julho 20, 2003
Subestimado
Passa neste preciso momento (18:05) um dos filmes mais subestimados de sempre. É o Cable Guy (O Melga) realizado por Ben Stiller. É o típico caso da comédia que não recebe o crédito que merece só pelo facto de ser uma comédia. No fundo, é um filme simpático que ilustra bem (caricaturalmente, como é evidente) um fenómeno dos nossos tempos e da minha geração em particular: a socialização pela televisão e os média em geral. É claro que não que não é um Kubrick, nem a comédia atinge a genialidade dos Monthy Python, mas o toque humano do filme cumpre perfeitamente os seus objectivos.
*Atenção que não é um comentário de adolescente. João Lopes pensa o mesmo...
Posted by Bruno at 06:20 PM
De Ferro para fora
A inabilidade de Ferro Rodrigues é impressionante. Desde que assumiu a liderança do PS, conseguiu transformar um partido que apesar de tudo mantinha um discurso responsável num partido radical próximo do Bloco de Esquerda. Na questão do Iraque, a sua indefinição parecia mais próxima da inenarrável Ana Gomes do que do moderado Jaime Gama. As suas declarações aquando da detenção de Paulo Pedroso são dignas da mais inqualificável conversa de café, não de um líder político que aspira a ser primeiro ministro.
Mas hoje Ferro Rodrigues suplantou-se. A propósito da notícia do Público que afirmava que o líder do MES, perdão PS, podia continuar sobre escuta da PJ, Ferro afirmou que "o Estado de Direito em Portugal se encontrava sobre sequestro". Inacreditável! Sobre sequestro porquê? Porque um cidadão estará sobre escuta, decerto porque há suspeitas de algo? Se Ferro Rodrigues acha que essas escutas não possuem base legal, recorra aos meios legais que lhe permitem defender-se. Ou será que Ferro Rodrigues acredita na já famosa tese da cabala, que anunciou hà meses? Acreditará Ferro Rodrigues na superioridade moral da esquerda, e que o Estado de Direito assenta apenas nela?
A questão é simples: se Ferro sabe que está inocente (e não tenho razões para crer o contrário) não tem razões para temer as escutas. É claro que pode dizer que como líder da oposição, algumas das conversas que são ouvidas podem abalar a justiça do jogo democrático. Mas caso acredite nisso, está a implicar directamente o Governo e, em coerência deve propor uma moção de censura e recorrer às instâncias legais. Caso não acredite, (e se acreditar, meu Deus, ainda está pior do que a "famiglia" Soares) não faça comentários gratuitos que só põem em dúvida o regular funcionamento da Justiça, ainda por cima por uma pessoa que ainda recentemente afirmou acreditar na justiça...
Posted by Bruno at 05:47 PM
Notas de viagem
Entre os vários locais por onde passei, contou-se Tomar. Não conhecia esta cidade ribatejana, e fiquei com uma agradável impressão. Gostaria de referir o Café Paraíso, situado no centro da cidade. Primeiro, porque tinha uma velha máquina de café, das mais antigas no país, ainda alimentada a carvão ( mais um elemento para os objectos em extinção do Abrupto). Em conversa com a proprietária, fiquei a sber que as cadeiras, encomendadas da Alemanha há 80 anos, eram as mesmas que podia ver. Enquanto as imitações portuguesas, mais recentes, começavam a apresentar sinais de velhice, as alemãs mantinham-se intactas (infelizmente, diz tudo...).
Fiquei igualmente bem impressionado por uma pequena localidade alentejana junto à fronteira, Portagem (como diria José Hermano Saraiva " era neste local que os mercadores, vindos de Espanha, pagavam a quantia que deviam para transpor a fronteira. E assim, ficou ... Portagem). É daquelas terrinhas simpáticas com uma beleza natural que não encontramos em qualquer lado, e onde encontramos tudo praticamente à porta de todos os residentes. Uma pequena ribeira passa mesmo ali, permitindo a todos tomar uns banhos, bastando apenas para isso sair da porta para fora (onde encontramos isto nas grandes cidades?).
Também importante é referir a localidade de Marvão, canditata a Património Mundial. Situada ao pé de Portalegre, faz lembrar Óbidos. Mas, devido à superior altitude, possui uma vista muito mais impressionante. Merece sem dúvida ser considerada Património Mundial.
Posted by Bruno at 05:18 PM
Agenda
Estou de regresso. Desligado da blogosfera durante dois dias, algumas coisas ficaram por dizer.
Primeiro, umas notas de viagem, a observação do país real. E depois comentar os acontecimentos e posts do fim-de-semana.
Posted by Bruno at 04:53 PM
julho 18, 2003
Não combinámos
O João faz também um post sobre Soares.
Posted by Bruno at 12:11 AM
Entrevistas
Ontem, por obra do acaso, e separadas por meia-hora, ocorreram duas entrevistas a duas figuras importantíssimas da nossa política: Durão Barroso e Mário Soares.
Durão Barroso soube demonstrar a sua pose de Estado. Fez o discurso que se lhe exigia, dizendo as coisas certas. Pessoalmente acho que deveria ter alertado as pessoas para o possível aumento de desemprego, encarando-o como uma forte possibilidade, mas explicando porque ele é necessário e inevitável como factor de correcção automática da economia. Seria menos simpático, ouviria mais protestos, mas na altura em que tudo acalmar, teria maior reconhecimento. Para mim, é este ainda o problema deste Governo. Há ainda o receio do imediato. Existe a necessidade de aparecer alguém que corte com este tipo de discurso. era bom que fosse Barroso, para que senhores como Monteiro não sejam apelativos para os "revoltados". Porque o perigo é real...
Pior, poderia ser Soares. Para alguém que ia abandonar a política Soares aparece muito. Para quem não tem ambições, mexe-se muito. Para quem lutou contra uma ditadura comunista em Portugal, tem um discurso incrivelmente demagógico. O seu discurso em relação ao Iraque é algo de inacreditável em alguém que teve as responsabilidades que teve. A forma como a família Soares se refere a si própria, como se fosse intocável, e à minima atitude contrária ( por muito incorrecta que seja) é logo alvo de tentativa de destruição. Não se lembra Soares do seu papel nos Governos de Cavaco Silva? Eu era novo, mas lembro-me! não seria aquilo sim uma tentativa de destruição?
Posted by Bruno at 12:05 AM
julho 17, 2003
É pena
É pena que o Mendonça não tenha neste momento a disponibilidade que sei que gostaria para elaborar o seu blog. Numa altura em que a justiça portuguesa enfrenta vários casos mediáticos era bom que alguém explicasse algumas das questões por detrás destes mediáticos casos. Não se será A culpado, ou se B trafica isto ou aquilo ou disse aqueloutro, mas sim como se processa a máquina judicional, a diferença entre arguido e indiciado,etc., todas essas questôes para as quais não tenho qualquer tipo de formação. Aliás, na Geração 1984, ninguém a tem, a não ser ele.
Quando se discute o papel e o desempenho do Presidente da República, gostaria que alguém explicasse as questões constitucionais de uma forma menos superficial do que eu serei capaz de fazer. Confesso que é um pouco isto que espero do Livre Pensamento, que cubra uma área vazia na Geração 1984. Fico à espera...
Posted by Bruno at 11:31 PM
Geração 1984
Já chegou mais um. O Livre Pensamento de Ricardo Mendonça. No entanto as suas obrigações profissionais (vida de estudante é assim) não lhe permitirão grandes actividades nos primeiros tempos. Peço-lhes que tenham paciência porque valerá a pena. O Mendonça, quando se cinge à reflexão séria, é de facto bastante interessante, e o seu contributo para a blogosfera valerá a pena.
Nem todos os membros da Geração 1984 se conhecem. Eu sou o único que os conhece a todos. Dois são meus actuais colegas, os outros dois são companheiros de longa data. Ao Ricardo conheço-o há 3 anos. Sempre lhe disse que por vezes se desperdiça, que é bem mais interessante quando é fiel ao que acredita do que quando diz o que não pensa, só para causar impacto. Peco-lhe que no Livre Pensamento seja interessante.
*Espero que ele não leve a mal eu ter dito isto aqui. Penso que o que diz respeito à blogosfera deve ser aqui tratado e não em surdina noutros locais. As questões privadas ,essas, devem ficar do lado de fora...
Posted by Bruno at 07:41 PM
Pessimismo antropológico
O
E mesmos ideias intrisecamente boas e confortáveis, como a fé religiosa, podem ser a base de crimes e actos hediondos. Vejam Seven. A discussão deste último exemplo interessará com certeza a este blog amigo.
Posted by Bruno at 06:04 PM
Monteiro
Quanto ao partido de Monteiro, penso que os receios que tire votos à direita são um pouco infundados. Tal como Le Pen, é nos extremos, nos "revoltados" que estes partidos vão buscar apoio. O partido de Monteiro conseguirá votos no campo dos revoltados (poderão ser muitos mas serão apenas eles). A Nova Democracia é mais uma ameaça ao PC (não ao Bloco, que é apenas folclore, embora estes senhores não gostem que isto se diga), tal como foi ao eleitorado rural do PCF que Le Pen tirou votos. Não que isso me acalme, porque demagogia é demagogia. Mas atenção, que não podemos ignorar o problema. O que precisa de mudar é o discurso politicamente correcto dos grandes partidos, os da velha democracia liberal (só é pena que não seja ao estilo anglo-sáxonico)...
Posted by Bruno at 05:13 PM
Os perigos da revolta
Pedro Mexia, refere no seu post Faucismo a tentação dos "revoltados" pelas demagogias, pelos discursos do bode expiatório etc. É de facto um dos grandes problemas das nossas democracias liberais, e algo a que penso que não foi dado a suficiente atenção dos nossos responsáveis políticos. Os resultados das recentes eleições em França (embora me seja difícil atribuir o adjectivo liberal à democracia Francesa) são boa prova disso.
O recente debate em redor das questões europeias é um bom exemplo do risco que se corre em ignorar os "revoltados". Os partidos de responsabilidades governativas em Portugal, e incluo o CDS que está hoje no governo (o da oposição Portista é outra questão), têm o discurso politicamente correcto em relaçãoo à Europa. Qualquer pessoa que mostre reticências em relação ao funcionamento da UE é logo intitulado de reaccionário ou fascista (a banalização do termo que fala Mexia).
Até hoje, e um pouco consequência do que atrás referi, a opinião pública portuguesa é extremamente favorável em relação à integração europeia. Não compreendem o que ela significa e o que ela comporta, mas gostam da ideia.Claro que muito disto tem a ver com a prosperidade que os fundos estruturais nos trouxeram (ou será que, como começam a afirmar alguns, foram fonte de desperdício de investimento público? É algo que mereceria uma reflexão cuidada, mas de um economista). Mas como será no futuro? Com menos fundos europeus, haverá maior contestação, os "revoltados" serão em maior número. E aí haverá espaço para partidos como o do sr. Monteiro. E podem crer que terá sucesso. Como bem demonstra Pacheco Pereira no seu livro O Nome e a Coisa, a democracia e a demagogia estão intimamente ligadas. Os "revoltados" irão aderir a discursos como o de Monteiro. E o perigo está no seio daquilo que temos...
Posted by Bruno at 04:51 PM
Agenda
Primeiro referir a reflexão do Metamorfopsia acerca da Geração 1984. Melhor dito era impossível.
A partir de amanhã irei ausentar-me será apenas por dois dias, e domingo ou segunda regressarei. Espero que quem começou a seguir o Desesperada Esperança não se desinteresse por ele.
Já agora, apesar de ter conseguido eliminar o problema dos acentos nos posts, continuo a tê-lo no título. Por favor alguém me explique como posso solucioná-lo...
Posted by Bruno at 04:16 PM
Irrecuperável
Tenho pena que esta série de posts sobre as memórias e o envelhecer não tenham ficado todas no mesmo dia. Teria um efeito bonito! Mas o tempo passa e não se pode recuperar...
Posted by Bruno at 12:50 AM
Amélie
"Elle a changé votre vie" dizia o trailer deste filme. É verdade. Muda porque passamos a ver as pequenas coisas com outros olhos. Os brinquedos do passado (onde é que já li isto?...), as pequenas coisas que fazemos sem dos dar conta, mas que sem as quais não seriamos felizes. A força das coincidencias (Weber não explicaria melhor a singularidade do facto histórico) no desenrolar das nossa vidas. Mas mais uma vez a questão das recordações; os brinquedos antigo morador, o marido da porteira, os vídeos do Tour de France...
Mas Amélie mostra também a tentação de viver na recordação, na irrealidade, no conforto do sonho perante a incerteza do desconhecido...
*Para quem viu, mas principalmente para quem lá esteve...
Posted by Bruno at 12:22 AM
Woody Allen
Vou então explicar o comentário que fiz acerca de Woody Allen num dos meus primeiros posts.Faço-o agora porque a explicação tem um pouco a ver com a questão que tratei no post anterior. Disse eu que Woody Alllen era "quem eu queria ser quando fosse grande, ou mais novo, não sei". Primeiro eu não quero ser Woody Allen. O que quis mostrar com isso era uma certa identificação com a figura, com a personagem (se ela se trata de uma imitação da realidade isso é outra questão). Quanto ao mais velho ou mais novo, não poderá ser entendido literalmente, e tentarei explicar o queria dizer com aquilo:
Woody Allen parou aos quarenta. O filmes que faz desde aí são sempre o mesmo, é um unico filme (não deixam de ser obras primas por isso). As inseguranças, o medo da morte, a inquietude acerca da existencia ou não de Deus (algo que ainda não vi discutido na blogosfera, mas talvez fosse interessante), tudo são marcas sempre presentes nesse longo filme de mais de trinta capítulos. Ora tudo isso são também marcas da adolescência, e era um pouco isso que eu queria dizer.
Mas acima de tudo, tinha mais a ver com a questão das recordações que já falei. A vontade de recuperar algo que não é recuperável. Por exemplo, Radio Days, um filme de recordações. Perpetuar as memórias em filme. Outro exemplo é Midsummer's night sex Comedy, onde há nas personagens de Allen e Mia Farrow o desejo de recuperar, mais ainda, de emendar, o que numa noite do passado, se perdeu irremediavelmente!...
*Este é um dos tais posts que só alguns compreenderão, principalmente os que estavam lá...
Posted by Bruno at 12:01 AM
julho 16, 2003
Objectos em extinção
Uma das discussões mais interessantes, promovida por Pacheco Pereira, é a dos objectos em via de extinção. Vou aqui dar o meu singelo contributo: um objecto que praticamente desapareceu das nossas vidas foi a cassete audio. Já nem nos rádios dos automóveis elas são usadas, desde o advento dos discman. Mas o que me toca de uma forma mais pessoal são as caixas das cassetes audio. Passo a explicar:
Quando era uma jovem e imberbe criança, dos meus 5, 6 anos, estava sempre agarrado a uma caixa de cassetes. Era portanto algo que associava ao passado, à longínqua infância. A queda em desuso das cassetes tem para mim uma triste consequência: o desvanecer de uma recordação. Sempre que alguém pegava nesse objecto para pôr musica a tocar, vinha-me à mente o dia chuvoso em que ao entrar no carro coloco a caixa, o brinquedo, em cima do tejadilho, acabando por aí o deixar esquecido. Ao dar pela falta da caixa, podem imaginar a angústia de uma criança ao ver que havia perdido o seu brinquedo. Ao regressar a casa, continuava sem a encontrar. Mas ao sair do carro, reparo que a caixa estava ainda no tejadilho! A caixa aguentara viagem de ida e volta em cima do tejadilho. Com o passar dos anos, os brinquedos mudaram (um dia falarei dos outros), e os objectos iam desaparecendo da minha vida diária. Mas matinha-se a recordação, que devido ao uso regular do objecto se mantinha próxima. Agora, a memória desvanece. Mas não será mesmo isso o envelhecer?
Outra questão que me parece interessante, talvez até com mais significado: a dos objectos que aparecem e desaparecem!
Ao longo dos meus frescos dezanove anos (ia-me enganando e escrevi dezoito, é o receio de envelhecer), vi muitos brinquedos aparecerem e desaparecerem, ao sabor das modas. Por vezes, alguns deles regressam, numa altura em que já não nos apelam como algo que nos acompanha diariamente, mas sim como uma forma de aproximar uma recordação distante a uma vivência actual. Quando vejo o João aqui na rua com os seus 9 anos a brincar com os "pega-monstros" (os da minha geração lembram-se com certeza, é quase tão mítico como o Dartacão!), não resisto a pedir-lhos emprestados por um momento, e atiro-os contra uma parede, puxando-os lentamente de seguida. É uma forma de reaver momentaneamente algo que já não podemos recuperar! Ora se eu sinto isso aos dezanove, imaginem os mais idosos, ao verem os seus netos brincarem com um pião...
Posted by Bruno at 11:25 PM
Geração 1984
Afinal já havia outro blog da responsabilidade de um membro da Geração 1984, o grupo de pessoas que seria responsável por este blog! É o Metamorfopsia do Headshrinker, ou como o conheço "da mesma e rotineira esfera diária", João Carlos Silva. Queria agradecer-lhe as palavras, e pedir-lhe que continue a reflexão que iniciou, agora que terá com certeza pelo menos mais um leitor.
Porquê Geração 1984? Apenas devido a uma simples coincidência. Foi o ano em que todos nascemos (sim, todos, porque ainda faltam mais três) e foi também o ano do Big Brother (o de Orwell, não o de Marco e Marta), fantástica obra anti-totalitária. Ora se há algo que aos cinco nos une é a oposição visceral ao comunismo, ou como disse o João, "socialismo de Marx".
Posted by Bruno at 10:30 PM
A questão Hobbesiana 2
A Contra-a-Corrente prossegue com o debate acerca da política externa dos EUA e o pensamento político de Hobbes. Primeiro, e respondendo às suas questões, considero a visão americana do sistema anárquico uma "aproximação" ao "state of nature" Hobbesiano apenas e só na medida em que em ambos se manifesta a ausência de um poder que exerça a sua força. Afirma de seguida que Hobbes não foi o primeiro filósofo pessimista, referindo Carl Schmitt. Concordo com a sua afirmação. Já Tucídides possuía essa visão negra do mundo e muito particularmente das relações entre as cidades Estado gregas. Mais tarde, Maquiavel seguia um pouco na mesma linha de pensamento. Quanto a Schmitt, tenho de confessar que o desconheço (os tenros 19 anos acabados de fazer não mo permitem), mas essa é também uma das razões porque aprecio o seu blog. Já me permitiu conhecer Oakeshott, e procurarei informar-me sobre Schmitt. E concordo também consigo ao considerar que o pensamento Hobbesiano não é a principal matriz da estratégia americana (embora convenha não esquecer ainda o facto de Hobbes observar as vantagens da desigualdade de poder, o que vai de encontro à estratégia americana de manter a sua supremacia militar, impedindo que QUALQUER nação se aproxime do seu poderio). Se identificarmos a democratização como a principal vertente da nova estratégia (um dia explicarei as reservas que este ponto me desperta) podemos até dizer que é nas "guerras ideológicas de Napoleão" que está essa matriz. É a expansão ideológica e de modelos de organização política que permitirá "aniquilar os focos de irracionalidade e instabilidade político-religiosos que possam vir a produzir mais anti-corpos contra o way of life ocidental/liberal". Parece-me haver algumas semelhanças.
Gosto de paralelos. Com eles não pretendo afirmar ou levar alguém a crer que a História é um ciclo repetitivo de eventos. Acredito na singularidade do facto histórico, como Weber bem demonstrou. Quando faço estes paralelismos não pretendo dizer que a Admnistração Bush se baseia unicamente em Hobbes ou em Napoleão. Também concordo que é preciso ligar o "complicador", pois tal como Weber demonstrou, a História é um fenómeno complexo e só o complicador nos permite analisar eficazmente estes fenómenos. Mas os paralelos permitem-nos utilizar algo que já conhecemos, permitindo-nos uma melhor compreensão inicial de determinados eventos.
Posted by Bruno at 07:50 PM
Agenda
Gostaria primeiro de agradecer a referência de Pacheco Pereira ao início da Desesperada Esperança. Se por causa disso mais pessoas lerem este blog, o que espero que aconteça, terei mesmo que fazer algo com um mínimo de qualidade. Nesse sentido, comecei já por emendar os erros do post A questão Hobbesiana, com a sua versão corrigida no post anterior. As restantes "mal formações" iniciais (próprias da pressa de quem anseia por começar), serão corrigidas mais tarde. Neste momento, outras questões merecem atenção prioritária:
A Contra a Corrente continua com o debate à volta de Hobbes, e a resposta segue dentro de momentos.
Quanto aos posts sobre cinema, especialmente em relação ao que chamei "outros filmes", estão também prestes a serem colocados.
Outra questão é o comentário que fiz em relação a Woody Allen. Receio que não seja compreendido e procurarei explicar. A propósito gostaria de explicar que, para além das reflexões e comentários políticos, dirigidos a um "mercado"(é a mão invísivel que não resiste a esta palavra) mais vasto, este blog é acima de tudo para amigos. Os outros posts são reflexões marcadamente pessoais, com as quais outras pessoas se poderam identificar (ou pelo menos assim espero), mas cujas referências, episódios e particularidades serão apenas perceptíveis para quem os viveu ou acompanhou.
Já agora, o e-mail que indiquei num dos meus primeiros posts estava incorrecto. Junto ao título está agora a indicação correcta. Se alguém me enviou alguma coisa, peço-lhe que o faça de novo para esse mail. No mesmo sentido gostaria ainda de pedir que os blogs que não tenham sido ainda aqui referenciados, e que se dirijam à Desesperada Esperança, que me avisem por mail, de forma a que o debate se desenrole. Pessoalmente, farei o mesmo em relação aos blogues que nunca tenham mencionado a Desesperada Esperança
Posted by Bruno at 06:52 PM
A questão Hobbesiana (Actualizada)
A propósito de um artigo de João Pereira Coutinho, o Contra a Corrente afirma que muitos opinion makers, à volta da guerra do Iraque, vêem Hobbes como "uma espécie de proto-belicista, inspirador das mais musculadas e brutais teses de intervenção do poder do Estado, quer interna quer externamente, em total dissonância com as teses Kantianas (mormente a Paz Perpétua).", afirmando ao invés que Hobbes sempre defendera o "rule of law" como forma de impedir que natureza conflituosa do Homem se manifestasse.
De seguida pede a esses opinion makers que se deixem de paralelos. Permita-me discordar:
Fui daqueles que apoiou a intervenção militar no Iraque. Nalguns debates realizados em aulas na minha faculdade (será que haveria tanto interesse em debater se se tratasse de uma medida da "esquerda progressista"?) não escapei aos olhares de soslaio, como que a chamar-me de assassino ou porco capitalista, aos risos de troça e aos epípetos de fascista. Não li o livro de Robert Kagan a que se refere, mas li o artigo que lhe deu origem, "Power and Weakness" publicado na Policy Review. Parece-me, e é aqui que discordo de si,que se justifica o estabelecer de paralelos entre a estratégia americana e a Filosofia Política de Hobbes. A visão do Homem da Admnistração Bush é essencialmente uma visão Hobbesiana do Homem, uma visão pessimista, que vê o sistema internacional como um sistema anárquico. Ora o senhor afirma, e concordo consigo (nem haveria espaço para discordar), que Hobbes defendia essencialmente o rule of law, para impedir que o estado de natureza belicoso do Homem se tornasse a regra. Ora a estratégia americana reflecte exactamente o mesmo tipo de pensamento. Usa o seu poder como forma de estabelecer alguma ordem. Mas será este uso da força por parte dos EUA, e o seu poder, uma espécie de "Leviathan" internacional. Será esta estratégia por exemplo incompatível com a "Paz Perpétua" de Kant?
Penso que concordarão comigo quando respondo "não" à primeira questão. Os EUA estão apenas a defender os seus legítimos interesses, procurando até a democratização no Médio Oriente (aqui entram as minhas reservas).
Quanto à segunda recomendo a leitura do artigo de João Marques de Almeida no nº16 da Nova Cidadania...
...ah, o meu primeiro debate na blogosfera...
Posted by Bruno at 06:02 PM
As minhas criações
Enquanto não estou na blogosfera (confesso que não ocupa muito tempo), ou ocupado com a leitura da Economist, ou com as referências do post anterior, estarei provavelmente com a minha guitarra. Se Clinton foi Presidente sendo saxofonista, também eu posso conquistar votos através das minhas qualidades instrumentais (e o grande Woody Allen também toca, se não me engano, clarinete). Este blog servirá também para a divulgação de algumas das minhas letras, umas com canções prontas outras não...
Posted by Bruno at 12:50 AM
Referências
Cinema — Kubrick; Woody Allen (quem eu quero ser quando for grande, ou mais novo, não sei); David Lynch; os Monthy Python, Seinfeld (eu sei que é telvisão mas não faz mal).
Outros filmes — Beleza Americana; Magnólia; Amélie; Seven; Apocalipse Now (merecerão posts mais tarde).
Música — Pink Floyd; Beatles; Led Zeppelin; Radiohead; Pearl Jam e atenção aos Tindersticks e aos Coldplay.
Política — Pacheco Pereira (quase religiosamente); Rui Rio(pela firmeza e convicção); José Manuel Fernandes (a razão pela qual compro o Público); João Carlos Espada e Henrique Monteiro (a razão porque compro o Expresso); Weber(para compreender as fragilidades da Democracia); Tocqueville(para compreender o que tem de bom) e Burke (porque receio as Utopias).
Blogosfera — Pacheco Pereira; Pedro Mexia; Pedro Lomba; João Pereira Coutinho (para quando o regresso?); Valete; MacGuffin
Posted by Bruno at 12:23 AM
julho 15, 2003
Assim comeca
Entro hoje na blogosfera. Despertado para este fenómeno pelo Abrupto de Pacheco Pereira, resolvi dar a este blog o título de um dos livros deste senhor, "Desesperada Esperanca" (aqui vai sem cedilha, tal como a mão que a escreve, que para além de invisível é ignorante nestas matérias). Espero que através deste meio possa discutir, debater, enfim, participar, algo que não é acessível noutros meios a um estudante universitário.
O Desesperada Esperanca foi planeado como um blog colectivo. O grupo que seria responsável por ele achou melhor que cada um tivesse o seu, debatendo entre si as questões que nesses blogs forem sendo colocadas (os links dos blogs deste grupo serão divulgados pelo Desesperada Esperanca à medida que aparecerem).
Posted by Bruno at 10:24 PM