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setembro 30, 2006
Já nas Bancas
A Atlântico deste mês, com artigos de Rui Ramos sobre o 5 de Outubro e a I República, Luciano Amaral sobre o Presidente da República e o Orçamento que a Assembleia irá discutir, Pedro Picoito sobre o casamento homossexual, André Azevedo Alves sobre o crescimento eleitoral do BNP e do UKIP, Nuno Garoupa sobre o PP espanhol, e Rodrigo Adão da Fonseca sobre a Segurança Social. Com menos qualidade, a habitual crónica deste vosso jovem, que, em plena polémica sobre a magreza das modelos, e por pura coincidência, fala sobre o preconceito de que os magros são alvo.
Posted by Bruno at 09:58 PM
setembro 29, 2006
Melhor que o Major
Há nos que me esforçava por isso, e finalmente consegui: o nosso maradona dispensou (até que as venha a apagar, daqui a uns dias) algumas das linhas do seu blog a este vosso escriba. Finalmente, fui atacado por esse asmático da Trafaria, naquele que é sem dúvida o ponto alto da minha carreira blogosférica. Fiquei apenas um pouco surpreso por, noutro post, o maradona não saber que "aquele guarda redes sueco do Mundial de 94" se chama Thomas Ravelli, embora fique mais descansado por ele ter reparado que o Nani só marcou o golo contra o Spartak por não ter sabido dominar a bola. Espero que tenhas também reparado que o golo do Manchester United foi feito com dois ou três passes a menos do que os deviam ter sido feitos, só dando em golo porque aquele rapaz brasileiro do Benfica ainda não percebeu qual dos dois pés é o esquerdo e qual o direito. Bem, agora vê se tiras a frase do major Valentim Loureiro do description (antes que perguntes, aquela coisa debaixo do título) e pões a minha, que ainda consegue ser melhor.
Posted by Bruno at 03:25 PM
Alberto Martins 2
Devo fazer uma pequena correcção ao meu texto de ontem. Alberto Martins já fez, numa ocasião, uma pergunta ao Primeiro-Ministro, e eu até me recordo de qual: "Sr. Primeiro-Ministro, Vossa Excelência vai continuar a demonstrar a que coragem que tem mostrado até aqui?".
Posted by Bruno at 03:22 PM
setembro 28, 2006
Alberto Martins
Nenhum dos abundantes comentários acerca do debate parlamentar de ontem refere as intervenções de Alberto Martins. Eu tenho por hábito ver, todos os meses, os debates com o Primeiro-Ministro. Todos os meses, vejo as vergonhosas intervenções do líder da bancada parlamentar do PS. Se Alberto Martins fizesse uma perguntinha que fosse ao Primeiro-Ministro, mesmo que se tratasse de uma daquelas perguntas elaboradas pelo gabinete do Primeiro-Ministro que são entregues ao filho do dr. Candal ou àquela outra senhora que costuma intervir nestas ocasiões, talvez as poucas pessoas que assistem a esses debates pudessem ficar melhor esclarecidas quanto ao teor das propostas do Governo. Mas Alberto Martins prefere massajar o ego de Sócrates, louvando a sua "coragem", a sua "firmeza" ou a sua indomável "vontade reformadora", ou atacar o PSD por desejar a "pobreza" e a "precariedade" de todos os portugueses. Em vez de contribuir para o esclarecimento dos poucos portugueses que, como eu, assistem a estes debates, Alberto Martins prefere contribuir para a descredibilização da classe política, alimentando a imagem dos políticos como pessoas que não fazem mais nada que não seja insultarem-se uns aos outros. Nem sequer parece perceber que ao fazê-lo, ao contribuir para a cada vez maior degradação da percepção que a opinião pública tem da classe política, dificulta a vida do próprio governo.
Posted by Bruno at 10:48 PM
setembro 27, 2006
Mais-Valias
Uma das coisas que mais lamento na vida é o facto de nem sempre poder ouvir o Fórum TSF. Hoje, por exemplo, participou um senhor, certamente militante do PCP, que, a propósito do tema "quais deveriam ser as prioridades do Governo e dos partidos políticos na nova sessão legislativa", para além de nelas incluir o fim da "ofensiva contra os povos da Jugoslávia, do Iraque e do Líbano", pedia a "nacionalização" das "empresas estratégicas" para dessa forma criar "mais-valias" para o país, e o fim das "mordomias dos gestores públicos". Ou seja, o senhor deseja uma economia maioritariamente constituída por empresas públicas geridas por gestores incompetentes (mas baratos), que vivam do dinheiro dos impostos das empresas privadas que criam riqueza, que assim seriam transferidas de uma actividade produtiva (e do seu reinvestimento), para outra que a única coisa que gera é desperdício. No fundo, empresas que vivam da sucção das "mais-valias" que deveriam criar. E claro, o fim da "ofensiva dos povos da Jugoslávia, do Iraque e do Líbano". Talvez enviando-os para a Coreia do Norte.
Posted by Bruno at 09:54 PM
setembro 26, 2006
Crimes
Andam a correr pelas televisões portuguesas dois anúncios a um daqueles produtos para a pele que as mulheres usam, que conta com a luminosa presença de Scarlett Johansson. Nada tenho contra a presença de Scarlett Johansson no que quer que seja, mas aqueles anúncios deviam ser proibidos. Dobrar a maravilhosa voz da maravilhosa Scarlett com a vozinha irritante de uma qualquer nativa é um crime que não deveria ser tolerado numa sociedade civilizada.
Posted by Bruno at 10:28 PM
O Nacionalista Shinzo Abe
Confesso que nada sei acerca do novo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. A não ser que os jornalista sportugueses (que pouco ou nada mais do que eu, deverão saber) já se decidiram a catalogá-lo como "o nacionalista" Shinzo Abe. Tudo bem simplificadinho, como gostam.
Posted by Bruno at 10:21 PM
setembro 25, 2006
Sol e Expresso
Neste fim-de-semanaude, mais uma vez, comparar os dois semanários. O Sol continua a parecer-me fraquinho, e o Expresso, ao contrário do que é costume, tinha alguma coisinha para ler, para além dos seus colunistas. Sinceramente, parece-me que o Expresso não só é melhor que o Sol, como está melhor do que era. No entanto, ambos são mais fracos que a edição de Sábado do Público.
Posted by Bruno at 06:28 PM
setembro 24, 2006
Cunhal


Meti na cabeça que, nestas férias (que estão a terminar, nem as férias de um estudante universitário duram para sempre), tinha que ler os três volumes da biografia de Álvaro Cunhal por Pacheco Pereira. Por razões óbvias (as mais de mil páginas da coisa, o ambiente pouco convidativo à actividade intelectual provocado pelo calor de Agosto, o Mundial de Futebol, etc.), foi uma tarefa demorada. Mas os livros em causa não deixam de valer a pena.
Posted by Bruno at 09:33 PM
setembro 22, 2006
O Poder à Distância
Os Ministros da Administração Interna e da Justiça dos países-membros da UE reuniram-se hoje, numa terrinha finlandesa, para discutir a proposta da Comissão Europeu de adoptar a votação por maioria qualificada nas questões de "liberdade, justiça e segurança", em vez da actual exigência de unanimidade. Franco Frattini, o Comissário responsável por essa pasta afirmou, numa entrevista a David Rennie, do Telegraph, que esta "é a única forma de a Grã-Bretanha", e presume-se, os restantes estados-membros, "ter segurança" face à ameaça terrorista. Frattini considera que só pondo de parte os "egoísmos nacionais", permitindo que as Polícias, Serviços Secretos, forças da lei em geral, dos vários países, possam agir livremente em território dos outros estados-membros, para aumentar a sua eficácia na perseguição de terroristas, pedófilos, e criminosos da mais variada ordem.
Em Inglaterra, há um natural cepticismo em relação à medida, embora existam notícias contraditórias, umas garantindo que o governo irá aceitar a proposta, outras garantindo que não. A proposta não deve ser aprovada, no entanto, devido à recusa de alemães e irlandeses. Segundo Rennie, o governo alemão recusa a aprovação da proposta, pois considera que, estando ela prevista na "Constituição" Europeia, ela não deve ser aprovada fora do seu âmbito, para não desvirtuar um documento que a Alemanha aparentemente pretende ressuscitar. A Irlanda, por sua vez, considera que a perda do direito de veto nessas questões constitui uma perda de soberania inaceitável. É a posição mais sensata.
Frattini bem pode dizer que a proposta é relativamente limitada. Claro que Frattini acha que facilitar o acesso, por parte da Polícia de um país, aos registos de DNA de outro, é um avanço limitado, o que nos deve provocar logo algum receio. Mas mesmo que aceitemos a caracterização que Frattini faz da proposta, o que é um facto é que, perdido o direito de veto, alterações mais ambiciosas poderão vir a ser aprovadas no futuro, sendo forçosamente aplicadas em todos os estados-membros, mesmo que o governo e o parlamento de um determinado país as rejeitem, as considerem contrárias ao interesse dos seus cidadãos. A partir do momento em que o direito de veto nas questões de "liberdade, justiça e segurança" desaparecer, desaparece também o controlo que o parlamento dos estados-membros, ou seja, os representantes dos seus cidadãos, deveria exercer sobre a legislação nessa àrea.
Num artigo no Telegraph, Simon Heffer chamava a atenção para este facto. Um estado membro poderá ver ser aplicada no seu interior uma determinada pena para um determinado crime, sem que o seu parlamento a aprove. Poderá ver ser considerada crime uma determinada prática, sem que os representantes dos seus cidadãos o aceitem. Os parlamentos (teoricamente, o órgão legislativo de uma democracia representativa) perderiam a capacidade de legislar nestas áreas. Os cidadãos por eles representados, por sua vez, perderiam o meio de controle da actividade legislativa. Sujeitar as questões de justiça e combate ao crime a um processo de decisão por maioria qualificada é, em questões que afectam directamente as liberdades individuais dos cidadãos, transferir o poder para uma esfera cada vez mais distante desses mesmos cidadãos. Ao se retirar aos governos nacionais e aos parlamentos a liberdade de vetarem políticas que afectem as liberdades dos seus cidadãos, está-se a retirar a esses cidadãos a possibilidade de responsabilizarem alguém por essa decisão. Está-se a retirar aos cidadãos o meio de defenderem as suas liberdades.
Porque se, como diz Frattini, os "terroristas não conhecem fronteiras" (o que não é bem verdade, mas enfim), o mesmo não acontece com o controlo democrático das instituições. Eu só controlo aqueles em que posso votar, ou seja, os deputados portugueses, não os deputados espanhóis, franceses, ou ingleses. E os deputados portugueses apenas podem fiscalizar a actividade da Polícia portuguesa, dos tribunais portugueses, e não os italianos, alemães ou holandeses. Ao querer passar por cima dessas fronteiras, Frattini estará a passar por cima das liberdades individuais dos cidadãos, e do único meio que estes têm para as defender, a eleição dos seus representantes, que legislam sobre as questões que afectam essas liberdades, e que fiscalizam as instituições cuja acção serve para as proteger e salvaguardar.
Posted by Bruno at 09:57 PM
setembro 21, 2006
Ainda Sobre o Sol (post corrigido)
O aparecimento do Sol causou algumas reacções curiosas. Uma delas foi expressa, por exemplo, por Jorge Coelho, Pacheco Pereira, e antes, pelo meu caro colega insurgente António Amaral, no seu Arte da Fuga. Todos acharam o jornal fraco (Jorge Coelho não o quis dizer, mas toda a gente percebeu), mas no entanto, ficam contentes com o seu aparecimento. Apesar de mau, é um novo jornal, e como leitores de jornais, é sempre bom ver um novo jornal a aparecer. Devo dizer que eu próprio exprimi, cá para casa, palavras semelhantes. E imagino que este seja um sentimento partilhado pelos leitores de jornais em geral. Mas devo também dizer que julgo que este sentimento (que, mais uma vez, partilho) é em grande parte culpado pela (relativa) fraca qualidade dos nossos jornais. Os nossos melhores jornais são piores que os melhores jornais de outros países (das poucas vezes que compro o Telegraph, não me limitando a ler algumas das suas notícias e colunas na rede, gasto mais do dobro do tempo que ocupo a ler o Público e DN), e os piores só se distinguem dos piores dos outros países pela falta de meios. E grande parte dessa fraca qualidade se deve à falta de exigência do leitor de jornais. Ficamos contentes quando surge um novo jornal, por muito fraco que ele seja. No fundo, toleramos a mediocridade, desincentivamos a inovação, o que diminui a concorrência a produtos pobres (em qualidade) mas bem sucedidos (o caso, por exemplo, do Expresso), perpetuando essa pobreza ao perpetuar o seu sucesso. Continuamos a comprar aquele jornal, porque escreve lá alguém que gostamos de ler (ou pela curiosidade de ver o que escreveu aquele nosso ódio de estimação), mesmo que tudo o resto não mereça sequer servir de enfeite ao caixote do lixo. Compramos o jornal seu concorrente, para lermos o outro senhor que gostamos de ler, e enfim, sempre dá para comparar a cobertura noticiosa de uns e outros. E lá pelo meio dos dois jornais, sempre há um ou outro editorial que toca no ponto certo, sempre há uma reportagem que vale a pena ler, sempre há meia-dúzia de jornalistas que trabalham, e cuja leitura (precisamente por ter peso, por ter conteúdo, ao contrário da vazia mediocridade generalizada), ao contrário do resto, até nem é penosa. Depois, sempre trazem um ou outro suplemento, uns melhores, uns piores, outros medíocres (ninguém percebe, por exemplo, para que é que serve a Xis). Por isso mesmo, os jornais inovam pouco. Os ingleses falam do "dumbing down", da opção de "aparvalhar" um jornal, no fundo, de na procura de novos leitores se nivelar o produto por baixo. Os jornais só o fazem porque os outros leitores, nós, não exigem a opção contrária, não exigem que os jornais se tornem mais completos, que façam mais trabalho, que se esforçem mais para nos oferecerem um produto melhor. Nós, porque gostamos muito de jornais, vamos sempre continuar a comprá-los. Como falta dinheiro aos jornais, a opção mais lógica é esse "dumbing down". Em vez de procurar satisfazer mais leitores que os vão continuar a comprar, por muito pouco satisfeitos que estejam (o que custaria mais dinheiro), optam por um jornalismo "mais leve", e regra geral, pior. Não por ser popular (o Correio da Manhã é um jornal popular, e em alguns casos, mostra mais trabalho que os jornais de referência, para além de ter alguns colunistas excelentes), mas por ser mau, displicente, preguiçoso, pobre. Em parte, a culpa é nossa. Por gostarmos de jornais, somos obrigados a gostar de jornais de que gostamos pouco.
Posted by Bruno at 10:14 PM
setembro 20, 2006
Paulo Portas e a Reforma do Sistema Político
No seu programa televisivo, o dr. Portas, depois de insinuar que o Presidente da República poderá ter sido o responsável pelo "afastamento" do CDS/PP do "pacto" da Justiça, insurgiu-se contra o outro "pacto" que supostamente está a ser "cozinhado", o da reforma eleitoral. Por um lado, Portas criticou a proposta de redução do número de deputados, e aqui, terá razão. Esta proposta é típica de quem quer deixar tudo na mesma, fazendo mudanças cosméticas para dar a ideia de que se está a "mudar", para dar a ideia que se mostra "coragem". A redução do número de deputados não contribui para nada, e será sempre entendida como a prova de que os deputados são inúteis, ou seja, acabará por fragilizar ainda mais o parlamento, em vez de o reforçar. Mas se aqui tem razão, Portas criticou também a proposta de adopção de círculos uninominais. É óbvio que Portas, como antigo líder do CDS/PP, e como deputado desse partido, é hostil a um sistema eleitoral que poderá prejudicar os partidos mais pequenos. O que me despertou a atenção foi a argumentação de Portas, e o que ela diz acerca da sua persona política. Portas afirmou que adopção de círculos uninominais era desnecessária, visto que o sistema actual já permitiu de tudo o que "os portugueses quiseram". Permitiu maiorias absolutas "quando os portugueses as quiseram", e permitiu maiorias relativas "quando os portugueses as quiseram". Portas, que no seu programa televisivo, quer ser uma espécie de "Grande Educador" da "direita", parece acreditar que a soma de vontades individuais (as pessoas que desejavam que um partido governasse) resulta numa Vontade Geral (em que desejariam que ele governasse, mas sem maioria absoluta, uma ideia absurda, visto que quando alguém vota, vota em quem quer que ganhe, não em com que margem quer que ganhe, e é no mínimo duvidoso que "os portugueses" tenham combinado na noite anterior quem votaria em quem, de forma a, em conjunto, obterem o resultado que supostamente desejariam enquanto "colectivo"), uma ideia "rosseauniana" mais cara à "esquerda" do que à "direita" que Portas quer educar. Claro que essa linguagem se tornou comum, e Portas poderá usá-la por comodidade, sem na realidade a levar à letra. Mas esse é um simplismo que fica mal em alguém que quer mostrar que existe uma "direita culta", que não quer ficar "presa" à linguagem da "esquerda".
Devo dizer que, no entanto, há algo nas afirmações de Portas que deve ser tido em conta. Para além do que diz acerca da redução do número de deputados, que me parece acertado, e da fraca e vazia argumentação da suposta "vontade dos portugueses" em formar maiorias absolutas ou relativas, Portas afirmou que a adopção de círculos uninominais diminuíra o pluralismo partidário em Portugal. Esta afirmação é, em parte, errada. Quanto muito, diminuiria o plurlismo no parlamento, não o pluralismo partidário. Existem, hoje em dia, uma série de partidos que, não sendo representados no parlamento, não deixam de existir. E se não estão representados no parlamento, e portanto, não têm verdadeiro eco mediático, é porque não existe um número suficiente de eleitores que deseje vê-los lá. Mas é verdade, e é isso que Portas quer dizer, que a adopção de círculos uninominais teria como rsultado a diminuição da proporcionalidade na representação (que, diga-se de passagem, nem hoje é total, visto que um partido, para ter a maioria absoluta dos deputados, não precisa de ter a maioria absoluta dos votos).
A adopção de círculos uninominais tem vantagens óbvias: responsabiliza o deputado perante os cidadãos (desde que os cidadãos do seu círculo o queiram responsabilizar), enquanto que no sistema actual, o deputado só é responsável perante o seu partido, que só lhe pede contas quando ele desrespeita a linha partidária, o que só por si, o desresponsabiliza completamente das opções que toma. Tem, depois, a clara desvantagem de ser permeável aos caciques locais, mas já o sistema actual o é. Mas enquanto que no sistema actual o cacique tem a importância que tem, devido à chantagem que os votos da sua distrital constituem para o líder do partido, com os círculos uninominais essa responsabilidade passa dos obscuros corredores partidários para as ruas da "terra" do cacique. Para ter demagogos na Assembleia, prefiro que eles estejam lá devido ao voto dos que vão ter de viver com as suas decisões, do que deverem a sua eleição à vontade de um líder partidário ou dos obscuros interesses da sua distrital.
Em último lugar, a adopção de círculos uninominais tem a desvantagem referida por Paulo Portas, a perda de proporcionalidade. Ao contrário do outro argumento de Portas, esta é uma questão séria. E ao contrário das outras desvantagens da adopção de círculos uninominais, este é um problema que o sistema actual minimiza mais eficazmente. É, portanto, uma questão de escolha. Uma escolha entre um sistema que responsabiliza mais directamente os deputados, e um sistema que representa mais equitativamente a pluralidade de orientações políticas. E é precisamente por isso que esta escolha deve ser feita de forma aberta, e não em reuniões secretas entre Marques Mendes e José Sócrates. Deve ser discutida no parlamento, deve ser discutida entre os vários líderes partidários, e com o Presidente da República. E este último deve procurar garantir que, independentemente do resultado final da escolha, ela decorra de um debate aberto. Se a reforma eleitoral for feita única exclusivamente no gabinete do Primeiro-Ministro, se for feita às escondidas, e sem uma verdadeira discussão, será desde logo alvo de uma enorme suspeição, a juntar à contestação (que nem um debate aberto pode evitar). Se a reforma eleitoral for feita em segredo, e não no parlamento e na "opinião pública", o seu conteúdo estará minado à partida, os seus objectivos serão frustrados, e o próprio Presidente perderá muita da sua credibilidade enquanto árbitro do conflito político, que notoriamente pretende ser. Por todas as razões e mais algumas, o Presidente deve estar muito atento a esta questão. Porque no meio de toda a demagogia e vacuidade que o assunto costuma trazer à baila, até o dr. Portas tem argumentos válidos. Desvalorizá-los terá como resultado uma maior descredibilização da classe política. O inverso do que uma reforma do sistema político pretende.
Posted by Bruno at 06:17 PM
setembro 19, 2006
Os Cuidados de Chirac
A coragem de Jacques Chirac será certamente conhecida do leitor. Recentemente, o bravo gaulês veio mostrar novamente que se pode sempre contar com ele. Leio, na minha outra casa blogosférica que o futuro ex-presidente francês veio a público afirmar que é preciso "evitar tudo o que anima as tensões entre os povos e as religiões". Como a afirmação foi feita a propósito da recente polémica em torno das declarações de Ratzinger, presume-se que Chirac seja da opinião de que o papa deveria pedir desculpa pelas suas "ofensivas" palavras, e que deveria ter mais "cuidado" antes de as proferir. Sabendo-se que as bebidas alcoólicas também ofendem as pacíficas pessoas que mataram uma freira, tudo porque as palavras de Ratzinger as ofenderam, Chirac, para evitar "tensões", deveria proibir as bebidas alcoólicas no seu país. Deveria promover a adopção da sharia, por exemplo, pois o seu desrespeito é também bastante ofensivo para as pessoas que matam mulheres à pedrada devido ao "crime" de adultério. Enfim, pequenos sacríficios em nome da harmonia entre os povos e as religiões. Chirac não tem noção da gravidade das suas palavras. Se levadas a sério, implicam que a "Europa" mude o seu carácter, os seus hábitos, as suas tradições, a sua liberdade, para que os fundamentalistas islâmicos não dêem largas à sua demagogia, ou para que não vão para as ruas matar pessoas, de cada vez que alguém os "ofende". Elas não só fragilizam a defesa de um modo de vida que é o europeu, o ocidental, perante o ataque de uma ideologia/religião que lhe é hostil, como enfraquece aqueles muçulmanos que não partilham a visão radical e assassina que estes "ofendidos" possuem do mundo.
Posted by Bruno at 10:24 PM
setembro 18, 2006
Lições de Vida
Anualmente, o sistema educativo português, da escola primária às universidades, passando pelo ensino secundário, repete um ritual da máxima importância para o "jovem português": as inscrições. Anualmente, da mais tenra idade até à educação superior, o "jovem" aprende aquela que será a lição mais importante da sua vida: durante toda a sua existência, o indivíduo é forçado lidar com o Estado, dispendendo horas e horas do seu tempo com funcionários públicos que não são pagos para "estar aqui a fazer favores". Ao longo da sua vida, não poderá fazer nada sem adquirir toneladas de "impressos", e para resolver os mais simples problemas (causados normalmente pela instância pública com que o indivíduo é obrigado a lidar, e não pelo próprio), é obrigado às mais complicadas e desnecessárias tarefas, tudo para aguardar mais uns dias, até que a mesma instituição que lhe criou o problema se digne a responder se o pode resolver ou não. Uma vez por ano, todo e qualquer "jovem português" toma contacto com o Portugal "real", o Portugal dos funcionários públicos, dos selos, da fotocópia do BI e da perda de tempo como modo de vida. Até morrer, nunca mais se verá livre deste ritual. E se tiver de o cumprir só uma vez por ano, terá bastante sorte.
Posted by Bruno at 07:13 PM
setembro 17, 2006
Sobre o Sol
Só hoje tive oportunidade de ler o Sol. É bastante fraquinho. O grafismo dificilmente poderia ser pior. A letra é demasiado grande, e as cores dos títulos e cabeçalhos fazem lembrar o 24 horas. Pior que isso, é bastante mal escrito. E diga-se de passagem que um jornal que chama para seu colaborador (colunista), esse "especialista" nas "terapias alternativas" que é aquele senhor Varatojo perde logo toda a credibilidade que pudesse eventualmente ter. Há, depois, uma relação doentia com o Expresso. A "notícia" que mais espaço ocupa em todo o jornal (menos, é certo, que o "blogue" do prof. Marcelo) é o relato do "nascimento" do Sol, e claro, a "ruptura" com o Expresso. Nela se conta como a escolha de Henrique Monteiro desagradou a antigos membros da direcção, como Balsemão ficou com medo da concorrência que o Sol, constituíria, e a tentou financiar, depois de ter rejeitado o projecto. Enfim, um lavar de roupa suja que mais não é que um espectáculo degradante, que o Expresso deve ignorar e evitar reproduzir. E que o Sol, aparentemente, vai continuar a oferecer, com as Confissões do seu director (ou, como é dito no jornal, o "ex-director do Expresso", em que, para além de outros assuntos de grande interesse, contará as "circunstâncias da sua saída" do Expresso. Se o Sol é isto, iluminará muito pouco.
Posted by Bruno at 10:52 PM
setembro 16, 2006
É Melhor Desistir
É isso, pelo menos, o que diz o senhor meu tio, depois de ter posto fim e aos seus Ene Problemas, e ao mesmo tempo em que está também na sua Ilha do Tesouro.
Posted by Bruno at 09:58 PM
setembro 15, 2006
Concórdia e Ruptura
Como é certamente sabido do leitor, o PSD apresentou uma proposta de reforma da Segurança Social, desde logo rejeitada pelo Governo. O PSD, no entanto, insiste na necessidade de se celebrar um "pacto" que contemple a dita proposta. Curiosamente, muitos dos comentadores que se mostram favoráveis à proposta do PSD, e não à do Governo, realçam a importância do dito "pacto". Argumentam que, tratando-se de uma questão que, pela sua natureza, terá um impacto que vai muito para além da duração do mandato de qualquer Governo, seria bom que os dois maiores partidos estabelecessem um acordo que sobreviva à alternância de poder. Ignoram, ou parecem ignorar, que não é necessário que PSD e PS concordem quanto a uma questão para que um não altere as medidas tomadas pelo outro. Na realidade, certas opções políticas de determinados governos, por muito ofensivas que sejam para a oposição do momento, são praticamente irreversíveis. Se o PSD, quando chegar ao Governo, adoptar o sistema de Segurança Social que agora veio propôr, dificilmente um posterior governo do PS as poderá alterar. Tal como no Reino Unido o Labour foi forçado a aceitar as privatizações promovidas por Margaret Tatcher, se o PSD, quando voltar ao governo, aplicar a proposta que agora apresentou, o PS não terá outra alternativa que não, quando posteriormente voltar a ser governo, manter esse sistema. Claro que se os dois maiores partidos concordarem quanto às reformas que o país deve adoptar, tudo se tronará mais fácil. Mas acima de tudo, é necessário que o consenso a que eventualmente venham a chegar consista daquilo que o país necessita, e não um consenso fácil de cedências "aqui e ali", que anulam as intenções de ambos, e apenas potenciam os efeitos negativos de cada uma das propostas. Mais do que concórdia, Portugal precisa de rupturas. Se os dois maiores partidos as quiserem fazer juntos, melhor. Se só o PSD as quiser fazer, não pode desperdiçar, como desperdiçou o dr. Barroso, as oportunidades que virá a ter.
Posted by Bruno at 05:11 PM
setembro 14, 2006
Sobre os Pactos
Em Portugal, não há nada que seja mais apreciado pelo eleitor comum que não os chamados "pactos de regime". O indígena adora quando os partidos põem de parte as diferenças e "se entendem". Há, depois, uma parte significativa da população politizada que, pelas mais variadas razões, abomina os pactos. O problema está em que os pactos, por si só, não são nem bons nem maus. Ao contrário do que pensa o português comum, o facto dos partidos estarem de acordo não significa que o seu conteúdo seja positivo, mas o simples facto do "Bloco Central" se juntar para reformar a justiça não é um mal em si mesmo. os pactos têm, teoricamente, uma vantagem, que será a possibilidade da medida acordada durar mais tempo, e portanto, ser melhor avaliada. E tem uma desvantagem óbvia e inevitável, o esvaziamento do debate político, a menorização do parlamento, etc. No entanto, o que deve ser analisado é o contéudo do dito "pacto", e não apenas a sua assinatura. No caso concreto do "pacto" sobre a Justiça entre PSD e PS, têm sido poucon comentadas as mudanças por ele previstas, em detrimento da discussão acerca de quem mais ganhou com o dito, e as queixas habituais da banda do grupo parlamentar do CDS/PP (se Ribeiro e Castro tivesse assinado também o pacto, seria criticado por colar o CDS/PP ao Governo, em vez de se opôr).
Devo no entanto, fazer algumas ressalvas. Tenho, é certo, a mesma desconfiança da população politizada pelos "pactos", pelos efeitos negativos que eles sempre têm. Mas não penso que a possibilidade de os assinar deva ser posta de parte logo à partida, desde que, na realidade, os partidos que os assinam partilhem um certo número de pontos de vista. Acho, no entanto, que tais acordos só deveriam ser assinados depois do debate parlamentar sobre a questão, precisamente para não fragilizar a Assembleia, e a função de debate que deve ser a da instituição parlamentar. E penso também que, como escrevi aqui recentemente, o PSD (o que mais me interessa, embora se aplique a qualquer outro) não deveria apresentar propostas, como fez com a Segurança Social afirmando que deseja um "pacto" com o Governo em torno destas. O PSD deve afirmar ter propostas alternativas para quando for Governo, e que quer ser Governo para as poder aplicar. Apresentar propostas para fazerem parte de um "pacto", e não para serem um programa de Governo alternativo, é uma admissão de fraqueza. Não o assinar do pacto, mas ter como objectivo essa assinatura.
Posted by Bruno at 10:28 PM
setembro 13, 2006
48
O meu caro colega e amigo Paulo, que há anos vem seguindo o método David Hasselhoff de encolhimento prolongado da barriga, atingiu os 86 quilos de peso, e pior que isso, resolveu publicitar o facto. Mais grave ainda, resolveu, no meio do texto que vale a pena ser lido, fazer referência a um "amigo" que acha que "elas" gostam de "nós" com uma barriguita que mostre estarmos dispostos a um compromisso a longo prazo (nem que ele seja apenas com a comida), e que é "magro, muito magro" e que não tem "nada que se aproxime do conceito de namorada". Os leitores deste cantinho poderão achar a descrição familiar, e os que conhecem a minha figura sabem certamente de quem se trata.
Sou, efectivamente, magro, muito magro, e na próxima Atlântico, menciono as graves consequências que esse facto tem trazido para a minha vida. Ao contrário do Paulo, arrasto mais peso na consciência do que em todo o corpo. Mas ao contrário do que possa parecer, tal não se deve a falta de esforço em adquirir uma presença física semelhante à do saudoso Rochemback (um jogador que fintava com a barriga). Os meus pais têm gasto muito dinheiro com a minha pessoa, e não há desperdício maior do que o que dispenderam com a comida. Não que ela não seja ingerida, mas precisamente pelo contrário. Tem sido aquisição que não dá frutos. A minha relação com comida é semelhante à que mantenho com o sexo feminino: eu gosto, elas não. E tal como as jovens modernas não suportam a minha presença por mais que cinco minutos, toda a comida que consigo ingerir parece desaparecer logo de seguida. Não há qualquer prova de que a tenha comido. Barriga, não tenho. Qualquer vestígio de carne nos braços ou nas pernas, é inexistente. Confesso que me preocupo, confesso que receio ter uma daquelas doenças estranhas que o dr. House passa o tempo a diagnosticar (o que não seria mau, pois permitir-me-ia passar algum tempo a conversar com a simpática dra. Cameron). Se, de facto, eu não tenho problemas em comprometer-me com a comida, a comida não se quer comprometer comigo. O Paulo chegou aos 86 quilos, eu nunca passei dos 48. E temo que estes poucos resistentes, que se têm mantido fiéis, acabem por, também eles, me abandonar. É por isso que a febre dietética das sociedades modernas me incomoda. Se soubessem o que é ser magro, não quereriam dizer adeus à barriguinha.
Posted by Bruno at 10:46 PM
setembro 12, 2006
Democracia à Bomba
Ontem, dia em que seria de bom tom recordar a morte de cerca de 3000 pessoas às mãos terroristas, algumas das quais sacrificaram as suas próprias vidas para impedir que esses terroristas causassem a morte de outros, foi dia para uma série de gente dar largas ao ódio que nutrem pela América, e em particular pelo seu Presidente. O dr. Oliveira, por exemplo, menciona os mortos do 11 de Setembro (mencionando também os dezanove terroristas, parecendo atribuir-lhes a mesma importância que às suas vítimas), e de seguida, os mortos "desde o 11 de Setembro em consequência da guerra ao terrorismo". O dr. Oliveira, no dia em que se relembra a morte daquelas quase 3000 pessoas, preferiu falar da morte de muitas outras, nos cinco anos que se seguiram, para deixar bem claro que, devido a "esse Bush", morreram muitas mais. Para deixar bem claro que, para ele, dr. Oliveira, "esse Bush" é pior que os terroristas que mataram aquelas quase 3000 pessoas. No dia em que a sua morte devia ser recordada, do dia em que vítimas inocentes de um brutal acto terrorista deviam ser recordadas e respeitadas, o dr. Oliveira preferiu dizer que aqueles que os mataram, no fundo, não são piores que Bush. Isto não faz do dr. Oliveira um terrorista, faz dele alguém sem vergonha na cara. Podia ser pior, e ele até nem se importa.
Mas não foi só o dr. Oliveira. Ontem, foi dia de criticar a intervenção americana no Iraque. Foi dia de repetir, pela enésima vez, que "uma democracia não se faz à bomba". Segundo os autores deste slogan pacifista, a ideia de exportação da democracia é uma ingenuidade perigosa, fruto do simplismo próprio dessa "raça inferior" que é "o americano" e que, claro, encontra no seu Presidente o melhor exemplo dessa inferioridade.
Num ponto têm razão: não é "à bomba" que se constrói uma democracia. Mas a sua visão de uma democracia que surge da concórdia do povo, da harmoniosa vontade de liberdade, é um simplismo tão grande como aquele que criticam. Porque as democracias, as nossas democracias, fizeram-se com muito mais que bombas. Fizeram-se com o sangue de muita gente, derramado ao longo de muitos séculos. De guerras civis, de guerras entre vários países, de guerras mundiais, de ditaduras, de revoluções que acabaram com ditaduras, com revoluções que instalaram ditaduras, de liberdades individuais protegidas, de liberdades individuais atacadas, da vontade de protecção de uma esfera privada, da vontade de independência nacional, de séculos e séculos de violência, de séculos e séculos de ideias, de ideias que originaram violência, de ideias que faziam da violência a forma de serem impostas, e de séculos de luta contra elas, de ideias sobre a forma de melhor as evitar, de controlar a barbárie de séculos e séculos de História. Da Revolução Inglesa, da soberania do parlamento sobre a vontade do monarca. Da Revolução Francesa, das reacções à Revolução Francesa, e das revoluções posteriores. Do alargamento do direito de voto. Da Primeira Guerra e da Segunda. Da luta contra o Império Soviético ou as ditaduras peninsulares. No fundo, de séculos e séculos de história violenta, e não de uma idílica harmonia, surgiram as nossas democracias. Nada disto implica que se defenda a intervenção americana no Iraque, nem sequer que a "democratização" devesse ser a prioridade da dita. Implica isso sim, que se tenha alguma precaução quando se diz que as democracias não se fazem à bomba. As nossas, bem vistas as coisas, demoraram séculos a fazer-se. E fizeram-se com muito mais que bombas. O que as boas consciências não percebem é que muito da Civilização em que apreciam viver nasceu da Barbárie que suplantou. E o pior é que parte dessa bárbarie é algo com que temos de viver. Quanto mais não seja, porque outros nos obrigam a conviver com ela.
Posted by Bruno at 11:13 PM
setembro 11, 2006
11 de Setembro

Foi há cinco anos.
Posted by Bruno at 08:19 AM
setembro 09, 2006
Alternativa
José Sócrates não aceita a proposta do PSD para a Segurança Social. Diz o Primeiro-Ministro que quer "manter o sistema que herdámos". Um sistema em que "pagamos as pensões dos nossos pais, e os nossos filhos pagarão as nossas". Ou seja, um sistema em que cada vez menos pessoas pagarão cada vez mais dinheiro para suportar as cada vez mais diminutas pensões de um número cada vez maior de aposentados. Um sistema em que não só os reformados terão menos dinheiro, pois terão de partilhar o bolo com um número cada vez maior de outros aposentados, mas em que também os que o alimentam (os contribuintes) serão forçados a entregar uma fatia cada vez maior do seu rendimento. Um sistema que só contribuirá para o empobrecimento progressivo de todos os envolvidos, os que alimentam o sistema, e os que dele dependem. É isto que o PSD tem de deixar claro. Se o PSD quiser constituir uma alternativa ao PS, se quiser ter a oportunidade de ser essa alternativa, tem de deixar bem claro quais os resultados práticos das opções do Governo, e as razões pelas quais as suas próprias propostas, as suas propostas de alternativa, são melhores para todos os cidadãos. Caso contrário, não terá a oportunidade de as aplicar. E todos teremos de pagar por isso.
Posted by Bruno at 10:00 PM
setembro 08, 2006
Concepções
Segundo leio no Homem a Dias, Jerónimo de Sousa terá dito que o PCP tem "uma concepção diferente de terrorismo" em relação à da UE. Sabendo que a concepção da UE já é duvidosa (o Hezbollah, por exemplo, não é para a entidade que controla muitos dos aspectos da nossa vida, uma organização terrorista), ficamos com uma ideia de qual é a concepção de terrorismo do PCP. Aliás, ela já é conhecida há bastante tempo. O PCP é que se esforça por nos fazer lembrar.
Posted by Bruno at 10:38 PM
setembro 07, 2006
Bob and Scarlett
Scarlett Johansson ao som de Bob Dylan. No Origem das Espécies e no Destaques a Amarelo.
Posted by Bruno at 10:08 PM
setembro 06, 2006
Blair à Beira do Fim
Sete membros do Governo britânico (sete junior members, ou seja, Secretárias de Estado, chefes de gabinete, assessores, etc.) demitiram-se hoje, em ruptura com a "estratégia de saída" de Tony Blair. Neste momento, Blair já perdeu toda e qualquer hipótese de garantir uma "sucessão pacífica". A partir do momento em que a sua permanência é motivo de demissão de alguns dos seus colaboradores, todos os seus passos, mesmo que visem pacificar o partido (por exemplo, o anúncio de uma data de saída), serão entendidos como uma derrota, e mais, como algo provocado por um Labour em guerra civil. A partir de hoje, o partido dividir-se-à ao meio, e assim continuará muito para além da saída de Blair: uns apoiarão os que tiveram a "coragem" de mostrar a um líder "impopular" mas "agarrado" ao poder que estava na altura de ele sair, outros culparão os traidores por todos os males futuros do partido, males esses potenciados pela própria divisão. Blair, por sua vez, será lembrado, pelo menos por bastante tempo, como o líder cuja insistência em não largar o poder, em não ver que a sua liderança já não era desejada pelo seu próprio partido, condenou este último a uma luta fratricida e anos de oposição. A queda de Blair começa hoje. Quanto mais prolongada for, mais irá doer.
Posted by Bruno at 09:46 PM
setembro 05, 2006
Blair na Encruzilhada
Em Inglaterra, correm rumores de que uma carta circula entre os deputados do labour, para forçar Tony Blair a declarar publicamente a data em que irá abandonar o cargo de Primeiro-Ministro. Quando a Sra. Thatcher saiu do mesmo cargo, foi literalmente empurrada pelos seus próprios deputados. O que se seguiu é conhecido. Os deputados que a ela se mantiveram fiéis culparam os restantes pela traição, lançando o grupo parlamentar numa guerra interna que destruíu o governo de Major, e tem mantido o partido na oposição até hoje. Blair não quer ser recordado como o homem cuja saída lançou o Labour para um deserto eleitoral, onde a vitória não passa de uma miragem, e a única coisa que resta são as cabeças dos seus sucessores entretanto derrotados e linchados internamente. O problema é que a contestação interna é cada vez maior. Blair sempre teve opiniões que iam contra grande parte do seu partido. O facto de estar no poder dissuadia-os de se lançarem contra ele. A partir do momento em que disse que não se recandidataria, perdeu essa protecção. Tem agora de lidar diaramente com a pressão de inúmeros deputados, que o deviam apoiar mas estão contra ele. Blair sabe que, se sair agora o seu partido terá o destino do de Thatcher. Sabe que os seus fiéis não perdoarão os "traidores". Mas sabe que não pode continuar muito mais tempo contra uma parte significativa do seu próprio partido. Precisa de uma folga. De um espaço de tempo de acalmia da contestação, para que possa sair, sem que tal saída seja directamente atribuída à pressão sobre ele exercida. Mas enquanto não anunciar a sua saída, a pressão irá continuar. O ultimato feito na tal carta parece conciliar os interesses das duas partes. Por um lado, permitiria, aos membros do Labour que continuarão depois de Blair, distanciarem-se da sua figura, distanciando-se de um político que é, agora, bastante impopular. E permitiria a Blair ganhar o tempo que precisa, para fazer os discursos que definirão a sua herança, e acima de tudo, o tempo que lhe permitiria sair sem ser empurrado. Na realidade, não será assim. Os deputados do Labour serão vistos como gente que estava mais preocupada em zelar pelos seus próprios interesses, em vez de discutirem os problemas do país. E Blair, a partir do momento em que anunciar uma data para a sua saída, até esse dia, perderá toda e qualquer autoridade. Não há solução para este problema. O Labour continuará, e continuará cada vez pior, cada vez mais dividido. Blair irá sair, e irá sair mal. Resta saber quando.
Posted by Bruno at 07:14 PM
setembro 04, 2006
Pactos e Alternativas
Marques Mendes terá, no seu discurso de ontem, insistido nas propostas do PSD para a Segurança Social, e insistido também para que o PS aceitasse um pacto de regime que possibilitasse a adopção dessas propostas. As propostas do PSD parecem positivas. O erro do seu líder está, não no seu conteúdo, mas em pedir um pacto de regime. Ao fazê-lo, o PSD transmite ao eleitorado apenas uma ideia: a de um partido derrotado nas eleições a pedir ao partido vencedor para fazer o que a maioria do eleitorado não votou. O que deveria fazer era dizer que as propostas que agora apresenta serão aplicadas quando o PSD for Governo. Não pedir um pacto e a aceitação daquela proposta por parte do PS, mas apresentar a proposta, e deixar bem claro que, nas próximas eleições, haverá uma alternativa. Em vez de transmitir uma imagem de fraqueza, de quem nada pode fazer senão pedir para as suas propostas serem aceites por um Governo de outro partido, o PSD devia mostrar que quer voltar a ser Governo, e que tem um programa para quando voltar a ser Governo. O leitor dirá que faltam três anos para as próximas eleições, e que é escusado estar agora a apresentar propostas alternativas. Talvez. Mas se o fizer, o PSD estará três anos a mostrar que pode ser Governo. Estará três anos a mostrar ser credível. Se o conseguisse, não viria daí grande mal.
Posted by Bruno at 04:40 PM
setembro 02, 2006
Passos Perdidos (a minha coluna mensal no Insurgente)
O Lugar do PSD
Embora não pareça estar nas melhores condições para o fazer, o PSD é o único partido em Portugal sem o qual não se poderão fazer reformas significativas e necessárias.
No último Passos Perdidos que aqui escrevi, afirmei que nem o PS nem o PSD poderiam, na conjuntura actual, levar a cabo as reformas que o país necessita. A base de apoio social do PS faz com que o partido seja ideologicamente contrário a reformas que mudem a natureza do Estado e das suas funções, enquanto o PSD, minado por anos de poder (e consequente dependência do estado por parte do seu aparelho) e uma descredibilizadora experiência de governo recente, dificilmente teria as condições políticas para a partir do poder realizar essas mesmas reformas, isto partindo do duvidoso princípio que tem condições para chegar ao poder. O que não escrevi, propositadamente adiado para este texto, foi que considero que, caso o PSD efectivamente não o possa fazer, caso se confirme aquilo que anteriormente escrevi, então essas reformas não serão feitas. Pois só o PSD as poderá fazer. Sem o PSD, elas não surgirão.
Os partidos da "esquerda" certamente não farão, por razões óbvias. Restam-nos portanto o CDS/PP e o PSD (ignoremos, para não se perder tempo, caro leitor, o PND). Há quem considere (nomeadamente os seus militantes) que o CDS/PP é o partido indicado para defender a liberalização, para defender a mudança política, para defender um novo modelo da relação entre o Estado e os cidadãos que proporcione mais liberdade aos segundos. Argumentam que só um partido "ideológico" pode defender com coerência um programa nesse sentido, sem estar sujeito a compromissos eleitoralistas que minem esse programa e a eficácia das medidas adoptadas. Mas essa suposta vantagem perde-se imediatamente quando se denotam as profundas divergências que existem no seu seio. Especialmente num partido que é um partido pequeno, que sozinho, nunca terá o poder para implementar tal programa político.
Resta, portanto o PSD. A sua natureza de "catch-all party", ao contrário da de partido iedológico do CDS/PP entendida como uma vantagem, é tida como constituindo um handicap para a realização de um programa "liberal" ou sequer "liberalizante" de governo. De facto pode ser. E, de fcato, assim tem sido. Isto porque em vez de liderar, os responsáveis políticos têm-se deixado conduzir por aquilo que consideram ser as necessidades eleitorais. A natureza de "catch-all party" só é prejudicial à realização de um programa "liberal" se for entendida como a de um partido que segue o eleitorado e o que ele quer para dessa forma o apanhar. E tem sido esse o comportamente do PSD nos últimos anos. Nos últimos anos, o PSD tem feito aquilo que Joaquim Aguiar chamou de alimentar a "ilusão redistributiva" do eleitorado, que vota no partido da oposição quando o do Governo já não pode prosseguir na manutenção dessa ilusão.
O PSD não precisa de se tornar um partido "ideológico", não precisa de deixar de ser um "catch-all party", para promover uma agenda política liberal. Precisa sim de mudar a sua atitude, de mudar a forma como procura "apanhar todos". Em vez de ser conduzido pelas ilusórias pretensões do eleitorado, tem ele próprio de liderar, de procuar perceber que medidas serão as melhores para os cidadãos e de seguida, defendê-las, procurando "apanhar" gente dos mais variados quadrantes sociais convencendo-os que as soluções "liberais" são as melhores para o país e eles próprios, para eles próprios e para o seu vizinho, em vez de se deixar convencer por toda essa gente a deixar tudo como está.
Mas para isso, precisa primeiro de fazer o mesmo no seu interior. A liderança do PSD tem de deixar de ser conduzida pelo seu aparelho, e passar ela própria a ser a condutora do partido. Tem de deixar de depender dos líderes distritais e autárquicos, que por sua vez dependem dos dependentes dos empregos públicos que impossibilitam qualquer reforma do aparelho estatal que suga o dinheiro dos contribuintes, que lhes retira liberdade e condições para terem um futuro um pouco melhor. Precisa de convencer o partido, para depois convencer o país.
É justo dizer que há, na liderança de Marques Mendes, sinais positivos. Em primeiro lugar, o esforço de de credibilização que realizou nas autárquicas, e em certa medida, na oposição. É um esforço, no entanto, minado pelas circunstâncias em que é realizado. Ao contrário do que se tornou comum dizer, a acção governativa do PS oferecia condições particularmente favoráveis para o fazer. O estilo propagandístico do Governo permitiria à oposição oferecer um contraste mais sóbrio. Bastava para isso apresentar um linha coerente, e que, como dizia Manuela Ferreira Leite, criticasse o PS por não fazer o suficiente, e não por fazer de mais. O problema de Marques Mendes reside não no feito da governação socrática na sua postura na oposição, mas antes nas críticas internas provocadas pela sua postura na oposição. As críticas de Menezes não ferem a credibilidade que Marques Mendes quer conquistar. As de Ferreira Leite, por exemplo, sim. Mas quem lhe faz oposição é Menezes, não Ferreira Leite. E Mendes, legitimamente receoso de perder o lugar, e constantemente retratado nos media como líder a prazo, sente a pressão, sente-se obrigado a fazer uma "oposição vigorosa", que o leva a criticar o que não deve, o que motiva as críticas de Ferreira Leite, que mesmo não sendo uma sua opositora, acabam por o ferir muito mais.
Apesar dessas limitações, Marques Mendes mostrou ter percebido como a relação entre o Estado e os cidadãos é penalizadora dos esforços dos segundos. No entanto, fica-lhe sempre a faltar um passo, o passo sem o qual dificilmente essa relação irá mudar para melhor. As recentes propostas para o sector da Educação são um bom exemplo.
O PSD percebeu que o Estado não tem a capacidade para gerir o "sistema educativo", por isso propôs que as famílias tenham total liberdade para escolher a escola para os seus filhos, desaparecendo o condicionamento do local de residência ou trabalho dos pais, bem como que seja dada maior liberdade a cada escola no desenvolvimento do seu programa educativo. Falta ao PSD dar o passo seguinte, e defender a adopção do "cheque-ensino", seja ele universal, seja só para aqueles que por si sós não possam aceder a uma escola. Falta ao PSD perceber que quando uma escola é financiada pelo Orçamento de Estado, a sua sobrevivência depende, não da satisfação daqueles a quem os seus serviços se destinam (os alunos e os seus pais), mas da satisfação do Ministério da Educação. Uma escola que recebe o seu dinheiro, o dinheiro que sustenta a sua actividade, directamente do Estado, não concentra a sua atenção na satisfação das exigências dos seus "clientes", mas na satisfação das exigências do Estado. Mas se cada família puder decidir qual a escola que receberá o seu dinheiro (seja ele seu ou um cheque que o Estado lhe atribuiu), em vez de o entregar a um Estado centralizador que depois o distribuí de acordo com o seu critério, ou sem critério algum, a escola que recebe esse dinheiro será obrigada a responder às exigências das famílias que lhe entregam esse dinheiro, sob pena de elas optarem por o entregar a uma escola concorrente. Tal modelo, para além de responsabilizar a escola pelo seu programa educativo, teria ainda o mérito de responsabilizar também as famílias, que teriam de ajuizar se determinada escola vale o dinheiro que dão pelo serviço que ela presta.
Mas mais grave que os passos que o PSD ainda não dá, são os que dá, mas não devia ter dado. Um partido que quer aplicar propostas como as que o PSD fez para a Educação ou para a Segurança Social, não pode criticar um Governo pelo simples facto de este ir contra parte significa da opinião ou dos grupos de pressão. Um partido que, como o PSD, quer uma política alternativa à deste Governo, uma política que vá mais longe que a deste Governo, não pode, como fez Pedro Duarte, usar o simples facto de diversas entidades estarem contra a Ministra da Educação como argumento suficiente para a criticar. Se o PSD, quando chegar novamente ao Governo, quiser aplicar aquilo que agora propõe, terá que enfrentar uma oposição ainda maior que aquela que se tem levantado contra a Ministra da Educação. Ao dizer aquilo que Pedro Duarte hoje disse, o PSD não só enfraquece a sua crítica ao Governo, não só perde o capital de simpatia (perdoe-se o jargão) que algumas das suas propostas atraem em certos sectores, como diminui a margem de manobra à disposição de um seu futuro Governo. Um pouco de prudência nunca fez mal a ninguém. Enquanto que se o PSD continuar sem capacidade para efectivamente convencer as pessoas a mudar o país, não será só o PSD a pagar. Pagaremos todos, e cada vez mais.
Posted by Bruno at 11:26 PM
setembro 01, 2006
Sobre a "Direita" e os Seus Manifestos
Manuel Monteiro apresentou o seu Manifesto para Direita. Este Manifesto tem um problema, para além do óbvio de ter sido elaborado por quem foi (embora, de facto, todas as boas ideias que possa eventualmente conter, percam toda a credibilidade mal o percurso político de Monteiro venha à memória). E nem é o problema de se tratar de uma abstracção sem sentido. É o de querer dar sentido a algo (a "Direita"), que não passa de uma abstracção que não quer dizer nada. A "Direita", enquanto tal, não é nada. E como tal, é impossível "animar", "refundar" e ainda mais "unir", algo que não existe. Não estou a dizer, como Blair, Guterres e os seus derivados quiseram fazer crer, que já não existem diferenças entre "Esquerda" e "Direita". Quero dizer, isso sim, que as diferenças são muito maiores do que as que dividem esses supostos blocos. O problema não está em não haver uma política alternativa à do governo de Sócrates (ou à dos anteriores do PSD e CDS/PP, for that matter). Está, isso sim, em que muito separa as pessoas e os grupos que constituem quilo que o dr. Monteiro e o Portugal politizado costumam entender por "Direita". Porque essas pessoas e esses grupos nada têm em comum, a não ser o facto de outros (ou eles próprios) lhes atribuírem esse rótulo. É portanto difícil unir aquilo que nada ou pouco tem de comum. É difícil unir estatistas empedernidos (como grande parte dos dirigentes do PSD), populistas à deriva (como Santana Lopes e seus soldados), oportunistas hábeis (que como Paulo Portas, já defenderam de tudo, do proteccionismo dos jaquinzinhos ao liberalismo económico e do anti-europeísmo à "Constituição" Europeia), políticos que não se percebe o que lhes falta, se coragem se juízo (Durão Barroso), gente sedenta de empregos públicos (o militante partidário típico), e políticos reformistas (como muito boa gente do PSD e pessoas do CDS/PP como Lobo Xavier, por exemplo), sejam eles "centristas", liberais clássicos, "neo-liberais", ou variadas gentes de variados rótulos que gostariam de ver reformas sérias, coerentes e consequentes serem aplicadas por um Governo de Portugal.
O termo "Direita" é associado àqueles que, pura e simplesmente, não são de "Esquerda". Mas falar "da Direita", enquanto entidade homogénea, ou passível de se tornar homogénea, é incorrer num erro. Porque no seio daquilo a que normalmente se chama "Direita", há tantas ou mais diferenças do que aquelas que separam os supostos "direitistas" da "Esquerda". Procurar unir a "Direita" é um desperdício de tempo, tão grande como misturar àgua e azeite. A mim, só me interessa a "união" com aqueles que, politicamente, ou pensam como eu, ou partilham muito daquilo que defendo, seja nas medidas que deveriam ser tomadas (por exemplo, uma liberalização da Segurança Social, ou da Educação, ou da Saúde), seja nos princípios básicos (o cepticismo político, a hostilidade à intromissão estatal na vida privada) seja na conduta que se entende dever ter na acção política (não defender hoje uma coisa, amanhã outra, ao sabor do vento, não recorrer a argumentos demagógicos, preferir a derrota eleitoral à cedência eleitorialista, quanto mais não seja, por serem contraproducentes em termos de exercício do poder político). Mais uma vez, estão tão errados aqueles que apenas vêem a divisão entre "a direita" e "a esquerda", como aqueles que acham que já não existem as diferenças entre as duas. As diferenças são muito maiores, e entre muito mais "blocos". São muito mais complexas do que a suposta harmonia oferecida pela "Terceira Via", ou a simples dicotomia entre uns e outros, que o dr. Monteiro, por exemplo, entende existir. E quanto mais depressa nos virmos livres desses dois simplismos, mais depressa poderemos ter um saudável debate político. E talvez aí algumas reformas possam ser levadas a cabo. Talvez aí se possa fazer alguma coisa por esse países. Até lá, ficaremos a discutir abstracções, e "manifestos" para as abstracções.
Posted by Bruno at 10:16 PM
A Ler
O texto do Fernando Gabriel no Guest of Time sobre a "natureza da tragédia" da questão nuclear iraniana, uma tragédia em que o Irão mente quando nega o desenvolvimento de um programa nuclear militar, em que sanções "de teor generalista" terão um "efeito contraproducente", e sanções "inteligentes" serão "facilmente contornadas", e em que a "vitória da sobrevivência" do hezbollah não dá outra alternativa à Casa Branca e ao resto do mundo civilizado que não seja uma eventual "acção militar preventiva americana".
Posted by Bruno at 10:03 PM
Passo a Passo
Na sua coluna na Sábado, Pacheco Pereira critica (e bem) a generalizada passividade com que o novo passaporte electrónico foi encarado na comunicação social. Pacheco Pereira considera que, sendo "inteiramente defensável" procurar-se arranjar um "documento de identidade internacional mais seguro nos dias de hoje", alguma "prudência e reserva" seriam necessárias, visto que este não só é mais caro que o anterior, como a sua eficiente emissão é posta em dúvida pelo "falhanço" da emissão do selo do carro. Curiosamente, a única crítica (anterior às de Pacheco Pereira) que ouvi ao passaporte electrónico eram, mais que sinais de "prudência e reserva", motivo para as termos em ainda maior grau. Dizia já não me recordo quem que, embora teoricamente mais seguro que o passaporte anterior, este era ainda permeável a outra falsificação, a do BI. Fique portanto avisado, caro leitor. Mais tarde ou mais cedo, será necessário avançar para um BI também ele "electrónico" para tornar mais seguro o tal passaporte que deveria ser mais seguro que o anterior. Ora, se o BI já é algo vagamente totalitário, pois a sua exigência, na prática, é a exigência de que cada um de nós prove que não é culpado de estar a mentir em relação à nossa identidade, quando formos forçados a adoptar um BI "electrónico", também ele será mais caro em relação ao actual, como o novo passaporte é mais caro em relação ao anterior. Ou seja, seremos obrigados a pagar mais para prescindirmos de um pouco da nossa liberdade, a pagar mais para, em última análise, abdicarmos do nosso direito a sermos considerados inocentes (neste caso, incoentes de mentir em relação à nossa identidade) até prova em contrário. Passo a passo, vamos ficando cada vez menos livres. Talvez seja necessário, dirá o caro leitor. Será algo a considerar. O mais grave é que, passo a passo, vamos ficando cada vez menos livres, e nem sequer pensamos nisso.
Posted by Bruno at 12:13 AM