« outubro 2004 | Main | dezembro 2004 »
novembro 30, 2004
Decline and Fall
Esta situação é apenas e só mais um exemplo do profundo atraso deste país. O último governo que conseguiu completar a sua legislatura terminou-a em 1999. E mesmo até lá os que o conseguiram foram a excepção, e não a regra. Sejamos muito claros: a democracia portuguesa, só muito raramente, ao longo da sua história, permitiu que existissem as condições (se aproveitadas ou não, é outra história) para que um governo governasse. E a tendência, dos últimos anos para cá (pelo menos), é a do reino da demagogia, enquanto "regime irmão" da democracia. O regime onde a "boa-governação" (isto independentemente do que cada um ache que isso é) é subalternizada, em detrimento do "ganhar eleições". Onde a cada governo que cai, se vai criando na cabeça dos eleitores a ideia de escrutínio permanente das decisões políticas, impedindo a avaliação do mérito das decisões ao fim de um ciclo político, essencial para que governação não seja o mero reflexo do "ar do tempo". E que melhor prova disso que o cenário que se avizinha, o de umas eleições legislativas disputadas entre um PSD liderado por Santana Lopes, e um PS liderado por José Sócrates? Que melhor prova disso, do que a campanha que, caso este cenário se confirme, se seguirá? A campanha que será certamente a mais politicamente vazia e demagógica que eu poderia conceber. Cenário esse que, a confirmar-se, tenderá a eternizar o problema que permite que o dito se venha a concretizar...
Posted by Bruno at 10:34 PM
A Decisão 2
Ainda para mais, o que se espera que aí venha não é propriamente nada que me deixe descansado...
Posted by Bruno at 10:33 PM
A Decisão
Vamos então à dissolução. Tenho de confessar que mal ouvi a notícia, a primeira coisa que pensei foi "o que hei-de escrever". Fiquei de facto surpreendido, e durante bastante tempo sem saber o que haveria de dizer. Numa coisa os defensores de Santana têm razão: há um elemento de profunda irresponsabilidade na decisão de Sampaio.
De facto, esta é uma decisão que vai contra tudo aquilo que eu penso, acerca do que deve ser um regime democrático assente num Parlamento estável. Haveria no entanto, uma justificação aceitável para a acabar com este governo, aquilo que aqui escrevi ontem: "Tudo isto parece indicar que o Governo, em vez de se preocupar com a governação, está mais preocupado com as fidelidades ou infidelidades pessoais, os equilíbrios de poder internos ou no seio da coligação. É que pior que uma má governação (aquilo que eu esperava deste governo), só mesmo aquilo que temos: a mais completa e gritante desgovernação..." . Caso o Presidente considerasse isto, poderia procurar uma solução que não este governo dentro do quadro parlamentar actual, e, caso não fosse encontrada (o que aconteceria inevitavelmente), então sim, dissolveria a Assembleia. Mas não foi isso que Sampaio fez. A decisão de Sampaio constitui a total subordinação do papel do Parlamento e da maioria que aí existia, só porque o presidente não concordava com as posições tomadas recentemente por esta.
De qualquer das formas, devo dizer que mesmo que o Presidente tivesse jutificado a sua decisão nos termos que eu acharia aceitáveis, não seria uam deciasão que eu apoiasse a 100%. Porque como digo, a dissolução de um Parlamento antes do final de um normal ciclo político vai contra tudo aquilo que eu defendo que deve ser um regime democrático representativo. Apesar do meu desabafo de há alguns dias, acho que as várias consequências, ao nível do funcionamento do regime, de uma decisão como esta, devem ser pesadas, e o resultado não permite chegar a uam conclusão fácil...
Posted by Bruno at 10:14 PM
Put Your Money Where Your Mouth Is
Ainda antes de discutir a dissolução em si, há uma coisa que deve ser dita. Estou com o senhor meu pai e o Francisco Mendes da Silva. E não só em relação a Cavaco Silva. Acho, mais, gostaria (e aqui o FMS já não deve estar de acordo) que os vários críticos de Santana no seio do PSD se apresentassem como alternativa. Entre esses críticos, tenho as preferências. Por exemplo, preferiria Marques Mendes a Rebelo de Sousa. Mas acho que há quase uma obrigação moral destas pessoas fazerem alguma coisa. Mesmo que seja para perder. É que pior que perder eleições, internas ou legislativas, é perder a cara...
Posted by Bruno at 10:05 PM
Já Tinha Começado
Sampaio dissolveu o Parlamento. Já lá vamos. Primeiro voui escrever aquilo que contava escrever antes da notícia que "marca a actualidade informativa". Há dias, escrevi aqui:
"(...)o Primeiro-Ministro afirmou que não seria nada de extraordinário se o seu partido e o CDS/PP se apresentassem em listas separadas às legislativas(...)conhecendo o percurso político do dr. Portas, não me custa a imaginar, é que o dito estará já a preparar a eventualidade de, para poder criticar a acção governativa do PSD, de forma a sobreviver, ter de provocar uma ruptura na actual coligação. E caso isso aconteça, Portas quererá culpar Santana. Para que Portas possa dizer que o CDS/PP serviu Portugal. Mas que Santana, por ambição pessoal (e não há nada tão pouco democrata-cristão como a ambição, não é, dr. Portas?) o traiu. Que Santana, por sede de poder, traiu Portugal."
Hoje no DN (sem link), lia-se o seguinte:
"os centristas não poupam nas críticas à sucessiva instabilidade que os sociais-democratas têm provocado no Governo e admitem até que a continuar assim, o Presidente vai ser obrigado a tomar uma decisão."
Se, mesmo antes da decisão de Sampaio, a demarcação já tinha começado, agora, ela será essencial para o sobrevivência política de Portas. Assim, muito me surpreenderia que a declaração que Portas fará amanhã tivesse outro conteúdo que não a crítica a Santana, e a ruptura, por iniciativa de Portas, entre os dois partidos.
Posted by Bruno at 09:50 PM
novembro 29, 2004
Desgovernação
O que é realmente preocupante na demissão de Henrique Chaves não é a razão pela qual justifica a sua demissão, e muito menos a sua saída em si. Não é o que Chaves diz porque eu não sei se o que Chaves diz corresponde à verdade. E não é a sua saída em si porque Chaves não é propriamente reconhecido pelas suas qualidades. Não. O que é realmente preocupante é o facto de esta demissão vir na sequência de uma série de outros acontecimentos, e aquilo que essa sequência revela. A escolha inicial dos ministros. As declarações de Santana, ao longo destes meses, acerca dos críticos internos do PSD. As declarações de Santana, nos últimos tempos, acerca da coligação. Tudo isto parece indicar que o Governo, em vez de se preocupar com a governação, está mais preocupado com as fidelidades ou infidelidades pessoais, os equilíbrios de poder internos ou no seio da coligação. É que pior que uma má governação (aquilo que eu esperava deste governo), só mesmo aquilo que temos: a mais completa e gritante desgovernação...
Posted by Bruno at 10:30 PM
novembro 28, 2004
O Que Cantam os Amanhãs
Tive o prazer de, ao longo deste fim de semana, ir assistindo às transmissões televisivas desse peculiar evento que é o congresso do PCP. E tenho que confessar que foi perturbador. Todas aquelas pessoas, de punho fechado e erguido, gritando "PCP", cantando "avante camaradas", não é, convenhamos, uma imagem agradável. Mas enfim, o que se há-de fazer? Outra coisa que me perturbou em relação ao Congresso do PCP foi a reacção de certa esquerda, da esquerda não-PCP, à escolha de Jerónimo de Sousa.
A esquerda não-PCP não gostou da escolha. Gostariam de ver um PCP "mais aberto", "menos acantonado", "renovado". A renovação do PCP, como o caminho que afasta o PCP do "suicídio", não é mais do que uma fantasia. O que seria um PCP renovado? Um PCP sem marxismo-leninismo? Seria mais "fresco". Seria mais "jovem". Seria mais "irreverente". E seria também completamente irrelevante. Um PCP renovado, mais "jovem" e mais "fracturante" seria completamente engolido pelo Bloco de Esquerda, ou pela ala esquerda do PS. Será certamente por isso que essas pessoas vêm com bons olhos a "renovação" dos vermelhuscos pátrios. Mas o que é verdade é que os vermelhuscos, na sua grande maioria, não pensam assim. O seu eleitorado está envelhecido. Está circunscrito a áreas restritas do país. Ms é um eleitorado fidelíssimo. Que, em grande medida, depende do PCP, das estruturas de poder local do PCP. E do qual, em grande medida, O PCP depende. E é por isso que o PCP não se torna mais "fresco", mais "jovem". Não se "renova". Porque não quer alienar a única fracção da população portuguesa que atribui ao PCP alguma relevância. E, dentro dessa lógica, a escolha de Jerónimo de Sousa é também ela perfeitamente lógica, por muito que isso custe à esquerda respeitável e à pretensamente respeitável.
Claro que daí não virá a salvação. A tendência de voto no PCP nos últimos anos tenderá a agravar-se, à medida que o já envelhecido eleitorado vá envelhecendo ainda mais. Mas isso não é suicídio. É morte natural...
Posted by Bruno at 09:54 PM
Esta Choldra é Ingovernável
Estes meses de Governo ultrapassam os limites da minha capacidade de compreensão. E os (parcos) limites da minha paciência. E é por isso que eu, adepto do parlamentarismo e dos normais ciclos políticos (e que por isso mesmo, não sendo apreciador, apoiei a decisão do Presidente de empossar este Primeiro-Ministro) quero a demissão deste governo. O mais rápido possível. E a ida para São Bento do engenheiro Sócrates o mais rápida possível, para que os seus tempos de governante (infelizmente, inevitáveis), que certamente me esgotarão a paciência, embora dentro (espero eu) da minha capacidade de compreensão, acabem também o mais rapidamente possível.
Posted by Bruno at 09:41 PM
novembro 26, 2004
Life Isn’t About Endings Is It?

"The people you work with, are people you were just thrown together with. You don’t know them, it wasn’t your choice. And yet you spend more time with them then you do your friends or your family, but probably all you’ve got in common, is the fact that you walk around on the same bit of carpet for eight hours a day. And so, obviously, when someone comes in, who you, you have a connection with-yeah. And Dawn was a ray of sunshine in my life. It meant a lot. But if I’m really being honest, I never really thought it would have a happy ending.
I don’t know what a happy ending is. Life isn’t about endings is it? It’s a series of moments, and erm...it’s like if you turn the camera off, it’s not an ending is it? I’m still here, my life’s not over. Come back here in ten years, see how I’m doing then. Because I could be married with kids, you don’t know.
Life just goes on."
Tim, The Office, Christmas Special 2, naquele que é o melhor momento destes dois episódios, com Tim a falar enquanto vêmos Dawn num táxi, a ir-se embora...
Posted by Bruno at 11:07 PM
The Office
O senhor meu pai teve a abençoada ideia de encomendar a série completa dessa pequena maravilha que dá pelo nome de The Office, juntamente com os dois especiais de Natal. Estes, a única coisa que ainda não tinha visto, são uma obra-prima. David Brent três anos depois, depois de sair da Wernham-Hogg, vivendo da "celebridade" que atingiu com o pouco abonatório documentário da BBC. Gareth e Tim ainda na Wernham-Hogg, no mesmo lugar em que ficaram no fim da segunda série. Dawn clandestinamente imigrada nos EUA, com o marido, e que, a convite da BBC, regressa a Slough para a festa de Natal. O primeiro especial, o mais sombrio de todos os episódios de The Office, e talvez por isso um dos mais cómicos. O segundo, (simplesmente perfeito) o de "closure" para os personagens. Para David Brent. Para Tim. Para Dawn. Como? Vejam. Vale a pena...
Posted by Bruno at 10:51 PM
novembro 25, 2004
A Consequência 2
O Paulo Gorjão responde hoje ao post que aqui escrevi acerca de um seu comentário. O Paulo diz que a sua afirmação de que "a única consequência da rejeição da trigunta seria a repetição do referendo", reflecte a consciência da sua parte de que o referendo não é mais que uma farsa, e que será repetido até que o resultado pretendido se verifique. Sendo assim, estou de acordo, visto que, ao contrário do que depreendi, o paulo não acha que isso deva acontecer, apenas acha que é isso que acontecerá. De seguida, diz o Paulo: "Vamos então assumir o compromisso de realizar um -- e apenas um referendo -- sobre esta matéria? Are you willing to take the risk? Just as I thought..." Se esta provocação é para mim, ou para os defendores do "Não" em geral, limito-me a dizer uma coisa. O único resultado que motivará uma eventual repetição da farsa é a vitória do "Não". Será que o Paulo acha que se o "Sim" ganhar, alguma vez se colocará a questão outra vez? Just as I thought...
Posted by Bruno at 10:24 PM
Sampaio e o "Ajuste" (corrigido)
Acerca da notícia de que terá sido o Presidente da República a pedir a Santana Lopes que mudasse Rui Gomes da Silva de pasta, o comentário mais certeiro que li veio do meu amigo Tiago Baltazar (com quem tenho um especial prazer em implicar), o representante do centro-esquerda no Lusitano: "sendo que o Presidente da Republica tem suspeitas relativamente ao sucedido, Sampaio está a cooperar para mascarar todo o processo, numa tentativa de mudar dali o homem para ver se o pessoal esquece. O problema é que provavelmente vai esquecer." Nem mais.
Só não posso é deixar de fazer um pequeno reparo a outra coisa que o Tiago diz (e não é implicância da minha parte): "O Primeiro-Ministro esquece que a sua principal responsabilidade é para com o povo português (apesar de nunca ter sido eleito para o cargo)". Ao contrário do que o Tiago diz, e do que se tornou comum dizer, Santana foi eleito para o cargo. Foi eleito pelo Parlamento, que foi democraticamente escolhido pelos eleitores. Tal como todos os Primeiros-Ministros deste país, à excepção dos desvarios eanistas. Independentemente disto, no que diz respeito ao julgamento político da noticiada intervenção de Sampaio, o Tiago está certíssimo.
Posted by Bruno at 10:11 PM
novembro 24, 2004
As Time Goes By
O Primeiro-Ministro dá uma entrevista na RTP. Vão surgindo as reportagens. Vão surgindo os primeiros comentários. No dia seguinte, o Primeiro-Ministro apresenta uma remodelação governamental, em que, passados poucos meses da tomada de posse do governo que chefia, troca, entre eles, as pastas de alguns ministros. E, de repente, a entrevista do Primeiro-Ministro é passado. É uma questão de ontem. Esta parece ser a estratégia do gabinete do Primeiro-Ministro: dia após dia, cria "factos políticos" (esta gente aprendeu bem como o prof. Marcelo), que, dia após dia, com a criação de um outro "facto político", são relegados para os arquivos das redacções. Acelerar a discussão política. Limitar-lhe o tempo. Para que se fale de tudo, sem que se consiga falar o que quer que seja, acerca do que quer que seja. E a subjugação da acção governativa à criação permanente de "factos políticos" e a errância política que daí advém, só têm um resultado prático: são impeditivas da "boa-governação" em democracia.
Posted by Bruno at 11:08 PM
A Facadinha nas Costas
Na sua entrevista de ontem, o Primeiro-Ministro afirmou que não seria nada de extraordinário se o seu partido e o CDS/PP se apresentassem em listas separadas às legislativas. Aliás, disse o Primeiro-Ministro, isso seria o mais normal. Este é, segundo "diz aí", o cenário menos desejado no Caldas ("diz que sim!"). Não sei se é, embora não me custe a crer que assim seja. Mas o que, conhecendo o percurso político do dr. Portas, não me custa a imaginar, é que o dito estará já a preparar a eventualidade de, para poder criticar a acção governativa do PSD, de forma a sobreviver, ter de provocar uma ruptura na actual coligação. E caso isso aconteça, Portas quererá culpar Santana. Para que Portas possa dizer que o CDS/PP serviu Portugal. Mas que Santana, por ambição pessoal (e não há nada tão pouco democrata-cristão como a ambição, não é, dr. Portas?) o traiu. Que Santana, por sede de poder, traiu Portugal. E declarações como as que ontem fez o Primeiro-Ministro, ou o que se passou no Congresso, são a melhor válvula de segurança para Portas, caso o cenário indesejado venha a ocorrer. O que me preocupa não é o futuro de Portas, e muito menos o de Santana. O que me preocupa é que aquilo que a eles os preocupa são estas questíunculas que os animam, e sempre animaram. E o país vai pagando...
Posted by Bruno at 10:51 PM
The Conservative Mind
Recentemente, alguém afirmou (querendo, de forma impessoal, referir-se a mim e aos meus caros colegas e amigos Paulo e João, do Lusitano, e à nossa suposta diminuta capacidade mental) que, e passo a citar, "que há pessoas que ainda não conseguiram abandonar as mentalidades do século XVIII". Ah, a fé no progresso tão típica do Iluminismo jacobino (ideia que, diga-se de passagem, esteve bastante na moda no dito século XVIII, o que é bastante revelador da ignorante arrogância do douto energúmeno). Mas, apesar da insensata noção de que à medida que o tempo passa, e as mentes se "libertam" das correntes da sabedoria herdada, as ditas mentes sofrem um fenómeno de "evolução" (e para o iluminista, a "evolução" é sempre para melhor), havia alguma razão naquelas pouco dignificantes palavras. Embora prefira Oakeshott, não renego a mentalidade do século XVIII. Mas atenção: século XVIII, mas não de 1789. Só a reaccionariazinha...
Posted by Bruno at 10:43 PM
novembro 23, 2004
A Consequência
No Bloguítica, o Paulo Gorjão tem escrito uma série de posts criticando a pergunta (a "trigunta") que o PSD e PS acordaram (e que o Governo, mostrando bem aquilo de que é feita a gente que nos governa, agora, diz que é confusa). No nono post, o Paulo (que, apesar das discordâncias, respeito) deixa transparecer uma posição que temo que o governo (que, por muito que com o dito eventualmente pudesse concordar, e não concordo, não respeito) venha a ter. Diz o Paulo:
"Perante o crescente clima de rejeição, não me admiraria nada se nos próximos tempos surgisse o argumento chantagista de que os cidadãos não podem votar contra a trigunta porque tal prejudicaria Portugal.
Tal não é verdade! A única consequência objectiva da rejeição da trigunta seria a repetição do referendo. Nada mais."
"A única consequência da rejeição da trigunta seria a repetição do referendo. Nada mais." Esta frase do Paulo reflecte aquele que é o pensamento de muitos dos defensores da "Constituição Europeia", e que aliás já teve exemplos práticos na Irlanda (aquando do Tratado de Nice) e na Dinamarca (não me recordo em relação a que tratado): caso o "Não" vença, repete-se o referendo, tantas vezes quantas forem necessárias para que o "Sim" vença. Porque a atitude honesta, caso o "Não" seja vencedor, é a rejeição, por parte de Portugal (ou de qualquer outro país em que esse resultado se verifique), da dita "Constituição". Caso o "Não" vença, qualquer atitude que não esta será tão condenável como a "trigunta" que o Paulo (e bem) critica.
Posted by Bruno at 10:40 PM
To Each His Own
Estou a assistir à entrevista do Sr. Primeiro-Ministro na RTP. A cada dia que passa, este governo vai ultrapassando as minhas expectativas. Está a ser muito pior do que aquilo que a minha imberbe imaginação podia alguma vez conceber. Mas depois, assisto às tropelias das "gentes de Canas de Senhorim", e não posso chegar a uma conclusão que não esta: o país tem aquilo que merece...
Posted by Bruno at 10:33 PM
From Ukrania With Love
O que se está a passar na Ucrânia terá um papel decisivo, naquela que é uma das questões que marcará o nosso futuro próximo, a relação entre a Rússia e a Ucrânia, a Ucrânia e os países ocidentais, e, consequentemente, as relações entre a Rússia e os países ocidentais. e, para mal dos meus pecados, acompanhei estes eventos com a distância provocada pela ignorância. É por isso que tenho dificuldade em falar dos acontecimentos recentes. Por isso mesmo, apenas deixo aqui dois artigos (um de Radek Sikorski, e um de John Laughland). Sikorski defende Yuschenko, candidato da oposição, e portanto critica a Rússia por intervir contra o candidato pró-ocidental. Laughland acusa Yuschenko de ser economicamente irresponsável, de estar associado a gente duvidosa, e portanto, critica os países ocidentais por favorecerem Yuschenko. Não sei quem tem razão. Mas vale a pena ler estes artigos, para se ter uma ideia do que pode estar em causa...
Posted by Bruno at 10:18 PM
novembro 22, 2004
Scarlett

Não tencionava escrever nada hoje. Mas, através da senhora minha mãe, fico a saber que há vinte anos, o Senhor agraciou os membros masculinos da espécie com o nascimento da deveras abençoada Scarlett Johansson. E, neste blog, num blog assumidissimamente scarlettiano, isso não poderia passar em claro...
Posted by Bruno at 10:33 PM
novembro 21, 2004
Van Gogh e a Liberdade de Expressão
Na Spectator desta semana (é preciso registar mas é de graça), Anthony Browne (correspondente do Times) escreve sobre o assassinato de Theo Van Gogh, num artigo que vale a pena ler. Fica aqui o money-quote:
"By curbing free speech and political parties, and demonising those who fight for gay rights and against domestic violence, the Left is telling the world that multiculturalism is incompatible with liberal democracy. The Left’s loss of faith in liberal democracy is a result of its naive belief in human nature. The creators of multicultural societies believe they can abolish tribal feelings of belonging based on shared values, history and culture. Just as communism could only be upheld by totalitarianism, so multiculturalism is being upheld by curbs on free speech and democracy. The lesson of the Netherlands is that there is only so much you can do to change human nature, and the more you shut off the valves of debate and democracy, the more human nature — in all its ugliness — will assert itself, often violently."
Posted by Bruno at 10:10 PM
novembro 20, 2004
Referendo: O Que Fazer?
No Abrupto e no Blasfémias (que eu tenha dado por isso), põe-se a questão, a quem não esteja muito interessado em que a "Constituição Europeia" seja aprovada, de qual será a melhor linha de acção: fazer campanha pelo "Não", ou fazer campanha pela não participação no referendo, procurando dessa forma não lhe atribuir legitimidade, tendo em conta a pergunta que foi acordada pelo partidos na Assembleia.
O meu apreço pelo politicamente incorrecto faz com que eu tivesse um especial gosto em assistir a uma campanha nesses termos (convite à não participação), mas temo que acabasse por ser contrapoducente. Dessa forma, estar-se-ia a desviar o voto no "Não", entregando a vitória ao "Sim". E mesmo que não se venha a verificar a participação de 50% dos eleitores, o Governo diria sempre que o resultado reflectia a vontade dos que manifestaram interesse, e que a opinião destes deveria ser respeitada. Isto foi, aliás, o que passou no caso do referendo ao aborto, por exemplo.
Mas há uma coisa que convém não ignorar: uma vitória do "Não" pode não garantir nada. Por várias razões: caso o "Não" ganhe, pode-se sempre seguir o modelo irlandês, e realizar referendos até que o "Sim" ganhe. Ou o Governo poderá sempre alegar que o referendo é apenas consultivo, e que a última palavra cabe ao Parlamento (especialmente se a participação for inferior a 50%). E depois, há sempre a ameaça que consta da própria Constituição (pág. 303, na edição que cá tenho), que, no caso de um segundo referendo, coloca uma enorme chantagem sobre o eleitorado, à qual já uma vez fiz referência e volto a citar: "Se, decorrido um prazo de dois anos a contar da data de assinatura do Tratado que estabelece a Constituição, quatro quintos dos Estados-Membros o tiverem ratificado e um ou mais Estados-Membros tiverem deparado com dificuldades em proceder à ratificação, o Conselho Europeu analisará a questão." O leitor talvez não saiba "bruxelês", por isso eu traduzo: "Se, em dois anos, um ou outro estadozeco não vier atrás da França e da Alemanha, nós arranjamos maneira de os puxar, ou então saem."
Por tudo isto, a aprovação ou rejeição da "Constituição Europeia", e a sua aplicação a Portugal, depende muito pouco do resultado do referendo pátrio. A quem não quer que ela entre em vigor, resta esperar que um ou mais países grandes "tenha dificuldades em proceder à ratificação". E a Inglaterra (onde esse resultado seria mais previsível) não chega, porque é o país que acabaria por ter menos embaraço em eventualmente sair. Seria importante que ou na França ou na Alemanha, a dita acabasse por não ser aprovada. Porque, não tenhamos ilusões, a "Constituição" só não andará para a frente se, por alguma razão, a França e/ou a Alemanha não quiserem.
De qualquer das formas, voto "Não" por uma questão de princípio. E gostaria que o "Não" ganhasse, mesmo sabendo que o Governo (quem quer o ocupe na altura), provavelmente, acabaria por não respeitar esse resultado. O que, vindo de quem aprova uma pergunta como a que foi aprovada, não seria supresa.
Posted by Bruno at 10:07 PM
novembro 19, 2004
Só Uma Coisa
Hoje, e sem querer estar com teorias conspirativas (coisa que me chateia um bocado), fico-me por uma pequena interrogação: já repararam como as críticas que se ouviram no Congresso do PSD ao CDS/PP, e a atenção que nos media isso tem merecido, ofuscou as críticas feitas no mesmo Congresso, à acção governativa, por parte de Marques Mendes? Já repararam como a zanga entre "o Pedro" e "o Paulo" faz com que se ignore a única verdadeira oposição que hoje existe ao Governo?
Posted by Bruno at 10:46 PM
novembro 18, 2004
A Pergunta
O PSD e o PS já chegaram a acordo quanto à pergunta que será colocada no referendo à Constituição Europeia: "Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?" Este é o tipo de pergunta perfeita, se o objectivo for ter as pessoas a votar sem fazerem a miníma ideia do que lhes está a ser efectivamente perguntado. Seria muito mais simples uma pergunta o mais perto possível de algo com "Concorda com o novo quadro institucional da UE proposto no Projecto de Constituição para a Europa?".
Independemente da pergunta, o meu voto seria sempre Não, por uma simples razão: Sou contra a existência de uma "Constituição para a Europa". Ainda para mais uma "Constituição para a Europa" com uma Carta dos Direitos Fundamentais como aquela, com um sistema de votações como aquele, e com um tão parco controlo sobre o poder por parte dos cidadãos como o que será possível caso a dita vá para a frente.
Posted by Bruno at 10:11 PM
novembro 17, 2004
Condi
Com a saída de Colin Powell do Departamento de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, ex-Conselheira de Segurança Nacional, foi nomeada como sua substituta. Para quem não conheça a senhora em causa, e antes que a comecem a chamar de "neo-conservadora", como as televisões nacionais tanto gostam de fazer, fica aqui uma entrevista na National Review, publicada em 2002.
Posted by Bruno at 11:00 PM
The Killing
Anda por aí alguma excitação (justificada) com o vídeo que tem sido divulgado nas televisões, de um marine americano a disparar contra um iraquiano, já ferido em combate, ao que parece, 24 horas antes. Também vi as imagens. E é precisamente por ter visto as imagens que julgo que é necessária alguma cautela ao fazer qualquer tipo de comentários.
A razão é simples: o que vêmos nós naquelas imagens? Vários iraquianos mortos. Um, que aparentava estar morto, é visto por esse marine a mexer-se. A câmara (da NBC, julgo eu) está filmá-lo pelo seu lado esquerdo. Nessa altura, o marine dispara sobre o tal iraquiano. A seguir, vêmos um outro iraquiano, no mesmo local (pelo menos parece-me ser no memso local) a queixar-se, para a câmara, de estarem ali, feridos, há mais de 24 horas. A pergunta que eu faço é simples: por que alguém que comete um assassínio a sangue frio (como é acusado esse marine) o faz com aquele indivíduo, e deixa outro indivíduo vivo? Se esse marine fosse um assassino brutal, não mataria os dois? Parece-me precipitado não colcar nunca a hipótese do soldado ter sentido a sua vida em perigo. Teria o iraquiano uma arma na mão direita ( mão que não é visível nas imagens)? Terá feito algum movimento que pudesse levar o soldado americano a crer que tinha uma arma? Não sei. Tal como não sei se não se passou o que todos dizem que se passou, e o soldado em causa cometeu realmente um crime de guerra.
É para isso que servirá a investigação. É assim que um estado de direito funciona, é assim que as forças armadas de um estado de direito funcionam. Criminosos há em todo o lado. Criminosos de guerra há em todas as guerras. Mas todos os indivíduos são inocentes até prova em contrário. Condenações apressadas são atentatórias da liberdade e dignidade dos indivíduos. Se o soldado for inocente, muito bem. Se for culpado, terá que ser castigado. E por isto, nem que seja só por isto, pelo facto de, num estado de direito, nas forças armadas de um estado de direito, estes princípios serem seguidos, as equivalências morais que por aí vão pululando não tem qualquer razão de ser.
Posted by Bruno at 10:43 PM
Sobre a Proibição do Tabaco
Já que o Pedro Caeiro teve a amabilidade de fazer referência ao que aqui escrevi a propósito da proposta do Ministro da Saúde inglês no sentido de proibir o consumo do tabaco em locais "públicos", e agora que o nosso Ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira (um ministro com um balanço claramente positivo, um dos poucos que tem feito efectivamente reformas no seu sector), pretende fazer o mesmo, deixo aqui os links para os posts que, em Setembro, aqui escrevi, sobre o mesmo tema, e que motivaram uma (para mim inesperada) discussão com alguns leitores. Aqui ficam:
Governo do Séc. XXI
Governo do Séc. XXI 2
Governo do Séc. XXI 3
Governo do Séc. XXI 4
And it Goes On...
And it Goes On... 2
Posted by Bruno at 10:30 PM
novembro 16, 2004
Politicamente Correcto
Em Terras de Sua Majestade, há um novo cruzado do politicamente correcto. E não é Michael Howard. Não, é um senhor, de seu nome John Reid, que é o equivalente ao nosso Ministro da Saúde. Descobri pelo senhor meu pai (em dois posts que valem a pena ler) que o senhor Reid queria proibir a publicidade à fast-food. Porquê? Porque é isso que as pessoas hoje em dia querem de um Estado moderno. Não é invenção. Foi o senhor que disse. Eu não sabia que queria ser protegido pelo Estado. Mas, tal como não sei proteger-me a mim próprio, e preciso que o Estado (e o Estado "moderno") o faça por mim, talvez precise também que o Estado me informe que seja isso que eu quero. Abençoado. E, não contente com tão abnegados serviços, o senhor apóstolo da correcção pretende também enveredar pela cruzada favorita dos PC's, a do tabaco nos locais "públicos". E assim, com tão candidos propósitos, se vai limitando cada vez mais a liberdade das pessoas.
Posted by Bruno at 03:00 PM
novembro 15, 2004
A propósito do Congresso do PSD, reproduzo aqui uma parte de um texto que, ainda na morada antiga, aqui escrevi, já depois das eleições europeias, apenas não tenho a certeza se antes ou depois da saída de Durão Barroso do cargo de Prrmeiro-Ministro. Para o caso é indiferente. O que isse na altura, aplica-se à realidade de hoje. Temo que assim continue por muito mais tempo. Fica então o excerto:
Um País (e um partido) Diferente
Pessoalmente, sou conservador. Mas olho para a "direita" com muito cepticismo. Especialmente a direita portuguesa. Historicamente, a "direita" em Portugal limita-se a fazer um aproveitamento demagógico e populista do descontentamento que inevitavelmente acompanha a mudança. Por razões históricas, a mudança em Portugal, nos últimos trinta anos caracteriza-se pelo anular das políticas da esquerda, pela diminuição do papel do estado. No fundo, a direita, ao aproveitar-se demagógica e populisticamente do descontentamento que ela gera, está a defender coisas que de "conservadoras" (no sentido em que o termo se aplica ao Partido Conservador inglês, por exemplo) pouco ou nada têm.
Dizia que, para ver em Portugal propostas como as que os Tories ingleses têm feito, seria necessário um PSD diferente. Não um PSD mais "à direita", pelas razões que aqui expliquei. Mas certamente um PSD menos estatista. E se como Pacheco Pereira diz, se o PSD se transformasse num partido de "direita", deixaria de ser reformista, parece-me também que para ser um partido realmente reformista, o PSD terá que ser menos estatista. Porque hoje em dia, as reformas que Portugal precisa passam todas pela diminuição do papel interventor do estado, dando maior liberdade às pessoas, e maior responsabilização. E o que é verdade é que só o PSD poderá fazer essas reformas. O PS é um partido de esquerda, que crê nas faculdades redentoras do Estado. Ainda para mais, foi o partido que construiu, no pós-25 de Abril, a máquina estatal, e o seu percurso desde então tem-se limitado a defender essas suas políticas. O CDS/PP, para além de ser de um pequeno partido, tem ainda demasiadas ligações ao socialismo-cristão, perdão, democracia-cristã, para além de, ao ter tentado aglomerar o voto de protesto, fez uma incursão pelo discurso da "direita" que rejeito, o aproveitamento do descontentamento com as reformas. Com um partido assim, é difícil reformar. Aliás, se o CDS fosse um partido menos "socialista-cristão", ou um partido menos de "protesto", seria também um contributo para o reformismo em Portugal. Um CDS marcadamente de "direita", como o PSD não pode ser, mas uma direita liberal, como não foi com Freitas nem é com Portas. Mas mesmo que o CDS acabasse por ser o partido que eu acho que devia ser, não passaria por si, pelos menos só por si, a acção reformista. O CDS poderia estar no governo, mas só em coligação com um dos grandes partidos. Como o PS não é um partido reformista, a opção política pelas reformas que o país necessita terão de passar sempre pelo PSD.
Historicamente, o PSD tem sido o partido das reformas. Foi assim com Sá Carneiro, ao terminar com a tutela do poder militar sobre o poder civil. Foi assim com Cavaco, ao acabar com o modelo socialista da economia portuguesa. E parecia que seria assim com Durão Barroso, que se propunha a equilibrar as finanças públicas, para depois proceder à "libertação" da sociedade civil, limitando o papel do estado sob as decisões dos indivíduos. O que é verdade é que não foi isso que o PSD fez nos últimos dois anos. E muito certamente, não será isso que fará nos próximos dois. O peso do Estado continua a ser imenso. Continua a ser mais do que uma economia moderna pode suportar. Mas ao longo dos anos em que esteve no poder, de 79 a 95, o PSD construiu também grande parte da máquina estatal. Criou clientelas, que dependiam e dependem do Estado. E assim, o PSD parece ter deixado de ser o partido que afirma a necessidade de políticas impopulares, o partido que apresenta aos portugueses as políticas que dependem do abandono de privilégios. Parece ter deixado de ser esse partido, porque muitos do que dele fazem parte dependem dessa mesma máquina que já não é suportável, essa máquina criadora de privilégios, mas destruidora da "boa-governação". Ninguém quer sacrifícios, e se não houver um partido que mostre aos cidadãos a inevitabilidade de os fazer, apenas se perpetuará a origem dos males que, com esses sacrifícios inevitáveis, se pretendem acabar.
O PSD foi esse partido. Mas num país em que a cultura política é profundamente iliberal, onde a esquerda sempre colocou no Estado uma imensa fé, e a direita sempre preferiu aproveitar-se do descontentamento que nascia da mínima tentativa de reforma, é impossível diminuir o peso do Estado. Mais, torna-se praticamente inevitável a alimentação dessa gigantesca máquina, a criação de cada vez mais dependências dessa estrutura central, sem capacidade de se sustentar. Cada vez se torna mais difícil reformar. E cada vez mais graves serão as consequências da ausência dessas reformas. O que aumentará, inevitavelmente, as resistências a qualquer mudança, por muito necessária que ela afigure. E assim, muito por culpa da "direita" em geral, e do PSD em particular, temos diante de nós a receita para a desgraça.
Posted by Bruno at 10:45 PM
novembro 14, 2004
O Que Ser?
Há dias, na sua coluna, Jonah Goldberg (também ele muito cá de casa), escrevia que, antes de ser um Republicano, era um conservador. Ou seja, antes de querer que o seu partido ganhasse, queria que as políticas implementadas estivessem de acordo com aquilo que, como conservador, defende, independemente de quem as implementasse. Daí algumas críticas suas a George W. Bush. Vem isto a propósito do, hoje terminado, Congresso do PSD. Não posso deixar de notar que, a grande maioria das pessoas que hoje detém o poder naquele partido, aqueles pessoas que estão ligadas a santana por meras fidelidades pessoais, antes de serem sociais-democratas, liberais, de direita ou que quer que seja que pelos lados "santanistas" se é hoje em dia (para além de parvo, obviamente), eles são "do partido", ou até "do Pedro". Ou seja, antes de uma determinada ideia para o país, está "o partido", está "o Pedro". E isto admitindo que chega a haver uma ideia, porque o mais provável é que nem isso...
Posted by Bruno at 10:27 PM
Boris, The Man
Junto-me ao coro (o Carlos e o senhor meu pai: o despedimento do deputado inglês, e editor da melhor revista do mundo, Boris Johnson, do lugar de Ministro-Sombra para as Artes do Partido Conservador inglês, não é um bom sinal. Mostra como até já naquele partido, o politicamente correcto exerce um domínio perigosamente totalitário. Perde-se um grande senhor (o meu apreço pelo "nosso Boris" é conhecido"). Espero que não por muito tempo...
Posted by Bruno at 10:19 PM
novembro 13, 2004
A Única Alternativa
Não deixa de ser curioso que, dos cinco pontos focados por Marques Mendes na sua intervenção no Congresso do seu partido, o que mais eco tem tido é precisamente o menos importante, o da questão da coligação. De todos, foi aquele em que a crítica ao actual rumo foi menos contundente, e aquele que menos conteúdo verdadeiramente político teve. E, embora seja mais uma vez revelador da falta de qualidade do jornalismo político que se vai fazendo neste país, é pena, visto que passam relativamente despercebidas questões que mereciam alguma atenção.
Merece atenção o facto de Marques Mendes ter enaltecido o carácter tradicionalmente reformista do seu partido, e a necessidade de, no momento actual do país, esse carácter não ser abandonado. E, embora caia no erro de, repetindo aliás Durão Barroso, de associar o conservadorismo à inacção (e mantenha certos vícios de centro-esquerda que por ali ainda se vão notando), tem o mérito de reconhecer que o país precisa de reformas profundas, e que o único partido que poderá eventualmente vir a fazê-las será o PSD.
Merece também atenção o facto de Marques Mendes ter feito a defesa da necessidade da manutenção de políticas impopulares. Falou da importância da "austeridade", do "rigor". Afirmou que incentivando a economia através do aumento do consumo, se estava a alimentar ilusões nos portugueses, que viveriam acima das suas possibilidades, e que esse caminho de facilidade daria sinais errados aos portugueses. Que era necessário diminuir o papel do estado, para que este não seja um obstáculo que se coloca perante os cidadãos. Se Santana Lopes colocou, à boa maneira estalinista, a palavra "Verdade" em letras garrafais, o único que a disse terá sido Marques Mendes. O país não está no bom caminho, e para lá chegar é preciso sofrer muito. As ilusões apenas aumentarão o sofrimento pelo qual mais tarde se passará.
No fundo, apresentou uma alternativa política. Comparou, aliás muito acertadamente, Santana Lopes a Guterres, e afirmou que Sócrates, caso chegasse ao poder, seria apenas um "guterrismo reciclado". Mostrou, assim, que entre o PSD de Santana e o PS de Sócrates, não há alternativa. Mostrou que, a haver alternativa, ela estará no PSD. Noutro PSD, que não o actual...
Posted by Bruno at 10:20 PM
O Partido de Sá Carneiro?
No Congresso do PSD, o nome de Sá Carneiro tem sido constantemente evocado. Nos tempos de Sá Carneiro, o PSD era o partido das pessoas que queriam subir na vida, que queriam a oportunidade de subir na vida. Foram essas pessoas que deram a vitória à AD e mais tarde a Cavaco. As pessoas que queria o fim do quadro constitucional "à soviética", para que pudessem ter a oportunidade de subir na vida. O que dizer então das declarações de hoje de Luís Felipe Menezes, acerca de José António Lima? Disse o Presidente da Câmara de Gaia, uma das maiores nulidades pátrias, que " não foi por ter tdio a mais rápida ascensão de tipógrafo a director-adjunto de um jornal tão importante, que esse senhor passou a ser alguém. José António lima não é ninguém" (cito de cor). Estas declarações, ridicularizando as origens eventualmente humildes (que desconheço se correspondem à verdade ou não), são reveladoras da postura generalizada, neste país, em relação ao esforço e ao fruto desse esforço. E que sejam proferidas num Congresso daquele partido, disto tudo acerca do ponto onde o dito chegou...
Posted by Bruno at 09:59 PM
Publicidade Institucional
Por e-mail, pedem-me para divulgar:
"O Grupo de Acção Comunitária – IPSS – irá organizar um espectáculo de Solidariedade pela Saúde Mental no próximo dia 26 de Novembro, no Fórum Lisboa, às 22h (bilhtes na FNAC, Ticket Line e Fórum Lisboa . O concerto terá a actuação dos grupos Sétima Legião e Gaiteiros de Lisboa. A instituição GAC dedica-se à reabilitação de pessoas com doenças psiquiátricas, promovendo os cuidados na comunidade, bem como a desinstitucionalização destes pacientes. O concerto tem o Alto Patrocinio da Presidência da República."
Posted by Bruno at 09:54 PM
novembro 12, 2004
Grace Kelly

Há 75 anos, nascia Grace Kelly. Num tempo em que a beleza se via a preto-e-branco. E nunca o preto-e-branco foi tão belo como era com ela...
Posted by Bruno at 11:01 PM
O Que É a Política?
No Independente de hoje, Leonardo Ralha faz a pergunta: "Em que país poderia ser eleito quem perdeu três debates seguidos por tantos milhões?" O próprio responde (aparentemente em tom elogioso): nos EUA. A questão levantada por Ralha não deixa de ser interessante, e o que diz acerca da questão também o é, mais pelo que lhe está subjacente do que pelo que é efectivamente dito. Veja-se as seguintes frases do colunista: "Assim aconteceu com Bush- cujos fracos dotes de oratória são evidentes até para quem não vê nele, em simultâneo, o mais demoníaco e o menos inteligente dos humanos- a ser trucidado por John Kerry. E, no entanto, foi reeleito por uma margem claríssima."
Em abono de Ralha, diga-se que o colunista não coloca esta questão no tom de ódio desbocado que se tornou tão frequente quando o objecto se trata de George Bush. Mas o que revela então a pergunta de Ralha? A postura generalizada que hoje em dia existe em relação à política, e aos debates eleitorais em particular. Veja-se que quando Ralha fala de ganhar ou perder os debates, não se está a referir ao conteúdo dos argumentos utilizados, ou a quem, na sua opinião, teve mais razão, ou fez as melhores propostas, mas sim à eficácia mediática desses argumentos, à "prestação" dos candidatos.
A cobertura do debate político, hoje em dia, particularmente em períodos eleitorais como aquele a que recentemente se assistiu nos EUA, limita-se a este campo, ao de quem foi mais eficaz. Eficácia essa que não se mede no conteúdo do que é proposto, mas na forma como é proposto. A cobertura e análise do debate político, hoje em dia, tratam a política como um desporto, onde o que interessa é quem vai ganhar, e não o conteúdo de cada uma das propostas apresentadas, e as consequências que poderão advir da sua eventual adopção. Esta postura apenas contribui para o esvaziamento do debate político, que cria o ambiente propício a momentos como o discurso do Primeiro-Ministro no Congresso do PSD (vazio de conteúdo), ou as declarações de Guterres (vazias de memória). E, mais grave ainda, diminuindo progressivamente as condições para que alguém com outra postura, mais política (no verdadeiro sentido do termo), possa sobreviver à instalação desse clima.
Posted by Bruno at 10:23 PM
novembro 11, 2004
O Homem Sem Passado 2
Um pouco mais a sério, convém notar que as declarações de Guterres são apenas mais um de uma longa lista de indicadores da progressiva degradação da vida política democrática. A total ausência de responsabilidade e responsabilização política, pelas posições e práticas políticas, são apenas mais um sinal da crescente demagogia que vai dominando o debate político. De como a coerência, com opiniões e práticas anteriores, está ausente do discurso político, o que é um exemplo de como o debate político está centrado no "espectáculo", no efeito imediato da proposta ou da crítica, e totalmente desligado do historial quer ideológico quer de prática política das pessoas e dos próprios partidos a que estas pertencem. As declarações de Guterres são apenas mais um de uma série de indicadores de como é cada vez mais díficil, e de como cada vez mais essa tendência se agravará, de, numa democracia, haver espaço para a "boa governação", atentendendo aos reais arranjos da comunidade política, e não à direcção em que sopram os ventos do "ar do tempo". Porque se nem as opiniões políticas sobrevivem ao imediato, como poderá ser diferente com as próprias políticas?
Posted by Bruno at 02:33 PM
O Homem Sem Passado
O Secretário-Geral da Internacional Socialista, o engenheiro nosso compatriota António Guterres, afirmou, no pátrio Congresso da Democracia, que existe, hoje em dia, uma promiscuidade entre o poder político e os media. O Secretário-Geral da Internacional Socialista tem razão. Proponho o seguinte: que se crie um "vaga de fundo" que conduza o Secretário-Geral da Internacional Socialista a Primeiro-ministro de Portugal. Que se transponham as novas fronteiras que forem necessárias, seja qual for o estado geral do país. Mas que Guterres seja Primeiro-Ministro, oportunidade que, como é sabido, nunca dispôs. Com ele, nunca o Estado poderia manter o controlo da PT, e dos meios de comunicação a ela associados, mesmo após a sua privatização. Com Guterres, actual Secretário-Geral da Internacional Socialista, nunca as condições que permitem a existência dessa promiscuidade que atormenta o engenheiro teriam sido criadas. Abençoado seja, engenheiro. E abençoada seja a falta de memória...
Posted by Bruno at 12:27 PM
novembro 10, 2004
Leituras
A propósito do uso, no discurso político, de vacuidades como "sociedade da informação", em que, entre outros, José Sócrates se especializou, vale pena ler um artigo de Rod Liddle na melhor revista do mundo. O problema, não é portanto, um exclusivo pátrio. Nem sequer uma exportação nossa. Outro texto que vale a pena ler é um do André Amaral, sobre Arafat. Embora, ao contrário dele, eu não veja na saída de Arafat um abrir do caminho para paz (pelas razões que explico aqui), não podia concordar mais no diagnóstico que o André faz acerca do passado do conflito israelo-palestiniano, e as responsabilidades, convenientemente ignoradas pelas boas consciências, que Arafat tem no falhanço da obtenção de uma solução que passasse pela coexistência pacífica entre os dois Estados. E finalmente, o pequeno post de Andrew Sullivan, defendendo uma proposta que tem sido avançada por Bush, o "flat tax". O "money-quote":
"If we're all taxed at the same proportionate rate, the successful still pay far more into the public coffers than the unsuccessful. They're just not penalized even further by a higher rate. If you want to help the disadvantaged, and I do, then focus government spending on programs that help the under-privileged. But don't penalize work. And don't defend unequal treatment."
Posted by Bruno at 10:08 PM
Para Que Serve a PT
Ouvi há pouco o Primeiro-Ministro anunciar, com grande orgulho, um massivo investimento estatal na área da "sociedade da informação". Fica-se assim a perceber porque razão o engenheiro Guterres, outro grande apreciador do uso de termos como "sociedade da informação" no discurso político, resolveu dotar o estado da capacidade de intervenção na PT, e meios de comunicação associados, que este governo aproveita com avidez despodurada. Assim, com o anúncio de cada investimento (para o quais não há razão de ser o Estado a fazê-los, pois caso valham a pena, os privados estarão obviamente interessados, caso não valham a pena é apenas desperdício de dinheiros públicos), sempre dá para mostrar como o Governo (este ou qualquer outro, para ser justo) é "moderno". Do Século XXI...
Posted by Bruno at 09:55 PM
novembro 09, 2004
Adeus Lenin

Há quinze anos, uma ilusão que muitos acreditaram ser verdadeira desabou com o Muro que a separava do mundo real. Muitos continuam a acreditar nessa mesma ilusão. O preço que se pagou por ela, ao longo da história, foi demasiado alto. E isso, não podemos esquecer...
Posted by Bruno at 10:48 PM
Kristallnacht
Confesso que não sabia que hoje era o aniversário da Kristallnacht, a noite em que centenas de judeus sob o domínio de Hitler foram assassinados. Sobre esta triste efeméride, vale a pena ler, como de costume aliás, o Nuno Guerreiro.
Posted by Bruno at 10:35 PM
novembro 08, 2004
O Ataque a Falluja
Começou o ataque a Falluja. A brigada da retirada também já começou o seu ataque, como aliás seria de esperar. Acusam os EUA de lançaram a violência sobre a cidade, como se a violência não tivesse sido provocado pelos próprios terroristas. E o que é verdade é que Falluja era (e ainda é) uma grave problema para a tentativa de estabilização do Iraque, e esse problema teria de ser resolvido, mais cedo ou mais tarde.
Num recente artigo na National Review (What went wrong?"), Richard Lowry ilustra bem a dificuldade da situação. Quando começou a onda de atentados no Iraque, a estratégia das tropas da coligação não passava, segundo Lowry, pelo pedido do envio de mais tropas. Passava, isso sim, pelo envolvimento de forças iraquianas, visto como uma manobra politicamente sensata. Mas o problema de conduzir guerras de acordo com outras considerações que não as estritas necessidades do terreno, é que nem sempre estas são compatíveis: como não estava previsto um exército, propriamente dito, iraquiano, a prioridade centrou-se no treino de forças policiais iraquianas. Segundo os responsáveis militares americanos no Iraque, as revoltas em Najaf e Falluja mostraram como estas não seriam suficientes, para lidar com os problemas antão levantados.
Entre finais de 2003 e Abril de 2004, de acordo com Lowry, todos os meses se assistiam a atentados terroristas em Falluja, tendo nesse último mês ocorrido o assassínio e mutilação dos quatro civis americanos. Este terá sido o momento chave. Segundo Lowry, até mesmo para as autoridades militares que colaboraram (anonimamente) no artigo, o que se seguiu parece pouco claro. Lowry cita alguém que se limita a afirmar que "alguém entrou em pânico". As tropas americanas haviam entrado na cidade, e pouco tempo depois, retiraram-se.
A explicação avançada por Lowry é a de que, ao primeiro sinal de um número de baixas civis mais elevadas, as autoridades sunitas ameaçaram retirar-se das negociações para a formação do governo interino, que então decorriam. Para mais (e isto Lowry não diz) convém não esquecer que se estava a aproximar o ciclo eleitoral americano, e a perspectiva de um elevado número de baixas, possibilidade não muito remota no tipo de combate que se avizinhava para Falluja, entre as tropas americanas, não era encarado pela administração Bush propriamente como um trunfo eleitoral.
Assim, o policiamento de Falluja foi entregue, como é dito no Público de hoje (artigo de Jorge Almeida Fernandes), a um general do antigo exército de Saddam, que rapidamente passou a colaborar com os terroristas (ou "rebeldes", como diz a brigada da retirada). Lowry afirma que nem Paul Bremer (ao tempo principal responsável americano no país), nem os Generais Abizaid e Sanchez (principais responsáveis militares no terreno) sabiam que essa força à qual Falluja ficara entregue, era chefiada e formada por ex-mebros do partido de Saddam, o que não abona nada a favor da forma como as coisas estavam a ser conduzidas.
A questão é simples, ao contrário do problema, que é grave: o facto de não se ter resolvido a situação, agravou algo já de si complicado. Se é certo que uma campanha militar em Falluja poderia trazer um elevado número de baixas, tanto civis (embora aqui se tenha de alertar para a questão dos "civis", não fardados mas armados até aos dentes) como americanas, também é verdade que a política conduzida fragilizou a autoridade americana, bem como a própria autoridade iraquiana, incentivando outros terroristas a procurarem repetir os êxitos de Falluja (ou pelo menos, aquilo que interpretaram como sendo um êxito, tendo em conmta a reacção americana)em outraz zonas do país. Ou seja, se é verdade que a "não-entrada" em combate em Falluja impediu que aí ocorresse um elevado número de baixas, também é verdade que provocou um efeito de disseminação da revolta, provocando baixas em outros locais do Iraque, e ao longo de um período de tempo largo, provocando assim um desgaste (nomeadamente na opinião pública dos países militarmente envolvidos), que se poderá vir a revelar perigoso. A tomada de controlo de Falluja é, assim, essencial. Sem ela, o esforço de estabilização do país será infrutífero. Como a sua entrega ao inimigo provocou uma maior ocorrência das suas acções, uma vitória americana em Falluja poderá provocar o efeito contrário, assegurando um mínimo de estabilidade a longo prazo, mesmo que a curto prazo (nem que seja pelo "efeito de desespero" que uma vitória americana criará nos terroristas) uma onda de violência seja bastante provável. Mas uma coisa fique clara: a inacção em Falluja seria abrir caminho para o agravar da situação. Aliás, se a situação é, hoje, grave, e se há o perigo de as baixas da "Operação Fúria Fantasma" virem a ser elevadas, é em grande parte devido à inacção que se prolongou durante meses e meses.
Posted by Bruno at 10:54 PM
Como Bush Ganhou
A vitória de George W. Bush nas eleições da passada semana causou alguma surpresa nas hostes nacionais. Veja-se, por exemplo, o caso do Público, que na noite eleitoral, tinha o seu correspondente principal, Pedro Ribeiro, em Boston, cidade onde se encontrava John Kerry, e uma outra jornalista em Washington, onde estava Bush. Quando se começou a tornar claro que seria Bush o vencedor, a pergunta que atormentou as cabecinhas de todos aqueles que tantas vezes se lançaram em passeatas onde,sem pudor, equiparavam Bush a Hitler foi "como é possível?". Nos dias que se seguiram, uma explicação ganhou força: a candidatura de Bush teria conseguido atrai às urnas os eleitores evangélicos, através da retórica dos "valores morais". Ao que parece, essa explicação terá sido algo precipitada. Via Andrew Sullivan, leio este artigo de David Brooks no New York Times, procurando mostrar isso mesmo. O money quote:
"Here are the facts. As Andrew Kohut of the Pew Research Center points out, there was no disproportionate surge in the evangelical vote this year. Evangelicals made up the same share of the electorate this year as they did in 2000. There was no increase in the percentage of voters who are pro-life. Sixteen percent of voters said abortions should be illegal in all circumstances. There was no increase in the percentage of voters who say they pray daily.
It's true that Bush did get a few more evangelicals to vote Republican, but Kohut, whose final poll nailed the election result dead-on, reminds us that public opinion on gay issues over all has been moving leftward over the years. Majorities oppose gay marriage, but in the exit polls Tuesday, 25 percent of the voters supported gay marriage and 35 percent of voters supported civil unions. There is a big middle on gay rights issues, as there is on most social issues.
Much of the misinterpretation of this election derives from a poorly worded question in the exit polls. When asked about the issue that most influenced their vote, voters were given the option of saying "moral values." But that phrase can mean anything - or nothing. Who doesn't vote on moral values? If you ask an inept question, you get a misleading result."
Posted by Bruno at 10:28 PM
novembro 07, 2004
O Valor das Coisas
Como qualquer bom rapaz "às direitas", não dou grande crédito à Sociologia. Como os astrólogos, os sociólogos têm a pretensão de que aquilo que fazem é ciência. Como acontece com os astrólogos, há quem acredite neles. O pior é que, se os astrólogos são pagos por aqueles que caem no logro, a grande generalidade dos sociólogos é paga pelas Universidades estatais, alimentadas pelo nosso dinheiro. A sociologia será, portanto, um logro estatal. Mas pergunta o caro leitor: porquê a menção aqui do yours truly à Sociologia? Ao contrário do que poderá pensar, não foi a propósito da "inesquecível socióloga" que tanto intrigou o dr. Prado Coelho há uns meses para trás. Para mal dos meus pecados, tudo se deve a razões bem mais comezinhas, e bem mais desagradáveis ao olhar (imagino, visto que a inesquecível socióloga é alguém cuja aparência não tive a fortuna de vislumbrar). E com isto, o leitor terá percebido. Sim, porque do que mais se poderá estar a falar quando se fala de nauseantes reacções provocadas pela, ela própria nauseante, aparência física de alguém, que não esse grande líder espiritual da verdade que dá pelo nome de Michael Moore? É isso mesmo, caro leitor. Vamos então à relação entre Michael Moore e a Sociologia. Numa Fnac (abençoados sejam os franceses trotsquistas)localizada numa catedral do consumismo pátrio (abençoada seja o capitalismo desenfreado), os "livros" do "documentarista" estão expostos na prateleira dedicada a essa "ciência oculta" que dá pelo nome de Sociologia. Ora isto, ao contrário do que o leitor apreciador do presidente Bush possa pensar, é escandaloso. Porque nem sociologia, essa actividade desprovida de crédito, Michael Moore é digno...
Posted by Bruno at 10:22 PM
Vale a Pena

Posted by Bruno at 10:16 PM
novembro 06, 2004
Wild Man Blues
A notícia vem no Expresso. Woody Allen vem a Portugal. O profeta irá tocar no "reveillon" (palavra francesa abominável, passe o pleonasmo) do Casino Estoril. O pior é que estes eventos estão normalmente vedados aos desfavorecidos, entre os quais me incluo, e portanto, a natural injustiça do capitalismo impedir-me-à de aproveitar esta oportunidade única de ver o mestre in loco. Volta tio Carlos, estás perdoado. Resta, no entanto, uma esperança, para além, claro está, da revolução proletária. Convém não esquecer que a notícia foi divulgada pelo Expresso. Pelo Expresso, caro leitor. O que quer dizer que há uma probabilidade (bastante grande) de não ser verdade...
Posted by Bruno at 10:14 PM
novembro 05, 2004
Crença, Liberdade, e Tolerância
A "questão Buttiglione" teve, apesar de tudo, o mérito de provocar uma discussão que não deixou de ser esclarecedora em relação a muito do pensamento que prolifera por aí, no que diz respeito a questões como a relação entre a moralidade (em sentido lato, associada ou não à crença religiosa) e a política. A propósito disto, não posso deixar de referir um excelente post do Tiago, que, por não ter link directo, tomo a liberdade de aqui reproduzir:
"Ainda andavam os quakers a fugir em caixotes flutuantes e já existia o que em muitas cabeças europeias nunca apareceu - uma concepção razoável de estado e de como ele deve conviver com a religião. Eu devo ser livre para acreditar que o Labour Of Love dos UB40 é revelação divina e, simultaneamente, o meu parceiro na fila da sopa deve poder achá-lo a pior e mais inenarrável obra discográfica de todo o cosmos. Cada um que use a garganta para proclamar a sua verdade. No final todos sorveremos a nossa tigela em paz.
O que isto significa na prática (para ajudar ímpios mal-intencionados): eu tenho de poder acreditar à vontade que a homossexualidade é pecado. E não posso obrigar ninguém a concordar comigo. Tem de haver espaço para sustentar todos os disparates. Até mesmo aquele que diz que somos criaturas feitas para nos entendermos.
Este é um país de ignorantes. E nos domínios da religião nem se fala (os encores são inevitáveis). Já a cavalo no século XVI os Baptistas na Inglaterra recusaram fazer parte da religião da Rainha. Não quiseram nada com o governo. Chamaram-lhes dissidentes e não-conformistas. Suaves proto-anarquistas, se quiserem. Resultado: um século XVII a estrebuchar sangue da boca às mãos dos anglicanos. Mas chega de História senão teria de mencionar a Suiça, a Holanda e a América e isto não é a ONU.
Estes neo-guardiões da tolerância imposta desconhecem um simples facto: um baptista defende, por natureza, a separação entre igreja e estado. E eu, sou baptista desde os 14 anos. Verdades de Estado são coisa de Lúcifer. Mas há muita gente a querer ganhar o campeonato na secretaria.
Olham para os EUs em achaques voltairianos. O Presidente diz "God" e é o código secreto para a insurreição dos fundamentalistas. Nunca lá foram, nunca leram o Mark Twain, nunca falaram com um da espécie, nunca salivaram em frente ao Dunkin' Donuts. O que eu não gosto em Bush nas suas suposições mais místicas é precisamente o mesmo que não gosto em qualquer pastor no púlpito da minha igreja - reivindicar o acesso exclusivo à vontade divina. Mas isso, estes polícias da boa-vontade não sabem porque não têm cultura nem interesse em saber. A melhor oferta dos cristãos? Espaço na cidade para beatos e malfeitores. Cada um deita-se à noite como e com quem quiser. O governo não mete a pata na alcofa nem na consciência.
Passei um fim do ano na pele do turista pindérico em plena Times Square ouvindo cânticos patriotas. A coisa assustou-me, pois claro, como qualquer outro gemido de multidão. Mas sei que os Estados Unidos da América são o melhor país do mundo. Porquê? Porque ofereceram Jerry Falwell e Anton La Vey, o perseguidor de Larry Flint e o mentor da igreja satânica.
Último e derradeiro conselho: lembram-se do clássico "A Deus o que é de Deus, a César o que é de César"? JC, o próprio, inventou. Agora posso continuar a fabular sobre efeminados carnívoros e suburbanos martirizados ou tenho de fugir já dos legionários?".
Como é sabido do leitor atento, a Fé foi benção que o Senhor, por não existir, não me concedeu (para mal dos meus pecados). Como é sabido até do mais esporádico leitor do Tiago, por aqueles lados, louva-se o Senhor. Sei que aos olhos dele (e dos Dele, caso Ele exista), estou condenado (aren't we all?). Mas, apesar do que a esse nível nos separa, sinto-me muito mais próximo, no que de político esta questão tem, do Tiago, do que dos incréus como eu, mas que não hesitaram ao pedir a cabeça do italiano, e que ridicularizam Bush por cada menção a Deus que ele faz. Sinto-me mais próximo do Tiago, porque ele reconhece que cada um tem a sua própria concepção acerca de quais as condutas individuais moralmente aceitáveis. Ele tem as dele, eu tenho as minhas, o senhor Meireles tem as suas. Mas tal como que tenho o direito de as ter, o Tiago tem o direito de achar, por exemplo, que o facto de eu não acreditar no Senhor me fará arder no Inferno para a Eternidade. Mas, como escrevi há dias, isso é questão que é julgada no Além, e não no tribunal. Não cabe ao Estado zelar pela virtude dos indivíduos e pela Salvação das Almas, cabe ao Estado zelar pela saudável convivência entre os cidadãos. Portanto, não quero saber das concepções individuais de "vida moral" de quem ocupa cargos públicos, enquanto estas forem apenas e só concepções individuais, e não políticas.
Ora aqui chegamos ao mais curioso e mais revelador de toda a discussão. A mim, que não acho a homossexualidade um pecado, pouco me interessa qual seja a concepção que Buttiglione faça dela, desde que ela não implique uma intromissão do Estado (ainda para mais dessa entidade difusa e distante que é a "Europa"), como seria a criminalização da homosssexualidade, hipótese que ninguém de bom senso coloca. Porque será que a esquerda pedia com tanto desespero a cabeça de Buttiglione? Porque à esquerda, as concepções individuais de responsáveis públicos acerca da "vida moral" interessam. E porquê? Porque para a esquerda, elas são também concepções políticas. Porque para a esquerda, cabe ao Estado conduzir a sociedade para a Salvação terrena, tal como a direita religiosa que vê (mal, embora ela exista de facto) em qualquer católico sem aspas, e como os fundamentalistas islâmicos com quem (mais uma vez mal) tenta comparar Bush, a pretendem conduzir para a Salvação Eterna. É por isso que a esquerda que rosna contra Buttiglione é bem mais intolerante que ele. Porque enquanto o italiano poderá crer que um homossexual irá arder no Inferno, a esquerda que contra ele rosnou crê que ele, por acreditar nisso, deve arder na Terra.
É por isto que me sinto mais próximo do Tiago. A Crença do Tiago admite o comportamento (no seu entender) pecaminoso (o pecado implica a escolha). Porque ele apenas considera que se pagará por isso no Além. A Crença da esquerda que rosna contra Buttiglione não admite que o Tiago possa sequer admitir a existência de pecado. Ao contrário do que esquerda possa querer fazer crer, a tolerância não passa por acreditar que tudo é virtuoso, passa por acreditar que mesmo aquilo que não é virtuoso não pode ser punido na Terra, desde que respeite as regras da saudável convivência em sociedade.
P.S. O apreço pelos trabalhos discográficos do UB40 ultrapassam esses limites da saudável convivência em sociedade. Se há coisa que justifica uma cerimónia pública de atear de expiadoras fogueiras, é um apreciador da "música" dos cançonetistas em causa. E isto, mesmo que seja, pecado, eu tenho que dizer...
Posted by Bruno at 10:10 PM
novembro 04, 2004
Anjos e Homens
O engenheiro José Sócrates terá afirmado que o partido que lidera irá apresentar no Parlamento uma proposta que, entre outros aspectos, visa impedir a participação directa do Estado em empresas como a PT. Como diz o Miguel Noronha, "a proposta referente à participação do Estado nos media é positiva". Mas diz ainda o Miguel: "Convinha contundo relembrar que foi o PS que iniciou a reintervenção do estado no sector." O engenheiro José Sócrates tem já uma resposta para esta chamada de atenção. Diz o dito que na altura, ninguém imaginaria que essa participação fosse usada como meio de instrumentalização dos órgãos de comunicação social ligados à PT. Imaginemos por um segundo que Sócrates está a ser sincero, e a intenção do PS quando reiniciou a intervenção do Estado no sector (para usar as palavras do Miguel) não era precisamente a de instrumentalizar os media. Bem sei que é necessário um esforço desmedido para o imaginarmos, mas façamos esse esforço. Nesse caso, o PS é um partido que confunde os homens com anjos, sem a consciência de que as opções políticas têm por vezes consequências nefastas, independentemente das nossas intenções, quanto mais não seja porque nem todos têm as almas limpas de pecado. Das duas uma: ou pretendiam instrumentalizar a PT, e portanto são tão criticáveis como o PSD que tanto criticam, ou foram demasiado ingénuos e inconscientes, criando um problema para o qual só agora acordaram. Nenhuma das hipóteses inspira grande confiança no partido das Novas Fronteiras...
Posted by Bruno at 10:27 PM
Valete Fratres
Terminou um dos blogs que me despertou para os ditos, o Valete Fratres do João Noronha. Tenho pena...
Posted by Bruno at 10:26 PM
novembro 03, 2004
Eleições Americanas: Four More Years
Neste momento, os media internacionais falam de um telefonema de Kerry a George W. Bush, reconhecendo a vitória do presidente no estado de Ohio, e, consequentemente, nas eleições Presidenciais. Kerry irá discursar, por volta das 18 horas de Lisboa, e espera-se que se confirme este cenário. Posto isto, pode-se já fazer um ou outro comentário, acerca do que esperar nestes quatro anos que se seguirão de Presidência Republicana.
Um Bom Sinal
O maior receio que tinha de uma vitória de Kerry, era a de que, como disse ontem e alguns dias antes, essa vitória fosse entendida (especialmente pelos terroristas) como uma condenação de uma perspectiva ofensiva contra o terrorismo, provocada eventualmente pelo desgaste que, inevitavelmente, a frequência de atentados terroristas no Iraque provoca na opinião pública. O discurso dúbio de Kerry, tendo apoiado a guerra, tendo criticado a sua legitimidade ou ficando-se apenas pela crítica (aqui genericamente acertada) da sua condução pela Administração Bush, fez com que a sua base de apoio fosse dos desiludidos com a condução da intervenção por Bush aos radicais anti-guerra. Uma vitória de Kerry, devido a esse factor, seria, pelo menos a curto prazo, um factor de instabilidade. Uma vitória de Bush é, inegavelmente, um sinal de aprovação de uma estratégia, a de que é necessário impedir que estados hostis aos EUA adquiram os meios que possam permitir a grupos terroristas igualmente hostis aos EUA, atacá-los, como aconteceu a 11 de Setembro. Se houve aspecto que me alegrou na vitória de George Bush, foi este.
A Esperança
Uma das críticas que aqui fiz a George W. Bush foi a de que me parecia que, no que diz respeito à condução da intervenção no Iraque, nomeadamente na fase de estabilização, Bush e a sua Administração teriam tido receio de suportar maiores baixas militares, por receio da contestação popular que daí poderia advir(o aproveitamento eleitoralista de Bush não se fica por aqui, tendo na questão das tarifas sobre o aço um triste exemplo), receio esse que dificultou a pacificação de certas zonas do Iraque, adiando problemas graves, o que os tornou mais graves ainda. O facto de Bush não ter sobre si, a partir de hoje, o peso de ter de enfrentar o escrutínio eleitoral, poderá permitir que essa postura seja alterada. Um problema como o do Iraque não suporta uma atitude de receio perante as (duras) necessidades da realidade. De qualquer das formas, um pequeno reparo: uma eventual alteração desta postura não desculpa o facto de ela ter sido anteriormente conduzida. Um bom presidente faz o que julga ser necessário, não o que lhe rende mais votos. Uma alteração de postura não desculpa uma postura errada anterior, apenas a emenda.
A Preocupação
A grande preocupação com os futuros quatro anos da Administração Bush, de entre os temas que conheço melhor, porque existem outros que, apesar de me parecerem aspectos negativos da vitória de Bush, conheço pior, não me sentindo portanto à vontade para os comentar (a questão da reconfiguração do Supremo Tribunal, uma preocupação para quem lá vive, ou o grave problema de Guantanamo), é a questão da política fiscal. Durante quatro anos, a maioria republicana no Congresso e a Presidência conduziram a uma política fiscal largamente irresponsável, que muito deve à quase inexistência de vetos exercidos pelo Presidente, permitindo a aprovação de todas as concessões da maioria republicana aos grupos de interesse que sobre ela exercem (legitimamente, diga-se de passagem) pressão. E como demonstra Fareed Zakaria no seu livro O Futuro da Liberdade, é muito mais fácil entregar benefícios do que retirá-los, mesmo quando estes se tornam dispensáveis ou contraproducentes. Ou seja, a longo prazo, a política da maioria republicana criaria um problema quase impossível de resolver (embora, convém lembrar, muito menos grave que nos países europeus). Uma vitória de Kerry, com o aumento da maioria republicana no congresso que sai destas eleições, traria um outro equilíbrio entre os dois ramos do poder, que se traduziria, como se passou nos anos de Clinton, num maior equilíbrio fiscal. Há quem diga, no entanto (Miguel Monjardino, por exemplo, no Fórum TSF de hoje), que será de esperar, deste Congresso, mesmo com uma presidência também republicana, uma atitude mais fiscally conservative. Mas tenho de admitir que, se quanto à questão da política externa americana, uma vitória de bush me deixa muito mais descansado, quanto à questão da política fiscal, seria a vitória de Kerry (não por ele, mas pela relação executivo-legislativo que daí adviria) que me deixaria mais descansado. A vitória de Bush, neste aspecto (relação executivo-legislativo, e postura perante a despesa decorrente dessa relação), não me garante nada.
Posted by Bruno at 04:30 PM
Eleições Americanas: Ponto de Situação
Há algumas horas que hesito: devo ou não escrever sobre os resultados? Devo ou não falar de uma vitória de George W. Bush? Ainda está tudo muito indefinido. Até há uma hora atrás, davam-se quatro estados como indefinidos: Wisconsin, New Mexico, Iowa e Ohio. Entretanto, no site do C-Span,Wisconsin foi dado como um estado onde Kerry terá sido vencedor. Ou seja, o vencedor será aquele que ganhe o estado de Ohio. E aqui é que as coisas se complicam. No Ohio, os resultados, com 99% dos votos já contados, Bush tem 51%, Kerry 49%. Teoricamente, seria preciso, segundo alguns analistas, que Kerry ganhasse 90% dos votos que ainda faltam apurar para ganhar o Estado, e consequentemente, a Presidência. O Chefe de Gabinete de Bush, Andrew Card, dizia há pouco que o Secretário de Estado do Ohio lhe havia dito que não havia hipótese matemática de Kerry ganhar o estado, com os votos que faltavam. Feito este ponto de situação, e apesar de já se dar a vitória de Bush como quase certa, guardo comentários mais definitivos para logo à tarde.
P.S. No entanto, um pequeno comentário: segundo o já referido Andrew Card, Bush terá sido o candidato eleitoral que mais votod populares recebeu, na história dos Estados Unidos. Embora isto seja absolutamente irrelevante, caso a vitória de Bush se venha a confirmar, ninguém poderá dizer que não terá legitimidade...
Posted by Bruno at 10:44 AM
Eleições Americanas: God Bless America
Não consigo deixar de me impressionar com os vários relatos, no blog de Andrew Sullivan, acerca do ambiente à boca das urnas nos vários estados. O primeiro voto de alguns emigrantes. Uma senhora grávida (já em parto, aliás) que foi votar, e só saiu depois de colocar o seu voto. A calma com que se esperou uma hora para votar. Desses relatos, uma ideia passa: a de que hoje, independentemente de quem ganhe, não foi um dia como os outros. E que a América não é um país como os outros...
Posted by Bruno at 12:19 AM
novembro 02, 2004
Eleições Americanas: E Agora?
Das sondagens que tenho ouvido, aponta-se para uma vitória (dentro da margem de erro) para Bush, no voto popular. No que diz respeito ao Colégio Eleitoral, reina a indefinição. Há, portanto, uma probabilidade forte de Kerry ganhar nas mesmas condições em que Bush foi eleito há quatro anos: com menos votos populares que o seu opositor. O que, como disse há algum tempo, faz parte das regras, e, mais que isso, tem razão de ser. Mas caso isso aconteça, estou como o Luciano Amaral: curioso para ouvir o que a nossa esquerda terá para dizer acerca disso.
Posted by Bruno at 11:06 PM
Eleições Americanas: Lição de Democracia
Começa aqui a série de posts que inevitavelmente, terei que dedicar às eleições americanas. Reacções aos resultados, reacções às reacções, previsões, reacções às previsões, etc.. Um primário comentário: acerca da aparentemente elevada ida às urnas dos americanos, muito mais alta que nos anos anteriores. Depois do intenso e vivo debate, ao longo de meses, e com este facto, independentemente do resultado que venha a ocorrer, não se poderá dizer que o vencedor não tem legitimidade democrática. Tem mais do que qualquer um dos deputados europeus que chumbaram (ou se preparam para chumbar, caso Durão não tivesse mostrado a sua falta de seriedade política) Buttiglione. E com esses ninguém (ou quase ninguém) se preocupa...
Posted by Bruno at 10:22 PM
novembro 01, 2004
Bom Jornalismo
Hoje, no Sky News, vi várias reportagens a propósito das eleições americanas de amanhã. Reportagens no Maryland, com as soccer moms, umas apoiantes de Bush, outras de Kerry. Em Boston, cidade de Kerry. Em Crawford, localidade do rancho de Bush. Na localidade onde caiu o quarto avião desviado em 11 de Setembro, onde, entre outras pessoas, foi entrevistada uma senhora, mãe de um soldado em missão no Iraque, que apoiava Bush. Por cá, o nosso jornalismo limita-se, acerca deste assunto, a momentos panfletários como aquele com que a SIC nos presenteou ontem (para não falar das inenarráveis intervenções do correspondente da RTP Pedro Bicudo). Sem a mínima preocupação em mostrar a realidade: por que razão apoia Bush quem o apoia, por que razão apoia Kerry quem o apoia, por que razão em certos estados Bush tem mais apoio, em outros estados Kerry, a importância do 11 de Setembro nas opções de voto, enfim, perceber o panorama político da América actual. Talvez se o exemplo do bom jornalismo que se faz lá fora fosse seguido, se evitasse muito comentário descabido de senso que prolifera por cá...
Posted by Bruno at 09:57 PM