do Governo. Mas devia. Não falo de uma divisão entre apoiantes do "sim" e do "não", mas entre os que farão campanha pelo "sim", e os que se manterão afastados (quer por irem votar "sim" sem o querer declarar, quer por irem votar "não" sem o querer declarar). Se porventura o "não" ganhar, os que se tiverem mantido calados na campanha serão crucificados pelos que defenderam activamente o "sim". Serão acusados de "traição", de "timidez", de serem responsáveis pela derrota. Mais do que uma "política de direita", mais do que o "socialismo na gaveta", uma derrota do "sim" no referendo, se algumas das suas principais figuras não participarem na campanha, irá provocar feridas profundas no PS. Quando se aposta na confusão para lucrar politicamente, corre-se o risco da confusão nos vir bater à porta.

Posted by Bruno at 09:47 PM