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fevereiro 28, 2006
Questões Importantes
O Carnaval é coisa que me ultrapassa. Não o compreendo. E há aspectos que me deixam particularmente intrigado. Eu percebo o que leva uma jovem a, no final de Fevereiro, tirar as suas roupinhas e abanar o corpo como se não houvesse amanhã. Têm algo de bom para mostrar, e as que não têm, gostam de pensar que sim. Já o que não compreendo é o que leva centenas e centenas de homens a, todos os anos, mal chega a última terça-feira de Fevereiro, vestirem roupas de mulher, e, pior que isso, virem para as ruas mostrar que estão vestidos com roupas de mulher. Não percebo. E isso inquieta-me.
Posted by Bruno at 09:53 PM
fevereiro 27, 2006
Atlântico
Está, desde hoje, nas bancas o novo número da Atlântico. Com artigos de José Manuel Fernandes, Rui Ramos, Luciano Amaral, João Pereira Coutinho, André Azevedo Alves, Vasco Rato, João Marques de Almeida, Maria de Fátima Bonifácio, Constança Cunha e Sá, Tiago Cavaco, Maria Filomena Mónica,e um tal de Bruno Alves.
Posted by Bruno at 07:24 PM
Um Ano de Insurgente
Hoje, a minha outra casa celebra um ano de actividade. E ainda para mais, traz novas e excelentes contratações: do Brasil, chega-nos Pedro Sette Câmara, com estreia auspiciosa, e do Arte da Fuga, Adolfo Mesquita Nunes e António Amaral, sendo que este último vem, juntamente com o yours truly, aumentar o peso da representação campo-de-ouriquense no Insurgente (apesar de eu já lá não residir, mas o apego sentimental não desaparece).
Posted by Bruno at 07:00 PM
Mundo Moderno (publicado ontem no Insurgente)
Celebrou-se o aniversário da eleição que deu maioria absoluta ao PS. O Benfica foi campeão há já vários meses. Todas as condições que muitos consideravam necessárias para a recuperação da confiança do país estão, portanto, alcançadas. Obviamente, a coisa não resultou (como sportinguista, culpo o Benfica). O que se espera que também não resulte é a tentativa de alguns militantes da Federação socialista do Porto de "empurrar" Nuno Cardoso para a liderança. Se fosse uma tentativa de empurrá-lo para o fundo do Douro, ainda seria de aplaudir. Mas para um cargo de responsabilidade é de fugir. Quem tentou fugir com o rabo entre as pernas foi o Ministro dos Negócios Estrangeiros, que num artigo do Público, veio explicar que não tinha dito o que todos o tinham ouvido dizer, confirmando no desmentido que pensava exactamente o que todos pensaram que ele pensa. Também no Público, Fernando Rosas veio dizer que "o futuro será o socialismo ou a barbárie". Ficou por dizer que o passado do socialismo foi a barbárie, e que no que vai sobrevivendo do dito, barbárie é o que continua a ser. Claro que Rosas discordará, dando como exemplo os milhares de americanos que abandonam a Florida em busca dos imensos benefícios do maravilhoso Sistema de Saúde cubano. Admiração essa que os fugitivos da Florida partilham com Chavez, o presidente venezuelano. Este veio dizer que admitia continuar no poder até 2025. Talvez para ter o tempo de construir um Sistema de Saúde que o dr. Rosas possa elogiar. No entanto, mais perturbadora que as crónicas de Freitas e Rosas, foi a crónica do Insurgente Luciano Amaral no DN, que fez, para choque deste seu leitor fiel, uma referência ao programa de Oprah Winfrey. Em Portugal, o facto de alguém (Rui Rio) ser constituído arguido num caso cuja queixa havia já sido retirada, não espanta. Já o mesmo não se pode dizer da referência de Luciano Amaral àquela que é conhecida como a Fátima Lopes da América.
Posted by Bruno at 06:56 PM
fevereiro 26, 2006
Sobre a Oposição 2
No Público de ontem, a coluna do Sobe e Desce atribuía a Marques Mendes a "setinha para cima". Tudo porque no debate parlamentar com o Primeiro-Ministro, Marques Mendes terá apresentado duas propostas alternativas para o combate ao desemprego. E que propostas foram essas? A criação de um programa para professores no desemprego, e um programa de incentivos à colocação de jovens licenciados em empresas. Ou seja, o que o PS propõe (a segunda), o que não constitui alternativa, e uma proposta mais estatista que o que apresentam os socialistas, o que sendo alternativa, não será propriamente das melhores. Não me interprete mal, caro leitor. Tenho até alguma simpatia pela liderança de Marques Mendes no PSD. Digamos que contemporizo. Que não lhe exijo muito. Não esperava dela a reorientação programática do PSD. Esperava, e espero, alguma credibilização do partido. Uma limpeza. Um "momento Beria", salvo seja. Que afastasse, de vez, o pior que existe por ali, de forma a que o que de lá há de melhor tivesse condições para se afirmar (se se afirmasse ou não, e o que faria depois, seria outra questão). Mas há um mínimo de seriedade intelectual que se exige. Um mínimo de sensatez que é necessário ter. Um mínimo de credibilidade que é necessário mostrar nas propostas que se apresentam. E utrapassar o PS no estatismo e na asneira não é a melhor forma de o fazer. Por muito que os senhores do Sobe e Desce do Público o digam.
Posted by Bruno at 09:45 PM
fevereiro 24, 2006
Sobre a Oposição
O debate parlamentar de hoje, com a presença do Primeiro-Ministro José Sócrates, foi a demonstração cabal da fraqueza generalizada da oposição ao Governo do PS. O anúncio, feito pelo Primeiro-Ministro, de um subsídio para os idosos pobres é uma boa notícia. A forma como a oposição lidou com ele foi uma desgraça. Se há caso onde o Estado deve intervir, é no caso de idosos (inactivos), sem outra fonte de rendimento que não a sua reforma, e sem ajuda financeira dos filhos. Ainda para mais, essa diferenciação representa uma louvável sensatez pouco comum no PS, habituado a dar tudo a todos, sem olhar à realidade e aos efeitos negativos da desmedida generosidade pública. A oposição (refiro-me, obviamente, ao PSD e ao CDS/PP) deveria, por isso mesmo, limitar-se a atribuir ao Governo o mérito da medida, e passar rapidamente a outro assunto, onde o Governo esteja mais fragilizado. Pelo contrário, Marques Mendes e Pedro Mota Soares (e alguns deputados comunistas) falaram incessantemente da enorme burocracia que o Governo estaria a impôr aos idosos, o que foi repetidamente desmentido pelo Primeiro-Ministro. Com isto, não conseguiram outro resultado que não prestarem-se ao ridículo e à humilhação de ouvir o Primeiro-Ministro dizer que lhe estavam sempre a fazer a mesma pergunta, e a manter a discussão no preciso assunto em que o Governo estava mais à vontade (por alguma razão, o Primeiro-Ministro escolheu iniciar o debate com ele).
A fragilidade da oposição é evidente para todos. A tese que merece a aprovação generalizada é a de que é difícil, para o PSD e para o CDS/PP, fazer oposição a um Governo do PS com uma agenda muito próxima daquela que foi a dos Governos da coligação. Ao contrário do que a tese defende, não é difícil fazer oposição a tal agenda. Poderá ser difícil ganhar eleições com outra. Mas fazê-la não é difícil. E vários exemplos do debate mostram-no. Primeiro que tudo, convém evitar erros infantis como a repetição de uma argumentação já refutada, e que mantém a discussão no assunto que o Governo quer discutir. Em segundo lugar, atacar evidentes fragilidades da actuação governativa. Por exemplo, a dada altura, José Sócrates referiu que as famílias têm responsabilidades relativamente aos idosos. Que os filhos devem suportar os pais reformados, ou auxiliar a sua subsistência, para que não dependam do Estado. O Primeiro-Ministro tem toda a razão. Mas seria fácil (e não sem razão) dizer que o Estado dificulta a assistência prestada pelos filhos, ao sobrecarregá-los com impostos. Que é o próprio Estado que, com o seu peso, e a carga fiscal que esse peso acarreta, a colocar tanta gente sob a sua dependência. Tal crítica não ocorreu a nenhum dos senhores deputados do PSD, e muito menos aos supostamente liberais deputados da bancada parlamentar do CDS/PP (mas enfim, "Portugal não é Chicago"). Noutro momento do debate, o Primeiro-Ministro, acusado de alimentar uma fantasia acerca da condição do país, referiu que até admitia que a oposição acusasse o governo de fantasiar, mas que tal explicação não serviria para os investidores que arriscam o seu dinheiro no nosso país. A nenhum dos senhores deputados da oposição ocorreu explicar ao senhor Primeiro-Ministro que eles só arriscam o seu dinheiro no nosso país, porque o Estado lhes retirou as barreiras que coloca a todos os outros, involuntariamente admitindo, através da excepção, que a regra está errada. Preferiram queixar-se do vastíssimo número de impressos que supostamente seria necessário preencher para receber o subsídio apresentado. A nossa oposição não faz oposição. Faz queixinhas. Fazer oposição não seria muito difícil. Se não fazem, ou é por incompetência, ou por falta de vontade. Nenhuma das hipóteses abona muito a favor dos senhores deputados do PSD e do CDS/PP.
Posted by Bruno at 10:10 PM
Aznar
Depois de ouvir as declarações ontem proferidas por José Maria Aznar, sobre a questão das caricaturas, sobre o proteccionismo económico, qualquer pessoa percebe a diferença entre Portugal e Espanha. E percebe que se Durão Barroso tivesse tido metade da firmeza que Aznar demonstrou na sua governação, estaríamos bem melhor. Aznar, certamente, não fugiria à primeira oportunidade. E isso vê-se nos resultados que ambos obtiveram.
Posted by Bruno at 10:05 PM
fevereiro 23, 2006
Uma Tarde a Ver
Posted by Bruno at 11:18 PM
Camisas Abertas
Um qualquer Ministro italiano foi forçado a demitir-se, no seguimento de, num programa de televisão, ter aberto a sua camisa, mostrando uma t-shirt onde se podia ver uma caricatura de Maomé. Acho, francamente, um exagero. Se tivesse mostrado os pêlos do peito, teria sido bem pior.
Posted by Bruno at 11:13 PM
Toda a Diferença
A ler o texto do meu colega insurgente André Abrantes Amaral, ao qual roubo o título para este post. Fica aqui um pequeno excerto:
"Tomemos em conta o seguinte: O que o Estado teme no investimento estrangeiro na TAP, na PT e outras que tais, não tem que ver com interesses estratégicos nacionais, mas com controlo. O estado português não controla empresas espanholas, italianas e inglesas. Respeita-as e, por isso, desconfia delas. A história dos sectores chave da economia nacional é conversa fiada para cativar apoios nesta luta. Porque não são os interesses nacionais que estão em causa, mas os proveitos do estado. Esta é toda a diferença."
Posted by Bruno at 10:25 PM
fevereiro 22, 2006
Direitos
O Governo tenciona mudar a lei do sigilo bancário, no sentido de o retirar aos indivíduos que apresentem uma reclamação ao fisco. Certamente que as boas gentes que nos governam terão inúmeros argumentos em defesa da medida. Falarão, por exemplo, da enorme eficácia que trará. Não sei se trará eficácia ou não. Não quero saber. O que sei é que o Estado está dizer aos cidadãos uma coisa muito simples: quem se queixar, perde direitos. Quem achar que o Estado o lesou, perde direitos por se sentir lesado. Como se já não bastasse ter sido lesado.
Posted by Bruno at 09:42 PM
fevereiro 21, 2006
Apoios
Israel retirou o apoio financeiro que dava à Autoridade Palestiniana. Fê-lo porque as recentes eleições foram vencidas pelo Hamas, grupo terrorista declaradamente empenhado na destruição de Israel. A ONU, como se esperava, veio censurar a atitude. A Suécia, esse país corajoso, veio dizer que manterá o apoio financeiro que oferece, e mais, até está disposta a aumentá-lo. Aos senhores (e senhoras, porque consta que por lá há paridade) do Governo sueco, o sangue que os responsáveis do Hamas têm nas mãos pouco incomoda. Mas isso ainda é o menos. Poderia dizer-se que, em busca da paz, a política externa sueca irá ignorar o passado sangrento da organização que apoia. Mas o pior está precisamente na atitude que tem relativamente ao futuro. O Hamas continua sem reconhecer o Estado de Israel, e o direito que este tem a existir. A Suécia irá financiar o Governo presidido por este grupo. Certamente para, dessa forma, o atrair para o "arco da paz". Bonitas intenções. Desastrosas consequências. Ao dar apoio à Autoridade Palestiniana governada pelo Hamas, sem que este grupo altere a sua posição, a Suécia está apenas a dizer ao Hamas que não precisa mudar de posição. E se o Hamas não for forçado a mudar de posição, dificilmente o fará. Israel percebe isso. Aliás, só não percebe quem não quer perceber.
Posted by Bruno at 09:54 PM
fevereiro 20, 2006
Só e Mal Acompanhado
Diz o povo que "mais vale só que mal acompanhado". O pior é se, como no meu caso, os dois se conjugam.
Posted by Bruno at 06:11 PM
Mundo Moderno (publicado no Insurgente)
Segundo o Expresso, Joe Berardo terá ficado "ofendido" com o Governo. Talvez um jogo de futebol resolva o diferendo. Diferendo é o que parece não existir entre o Primeiro-Ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros. O primeiro veio a público confirmar que as palavras do segundo representavam a posição da política externa portuguesa. O embaixador do Irão aplaude. Irão que veio também avisar a rapaziada que irá prosseguir com o seu programa nuclear. Por sua vez, a Comissão dos Direitos Humanos da ONU, esse bonito organismo em tempos presidido pela Líbia, veio criticar os EUA a propósito de Guantanamo. Ao mesmo tempo, saíram a público novas imagens de práticas de tortura em Abu Graib, que, embora sejam de há dois anos atrás, surgiram agora por mera coincidência, certamente. Coincidência ou não, consta que o Movimento de Manuel Alegre irá agora nascer, no preciso momento em que morre. O que não morre é a fome de nomeações que o Governo demonstra. Afinal, há um objectivo de criação de empregos a cumprir, e com um "tacho", a malta não se ofende. O contribuinte, esse, paga. Quer se ofenda quer não.
Posted by Bruno at 05:14 PM
fevereiro 19, 2006
Viver e Morrer
Segundo o Público, um estudo veio contestar a ideia de que uma alimentação sem um elevado número de gorduras possibilitaria uma vida mais longa ao indivíduo que dela usufruí. Depois de anos e anos de estudos a dizerem que temos de ter cuidado com o que comemos, dizem-nos que nem tendo cuidado estamos a salvo. Bem sei que estas gentes apenas me querem ajudar, e por isso me avisam dos males de comer muito, de comer pouco, de comer isto ou aquilo, de comer sentado ou de pé, depressa ou devagar. Bem sei que me querem salvar de mim próprio. Pena é que ninguém me salva de ter de os ouvir. E isso sim, dá-me cabo da vida.
Posted by Bruno at 10:23 PM
fevereiro 18, 2006
Decadência Civilizacional
A questão das caricaturas de Maomé publicadas num obscuro jornal dinamarquês tem motivado acessa discussão por aí. Muito boa gente tem afirmado que ela é bem reveladora da decadência civilizacional do chamado Ocidente. Dizem-no devido à forma como alguns responsáveis políticos reagiram perante os incitamentos à violência de radicais islâmicos supostamente "ofendidos" com as caricaturas. Consideram que os apelos a um pretenso "bom senso" que não permitiria que alguém estabelecesse um paralelo entre o terrorismo e fundamentalismo islâmico, por poder ofender as sensibilidades da rua árabe, apenas mostram a nossa fraqueza, a nossa incapacidade de defender o que são os nossos valores, o que é o nosso modo de vida, perante as ameaças daqueles que não só odeiam esse modo de vida, como também o querem destruir. Têm toda a razão. Mas infelizmente, os sinais de decadência não se ficam por aí. Quando nos jornais se vê escrito, não "caricaturas", não "cartoons", mas o algo simplório neologismo, o pobrezinho aportuguesamento "cartunes", vemos que se desceu bastante baixo. E quando vêmos alguém, como eu, a escrever o que acabei de escrever, alguém a perder tempo a partilhar com as pessoas que o lêem, considerações acerca do uso do termo "cartunes", percebemos que a Civilização ocidental está definitivamente perdida.
Posted by Bruno at 09:59 PM
fevereiro 17, 2006
Utentes e Liberdade
O Ministro da Saúde, o dr. Correia de Campos, anunciou que o Serviço Nacional de Saúde passará a ser parcialmente pago pelo utente. Defendeu tal medida com base naquilo que considera ser uma tendência de crescente insustentabilidade financeira do Sistema Nacional de Saúde. O PCP e o BE, obviamente, insurgem-se. A dra. Zita Seabra também teceu umas considerações que, confesso, não ouvi. A dra. Teresa Caeiro, do grupo parlamentar do CDS/PP, esse pretenso grupo de liberais que bravamente resiste contra a socializante democracia-cristã de Ribeiro e Castro, veio dizer que esta medida vai contra a letra da Constituição, a mesma Constituição que estas boas gentes consideram ser socialista, e que precisa de ser mudada. Algo não bate certo. Mas deixemos os dilemas interiores do CDS/PP. O que é um facto é que o sr. Ministro tem razão. E é apenas e só sensato que o mito da gratuidade dos cuidados de saúde seja desfeito pela realidade. Pena é que o sr. Ministro não faça corresponder ao aumento dos encargos dos utentes um corte nos seus impostos. Pena que o Ministro não faça corresponder ao aumento dos custos directos dos utentes um aumento da sua liberdade de escolha. Pena que ao mesmo tempo que o sr. Ministro obriga as pessoas a um pagamento mais elevado da taxa de utilização dos cuidados de saúde, não lhes permita escolher onde e quando aplicar o dinheiro. Pena que em vez de as forçar a alimentar um Sistema Nacional de Saúde universal, não permita a privatização desse sistema, dando às pessoas a liberdade de aplicar o seu dinheiro onde quiserem, de forma a responsabilizarem quem o recebe, bem como a si próprias por essa escolha, e pagando esses serviços a quem, por si só, não tenha condições para o fazer. Sem ilusões quanto à supotsa gratuidade. Sem demagogias. Mas com mais liberdade e responsabilidade. Para todos.
Posted by Bruno at 09:55 PM
fevereiro 16, 2006
Silêncios e Asneiras
O sr. Primeiro-Ministro, o eng. José Sócrates, considera que as críticas da oposição ao Governo, a propósito das afirmações do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, não têm justificação. Segundo o Primeiro-Ministro, "não tem havido nenhum silêncio da parte do governo", como a oposição terá insinuado, e que "o silêncio é melhor que a demagogia". O Primeiro-Ministro tem razão. Quanto a ambas as questões. O Governo não esteve, de facto, em silêncio, e o silêncio é, de facto, melhor que a demagogia. O problema está, não no pretenso silêncio governativo, mas sim no facto da sua voz ter proferido coisas como as que Freitas do Amaral proferiu. Está no prolongado silêncio do Primeiro-Ministro quanto a essas declarações. E está no conteúdo das palavras com que o Primeiro-Ministro interrompeu esse silêncio, mostrando concordância com o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros. E esse problema, ao contrário do que poderá pensar o sr. Primeiro-Ministro, mantém-se.
Posted by Bruno at 09:42 PM
fevereiro 14, 2006
O Lugar de Freitas
Anda por aí grande surpresa com o facto de José Sócrates ainda não ter demitido o sr. Professor Freitas do Amaral, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica das Necessidades, depois da sequência de bonitas declarações com que o "esmagador" membro do governo nos têm presenteado. Tal surpresa é de estranhar. Não me compreenda mal, caro leitor. Acho que as declarações do sr. Ministro, para além do seu conteúdo aberrante, mas que ele tem todo o direito de pensar, são intoleráveis num ministro responsável pela política externa de um país, ao ignorar por completo uma série de ataques a embaixadas de um país aliado, limitando-se a criticar um aspecto do foro interno desse aliado, e só esse facto seria suficiente para o demitir, mesmo que tivesse razão (e não têm). A sua demissão não só seria um sinal de bom senso do Primeiro-Ministro, como num país civilizado, nem lhe teria dado tempo para ele fazer uma segunda declaração (o que, aliás, teria poupado o Prof. ao ridículo a que se prestou com a proposta do "campeonato"). Mas essa surpresa mostra apenas uma incompreensão, da parte dos supreendidos, do raciocínio do Primeiro-Ministro que esteve por trás da nomeação de Freitas para o cargo que ocupa.
Já o escrevi na altura: em parte, a nomeação de Freitas servia para limitar a crítica à política externa do Governo, pois qualquer crítica feita pelo CDS ou pelo PSD seria tratada como um mero aproveitamento vingativo (ao mesmo tempo que, percebe-se agora, limitava Freitas, impedido de avançar para a Presidência sem ter o apoio do PS, sob pena de ser acusado de trair o Governo). E, se olharmos para o que foram os primeiros dias do Governo, é fácil perceber que a mera presença de Freitas ocupou tempo de antena nas televisões, desviando as atenções de outros assuntos. Que é aliás o que acontece agora. Freitas serve de saco de pancada da opinião pública, enquanto os restantes companheiros de governo vão trabalhando um pouco. O embaraço de Freitas serve perfeitamente os propósitos do senhor Primeiro-Ministro, e é por isso que ele não o demite. No entanto, não só a asneirada tem sido tanta em tão pouco tempo, como também os propósitos iniciais da nomeação de Freitas estam em grande medida esgotados (concentrar os comentários à formação do governo na sua pessoa, e limitá-lo quanto às Presidenciais), o que quer dizer que a sua demissão não perde pela demora.
Digo isto porque uma coisa já deu para perceber do sr. Primeiro-Ministro: poderá não ser o pensador mais sofisticado. Mas de politicazinha ele percebe. Para a conspiração ele está sempre pronto (segundo consta, tal qual um "animal feroz"). E a sua arma predilecta é a atenção à cobertura mediática. Para perceber a conduta deste Governo, é preciso raciocinar nestes termos mais próprios de Marcelo Rebelo de Sousa do que de alguém com cérebro. A demissão de Freitas irá ocorrer quando mediaticamente permitir uma melhor gestão por parte do governo. Nas próximas semanas não poderá acontecer, porque a proximidade com a polémica fragilizaria o Governo. Será portanto guardada para quando o sr. Primeiro-Ministro, sempre com os superiores interesses de Portugal em mente, quiser usar o dr. Freitas como saco de pancada para silenciar uma qualquer notícia mais desconfortável. E há uma data que será importante: 9 de Março. Se Sócrates achar que consegue abafar a tomada de posse de Cavaco com uma remodelação, Freitas será despachado poucos dias antes. Mas Sócrates, apesar de "feroz", é prudente, e saberá que é duvidoso que a tomada de posse do novo Presidente seja abafada pela demissão de um mero Ministro dos Negócios Estrangeiros. Aposta pessoal: poucas semanas depois da tomada de posse de Cavaco, e quase em simultâneo com o anúncio de uma medida impopular, o sr. Professor passará a ter de novo toda a liberdade para chamar "esse Bush" de nazi, e para prosseguir a sua estranha fixação com o Reino Unido. A que se juntará o choradinho da "traição" do Primeiro-Ministro. O eng. Sócrates não se importará muito. Quanto mais tempo Freitas estiver sob os holofotes, melhor, e desta vez, nem precisará de o ter no Governo para que ele desempenhe a função de distracção oficial do reino.
Posted by Bruno at 09:57 PM
fevereiro 13, 2006
Diferença
Vieram ontem a público imagens de um grupo de soldados ingleses a espancar um conjunto de civis iraquianos. Deixemos de lado o facto de, como nota o Rui Albuquerque, as imagens terem cerca de dois anos, e só agora, por "coincidência", numa alturan em que anda por aí grande polémica em redor de umas "ofensas ao Islão", elas se tenham tornado públicas. Mas antes que a a habitual indignação autoculpabilizadora ocidental venha de novo ao de cima, há um ponto que é preciso esclarecer. A rapaziada inglesa que se entreteve a espancar a rapaziada iraquiana, será, caso a sua identidade seja descoberta pelas autoridades militares, convenientemente julgada e penalizada pelo que fez. Criminosos há-os em todos os lados. No Reino Unido. No Iraque de hoje. No Iraque de Saddam. Em regimes como a democracia liberal inglesa, como os do Ocidente, os criminosos são julgados e, caso se prove a sua culpa, condenados. No regime iraquiano de Saddam Hussein, para alguém ser condenado, bastava a vontade do "novo Saladino". A diferença está aqui, embora muito boa gente não a queira ver.
Posted by Bruno at 11:56 AM
Mundo Moderno (a minha mais recente insurgência)
Abu Hamza, conhecido pregador do ódio ao Ocidente, foi condenado a sete anos de prisão no Reino Unido. Para a sua advogada, é um "prisioneiro de fé". Nas ruas de várias cidades, um conjunto de radicais islâmicos incita à chacina do Ocidente, devido a uns rabiscos publicados num jornal dinamarquês. Ambos os casos mostrando que para esta gente, tudo faz parte da esfera da sua religião, e nada nem ninguém merece existir caso a ela não esteja entregue. Incluindo os muçulmanos que não pensam como eles. Há quem não queira perceber isto. O dr. Freitas do Amaral, que acha que os rabiscos são muito condenáveis, embora não ache que haja mérito em afirmar que a violência contra embaixadas de um país aliado é inadmissível. A dra. Ana Gomes concorda com ele, e não deixa de ser bastante revelador da natureza do pensamento do dr. Freitas que Ana Gomes tenha corrido a defendê-lo. Quem também correu bastante esta semana foi o ainda presidente da República Jorge Sampaio, que numa vista à importante povoação de Nelas, procurou evitar o bom povo de Canas de Senhorim. Foi pena, porque os indígenas costumam proporcionar-nos bons momentos televisivos. Tal como imagino que aconteça com o parlamento madeirense, infelizmente, muito ignorado. Para muito boa gente, incluindo este vosso escriba, quem deveria ser ignorado era o Hamas, pelo menos até mudar a sua posição relativamente a Israel. O Governo russo, no entanto não pensa assim. E entendeu por bem promover o diálogo com o grupo terrorista. A França e o dr. Freitas, com a firmeza que os caracteriza, rapidamente vieram mostrar a sua simpatia para com iniciativa. A diplomacia francesa já não supreende. E o dr. Freitas também não. O problema está em que ele nos representa. E esta foi uma semana em cheio para ele. Espero que não declare uma fatwa contra a minha pessoa. Quanto mais não seja porque eu ficaria bastante ofendido, e seria estranho que o dr. Freitas não mostrasse para comigo a mesma atenção que presta às sensibilidades daqueles que nos querem queimar a todos.
Posted by Bruno at 11:50 AM
fevereiro 12, 2006
Agressores
O dr. Freitas do Amaral, que por bondade do eng. Sócrates se mantém com as honras do cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros, insiste incessantemente na estupidez. Já não bastavam as suas bonitas considerações acerca da liberdade de expressão, e os bons olhos com que olhou para a iniciativa russa de conversar com o Hamas, e hoje, o vulto entendeu por bem vir a público afirmar que nós, os ocidentais, quando comparados com os radicais islâmicos, até éramos os "maiores agressores". Parece que a criatura se enganou. Não consta que andem por aí bushistas a segurar cartazes incitando à destruição do Médio Oriente. Não consta que ao longo de décadas os israelitas andem pelas ruas a pregar o empurrão dos muçulmanos para o mar. Não consta que um conjunto de fundamentalistas cristãos tenha lançado três aviões contra milhares de civis inocentes de várias nacionalidades, raças e credos, ou que tenham feito explodir autocarros, comboios ou estações de metro em importantes capitais mundiais. O dr. Freitas parece pensar que sim. E continua a ser o responsável pela condução da nossa política externa.
Posted by Bruno at 09:27 PM
fevereiro 11, 2006
Sem Mudar
Parece que enquanto o Ministro dos Negócios Estrangeiros manifesta uma grande vontade de ver os países ocidentais, liderados por Moscovo e Paris, a conversar com o Hamas (tendo em conta que os participantes declarados serão Freitas, Putin, Chirac e um qualquer terrorista, presume-se que a conversa girará em torno de Bush, e só não o chamarão de "cão nazi" porque para o terrorista "nazi" é elogio, o que parece não preocupar o dr. Freitas), o restante Governo pretende reformular o mapa autárquico do país. Reordenar o território. Para o bom velho espírito racionalista, não há ordenamento como o do território. O comum mortal do sexo masculino entusiasma-se com gente como Naomi Watts, o racionalista prefere mapas, de preferência mapas sujeitos a modificações. Com toda a sinceridade, não sei se o país precisa de um "reordenamento" autárquico. Não sei se precisa de concelhos maiores ou mais pequenos, de mais ou menos juntas de freguesia. Desconfio que o governo também não, mas que mesmo assim promova uma destas opções. Mas sei que, por muito necessárias que tais mudanças possam ser, serão irrelevantes, caso a verdadeira reforma do poder autárquico venha a ser esquecida. Caso as autarquias não passem a ter efectivas responsabilidades nas questões às quais responderão mais eficazmente que o governo central, e caso não passem a ser efectivamente responsabilizadas pelas opções que tomam. Caso não passem a ter mais poderes em àreas como a educação, e caso não deixem de ser financiadas pelo orçamento de Estado, sendo forçadas a cobrar os seus próprios impostos, fazendo sentir às pessoas os custos das megalomanias que tradicionalmente promovem. Caso nada disto venha a mudar, não se acaba com a asneira. Apenas se irão alterar os sítios de onde ela partirá.
Posted by Bruno at 09:49 PM
fevereiro 10, 2006
Equivalências
Na revista Sábado desta semana, perguntam ao excelso dr. Fernando Nobre quais os seus dez maiores receios. Tendo em conta que o inquirido é o dr. Fernando Nobre, é de esperar asneira. E o dito não desilude. Entre os seus receios, estão os fundamentalismos. Parece que o dr. Nobre, olhando para a questão dos cartoons, receia que os "fundamentalismos dos dois mundos levem ao confronto". Parece que o dr. Nobre considera fundamentalista a defesa do direito de um indivíduo a expressar a sua opinião, o que é de estranhar, tendo em conta que não teve problemas em manifestar a sua. Pior que isso, considera que nada distingue as pessoas que defendem o livre direito de um indivíduo a expressar a sua opinião dos que apelam à chacina do Ocidente. Quem conheça as opiniões do dr. Nobre não se espantará. Mais grave é que tal opinião se institucionalize. Outra grande figura, o dr. Vitalino Canas, deputado da Nação e fantoche do eng. Sócrates, entendeu por bem comprometer o grupo parlamentar do seu partido com a ideia de que "caricaturistas irresponsáveis e fundamentalistas violentos" estarão "bem uns para os outros". A opinião fica-lhe bem. Mostra bem a natureza do pensamento das pessoas a que estamos entregues. E o silêncio dos membros do seu grupo parlamentar ainda mais revelador é. Temos aqui a velha equivalênciazinha, que não vê diferenças entre ataques militares israelitas dirigidos a terroristas, mas que vitimam alguns civis, e os terroristas a que esses ataques se dirigem. Que não vê diferenças entre os terroristas do 11 de Setembro, e a Administração americana. A velha equivalênciazinha, a velha neutralidadezinha, envergonhada, de calças nos joelhos, que ao se se colocar pretensamente equidistante entre, apenas desvaloriza um dos lados. Desvaloriza o lado das liberdades.
Posted by Bruno at 10:05 PM
fevereiro 09, 2006
Despertar
Não sei se o caro leitor está familiarizado com a voz de Helena Vieira. Eu estou. Todas as manhãs acordo com ela. Não por me entregar a actos menos dignos com a senhora. Nada disso, até porque apesar de tudo, a senhora não mereceria semelhante castigo. Mas por acordar todas as manhãs ao som da TSF, nas horas em que Helena Vieira está ao comando. E é isso que explica, caro leitor, o tom azedo e repleto de ódio ao mundo que este seu escriba lhe vai oferecendo diaramente. Acordar com Helena Vieira, vociferando de raiva contra quem quer que esteja sob a atenção das notícias, indispõe qualquer um. Há nomes que Helena Vieira pronuncia em tom particularmente bilioso: Durão Barroso, Tony Blair, e claro, "esse Bush". E é com semelhantes manifestações de ódio puro e simples que passo do sono a algo que possa (com grande esforço) ser interpretado como algo minimamente semelhante à actividade de um ser vivo. Não sou um homem de fé. E parte desse sentimento deve-se a Helena Vieira. Ao ouvi-la, não concebo a ideia de que seja possível a qualquer indivíduo, qualquer que seja a natureza do seu pecado, redimir-se. Daquilo que diz todas as manhãs, e principalmente da forma como o diz, Helena Vieira não se poderá redimir. Ou então, caso Deus exista, uma coisa poderei garantir: Ele não é Justo.
Posted by Bruno at 10:18 PM
fevereiro 08, 2006
Muçulmanos e Muçulmanos
Há, no meio de toda a confusão sobre os cartoons dinamarqueses, algo de positivo. Do 11 de Setembro até aos dias de hoje, muito se tem falado do "Islão moderado", por uns considerado como "o verdadeiro", por outros como inexistente. Se é verdadeiro ou não, é coisa que os próprios muçulmanos discutem, e é presunçoso do Ocidente pretender resolver o assunto. Deverá, isso sim, escolher apoiar aquele que mais lhe convém, seja verdadeiro ou não. Ou seja, o "moderado". No entanto, muito boa gente duvido da sua existência, e não sem alguma razão. Os representantes das comunidades muçulmanas pautaram as suas intervenções públicas relativas a atentados terroristas com uma flagrante duplicidade, discursos cheios de "mas", e meios termos que na prática desvalorizavam um dos lados (o nosso). Com esta questão do cartoons, e as manifestações dos radicais islâmicos organizados, incitando o ódio e o extermínio do Ocidente, começo a ver o que não via anteriormente: o tal "Islão moderado". Alguns representantes islâmicos condenando claramente as atitudes dos manifestantes, por muito ofensivos que os cartoons possam ter sido. É só isso que o Ocidente lhes deve pedir. Condenação clara daqueles que, em seu nome, pretendem fazer do Ocidente um refém do radicalismo islamista. E é por isso que esses elementos do "Islão moderado" devem ser apoiados. E tal apoio deveria começar por uma demonstração de ausência de complacência perante os radicais, que ameaçam o "islão moderado" como ameaçam o Ocidente.
Posted by Bruno at 09:59 PM
Publicidade Institucional
Por mail, pedem-me que divulgue:
"Na próxima 5ª feira, 9 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de cidadãos portugueses irá manifestar a sua solidariedade para com os cidadãos dinamarqueses (cartoonistas e não-cartoonistas), na Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho nº 14, em Lisboa. Convidamos desde já todos os concidadãos a participarem neste acto cívico em nome de uma pedra basilar da nossa existência: a liberdade de expressão.
Não nos move ódio ou ressentimento contra nenhuma religião ou causa. Mas não podemos aceitar que o medo domine a agenda do século XXI. Cidadãos livres, de um país livre que integra uma comunidade de Estados livres chamada União Europeia, publicaram num jornal privado desenhos cómicos.
Não discutimos o direito de alguém a considerar esses desenhos de mau gosto. Não discutimos o direito de alguém a sentir-se ofendido. Mas consideramos inaceitável que um suposto ofendido se permita ameaçar, agredir e atentar contra a integridade física e o bom nome de quem apenas o ofendeu com palavras e desenhos num meio de comunicação livre.
Não esqueçamos que a sátira – os romanos diziam mesmo "Satura quidem tota nostra est" – é um género particularmente querido a mais de dois milénios de cultura europeia, e que todas as ditaduras começam sempre por censurar os livros "de gosto duvidoso", "má moral", "blasfemos", "ofensivos à moral e aos bons costumes".
Apelamos ainda ao governo da república portuguesa para que se solidarize com um país europeu que partilha connosco um projecto de união que, a par do progresso económico, pretende assegurar aos seus membros, Estados e Cidadãos, a liberdade de expressão e os valores democráticos a que sentimos ter direito."
Rui Zink, Manuel João Ramos, Luísa Jacobetty
Posted by Bruno at 09:50 PM
fevereiro 07, 2006
O Jornalismo e a OPA
A par da questão dos cartoons, o tema do dia tem sido a OPA da SONAE sobre a PT. Sobre a dita, nada sei dizer. Há, no entanto, uma coisa que salta à vista destes ignorantes olhos: a forma como a comunicação social tem de caracterizar o negócio como "o maior negócio de sempre em Portugal". A forma como a comunicação social não consegue fazer uma cobertura da actualidade num tom sóbrio. De como tudo, seja chuva, frio, sol ou ofertas públicas de aquisição, tem de ser "a maior dos últimos x anos", ou até "a maior de sempre". A forma como tudo tem de ser envolto pela comunicação social em grande excitação.
Posted by Bruno at 10:16 PM
Manobras
No Espectro, Vasco Pulido Valente considera que a pretensa indignação da rua árabe perante os cartoons dinamarqueses não é mais que orquestração do radicalismo islâmico, semelhante às operadas por Hitler, no sentido de "legitimar" a sua política de ataque ao Ocidente. Tem toda a razão, e pessoalmente, já o tinha escrito aqui: "quem leva a cabo tais manifestações são os grupos radicais organizados, que aproveitam o pretexto para promoverem a sua agenda." No seu blog, Anton la Guardia explica como se processou essa manobra. Quem quiser perceber o que está a acontecer, deverá ler o que la Guardia escreveu.
Posted by Bruno at 09:56 PM
Freitas
O mesmo senhor que um dia comparou a Administração Bush ao governo nazi da Alemanha dos anos 30 opta por ignorar a violência levada a cabo por islamistas radicais e rapaziada às ordens de nobres países como a Síria e o Irão, ao mesmo tempo que condena a publicação de uns rabiscos pretensamente ofensivos. Convenhamos que, por muito criticáveis que as várias posições assumidas pelo dr. Freitas do Amaral sejam (e são), mostram uma linha de raciocínio coerente. Pena é que o chefe do governo aparente apreciar o dito.
Posted by Bruno at 09:49 PM
fevereiro 06, 2006
Monday Is a Bad Day for Blogging
Sopranos no canal Hollywood, e Larry David na 2. Uma pessoa quer cumprir o seu dever como bloguista, mas a sociedade não deixa.
Posted by Bruno at 07:07 PM
Mundo Moderno (a minha mais recente insurgência)
Sampaio e Cavaco reuniram-se. Infelizmente, Cavaco não terá aproveitado para pedir ao seu futuro antecessor que deixe de condecorar todo e qualquer cidadão português. Quem também se reuniu foi a Comissão Política do PS. Segundo o porta-voz, Vitalino Canas, o PS compreende que perdeu a confiança do seu eleitorado, e que, de forma a recuperá-la, terá de se "reconciliar" com esse eleitorado. O que quer dizer uma de duas coisas: ou que não quer dizer nada, ou que a política governamental entrará numa rota meramente eleitoralista. Quem não esteve nessa reunião foi Manuel Alegre. Aparentemente, tinha já um jantar marcado com os seus apoiantes. Digamos que esse jantar foi a sua "muleta". Quem parece já não precisar de muletas é o Primeiro-Ministro, incansável no anúncio de investimentos privados. Como dizia um editorial do Público, tais investimentos são apenas resultado do Estado fazer por estes investidores o que não aceita fazer por todos os outros, ou seja, sair da frente. A excepção limita-se a mostrar que a regra está errada. Já O PSD quer mudar as suas regras internas. Um tal de Marco António garante que se candidatará à liderança, contra Marques Mendes. Se o país soubesse da existência de Marco António, certamente lhe mostraria a sua indiferença. E numa semana em que Israel levou a cabo o desmantelamento de mais um colonato, o Hamas veio dizer que não alteraria a sua postura de recusa do reconhecimento de Israel como um Estado. O contraste entre as duas atitudes deveria ser o suficiente para as pessoas perceberem com quem se está a lidar. Aparentemente, não chega.
Posted by Bruno at 07:06 PM
fevereiro 05, 2006
Cartoons
Ainda sobre a polémcia dos cartoons, vale a pena ler a crónica de ontem de Charles Moore:
"Right now, at the fashionable White Cube Gallery in Hoxton, you can see the latest work of Gilbert and George, mainly devoted, it is reported, to attacks on the Catholic Church. The show is called Sonofagod Pictures and it features the head of Christ on the Cross replaced with that of a primitive deity. One picture includes the slogan "God loves F***ing".
Like most Christians, I find this offensive, but I think I must live with the offence in the interests of freedom. If I find, however, that people who threaten violence do have the power to suppress what they dislike, why should I bother to defend freedom any more? Why shouldn't I ring up the Hon Jay Jopling, the proprietor, and tell him that I shall burn down the White Cube Gallery unless he tears Gilbert and George off the walls? I won't, I promise, but how much longer before some Christians do? The Islamist example shows that it works.
There is a great deal of talk about responsible journalism, gratuitous offence, multicultural sensitivities and so on. Jack Straw gibbers about the irresponsibility of the cartoons, but says nothing against the Muslims threatening death in response to them. I wish someone would mention the word that dominates Western culture in the face of militant Islam - fear. And then I wish someone would face it down."
Posted by Bruno at 10:12 PM
fevereiro 03, 2006
Liberdades
Anda por aí grande polémica em redor de uns rabiscos publicados num jornal dinamarquês. As comunidades muçulmanas ficaram ofendidas com a caricatura de Maomé contida nos ditos, e lançou-se em protesto. E fez muito bem em protestar. Como o jornal dinarmaquês (e outros jornais de outros países) fizeram muito bem em publicá-los. A liberdade que os muçulmanos que se ofenderam têm de protestar, é a mesma que os jornais têm de publicar o que ofendeu esses muçulmanos. Tal como o Expresso teve em tempos toda a liberdade para publicar o rabisco acerca do Papa, e muitos católicos tiveram a liberdade de se ofender. Já não têm é a liberdade de fazer aquilo que hoje, por exemplo em Inglaterra, aconteceu. Um grupo de pessoas ostentou cartazes onde se podia ler "Massacrem quem insulta o Islão", "Lembram-se do 11 de Setembro?", e calorosas mensagens acerca de fogueiras e cristãos para alimentar o seu fogo. Isto sim, é intolerável. Incitar a violência é algo que ninguém deve ser livre de fazer. O Conselho Islâmico Britânico (CIB) já veio dizer que nada tem a ver com esse grupo de pessoas. Deveria fazer uma condenação mais clara dessas atitudes. Parece evidente que quem leva a cabo tais manifestações são os grupos radicais organizados, que aproveitam o pretexto para promoverem a sua agenda. E por isso mesmo, uma organização como o CIB deveria fazer o máximo por se distanciar dessas pessoas. Até por um aspecto que raramente é tido em conta: os imigrantes muçulmanos que, na realidade, querem gozar das liberdades do mundo ocidental, são prejudicados pela condescendência que as autoridades têm perante esses grupos radicais que vêem o Ocidente como a encarnação do Mal. Veja-se o que acontece em França, onde a diminuta mobilidade social condena quem deseja viver em França para beneficiar de um modo de vida mais livre que o das ditaduras islâmicas, no fundo, quem deseja "ser francês", a viver à mercê de quem foi para França, mas que abomina e contraria um estilo de vida que é a base das nossas sociedades. Condena-os a ficar à mercê de quem odeia a liberdade, à mercê de quem, em virtude da condescendência ocidental, impõe nos bairros onde vivem uma "lei" que vai contra a lei do Estado francês, que é intolerável à luz de tudo aquilo em que as nossas sociedades se baseiam. O que os líderes das comunidades muçulmanas deveriam perceber, é que quem condena o direito de um jornal a ofender parte da comunidade, abomina também o direito de protestar pela ofensa. Abomina todas liberdades, sejam elas quais forem. A liberdade de grande parte dos ofendidos com o jornal dinarmaquês, e a liberdade do jornal dinamarquês, têm um inimigo comum, os que pregam a chacina de quem os ofendeu. É preciso é que o percebam. E nós, ocidentais, também.
Posted by Bruno at 09:54 PM
fevereiro 02, 2006
Legitimidades
Na Grécia Antiga, o "coro" fazia parte da "tragédia". Nas sociedades modernas, tragédia é o coro. É a manifestação do coro. Quando fala, sai asneira. Não avisa o "herói" de que está condenado pela asneira da sua conduta. Faz ele próprio a asneira, de cada vez que fala. E como o "herói", não se apercebe, por muito que o avisem. Veja-se o que tem o coro começado a dizer relativamente à vitória do Hamas, ou melhor, relativamente à reacção americana e inglesa à vitória do Hamas. Segundo as boas consciências, tais reacções são mais um exemplo da já tradicional hipocrisia dos imperialistas. Primeiro, partem do princípio que a hipocrisia é má. Não é. Basta olhar para Portugal, e vê-se um país assente na hipocrisia. Não nos esqueçamos disto. E em segundo lugar, não há hipocrisia nenhuma. Para as vozes uníssonas das novas verdades, os EUA e a Inglaterra não podem, depois de terem procurado "promover a democracia no Médio Oriente", dirigir-se a um governo democraticamente eleito, impondo-lhe limitações à condução da sua política. Afinal, garantem-nos, quem votou foram os cidadãos palestinianos, não os americanos nem os ingleses. É verdade. Mas tal como o Hamas tem a legitimidade de defender o que entende ser o interesse dos seus cidadãos, os governos americano e inglês têm o direito e a obrigação de defender o que entendem ser o interesse dos seus próprios países. Afinal, quem votou neles foram os cidadãos americanos e ingleses, não os palestinianos. Tal como o Hamas tem todo o direito que não apreciar grandemente a existência de Israel, os EUA e a Inglaterra têm todo o direito (e toda a razão) de procurar ajudar Israel a garantir a sobrevivência. E estabelecer com o Hamas a relação que muito bem entenderem, nos termos em que estiverem dispostos a fazê-lo. Os EUA e a Inglaterra querem que o Hamas mude? O Hamas não quer mudar? Está no seu direito. Terá é que avaliar os custos de tal posição. Com toda a legitimidade. Tal como os EUA e a Inglaterra. As posições são irreconciliáveis? Há maneiras de resolver isso. Com toda a legitimidade.
Posted by Bruno at 09:52 PM
Uma Pergunta
E compram-se, Francisco?
Posted by Bruno at 09:49 PM
fevereiro 01, 2006
Revelador (corrigido)
Parece que Bill Gates veio cá vender o seu produto. Nada a opôr. Gates trabalha, e ganha o que merece ganhar com esse trabalho. Se não andasse por aí a vender o que faz, não ganharia tanto, nem o mereceria ganhar. Mas há coisas que ninguém merece. Nem para ganhar dinheiro. E aturar os membros do governo português é castigo que não deve ser aplicado a ninguém. E que nenhum preço compensa. Ainda para mais, Bill Gates merece tudo menos castigo. Com o seu trabalho, ganhou dinheiro, que em parte (significativa, para quem a recebe, se bem que não muito para ele) doou para combater a pobreza. Com o seu trabalho, faz mais por esse combate que todos os Bonos e Geldofs deste mundo. E no entanto, cá esteve. Ao lado de Mariano Gago. Foi aliás nesta situação (Gates ao lado de Gago), que as televisões captaram o momento mais revelador de toda a vinda de Bill Gates a Portugal. Gates discursava. Gago lia uma mensagem no seu telemóvel. Gates, homem de sucesso, falava acerca do trabalho e do sucesso. Gago, num misto de preguiçoso desinteresse e manifesta falta de educação, lia uma mensagem no telemóvel. Todo um país retratado naqueles dois segundos.
*Obviamente, o Ministro do PS em causa tratava-se de Mariano Gago, e não do desaparecido Marçal Grilo.
Posted by Bruno at 11:07 PM