Escrito pela mão invisível de Bruno Alves. Comentários e opinião: alves.bm@netcabo.pt

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julho 31, 2005

Monarquia e República

Pior que a crítica á candidatura de Mário soares com o argumento da idade, só mesmo a comparação do nosso sistema político com uma Monarquia, centrado na mera possibilidade de uma vitória de Soares. No Opinião Pública da SIC Notícias (que não chega aos calcanhares do Fórum TSF) de há dias, um senhor de intelecto notoriamente reduzido dava voz ao pensamento. "Isto já parece, uma Monarquia", disse o senhor, seguido do expressivo "mas é..." exclamativo. "Isto já parece uma Monarquia, mas é!..." Porque esteve lá "o Soares", depois esteve "o Sampaio", e agora "o Soares" outra vez. Uma Monarquia, portanto. Dinástica. Como todos sabemos, Soares não só é pai de Sampaio, como alia essa paternidade à condição de filho do mesmo. "Os meus parabéns ao Manuel Acácio, gosto muito do seu programa, mas isto só neste país..."

Posted by Bruno at 10:07 PM

julho 29, 2005

Estudos, Especulação, Argumentos

A propósito do pedido de divulgação, por parte do Governo, dos tão referidos estudos (os "possíveis em cem dias", a mais clara confissão, involuntária, da irresponsabilidade deste Governo) sobre os "projectos simbólicos" do supostamente milagroso programa intervencionista do Governo, pedido esse que tem sido abundamente repetido pela blogosfera fora (ao que julgo, a começar no Abrupto), o João Miranda escreve acerca das razões que justificam essa mesma divulgação, de forma generalizada, e não apenas neste caso em particular.

Já agora, há algo que gostaria de acrescentar ao que aqui escrevi há dias: disse que, mais que a questão técnica, que não sei avaliar, me interessa a questão política, a questão da decisão de ser o Estado a intervir em algo em que aparentemente ninguém está interessado, se o mesmo Estado não estiver envolvido, para que seja este, como diz hoje Miguel Sousa Tavares (algo de muito errado se passa neste país para eu dizer que concordo com MST, velho ódio de estimação), a cobrir "as expropriações de terrenos, as infra-estruturas, os acessos rodoviários e ferroviários, e a inevitável derrapagem de custos de tudo o que for empreitada pública" (facto nunca referido pela propaganda governamental, elemento revelador da pouca seriedade com que este opera). Em relação a essa questão, nada tenho a acrescentar ao que escrevi. Relativamente à questão técnica, não sabendo pronunciar-me acerca dela, vivo, no entanto, neste mundo. Leio jornais, oiço rádio e vejo televisão. Tenho portanto conhecimento dos argumentos daqueles que o sabem fazer. E como dizia Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo (Flashback para os nostálgicos e Cantinho da Propaganda para o dr. Jorge Coelho), ainda não ouvi o Governo refutar nenhuma dessas objecções. Eu, que não sei se essas objecções têm ou não razão de ser, sei, no entanto, que o Governo nada faz para defender o seu projecto. O que a juntar a todos os outros elementos da sua actuação neste caso, me permite chegar a uma conclusão que vai muito para além da Ota e do TGV: o Governo não sabe o que anda a fazer. Pior, tem consciência que não sabe o que anda a fazer, e fá-lo na mesma. Temos um Governo que, consciente da sua inconsciência, faz dela o elemento central da sua política.

Posted by Bruno at 10:05 PM

julho 28, 2005

Ajustamentos

Consta por aí que o dr. Vitorino, reserva da Nação e Sebastião sem intenção, tem um programa na RTP. Nunca vi. Dirão que apenas o digo por pretensiosismo. É um facto. Mas também o digo por ser verdade. Nunca vi o programa do dr. Vitorino. Não por má-vontade. Má memória. Mas no Telejornal de há alguns dias, ouvi um excerto do dito programa, em que Vitorino (presumo que questionado acerca das posições assumidas pelo dr. Soares ao longo dos últimos anos) afirmou que nos próximos meses Soares terá "tempo para ajustar" o seu discurso a "posições mais centristas". Descontemos o facto de para o dr. Vitorino ser mais importante o que o dr. Soares vende do que aquilo que o dr. Soares pensa. O que aqui me interessa é a possibilidade de Soares vir a fazer precisamente o tal ajustamento. a participaçãon política de Soares tem-se distinguid pelo seu radicalismo. É possível que ele "ajuste" o seu discurso a "posições mais centristas". Mas ao contrário do que pensará o dr. Vitorino, isso não resolverá o problema. Porque se Soares, tal como Freitas do Amaral, esquecer tudo aquilo que andou a dizer, terá de explicar porque razão mudou de opinião. Para que não pareça, como o Ministro dos Negócios Estrangeiros, para que não pareça ser um irresponsável ou um hipócrita, qual das hipóteses a pior.

Posted by Bruno at 10:02 PM

julho 27, 2005

Os Simpsons e o TGV

Tudo aquilo que aprendi na vida aprendi-o com os Simpsons. Dirão que se nota. E dizem-no em tom depreciativo. Eu digo-o agradecido. Há nos Simpsons toda uma sabedoria que escapa aos jacobinos politicamente incorrectos. Toda uma visão do mundo. Há quem, nos momentos de apuro ou de dúvida, recorra à Bíblia. Eu recorro aos Simpsons. Lembro-me de um episódio (escrito por Conan O'Brien) em particular: a cidade de Springfield multa Mr. Burns em três milhões de dólares. Assim, têm de decidir em quê aplicar o dinheiro. Lyle Lanley, conmam profissional (vendedor de banha-da-cobra, em bom português), consegue convencer a populaça a gastá-lo no muito moderno e progressista monocarril. Ao princípio, não o quiseram ouvir, mas quando ameaça ir vender a sua ideia à vizinha Shelbyville, todos dizem que são duas vezes melhores que estes últimos. E assim, compram um completamente desnecessário monocarril. Marge está contra (e contará com a ajuda de Leonard Nimoy). É a única. Todos estão muito contentes com o progresso, e por não ficarem atrás dos vizinhos. Cantam e dançam no fim da reunião, como nos indianos filmes de Bollywood (todo um outro assunto).

Lembro-me deste episódio sempre que oiço o Ministro da Economia ou o Ministro das Obras Públicas tentarem justificar o investimento público no TGV, com o argumento de que Portugal não pode ficar para trás, porque "Espanha vai ter o TGV". Nos Simpsons, a coisa acabou mal. Nem o Leonard Nimoy lhes serviu de muito. Nós nem sequer temos o Leonard Nimoy. E se dificilmente a coisa acabará com descarrilamentos violentos, acabará muito provavelmente com as brutais derrapagens orçamentais, a serem pagas pelo Estado. Tenha sido o investimento necessário, como dizem os Ministros, ou desnecessário como era o monocarril que Lyle Lanley vendeu aos incautos da Springfield animada.

A discussão tem, aliás, sido centrada nessa questão essencialmente técnica, em redor da verificação ou ausência dessa mesma necessidade. Até o meritório manifesto hoje publicado faz alusões a esta questão, a do bom investimento público e o mau investimento público. O que pouco tem sido discutido, é, isso sim, a questão política por trás desta decisão. A decisão política de ser o Estado a comprometer-se com uma escolha que aparentemente ninguém quer fazer sem ele, numa altura em que, devido à dimensão daquilo que o próprio Estado já consome, retira aos seus cidadãos uma parte ainda maior dos seus rendimentos, desviando recursos que poderiam ser aplicados por eles e pelas empresas em actividades para as quais, ao contrário do TGV, haveria o seu interesse particular. Para além, o Estado ficará comprometido com um encargo a longo prazo, comprometendo assim os cidadãos a um permanente aumento da parte da sua riqueza legitimamente adquirida a ser absorvida pelo Estado.

Esta é verdadeira questão. A necessidade ou não do TGV é coisa para os técnicos. Esta questão é para todos os cidadãos. E perante ela, pouco interessa saber se é necessário ou desnecessário ter o TGV em Portugal. Por muito necessário que ele possa ser (coisa que não sei avaliar), o que tenho a certeza é de que, pelo mero facto de ser o Estado a pagá-lo, ninguém está interessado nessa suposta "necessidade", a não ser que sejam os outros a pagá-lo, pelo menos em parte. As empresas que certamente lucrarão alguma coisa com essa decisão, apenas lucrarão, porque no fundo, estarão dispensadas de grande parte do investimento que ela implica. Ele só será lucrativo, porque a maior parte do investimento vem dos impostos daqueles que nada lucrarão com ele, e que poderiam gastar esse dinheiro em actividades nas quais teriam realmente interesse. É isso que o Ministro da Economia e o Ministro das Obras Públicas dizem ser preciso fazer para não ficar atrás de Shelbyville, perdão, da Espanha: gastar o dinheiro dos que não o querem fazer, para o lucro dos que não o querem gastar.

Posted by Bruno at 10:14 PM

julho 26, 2005

Silly Season

Dizem que está a chegar. Acho extraordinário que alguém a consiga distinguir do resto do ano.

Posted by Bruno at 09:51 PM

julho 25, 2005

As Palavras e a Acção

No Bloguítica, leio a notícia de que Mesquita Machado, autarca de Braga desde 1976, se irá recandidatar, pelo PS. O Paulo Gorjão critica esse apoio, tendo em conta o discurso "anti-dinossauros autárquicos" de Sócrates. Mas este caso é apenas mais um exemplo de um dos maiores problemas da atitude política dos partidos portugueses. Veja-se a questão das quotas de mulheres no Parlamento. Periodicamente, avança-se com a possibilidade. É preciso abrir a actividade política às mulheres, dizem. Não lhes parece ocorrer que talvez não existam mais mulheres em cargos públicos porque não há mais mulheres interessadas em ocupá-los. É preciso atribuir-lhes uma quota. Ou seja, os partidos querem, através da coerção, fazer aquilo que eles próprios não querem fazer por vontade, quando é apenas e só dela que precisam. O que demonstra apenas que não têm vontade nem de o fazer livremente, nem de obrigar a que isso seja feito. Apenas fazer demonstrações públicas de posições politicamente correctas, sem que se responsabilizem por elas.

O mesmo se passa com os "dinossauros". Nas tomadas de posição que o Paulo Gorjão refere, o Primeiro-Ministro parecia partir do princípio de que, só por si, o facto de alguém ser autarca, ou até qualquer outro cargo público, há muito tempo, é politicamente negativo. Por isso mesmo o Governo (usurpando uma função que deveria ser exclusiva do Parlamento) avançou com uma proposta de limitação dos mandatos. Ao mínimo ponto de divergência com o PSD (de quem precisa para mudar a lei), decide deitar fora toda a proposta, em vez de se limitar a avançar com aquilo que é consensual. Assim, aquilo que o Primeiro-Ministro entende ser um problema fica por resolver, quando poderia não ter sido assim. Mas, tal como a participação política das mulheres, esta questão dpeende apenas da vontade dos partidos. Não é preciso mudar a lei. Se os partidos acham que deveria estar presente um maior número de mulheres nas suas listas, basta que o façam. Se acham que os autarcas não devem estar mais de um certo número de anos no poder, basta não apoiá-los quando os ultrapassarem. Se não ganharem, ao menos não sujam a face.

Ora o PS, que se manifestava tão preocupado com os tais "dinossauros", não só optou por não resolver o "problema" por acção legislativa quando havia, relativamente a esse aspecto particular, consenso com o PSD, como contraria através da sua acção política o princípio enunciado pelo Primeiro-Ministro. Ou seja, não tem vontade de o fazer, apenas de fazer demonstrações públicas de posições politicamente correctas, sem se responsabilizar por elas. Se o PS quisesse realmente resolver aquilo que o seu próprio líder classificou como um "problema", bastaria ter vontade. Bastaria não apoiar, por exemplo, Mesquita Machado. É certo que Mesquita Machado se candidataria na mesma, como independente, ou por outro partido qualquer. E que isso custaria uma eventual derrota ao PS. Mas o menos o PS não estaria associado a algo que o seu próprio líder afirmou ser negativo. Que é o que acontece. Atitude essa que contrasta com a de Marques Mendes, que em Oeiras e Gondomar aceitou correr os riscos que Sócrates correria em Braga, se tomasse uma decisão semelhante. Se tivesse vontade de fazer algo tão elementar como corresponder a sua acção às suas palavras.

Posted by Bruno at 10:38 PM

Ainda Soares

No Abrupto, Pacheco Pereira tem chamado a atenção (aqui e aqui) para a tendência conflitual que o radicalismo de Soares poderá imprimir, no caso de uma vitória do dito, à sua Presidência. O perfil intervencionista que Soares representou apenas ajuda a ficar com essa ideia. Mas se, como Pacheco Pereira afirma, o eleitorado a que Soares apela hoje não é o mesmo de 86, precisamente devido a esse radicalismo, não é líquido que isso implique uma derrota de Soares (não estou a dizer que JPP o afirmou). Muitas dessas posições de Soares conquistam grande aceitação em grandes partes do eleitorado. A sua posição relativamente ao Iraque, por exemplo. A sua postura anti-globalização e anti-capitalista poderá reunir à sua volta o descontentamento contra as medidas "duras" do PS. Com isto quero apenas reforçar aquilo que ontem escrevi. É preciso levar Soares a sério. Em primeiro lugar, porque Soares tem um projecto, tem ideias. Tem um programa, identificável através da sua prática política e das suas opiniões recentes. Depois, porque esse programa é profundamente negativo (é ainda menos reformista que o do Governo, e irá provocar conflito com este último). E em último lugar, porque esse programa poderá sair vitorioso. É precisamente isso que não gostaria que acontecesse. É por isso que levo Soares a sério.

Posted by Bruno at 10:11 PM

julho 24, 2005

Soares

Aparentemente, anda toda a gente muito chocada com a candidatura de Mário Soares à Presidência da República. O "professor Marcelo", por exemplo, acha mal. Não lhe basta preferir o outro candidato (Cavaco). Não queria que Soares se candidatasse. Porquê? Primeiro, porque Soares é "velho". Segundo o Professor isso seria um problema menor se houvesse envolvimento do Espírito Santo (o da Trindade, não o Banco). Mas como não há, o "professor" acha mal que Soares se candidate. Aparentemente, para o "professor", a vida de uma pessoa acaba antes mesmo de ela morrer.

Outra questão que leva o "professor" a achar que Mário Soares não se devia candidatar é a de ele já ter sido Presidente. Ou seja, para o "professor Marcelo", o facto de uma pessoa já ter ocupado um cargo político desqualifica-o de uma mera candidatura posterior a esse mesmo lugar. Aparentemente, os debates que Soares terá de travar não são os "de há vinte anos". O dr. Soares agradece o aviso. Mas dispensava-o. Soares sabe isso muito bem. Aliás, as intervenções políticas de Soares nos últimos anos são em assuntos bem "modernos" e "progressistas". O terrorismo, a globalização, a "Europa". E o problema está aí. As pessoas tendem a desvalorizar o dr. Soares. Acham que ele está senil, ou que é uma figura do passado. Não está. Não é. Soares sabe muito bem o que diz, e por isso mesmo é perigoso. Soares sabe muito bem o que está dizer quando aponta o "desespero" como causa do terrorismo. Sabe muito bem o que está a dizer quando fala do capitalismo desenfreada da "América fundamentalista". quando acha que uma "Europa Unida" é o caminho para a harmonia entre os povos. Tudo aquilo é pensado. Tudo aquilo é fruto da mais reflectida convicção. E por isso criticável por aqueles que dele discordam, como eu. Em vez de se criticar o facto de Soares se candidatar, deve-se criticar, isso sim, as ideias que a sua candidatura representa. Elas sim, são um problema bem mais perigoso para este país do que a sua idade ou o facto de já ter ocupado a Presidência.

Posted by Bruno at 09:45 PM

julho 23, 2005

O País Que Temos

Tenho por hábito dizer mal de Portugal. Há quem diga que não o devia fazer. Não porque não tenha razão. Mas porque entendem não valer a pena. Dizem que é o "país que temos". De facto é. Mas quem usa tão bela expressão incorre logo em dois erros. O primeiro é pensar que até nem é tão mau assim (normalmente falam do clima ou das paisagens para defenderem a tese). Daí, segundo o raciocínio, não valer a pena. O segundo é o de pensarem que, se este é o "país que temos", é porque podíamos ter outro. Quer porque um dia já o fomos, ou porque ainda estamos para ser. Há sempre um outro Portugal. Um Portugal-outro. Passado ou futuro. Mas paradisíaco. E ilusório. A generalidade da nossa prática governativa gira em redor da ideia de que, não sendo "isto assim tão mau", tudo se poder resolver (geralmente através de optimismo). A ninguém ocorreu que foram os vários planos para fazer o "país que Portugal podia ser", que nos trouxeram o "país que temos". Do qual vale sempre a pena dizer mal. Mesmo que nada mude. Ou precisamente por isso.

Posted by Bruno at 09:47 PM

julho 22, 2005

A Herança

Na sua crónica de hoje, Vasco Pulido Valente traça o retrato mais cruel e realista do estado actual deste país. "Sócrates começa a repetir Barroso e até Santana: na desorientação, na vacuidade, na desordem. O melodrama voltou". Será difícil que não continue a voltar. Portugal está cada vez mais ingovernável. Já nem sequer basta vontade, capacidade, ou uma ideia correcta acerca do que será necessário fazer, tudo coisas que manifestamente escapam a este governo. A tese da choldra tornou-se um lugar comum. Provavelmente porque é verdadeira. Responsabilidade? De muita gente (irresponsável na sua maioria). Mas principalmente, de António Guterres. Os anos dos seus governos foram a melhor oportunidade para ajudar a resolver muita coisa. Por comodidade ou inconsciência, ou uma combinação das duas, nada se fez. Antes se manteve a ilusão de que o Estado tudo podia oferecer. A ilusão de que nada custaria. E assim se agravou tudo aquilo que já era grave. Para mais, a sua demissão legitimou as olhos da "opinião pública" a ideia de que um governo está permanentemente dependente da vontade da "rua". Agravada pela saída de Durão, pela dissolução com Santana, esta ideia pesa sobre a cabeça de qualquer governo, especialmente aqueles cuja cabeça está mais vazia de ideias, e portanto menos resistente aos ditos esforços. Daí a propaganda. Daí os projectos faraónicos. Daí as demissões. Daí o melodrama. Nunca, nos últimos anos, a diferença entre o que os governados pretendem (e os governos estão dispostos a dar) e aquilo que pode e deve ser feito, foi tão grande. Nunca a margem de manobra para um governo atender a esta situação foi tão pequena. Mesmo que a isso estivesse disposto. Mesmo que para isso tivesse capacidade. Mesmo que soubesse o que seria necessário fazer. E nem sequer é esse o caso. Dificilmente o virá a ser.

Posted by Bruno at 10:31 PM

julho 21, 2005

A Ler

Na imprensa de hoje, vários artigos: o do Luciano Amaral no DN, o do Francisco José Viegas no JN, e o editorial do Público (sem link).

Posted by Bruno at 10:16 PM

Campos e Cunha

Acerca da demissão do Ministro das Finanças, e especialmente acerca do tom dos comentários que mais se têm ouvido, não podia concordar mais com o que escreve o Luís no Insurgente:

"Durante a campanha, ele, tal como todos os portugueses, ficou com a certeza que era isso que o PS de Sócrates propunha, ou seja, a mesma receita de sempre da cartilha socialista: mais impostos, mais obras públicas e mais estado social, omnipresente e de todos, por igual, protector. Não havia maneira de ele não saber que se iria degladiar com essa vontade de deixar obra - mais ainda quando foram apresentados os ministros da Economia e das Obras Públicas(...)os sinais estavam todos lá e à vista de todos. Pelo menos para os que encaram com pessimismo a capacidade de os governantes, que gerem o dinheiro dos impostos, de resistir a deixar obra duradoura enquanto satisfazem os desígnios dos aparelhos partidários, para não falar de outros interesses corporativos."

Posted by Bruno at 10:09 PM

julho 20, 2005

Por Causa

A frase é conhecida. Muito ouvida. Tese de estudos de Institutos prestigiados: o Reino Unido foi alvo de atentados terroristas "por causa" do seu apoio à intervenção americana no Iraque. Jack Straw, Ministro dos Negócios Estrangeiros, apressa-se a negar. Não devia. Quem apoiou a intervenção no Iraque, como é o meu caso, não deve negar que o facto de um país participar nessa intervenção, ou até mesmo limitar-se a apoiá-la, o torna num alvo muito mais provável de novos atentados. É preciso ter consciência que o Reino Unido foi escolhido como alvo, por ter apoiado a intervenção no Iraque, e por participar activamente na mesma. Mas estes atentados não foram uma declaração de guerra ao Reino Unido, justificada e justificável por uma suposta agressão prévia ao Iraque. A guerra já havia sido declarada, no 11 de Setembro, a todo o mundo ocidental. Antes, até. Os atentados de Londres não foram, como não foi o de Madrid, o começo de uma nova guerra. Foram mais uma batalha numa guerra que já vai longa, e que o continuará a ser.

O Reino Unido foi alvo de atentados terroristas "por causa" do seu envolvimento no Iraque. Mas se não tivesse sido o Iraque, teria sido "por causa" do Afeganistão. Ou "por causa" de outra coisa qualquer. Se não fosse o Reino Unido, poderia ter sido a França, "por causa" do véu. Poderia ter sido a Turquia, a Indonésia, o Iraque, o Afeganistão, "por causa" das mulheres que não andam com a cara tapada, "por causa" dos homens que bebem álcool, "por causa" das ruas com prostituição. Poderia ser qualquer país, "por causa" de não obedecer ao modelo integrista islâmico que os terroristas e os seus instigadores gostariam de impôr ao resto do Mundo. E é por causa disso que devemos lutar contra eles.

Posted by Bruno at 10:14 PM

julho 19, 2005

O Anti-Político

As declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros ao DN, hoje publicadas como excertos de uma entrevista a ser publicada amanhã, têm provocado grande celeuma. Com toda a sinceridade, as declarações não me parecem nada de especial. Claro que revelam, com a habitual tese do "temos de explicar melhor as nossas políticas", que o Ministro dos Negócios Estrangeiros atribui uma maior importância à percepção que a opinião pública tem das políticas do seu governo, do que aos eventuais méritos das mesmas. O habitual nos políticos portugueses. Muito mais graves, reveladoras, e importantes, foram as declarações que ouvi, do mesmo Ministro, à SIC Notícias. Freitas do Amaral defendeu que os principais partidos deveriam procurar um entendimento, uma espécie de "pacto de não-agressão", nas matérias relativas aos impostos, para evitar atitudes que o dr. Freitas classificou de "ridículas", nomeadamente o facto de o PSD hoje criticar o PS por este fazer "o mesmo" que "eles" (PSD) fizeram anteriormente (aumentar os impostos).

Vamos por partes. O Ministro dos Negócios Estrangeiros acha que o PSD não devia fazer críticas à política fiscal do Governo. Provalmente porque acha que não há razão para existirem essas críticas. O dr. Freitas não concebe a noção de divergência política. A proposta que avançou não é mais do que a eliminação da expressão dessa divergência. O que apenas reflecte a postura política do dr. Freitas, pelo menos, do final dos anos 80 para cá. O seu posicionamento "rigorosamente ao centro" que tanto apregoa não é mais do que o posicionamento de quem visa estar acima das diferenças, porque as entende como algo nocivo. A maioria das pessoas que não gosta de Freitas do Amaral não gosta de Freitas por aquilo que nele mudou. Eu não gosto de Freitas por aquilo que se tem mantido igual na sua postura política: o ódio as divergências. Já aqui escrevi sobre isso. Não há centro, por mais rigoroso que seja, que elimine a incompatibilidade entre certas diferenças. Freitas do Amaral ou não percebe isto, ou não quer perceber. Nenhuma hipótese abona muito a favor do Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Alguns leitores dirão que, mínimo, será de louvar a intenção de Freitas, de procurar evitar que o partido da oposição critique demagogicamente o partido de governo por fazer o mesmo que o primeiro fez quando esteve no poder. Eu discordo desses leitores. Esse tipo de atitude, como qualquer outra, é alvo do julgamento particular dos cidadãos. Se eu achar que um partido faz isso, e se achar isso negativo (acho isso negativo), esse factor terá influência no meu voto. A política também é isso, e quem anda por aí a citar filósofos políticos da Antiguidade (como o DN diz que Freitas fez), como forma de alardear a sua cultura teórica, deveria ter essa noção. Se não tem, não abona a seu favor.

Uma última questão: não é verdade que, como Freitas afirmou, e como o povo tanto gosta de dizer, "eles" tenham feito "o mesmo". Reparo na cara do leitor. Ficou admirado. "Como é que ele pode dizer isto?", pergunta-se, ao ler a minha frase. E eu respondo, caro leitor, eu respondo: porque tenho razão. O PSD e o PS não fizeram o mesmo. O leitor, já indignado, dir-me-à que estou cego. Cegueira ideológica. Eu digo-lhe que não. É verdade que ambos aumentaram o IVA. Ambos por 2%. Mas não é a mesma coisa aumentar de 17% para 19%, e aumentar de 19% para 21%. Independentemente dos méritos ou deméritos de cada uma destas duas políticas, elas não são iguais. O PSD aumentou o IVA de 17% para 19%. É portanto normal que critique o PS por aumentar dos 19%, que o PSD fixou, que o PSD acha correcto, para 21%. O que já não é normal é o PS criticar o PSD por ter aumentado esse imposto, e depois, aumentar ainda mais. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, com as suas declarações, reproduz a voz popular que se vai ouvindo nos cafés e transportes públicos. Mais do que isso, dá-lhe eco. Não importa ao Ministro dos Negócios Estrangeiros que o conteúdo dessa voz não seja verdadeiro, e contenha os mais elemantares ódios populistas aos políticos e à actividade política. Resta saber se isso não importará ao ministro por ele estar a ser demagógico, ou por não ter noção disso. Mais uma vez, nenhuma das hipóteses abona muito a seu favor.

Posted by Bruno at 09:35 PM

julho 18, 2005

Mediocridade Pública, Mediocridade Privada

Ando a ler Novos Retratos do Meu País, colecção dos Retratos da Semana de António Barreto. Numa das crónicas que li hoje, houve uma frase que retive: "pública ou privada, a mediocridade é a mesma". Não podia ter mais razão. A esquerda, por tradição intelectual, por convicção e por receio, sempre pensou que o Estado, através da sua acção planificadora centralizada, seria a melhor forma de acabar com mediocridade na prestação de serviços. A mesma esquerda gosta de pensar que os liberais, por sua vez, acham que é com o mercado que virá o Paraíso (não conheço nenhum que pense assim, mas enfim). Nada disto é verdade. A mediocridade existe. E existirá. De qualquer forma. O problema está em que a mediocridade pública não é penalizada por ser medíocre. Antes penaliza aqueles que não são medíocres. Desvia os recursos dos que se elevam para além da mediocridade para alimentar os que não precisam de competir. E a mediocridade privada, ao ser auxiliada pelo Estado, não é prejudicada por ser medíocre, prejudicando aqueles que não o são. O fecho dos mercados a produtos estrangeiros mais baratos é um bom exemplo. É isso que se passa neste país. A mediocridade pública vive à custa do metade do país. E a mediocridade privada vai existindo como se não o fosse. Não quero um Paraíso na terra. Nem construído pelo Estado, nem pelos mercados. Não quero, porque sei não poder existir. Quero um país onde as pessoas e as empresas entrem em competição umas com as outras. Em que exista gente com mérito, gente medíocre, e gente "assim-assim". Em que quem tenha mérito o veja ser premiado. E quem seja medíocre seja penalizado por isso. Sabendo que continuará sempre a existir mediocridade. Mas que se possa notar se existe ou não.

Posted by Bruno at 09:53 PM

julho 17, 2005

Falar de Sexo

Um amigo diz-me que a namorada é "rapariga séria". Outro, que a actual namorada é, ao contrário das anteriores, "a sério". Eles são dois. Elas, uma. Ambos, a serem enganados. Esqueçamos esse pormenor. O que aqui interessa é a distinção entre os conceitos: a namorada "séria" (a "não-devassa"), e a namorada "a sério" (merecedora de entrega exclusiva por parte da metade masculina do casal). Fico espantado com a complexidade que estas coisas vêm tendo nas sociedades modernas. Tudo isto me é estranho. Não tenho conhecimento de causa relativamente a nenhum dos dois casos. Nunca tive uma namorada "a sério". Tive seis ou sete. Todas imaginárias. E portanto não eram sérias. Nem deixavam de ser. Eram tudo aquilo que eu quisesse que fossem. Aliás, queria aproveitar esta oportunidade para lhes agradecer a disponibilidade.

Não tenho vida. Podia estar morto. Ninguém daria pela diferença. Não tenho vida absolutamente nenhuma. Toda e qualquer noção que eventualmente possa ter de qualquer tipo de interacção humana vem daquilo que vejo nas sitcoms americanas. Não é grave. Eu gosto das coisas assim. E isso sim, gostar das coisas assim, isso sim é grave. Se alguém tiver uma arma, por favor, use-a.

Por falar em sitcoms americanas: é curioso que toda e qualquer forma de interacção sexual é, nas sitcoms americanas, referida com o uso do termo "it". Não percebo. Parece que têm medo de falar de sexo. Não há razão nenhuma para isso. Fazer sexo, isso sim, é assustador. Falar não. Sexo falado é sexo seguro. Mas é de falar de sexo que eles parecem ter medo. De fazer, não têm nenhum. Mas deviam. Em primeiro lugar, é perigoso. Podem-se arranjar doenças. Pior, podem-se arranjar filhos. Os filhos são o pior que se pode arranjar. Piores que as doenças. As doenças curam-se. Deixam-se para trás. Se se deixar um filho para trás, é-se preso. É uma desgraça. Podem crer que sei do que estou a falar. Não que tenha filhos. Sou um filho, e basta-me isso. Não há nada pior que ter filhos. Uma mulher que tenha dado à luz certamente que concordará comigo. Não quer passar por aquilo outra vez. E um homem que tenha aturado a mulher na altura do parto muito menos. Em segundo lugar, sexo, sexo feito e não falado, implica o acto de tirar a roupa. O que, primeiro que tudo, dá trabalho. É um sacríficio. Se fosse socialmente aceite, eu tomaria banho vestido, para não ter o trabalho de tirar a roupa. Acto esse (tirar a roupa) que, executado pela minha pessoa, para além de dar trabalho, seria um castigo injusto para a sociedade. As pessoas não têm culpa. Cristo já morreu na cruz pelos nossos pecados. Não é preciso sacrificar mais ninguém.

Estas coisas preocupam-me. É normal. Não saio de casa, e fico a ver sitcoms americanas o dia todo. A mim, tudo me preocupa. Até coisas que sei não serem reais, como o Direito Internacional, por exemplo. Mas não só. Neste momento, estou preocupado com a minha falta de imaginação. As seis (ou sete) raparigas que atrás mencionei (mais uma vez, obrigado, gente) começam-se a queixar. Acham que eu não consigo fugir à rotina. Aparentemente, as raparigas modernas não aguentam uma existência rotineira. Nem sequer as imaginárias.

Posted by Bruno at 09:54 PM

julho 16, 2005

Indignação

Portugal vive em permanente escândalo. Todos se espantam. Todos se exaltam. Todos se indignam. Portugal é uma gigantesca poça de indignação. Colectiva. No Expresso, noticia-se que na Galp se fizeram "contratos milionários". António Mexia, aí citado como responsável, acusa o jornal de difamação. Sabendo de que se trata do Expresso, e sabendo como é o Expresso, é melhor dar o benefício da dúvida a Mexia. Mas vamos admitir que o aquilo que Expresso diz é verdade (tente não se rir, caro leitor, tente não se rir). Numa empresa, o problema do eventual desperdício que esses "contratos milionários" poderiam significar será um problema dos seus investidores. Se esses "contratos milionários" na Galp não trazem benefício nenhum à empresa, problema da empresa. Mas como o Estado tem participações na Galp, torna-se um factor da indignação que o nosso povo tanto aprecia. O povo nem sequer sabe se aquilo constitui problema ou não. Mas basta pensar que sim. O povo espera que os homens sejam anjos, e grita de dor sempre que vê que não são. Todos os dias, portanto. Não lhe ocorre que é por essas e por outras que o Estado não deve ser accionista de nenhuma empresa. E é por isso não lhe ocorrer, que amanhã, novos gritos se ouvirão. Nada tão português como a indignação. Como a indiganção contra o que reflecte apenas e só aquilo que os próprios indignados pedem.

Posted by Bruno at 10:12 PM

Curb Your Enthusiasm

A série de Larry David. Desde ontem à noite, a ser vista por aqui de forma compulsiva e doentia. Como Larry David certamente gostará que seja vista.

Posted by Bruno at 10:09 PM

À Falta de Viúvas Gordas e Patuscas...

"Quero deixar aqui, entre parêntesis, meia dúzia de máximas das muitas que escrevi por esse tempo. São bocejos de enfado; podem servir de epígrafe a muitos discursos sem assunto:

Suporta-se com paciência a cólica do próximo.

Matamos o tempo; o tempo nos enterra.

Um cocheiro filósofo costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos andassem de carruagem.

Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.

Não se compreende que um botocudo fure o beiço para enfeitá-lo com um pedaço de pau. Esta reflexão é de um joalheiro.

Não te irrites se não te pagarem um benefício; antes cair das nuvens, que de um terceiro andar."

Machado de Assis, Memórias Postumas de Brás Cubas.

Posted by Bruno at 10:00 PM

Agradecimentos

Em primeiro lugar, à senhora minha mãe, e ao João e ao Paulo. Gente que me atura diaramente, justificando a primazia. Depois, aos que me enviaram mails a dar os parabéns. Ao Adolfo Nunes do Arte da Fuga, ao Rodrigo Moita de Deus (de um leitor com uma almoçarada em atraso), à senhora dona Bomba, à Miss Pearls, ao Luís Carmelo (com os devidos parabéns), ao Luís Silva, ao Miguel Noronha, e por último, ao João Miranda. Acho que não me esqueci de ninguém...

Posted by Bruno at 09:45 PM

julho 15, 2005

Dois Anos

Two years too many...

Posted by Bruno at 09:00 AM

julho 14, 2005

Carrilho

Eu não sei se Lisboa "gosta muito da Bárbara" ou não. E também não sabia que "a Bárbara" era candidata à Câmara de Lisboa. Pensava que o candidato era Carrilho. Eu não sei se Lisboa gosta de Carrilho como Jorge Coelho diz que Lisboa gosta de Bárbara. Sei que eu não gosto de Carrilho. O povo, em geral, tem um problema com Carrilho. Até pode gostar dele. Mas não é incondicional. Carrilho lê livros. Ou pelo menos diz que sim. Para o povo isso é sinal de fraqueza. Se lê é porque não faz. Ora eu não gosto de Carrilho precisamente por causa do que ele faz. Da sua populista auto-promoção à custa da exposição da sua vida privada. E da sua acção política, outra forma que Carrilho encontra de se auto-promover. Aquilo que, provavelmente, fará com que ele ganhe. já funcionou com outro senhor. E viu-se no que deu.

Posted by Bruno at 10:01 PM

julho 13, 2005

Blog Contorcido

No Santa Bárbara, o Alexandre Gamelas escreve o seguinte acerca deste espaço:

"Este rapaz tem um dos blogues mais contorcidos que conheço. Precoce e cínico, muitas vezes ultra-hormonado (parece ter um fetiche por actrizes americanas, loiras e mais ou menos ensossas - se ele visse os espécimes que há por aqui...) e tão masoquista que chego a pensar que é mais um personagem blogosférico."

Quase, quase, a melhor descrição que já foi alguma vez feita acerca do que por aqui se vai escrevendo. Agradeço o "precoce" e o "cínico", mas não são só as actrizes americanas e loiras que são objecto de adoração no limiar do criminoso por aqui. Não esquecer Natalie Portman (morena) e Naomi Watts (australiana). Discordo é da qualificação que o Alexandre lhes atribuí. A qualidade sobre-humana da habitante média da Itália não desqualifica o resto do Mundo. Mas sobretudo, discordo do "masoquista". Nada mais errado, caro Alexandre. Masoquista é aquele que gosta do seu sofrimento. Eu, caro Alexandre, não gosto de nada. À excepção da Naomi Watts, da Natalie Portman, da Scarlett Johansson e da população feminina italiana em geral.

Posted by Bruno at 10:47 PM

Os Alvos do Terrorismo

Em Bagdad, um terrorista, certamente desesperado com a sua pobreza e revoltado com o terrorismo de Estado, fez-se explodir a si próprio, levando consigo um soldado americano e várias crianças iraquianas, que estavam a receber, dos soldados imperialistas, guloseimas, suborno injustificável e símbolo da arrogância capitalista do invasor. As televisões, normalmente tão prontas a explorar desavergonhadamente o mínimo arranhão de qualquer criancinha, procuraram desculpar o "rebelde". Segundo uma jornalista da SIC Notícias, ele teria como alvo a coluna de soldados, e foi por infelicidade que as crianças se encontraram lá no momento em que o dito indivíduo resolveu matar quem lá estivesse. A culpa não foi dele, que, coitado, apenas queria matar uns soldados invasores. Ninguém mandou as criancinhas cederem às seduções do Grande Satã. Admitamos que sim. Que o "rebelde" tinha "apenas" como alvo os soldados americanos. Se ele se tivesse importado com a morte de inúmeras crianças, não teria feito o atentado quando elas se encontravam perto do tal alvo. Não foi isso que aconteceu. E é vergonhoso que o ódio aos EUA, e as simpatias envergonhados relativamente aos "rebeldes" cheguem ao ponto de procurar desculpar o assassínio brutal de várias crianças do país que os rebeldes supostamente querem "libertar".

P.S.: Devo, no entanto, elogiar a RTP, que, pelo menos no Canal 1, não incorreu nessa postura vergonhosa, tendo até mostrado vários iraquianos a afirmarem que o atentado teria tido como alvo exclusivo as tais crianças. Mas não deixa de ser grave que se chegue ao ponto de tal atitude por parte de uma televisão ser a excepção merecedora de elogio.

Posted by Bruno at 10:17 PM

Justiça

Leio no Insurgente que o senhor deputado Vitalino Canas terá afirmado que a absolvição de duas mulheres acusadas da prática de aborto faz com que o PS se congratule, visto que mostraria que a actual lei se encontraria "desgarrada em relação à realidade social e à consciência jurídica". Se seguirmos o raciocínio do deputado, qualquer absolivição no caso Casa Pia nos forçará a legalizar o abuso sexual de menores, por exemplo. O absurdo do raciocínio fala por si próprio. Canas, ao contrário, fala pelo partido. E é grave que o Partido Socialista, através de um seu porta-voz, não compreenda que um tribunal aplica a lei, não tece considerações acerca da mesma. O facto de alguém ser considerado inocente do crime de que é acusado significa apenas isso, e não que a lei esteja "desgarrada". E se o PS, através de um seu porta-voz, compreende isto, mas finge não compreender para se aproveitar politicamente de um veredicto de um tribunal, isso não o desculpa. Pelo contrário.

Posted by Bruno at 10:00 PM

Um Outro Mundo É Possível

Em que "elefante branco" seja só nome de casa de má fama, e não de prática governativa.

Posted by Bruno at 09:57 PM

julho 12, 2005

Lutar Contra o Terrorismo

Os atentados em Londres vieram lembrar aos mais esquecidos que o terrorismo continua a representar uma ameaça à segurança dos cidadãos. Ao mesmo tempo, trouxe para a praça pública as habituais barbaridades que só o mundo ocidental (que os seus autores tanto criticam) permite que sejam ditas. Mas também a discussão acerca da forma de lutar contra essa ameaça.

Dos líderes políticos dos países ocidentais, ouviu-se o mesmo: que são os nossos valores que estão em jogo. É verdade. E que serão precisamente os nossos valores que nos conduzirão à vitória. Há algo nesta afirmação que merece algo louvor: a atribuição de um mais elevado grau moral à forma de organização política dos países ocidentais. Bem sei que isso choca as boas consciências. Mas reconhecer a impossibilidade da universalidade dos valores não implica relativismo. A escolha de valores implica que se atribua maior valor àquilo que se escolhe. Prefiro viver numa democracia liberal ocidental, porque acho que ela é superior. E essas afirmações dos líderes políticos têm, como já disse, esse mérito. Mas não é líquido que esses valores nos garantam a vitória.

É difícil travar uma guerra longa nas democracias de hoje. Nada disto é novidade. Já aqui escrevi (há mais de um ano, na morada antiga) sobre esta questão. O imediatismo dos desejos dos cidadãos, traço característico das democracias de hoje, coloca sobre um Governo que, como o americano, compromete as suas tropas num esforço de guerra a longo prazo, uma pressão complicada de gerir. Esse imediatismo, combinado com a voz que os meios de comunicação social lhes dá (através das sondagens), faz com que os efeitos desse esforço na opinião pública, e os efeitos que a permanente chegada de más notícias que uma guerra implica, diminua a margem que um governo tem para comprometer o seu país num esforço destes.

Para mais, há quem seja da opinião que esse esforço é, ele próprio inglório. Não me refiro aos que acham que os Estados Unidos, ou o Reino Unido, são uma ameaça maior que os terroristas. Falo de pessoas que apenas acham que uma intervenção militar como a da coligação no Iraque não é a melhor forma de lidar com essa ameaça. Que consideram que terroristas como os que realizaram os atentados da passada semana em Londres devem ser tratados como criminosos. E que portanto, o terrorismo é um problema de polícia, não um problema militar. Que a forma de lutar contra o terrorismo deve ser a de, através dos serviços de informação, procurar evitar que eles ocorram. E se isso não se conseguir evitar, que então se procurem os culpados. Devo dizer que têm toda a razão. Ou quase.

Os atentados de Londres vieram-nos lembrar uma coisa: é impossível evitar todos os atentados que possam querer realizar contra nós. O facto de num país onde vários atentados foram já evitados, de ter sido precisamente nesse país que ocorreram os atentados da semana passada, mostra que há sempre algo que escapa à vigilância dos serviços de informação. Infelizmente, os terroristas estão sempre um passo à frente. Felizmente, os terroristas de Londres apenas utilizaram meros explosivos. Felizmente, não usaram armas químicas. Não porque não as quisessem usar. Quem mata daquela forma indiscriminada não tem preocupações com uma eventual desproporcionalidade da força usada. Quem mata daquela forma indiscriminada, quem para matar um maior número de pessoas, está disposto a morrer também, só não usa armas de destruição massiva se não as tiver. E é por isso que o terrorismo não é um mero problema de polícia. Porque temos de evitar que os terroristas passem a ter à sua disposição os meios que lhes permitiriam matar um número ainda maior de pessoas.

O único sítio onde eles as poderão adquirir são os estados-pária, que olham para o Ocidente em geral como o inimigo. Mesmo que não haja qualquer ligação efectiva, hoje, destes estados com grupos terroristas, há algo que eles têm em comum: o ódio ao Ocidente. Perante isto, perante o facto de ambos terem um inimigo comum, nada nos garante que essa ligação eventualmente não-existente não venha um dia a existir. E se isso acontecer, os terroristas passarão a ter acesso a meios que hoje não possuem, meios que lhes permitiram causar muito mais estragos do que aqueles que poderão causar hoje. É por isso que intervenções militares contra esses estados-párias se justificam, e, mais, são uma forma correcta de lidar com a ameaça terrorista. Visam impedir que os terroristas que escapam ao controlo dos serviços de informação não venham a dispôr de meios que lhes permitam matar um número ainda maior de pessoas.

Os cépticos dizem que isso não acabará com o terrorismo. Os hipócritas dizem o mesmo. Não ligo aos hipócritas. Não me merecem consideração. Mas presto toda a atenção aos cépticos. Costumam ter razão. É o caso. Nada disto acabará com o terrorismo. Mas temos de lutar, mesmo que vitória não possa ser total. Mesmo que continuem a ocorrer atentados nas ruas das nossas cidades. De Londres. De Nova Iorque. De Istambul. De Jerusalém. De Bagdad. Porque se não lutarmos, esses atentados serão ainda mais devastadores. A responsabilidade primeira de um Estado é defender a segurança dos seus cidadãos. Hoje em dia, infelizmente, nenhum Estado a pode garantir a 100 por cento. Mas deve procurar garantir que a ameaça seja a menor possível. É isso que os EUA, o Reino Unido, e os seus aliados, aqueles que continuam ser seus aliados, estão a procurar fazer.

Posted by Bruno at 10:09 PM

julho 11, 2005

Progresso e Liberdade

No Reino Unido, antes dos atentados, corria grande polémica em redor da intenção do Governo (apoiado pelo actual líder dos Tories, Michael Howard, mas com forte oposição de David Davis, Ministo-sombra do Interior e aparente front-runner à liderança) de instaurar um bilhete de identidade. O Governo quer com ele garantir mais segurança aos cidadãos. Os grupos mais libertários (Davis incluído) falam na alteração na relação entre o Estado e os cidadãos que o seu uso, e a exigência da sua apresentação, comportariam.

Tenho há já algum tempo um certo interesse por esta questão. Sempre odiei o cartãozinho, e confesso, incorro regularmente na irregularidade que é não o ter comigo. Mas percebo o argumento que utilizam aqueles que o querem instaurar nos países que ainda não têm. Não querendo tomar uma posição definitiva sobre o assunto, há alguns pontos da argumentação "a favor" que queria aqui discutir. O argumento de que o uso de um bilhete de identidade permitiria um mais eficaz combate ao terrorismo seria o argumento que mais facilmente me convenceria. O problema é que não vejo como isso possa ser possível. E o próprio Charles Clarke, Ministro do Interior britânico, veio dizer (num infelizmente pouco comum momento de dispensa de demagogia por parte do Labour) que o BI não teria evitado os atentados de quinta-feira. Ou seja, se alguns duvidam que um eventual aumento de segurança pudesse sequer compensar a perda de liberdade, se nem esse aumento de segurança o BI pode vir a proporcionar, resta apenas a intromissão do Estado.

Os apoiantes da adopção do BI defendem que a tecnologia que será utilizada no documento (scans da íris) permitirá uma identificação mais eficaz, que protegerá os cidadãos de "roubos de identidade", em situações em que um criminoso possa vir a lucrar com o fazer-se passar por um cidadão cumpridor da lei. Admitamos que sim. Há uma grande tendência, nos dias de hoje, e que vem da fé iluminista no Progresso, para ver nas possibilidades trazidas pelas "novas teconologias" apenas e só benesses. Não querendo negar essas vantagens, convém não ignorar os inconvenientes que inevitavelmente as acompanharão. Uma maior capacidade tecnológica ao dispôr do Estado representa maiores meios de controlo deste sobre os seus cidadãos.

Os defensores da adopção do Bi argumentam que não há aqui qualquer problema: quem cumpre a lei não tem nada a temer. Só os malfeitores. Ora aqui é que está o grande erro. Admitamos que sim, que os malfeitores terão mesmo mais a temer com a adopção de um BI "tecnologicamente avançado". Isso não implica que o mesmo não aconteça a quem cumpre e respeita a lei. A tecnologia é concebida por humanos. Como eles, é falível. Por muita avançada que seja. E por muita avançada que seja, aqueles que a usam para proteger os restantes cidadãos, e por muito bem intencionados que sejam, não estão isentos de com ela cometerem erros. E são esses erros que os cumpridores da lei têm a temer. Quanto mais avançada for a tecnologia, maior será a intromissão do Estado. Por melhor intencionada que seja, quanto maior for a intromissão do Estado, quanto maiores forem os meios ao seu dispôr, maiores serão os estragos que eventuais erros poderão provocar.

Mais uma vez, não quero com isto tomar uma posição definitiva. Apenas acho que é uma medida que, a ser adoptada, requer toda a prudência e ponderação. Cujas eventuais desvantagens implicariam que estas devessem ser compensadas por inegáveis e incomparáveis vantagens. São essas que me escapam. E tenho também pena que em Portugal, nada disto se pense. Nada disto se discuta. Por muito habituados que estejamos ao cartãozinho (quer o levemos connosco para rua a ou não) nada justifica a indiferença relativamente a uma questão que, tendo implicações na relação diária entre o Estado e os seus cidadãos, vai ao âmago daquilo que deve dizer respeito à discussão política numa democracia liberal.

Posted by Bruno at 10:01 PM

Politóloga

"Marina Costa Lobo, politóloga". Assim se lê no Fora do Mundo. Tenho para mim que Costa Lobo nutrirá simpatias políticas por uma ou outra forma de guterrismo. Paciência. Devo confessar a minha admiração por Costa Lobo. Não só por que me recordo da forma como num Expresso da Meia-Noite não se fez rogada em demonstrar pouco apreço por uma intervenção de Rui Oliveira e Costa, embora essa atitude, só por si, seja merecedora de todos os aplausos e mais alguns. Mas acima de tudo porque me recordo da sua participação no dito programa. Em Costa Lobo, há substância. Para além da imagem. Imagem que não fica nada a dever à substância. E depois há aquela maneira de falar. Há tempos, teciam-se grandes considerações em redor de uma "inesquecível socióloga". Eu prefiro a politóloga.

Posted by Bruno at 09:45 PM

julho 10, 2005

A Ler

Beleza na Televisão, do meu amigo Paulo. O money-quote:

"A determinado momento, a jovem actriz parte para as afirmações. A actriz afirma, entre outras coisas, que o seu sonho era «ir para aqueles países exóticos lutar pela causa dos animais desprotegidos». Fico contente, não pelo facto de a jovem actriz ter revelado tudo aquilo que é, ou seja, um cabelo oxigenado e um bonito par de seios, mas por a jovem rapariga ter confessado que tem sonhos. Apesar de estar deitada na piscina a beber um sumo «especial», a rapariga sonha. A rapariga, para além de decorar todos aqueles guiões complicados, característicos da ficção (trágica) nacional, e de se deleitar numa piscina de hotel, sonha com os pobres animais e, quem sabe, com os fracos e oprimidos. É de louvar."

Posted by Bruno at 10:02 PM

Egoísmos 2

Acerca das declarações do dr. Vitorino ontem aqui referidas, vale a pena ler o que escreveu o João Miranda:

"O Dr Vitorino anda preocupado com a extinção da espécie e vai daí, quer que o estado promova a natalidade. É verdade. Os casais portugueses não têm filhos. Eu sei porquê. Não têm filhos porque graças às políticas anti-egoístas dos socialistas não podem ter filhos. Não podem porque não têm dinheiro para os ter. Têm que trabalhar para pagar impostos que pagam o salário dos pais funcionários públicos, a reforma dos avós, a escola dos irmãos mais novos e até ... as políticas natalistas."

Posted by Bruno at 09:54 PM

julho 09, 2005

Egoísmo

Segundo uma notícia do Público, o dr. António Vitorino veio defender o apoio à natalidade, por parte do Governo. Considera o dr. vitorino, a crer na notícia, que o governo deve implementar medidas que ajudem as famílias e incentivem a natalidade, "que combatam o modelo «egoísta» e «consumista» que faz com que os casais portugueses e europeus, actualmente, prefiram não ter filhos e assim falhar na responsabilidade de garantirem a manutenção da espécie humana". pensei em fazer uma crítica a estas declarações do António Vitorino. Talvez uma piada a ridicularizar a utilização dos termos "egoísta" e "consumista", e a questão da "falha de responsabilidade em garantir a manutenção da espécie humana". Achei que não valia a pena, que as palavras de Vitorino falavam por si.

Posted by Bruno at 09:46 PM

julho 08, 2005

Homem de Cultura

Na sua crónica de hoje, Eduardo Prado Coelho disserta acerca do tema da candidatura de esquerda à Presidência da República. A dada altura, diz que "tanto o PP como o PSD têm lideranças débeis." para o ilustrar dá o exemplo das reacções de Azevedo soares ao "plano" do PS: "Veja-se a reacção de Azevedo Soares (famoso economista, como se sabe), ao plano do PS". Veja-se que para Prado Coelho, o facto de Azevedo Soares não ser um economista o desqualifica de emitir a sua opinião acerca de uma questão d epolítica económica, embora a ausência de formação económica do próprio EPC não o impedem de tecer comentários aos comentários de Azevedo Soares sobre a tal matéria de política económica. Diz tudo acerca da atitude política de EPC. Para mais, não ocorre a EPC o facto de Azevedo Soares ser porta-voz do PSD, PSD que tem vários economistas que certamente informaram Azevedo soares daquilo que a sua ausência de formação económica supostamente não permitiria analisar no famoso "plano". É, aliás, para isso que serve um porta-voz: é a pessoa que fala pelo partido, que depois tem gente cuja função não é essa, mas sim analisar as propostas políticas dos outros partidos. Nada disto ocorre a EPC. Mas antes, EPC discorre acerca do facto de Manuel Alegre ter tido que se se candidatasse à Presidência isso seria mais um "acto poético" do que um "acto político". Coisa que EPC considera que seria "para a classe política extravangâncias que não merecem ser tomadas à letra", mas que "só para os homens de cultura é que funcionam." Presume-se que funcionem para EPC, visto que ele se trata de um "homem de cultura". Talvez seja essa a condição que lhe permite desconsiderar a opinião de outros apenas porque estes não possuem uma determinada formação (o que, aliás, me parece um erro da parte de EPC), ao mesmo tempo que a ausência dessa mesma formação no dr. Prado Coelho não o desqualifica de tecer considerações acerca de opiniões acerca da mesma matéria. Nada tenho contra os "homens de cultura", seja lá o que isso fôr. Não votarei em Alegre, se ele se candidatar, porque não concordo com as suas posições, e não porque me incomodem "actos poéticos", seja lá o que isso fôr. O que já me incomoda é atitude de EPC, que aplica aos outros exigências que aparentemente parece não aplicar a si próprio. Se essa diferença fosse um "acto poético", talvez não representasse grande problema. Mas parece ser um sinal da postura política de EPC, e aí já é bem mais grave. Nada que supreenda, no entanto.

Posted by Bruno at 10:08 PM

Atentado em Londres 3

A ler, absolutamente, o artigo de Amir Taheri no Times:

"It is, of course, possible, as many in the West love to do, to ignore the strategic goal of the Islamists altogether and focus only on their tactical goals. These goals are well known and include driving the “Cross-worshippers” (Christian powers) out of the Muslim world, wiping Israel off the map of the Middle East, and replacing the governments of all Muslim countries with truly Islamic regimes like the one created by Ayatollah Khomeini in Iran and by the Taleban in Afghanistan.

How to achieve those objectives has been the subject of much debate in Islamist circles throughout the world, including in London, since 9/11. Bin Laden has consistently argued in favour of further ghazavat inside the West. He firmly believes that the West is too cowardly to fight back and, if terrorised in a big way, will do “what it must do”. That view was strengthened last year when al-Qaeda changed the Spanish Government with its deadly attack in Madrid. At the time bin Laden used his “Madrid victory” to call on other European countries to distance themselves from the United States or face similar “punishment”.

Bin Laden’s view has been challenged by his supposed No 2, Ayman al-Zawahiri, who insists that the Islamists should first win the war inside several vulnerable Muslim countries, notably Afghanistan, Pakistan, Saudi Arabia and Iraq. Until yesterday it seemed that al-Zawahiri was winning the argument, especially by heating things up in Afghanistan and Iraq. Yesterday, the bin Laden doctrine struck back in London."

Posted by Bruno at 10:01 PM

julho 07, 2005

Atentado em Londres 2

No Jornal da Tarde da SIC, Martim Cabral manifestava algum espanto pela localização de uma das explosões, a de Edgware Road, que Cabral considerava o lugar mais improvável que imaginava para um atentado levado a cabo por extremistas islâmicos. Aparentemente (não conheço Londres) trata-se de zona onde a presença da comunidade árabe londrina é numerosa. Mas esta reacção de espanto não tem razão de ser. As pessoas que levam a cabo estes atentados não o fazem contra aqueles que "ocupam" o Iraque, contra os capitalistas ou países que essa gente entende que deve ser atirada para o mar (é, aliás, vergonhoso, o "esquecimento" de Israel nas listas de países vítimas de atentados terroristas feitas pelas televisões portuguesas). Fazem-no contra todos aqueles que não seguem o estilo de vida medieval e totalitário que essa gente entende dever ser observado por todo o Mundo. E entre esses que são atacados apenas por serem livres, estão também árabes. O que diz tudo acerca dos responsáveis por atentados como o de hoje. Mais uma razão para não deixar de lutar.

Posted by Bruno at 09:54 PM

Atentado em Londres

O atentado de hoje em Londres, ou melhor, os atentados coordenados de hoje em Londres, lembram-nos da realidade do mundo de hoje. O terrorismo é uma ameaça, clara, à vida de todos os cidadãos. Infelizmente, este atentado não é nada de novo. Apenas mais um episódio de uma ameaça que dificilmente nos deixará nos tempos mais próximos. O facto ter família em Londres, e a preocupação (felizmente, rapidamente dissipada) pela sua segurança, dá apenas uma pequena ideia do que enfrentam os londrinos no dia de hoje, como enfrentaram antes os nova-iorquinos, os habitantes de Washington, de Madrid, de Jerusálem ou de Istambul, e como certamente enfrenatrão muitos outros no futuro.

No Insurgente, tem-se acompanhado as várias notícias que têm vindo a ser divulgadas. No Quinto dos Impérios, o relato feito de Londres pelo Fernando Albino. E no Times, um artigo que analisa o que estes atentados poderão indicar para o futuro da luta contra o terrorismo. Fica aqui um pequeno excerto:

"It is impossible to know whether the claim of responsibility made on the internet is genuine, unless the group offers some proof that it was responsible. Far more telling are the facts emerging from the bombings, which have all the hallmarks of an al-Qaeda attack and are similar to the deadly rush-hour bombings by al-Qaeda terrorists against commuters in Madrid last year.(...)

Previously, it was assumed that Britain was on al-Qaeda's hit list for all the reasons I mentioned above. But the original al-Qaeda group headed by Osama bin Laden is much weakened by the overthrow of the Taleban regime in Afghanistan and the killing or capture of its followers.

The real power now resides in Iraq with Abu Musab al-Zarqawi, the Jordanian terrorist leader responsible for the worst acts of violence by the insurgency in Iraq over the past two years.

His group is supported by hundreds, possibly thousands of mujahidin volunteers from across the Arabic and Islamic world, including British citizens. His followers are well trained and ruthless. If they have decided to launch a campaign in Britain it could be the start of a long and bloody conflict."

Posted by Bruno at 03:03 PM

julho 06, 2005

Portugal e o Mundo

O dr. Fernando Rosas escreve hoje, no seu artigo no Público, acerca do envio de mais tropas portuguesas para o Afeganistão. Rosas, obviamente, está contra. Considera que se tratam de "acções conducentes ao agravamento da participação de forças militares portuguesas em operações militares no estrangeiro". Poderia pensar-se, através destas palavras, que Rosas é contra qualquer participação portuguesa em operações militares no estrangeiro. O próprio nos assegura que não é assim. Não é, diz-nos, "um defensor de qualquer forma de autarcia ou de esplêndido isolamento internacional". Ainda bem que não. Mas então, o que quer o dr. Rosas? Simples. Que Portugal tenha uma "política externa e de defesa decorrente de uma definição própria do que sejam as suas prioridades estratégicas a nível nacional e internacional", obviamente "definido em função da nossa História, do nosso presente e daquilo que hoje podemos projectar como um futuro possível de relações de paz, de cooperação, de amizade, de defesa dos direitos humanos, de ajuda humanitária, a nível externo." Isto obviamente, não "reduzido(...) a uma posição apendicular, desprestigiante e impotente relativamente aos interesses, aos comandos e às prioridades da superpotência reinante."

Não sei se basear a política externa na História de um país será por si só suficiente. No entanto, se assim fosse o resultado seria uma associação à "superpotência reinante" que o dr. Rosas tanto abomina. A tradição da política externa portuguesa é a de associação à potência ou potências atlânticas, a Inglaterra e/ou Estados Unidos. O que se explica em grande parte pela localização geográfica do país. Que, pelo menos que eu tenha dado por isso, não se alterou nos últimos anos. É normal, portanto, que essa relação continue. Além disso, o dr. Rosas, num momento de rara sensatez, acha que a política externa portuguesa deve obedecer às suas prioridades estratégicas. Ou seja, aos seus interesses. O dr. Rosas parece achar que os interesses da "superpotência reinante" são contrários de aos de Portugal. Admitamos que em muitos assuntos assim pudesse ser. O Afeganistão dos Taliban seria uma ameaça comum a estes dois estados ocidentais, por muito antagónicos que fossem esses hipotéticos interesses. Se o dr. Rosas porventura considerar que entre os EUA e o Afeganistão taliban poderia vir o diabo e escolher, ou pior, considerar que os EUA seriam uma ameaça maior, isso apenas desqualificaria o próprio dr. Rosas, de tão irrazoável que essa consideração seria.

Mas ao que parece, o dr. Rosas não considera isso. O dr. Rosas critica os EUA por não terem conseguido resolver o problema que aí existia. Se critica os EUA por não terem resolvido o problema, é porque acha que havia um problema. E se havia um problema, cuja não resolução é motivo de crítica, o dr. Rosas deveria apoiar uma intervenção que o pretendesse resolver, e um reforço da mesma para permitir que esse objectivo fosse mais facilmente conseguido. E achando que Portugal deve ter uma política externa que pretenda dar resposta a questões como aquelas que considera estarem por resolver no Afeganistão, deveria apoiar a participação portuguesa nessa mesma intervenção. Mas o dr. Rosas não apoia a intervenção. Muito menos a participação portuguesa. O dr. Rosas, que critica o facto de uma intervenção não ter obtido os resultados a que se propunha, considera que essa intervenção nunca deveria ter tido lugar. O que teria como resultado a manutenção do problema, que o dr. Rosas parece reconhecer existir. Ou seja, o que Rosas propõe tem como resultado aquilo que ele critica na intervenção. Percebe-se? Sim. O ódio à "superpotência reinante", que transparece a cada palavra do dr. Rosas, permite explicar muita coisa. Até a inconsistência do seu pensamento.

Posted by Bruno at 09:33 PM

julho 05, 2005

Supremo Problema

Nos EUA, aproximam-se dias turbulentos. A demissão de um dos membros do Supremo Tribunal, a juíza Sandra Day O'Connor, forçará o Presidente Bush a tomar uma das decisões mais complicadas da sua Presidência, a nomeação de um substituto. Complicada porquê? O'Connor era a juíza que, nas votações em que ocorria um empate entre os juízes conservadores e os juízes "liberais" (no sentido americano), permitia o desempate. A sua substituição irá portanto moldar a composição do Supremo Tribunal, e o equilíbrio de poder no seu seio, durante vários anos. Bush está entalado. Terá que desagradar a alguém: ou a parte do seu eleitorado, ou a todo o eleitorado da esquerda americana. O caminho correcto seria desagradar a ambos.

A esquerda tem receio do que Bush possa fazer. A esquerda gostaria que Bush nomeasse um juíz que fizesse com o poder judicial as leis que os democratas não conseguem fazer com o legislativo. Bush não vai fazer isso. Não foi para isso que as pessoas que votaram nele o elegeram. A esquerda sabe isso. E teme que Bush nomeie um radical de direita, que faça com o seu programa aquilo que a esquerda gostaria de fazer com o seu. Os receios da esquerda são um pouco exagerados. Não porque o eleitorado de Bush, ou parte dele, não o tenha eleito para isso mesmo. Mas porque mesmo que o faça, mais tarde ou mais cedo, outro juíz resignará ao seu lugar, eventualmente com um Democrata na Presidência, e caberá então a ele redifinir o tal equilíbrio. Uma eventual radicalização do Supremo poderia ser corrigida mais tarde.

Mas se o Bush o fizesse, seria um erro. Apenas adiaria a resolução de um problema. E incorreria naquilo que os Republicanos tradicionalmente tanto criticaram, a intromissão federal nas decisões dos Estados. Aquilo que Bush precisa fazer é nomear alguém que respeite a Constituição. Ou seja, alguém menos preocupado em anular o Roe vs Wade, ou, pior, em fazer outros Roe vs Wade noutros assuntos, e mais procupado em fazer respeitar aquilo que a Constituição realmente diz. Que os poderes não delegados nos poder federal pela Constituição cabem a cada um dos Estados. deverá portanto assegurar que o poder federal não legisle sobre assuntos que a ele não cabem. Deeverá assegurar que o casamento de homossexuais possa ser permitido na Califórnia e proibido no Texas, e que o livre porte de armas possa ser permitido no Texas e proibido na Califórnia. Se um casal homossexual texano se quiser casar, que vá para a Califórnia. Se um californiano quiser andar com uma arma, que vá para o Texas (se se tratar de um casal homossexual que queira andar com armas, aí terão um problema grave). É isto que o Supremo Tribunal americano deve defender. Não deve procurar a uniformização, através do poder judicial federal, das leis estatais. Deve, isso sim, impedir que o poder legislativo o tente fazer. À luz do federalismo inscrito na Constituição.

Posted by Bruno at 11:37 AM

julho 04, 2005

Democracia

Hoje, aquele senhor que em tempos foi vocalista de uma banda chamada Boomtown Rats, ou coisa que o valha, e que hoje é promotor de eventos de exaltação de demagogia, de seu nome (o senhor, não os eventos)Bob Geldof, fez uma declaração que afirmava que, após o sucesso do Live 8, os olhos do Mundo estarão na Cimeira do G8, para ver se os países que o constituem irão responder aos apelos da rapaziada da cantoria. Dizem que é o valor da democracia que está em jogo. Eu digo que não é. Primeiro o G8 não é uma democracia. Nem sequer uma instituição. É o nome que se dá a uma reunião mais ou menos formal de oito países. E depois, não é às intenções de um grupo de artistas e, admitamos com muita imaginação, daqueles que assistiram ao espectáculo, que os governantes que aí se reunem deverão atender, mas sim ao mandato que o voto lhes deu. Que não foi certamente aquilo que o Live 8 tinha como programa político. Vejamos exemplos. Putin não é democrata, e por isso não preciso de votos. Em Bush votaram por muitas razões. Em Chirac, votaram para não terem Le Pen. Em nenhum dos casos o voto foi para se dar mais dinheiro ao senhor Mugabe e ao senhor de Angola cuja filha se casou há pouco tempo. O senhor Bob Geldof tem todo o direito de defender os seus pontos de vista, e fazer pressão para que estes sejam postos em prática. Mas não tem razão. Nem em relação ao que propõe, nem quanto à sua visão do que é uma democracia. Infelizmente, não é o único.

Posted by Bruno at 10:52 PM

4th of July

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"In England one is always running into people who are anti-American altough they have never set foot in this country. And I always them: there are no Americans. America is full of foreigners."

Alfred Hitchcock, em entrevista a François Truffaut.

Posted by Bruno at 10:25 PM

julho 03, 2005

Shine On, You Crazy Diamond

Mas para além da retórica politicamente correcta, o Live 8 valeu a pena por uma coisa: eu ter podido ver os Pink Floyd com David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright todos juntos. Só faltou Syd Barret, mas isso já seria pedir demais...

pink floyd

Posted by Bruno at 12:01 AM

julho 02, 2005

África, G8 e a Ajuda

Ajudar está na moda. Principalmente ajudar África. Hoje até houve cantoria pelo Mundo fora para ajudar África. Ora eu não tenho nada contra as cantorias. Até gostei de ver (a palavra é mesmo "ver") a Dido a passear o talento que Deus lhe deu. O que me incomoda é retórica que acompanha as cantorias. Que é preciso perdoar a dívida aos países Africanos, e aumentar para o dobro as ajudas financeiras a essas mesmos países. Quanto ao perdão da dívida, até nem me choca. É apenas sensato não alimentar a ilusão de que essa dívida possa algum dia ser paga. Mas seria também escusado alimentar a ilusão de que as ajudas financeiras "farão história" contra a pobreza. A rapaziada do Live8 pede aos políticos que eles "finalmente ajam". Ora o que rapaziada pede aos políticos para "finalmente" fazerem é apenas e só aquilo que eles têm vindo a fazer há uma série de anos: despejar dinheiro que apenas serve para enriquecer os vários ditadores dos vários países supostamente beneficiários por essa suposta ajuda. A única coisa que realmente poderia ajudar qualquer coisa seria o fim das políticas proteccionistas dos países do G8 e do continente europeu em geral, que impedem a concorrência dos produtos africanos, condenando à pobreza os habitantes desse concorrente. É curioso que esta é a medida menos referida no Live8, e aquela que mais dificilmente os governos poderão tomar. A rapaziada das cantorias parece não perceber isto. Mas até aí tudo bem. O que já me deixa preocupado é o facto dos governos do G8 parecerem não ter percebido isto também.

O discurso da "ajuda" é sempre o mesmo: é a nossa obrigação. É a obrigação dos governos dos países mais ricos ajudar os mais pobres. Não entendem ser sua obrigação não criar barreiras que prejudiquem esses países. Não. É preciso os governos dos países mais ricos darem dinheiro aos governos dos países mais pobres. Continuamos a ouvir dizer que é essa a obrigação dos governos países mais ricos. Não é. A obrigação dos governos de qualquer país, seja ele rico ou pobre, é cuidar dos interesses dos seus cidadãos. Que é precisamente o que os governos dos países africnaos não fazem, ao usar a "ajuda" para enriquecerem os seus corruptos governantes. E é precisamente o que não fazem os governos dos países mais ricos, ao despejarem dinheiro nesses corruptos governos, dinheiro esse que provém dos seus contribuintes. Dos seus cidadãos. Ou seja, desperdiçam o dinheiro daqueles cujo interesse deveriam proteger.

Dirão que me contradigo. Que a defesa dos interesses dos seus respectivos cidadãos é a razão que justifica o proteccionismo que critico e quero ver terminado. Garanto que não há contradição. Que o proteccionismo apenas protege os interesses de parte dos cidadãos de um país, parte essa que é minoritária, e que prejudica os restantes. Se alguém é beneficiado por políticas proteccionistas, é porque não teria condições para competir contra os seus concorrentes em quaisquer outras condições. O proteccionismo premeia os incompetentes. E para mais, prejudica todos os outros, que pagam através dos impostos os subsídios que protegem esses incompetentes, e pagam os produtos por eles produzidos a um preço muito mais elevado do que custariam por exemplo os produtos africanos que são prejudicados por esse proteccionismo. Defendo o fim do proteccionismo porque este prejudica os cidadãos dos países que aplicam essas políticas proteccionistas. O facto de eles prejudicarem os cidadãos dos países que tão insistentemente a brigada politicamente correcta tanto quer ajudar apenas ilustra a hipocrisia dessa gente.

Para mais, toda a retórica da "obrigação" de ajudar assenta no ponto fundamental. Fundamental, mas radical. E radicalmente perigoso: o de que todos somos responsáveis pelo fim do sofrimento em África. Não só os governos dos países mais ricos, mas também os seus cidadãos. Que é nossa, de todos nós, a responsabilidade de acabar com a pobreza em África. Como se fôssemos todos responsáveis pela situação actual. Não somos. A ideia de que somos é radicalmente perigosa porque esquece toda a tradição moral do Ocidente, de que cada um é responsável por aquilo que faz. Ora dificilmente alguém que viva em Portugal é responsável pela política conduzida pelo senhor Mugabe, esse sim, moralmente responsável pela pobreza do seu país. E a "ajuda" que os governos supostamente têm a obrigação de dar, que todos nós supostamente temos de dar, vai para gente como o referido senhor Mugabe. Vai para aqueles que, esses sim, deveriam ser responsabilizados pela asneira que andam a fazer. Bem sei que também se peca por omissão. Mas neste caso, a omissão é uma virtude. Não pagar os caprichos do senhor Mugabe não é pecado nenhum.

O que nos conduz a um outro ponto: a total ineficácia da tal "ajuda". Os governos dos países ricos prejudicam os interesses dos seus cidadãos desviando os seus recursos para uma "ajuda" que apenas ajuda os culpados pela situação que se procura erradicar. O que resta à retórica da "ajuda"? Bons sentimentos. De bons sentimentos está o Inferno cheio. E aos pobres de África, os bons sentimentos certamente interessarão pouco.

Mas há ainda um outro ponto que vale a pena considerar: a razão pela qual, não a rapaziada das cantorias, mas os governos como o de Tony Blair e de Gordon Brown (tem que se falar dos dois, agora), insistem nessa retórica, e nessas políticas contraproducentes. É que se elas são contrapoducentes na luta contra a pobreza, são extremamente eficazes como meio de propaganda. Num momento em que, por exemplo, o poder dos sindicatos a que o Labour estava ligado é diminuto, a importância das ONG ligadas a questões como esta é cada mais mais central para um partido de esquerda como o de Blair e Brown. As velhas estruturas da sociedade que eram a base de partidos como esse têm vindo a perder força, e a participação política de muita gente é cada vez mais ligada a este tipo de organizações. Conduzir políticas vistas com bons olhos por estas organizações motiva simpatias. Motiva votos. O que compensa a ineficácia dessas mesmas políticas. Ou seja, aquilo em que estas políticas se acabam por traduzir é no desvio de recursos ganhos legitimamente pelos cidadãos para a condução de estratégias de propaganda dos governos que as conduzem. Isto sim, preocupa-me. As cantorias não. Isso até acho bem. Podiam era ter mostrado mais a Dido.

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Posted by Bruno at 10:07 PM

julho 01, 2005

Amigos do Emprego

Parece que o Governo apresentou uma qualquer proposta para regular os recursos hídricos do país. Não conheço a proposta, e mesmo que conhecesse, dificilmente a poderia avaliar. Mas uma coisa sei, e essa posso avaliar. A dita proposta prevê a criação de uma série de organismos públicos, com o propósito de pôr em prática aquilo que o Governo propõe. Nada que espante. Afinal este é um Governo "amigo do emprego". Há 260 mil empregos para criar. E claro, cabe ao Estado criá-los. E ao cidadão pagá-los. Mas ao menos, temos um Governo que é "amigo do emprego". A rua prefere isso a um governo que tenha uma "obsessão" com o défice. Mesmo que tenha de pagar por essa "amizade".

Posted by Bruno at 10:40 PM

Grave 2

Grave, grave, é dois jovens trocarem SMS's a propósito do horário de uma telenovela da TVI, por causa dos talentos de Margarida Vila-Nova. Pior, só mesmo um deles considerar a hipótese (mesmo que entretanto abandonada) de comprar um exemplar da Mulher Moderna, por ter fotografias da dita menina.

Posted by Bruno at 10:35 PM

Grave

Anda por aí grande entusiasmo com a edição da Maxmen com as irmãs Madruga. Compreende-se. Não vi as fotografias, mas imagino. Já menos compreensível é um caso que chegou ao meu conhecimento: um indivíduo que comprou um exemplar da revista, não por causa das irmãs, mas sim pelos "69 melhores carros de sempre". Bem sei que se diz por aí que temos de ser tolerantes para com os estilos de vida alternativos, mas há limites para tudo.

Posted by Bruno at 10:31 PM

Surpreendente

No Sobe e Desce do Independente, Francisco Trigo de Abreu coloca Jorge Coelho com a "setinha" para baixo. No "Desce", portanto. E porquê? Por ter relacionado "o indíce de criminalidade na Linha de Sintra com a capacidade reinvidicativa do presidente da câmara junto do Governo", o que o jornalista classificou de demagógico. Até aqui tudo bem. Mas "este exercício primário de demagogia" foi "tão supreendente como pouco habitual neste dirigente socialista". Devo dizer que surpreendido fiquei eu, por alguém considerar pouco habitual qualquer exercício de demagogia, primário ou não, em Jorge Coelho.

Posted by Bruno at 10:01 PM