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julho 31, 2006
Dinamizar o Debate
Segundo o Público de domingo, Alberto Martins, líder da bancada parlamentar do PS, pretende "trazer a Assembleia para a era mediática", o que poderá ser feito se se "acabar com resquícios passadistas como as intermináveis sessões com leitura de papéis em detrimento do debate político onde o confronto das ideias, o dissenso, e o contraditório são fundamentais". Em suma, Alberto Martins quer "dinamizar" o debate. Para isso, pretende "reduzir o número de sessões plenárias". Seria de pensar que uma boa maneira de "dinamizar" o debate seria dar mais poderes à oposição, dar-lhe mais tempo de intervenção nos debates, etc. Mas não. Alberto Martins acha que é melhor reduzir o número de sessões plenárias. No fundo, acha que é melhor reduzir o debate. Percebe-se. Debate é coisa que não dá muito jeito a um governo. Mas talvez fosse bom lembrar Alberto Martins que, um dia, o PS voltará a ser oposição. E aí terá que viver com o problema que criou.
Posted by Bruno at 09:08 PM
julho 29, 2006
Que Saída Para a Guerra?
Uma das repetidas ideias acerca da actual crise no Médio Oriente é a de que não se vê saída para a guerra. Ao contrário das restantes ideias mais repetidas, esta é verdadeira. De facto não, não parece haver saída para a actual crise. E se houver, ela não está à vista. As partes não envolvidas, como a França, o Reino Unido ou os EUA, propõe um cessar-fogo. Divergem quanto à melhor altura para o declarar, mas concordam com a sua necessidade. No entanto, a sua necessidade não é sentida por Israel. Israel delineou um objectivo claro, quando iniciou esta ofensiva: desmantelar militarmente o Hezbollah, e criar, no sul do Líbano, uma faixa de segurança, que impeça o Hezbollah de atacar o norte de Israel. Sem que estes objectivos sejam alcançados, Israel não pode aceitar um cessar-fogo. Porque não estaria a deixar que tudo ficasse na mesma. Estaria a dizer ao Hezbollah que poderia subir mais um degrau na sua acção armada, porque Israel nada poderia fazer contra essa escalada.
A única forma de Israel poder interromper a sua ofensiva sem que tal implicasse um risco de fragilização da sua defesa seria se tivesse garantias de que essa faixa de segurança iria ser estabelecida (defendida) por uma outra força. A hipótese de ser o estado libanês a fazê-lo é uma mera ilusão. A situação actual é a melhor prova disso mesmo. O Líbano permitiu que o Hezbollah usasse o sul do país como plataforma de ataque a Israel. O Líbano é um refém do Hezbollah, e nada pode contra ele. Mais verosímil seria o envio de uma força internacional, por exemplo, da NATO ou da UE. Os Estados Unidos parecem não estar muito interessados, no entanto, em contribuir com soldados seus para essa hipotética força. Perante os esforços de guerra no Afeganistão e no Iraque, os EUA dispensam uma outra fonte de perda de vidas de soldados. Esse esforço teria portanto de ser suportado pelos países europeus. É aí que as coisas se tornam um pouco mais complicadas. O Reino Unido encontra-se numa situação semelhante aos EUA, o que quer dizer que dificilmente optarão por outro caminho. A França é uma antiga potência colonial no Líbano, facto que, na falta de um interesse directo no que aí se passar, deverá dissuadir o seu Governo de vir a arriscar um agravamento das relações com o governo libanês, visto que, ao ter de enfrentar o Hezbollah, teria de enfrentar a significativa parte da popualção libanesa que apoio esse grupo.
Este último ponto conduz-nos aquele que é talvez o maior obstáculo à participação europeia numa força de intervenção no Líbano. Para todos os efeitos práticos, essa força teria de ser uma efectiva aliada de Israel. É certo que o seu propósito, ao procurar estabelecer uma faixa de segurança no Líbano, seria o de impedir o agravamento do conflito. Mas, para todos os efeitos práticos, ao fazê-lo, estaria a combater o Hezbollah. Para todos os efeitos práticos, estaria a substituir Israel na condução da criação dessa faixa de segurança. Estaria a procurar cumprir os objectivos de Israel. Estará um governo como o governo espanhol, depois de todas as declarações que Zapatero fez condenando Israel, disposto a ser um efectivo aliado de Tel Aviv? Estarão os países europeus, independentemente das posições oficiais que tomaram nesta questão, dispostos a enfrentar opiniões públicas bastante hostis a Israel, ao se tornarem aliados desse país no terreno militar? Estarão dispostos a sofrer baixas, enfrentando a hostilidade dos seus eleitores?
Restará ainda a hipótese de uma força composta, pelo menos em parte, por países árabes. Ehud Olmert mostrou-se receptivo a tal possibilidade. E ela teria, inegavelmente, a vantagem de, aos olhos dos libaneses, parecer mais legítima que a "ocupação" do antigo colonizador francês, ou dos EUA. Ser patrulhado por fiéis de Alá será certamente menos "humilhante" que estarem sob o controle de infiéis de origens várias. Mas essas tropas árabes não estariam imunes ao problema que afectaria os países europeus. Teriam também elas de ser, na prática, aliadas de Israel. Também elas estariam no Líbano, na prática, a cumprir os objectivos militares de Israel. Logo aí, a vantagem da "legitimidade" se dissipava. Muitos líbaneses sentir-se-iam ocupados por "traidores", o que imagino não ser muito melhor do que ser ocupado por um "infiel". E se um país europeu não estiver disposto a enfrentar a sua opinião pública, e a sofrer baixas, por se aliar a Israel, muito menos estará um país árabe, onde a hostilidade contra Israel é ainda maior que no velho Continente.
A única saída possível parece ser, portanto, uma vitória militar de um dos lados. Mas se o Hezbollah certamente tem a consciência de que não se pode dar ao luxo de perder, terá também a percepção de que dificilmente pode obter uma vitória definitiva. O Hezbollah pode fazer mossa, pode provocar um elevado número de baixas civis a Israel, mas não pode, por si só, aniquilar Israel. Só o poderia conseguir se o Irão ou a Síria interviessem directamente, provocando uma escalada ainda mais acentuada no conflito. Ora, o Irão é o principal interessado em que as coisas continuem como estão: em conflito, mas sem que este se alargue ao seu território. Toda esta crise está a desviar as atenções do seu programa nuclear. E o seu apoio ao Hezbollah está a mostrar como o regime de Teerão parece ser a principal potência regional, a única capaz de liderar a luta contra Israel. Se juntarmos estas duas circunstâncias, veremos as vantagens que o Irão tem em que tudo continue na mesma. Enquanto o conflito durar, o Irão terá margem de manobra para desenvolver o seu programa nuclear, aumentando assim a sua capacidade afirmação geo-estratégica, já de si bastante forte, como a crise actual aliás demonstra. O interesse do Irão está, portanto, não em intervir directamente no conflito, provocando uma guerra aberta com Israel e os EUA, mas sim em continuar o seu apoio indirecto ao Hezbollah, e o seu patrocínio das acções terroristas no Iraque. Com o primeiro garante o desvio das atenções para longe do seu programa nuclear, com o segundo mantém os EUA longe de poder resolver o conflito no sul do Líbano.
É nesse apoio prestado pelo Irão ao Hezbollah que reside a impossibilidade de Israel obter uma vitória militar definitiva neste conflito. Israel pode, sem dúvida, diminuir significativamente a capacidade militar do Hezbollah. Mas enquanto o regime iraniano subsistir, enquanto o seu projecto expansionista substistir, o Hezbollah continuará ter o seu apoio, continuará ser um seu instrumento. Israel não pode aniquilar o Hezbollah, sem entrar em conflito directo com o Irão. Ora é duvidoso que tal conflito faça parte da lista de desejos de Ehud Olmert. Essa ameaça acaba mesmo por dificultar a eficácia da actual ofensiva israelita. Para neutralizar o Hezbollah, para diminuir a sua capacidade de atacar a partir do sul do Líbano, Israel tem de cortar o abastecimento de mísseis através da fronteira com a Síria . Por um lado, será complicado garantir que nenhum míssil atravessará esa fronteira. Por outro lado, esse esforço corre o risco de provocar um conflito com a Síria (se esta for atingida directamente), ou até mesmo com o Irão (como, por exemplo, especulou David Bosco num recente artigo no Público).
Israel não teve outra alternativa senão entrar em conflito com o Hezbollah no sul do Líbano. E não tem alternativa (como não a tem o Hezbollah) senão continuar o conflito até obter uma vitória militar. Nenhuma das partes parece, no entanto, capaz de obter essa vitória, pelo menos sem agravar a natureza desse conflito. Só há, portanto, uma certeza: ele irá continuar. Resta saber se de forma mais branda (como até aqui havia decorrido, com pequena séries de atentados em Gaza ou no norte de Israel, seguidos de raides israelitas a Gaza e ao sul do Líbano), se como uma continuação da actual crise, numa situação de guerra aberta no sul do Líbano, talvez com uma eventual invasão israelita ou a presença de uma força internacional que, em vez de Israel, combateria o Hezbollah, se com um alargamento do conflito a todo o Médio Oriente, e um implícito agravamento das suas consequências.
Posted by Bruno at 10:13 PM
julho 28, 2006
O Cessar-Fogo Impossível
A tentativa de, numa conferência realizada em Roma, se chegar a um acordo quanto a um cessar-fogo no conflito de Israel com o Hezbollah no Líbano, falhou. A França terá apresentado uma proposta no sentido de ser declarado imediatamente o dito cessar-fogo, que permitiria assim que uma força internacional fosse enviada para o Sul do Líbano, de forma a impedir que o Hezbollah pudesse continuar a atacar Israel a partir da região. Condolleeza Rice, Secretária de Estado americana, terá recusado. O Público de ontem levantava a hipótese de tal recusa ser motivada por uma expectativa americana de que a ofensiva israelita acabe por enfraquecer o Irão, indo ao encontro dos interesses dos EUA na região. Não sei se tal hipótese corresponderá à verdade. Mas sei que, mesmo que Condolleeza Rice tivesse aceite o cessar-fogo imediato proposto pela França, tal apelo seria irrelevante. Pela simples razão de que Israel não o pode aceitar. Quando o dirigente do Hezbollah afirma que "se a resistência sobreviver, isto será uma vitória, se a sua determinação não for quebrada, isto será uma vitória", Israel não pode aceitar um cessar-fogo. Um cessar-fogo declarado por Israel seria uma vitória da "resistência" do Hezbollah. E uma vitória do Hezbollah teria como consequência um aumento da violência por si praticada. Ao declarar um cessar-fogo imediato, Israel estaria a afirmar implicitamente que não consegue cumprir o objectivo a que se propôs quando iniciou esta ofensiva, o desmantelamento do Hezbollah. E aí Israel estaria sujeito a mais ataques do Hezbollah, visto que este haveria ganho a convicção de que Israel nada poderia, ou nada quereria, fazer contra si. É por isso, aliás, que o pedido de um cessar-fogo imediato é um erro, não apenas para Israel, mas para os países que desejam enviar uma força internacional para o Sul do Líbano. Essa força teria de enfrentar um Hezbollah que não só promete receber essa força "com balas", mas um Hezbollah que o faria a partir de uma posição de força, que esse cessar-fogo lhe daria de mão beijada. Pedir um cessar-fogo imediato para permitir o envio de uma força internacional é colocar em perigo essa mesma força internacional.
Posted by Bruno at 09:36 PM
julho 27, 2006
Já Nas Bancas
A Atlântico deste mês, com um artigo de Maria Filomena Mónica sobre a novela Morangos com Açúcar (e um outro ainda melhor sobre a "Fraternidade"), os conselhos sobre livros e discos de Rui Ramos e Luciano Amaral (de louvar a menção aos quase desconhecidos Broken Social Scene), um artigo do insurgente Rodrigo Adão da Fonseca sobe o Serviço Nacional de Saúde, um artigo de João Pedro Marques sobre o "politicamente correcto", as crónicas do Adolfo Mesquita Nunes sobre as "férias dos bons velhos tempos" e do Tiago Cavaco sobre os seus amigos que não lêem a Atlântico, e também, embora pouco aconselhável, a habitual crónica deste que vos escreve.
Posted by Bruno at 10:02 PM
julho 26, 2006
A RTP no Médio Oriente
O melhor da cobertura do conflito no Médio Oriente feita pela RTP são as reportagens de José Rodrigues dos Santos no Líbano. Rodrigues dos Santos mostra, obviamente, tudo aquilo que acompanha inevitavelmente uma guerra. A violência, a destruição, o medo. Mas mostra também o que se passa nos locais atingidos por Israel. Mostra como são controlados pelo Hezbollah, como o Hezbollah tudo domina, e em todos manda. Pena que, mal acabem as reportagens de Rodrigues dos Santos, a RTP regresse à ladaínha dos "alvos exclusivamente civis", desmentida nas reportagens que ela própria emite, e que ela própria ignora.
Posted by Bruno at 05:56 PM
Abrupto
Parece que continuam as tentativas de "deitar abaixo" o Abrupto. Não preciso de repetir o meu desejo de que tudo se resolva. Mas de uma coisa toda a gente se deveria lembrar, goste-se ou não do blog ou do seu autor. O que lhe está a acontecer poderia perfeitamente acontecer a qualquer um dos que por aqui andam. Podem crer que sei do que estou a falar.
Posted by Bruno at 05:48 PM
Anton La Guardia
Anton la Guardia, antigo editor diplomático do Daily Telegraph, está de malas aviadas para a The Economist. Mas o seu blog continua, embora numa nova morada. Continua a valer a pena ser lido. Especialmente agora.
Posted by Bruno at 05:41 PM
julho 25, 2006
O Dilema de Israel
A actual crise no Médio Oriente surgiu aquando do rapto, por parte do Hamas, ou melhor, de grupos ligados ao Hamas, de um soldado israleita na Faixa de Gaza. Israel logo respondeu, e um coro de protestos logo se levantou. Nada que espante ninguém. Mas muitos (todos, talvez) terão ficado supreendidos com o que se passou a seguir. O Hezbollah aproveitou a escaramuça para forçar Israel a abrir uma nova frente de combate. Levou a cabo mais um rapto de soldados israelitas. Tal como fez em Gaza, Israel respondeu. E respondeu com força.
Terá sido essa resposta contraproducente? Num recente editorial, a The Economist defendia que sim. Que uma ofensiva militar como a que Israel está a conduzir não pode desmantelar o Hezbollah, e que terá como provável consequência a fragilização do já frágil governo libanês (embora se possa perguntar por que razão Israel se deveria preocupar com um governo que ou não conseguiu ou não quis evitar que o Hezbollah operasse dentro das suas fronteiras). O Telegraph, ontem, não deixava de reconhecer a legitimidade da reacção de Israel, bem como a sua necessidade. Mas não deixava também de dizer que, para que pudesse ser bem sucedida, a longo prazo, ela teria de ser acompanhada por amplos esforços diplomáticos.
Já no Público de ontem, André Freire manifestava-se acerca da questão. Segundo Freire, não só a ofensiva israelita "castiga as populações inteiras de Gaza e do Líbano", como faria com que se tivesse de perguntar "em que é que a democracia israelita se distingue de uma qualquer ditadura bárbara". Freire considera ainda que a "estratégia musculdada e belicosa" de Israel "aprofunda a humilhação árabe", o que teria como resultado, presume-se, um aumento da violência por parte de grupos como o Hezbollah.
Esta é, aliás, uma reacção muito comum. Considera-se que Israel, certamente uma vítima dos terroristas, apenas agrava a sua própria situação, ao responder aos ataques (transformando Israel de vítima em agressor, e legitimando os terroristas e as suas acções, visto que elas mais não são que um resultado da estratégia israelita). O que é curioso é que, estando muitas destas pessoas dispostas a "compreender" os terroristas, a procurar "compreender" o que os leva a fazer o que fazem, estejam pouco dispostos a tentar "compreender" o racíocínio dos líderes políticos israelitas.
Israel está rodeado de inimigos. E desde o primeiro dia da sua existência, é alvo de esforços para que ela desapareça. Obviamente, luta para sobreviver. O que significa que os inimigos sofrem baixas. E como Israel tem sido bem sucedido, os inimigos têm sofrido baixas consideráveis. Isto tem como resultado o tal "aprofundamento da humilhação árabe" que alimenta os grupos terroristas com novos recrutas, dispostos a morrer para matar um israelita que seja. O que as boas consciências defendem é que Israel, para evitar este ciclo vicioso de confronto, não reaja aos ataques de que é alvo. Que procure, através da diplomacia, um consenso com a "opinião árabe". Defendem, no fundo, que Israel "dê a outra face" ao ser esmurrado.
Parece que Jesus Cristo terá um dia aconselhado os fiéis a fazerem-no. As boas consciências, claro, não aprenderam isso com Jesus (coisa de reaccionários). Aprenderem isso naquele filme sobre aquele senhor indiano careca, que se vestia como uma militante do BE e deixou de comer para impressionar os ingleses. Mas ao contrário do que o senhor indiano careca pensava, "dar a outra face" não funciona. Ou por outra, só funciona enquanto do outro lado estiver uma opinião pública ocidental que vê nessa oferta um sinal de coragem. Não funciona quando do lado de quem esmurra está alguém que vê na oferta da outra face um sinal de fraqueza, uma coisa de americanos que fogem da Somália, de gente que bebe Coca-Cola e gosta de mulheres despidas. Quando do outro lado está alguém disposto a morrer para matar, "dar a outra face" é uma atitude de um "cavalo cansado" que obviamente tem de "ser abatido" (bin Laden dixit).
De facto, Israel parece ter entrado numa situação da qual não pode sair. O problema é que não poderia ter deixado de entrar. É certo que a ofensiva sobre o Líbano fragiliza o seu governo, e poderá dar ao Hezbollah maior capacidade de recrutamento (embora seja conveniente lembrar o significativo número de pessoas no Líbano que culpam o Hezbollah por toda esta situação). Mas ter ficado quieto, ter oferecido "a outra face", seria convidar o Hezbollah a espancar o corpo todo.
É este o grande problema que Israel enfrenta. Os seus inimigos querem destruí-lo. Se não for capaz de os vencer, eles conseguirão fazê-lo. Se os vencer, eles terão mais vontade ainda de o destruir. O Hezbollah (com a Síria e o Irão) quis provocar Israel? Quis. Israel caiu na provocação, fazendo o jogo dos seus inimigos? Sim. Poderia ter agido de outra forma? Não. Se a intenção do Hezbollah era provocar Israel, continuaria a levar a cabo novas acções, até que Israel respondesse. Ou seja, continuaria a provocar mortes, sem que as consequências negativas da opção agora tomada por Olmert pudessem ser evitadas (visto que Israel, mais tarde ou mais cedo, teria que reagir). Isreal colocou-se a si próprio numa situação da qual não sabe como fugir. O mais dramático é que dificilmente poderia ter seguido outro caminho.
Posted by Bruno at 09:31 PM
julho 24, 2006
Responsabilidades
Uma das ideias mais repetidas a propósito da mais recente crise no Médio Oriente é a de que Israel, com a sua conduta, está apenas a "lançar achas para a fogueira". Que está a provocar, na "rua àrabe", mais reacções de ódio. É possível que sim, embora dificilmente pudesse fugir a isso (uma questão para outra altura). Mas não deixa de ser útil ler este pequeno texto do meu amigo João Carlos Silva. Segundo o João, "num canal (respeitável) de outro país", uma família libanesa terá dito, ao entrevistador, que "os membros do Hezbollah («terroristas», pelas suas palavras) são os culpados da crise e deviam ser apanhados", não tendo dirigido "nem uma palavra contra Israel". Aparentemente, apenas querem "condições para viver". De facto, na comunicação social estrangeira, tem sido bastante notado o significativo número de libaneses que atribuem a responsabilidade da sua situação ao Hezbollah. Na portuguesa, nem se ouve. Não quero com isto dizer que os libaneses estejam particularmente gratos a Israel pelo que se está a passar, nem que essa circunstância legitime a acção israelita (ela é legítima, mas por outras razões). Quero apenas dizer que a comunicação social portuguesa não consegue escapar à sua falta de profissionalismo, e à tentação de alinhar com todos aqueles que estejam contra Israel, atribuindo as culpas de tudo a este último, e ignorando os que não pensam assim, ignorando as opiniões que não se encaixam na sua idealizada versão dos acontecimentos.
Posted by Bruno at 06:15 PM
julho 23, 2006
Sopranos
O leitor certamente saberá que a Dois começou recentemente a transmitir a sexta (e última) temporada dos Sopranos. Só não sabe é a quantidade de problemas que isso me tem causado recentemente. São tantos que terão de ficar para outra altura...
Posted by Bruno at 06:54 PM
julho 21, 2006
Pior Que Guterres
As notícias do recente aumento do número de funcionários públicos, promovido pelo Governo de José Sócrates, diz-nos desde já o seguinte: este Governo como o de Guterres. Enquanto o país dorme docemente, enquanto a comunicação social se deixa encantar pelos artifícios socialistas, o Governo vai agravando os problemas do país. Mas enquanto os cidadãos viam Guterres como um frouxo, que pouco ou nada fazia, olham agora para Sócrates como alguém que "faz". Enquanto depressam se cansaram do primeiro, irão dar sempre o benefício da dúvida ao segundo, pelo simples facto de este lhes parecer "decidido", "firme". Este Governo fará as mesmas asneiras que o de Guterres, mas devido à imagem do seu líder, durará mais tempo. O preço que teremos de pagar por elas será, portanto, bastante maior.
Posted by Bruno at 10:01 PM
julho 20, 2006
O Que o PSD Não Deve Dizer
É pena, mas no que toca ao PSD, por cada elogio que se faça a Marques Mendes e à oposição conduzida pelo partido, é necessário ter logo uma crítica preparada. A prestação no debate de hoje, com a Ministra da Educação, é um bom exemplo disso. Pedro Duarte, porta-voz para a Educação, criticou, e bem, a Ministra, pela medida de excepção que esta aplicou, ao permitir a alguns alunos a repetição do seu exame do 12º ano. Percebeu e apontou as razões pelas quais tal decisão é uma má decisão. Mas, de seguida, não conseguiu evitar a asneira. Um partido como o PSD, um partido que quer aplicar propostas como as que o PSD fez para a Educação ou para a Segurança Social, não pode criticar um Governo pelo simples facto de este ir contra parte significa da opinião ou dos grupos de pressão. Um partido que, como o PSD, quer uma política alternativa à deste Governo, uma política que vá mais longe que a deste Governo, não pode, como fez Pedro Duarte, usar o simples facto de diversas entidades estarem contra a Ministra da Educação como argumento suficiente para a criticar. Se o PSD, quando chegar novamente ao Governo, quiser aplicar aquilo que agora propõe, terá que enfrentar uma oposição ainda maior que aquela que se tem levantado contra a Ministra da Educação. Ao dizer aquilo que Pedro Duarte hoje disse, o PSD não só enfraquece a sua crítica ao Governo, não só perde o capital de simpatia (perdoe-se o jargão) que algumas das suas propostas atraem em certos sectores, como diminui a margem de manobra à disposição de um seu futuro Governo. Um pouco de prudência nunca fez mal a ninguém.
Posted by Bruno at 09:49 PM
julho 19, 2006
A Evidência
Sempre que ocorre uma situação particularmente tensa em qualquer parte do Mundo, logo um coro de bem-intencionados se manifesta: "onde está a Europa?". Querem, claro está, que a Europa tenha uma "verdadeira política externa". Uma "posição comum". E sempre que ocorre no mundo uma situação particularmente tensa, e a Europa não surge unida, olham para esse mesmo facto indesmentível como sendo uma razão para mudar as coisas. Para estes bem-intencionados, o facto de uma política externa europeia não ser uma realidade é a prova de que deveria existir. Agora que Israel ataca o Líbano, procurando enfraquecer o Hezbollah, novamente o coro se manifestou. Novamente o coro perguntou "onde está a Europa?". Novamente o coro não viu a evidência.
Quando países como a Espanha ou a França não hesitam manifestar a sua posição de condenação de Israel, quando o governo francês viaja para o Líbano para declarar o seu apoio a um Governo que ou não tem capacidade de controlar o Hezbollah (como devia) ou não o quer controlar (como o Irão, que apoia a dita organização), como pode haver uma política externa europeia? Como conciliar a posição francesa, ou a posição espanhola, com a posição inglesa, por exemplo? O facto de a "Europa" não se "mostrar", ao contrário do que pedem as boas consciências, não mostra que a "Europa" é necessária. Mostra que dentro dela, há muitas opiniões divergentes e inconciliáveis. E que, forçando a criação de uma política externa comum, a única coisa que se estaria a fazer seria potenciar os efeitos dessas divergências. Forçar a criação de uma política externa comum transformaria essas divergências entre países soberanos como a França e a Inglaterra, num conflito institucional no seio da UE. Aí, os bem-intencionados perguntariam novamente "onde está a Europa". E aí, a "Europa" estaria em guerra.
Posted by Bruno at 06:32 PM
Abrupto
Parece que têm ocorrido algumas tentativas de "deitar abaixo" o Abrupto. Não só por se tratar do blog que é, mas também por eu próprio já ter passado por isso, espero que tudo se resolva.
Posted by Bruno at 06:25 PM
Actualização
O post de agradecimento às simpáticas notas de parabéns pelos três anos deste blog, depois de alguns lapsos, e de alguma demora a aperceber-me de alguns dos posts, está, espero eu, finalmente actualizado.
Posted by Bruno at 06:13 PM
julho 17, 2006
O Verdadeiro Significado das Palavras de Sócrates
Uma das razões que levam o Primeiro-Ministro a considerar a proposta de Marques Mendes para a Segurança Social uma má proposta, reside num eventual aumento da dívida pública, que Sócrates aparentemente não quer alimentar. Tanto o João Miranda como o André Azevedo Alves desmentem que assim seja. Não contesto. Mas as palavras do Primeiro-Ministro merecem atenção. Qualificam mais a sua acção, e diz-nos mais acerca do futuro, do que as considerações acerca da validade do seu argumento. Admitamos que, ao contrário do que o João e o André dizem, a proposta de Marques Mendes faria aumentar a dívida pública. O que é que Sócrates nos está a dizer quando diz que tal consequência é um factor suficiente para rejeitar a possibilidade de permitir aos indivíduos deslocarem parte das suas pensões para um fundo de capitalização privado? Convém não esquecer que é o próprio Governo que diz que estas reformas não garantem a sustentabilidade do sistema para a eternidade. Diz-nos, como já tinha dito antes e não se verificou, que estava garantida para os próximos quarenta anos. Mas ao dizê-lo, está tambémn a dizer que, mais tarde ou mais cedo, outras mudanças terão de ser aplicadas ao sistema público de pensões. Ao rejeitar a proposta de Marques Mendes, o Primeiro-Ministro está apenas e só a dizer que não haverá outra hipótese que não repetir a solução agora adoptada, mas acentuando-a. Ao não querer abrir a Segurança Social à liberdade de escolha, o Primeiro-Ministro está apenas e só a dizer que não resta outra alternativa que não, daqui a uns anos, aumentar a idade da reforma, e diminuir o valor das pensões. Ao rejeitar a proposta de Marques Mendes, quer o argumento apresentado seja válido ou não, o Primeiro-Ministro está apenas e só a dizer-nos que não nos resta outra alternativa que não o nosso progressivo empobrecimento. Na hora de votar, convém que nos lembremos disto. E convém que nos lembremos que há uma alternativa. E que ela foi apresentada.
Posted by Bruno at 07:14 PM
A Ler
Sobre a situação no Médio Oriente, o texto do Fernando Gabriel, o texto do Adolfo Mesquita Nunes e o texto de Fernando Martins.
Posted by Bruno at 07:01 PM
julho 16, 2006
Agradecimentos
Em altura de aniversário, vêm também os obrigatórios agradecimentos. Para além dos que me enviaram simpáticos mails (que obviamente agradeci), tenho ainda de agradecer à senhora minha mãe, aos insurgentes que me dão abrigo blogosférico, aos blasfemos, e à Isabel "Miss Pearls". Ficam ainda os parabéns ao Luís Carmelo, cujo blog nasceu no mesmo dia.
Actualização: fica aqui o agradecimento à rapaziada do Causa das Coisas, do Arte da Fuga, e do Office Lounging.
Actualização 2: falta ainda o agradecimento ao dos Santos.
Actualização 3: imperdoável não ter agradecido ao senhor do Espumadamente, que é como diz o povo, "uma simpatia de pessoa". Falta também agradecer ao Bruno Gonçalves, a quem também peço desculpa pelo indesculpável atraso.
Posted by Bruno at 09:46 PM
julho 15, 2006
Três Anos
Três anos nisto é muito tempo. Tempo perdido, dirá o leitor, ao ver a pobreza do que aqui se escreve. Mas não é, caro leitor. Como levo uma vida bastante desinteressante, nenhuma parte do tempo que, nestes últimos três anos, dispendi com este cantinho, se perdeu para o que quer que seja.
Posted by Bruno at 10:40 AM
julho 14, 2006
Em Vão
Segundo o Independente desta semana, no PSD, alguns "militantes invocam Sá Carneiro". O leitor dirá que se trata de um erro do Independente, que os militantes irão "evocar" Sá Carneiro, e não, como é óbvio, "invocá-lo". Mas, e apesar de alguns esforços meritórios de Marques Mendes, o actual estado do partido leva a crer que o que os militantes realmente desejam fazer é "invocar" o seu antigo líder. Quer seja essa a sua intenção, quer se trate da incompetência do autor da notícia, uma coisa é certa. Sá Carneiro não vai aparecer. Bem sei que há um deputado social-democrata que lê o que "está escrito nas estrelas", mas especialista em sessões "espírita", não conheço nenhum.
Posted by Bruno at 10:05 PM
julho 13, 2006
Confissão Involuntária
Na sua entrevista a Maria João Avillez, o Primeiro-Ministro "explicou" a razão pela qual a proposta de Marques Mendes sobre a Segurança Social é, no seu entender, uma má proposta. Para o Primeiro-Ministro, a proposta é inaplicável porque, ao pretender que os "jovens" passem a poder contribuir para fundos privados, retirando assim dinheiro do sistema público, esse sistema público não poderia sobreviver. O que, involuntariamente, o Primeiro-Ministro acabou de confessar, foi que o sistema público da Segurança Social funciona como um sistema de pirâmide, em que os rendimentos dos actuais beneficiários são provenientes dos beneficiários futuros, sendo que estes só beneficiarão de alguma coisa se existirem no futuro contribuintes em número suficiente, e com dinheiro suficiente, para os alimentar. Confessou, involuntariamente, que não há forma de garantir a sua sustentabilidade, que não há forma de garantir que os contribuintes actuais vejam no futuro o retorno dessa contribuição. Confessou, involuntariamente, que o sistema público de Segurança Social é como a Afinsa. Com uma pequena diferença: o dono da Afinsa diz-se inocente. O Estado, na voz do Primeiro-Ministro, confessa-se culpado. Mesmo que involuntariamente, confessa-se culpado.
Posted by Bruno at 09:20 PM
julho 12, 2006
O Que Importa ao PS
No debate sobre o Estado da Nação, o líder da bancada parlamentar do PS, Alberto Martins, limita-se a disparar uns ataques ao PSD e ao seu líder. Deve ser uma questão de prioridades.
Posted by Bruno at 04:45 PM
Justiça
Como bem notou Marques Mendes, o Primeiro-Ministro não dedicou um minuto dos 45 com que presenteou quem o conseguiu ouvir aos problemas da Justiça. Pormenor a lembrar de que cada vez que o Governo vier falar do seu ímpeto reformista na àrea.
Posted by Bruno at 04:29 PM
Não Minto
Juro que estive quase a adormecer com o discurso que o Primeiro-Ministro está fazer no debate do Estado da Nação.
Posted by Bruno at 04:24 PM
julho 11, 2006
O PS e o Futuro
Depois do Mundial, já se pode voltar à vida normal. Para os nossos representantes na Assembleia, isso significa o Debate do Estado da Nação, amanhã à tarde. Mas no partido do Governo, há quem já esteja a pensar no próximo Congresso. Segundo o Expresso (convém, portanto, manter algumas reservas quanto à veracidade da coisa), alguns dirigentes distritais querem que o Congresso seja ao palco de um "debate ideológico que enquadre a acção do Governo", enquanto "os mais próximos de Sócrates" não acham que este seja um momento "oportuno para querelas ideológicas e teóricas". Percebe-se a ideia de Sócrates. Sócrates é que não percebe o que se está passar.
Como Pedro Adão e Silva escreveu na Atlântico, num artigo que convém não ficar esquecido durante os próximos anos, o PS encontra-se num dilema, entre fazer o que entende ser necessário fazer, fragilizando a sua base de apoio, ou fortalecer a sua base de apoio, deixando de faezr o que entende ser necessário fazer. Como já aqui escrevi, o dilema seria menos grave se o PS fizesse o que realmente era necessário fazer. Como não faz, será inevitável que mais tarde ou mais cedo, o descontentamento com o progressivo empobrecimento dos cidadãos a que estamos condenados, tire o PS do poder. Aí, a base de apoio marginalizada pelo PS, em detrimento da prossecução da sua política, virar-se-à contra a direcção, numa luta fratricida que em muito fragilizará o PS.
É por isso que o PS enfrenta outro dilema, para além daquele que Adão e Silva identificou. Poderá discutir a "teoria" e a "ideologia" agora, altura em que Sócrates se encontra numa posição de força, mas em que a discussão poderá ter o efeito negativo de mostrar aos cidadãos que a política do Governo não é a única possível (se até no partido do Governo há divergências, então certamente elas existirão na sociedade em geral), estreitanto a margem de manobra governamental, ou poderá deixar essa discussão para mais tarde, para depois da sua queda, arriscando-se à tal luta fratricida que se está a cozinhar no PS desde a fuga de Guterres.
Posted by Bruno at 10:36 PM
julho 10, 2006
A Cabeçada do Deus Calvo
Que eu tenha dado por isso, ainda ninguém percebeu o significado da cabeçada que Zidane deu a Materazzi na final de ontem. Durante anos, Zidane jogou como ninguém. Quase parado, tirava três adversários do caminho. Quase sem mexer o pé, dava a bola aos colegas de equipa sem que os adversários se apercebessem do que lhes tinha acontecido. Durante anos, pareceu um Deus omnipotente (calvo, é certo, mas mesmo assim omnipotente) que havia descido à Terra para mostrar aos humanos como se joga futebol. Ontem, último jogo da sua carreira, continou a fazê-lo. Aquele penalty, marcado daquela maneira, é um acto divino, para além do alcance da compreensão humana (por isso foi necessária a repetição para ver se a bola tinha entrado. As acções de Deus só são compreensíveis para os homens em câmera lenta). Até que aos 108 minutos, tantos minutos como os jogos que fez pela selecção francesa, este deus calvo deixou-se ferir por um demónio, um jogador que de sobrehumano só tem a altura e a falta de decência. E, sem que ninguém tenha percebido a razão (os desígnios divinos são assim, misteriosos), aos 108 minutos, aquele Deus omnipotente encostou a sua calvície ao peito do demónio tatuado. Aos 108 minutos da final do Mundial, aquele Deus mostrou que também erra. Que também se ofende. Que também perde a calma, ele que quase não festeja os golos. Que também é capaz de atitudes estúpidas e indesculpáveis. Aos 108 minutos da final do Mundial, tantos minutos como os jogos que fez pela selecção francesa, Zidane mostrou que era tão humano como qualquer um de nós. Mas que, mesmo assim, joga futebol como ninguém. Não é uma má maneira de acabar a carreira.
Posted by Bruno at 11:08 AM
julho 09, 2006
O Fim
Houve choro, de facto. E de tristeza. Zidane perdeu. Zidane disse adeus ao futebol. Pendurou as botas. Pior, foi expulso. Todos dirão que acabou a carreira da pior maneira. Não é verdade. Poderia ter-se arrastado pelos relvados, já acabado, já morto, já sem saber jogar, sem saber sair na altura certa. Zidane saiu no topo. Numa final do Campeonato do Mundo. A "fazer um jogão" na final do Campeonato do Mundo. Foi expulso, é verdade, e com uma agressão indesculpável (apesar de ter sido uma agressão a Materazzi, que, como saberá quem tenha visto um Milan-Inter numa meia-final da Liga dos Campeões de há uns anos atrás, merece ser agredido o mais possível). Mas foi expulso depois de um "jogão". Foi expulso depois de mostrar, a todos os que estavam a assistir, que nunca verão, como nunca antes tinham visto, um jogador assim. Foi um final trágico, dramático, com lágrimas. Mas foi melhor que um adeus na sombra, sem ninguém dar por nada. Daqui a cinquenta anos, falar-se-á desta final. E por muito que a Itália tenha merecido ser campeã, que o mereceu como a França o teria merecido, falar-se-á desta final como a final em que Zidane foi expulso no último jogo da sua carreira.
Posted by Bruno at 11:19 PM
A Final do Mundial
A Final de hoje tem tudo para ser um jogo histórico. Não só por ser o confronto entre as duas melhores equipas do Mundial (seguidas de perto pela Alemanha, que merecidamente ficou em terceiro lugar), e não só por ser o confronto entre os dois melhores jogadores deste Mundial, Zidane e Pirlo. Mas essencialmente, por ser o último de um deles, Zidane. Aconteça o que acontecer, haverá choro no fim do jogo. Se Zidane ganhar, será o final perfeito de uma carreira espantosa. Se perder, será o final trágico dessa mesma carreira.
Posted by Bruno at 12:58 PM
julho 08, 2006
O Que Parece
Uma das razões pelas quais o CDS/PP nunca poderá ser um partido indispensável (poderá ajudar, mas nunca ser indispensável) na construção de um projecto político liberalizante para o país está bem à vista na mais recente polémica interna. Não sou propriamente um conhecedor das intrigas mais profundas do CDS/PP. Não conheço, para pôr a coisa de outra forma, o "aparelho" do CDS/PP. Por isso, tudo o que possa dizer são meras impressões pessoais. Mas é também apenas e só isso que faz o eleitor comum. E de facto, quando Ribeiro e Castro quer limitar os mandatos dos dirigentes distritais, o que parece é que quer fragilizar a posição de alguns dos seus adversários internos. E os seus adversários internos, quando vêm falar da questão, e especialmente com o tom com que vêm falar da questão o que parece é que apenas estão a aproveitar mais uma oportunidade para se atirarem à cabeça do seu pouco estimado líder. O que parece, é que ambos estão mas preocupados com as suas quezílias mais obscuras, e pouco virados para o país. Posso estar enganado, e ambos estarem repletos de nobres razões para tomarem as posições que tomaram. Mas a impressão que fica é a de que se trata precisamente do contrário.
Posted by Bruno at 10:30 PM
julho 07, 2006
Estado de Alma

Exumado.
Posted by Bruno at 09:47 PM
julho 06, 2006
Tom Jornalístico
As eleições mexicanas tiveram como resultado uma diminuta distância entre os dois principais candidatos. O candidato da esquerda não reconhece a vitória do candidato da direita. Diz mesmo que tem provas de irregularidades em certas regiões. Não sei se o caro leitor se lembra, mas ainda há pouco tempo, realizaram-se eleições em Itália. Tiveram como resultado uma diminuta distância entre os principais candidatos. Berlusconi (o candidato da direita) não quis reconhecer a vitória de Prodi (o candidato da esquerda). Disse mesmo que tinha provas de irregularidades em certas regiões. Para a comunicação social portuguesa, tais reclamações apenas mostravam a malvadez da personagem, o seu carácter defeituoso, e o ódio à vontade do povo, típica dos vigaristas. Suspeito que o tom dos nossos jornalistas não se repetirá com o candidato da esquerda mexicana.
Posted by Bruno at 10:14 PM
julho 05, 2006
Dúvida Para o Jogo de Hoje
Sócrates ou António Costa nas bancadas?
Posted by Bruno at 06:33 PM
julho 04, 2006
O Simplex Não Chegou ao Simplex
Maria Manuela Leitão Marques, coordenadora do famoso programa de simplificação da máquina administrativa do Estado, o Simplex, veio afirmar que o dito programa tem enfrentado algumas dificuldades de aplicação, dificuldades essas motivadas pela "complexidade legislativa" e má "articulação" entre os ministérios. Ou seja, a simplificação burocrática ficou perdida no meio do labirinto burocrático que quer simplificar. Não deixa de ser irónico, e sintomático dos problemas que o país enfrenta. O Governo certamente aproveitará para dizer que estas dificuldades são a prova de que é necessário avançar mais. Mas esta admissão das complicações do Simplex são bastante reveladoras do carácter do comportamento governamental. Revelam aquilo que António Barreto há muito viu neste Governo: as medidas que este anuncia ir tomar são alvo de grandes elogios, sendo que quando a sua aplicação tarda em se tornar efectiva, ou quando alguns dos seus aspectos são convenientemente abandonados algum tempo depois, o Governo já não é alvo de crítica. O Governo pode pensar que isto o favorece. De facto, recebe elogios pelo que diz ir fazer, e não é criticado quando não o faz, ou quando faz outra coisa. Mas a longo prazo, a repetição desse comportamento acabará por minar a sua credibilidade.
Posted by Bruno at 06:04 PM
julho 03, 2006
Dois Anos
O Arte da Fuga está hoje de parabéns.
Posted by Bruno at 06:44 PM
Passos Perdidos (a minha "coluna" mensal no Insurgente)
A Encruzilhada
Portugal não sabe que caminho seguir para enfrentar os desafios colocados pela moderna globalização, e os principais partidos, PS e PSD, não têm condições para fazer essa escolha.
Os portugueses já se habituaram às notícias de fechos de fábricas. Nos últimos anos, estas têm-se tornado recorrentes. Tal como a animada comoção que rodeia o acontecimento. O que tem escasseado tem sido, por seu lado, a compreensão do fenómeno. Ninguém parece perceber por que razão essas fábricas fecham, ou, se alguém o percebe, finge não perceber. Finge não perceber que tais notícias são a consequência natural da globalização, e da incapacidade portuguesa de a ela se adaptar.
O que poderia fazer o país? Poderia, como pretendem os sindicatos, garantir, através do Estado, a protecção desses empregos que não têm capacidade competitiva de sobreviver. Tal opção constituiria um desvio de recursos das empresas que produzem riqueza para empresas que apenas a irão consumir. Mas a alternativa é, pelo menos a curto prazo, o desemprego de um número significativo de pessoas, e a fuga de capital para fora do país. De facto, a globalização parece colocar Portugal num particular dilema: país demasiado pobre em recursos e qualificações, e portanto, sem capacidade para competir com a concorrência estrangeira, é demasiado pobre para ficar entregue a si próprio.
Na realidade, se perguntarmos a um qualquer cidadão português se ele quer pagar mais ou menos impostos, certamente que ele responderá que quer pagar menos. Se lhe perguntarmos se ele prefere um sistema de saúde público ou um privado, dirá que prefere o público. Não lhe ocorre que o Estado, para lhe dar a protecção que ele deseja, precisa de parte da sua riqueza, parte da riqueza do seu vizinho, que retira mensalmente do que ganha pelo seu trabalho. O que escapa ao comum cidadão português é a noção de que qualquer opção política tem custos. O Estado-Providência, do qual o comum cidadãos português não quer abrir mão, tem custos. Cada vez maiores. Precisa do dinheiro dos contribuintes. A tendência demográfica que se observa em Portugal apenas agravará esses custos. Teremos cada vez mais pessoas, e durante mais tempo, a beneficiar da protecção. E cada vez menos pessoas para a garantir. O que significa que esse grupo cada vez menor de pessoas terá de ser cada vez mais sobrecarregada com os custos dessa protecção.
O que se pode fazer? Uma opção seria a privatização dos serviços que o Estado hoje presta, garantindo que aqueles que, por si só ou pela ajuda da família ou da comunidade, a eles não podem aceder, tivessem, por parte do Estado, a ajuda necessária para o poderem fazer. Essa opção faria com que se reduzisse a carga fiscal, tanto sobre as empresas como sobre os indivíduos. Mas tal como a manutenção do Estado-Providência, tal opção teria custos. Os indivíduos teriam maior responsabilidade sobre os gastos em serviços como a saúde e a educação, teriam responsabilidade sobre o dinheiro que ganham e a forma como o gastam. E estariam, sim, mais desprotegidos. Tomar as suas próprias decisões e arcar com as responsabilidades das decisões que se tomam implica alguma dose de incerteza. Ainda para mais, o levar a cabo das reformas que tal opção política implicaria, significaria, a curto prazo, uma série de sacrifícios a uma série de pessoas.
Estas escolhas inevitáveis, e os inevitáveis custos que implicam, seja os custos da protecção dos empregos tornados obsoletos pela globalização, sejam os custos da abertura total à concorrência trazida pela globalização, sejam os custos da manutenção do Estado-Providência, sejam os custos do seu fim, estão ausentes da luta política. Tanto o PSD como o PS não tratam destas questões que, a longo prazo, influirão como nenhuma outra na vida das pessoas. Nenhum dos partidos põe em causa o Estado-Providência, embora haja, do PSD, uma louvável tendência liberalizante, à qual falta sempre mais um passo (vejam-se s recentes propostas para a educação), cuja ausência implica que não exista uma verdadeira escolha entre dois caminhos que acabarão por se nos deparar.
Na realidade, nenhum dos partidos está em condições de fornecer essa alternativa. Nenhum pode dizer que a manutenção do Estado-Providência significará o empobrecimento progressivo dos portugueses, e nenhum deles pode oferecer a mudança. O PS, como escreveu Pedro Adão e Silva em recente número da revista Atlântico, arrisca-se, com a política que está a levar a cabo, a fragilizar a sua "relação com a sua base social" de apoio. E isto com uma política que (coisa que Adão e Silva, obviamente, não diz) mais não é que uma tentativa vagamente desesperada de manter o que existe. O PSD, por sua vez, é, historicamente, o partido das reformas. Foi assim com Sá Carneiro, foi assim com Cavaco. Por várias razões, já não foi assim com Durão, e muito menos com Santana. O PSD havia-se já tornado um partido de homens dependentes de uma máquina estatal que, por isso mesmo, não podem mudar. Para mais, a desgovernação de Santana minou toda e qualquer credibilidade que o PSD pudesse ter, e sem credibilidade, nenhum voz pode pedir os sacrifícios que a mudança exige, para que possa permitir que se obtenham proveitos.
Assim, continuamos a ter dois partidos que perpetuam a ilusão de que tudo pode continuar na mesma, em vez de termos uma clara alternativa entre um partido que defenda a muito legítima preferência por um modelo que, à custa de menor riqueza, proporcionará uma maior segurança aos indivíduos, e outro partido que defenda a (do meu ponto de vista preferível) preferência por um modelo de menor protecção, mas onde os indivíduos tenham a oportunidade de poderem vir a viver um pouco melhor. PS e PSD, pela sua própria natureza, pela própria natureza da conjuntura política que atravessam, mostram-se incapazes de oferecer uma escolha aos eleitores. Nenhum pode oferecer uma alternativa ao que existe. E nenhum pode oferecer uma alternativa ao que oferece o outro. Condenam-se assim à sua própria irrelevância. E pior, condenam o país à encruzilhada com que se deparou.
Posted by Bruno at 06:42 PM
Mundo Moderno (publicado no Insurgente)
Com o mundo moderno de olhos postos no Mundial de Futebol, o seu homónimo espaço ressente-se. Alguns comentadores avisam que esta é uma boa altura para o Governo "pedir sacríficios". Não há, no entanto, razão para o caro leitor se preocupar. Para isso seria necessário que o Governo fizesse o sacríficio de olhar um pouco menos para o que se passa nos relvados da Alemanha. Se não fosse a demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros, até se poderia pensar que a única questão de política externa de Portugal era a suposta entrevista de Pauleta a um orgão da imprensa inglesa. No mundo real, um soldado israelita foi raptado por terroristas palestinianos. As boas consciências temem que a reacção israelita coloque "entraves" ao "processo de paz". Segundo o DN, Chirac rejeita uma visão "apocalíptica" da França. A não ser que esteja a falar da selecção de futebol, isso só quer dizer que tem mantido os olhos bem fechadinhos. Warren Buffett, milionário norte-americano, doou mais de metade da sua riqueza à fundação filantrópica de Bill Gates, mostrando mais uma vez a abjecta perversidade do "grande capital".
Posted by Bruno at 06:37 PM
julho 02, 2006
Quem Tramou Francisco Louçã?
Tem sido repetida à saciedade a ideia de que a política do actual Governo coloca particulares dificuldades ao PSD, impedindo o partido de Marques Mendes de conduzir uma eficaz estratégia de oposição. Tem sido pouco notada a dificuldade que o BE tem tido para ter a mesma eficácia contestária que evidenciou em anos anteriores. Poder-se-ia dizer que tais dificuldades se devem ao facto de este ser um Governo socialista, teoricamente mais próxima do BE, o que dificultaria a agitação mediática que o BE tanto aprecia. Mas tal suposição entraria em contradição com a ideia de que o PSD vê a sua vida dificultada por um "Governo PS" que mais não seria que um "Governo PSD" mais eficaz. Mas o facto é que, à excepção de uma entrevista ao DN, há algum tempo atrás, e os comentários à demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros (e ao perigoso "alinhamento com a política da NATO" que aí vem com Luís Amado) o BE não tem existido. Só pode haver uma explicação. O BE sempre dependeu da simpatia mediática pela sua pequena mas animada congregação. Não foi espaço político, nem margem de manobra para marcar uma agenda, que o BE perdeu. Foi a tradicional complacência da comunicação social para com os governos socialistas que fez com que ao BE não seja dada a atenção do costume.
Posted by Bruno at 10:22 PM