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março 31, 2006
Cidadania
Ao que parece, qualquer cidadão com mais de 18 anos que pretenda inscrever-se numa escola secundária (ou grau inferior), só o poderá fazer se apresentar o seu cartão de eleitor. Tudo porque o Governo quer "promover a cidadania". Coercivamente. O Governo tem consciência que muitos jovens não se dão ao trabalho de se recensear. O Governo, que já os obriga a fazê-lo, quer agora fazer um pouco de chantagem com a rapaziada. Nada contra. Mas dificilmente a "cidadania" será promovida. Na boca do dr. Manuel Alegre, as virtudes cívicas têm uma grande importância. Infelizmente, nem todos partilham com ele esse fervor digno de um velho romano da República. Mas a "virtude cívica" não pode ser coerciva, pois se o for, não é virtuosa. É apenas algo que se faz, por se temer a penalização.
Posted by Bruno at 09:00 PM
março 30, 2006
Atlântico
Já está nas bancas o novo número da Atlântico, com um curto mas excelente artigo de Rui Ramos sobre "Conservadores e Liberais".
Posted by Bruno at 09:29 PM
Refugiados
A propósito da questão dos imigrantes ilegais portugueses no Canadá, expulsos deste último país, Pacheco Pereira disse, na SIC Notícias, que não fazia sentido, depois do 25 de Abril, um cidadão português pedir o estatuto de refugiado como forma de garantir autorização de permanência num país estrangeiro. Como sabemos, isto não é verdade. Convém lembrar Fátima Felgueiras, a "primeira exilada política da democracia". Pelos vistos, não era a única.
Posted by Bruno at 09:23 PM
A Ler
No Abrupto, o que escreveu José Pacheco Pereira acerca da "paridade".
Posted by Bruno at 09:20 PM
The Third Man
O meu amigo João considera que "há dois tipos de homens: aqueles que dizem que Sean Connery é o James Bond, e aqueles que dizem que Roger Moore é o James Bond." Eu posso garantir que existe, pelo menos, um terceiro: os que consideram que Pierce Brosnan é o agente secreto britânico. É o meu caso.
Posted by Bruno at 09:15 PM
março 29, 2006
A Política do Governo
O coro não cessa da dar a sua opinião acerca do Governo, e do Primeiro-Ministro em particular. E, como é habitual quando o coro se manifesta, a coisa tem dado asneira. O dr. Delgado, por exemplo, naquela simplicidade de pensamento que o caracteriza, não se cansa de dizer, nos mais variados orgãos de comunicação social, que Sócrates está a levar a cabo a "agenda da direita". O pior é que o coro concorda com Delgado. Aceitemos, para facilitar a discussão, a classificação de "direita". O que o dr. Delgado diz que o eng. Sócrates está a fazer à "direita", ou seja, roubar-lhe a "agenda", diz mais acerca do dr. Delgado, do que da prestação do Primeiro-Ministro. Diz mais acerca do que o dr. Delgado pensa que deverá ser a "direita" e a sua "agenda", do que caracteriza a política do Governo. Diz que Delgado e muitos dos que à "direita" concordam com o seu juízo são tão socialistas como o Governo, e não que o primeiro-Ministro é tão "liberal" como eles supostamente seriam.
Em tempos escrevi aqui que não punha em causa a competência dos membros do Governo (na altura, referia-me, em particular, ao então Ministro das Finanças). Mas que, por muito competente que o Governo fosse, ao país não "basta uma governação responsável. É necessária uma governação que corte com o estado em que está o Estado. Não basta fazer uma gestão responsável do que hoje temos." É isso que está acontecer. O Primeiro Ministro está a governar bem. Está governar bem, está a fazer uma governação competente. E acima de tudo, está a vender bem o que faz. Mas está, competentemente, a levar a cabo uma agenda que eu considero insuficiente. Em última análise, errada. De "esquerda". Estatista.
Veja-se o que o Adolfo ontem escreveu, e que eu aqui citei. As medidas de Sócrates "organizam a burocracia". Mas continua a atribuir-lhe o mesmo papel. Continua a achar que ela deve cumprir as suas funções. Nada que espante neste Governo. Tudo aquilo que este Governo tem levado a cabo, todas as "reformas corajosas" que tem feito, mais não são que uma raciocinalização do "monstro". Uma "gestão responsável daquilo que temos", e não "um corte com o estado em que está o Estado". Sócrates insiste que tudo aquilo que faz, é "na defesa do Estado Social". Ao contrário do que pensa o PCP e o BE, e imagino que parte do próprio PS, Sócrates não está mentir. Sócrates conhece as inúmeras deficiências do Estado. Quer corrigi-las, porque quer que o Estado continue a desempenhar o papel que essas deficiências o impedem de cumprir de forma eficiente. Se esta é a política da "direita" (mantenhamos o discurso a um nível compreensível para o dr. Delgado), é porque a "direita" defende um Estado tão socialista como aquele que o Primeiro-Ministro quer defender, em vez de um modelo de Estado diferente. No fundo, se essa é a política da "direita", o Primeiro-Ministro não lhe está a roubar qualquer agenda. Elas apenas não se distinguem.
Há, no entanto, um outro elemento que deve ser tido em conta, referido no fim-de-semana passado por Vasco Pulido Valente. O Primeiro-Ministro está de facto a roubar algo ao PSD, a imagem de que "faz". A chave do sucesso eleitoral do PSD estava nessa imagem de "desembaraço" governativo. Com a sua acção, e com a forma como propagandeia a sua acção, José Sócrates está a retirar ao PSD aquela que era a sua principal arma. E este é um elemento preocupante. Não é obviamente o destino do dr. Marques Mendes, ou a perda de empregos na Administração Pública para a rapaziada da JSD, o que me tira o sono (diga-se de passagem que nada me tira o sono, porque a minha complicada personalidade me impede de dormir o que quer que seja). Preocupa-me, isso sim, o que isso traduz para o país. Sabendo que o PS não poderá, nunca, sem se arriscar a perder por completo a sua base de apoio, sem cortar por completo com o seu passado, com o seu credo, ir mais longe que isto, a perda de capacidade eleitoral do PSD siginficará o total desvanecer das já de si diminutas hipóteses de um efectivo corte "com o estado em que Está o Estado", e não uma mera "gestão responsável do que hoje temos". Restará, portanto, uma hipótese ao PSD (indispensável) e ao CDS/PP (recomendável): apresentar uma política verdadeiramente alternativa à do PS. Por muito competente que ela seja. Porque por muito apoio que esta ocasionalmente mereça, será sempre insuficiente.
Posted by Bruno at 08:55 PM
março 28, 2006
A Ler
Sobre o mais recente anúncio governativo, o que escreveu o Adolfo Mesquita Nunes:
"As medidas anunciadas pelo governo, e que já são coisa bem melhor do que coisa nenhuma, não vêm acabar com a burocracia. Limitam-se a organizar a burocracia, tornando-a alegadamente mais lesta. A burocracia, como já aqui tenho dito, é o mesmo que o quarto desarrumado de uma criança. Se a mandarmos arrumar o quarto, que faz ela? Pois bem, empilha os brinquedos, mas não os guarda, torna a desarrumação visualmente menos agressiva, abre armários e gavetas e ali despeja, sem arrumar, as porcarias que não convém mostrar a olho nu. Quando os pais entram no quarto, podem até sorrir, mas sabem que o quarto não está arrumado. Toda a confusão continua lá: para se ir buscar uma camisola continua a ser preciso atravessar as pilhas elegantemente desenhadas de brinquedos; para se abrir o armário das calças continua a ser preciso proteger o rosto contra o que dali pode cair e para se fazer a cama ainda é necessário ter cuidado e não partir os objectos escondidos debaixo dela."
Tenciono escrever algo sobre o assunto, mas fica para amanhã...
Posted by Bruno at 09:46 PM
A Guerra do Iraque (publicado no Insurgente)
Quando, a 11 De Setembro de 2001, se deram os atentados terroristas em Washington e Nova Iorque, todos aqueles que não optaram por tapar os olhos da realidade se aperceberam do problema que o mundo enfrentava. Terroristas estavam dispostos a morrer, apenas e só para causar o maior número de mortos possível. Terroristas que não hesitaram em atirar três aviões contra milhares de inocentes (e um quatro que não chegou onde queriam que chegasse), certamente que não hesitariam em usar armas nucleares, ou armas biológicas, se tivessem essa oportunidade. A dimensão que tal uso poderia ter, nomeadamente a morte dos próprios terroristas, não os incomodava. Pelo contrário. Melhor do que niguém, a Administração americana percebeu que conter estes terroristas, e aqueles que os apoiam, era uma impossibilidade. Era preciso agir. Estava-se em guerra. O primeiro passo foi o mais simples. O Afeganistão era a sede dos campos de treino da Al-Qaeda, a organização que havia levado a cabo os ataques. Mais polémico foi o passo seguinte.
O Eixo do Mal
Para os EUA, não bastava caçar Bin Laden. Não bastava sequer capturar os terroristas. Bush percebeu que os terroristas tinham a vantagem de estar sempore um passo à frente. Por muito eficazes que pudessem ser os serviços de informação, por muita ajuda que a superiodade tecnológica dos EUA pudesse dar à "guerra contra o terrorismo", estar-se-ia sempre a seguir os passos dos terroristas, e procurar apanhá-los rapidamente. Bush percebeu que, mais tarde ou mais cedo, alguém voltaria a escapar. Restava portanto uma outra conduta. Procurar impedir os terroristas de, caso passassem pela rede, causarem danos. Restava portanto impedir que estes tivessem acesso aos meios que lhes possibilitariam causar tantos ou mais mortos que aqueles que causaram no 11 de Setembro.
Como poderiam eles adquirir esses meios? A resposta parecia simples. A estados que com eles partilhavam um sentimento. Um ódio generalizado ao Ocidente, e um particular desprezo pelos EUA. Pouco interessava a Bush se Saddam tinha ou não colaborado com a Al-Qaeda, ou o facto da Coreia do Norte não ser um país fundamentalista islâmico. E fez muito bem em não se preocupar com tais minudências. Porque o que é verdade é que, com a Al-Qaeda, partilhavam esse ódio aos EUA. E se até aí não tinham colaborado, a hipótese de tal vir a acontecer não era assim tão improvável.
O Ladrão de Bagdad
Porquê o Iraque? Na simplicidade do pensamento radical, colocavam-se duas hipóteses. Ou era por causa do petróleo, que Cheney beberia ao pequeno almoço, ou pela vingança contra Saddam, com Bush sonharia todas as noites. Infelizmente, eram problemas um pouco mais sériuos do que aqueles que o cerebrozinho conspirativo consegue compreender. Após o final da primeira Guerra do Golfo, a posse de WMD pelo regime iraquiano era conhecida. A sua destruição, exigida pela coligação vencedora, nunca foi provada. Durante anos, Saddam evitou sempre provar essa destruição. De tal forma que todos (todos) os serviços secretos ocidentais pensavam que essas armas existiam. Fossem os dos falcões americanos, fossem os das pombas (vendedoras de caças) francesas, todos acreditavam na existência de tais armas. Os EUA consideravam, e bem, que a conjugação da posse das WMD, a natureza ditatorial e brutal do regime, e o comportamento externo do dito, destestabilizador da região, o tornavam um alvo prioritário. Apesar de uma profunda contestação popular em inúmeros dos países aliados, a intervenção teve lugar. Em pouco tempo, as tropas chegavam às portas de Bagdad, sem que se desse o Apocalipse previsto pela brigada da retirada. Faltava o resto.
Três Anos
A história destes três anos, foi a história do resto que faltava. E que ainda falta. Por questões de política interna, inerentes à justificação "democratizadora" dada para a intervenção, os EUA pareceram ter dado prioridade à "democratização" e não à estabilização do Iraque. Mesmo que não fosse esse o caso, teria sido difícil evitar a sucessão de ataques terroristas no país, muitos deles contra a própria população, facto que não parece chocar as boas consciências. Esse era, aliás, um problema que era de esperar. Um problema que niguém ignorava. O que não se esperava era a ausência das WMD que justificaram, aos olhos de muita gente, a própria intervenção. E essa ausência, mais do que as mortes diárias que os telejornais trazem de Bagdad, trazem problemas difíceis de resolver para os EUA e os seus aliados.
Admitamos, caro leitor, que elas nunca existiram. Nesse caso, por que razão não entregou Saddam todas as provas da sua destruição? Eram conhecidos os programas do Iraque, desenvolvidos até à Guerra do Golfo. Durante anos, várias resoluções da ONU forçavam o Iraque a mostrar que haviam sido destruídas. Essas provas nunca foram dadas. A última resolução aprovada nesse sentido, a famosa 1441, obrigava o Iraque a colaborar imediata e incondicionalmente com as inspecções do senhor Blix. O relatório deste afirmou que essa colaboração imediata e incondicional não tinha existido, e que não tinham sido entregues as provas suficientes. Quem esteve contra a intervenção pedia mais tempo para as inspecções. Argumento falacioso. Não cabia a estas encontrar as WMD, mas sim ao Iraque provar que as tinha destruído. Elas não precisavam de mais tempo. Mais tempo não traria a colaboração que o Iraque não deu, e que estava obrigado a dar. Mas então, mais uma vez, se não as tinha, e admito que não as tivesse, porque não o provou? É uma pergunta para a qual não encontro resposta. Mas há ainda outra questão preocupante, a que traz os mais graves problemas aos EUA. O serviços de informação estavam enganados. Quando estes se enganam de uma forma tão grosseira, torna-se difícil confiar numa futura informação por eles trazida. E o que preocupa não é propriamente o facto, em si, de se atacarem países "errados". Mesmo que se confirme que as WMD não existiam no Iraque, continuo a achar que a guerra se justifica, pois este constituía um factor de desestabilização da região, dificultando a sua pacificação, constituindo assim um enorme risco para todo o Ocidente. O que me preocupa é que os países "certos" não sejam atacados, que os serviços de informação não identifiquem quem realmente comporta uma ameaça para todo o Ocidente. Porque se não o fizerem, o resultado será apenas um: a repetição do 11 de Setembro, porventura com consequências ainda mais trágicas.
A falha dos serviços de informação dos países ocidentais descredibilizou a política ofensiva dos EUA e da Inglaterra. Mais do que a ter descredibilizado, dificultou a margem de manobra que estes países poderiam ter para lidar com ameaças como a do Irão. Na realidade, ter-se-ão perdido três anos. Três anos que o Irão ganhou. Foi um erro, que poderá custar caro. Olhando para trás, vejo que foi um erro. Mas, se hoje soubesse apenas o que na altura se sabia, voltaria a apoiar a intervenção. Por uma simples razão. Achava, como acho, que era preciso fazer alguma coisa. Não sabia, como ninguém, a não ser Saddam, sabia, que, no Iraque, já nada era preciso fazer, porque já tudo estava feito. Ou melhor, que já tudo estava desfeito. Enquanto ao lado, se ia fazendo aquilo que se queria evitar. Esperemos que não seja tarde demais.
Posted by Bruno at 09:42 PM
março 27, 2006
Por Acaso, Não
O Francisco Mendes da Silva, a propósito do que escrevi acerca dos problemas internos do CDS/PP, pergunta-me:
"É por gostares de "linhas programáticas" e te afirmares contra esse tipo de "orientação assente na caça ao voto, ao sabor do vento" (sensibilidade bastante estimável) que votas no PSD. Entendi bem?"
Por acaso, não, Francisco. Em primeiro lugar, porque, infelizmente, nunca votei no PSD. Gostava, isso sim, de ter votado no PSD, se este tivesse apresentado um programa com o qual eu concordasse minimamente. O que quis dizer foi uma coisa muito simples: prefiro uma liderança partidária com a qual eu eventualmente não concorde, mas que siga uma "linha programática", a uma que hoje diz uma coisa, amanhã outra, como se não houvesse diferença entre as duas posições. coisa que, infelizmente, não parece existir na actual liderança do PSD (que tão depressa diz que é preciso aligeirar o Estado, como acusa o Governo de "perseguir" os funcionários públicos).
Mas percebo a tua "acusação" (julgo eu. Se calhar também percebi mal)Achas incoerente a minha crítica à "caça ao voto" e a minha simpatia para com um partido "não-ideológico", catch-all como se diz nos livros. E se era isso que querias dizer, mais uma vez, discordo. A minha simpatia para com o dito partido deve-se a um simples pormenor: acho que é o único que pode levar a cabo as reformas que eu acho que este país precisa, ou mínimo, ir nesse sentido (se há lá gente que queira o mesmo, ou parecido, acredito que sim. Se essa gente conseguirá alguma vez fazê-lo, é mais duvidoso. Mas esse é outro problema). E o facto de ser um partido "não-ideológico" não implica que ande ao sabor do vento. E dou-te um exemplo: Manuela Ferreira Leite, concorde-se ou não, não andou ao sabor do vento. Fez, na medida daquilo que o Primeiro-Ministro da altura lhe deixou, aquilo que achava que era preciso ser feito. Não era "liberal"? Talvez não fosse. Mas não andava ao sabor do vento. O mesmo não se pode dizer do dr. Portas, com aquela facilidade que ele tem de primeiro apelar aos dependentes do Estado, na eleição seguinte aos "empreendedores" e à "iniciativa", e poucos meses depois dizer que "Portugal não é Chicago". De primeiro dizer que Mastricht era uma ameaça à soberania nacional, e sem explicar o porquê de tão espantosa mudança, se mostrar favorável à "Constituição Europeia", que tanto eu como tu preferimos ver no caixote do lixo. Mas justiça lhe seja feita, não é o único, e no PSD a espécie também abunda. E Portas tem o mérito (que alguns dos outros não têm) de sobreviver a essas mutações.
Posted by Bruno at 05:01 PM
março 26, 2006
Milhentas Razões
O Público de hoje garante-nos que existem "milhentas razões" que "levam homens a casar-se sabendo que são gays". Até aqui tudo bem. Confesso que não me espanta. E que percebo as razões invocadas. O que não percebo é o seguinte: o que é que poderá levar um homem, heterossexual (passe a redundância), a casar-se, seja por que razão for. Isto sim, intriga-me.
Posted by Bruno at 08:42 PM
março 25, 2006
Uma Questão de Verdade (corrigido)
O dr. Nogueira de Brito, o saudoso (salvo seja) dr. Nogueira de Brito, que em pequeno ouvia no Flashback, infelizmente há muito desaparecido destas andanças, veio hoje criticar Ribeiro e Castro por este não ter aguentado de forma mais insistente as críticas internas de que tem sido alvo. Neste caso, confesso que discordo do senhor, mas é uma opinião perfeitamente legítima, e que, aliás, compreendo. Mas as suas declarações não se ficaram por aqui. Segundo os jornalistas da SIC Notícias, Nogueira de Brito terá dito ainda que Portas era "o verdadeiro líder do CDS". Um dos jornalistas chegou mesmo a confrontar Ribeiro e Castro com a suposta afirmação. Nas declarações reproduzidas, pelo mesmo canal, vê-se que aquilo que Nogueira de Brito diz é outra coisa completamente diferente: "Portas é o verdadeiro líder daquela bancada" (isto depois de dizer que, se ele se afastou da liderança, após as últimas legislativas, se devia ter afastado por inteiro), o que como se pode ver, nem é bem aquilo que os jornalistas dizem que ele disse. Mais, acaba até por ter o sentido oposto. Nada que incomode os senhores jornalistas. Deve ser por estas e por outras que Nogueira de Brito há muito se afastou da política activa, e do comentário político.
Posted by Bruno at 09:42 PM
março 24, 2006
Os Adversários
PSD e CDS/PP enfrentam problemas semelhantes. Lideranças tidas como fracas por uma parte considerável dos liderados, e pela totalidade da comunicação social, procuram sobreviver politicamente, ao mesmo tempo que procuram cortar com o passado recente. A liderança do PSD parece ter uma vantagem relativa, quando comparados os seus problemas aos do CDS/PP: não tem, ao contrário deste último, um grupo parlamentar que lhe é inteiramente hostil. O grupo parlamentar do PSD está repelto de "aguadeiros" de Santana, mas não é unicamente constituído por eles. já o grupo parlamentar do CDS/PP, não conta com niguém próximo de Ribeiro e Castro, tem lá Paulo Portas e alguns "aguadeiros", para além de gente que, por muito próxima que seja de Portas, me parece (é, apenas e só, uma opinião pessoal) ter ambições próprias. O CDS/PP terá, no entanto, a vantagem de a direccção anterior não ter provocado no partido um efeito de descredibilização tão acentuado como o que Santana Lopes criou no "PPD/PSD". Tendo em conta as particularidades dos dois casos, coloca-se a questão: como sair daqui?
Comecemos pelo PSD. Marques Mendes está na ingrata posição, já muito comentada, de ser contestado por uma série de gente que no entanto, não lhe quer tomar (para já) o lugar. Uns por razões meritórias (não concordando com a sua orientação, pensam que ele é, no entanto, o que melhores condições tem para encetar uma série de mudanças internas), outros porque sentem não ter condições para o tirar de lá (os que "andam por aí"), e outros que esperam pela sua hora, como o seu mentor em tempos esperou, certo que essa hora chegaria, embora ele não soubesse quando. E há, depois, Luís Felipe Menezes. Nulidade por profissão e natureza, Menezes sabe que a única oportunidade que terá para ter o papel que a sua mediocridade lhe negaria em condições normais, não pode esperar. Tragicamente, percebe também que, se for para lá agora, enfrentará o mesmo problema de Mendes. Por isso, hesita.
Marques Mendes deu-lhe a desculpa certa. As "directas" serão marcadas já para Maio. Parece que a rapaziada acha que não há tempo. O que colocará um problema a Marques Mendes. Se ninguém se candidatar contra ele, o efeito mediático que ele pretende produzir com as directas será nulo. Marques Mendes devia perceber isto. E devia portanto marcar as eleições para mais tarde (para depois do Verão). E neste período, esquecer Sócrates. Deveria ter como preocupação exclusiva garantir que teria adversários na corrida interna, para que quando esta se realizasse, ele ganhar com ela as condições para orientar o partido. Deveria por isso passar esses meses que ganharia a provocar Menezes, e acima de tudo, Santana Lopes. Para o derrotar de vez. Para o impedir de "andar por aí". Sendo conhecida a falta de inteligência do "guerreiro menino", qualquer provocação, qualquer acusação de cobardia no caso de ele não se candidatar, o faria lançar-se naquela que seria a sua humilhação final. Claro que a partir daí, o papel de Marques Mendes, na minha opinião, seria praticamente nulo. Não acredito que Mendes consiga reorientar programaticamente o PSD. Mas acredito que possa "limpá-lo", de forma a que as condições necessárias a essa reorientação sejam reunidas.
Já no CDS a questão é, efectivamente, mais complicada. Todos os membros do grupo parlamentar têm por hábito criticar indirectamente Ribeiro e Castro. Estão no seu direito, obviamente. Mas o facto de Ribeiro e Castro não ser deputado torna-o particularmente vulnerável às conspirativas e pouco consistentes investidas do grupo parlamentar (os que acham que estes últimos representam uma facção liberal deviam prestar mais atenção ao que por vezes lá se diz). E tal como no PSD, parece que Ribeiro e Castro não terá adversários no Congresso que se avizinha. Porque a rapaziada do grupo parlamentar está preocupada com a estabilidade que pouco os inquieta quando minam as condições políticas da liderança. E se tal ausência de adversários se verificar, Ribeiro e Castro não reforçará legitimidade nenhuma no Congresso.
Aliás, mesmo que tenha adversários no Congresso, e mesmo que os vença, não reforçará quelquer legitimidade. Legitimidade não lhe falta, e isso não impediu a "banda" de tocar. E tal como esta tocou após a primeira eleição de Ribeiro e Castro, certamente continuaria a tocar depois de uma eventual segunda. Desta armadilha, Ribeiro e Catsro dificilmente conseguirá sair. Talvez de uma forma. Hostilizar abertamente o grupo parlamentar. Dizer, abertamente, "ou eles ou eu". Obviamente que se arriscava a uma derrota mais que certa. Obviamente que, mesmo que daí saísse vencedor, provocaria uma cisão no CDS/PP que, por perder representação parlamentar, decerto o mataria (o que quer dizer que bastaria esta mais que certa perspectiva para garantir que tal situação nem sequer se colocaria, ou seja, que Ribeiro e Castro seria, como já disse, derrotado). Mas dificilmente encontrará outra saída. Ou a adia, mantendo a ilusão de que pode liderar um partido contra a vontade daqueles que, para todos os efeitos práticos, são os seus porta-vozes, ou a precipita, atirando-se para a derrota.
Escrevo isto não sem algum lamento. Apesar das minhas (conhecidas) diminutas simpatias pelo CDS/PP, encarei com bons olhos a subida de Ribeiro e Castro à liderança do dito partido. Ao contrário da dicotomia entre liberais e democratas-cristãos que a comunicação social logo colocou, a luta no Congresso do CDS/PP foi uma luta entre a uma orientação assente na caça ao voto, ao sabor do vento (o percurso portista, e a actuação do grupo parlamentar em algumas questões, como as posições de Teresa Caeiro na questão na Saúde), e uma linha programática. A confirmar-se a inevitabilidade do falhanço de Ribeiro e Castro, confirma-se a inevitabilidade do falhanço do CDS/PP enquanto partido capaz de ser um pouco mais que um veículo de protagonismo do seu líder. Independentemente de tudo o resto, é pena.
Posted by Bruno at 10:19 PM
As Patinadoras
O meu caro companheiro de geração e de insucesso com o sexo oposto Tiago Galvão tece uma série de comentários acerca dos muitos talentos das patinadoras (e das ginastas rítmicas), que, para além de acertadíssimos, merecem ser lidos:
"Gosto de patinagem artística. Gosto do poder físico que as garotinhas ostentam. Sim, só concebo patinagem feminina. Admiro os trajes. Roçam a falta de pudor, sem desprezar a elegância. Ninguém respeita a patinadora artística como eu. Dentro das mulheres constitui uma espécie animal singular. Provém da casta certa. Bonita e delicada, mas, ao mesmo tempo, suficientemente reprimida para ser depravada. Admiro qualquer mulher que treine arduamente toda a vida para, quando estiver no seu auge, ser apalpada por um homem, sem enrubescer, enquanto dá pinos, voltas e reviravoltas só para animar a audiência."
A licensiodade prossegue, diga-se...
Posted by Bruno at 10:12 PM
março 23, 2006
O Problema Francês
Não costumo elogiar os governos franceses. E a razão é simples: eles não costumam dar-me razões para lhes fazer elogios. Veja-se o caso do tão falado CPE. A intenção é meritória. Mas peca por escassa, ao limtar a flexibilidade aos "jovens". Mas a asneira não se fica pela timidez da medida. É agravada pela aparente vontade em "ouvir" a rapaziada que com tanta alegria se tem manifestado nas ruas parisienses. Convenhamos que aqui Villepin tem poucas culpas. É um refém do passado francês. A quantidade de propostas que caem devido à intensidade dos protestos nas ruas convida o bom povo a repetir os ditos protestos. O problema que Villepin enfrenta deriva dos precedentes abertos por alguns dos seus antecessores, que legitimiram o protesto, não apenas como livre manifestação de uma opinião, mas como instrumento de chantagem. Como forma de governo. De cada vez que um governo francês recua, perante a gritaria dos populares, aceita a ideia de que o Governo não tem a legitimidade de tomar um medida que provoque descontentamento. Aceita a ideia de que a expressão desse descontentamento é suficiente para contrariar a opção governativa. É um ciclo vicioso, um ciclo vicioso no qual Villepin foi apanhado, mas que agravará se efectivamente ceder.
Posted by Bruno at 10:08 PM
março 22, 2006
Mr. Jealousy
Um excelente filme de Noah Baumbach.
Posted by Bruno at 10:33 PM
O Regresso
Do Carlos, no Contra a Corrente.
Posted by Bruno at 10:18 PM
março 21, 2006
Um País De Aguadeiros
Não há no ciclismo figura mais trágica que a do "aguadeiro". Lance Armstrong tem a glória de ter ganho sete Tours de France (a única ocasião que justifica uma atitude pacífica para com a França, a única ocasião que justifica algum respeito pela França, e o consequente uso da sua língua é, precisamente, o Tour), e merece essa glória. Até merecia mais. O "aguadeiro" também a merece. Mas ao contrário de Armstrong (ou, como antes, de Indurain), não a tem. Só Marco Chagas e o outro senhor que o acompanha lhe dão o devido mérito (Marco Chagas, o outro senhor que o acompanha, e o maradona, são as únicas pessoas em Portugal que merecem ser ouvidas em relação ao Tour de France). O leitor menos atento aos ensinamentos de Marco Chagas pergunta: quem é o "aguadeiro"? Passo a explicar. O "aguadeiro" é o ciclista que, quando o seu "chefe-de-fila" está na cabeça do pelotão, vem atrás ao carro da equipa, encher os seus bolsos de bidons de água para levar aos seus companheiros. É o ciclista que, quando o adversário ataca, vai em sua perseguição, para poupar o chefe-de-fila. É o ciclista que, onde quer que o seu chefe-de-fila esteja, tem de estar também, para fazer o trabalho sujo. Mas, quando a corrida aperta, é o primeiro a ficar para trás. Deixado sozinho, luta para chegar ao fim da etapa, apenas e só para que, no dia seguinte, possa estar de novo ao lado do seu chefe-de-fila, para que ele, mais uma vez, possa ter a glória que o "aguadeiro" nunca terá.
Portugal é, nem mais nem menos, um país de "aguadeiros". De gente que vai para onde o chefe-de-fila vai, e que faz o trabalho sujo que o chefe-de-fila não pode fazer. E, no país de "aguadeiros" que é Portugal, não há lugar onde eles sejam mais abundantes que na política. Os exemplos são variados. Rui Gomes da Silva, por exemplo. Não existe para além do seu chefe-de-fila. Onde quer que ele esteja, Rui Gomes da Silva está lá. Onde quer que Santana não possa estar, Rui Gomes da Silva está lá. Para carregar as garrafas de água que o chefe-de-fila não pode carregar.
O "aguadeiro" é, para mal dos seus pecados, um ser consciente da natureza trágica da sua função. Por vezes, tenta superá-la. No ciclismo, há casos. Um antigo "aguadeiro" de Lance Armstrong tentou. Obviamente, fracassou. "Quem nasce lagartixa, não chega a jacaré". Quem nasce "aguadeiro", não carrega camisolas amarelas, mas sim bidons. Na política, ocorre o mesmo efeito. Veja-se o caso do dr. Arnaut. "Aguadeiro" de Durão, ficou em Portugal quando o chefe-de-fila deu aos pedais. Mas cedo a sua existência de se apagou. E só ressurgirá se Morais Sarmento o quiser para seu "aguadeiro".
Mas não se pense que o "aguadeiro" político é exclusivo do PSD. Não é. Mário Soares, sozinho, tem mais "aguadeiros" que todos os outros juntos. Gente que vai para onde ele vai, e que não vai para sítio onde ele não esteja. E o próprio Primeiro-Ministro tem o seu "aguadeiro", na figura do dr. Silva Pereira. Toda a existência política do dr. Silva Pereira foi feita na sombra do animal feroz. E dificilmente existirá para além dela. Diga-se de passagem que a carreira do dr. Silva Pereira é a luz que guia todos os aspirantes a "aguadeiro", que pululam nas mais diversas actividades (e no funcionalismo público em particular): manteve-se fiel ao seu chefe, tendo subido com ele todos os Alpe d'Huez da política nacional, sem nunca ficar para trás. Silva Pereira não é Gomes da Silva. Não teve se se sacrificar (e ainda por cima, em vão) em prol do seu líder. Até ao dia... Quando a corrida aperta, o "chefe-de-fila" nunca espera pelo "aguadeiro". Esquece-se dele. Só tem olhos para a meta. Como um "animal feroz". Fica o aviso. Para o dr. Silva Pereira. E para os que aspiram a um dia virem a ocupar o lugar.
Posted by Bruno at 10:15 PM
março 20, 2006
Interesses Fundamentais
As OPAS recentemente anunciadas têm provocado comoção nas mentes pátrias. Nada que espante num país que considera o "dinheiro" como uma coisa suja e o "lucro" um pecado. No último Eixo do Mal, aquela senhora que processou Vasco Pulido Valente entendeu por bem dizer aos poucos que a estavam a ver que importava agora "discutir se estes negócios são bons para os consumidores". O que a senhora quer é que o Estado intervenha, no sentido de julgar se os tais "negócios" (veja-se a conotação depreciativa que a senhora atribui à palavra) são bons para nós, ou se pelo contrário, visam apenas o "lucro", coisa que a senhora considera, obviamente, "obscena".
Ao contrário do que a senhora pensa, não importa discutir se os "negócios" são bons para os consumidores ou não. Neste momento, a única coisa que importa discutir é se os negócios são bons para as partes envolvidas. O resto vem depois. E ao contrário do que a senhora pensa, o "lucro", por muito "obsceno" que pretensamente seja, não é incompatível com os interesses dos consumidores, e muito menos requerem a paternal vigilância do Estado. Desde que haja concorrência, desde que o Estado não proteja uma das partes da sua própria ineficiência, se o "negócio" não for bom para "nós", pura e simplesmente não trará "lucro" para os envolvidos. Tal só não acontecerá se o Estado fizer aquilo que a senhora quer que ele faça. Que nos proteja. Acabando inevitavelmente por nos prejudicar. E isso a senhora já não considera "obsceno".
Mas os espíritos da preocupação progressista consideram sempre que o estado deve ter o controlo das empresas que operam em "sectores fundamentais". Foi o caso de Daniel Oliveira, no mesmo programa. Nunca ninguém me explicou por que razão é determinado "sector" um sector "fundamental". Veja-se a Energia, por exemplo. Por que razão é "fundamental" que o estado detenha uma empresa neste sector? Por que razão é "fundamental" que o Estado detenha um monopólio neste sector? Por que razão é "fundamental" que os contribuintes paguem com os seus impostos a falta de concorrência no sector? Por que razão é que, mesmo quando há concorrência, é "fundamental" paguem com os seus impostos a ineficiência da emmpresa controlada pelo Estado? Por que razão é "fundamental" desviar recursos de empresas que têm de competir com outras, para alimentar a empresa estatal que não tem de competir com ninguém? Por que razão é "fundamental" que essa empresa não dependa da capacidade de satisfazer os interesses dos seus consumidores, mas sim da capacidade política do Governo de cobrar impostos aos seus contribuintes, ou pior ainda, do voluntarismo governamental em endividar o país, sobrecarregando as gerações vindouras? Alguém me explica por que razão é tudo isto "fundamental"?
Posted by Bruno at 07:22 PM
março 18, 2006
Congresso
Apesar do facto de não provocar a mesma animação de alguns dos anteriores, o Congresso do PSD tem motivado alguns comentários. Uma série de boas consciências está preocupada com o facto de o PSD estar a "falar para dentro", e não ter nada para "dizer ao país". Não lhes ocorre que o estar hoje a "falar para dentro" é o preço que a direcção do PSD está a pagar para no futuro ter as condições para ter algo a "dizer ao país". Porque a direcção do PSD percebeu que para retirar poder às estruturas partidárias, às mesmas estruturas partidárias que, por não terem outra preocupação que não a gestão dos equilíbrios de poder interno, permitiram que aquele partido chegasse ao ponto onde chegou, em que Santana Lopes foi Primeiro-Ministro e Luís Felipe Menezes aparece como possível líder, para lhes retirar poder, dizia, é necessário levar a cabo eleições directas para a liderança do partido.
A oposição a esta iniciativa, nomeadamente a oposição barrosista (os barrosistas de aparelho, aquela gente que nos anos seguintes à derrota de Durão frente ao general do aparelho que era Fernando Nogueira, foi conspirando no seu seio para que o mesmo aparelho que o derrotou o chamasse na altura certa), tem dito que a mudança de carácter do Congresso, o fim do carácter electivo do Congresso, altera o "código genético" do partido, retira ao partido aquele factor que atrai audiências, que lhe dá tempo de antena. Ou seja, o que esta gente não quer perder é aquele calor conspirativo que as trocas de palavras e ameaças feitas nos corredores lhes dá. O que esta gente não quer perder é a adrenalina das noites sem dormir, a discutir listas. Não querem perder o "Zé". Querem continuar a ouvir o "Zé", e a contar ao país o que o "Zé" lhes disse. Sentem saudades de conversar com o "Zé", aquele senhor que Marcelo um dia encontrou, e que Durão viu passados uns anos. Aquilo de que esta gente tem saudades é o do circo que gente como Santana trazia para aqueles palcos. Mas se a possibilidade que as directas trazem de promover maior debate e afastar o peso do "aparelho", não os comove, e querem o circo habitual dos Congressos, pensem no seguinte: se aquilo já era o que era em três dias, fechados num pavilhão, imaginem o que será durante um mês, a correr o país. Imaginem com quantos "Zés" poderão falar, com quantas "Marias". Se é circo que o dr. Arnaut e o dr. Relvas querem, se é esse o "código genético" que eles não querem que se perca, podem ficar descansados. Ele até poderá ser maior. E contamos com o dr. Arnaut e o dr. Relvas para isso. Para coisas sérias, espero que estejam lá outros.
Posted by Bruno at 09:40 PM
Aposta Perdida
Infelizmente, o Primeiro-Ministro não demitiu o futuro-ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros. O que nos diz, para além de que me enganei, uma de duas coisas: ou o Primeiro-Ministro não é o animal feroz que diz ser, ou tem genuíno apreço pelo dr. Freitas.
Posted by Bruno at 09:35 PM
março 17, 2006
Sobre a Juventude Francesa
A juventude francesa está nas ruas, a protestar contra uma medida proposta pelo seu governo. Sobre o assunto, vale a pena ler o que, no Insurgente, escreveu o LT.
Posted by Bruno at 10:20 PM
Um dos Mais Geniais Posts dos Últimos Tempos
"Syd Barret
Julliard ... de Matos"
Posted by Bruno at 10:14 PM
março 16, 2006
Modelos
Todos conhecemos o apreço que o Primeiro-Ministro tem pelo modelo finlandês. Mas se esse modelo dificilmente poderá ser copiado pelo nosso Portugal, há um outro que o Primeiro-Ministro, pessoalmente, se esforça por seguir: o de Tony Blair. Com Blair, Sócrates aprendeu a dominar as televisões. A fazer propaganda. A parecer "moderno". A agradar a todos. Aos mais socialistas porque "até" tem preocupações sociais. Aos mais reformistas porque "até" mostra coragem. Aos menos estatistas porque "até" mostra apreço pela iniciativa privada. Só lhe falta uma coisa para ser o "Blair português", coisa que visivelmente ambiciona. Falta-lhe um grupo de radicais inóquos no parlamento. Falta-lhe um grupo de deputados socialistas que esteja sempre contra ele. Mas em número insuficiente para o derrotar. Um grupo de socialistas que o faça parecer corajoso, capaz de enfrentar o próprio partido, e de colocar o lugar em risco. O mito de Blair vive inteiramente dessa ideia. Recorrentemente, o homem parece estar sob ameaça dos backbenchers revoltosos. Faz-se uma grande onda em torno do "momento decisivo para a sua herança". E recorrentemente, eles são insuficientes para o derrotar, dando a ideia de que Blair, corajosamente, sobreviveu à "traição". E se a coisa pega em Inglaterra, por cá, a pobreza acéfala do nosso jornalismo ainda encheria o nosso Primeiro-Ministro com maior glória.
Posted by Bruno at 10:05 PM
março 15, 2006
Um Problema Nuclear
O recentemente celebrado acordo entre os EUA e a Índia, estabelecendo uma parceria americana no programa nuclear indiano, tem motivado muitas críticas por parte de alguns comentadores. Essas críticas têm-se centrado em dois argumentos. Por um lado, como argumentava o editorial da The Economist, os termos do acordo, ao permitirem à Índia desenvolver o seu programa à margem do Tratado de Não-Proliferação (TNP), fragilizam o já fragilizado Tratado. E por outro, como escrevia ontem Teresa de Sousa, a excepção aberta pelos EUA à Índia dá argumentos às pretensões nucleares iranianas. Não querendo dizer que a opção americana foi a mais correcta, penso que esses argumentos não serão os mais válidos.
Tomemos, em primeiro lugar, o argumento da Economist, de que a posição americana fragiliza o TNP, com o qual os próprios EUA se comprometeram (e que desta forma quebram). Não creio que os EUA tenham ignorado esse ponto. Creio, isso sim, que eles próprios deixaram de crer na sua eficácia. A ONU tem sido incapaz de impôr os termos desse Tratado. A sua existência não impediu a Coreia do Norte de adquirir capacidade nuclear, como não impediu a própria Índia, que nem sequer o reconhece. Uns EUA cada vez mais cépticos quanto à capacidade de um estrutura como a ONU para garantir a segurança dos seus membros, estarão certamente mais preocupados em estabelecer laços com países que poderão estar dispostos a estabelecer alianças conjunturais, se os interesses forem comuns. E se o estabelecimento desses laços for feito à custa da tal estrutura incapaz de lhes garantir segurança, não será por isso que perderão o sono. Os EUA vêem a crescente importância geo-estratégica na zona Ásia-Pacífico, e a fragilização de um TNP que não é respeitado pelos seus inimigos é um preço que estão dispostos a pagar pelo cimentar da sua influência nessa zona.
Resta ainda o argumento do Irão. Reconheço que Teresa de Sousa tem razão quando diz que a atitude americana para com a Índia fragiliza a posição negocial do Ocidente com o Irão. Mas dificilmente alterará o que quer que seja. O Irão tem ambições nucleares, e como será fácil de ver, essas ambições demonstram pouca preocupação relativamente ao TNP. A abertura americana de uma excepção indiana não faz com que o Irão tenha mais ambições nesse campo, tal como a não abertura dessa excepção não as diminuíria. Para que se pudesse pensar dessa forma, teria de se partir do princípio de que o Irão estaria disposto a aceitar as regras internacionais, e que só não faz porque outros não as respeitam. Ora, o comportamento do Irão em toda esta questão mostra como nunca estiveram dispostos a aceitar o que quer que fosse, tal como não estariam se todos os outros o fizessem.
O desrespeito do TNP que os EUA permitem à Índia (e no qual os próprios EUA incorrem) em pouco ou nada influencia as ambições dos que nunca o quiseram respeitar, como o Irão ou a Coreia do Norte. Poderá, isso sim, influenciar as opções dos que até agora o têm respeitado, mas que podem agora pôr em dúvida essa política. É esse o outro argumento que o editorial da Economist levanta: este acordo entre os EUA e o governo indiano poderá conduzir a uma "corrida às armas" na região. Mas esse é um problema que o TNP dificilmente poderia resolver (como já disse, é fácil de ver que quem quer desrespeitar o TNP, desrespeita). Mas não deixa de ser um problema.
Posted by Bruno at 10:23 PM
março 14, 2006
Debates
Numa entrevista ao Diário de Notícias, o dr. Luís Felipe Menezes mostra preocupação pelo facto de "Sócrates debate Estado" o PSD "debate estatutos". Ao dr. Menezes, de quem não se conhece um ideia, de quem não se conhece uma singela tentativa de uso do cérebro, não ocorre que será difícil a um partido debater o "Estado", enquanto esse partido estiver dependente de gente que nunca fez mais nada na vida a não ser os empregos que o partido lhes deu no "Estado". Não lhe ocorre que será impossível debater o que quer que seja, enquanto os órgãos do partido estiverem entregues a gente cujo único propósito é ganhar e manter lugares na administração pública. Não lhe ocorre que a única maneira de diminuir a pressão que essa gente exerce no partido será forçá-los a ceder, e que isso só será possível de houver uma pressão vinda de fora. E que essa pressão só se pode criar se o partido conseguir criar nos cidadãos um interesse acerca do que se passa no seu interior. E para isso, a mudança dos estatutos é importante. Claro que nada disto preocupa o dr. Menezes. Com a saída de Santana, caiu-lhe no colo o apoio do pior que por lá existe, e o dr. Menezes encheu-se de brios: sabe que enquanto os que "andam por aí" não poderem andar um bocadinho mais, terá o apoio da trupe, e que, enquanto não avançar uma candidatura "carismática", o descontentamento do aparelho com o(outrora muito "seu") Marques Mendes lhe traz um protagonismo que, manifestamente, não merece, e nada de bom augura para o futuro do PSD. De certa forma, a sua falta de credibilidade até o beneficia. Dele, não se espera muito, o que faz com que a banalidade ou a incoerência não o afectem. Mas a falta de alternativas, nos vários grupos em luta, faz com lhe baste aparecer para conquistar simpatias em alguns desses grupos. Menezes esfrega as mãos de ansiedade. Os que gostariam de ver no PSD uma força política efectivamente reformista tremem.
Posted by Bruno at 10:04 PM
Escolhas
O Governo anunciou que planeava a introdução de um exame nacional como forma de selecção dos candidatos a professor nos vários graus de ensino. Há mérito na proposta, embora não seja propriamente a minha solução preferida. O Estado não deveria ser o responsável pela colocação dos professores. Idealmente, cada escola deveria poder contratar os professores que quisesse (desde que eles estivessem interessados), segundo os critérios que entendesse por bem estabelecer. Mas já que o PS insiste na distribuição centralizada de docentes pelas várias paróquias, ao menos que introduza um mínimo de credibilidade no processo. Um exame nacional como critério de selecção cumpre precisamente esse propósito.
Posted by Bruno at 09:56 PM
março 12, 2006
Uma Aposta
Arrisco uma aposta: no próximo fim-de-semana, realiza-se o Congresso do PSD. Entre quinta-feira e sábado, o Primeiro-Ministro irá demitir Freitas do Amaral.
Posted by Bruno at 10:22 PM
Uma Pergunta
O PS, com a ajuda do BE, quer tornar obrigatória a presença de 33% de mulheres nas listas de candidatos ao Parlamento. A medida tem sido muito criticada, mas ainda não ouvi uma questão ser colocada. A proposta do PS e do BE parte do princípio de que há poucas mulheres no parlamento, e de que isso é um problema que tem de ser solucionado. Mas eu perguntou: qual é o problema de haver poucas mulheres no parlamento? Aliás, qual seria o problema de não haver mulheres no parlamento? Qual seria o problema de só haverem mulheres no parlamento? Qual é a importância do sexo dos deputados? Eu julgava que eles estavam lá pelas ideias e pelo programa que defendem, e não por aquilo que têm entre as pernas. O PS e o BE vieram mostrar que estava enganado.
Posted by Bruno at 10:15 PM
março 11, 2006
O Afogado
Está sem ar para respirar. Afogado no imenso mar de asneira que tem saído daquela cabecinha "rigorosamente ao centro". Falo, obviamente, do futuro ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros. A questão já nem está em eu achar que Freitas é um mau MNE. Está no facto do homem já não ter as mínimas condições para continuar no cargo. A declaração hoje feita pelo seu congénere dinamarquês, que, na sua presença e confrontado com a afirmação de Freitas de que a violência que se seguiu à "provocação das caricaturas" era "condenável mas compreensível", disse, em alto e bom, que a violência era incompreensível e sem qualquer justificação, mostra como a política externa portuguesa está a perder credibilidade junto dos seus parceiros. A culpa, é de Freitas. E o Primeiro-Ministro ainda só não o demitiu porque está à espera que Freitas se queime mais um pouco, para que quando fizer o seu choradinho da traição, já não lhe restar nem um fogachozinho de credibilidade. Por este andar, é mesmo o que vai acontecer.
Até porque de cada vez que fala sobre o assunto, de cada vez que tenta desmentir ou explicar o que pretendeu dizer, piora a sua situação. Nem falo da questão dos "ignorantes" que é mera falta de chá e de vergonha na cara. Falo, isso sim, da seguinte afirmação, ontem proferida: "Se não formos capazes de perceber, podemos deitar achas na fogueira e alimentar um incêndio de grandes proporções." Ou seja, para Freitas não basta opôr-se à violência. Não lhe basta compreender que há quem queira destruir o nosso modo de vida livre e aberto. Acha que temos de compreender por que razão isso acontece. E como acredita que se não o fizermos, lanaçamos mais achas para a foigueira, Freitas pensa que a fogueira foi acesa por nós. Que somos nós os responsáveis por ela arder. E não os que estão em volta dela. Não so que vivem do seu fogo, e para ele. O que nos permite compreender como Portugal está a perder com a permanência de Freitas no seu cargo.
Posted by Bruno at 09:57 PM
março 10, 2006
O País e os Cidadãos
No seu discurso de tomada de posse, o Presidente da República afirmou que "é uma ilusão pensar que basta a acção do Governo, da Assembleia e do Presidente, por mais empenhada que ela seja, para que Portugal ultrapasse as suas actuias dificuldades". José Manuel Fernandes compara esta frase à famosa declaração de Kennedy. E o facto é que o Presidente tem razão. Os cidadãos não podem continuar a pedir ao Estado que faça tudo por eles. Mas o problema de Portugal não reside apenas nos portugueses que esperam que o Estado faça tudo por eles. Reside também no facto de aqueles portugueses que procuram esforçar-se, os portugueses que procuram fazer algo pela sua vida, vêem serem-lhes criados, pelo Estado, uma série de obstáculos. Em Portugal, quem quer cortar com o vício que o Presidente critica, é penalizado. É aprisionado. É obrigado a dispender esforço e imaginação para se desviar dos tentáculos do polvo estatista. Para ludibriar as inúmeras barreiras que o Estado português cria àqueles que não querem viver eternamente na sua dependência. Para que em Portugal os cidadãos deixem de perguntar ao país o que o país pode fazer por eles, e passem a perguntar o que podem fazer pelo país e por si próprios, é preciso que o país os deixe fazer alguma coisa.
Posted by Bruno at 10:37 PM
De Espada na Mão
parece que anda meio mundo abespinhado (sejamos realistas: meio país abespinhado) com a nomeação de João Carlos Espada para assessor do Presidente da República. No Office Lounging, o Luís Marvão chega até mesmo a escrever, em tom visivelmente preocupado, que Cavaco terá até uma "agenda moral" na figura do "Sir". Fazer esta afirmação é um sinal de não se compreende nem o Presidente da República, nem João Carlos Espada. Ao contrário do que a comédia gosta de fazer crer, Espada não reduz o seu pensamento aos elogios a Oxford e à moral cristã. Tem livros sobre o pensamento político e a sua história que em muito ultrapassam o "conservadorismo moral". Tem profundos conhecimentos de filosofia política, e um extenso currículo académico na àrea. Ora, num dos seus livros, Pacheco Pereira (confesso que não me recordo agora qual, embora julgue que se trate do recente Quod Erat Demonstradum) refere que Cavaco, aquando da formulação da declaração de princípios do seu partido, terá demonstrado particular atenção à discussão filosófica inerente a tal debate. Assim se percebe a nomeação de Espada. O Presidente da República quer que as suas decisões tenham em conta uma reflexão política cuidada, para a qual alguém como Espada será extremamente útil. Mais, Espada, na sua área específica (o pensamento político) recolhe os requisitos do típico "recruta" de Cavaco: alguém com um currículo que fale por si.
Posted by Bruno at 10:10 PM
março 09, 2006
A Tragédia de Sampaio
Jorge Sampaio já não é Presidente. Durante anos, enquanto exerceu o cargo, pouco mais fez que não preocupar-se. Ainda bem. Dessa forma, não fez estrago, quando fazer estrago foi o objectivo dos seus dois antecessores. Sampaio não o quis, e merece todos os elogios por isso. No entanto, foi assistindo, impávido e sereno, ao estrago que foi sendo feito. Durante anos, o então Primeiro-Ministro, o foragido Guterres, foi sendo responsável por uma oportunidade perdida. Desperdiçou dinheiro quando teve condições para o poupar. Criou um problema que será difícil de resolver. Quando fugiu, criou um outro, muito maior. O precedente que criou lançou Portugal no pântano que a figura supostamente queria evitar. E Sampaio ficou atolado nesse pântano. Quando Guterres fugiu, Sampaio não pôde fazer o que queria fazer. Consciente de que a antecipação de eleições legitimaria a ideia de que qualquer eleição é um escrutínio ao governo da altura, ideia essa que é nociva para a democracia representativa, Sampaio não queria tomar essa decisão. O problema foi que mais ninguém o acompanhou nessa vontade. O PS não procurou arranjar uma solução parlamentar para a crise. Preferiu lançar o país em eleições. Mas acabou por o lançar num caminho perigoso, do qual ainda não saímos, e não sabemos se iremos sair. Sampaio percebeu isso. Mas nada pôde fazer. Não dependia dele.
Com Durão, notou-se que quis preservar a estabilidade que Guterres negara ao país. Exemplo disso foi a sua posição relativamente á participação portuguesa no Iraque, saudável compromisso entre a posição presidencial e a governativa. Mas cometeu o erro de afirmar que "havia mais vida para além do défice", legitimando a partir de Belém as críticas demagógicas a uma política insuficiente mas necessária. Ajudou a criar o clima que contribuíu para a derrota da coligação nas eleições europeias, que levou Durão Barroso a aproveitar a primeira oportunidade para se pôr a milhas.
Quando Durão traíu Portugal, ao fugir a meio da tarefa que se dispôs a cumprir, Sampaio quis fazer o que Guterres não o tinha deixado fazer. Quis permitir que o Parlamento arranjasse uma solução. O problema foi que a solução que o Parlamento encontrou tinha o nome (e a personalidade) de Santana Lopes. Mais uma vez, a sua vontade para nada contou. Tudo lhe fugiu ao controlo. Não queria Santana. Mas não queria contrariar a maioria. Embarcou numa experiência que poderia acabar num desastre, arriscando-se a ficar colado a ela. E um desastre foi precisamente aquilo em que ela se tornou. Sampaio, que não tinha até então tido a oportunidade de fazer aquilo que a sua vontade lhe ditava, teve a vontade de dissolver a Assembleia. Teve a vontade de ir contra, não só a posição que havia tomado alguns meses antes, mas também contra aquilo que pensava ser o equilíbrio natural do regime. Mas estava num dilema. Se percebia que a dissolução legimitaria a ideia de que um Governo está sujeito a um escrutínio permanente, que a qualquer altura poderá justificar a sua dissolução, percebia também que a continuação de Santana Lopes no poder contribuíria, como nenhum outro factor, para a crscente descredibilização da classe política e da função governativa.
Era um dilema do qual não poderia sair. A ideia de que tudo se poderia ter evitado se não tivesse entregue o poder a Santana ignora o facto de que fazê-lo legitimaria a ideia de que as eleições legislativas são eleições para o cargo de Primeiro-Ministro. Sampaio, que o percebeu, percebeu também que a legitimação dessa ideia retiraria força ao Parlamento, que, por sinal, já tem pouca. Para evitar o crescimento da descredibilização da classe política, optou por legitimar em Novembro a ideia que não quis legitimar em Julho.
Naquilo que realmente contou, a pouca escolha que teve foi sempre a escolha entre opções que não queria tomar. Em todos os momentos de crise, foi confrontado com as opções de outros, que nunca pôde contornar. Não foi responsável por nenhum dos erros que lançaram o país no tal pântano. Mas ficou colado a todos eles. O que foi trágico na Presidência de Sampaio foi o facto de ser a natureza do cargo que escolheu ocupar que o impediu de escolher aquilo que queria fazer. Foi, apenas e só, e porque outra coisa não poderia ter sido, um homem preocupado, refém da vontade de outros. A única coisa que pôde fazer foi permitir a duas raparigas que fossem à escola. Elas, certamente, agradecem.
Posted by Bruno at 09:47 PM
Bonito De Se Ver 2
O Presidente da República a chamar o ex-Presidente dos Estados Unidos da América para cumprimentar o dr. Freitas, para pôr este último numa posição desconfortável. Ficamos a saber que o Presidente da República é, e digo isto com todo o respeito, e até admiração, um "gajo tramado". Só lhe fica bem.
Posted by Bruno at 09:44 PM
Bonito De Se Ver
O abraço entre o Presidente da República e o ex-Presidente dos Estados Unidos da América George Bush.
Posted by Bruno at 09:42 PM
Triste De Se Ver
Mário Soares e Francisco Louçã a não cumprimentarem o Presidente da República.
Posted by Bruno at 09:40 PM
março 08, 2006
Declaração de Voto
O Francisco Mendes de Silva pede aos que "desmerecem as qualidades e as intenções de Paulo Portas" que "revelem o seu historial de voto". Não desmereço as qualidades do dito, e pouco me interessam as suas intenções. Mas sou, como o Francisco aliás sabe, aquilo a que ele chama de um "céptico da figura". Deixo, por isso, o meu historial de voto (que o Francisco também conhece): votei pela primeira vez nas europeias de 2004, e em todas excepto as recentes presidenciais (em que votei Cavaco), votei em branco. Não estou, portanto, com problemas existenciais devido ao "estrago" que Portas terá provocado na "trupe" cavaquista. O meu problema com o dr. Portas é, precisamente, a falta de credibilidade que o Francisco julga não ser a verdadeira razão das críticas dos "cépticos da figura". O meu problema com o dr. Portas está no facto de, desde que me lembro dele, discordar das suas posições, e em virtude das suas muitas encarnações, não confiar na sua pessoa, quando por acaso até concordo com o que ele diz (o caso de muito do que foi dito no programa de ontem). Quanto à simpatia pelo PSD que o Francisco imputa aos críticos da estrela do Estado da Arte: não nego que considero que o PSD é o único partido neste país que pode fazer uma reforma liberal, ou liberalizante. Não digo que o queira fazer, nem digo que o seria capaz de fazer se quisesse. Digo que se o PSD não o fizer, ninguém o fará. Mas isso não me faz "arregimentar" o meu voto com as boas gentes laranjas. Voto no PSD quando considero que este será capaz de promover uma agenda que, no mínimo, vá no sentido daquela que defendo. Por exemplo, em 2002, se votasse, teria votado no PSD, porque acreditava que Durão Barroso poderia promover algumas reformas no sentido (embora não totalmente) das que defendo (e que desilusão apanhei!). Mas não votaria (não votei) no PSD em 2005, por não achar que dali viria qualquer bem. E até porque estava lá um que até é bem pior que o dr. Portas. Por este meu historial, acho que o Francisco e os meus caros leitores perceberão que a minha "ânsia purificadora" se aplica a uma vasto leque de personagens, e não exclusivamente ao "mefistófeles do Portas". Dos nomes referidos pelo Francisco, só não se aplica a Ferreira Leite, e talvez, a alguns dos "etc.". E também não se aplica, devo dizer, ao próprio Francisco, que só tem o defeito de não ser um "céptico da figura".
Posted by Bruno at 10:31 PM
março 07, 2006
Portas
Estreia, daqui a pouco, o programa de Paulo Portas na SIC Notícias. Paulo Portas é, se atribuirmos à palavra "político" o sentido pejorativo que lhe é atribuído por grande parte da população, um dos melhores políticos deste país. É extraordinário como Portas consegue mudar de posição, de comportamento, de política, sem ser confrontado com isso, sem sofrer qualquer dano na sua persona por isso. De jornalista que nunca seria político, a quem nunca ninguém lhe daria uma gravata, transformou-se em apoiante monteirista e líder partidário populista, que se transformou posteriormente em ministro estadista, pretensamente liberal e amigo da iniciativa e do empreendedorismo empresarial, que, poucos meses depois, dizia já que Portugal não era Chicago. É, portanto, normal a expectativa que o seu programa gerou. Quanto mais não seja, as pessoas estarão com curiosidade de saber que papel adoptará Portas no seu programa. Só se deixará enganar quem quiser ser enganado.
Posted by Bruno at 10:06 PM
A Divisão no CDS/PP
No último Congresso do CDS/PP, Ribeiro Castro afirmou, num dos seus discursos, que a gratuidade em sectores como a Saúde ou a Educação mais não era do que um mito. Que era pago pelo contribuinte. Independentemente de usufruir dos seus serviços ou não. E que o Estado deveria deixar de ser o prestador desses serviços, para passar a ser um seu mero garante. O dr. Telmo Correia, o outro candidato, também discursou. Duas vezes. Mas não disse nada. No entanto, para os nossos jornalistas, o dr. Telmo Correia era o representante de um grupo de jovens políticos, com outra mentalidade, liberais, bem representados no grupo parlamentar, e Ribeiro e Castro um exemplo da velha democracia-cristã. A dra. Teresa Caeiro, deputada da agremiação, e portanto, uma suposta liberal, arejada e moderna, já tinha vindo dizer que a Constituição impedia medidas como o aumento das taxas moderadoras no sector da saúde. A dra. Caeiro não veio dizer que o sistema precisava de ser mudado. Nada disso. Disse que este era tendencialmente gratuito. Ao contrário da deputado do seu partido, Ribeiro e Castro percebeu que, a tender para alguma coisa, o sistema tende para o desastre. E que a gratuidade é uma ilusão, uma mentira atirada à cara dos cidadãos. A dra. Caeiro, do tal grupo parlamentar mais liberal que a liderança do seu partido, ainda não percebeu isso. Dir-me-ão que é apenas para fazer oposição interna ao seu líder. Talvez. Mas aí a dra. Caeiro está a brincar às conspirações, mas com o dinheiro dos contribuintes que lhe pagam o ordenado, dos cidadãos que ela representa na Assembleia. Quer seja por oportunismo, quer seja por convicção, a posição tomada pela deputada, contrária à do seu líder, não abona nada a favor dela, nem do grupo parlamentar a que pertence.
Posted by Bruno at 09:52 PM
Critérios
A RTP fez a abertura do seu noticiário com a cerimónia, propagandisticamente eficaz para o Primeiro-Ministro, de anúncio de mais uma série de investimentos. A TVI abriu com a impopular subida das taxas moderadoras no sector da Saúde. Que eu tenha dado por isso, só a RTP transmitiu em directo o discurso do Primeiro-Ministro na dita cerimónia. De quem é a RTP? Do Estado. Quem é que manda na RTP? O Estado. Para que serve a RTP? Para promover a agenda política do grupo partidário que controla o Estado.
Posted by Bruno at 09:41 PM
Blasfémias
O Blasfémias está de novo activo, com o regresso do Rui e a entrada de Helena Matos.
Posted by Bruno at 09:37 PM
março 06, 2006
Mundo Moderno (a minha "coluna" no Insurgente)
Nesta semana, enquanto as mulheres mais dadas à folia despiam as roupas, o senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros despiu-se de vergonha. E foi já sem qualquer pingo da dita que foi ao Parlamento confirmar o que se pensava que ele pensava: a guerra do Iraque é a culpada de tudo, e a violência do extremismo islâmico é "compreensível". O que é difícil de compreender é como este homem ainda é Ministro dos Negócios Estrangeiros. Também difícil de compreender é o esforço do presidente Sampaio em condecorar todo e qualquer cidadão português nesta sua última semana na Presidência. Quem tempo e vontade de ser generoso é o Estado. O Estado não tem mandatos. É eterno, e caminha para a omnipresença. Um diário português (talvez obscuro para a dra. Câncio) fez manchete do facto do Estado ter sido o maior criador de emprego desde 2001. A tendência é para assim continuar a ser, até porque há uma promessa de criar 150 000 empregos. Quase tantos como os condecorados de Sampaio. Em França, Dominique de Villepin veio defender aquilo que entendeu por bem chamar de "patriotismo económico". Mais um belo exemplo do europeísmo francês. Já para não falar de que os únicos patriotas que dele vão beneficiar serão as empresas protegidas da sua incompetência e incapacidade, que será paga pelo comum cidadão francês. Não me interprete mal, caro leitor. Não perco o sono por causa do comum cidadão francês, que tem aquilo que merece. Mas sei do apreço que as inteligências pátrias têm pela França, e o estranho hábito que têm de importar todos os defeitos que Paris gosta de oferecer ao mundo. Temo que por cá também se queira um novo "patriotismo económico", que nos afunde ainda mais no nosso patriótico atraso.
Posted by Bruno at 07:24 PM
março 05, 2006
Não Sou o Único
Nutro um particular ódio estimação por Clara Ferreira Alves, tendo-lhe já dedicado (aqui, aqui e aqui) algumas palavras menos bonitas. E sempre que vejo o Eixo do Mal, saem palavras ainda menos bonitas da minha boca. Vejo com agrado que Vasco Pulido Valente também não tem grandes simpatias pela senhora em causa.
Posted by Bruno at 09:54 PM
Óscares
Há uns anos habituei-me a assistir em directo à cerimónia dos Óscares. Hábito esse que irei quebrar este ano. Em parte por ter um horário que me dificulta a noite em claro, e em parte por não ter grande interesse em passar a noite em claro. Não vi praticamente nenhum dos filmes nomeados, uns por falta de interesse, outros que tive preguiça de ir ver, apesar do interesse, e outros por falta de oportunidade. Ficam, portanto, as simpatias, totalmente independentes dos filmes em causa. Seymour Hoffman, Keener, Clooney, Meirelles e Rachel Weisz. E o dilema, na categoria de Melhor Argumento Original: Woody Allen com Matchpoint(o único que vi), ou Noah Baumbach (que é autor de um pequenino filme que ninguém conhece, Mr. Jealousy, mas que é muito do agrado deste vosso escriba) com The Squid and the Whale, que espero venha a estrear em Portugal.
Posted by Bruno at 09:42 PM
março 04, 2006
Uma Ideia Falhada
O caro leitor certamente recordar-se-á do anúncio, feito pelo Governo, da sua intenção de tornar públicas as declarações de rendimentos de todo e qualquer contribuinte, para que o seu prestimoso vizinho as pudesse consultar em busca de falta. Recentemente, o Governo veio afirmar que essa disponibilização não seria universal. O Governo apenas tornará públicos os dados dos contribuintes faltosos. O Governo pretendia aplicar à fiscalidade o princípio do funcionamento de milícias populares: se o Estado não está a funcionar, põe-se "a Rua" a patrulhar. No entanto, optou apenas por trazer para a dita área a tradição perdida dos pelourinhos: se esteve a roubar, toca a humilhar. Percebe-se a ideia. Mas esta está condenada ao fracasso. Porque parte de um pressuposto errado. Parte do pressuposto, ingénuo, de que o comum português censura o outro português que não paga os seus impostos. Parte do princípio de que a fuga fiscal é vista como algo a penalizar. Nada mais errado. Qualquer pessoa que já tenha falado com um outro cidadão português sabe que não é assim. Sabe que para o comum português, o cidadão que não paga impostos não é um comum criminoso. É, isso sim, um herói. Quando um português sabe que dois ou três "enganaram as Finanças", não os censura, não os quer castigar. Lamenta não ter feito o mesmo. Dá-lhes os parabéns por o terem conseguido. Sonha com o dia em que vai conseguir "dar a volta" ao fisco. Quer ser como eles. É por isso que esta ideia do Governo nem os seus propósitos irá conseguir cumprir.
Posted by Bruno at 10:25 PM
Blogues
O Voz do Deserto, do Tiago Cavaco, faz três anos. O Eduardo Nogueira Pinto acaba com o seu What do You Represent, mas começa a Sexta Coluna.
Posted by Bruno at 05:30 PM
março 03, 2006
Outra Pergunta
Por falar em poetas: o Movimento Cívico tem estado paradinho, não tem?
Posted by Bruno at 10:31 PM
Uma Pergunta
O "patriotismo económico" que o biógrafo de Napoleão, poeta e Primeiro-Ministro francês, propõe, visa defender que parte da gloriosa pátria que comanda? Uma coisa é certa, os consumidores que pagarão mais caro pelos produtos e serviços não serão certamente. restam duas hipóteses. As empresas incapazes de competir sem a ajuda da República? Ou o poder que o senhor Villepin e seu mestre Chirac (que está para Villepin como Marcello Caetano estava para Freitas, também ele um assumido gaullista, o que aliás, seria suficiente para perceber a personagem) gostam de ter na mão?
Posted by Bruno at 10:21 PM
março 02, 2006
Freitas
Que triste foi a prestação do Ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento. Que triste arrogância. Nada tenho contra a arrogância. Até acho bonito. Mas desde que haja razões para se ser arrogante. Freitas é arrogante. Sem razões para isso. E é triste que assim seja. A dada altura, o dr. Freitas resolveu citar Benjamin Franklin: "quem esteja disposto a sacrificar a sua liberdade em nome da sua segurança não merece nem uma nem outra". Isto dito pelo mesmo senhor (Freitas, não Franklin)que considera que há coisas que não devem ser ditas, porque podem ofender quem esteja disposto a cometer actos violentos por causa da dita ofensa. Ou seja, dito por quem considera que se deve sacrificar a liberdade de criticar (com ou sem razão) o Islão, em nome da segurança que a suposta ofensa põe em causa, visto que a ofensa, para o dr. Freitas, é ela própria uma causa da violência, "inaceitável", mas claro, "compreensível".
Nada que espante em alguém que considera que as suas declarações no calor da polémica visavam evitar, "a todo o custo", a "escalada do confronto". Atente-se na expressão "a todo o custo". Porque é nela que está a gravidade. É por o dr. Freitas considerar que, a bem de evitar a ira dos que nos querem destruir, não há custo que seja demasiado alto, que as suas declarações são graves. É por o dr. Freitas considerar que a política externa portuguesa deve, "a todo o custo", evitar ofender quem considera que uns supostos insultos à religião justificam a morte de inocentes, que ele não deve continuar como Ministro dos Negócios Estrangeiros. É por, em última análise, "a todo o custo" significar que nem os valores centrais das nossas sociedades serão um preço demasiado alto a pagar pela misericórdia de gente que quer ver o Ocidente a arder, é por isso, dizia, que a posição do dr. Freitas é inaceitável.
Posted by Bruno at 06:48 PM
março 01, 2006
Women Really Can't Have It All
Vale a pena ler a parte do artigo de Alice Thomson dedicada a este assunto. Aqui fica um excerto:
"Women earn less than men and it is all the fault of schools, according to the Women and Work Commission. Apparently, they are still teaching girls to become dinner ladies and hairdressers, when they could aspire to so much more. But the problem is exactly the opposite in most classrooms. Even 20 years ago, when I was at school, domestic science and needlework had been dropped. My generation were told they were exactly the same as men. They could have a brilliant job, a great marriage, children, friends, fulfilment; as long as they worked hard they could have it all.
Now we know that's not true. It would have been far more helpful if they had explained that life, especially for women, was about complicated choices, even at the risk of sounding sexist. If you want to earn a million a year in the City, you might be able to afford to have lots of children, but you won't be able to spend time with them. If you want to be a senior politician, your children will be at the bottom of your red box. If you become a head teacher, you will be doing paperwork rather than bathtime.
Women should be told, before starting a career, that some jobs are better than others if they also want to have a family. Most working mothers worry less about whether they are earning the same as their male counterparts and more about how they can get back in time to help with the homework.
Even if their husbands are prepared to take their place at the Nativity play, many don't want to miss out. Which is why the majority of women want flexible jobs while their children are still young. Teachers should be telling girls that becoming a GP might be more sustainable than becoming a neurologist, unless, like Baroness (Susan) Greenfield, the director of the Royal Institution, you decide to make it your life's work.
Certain jobs - writing, publishing, the media, teaching and hairdressing - are more compatible with having a family than working on an oil rig or in the haulage business.
Women should also realise that they are needed in the workplace - even if they are not doing a 70-hour week - so they shouldn't feel guilty about divided loyalties. They should ask for that pay rise - men always do."
Posted by Bruno at 10:39 PM
Dois Anos
Aqui ficam os parabéns ao Blasfémias, pelo segundo aniversário.
Posted by Bruno at 10:21 PM